Episódios de Não Inviabilize

FUMO

01 de junho de 202615min
0:00 / 15:44

Luz Acesa é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!

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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia

Vinhetas: Pipoca Sound

Voz da vinheta: Mari Ribeiro e Priscila Armani

Participantes neste episódio8
A

Altair

Convidado
D

Dona Noêmia

Convidado
E

Emília

Convidado
G

Geise

Convidado
J

Jéssica

ConvidadoEnfermeira
L

Leandra

Convidado
M

Marta

Convidado
R

Roberto

ConvidadoProfessor e Presidente da CUT Sergipe
Assuntos4
  • Morte súbita de Tio AltairInfarto fulminante · Altair
  • Avô circense e tradições familiaresFesta de família · Espírito tentando fumar · Altair · Leandra
  • Parar de fumar e cogniçãoVício em cigarro · Acompanhamento médico e psicológico · Altair
  • Crise Familiar ContemporaneaCrença e descrença · Conflito familiar · Altair · Leandra · Tia Emília
Transcrição43 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Luz acesa, história de Tamento.

Oi, gente, cheguei. Cheguei para um luz acesa. E hoje eu vou contar para vocês a história da Leandra. Então, vamos lá. Vamos de história. Leandra nunca teve nenhum tipo de mediunidade. Nada do gênero. Nunca viu nenhuma assombração. Nada, nunca.

Leandra cresceu ali em meio aos irmãos, aos primos, uma família grande que gostava muito de se reunir. E entre as pessoas, Leandra tinha ali o seu tio, que a gente vai chamar aqui de Altair.

Tio Altair sempre foi muito animado, participava bastante das festas. E o tempo foi passando, Leandra foi crescendo, Leandra foi para a faculdade, Leandra terminou a faculdade, casou, teve filhos, enfim. A família ali sempre reunida, sempre fazendo festas.

Leandra casada com filho, então assim, a sua vida muda. Estava morando, por exemplo, eu moro aqui em Santo André, e a família da Leandra morando em São Paulo e Leandra em Santo André aqui. Então assim, é perto, é. Mas às vezes a logística, a dinâmica, você não consegue ir toda semana, você não consegue ir em toda festa.

Leandra conversava muito com os familiares ali no grupo da família, muito com a sua mãe, que a gente pode chamar aqui de, sei lá, Dona Noêmia, mas ela não ia presencialmente tanto às festas, por ter os filhos pequenos e tal.

por dona Noêmia, Leandra ficou sabendo que seu tio Altair tava tentando parar de fumar. Conseguiu um dia, aí todo mundo ria que no outro dia tio Altair tava ali com um cheirinho de cigarro, não tinha conseguido. Ele falava, não, amanhã eu vou conseguir e tal. Porque o médico já tinha falado pra ele que ele precisava parar, nananã.

Até que um dia, Tio Altair realmente falou... Não, agora eu vou parar. Pegou o cigarro, jogou fora e falou... Não, eu vou... Se eu não sair de casa, pelo menos uma semana, eu vou aguentar e eu vou fazer. E aqui eu tenho que abrir um parêntese pra dizer que se você precisa se livrar de um vício, é importante que você tenha acompanhamento médico, psicológico, porque não é fácil. Preciso desse tratamento de choque pra conseguir. Sozinho eu vou conseguir.

E ele fez ali uns dias morando ele, a esposa e mais um filho que já tinha se divorciado e tal, voltado para casa.

E ele estava ali com a sua família, tentando. Nos primeiros dias muito difíceis, a dona Marta ali, a esposa, fazendo coisa que ele gostava de comer, para ele esquecer o cigarro. Seu Alteir, realmente, ele ficou muito abalado com essa própria vontade dele de parar o cigarro e essa determinação, mas psicologicamente ele estava muito abalado. E um dia ele, sentado no sofá nessa semana que ele tentou parar de fumar,

e realmente não fumou, então digamos que ele já estava há quatro dias sem fumar nenhum cigarro. Ele sentou no sofá para assistir televisão e tomar ali um cafezinho, e ele simplesmente fechou os olhos e morreu.

Tio Altair teve um infarto fulminante e ele morreu ali sentado no sofá. Foi percebido isso ali uns 20 minutos depois, quando Marta falava E aí, Altair, já tomou café? Ele não respondia, ela estava na cozinha fazendo as coisas. Ela foi e viu que ele não estava respirando. Chamou-se o Samu, o Samu veio e não conseguiu reanimar. Então, tio Altair realmente tinha falecido em casa.

Foi um baque na família. Porque ele era, sabe aquela pessoa que agrega, que consegue juntar todos os familiares e que faz festa. Veio parente de tudo quanto é lado para o enterro. Leandra ajudou nas coisas ali e tal, nos preparativos, enfim. Foi tudo muito triste. Família inteira de luto enterraram tio Altair.

Leandra voltou para casa, teve a missa de sétimo dia. Leandra foi direto para a igreja, participou da missa, voltou para casa, enfim. Vida que seguiu, todo mundo muito triste, as pessoas deixaram de fazer aquelas festas de família, porque era o tio Otair que organizava tudo, que botava pilha ali para a galera fazer as festas.

E o tempo foi passando. Quando ia dar um ano da morte de tio Altair,

Calhava de ser ali um feriado festivo qualquer. E as pessoas no grupo da família começaram ali a conversar sobre, de repente, fazer um churrasco, que era o que o tio Otair gostava, com muita música, muita festa, para comemorar esse feriado festivo e também esse um ano da morte de tio Otair. Teria que ser uma festa que todo mundo iria. E assim foi combinado.

Naquele esquema familiar de cada um leva uma coisa, fizeram um rateio, como todas as festas eram antes, comandadas aí por tio Altair. Leandra pegou as crianças, o marido, que a gente pode chamar aqui de Roberto, e foram lá para a festa.

Chegaram, já estava todo mundo, música, o pagode ali animado, churrasco. As crianças já foram brincar com as outras crianças, o marido dela já foi conversar com os caras. E ela ficou ali com as tias, colocando as fofocas em dia, conversando, conversando com as primas. Uma festa de família normal, devia ter ali em torno de umas 40 pessoas.

Essa festa não era na casa do tio Altair, era na casa da tia Emília. Tava todo mundo lá reunido, festa ao ar livre, um quintal muito grande com uma churrasqueira. Só aquela partezinha da churrasqueira aí onde você bota a mesa com as comidas, que era coberta. O restante, ao ar livre mesmo. As pessoas que fumavam...

Estavam fumando. Leandra, que estava perto da mesa onde tinha as comidas, foi falar com a prima dela que estava lá, com a galera que estava fumando. Estava ali, né? Na Uar Livre, as crianças correndo. Quando Leandra está chegando perto, ela vê o seu tio Altair. E como estava o tio Altair?

Leandra está caminhando para chegar naquele grupo e ela para. Porque quanto mais perto ela chegasse do grupo, mais perto ela ia estar. Daquele tio Altair que ela estava vendo agora o espírito dele. E ele tentava segurar a mão das pessoas e ele tentava fumar.

Tio Altair tentava engolir a fumaça. A visão que a Leandra tinha do tio Altair era muito diferente de quando ele morreu. Tio Altair era um homem fortão, parrudo, barrigudinho. E ele estava muito magro. Tio Altair morreu gordo. Como ele estava magro? Magro assim, quase esquelético mesmo.

Isso é uma coisa que Leandro também não sabe responder. Mas ele estava, parecia que ele estava, sei lá, passando fome, passando necessidade, sabe? Mas ele era um espírito, ele não morreu daquele jeito. E ele tentava...

Fumar. Quando ela entendeu que ela estava vendo seu tio morto tentando fumar, ela começou a gritar. Mas ela gritava muito, gritava. E ela chegou naquela roda e tentou pegar o tio Altair assim. O tio Altair continuava ali e parecia que ele não ouvia ninguém e não via ninguém. Ele estava alheio ao que estava acontecendo naquela festa. Ele só estava focado naquela fumaça, naqueles cigarros acesos.

E conforme as pessoas foram vendo que ela estava gritando, foram jogando automaticamente o cigarro no chão e pisando. E aí ela viu o tio Otair deitado no chão tentando catar aqueles cigarros. Que já estavam apagados.

E ela gritava, gritava, Tio Altair, Tio Altair. E as pessoas chegando da família, tentando segurar a Leandra, né? E as crianças assustadas. Ela gritou muito, muito. Até ela conseguir acalmar e contar o que estava acontecendo.

Parte da família acreditou na Leandra, parte brigou com ela porque achou que ela estava fazendo os familiares mais próximos, os filhos. A esposa do tio Altair sofrer, que podia ser uma impressão da cabeça dela, alguma coisa assim. Mas tia Emília, que era dona da casa, acreditou nela e ficou preocupada se o tio Altair estava lá na casa dela. Aquele churrasco acabou ali, porque assim, a Leandra realmente ficou tão mal que o marido dela teve que levar ela no pronto-socorro.

Porque a pressão dela subiu, enfim. Passada uma semana, a mãe da Leandra falou... Olha, você tem que ir lá na sua tia, conversar com a sua tia, pedir desculpas. Porque assim, né? Tudo bem que você pode ter visto, mas o jeito que você fez ali, a sua tia ficou muito mal. Era o marido dela, nananã. De tantas pessoas falarem que podia ser coisa da cabeça dela, ela falou... Bom, acho que foi coisa da minha cabeça.

Foi na casa da tia e o tio Altair estava daquele jeito, magro, sujo e estava sentado naquela poltrona que ele morreu. Assim que ela pisou na sala, ela viu e ela saiu. Foi lá pra fora. Ela estava com o marido e ela falou, ele tá lá, tá sentado na cadeira. Conversou com a tia ali rapidinho, pediu desculpas, falou que não queria entrar. Ela pisou na sala e saiu correndo.

Depois ela contou pra tia Emília. Tia Emília também deu uma aliviada, né? Tia Emília que não tava na casa dela. Mas aí eles começaram a rezar missa pro Tio Altair. E foi só o que eles fizeram, assim, né? Toda semana colocando o nome do Tio Altair ali na intenção, né?

Alguns parentes também começaram a ir no cemitério, rezar pra ele no cemitério. Leandra não sabe se ele foi embora ou não, porque foi uma coisa muito traumática pra ela. Ela não voltou em outras festas de família. O dia que ela foi na casa da tia, o primo dela que morava lá, tava lá também. Meio que eles brigaram, porque ela acabou falando pra tia Emília, que tinha visto, né?

o pai do cara lá dentro, então ele achou isso também desrespeitoso, enfim.

Isso criou meio que uma briga na família. Ela não tem como ir mais na casa da tia dela, porque ela brigou com esse primo pra ver se o tio Walter tá lá. E ela não vai mais nas festas também da família. Então, ela não sabe se depois desse tanto de missa, ele foi embora ou não. Mas ninguém chamou médium, ninguém chamou nada. Só fizeram essa coisa da missa. Mas ela viu ele tentando pegar os cigarros.

E ele morreu com essa vontade, né? Porque ele morreu ali tentando parar, mas com muita vontade de fumar. A própria mulher dele disse, né? Que ele estava com muita vontade de fumar. Então, eu fico pensando aqui nas histórias que eu já contei de pessoas com sede, que morreram com sede, com fome e que voltam para tentar comer ou beber. E, meu Deus, né?

Leandra, por uns 4, 5 meses, mandou rezar a missa para o tio toda semana, mas ela tem medo de fazer orações para o tio na casa dela e atrair o tio. Então, ela só mandou mesmo rezar as missas. Então, não sabemos se o tio Otair conseguiu.

sair desse estado que ele estava, mas ele não via ninguém, parecia que ele não prestava atenção que ele estava em família. E aí o que eu fico pensando é, para ele estar na casa da tia Emília e depois estar na casa dele, ele está indo junto com alguém. Ou com a esposa ou com o filho que morava na casa.

Ele não está só lá na casa dele, ele foi para a casa da tia Emília. Ou será que porque era uma festa para ele, ele foi atraído? Mas se ele não conseguia ver ninguém, se ele não conseguia prestar atenção em nada, só nos cigarros, nem quando a Leandra gritou muito, ele olhou para ela. Ele só olhava, ele só viu os cigarros, a fumaça, enfim. O que vocês acham?

Oi, não inviabilizadores. Meu nome é Jéssica, eu falo de São Paulo, capital. Eu sou enfermeira e na saúde a gente fala sobre o custo-benefício dos tratamentos. Quando a gente pede para um paciente idoso que abra a mão de um vício, a gente precisa fazer um entendimento além da sua saúde física.

que é importante abrir mão daquela substância, mas a gente precisa entender o contexto emocional, né? Afinal de contas são anos e se a gente parar pra pensar todas as vivências da vida dessa pessoa estão atrelados com aquele hábito, né? Porque o cigarro é mais do que a substância, o hábito de fumar, essa relação das mãos, de guardar e tudo isso tá envolvido no hábito, né? Do vício. Então a gente tá vendo através dessa história que esse cuidado precisa ser além da vida após a morte. Eu espero que o tio Otay receba toda a ajuda possível,

e que essa família tenha o coração confortável e que a nossa amiga consiga buscar soluções para ajudar o tio. É isso, um beijo, abraço a todos.

Oi, não em WebLizers. Aqui é a Geise de Santo André. E eu queria deixar uma dica para quem deseja ou precisa parar de fumar. Como a Deia comentou, um acompanhamento nesse processo é fundamental. E o SUS oferece esse tratamento gratuitamente. Dependendo do caso, ele é feito com medicamentos, adesivos, pastilhas, gomas de mascar. E tem também um acompanhamento de médicos e psicólogos.

com encontros semanais, pode ser individual, pode ser em grupo. E esses encontros, eles são essenciais na fase da abstinência, na fase de recaídas. Então é só procurar o BS mais próxima com documento e realizar o cadastro. Porque ninguém merece morrer e ficar mendigando cigarro alheio, né? Deus me livre. E vivo o SUS. Um beijo. Essa é a história da Leandra. Comentem lá no nosso grupo do Telegram. Sejam gentis com a Leandra. Deus me livre.

Um beijo e eu volto em breve. Quer a sua história contada aqui? Escreva para nãoenviabilize.com Luz Acesa é mais um quadro do canal Não Enviabilize.