JOANINHA
Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
Vinhetas: Pipoca Sound
Voz da vinheta: Priscila Armani
- O rompimento e as consequências da decisão de Lailamoça se recusa a ajudar nas contas·Laila troca fechadura e remove pertences·moça ameaça BO e Conselho Tutelar·Laila traumatizada com a situação
- A história de Laila e o relacionamento com a mãe soloLaila e a moça iniciam namoro·Laila se dá bem com Joaninha·decisão de morar juntas·divisão de despesas e alimentação
- A decisão da moça de matricular Joaninha em escola particularmoça gasta 13º com viagem·matrícula de Joaninha em escola particular·moça não ajuda mais nas contas·Laila em choque com a situação
- Laila toma medidas drásticas para resolver a situação financeiraLaila faz empréstimo·ameaça alugar quarto de Joaninha·moça chora e manipula·Laila corta gastos extras
- A mudança de rotina e os desafios financeiros com Joaninharotina de Laila muda com criança·Joaninha come muito·contas no limite·dificuldade em guardar dinheiro
Picolé de limão, o refresco ácido do seu dia. Oi gente, cheguei, cheguei para mais um picolé de limão e hoje eu não tô sozinha, meu publi. Quem tá aqui comigo hoje é o Airbnb. Chegamos em outubro, você não pode deixar passar a oportunidade de descansar, dar uma relaxada aí. E ó, não precisa ser sozinho, sozinha, tá? Você pode chamar os seus amigos, pode reunir a sua família, e aí você escolhe uma acomodação no Airbnb bacanuda assim, com todas as coisinhas que você gosta.
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Laila conheceu uma moça e elas começaram um namoro. Laila trabalhando, morando de aluguel, Moça, mãe solo, com uma menininha de 10 anos, que a gente vai chamar aqui de Joaninha, morando com duas amigas. Laila se deu muito bem com Joaninha e a moça começou a ficar bastante ali na casa da Laila. Só que a Laila morava numa kitnet, então assim, era muito pequena, né? E não comportava a Joaninha. A criancinha de 10 anos, né? Depois de 6, 7 meses, elas resolveram sentar, fazer as contas, e isso é importante, para ver se elas conseguiam alugar um lugar junto, dividindo as despesas, inclusive dividindo a alimentação em dois.
Então, Laila pagando metade também da alimentação da Joaninha. Juntando os dois salários daria super certo para morarem juntas num lugar maior que tivesse um quarto para elas, um quarto para Joaninha. E foi isso que elas fizeram. Isso aconteceu em abril do ano passado, que elas foram morar juntas. A rotina ali da Laila obviamente mudou, porque agora você tem uma criança em casa, né? Então tudo ali meio que fica voltado para criança, né?
Eu acho que isso é o certo, você tem que incluir a criança, no caso a Joaninha, em todas as coisas. Primeiro impacto que a Laila teve foi que a Joaninha, uma criança de 10 anos, comia muito. Mas, gente, as crianças comem bem. A Laila falou para mim, Andréia, e não é assim a questão de obesidade, não. A criança magra, que meu Deus do céu! Parecia realmente a Joaninha, porque Joaninha come bem. Mas até então, as duas dividindo as contas ali, tava dando, porque tem aluguel, tem condomínio, tem um monte de coisa para pagar, e comida, bastante comida.
Estavam ali no limite, mas estavam indo. Aluguel ali no nome da Laila, vida seguindo ali. Quando foi em dezembro do ano passado Elas combinaram de pegar o 13º delas e guardar para ter ali uma folguinha, uma sobrinha, porque não sobrava nada. Só que aí a moça falou: não, mas final de ano eu queria ir lá para casa da minha mãe com a Joaninha. Ela tinha combinado, elas tinham combinado isso. Você não vai poder ir porque a minha mãe lá acha que eu sou hétero.
Mas você vai gastar o dinheiro que a gente combinou de guardar?
Você não pode guardar o seu, já que você vai ficar aqui? E aí eu uso o meu?
Tá bom, minha família tá aqui, a família dela tá longe. Tá bom, vai.
Foi lá, ela nem questionou se ela ia usar tudo, se ela não ia. Ficou por isso mesmo. Voltou lá para o dia 3, 4 de janeiro. Quando é dia 6, 7, já tem o quê? Conta, né? Elas tinham ali uma conta que tava no nome da moça, que a Laila mandava o dinheiro ali. Chegou no dia 6 de janeiro, Laila perguntou para ela: posso mandar minha parte?
Beleza, manda.
O que que você fica tranquila? Porque até então, de abril até janeiro, as contas estavam todas pagas. Quando foi ali dia 20 de janeiro A moça falou para Laila assim: você pode me emprestar um pouco do seu 13º?
Claro, né, alguma emergência.
Só que a moça pediu um valor que somado dava ali metade do que a Laila já tinha dado para ela. Parecia que era parte dela das contas ali do mês, e realmente era. Pai da Joaninha paga R$300 de pensão, e esses R$300 de pensão vai para o convênio de Joaninha que a ainda complementa, porque não custa só R$300. Então é isso que o pai dá, e é apenas isso. O que que ela fez? Ela tinha ido lá para casa da mãe dela. Ela tem uma irmã que mora também na cidade delas ali, que também tinha ido lá para o estado da mãe.
E a irmã botou o filho numa escola particular, que era muito bom, ensinou melhor, não sei o que lá. E o O que que a agora praticamente esposa, que elas só foram morar juntas, não formalizaram isso, mas praticamente esposa da Laila fez? Janeiro, quando ela voltou, foi lá, pegou o dinheiro que ela tinha e sobrou, não sei, fez um arranjo lá, fez a matrícula da criança na escola particular, fez matrícula da Joaninha, nai do candário do pônei, pagou matrícula e primeira mensalidade.
Só que agora tinha uma questão, ela tava sentando com Laila para dizer que agora ela não ia mais conseguir ajudar a Laila nas contas da casa, sendo que não existe ajudar. Elas dividiam em dois, muito apertado tudo ali, para poder ter uma vida melhor ali, né, um apartamento maior e tal. Ela estava comunicando que agora ela precisava focar nessa idade que Joaninha tá, de 10 agora para 11, no ensino médio de melhor qualidade para Joaninha.
Laila ficou em choque, porque assim, não é que você vai bancar escola particular, se apertar, pegar outro trampo, não sei, e continuar bancando minimamente as coisas de casa. Não, ela estava comunicando a Laila que dali para frente a Laila ia pagar as despesas de casa todas. Então aluguel inteiro, internet inteira, luz inteira, alimentação educação, inclusive de Joaninha inteira. Não tinha como a Laila bancar isso. E a moça chorou, chamou Joaninha lá do quarto para Joaninha chorar, que Joaninha queria ir para a mesma escola do primo.
Laila, muito apaixonada, ficou em choque e falou, eu vou ver o que eu faço.
Como assim, Laila vai ver o que faz? Isso era janeiro, começou já 2026 assim, gente.
Laila foi lá e fez um empréstimo que ia dar para aguentar até a metade do ano, mas ela falou: até maio eu vou segurar as pontas, mas a partir de maio, se você não pagar metade das coisas, eu não vou poder morar mais com você. Eu vou ter que botar uma pessoa aqui, alugar o quarto que é da Joaninha.
Não, mas aí você pode alugar o quarto da Joaninha e A gente dorme no nosso quarto, a Joaninha dorme na sala.
Não tem condição de deixar uma criança dormir na sala. Se você não conseguir pagar as contas até maio, você vai ter que procurar outro lugar, porque agora eu me comprometi com aluguel aqui, eu vou ter que alugar esse quarto. De novo a moça chorou, mas a Laila: até maio eu não vou mais tocar nesse assunto.
Só que assim, quando você vai para uma escola particular, não é só escola, As crianças lá, elas fazem atividades extras que custam dinheiro, elas têm coisinhas extras, as professoras pedem coisas que custam dinheiro. Então não é só escola, só de material ali já lascou tudo. A moça um dia pediu mais um dinheiro para Laila, Laila falou: não tenho, não vou te dar. E aí elas começaram a brigar. A moça sempre botando a Joaninha pra pedir as coisas pra Laila.
O tempo foi passando, a moça foi infernizando, a Joaninha comendo absolutamente tudo. Laila parou de comprar cereal, iogurte, chocolate, esse tipo de coisa que a hora que você põe na compra ali pesa, dava tipo, sei lá, R$200 a mais. A Laila falou, Andréia, não tinha de onde tirar. A moça infernizando porque tava deixando a Laila sem essas coisinhas. A Joaninha precisava de um dinheiro para cantina da escola. Joaninha vinha chorar para ela e a Laila dava R$100, mas R$100 não dava para nada para cantina da escola.
Isso foi virando uma bola de neve. Quando chegou maio, Laila: e aí, como é que vai ser?
Você vai me ajudar nas contas?
Já sabendo que a moça não tinha como ajudar nas contas. E aí a moça falou: não, não vou te ajudar.
Pagar nas contas, não vou sair do quarto e é isso.
Ou seja, não tinha mais nem aquela opção da Joaninha dormir na sala e passou a dormir no quarto da Joaninha. Romperam, mas ela falou que ela não ia sair da casa. Isso foi lá para o dia 10 de maio. Laila se virou, ela tinha o dinheiro das contas, mas ela já tinha desfalcado dinheiro para essas coisas extras da Joaninha na escola.
O discurso dessa esposa era sempre: você não me apoia, eu sou mãe solo, não sei o que lá.
Amiga que ela tinha saído da casa disse que não ia receber ela de volta. A irmã dela mora com o marido e o filho. O marido disse que não queria ela lá com a Joaninha, ia ser mais um gasto. Eles também não têm como, estão no limite também pagando a escola do menino. A Joaninha e a esposa de Laila não teriam para onde ir, mas Gente, cada dia pior. Teve coisa que sumiu que era coisa da Laila, que ela tem certeza que a moça vendeu para poder comprar as coisas da Joaninha.
E assim, ela transformou a Joaninha numa criança de outro padrão, só que sem grana para bancar isso aí. E você sabe como é criança, tá vendo? Todo mundo tem, óbvio que a criança quer também. Lógico que Joaninha tinha suas vontades. Dia 20 de maio, depois de uma dessas coisas de que Joaninha precisa, Joaninha quer, e a moça fez um escândalo lá, a moça saiu, falou que ia passar o dia na casa da irmã. Laila, surtada com o aluguel no nome dela, foi lá, avisou a portaria que as duas não podiam mais subir.
Laila trocou a fechadura, pegou tudo das duas, muitas caixas, chamou duas amigas para ajudar, que também já estavam por aqui da situação, vendo como a Laila tava. Laila tava pele e osso já, porque nem comendo direito ela tava mais que joaninha, um estrago. E elas levaram todas as caixas lá para casa da irmã. Irmã mora numa casa, casa mesmo. Elas abriram o portão da garagem, que tava só encostado, e colocaram todas as caixas lá. Tocaram a campainha da irmã, irmã começou a gritar.
E a Laila falou, não é problema meu mais.
Passada uma meia hora, a moça ligou muito brava, disse que ia fazer BO, que ia no Conselho Tutelar.
Ela falou, pode ir, você não me ajuda em nada. Eu sustentei a sua filha desde o ano passado em muitas coisas além da alimentação, que a gente não dividia porque você não tinha como bancar. Eu não sei o que deu na sua cabeça de colocar sua filha na mesma escola que a sua irmã. Sua irmã lá com o marido bancando tal. Eu não posso, eu não sou igual ao marido da sua irmã.
E a moça tava desesperada porque a Joaninha ia perder praticamente aquele ano escolar, né? Tudo bem, vai, arranja uma vaga numa escola pública. Mas ela não queria, queria manter a Joaninha no educandário do pônei. Um golpe baixo que ela fez foi levar a Joaninha no trabalho da Laila para chorar e pedir para voltar. Laila chorou muito, mas disse, Joaninha, eu não posso.
Sua mãe não tem condição de bancar você naquela escola, não tem condição de bancar mais o apartamento comigo, e eu preciso colocar uma pessoa lá para pagar metade das contas. Então eu sinto muito, Joaninha.
Hoje ela tem notícias de que Joaninha continua na escola, mas ela acha que a ex não tá pagando, tipo, vai deixar para pagar no fim do ano, se virar, sei lá. E ela pegou o dinheiro que ela recebia do salário dela, né, e alugou uma coisa mais barata, mas não tirou a Joaninha da escola. E ela falou, eu sinto muito, eu não sei como é que ela vai fazer e tal, mas eu tive que fazer isso. Ela espalhou para todo mundo que eu botei ela para fora com uma criança e tal, que eu sou uma pessoa ruim, mas ela não— isso ia só piorar, não ia ter fim.
Hoje já tem uma pessoa morando lá, alugando esse quarto, dividindo despesas com a Laila. Laila ficou muito traumatizada porque ela teve que falar na cara da criança: não, você não vai voltar a morar comigo, não, não posso mais ajudar vocês. Isso deixou ela muito mal. Eu acho que a mãe tem todo o direito de querer uma educação melhor para filha, querer mais coisas, mas com que dinheiro, gente, sabe? Essa é a questão: com que dinheiro?
Com dinheiro de quem? E foi com dinheiro da Laila até aí, praticamente final de maio. E essa é a história. Laila falou que ela sabe que talvez não foi certo botar uma mãe solo com a criança para fora, mas ela não tinha o que fazer, ela não tinha mais como bancar aquilo. E ela tava meio obcecada, a moça, sabe, de de aumentar esse padrão da filha, porque ela achava que ia fazer muita diferença quando Joaninha crescesse. O que que vocês acham?
Oi, não enviabilizei. Aqui é a Júlia de São Paulo capital. Laila, eu imagino como deve ter sido difícil você ter enfrentado a Joaninha para falar para ela que você não ia mais conseguir ajudar a mãe dela em relação à escola e tudo. Eu imagino que até hoje deve pesar um pouco para você, mas assim, não se sinta culpada porque a culpa é toda da mãe dela. A Joaninha é responsabilidade da mãe dela. Então, se a mãe dela quer dar uma educação legal para filha dela, quer dar uma boa condição, o que é justo, ela tem que fazer por onde?
Se ela não tem condições de colocar a filha no colégio legal, ela tem que matricular a filha onde ela pode pagar. A vida é assim, não é uma responsabilidade sua. Então você fez certo de terminar e fazer ela seguir o rumo da vida dela. Um beijo!
Olá, no Indabilizes, aqui é Rita, eu falo de Fortaleza. O que mais me chocou foi a instrumentalização da maternidade solo, que precisa ser vista com seriedade e não como objeto de chantagem emocional. Laila foi vítima de uma chantagem não somente afetiva, porque isso mexeu com o lugar dela de mulher, com o lugar dela de companheira, e também com o afeto que ela também construiu pela Joaninha. Ela foi uma super parceira, dividiu contas, forneceu alimentação, também se corresponsabilizando pela criação dessa criança de alguma maneira.
Mas para mãe da Joaninha isso não foi suficiente. Consciente. Admiro demais a Laila pela força de espírito que ela teve de dizer não, de resistir a essa chantagem, ter saído dessa situação.
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