Episódios de Não Inviabilize

SEM PERDÃO

28 de setembro de 202623min
0:00 / 23:30

Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!

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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia

Vinhetas: Pipoca Sound

Voz da vinheta: Priscila Armani

Participantes neste episódio3
A

Andreia Freitas

HostJornalista
R

Rafael Pacheco

Comentarista
R

Rodrigo

ComentaristaApresentador
Assuntos5
  • A ajuda inesperada de Dona Esmeralda e a mudança de vida dos irmãosAgnaldo consegue emprego em sacolão·Cristiano acompanha Agnaldo para não ficar em casa·Dona Esmeralda sonha com a mãe e decide ajudar·Dona Esmeralda oferece moradia e apoio
  • A recusa de perdão ao pai e as consequências de suas açõespai aparece pedindo abrigo e é rejeitado·Agnaldo vê o pai dormindo na rua·assistente social pede que perdoem o pai terminal·Agnaldo e Cristiano se recusam a perdoar o pai
  • A infância traumática de Agnaldo e Cristiano com um pai abusivomãe Dona Antônia fazia de tudo pelos filhos·pai agredia a mãe e as crianças·Agnaldo queria tirar a mãe e o irmão das garras do pai
  • A morte da Dona Antônia e a chegada da nova mulher do paiDona Antônia morre dormindo·pai não se importa e vai trabalhar·pai coloca outra mulher em casa dias depois·mulher joga as coisas da Dona Antônia fora
  • O legado de Dona Esmeralda e a casa deixada para Agnaldo e CristianoSeu Walter falece e Agnaldo assume a oficina·Dona Esmeralda incentiva Cristiano a fazer faculdade·Dona Esmeralda falece e deixa a casa para os irmãos·Jaime, irmão de Esmeralda, entrega a pasta da casa
Transcrição54 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Picolé de limão, o refresco ácido do seu dia.

AFAndreia Freitas

Oi gente, cheguei, cheguei para mais um picolé de limão e hoje eu não tô sozinha, meu publi. Quem tá aqui comigo hoje é a Contabilizei. Sabe aquela história de perder um contrato porque o cliente pediu nota fiscal? Ou você ter receio aí de cobrar o preço justo porque você não tá formalizado? Pode esquecer tudo isso! Esse perrengue só existia porque antigamente abrir CNPJ envolvia muita burocracia, muitos gastos e termos difíceis aí.

Às vezes a gente não sabia nem por onde começar. Mas viu que eu disse envolvia, né? Com a Contabilizei, todo esse processo é muito fácil. Chega de toda papelada, de complicação. Ó, sua vida empresarial vai ficar o quê? Boneca! Estar sem um CNPJ pode limitar e muito o seu crescimento. Trabalhar formalizado aumenta a sua credibilidade, a sua segurança profissional e te ajuda a ter acesso a clientes maiores. E a Contabilizei te ajuda com tudo isso.

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AFAndreia Freitas

E hoje eu vou contar para vocês a história do Agnaldo. Então vamos lá, vamos de história! Agnaldo tem um irmão 4 anos mais novo que ele, o Cristiano, e eles sempre foram muito apegados à mãe, a Dona Antônia. Dona Antônia fazia de tudo pelos filhos, trabalhava lavando roupa, vendendo pão, o que pudesse, Porque ela tinha um marido, só que ele não colocava dinheiro dentro de casa. Ele só chegava em casa para agredir a Dona Antônia, agredir as crianças.

Agnaldo não via a hora de crescer e poder tirar a mãe dele daquela casa, porque aquela casa era somente do pai. Então ele queria muito crescer, trabalhar e tirar a mãe e o Cristiano, né, seu irmão, das garras deste homem. O tempo foi passando. Quando Agnaldo tava com 16 anos e o Cristiano 12, ele tinha um trato com a mãe dele de que ele acordava muito cedo, até um pouco antes da Dona Antônia, para colocar água do café para esquentar.

Assim que ele ligava ali o fogão, ele já escutava o barulho do chinelinho da mãe dele. Agnaldo foi até o fogão, ligou, botou a água ali, só que ele não escutou o chinelinho da Dona Antônia.

AFAndreia Freitas

Antônia.

AFAndreia Freitas

Ele esperou mais um pouco. Ele tinha receio de entrar no quarto por conta do pai, mas era uma coisa assim que nunca acontecia. E ele foi à porta do quarto e chamou pela mãe: mãe, mãe! A mãe não respondeu. O pai acordou e, infelizmente, a Dona Antônia tinha morrido dormindo. Acreditem ou não, O pai acordou xingando e saiu para trabalhar, enquanto Agnaldo e o Cristiano, que agora já estava de pé, gritavam, choravam, pediam por ajuda.

A ajuda veio, só que Dona Antônia tinha morrido já tinha algumas horas. Polícia, quando chegou, mandou chamar esse homem que tinha ido trabalhar. Voltou, conversou ali com a polícia, mas provavelmente ela morreu do coração, alguma coisa assim, né? Agnaldo tinha 16, Cristiano tinha 12. O Cristiano era muito calado, o pai batia muito nele. Enquanto ela tava ainda ali na cama, Cristiano grudou na mão do Agnaldo e não soltava por nada.

Foram os filhos da Dona Antônia que tiveram que escolher a roupa dela para o enterro, porque o pai não quis saber. Dona Antônia foi velada. O pai ficou pouquíssimo no enterro da esposa. Dona Antônia morreu numa quarta-feira. Quando foi no sábado, este homem, pai de Aguinaldo e Cristiano, tinha colocado uma outra mulher dentro de casa, uma mulher jovem. A mulher tirou tudo do quarto da Dona Antônia: roupa, foto, sapato, bolsa. Ela tinha poucas coisas.

E botou no corredor ali. As crianças estavam num vizinho, porque nesses dias o Agnaldo sabia já fazer comida, mas tinha os vizinhos ali, um chamava, outro chamava, porque estavam com dó dos meninos, né? Quando eles voltaram, as roupas estavam no corredor e eles pegaram todas as coisas da Dona Antônia e colocaram no quarto deles. Esse homem nem apresentou os filhos para essa mulher, só falou: agora quem manda é ela. As crianças Eles ficaram em choque, saíram correndo para um vizinho. E o vizinho, vamos dar um nome aí para esse vizinho, Jorge.

?Voz E

Jorge que foi lá conversar e ele falou, é isso mesmo, trouxe minha namorada e agora ela vai morar aqui com a gente.

AFAndreia Freitas

Eles não tiveram tempo para o luto, nada. Essa mulher não cozinhava, não sabe onde ela comia. Ela e o pai com certeza comiam na rua porque ela não cozinhava e não deixava o Agnaldo cozinhar. O Agnaldo teve que fazer um fogão de tijolo, como se fosse uma churrasqueira de bloco assim, no quintal, para ele poder cozinhar para ele e o Cristiano.

?Voz E

O pai um dia chegou e falou, olha, você tem 16 anos agora, quando você fizer 18 anos você vai embora daqui Você e o seu irmão, que vai ter 14, vocês já podem se virar sozinhos. Eu não quero mais homem dentro dessa casa.

AFAndreia Freitas

Agnaldo ficou desesperado porque ele não trabalhava ainda, né? Procurou lá na escola, contou a história.

?Voz F

Coordenadora queria falar com o pai dele, falou: não, vai ser pior porque ele vai bater na gente. Eu preciso que a senhora me arrume um emprego.

?Voz G

Ela disse: olha, o meu marido é gerente num sacolão. Eu vou ver se ele arruma alguma coisa para você lá, meio período, que eu não quero que você pare a escola.

AFAndreia Freitas

Os meninos estudavam de manhã, então ele poderia trabalhar, né, à tarde. Conseguiu um emprego no sacolão. Cristiano tinha pânico, pavor de ficar em casa sozinho com aquela mulher ou com o pai. Então o que que ele fazia? Ele ia para o sacolão junto com Agnaldo. Agnaldo lá ganhava um prato de comida, o almoço, e ele dividia com o Cristiano. Então os dois dividiam ali aquele prato de comida. Às vezes, quando o dono do sacolão tava de bom humor, ele dava dois pratos, mas era raro.

Cristiano ficava por ali, às vezes ajudava, ficava ali no entorno do sacolão esperando o Agnaldo terminar de trabalhar, porque ele não queria ir para casa sozinho. Vocês terem uma ideia como o pai não tava nem aí para eles, o pai não sabia que eles não estavam em casa tarde, porque o pai também não tinha horário, não tava nem aí, então não sabia que o Agnaldo tava trabalhando. Lá nesse Sacolão, ele conheceu uma senhora chamada Dona Esmeralda.

Dona Esmeralda tinha uns 68 anos, ela ia todo dia lá comprar as coisinhas dela no Sacolão e ficou sabendo da história do Agnaldo, de como tinha sido traumático. Já fazia quase um ano que ele tava lá no Sacolão. Cristiano também ajudava às vezes a carregar as compras da Dona Esmeralda. Dona Esmeralda era uma senhora muito engraçada, assim, muito direta. Tava sempre lá, brincava com todo mundo.

?Voz G

E um dia ela chegou e falou assim pro Aguinaldo: Aguinaldo, sua mãe era vesga?

AFAndreia Freitas

Aguinaldo deu uma assustada, porque a mãe dele era assim estrábica de um olho, né?

?Voz F

Ele falou: Por que que a senhora tá me perguntando isso?

AFAndreia Freitas

Aí eu já quero chorar.

?Voz G

A Dona Esmeralda falou assim: Eu sonhei com a sua mãe e a sua mãe pediu para eu olhar por vocês.

AFAndreia Freitas

Hoje, a hora que terminar, porque às vezes o Cristiano ia até a casa dela levar as coisas, então Cristiano sabia onde a Dona Esmeralda morava.

?Voz G

Quando você terminar aqui, você e seu irmão vão lá em casa que eu quero conversar com vocês.

AFAndreia Freitas

Eles saíram do Sacolão 7 horas da noite. E aí eles foram até a casa da Dona Esmeralda, tocaram a campainha, saiu um senhor de lá, o seu Walter abriu para eles, falou, pode entrar, né? Eles entraram, sentaram, e ele falou: oi, eu sou o Walter.

?Voz G

A Esmeralda já me falou que sonhou com a mãe de vocês e que vocês vão morar aqui. Vocês estão sabendo?

AFAndreia Freitas

Eles ficaram assustados. Dona Esmeralda veio lá da cozinha, ela tava fazendo comida, e ela falou: é isso mesmo, vocês vão morar aqui.

?Voz G

O Walter tem uma oficina ali atrás que ele não usa mais, são 2 cômodos, um banheiro. Amanhã o pedreiro já vai começar a ajeitar, e assim que tiver pronto eu aviso vocês.

AFAndreia Freitas

Cristiano, que não falava, era muito tímido, correu e abraçou a Dona Esmeralda e começou a chorar.

?Voz F

Agnaldo olhou para o Seu Walter e falou: eu não sei se meu pai vai deixar.

AFAndreia Freitas

Dona Esmeralda falou: eu já falei com a sua mãe, ele vai deixar sim.

?Voz G

E o Seu Walter falou: não adianta nem brigar, porque se Esmeralda botou uma coisa na cabeça, ela vai fazer.

AFAndreia Freitas

Não dava nem para imaginar a felicidade daqueles dois. Eles chegaram em casa, não contaram nada, e passados uns 15 dias Dona Esmeralda foi lá, falou com aquele homem: tô levando os seus filhos para morar na minha casa.

?Voz G

Deu o endereço para ele, falou para os meninos: pode pegar as coisas de vocês.

AFAndreia Freitas

Cristiano perguntou se podia levar as coisas da mãe dele, da Dona Antônia.

?Voz G

Pode, filho, leva o que você quiser.

AFAndreia Freitas

Quando eles chegaram, a casa tava toda arrumadinha, eram 2 cômodos e um banheiro. Então o que que a Dona Esmeralda fez? Um quarto para cada um, porque ela falou: vocês vão comer aqui com a gente, vão viver aqui com a gente, só dormir, que é lá nos quartos, né, que eram separados da casa dela. A vida ali do Agnaldo e do Cristiano mudou de uma forma.

?Voz G

Primeiro que o seu Walter falou, olha, minha oficina era aqui, eu mudei para outro lugar, você vai sair do sacolão.

AFAndreia Freitas

Porque o serviço de sacolão era pesado, ele carregava muita coisa.

?Voz G

Você vai sair do sacolão, vai trabalhar comigo na oficina, e o Cristiano não precisa trabalhar.

AFAndreia Freitas

Porque o Cristiano tinha um lugar seguro para ele voltar, né, que era a casa da Dona Esmeralda. Gente, um casal de idosos e ativos ainda, lúcidos, começaram a viver ali os 4 muito bem. O pai foi lá 2 vezes, uma porque queria que o Cristiano abrisse mão do benefício da mãe. Dona Esmeralda botou ele lá para correr. Depois ele tentou de novo, acho que ficou esperando Dona Esmeralda sair, Mas o Cristiano não atendeu. Agnaldo não lembra muito bem como era isso, mas assim, era como se fosse um auxílio que ele não sabe se era de uma igreja, de onde era, mas ele recebia um pouquinho assim, tipo, sei lá, como se fosse hoje R$100, sabe?

E aí o pai queria isso, gente, o pai queria isso. Quando o Agnaldo tinha 25 anos, a mãe dele morreu, ele tinha 16, com 17 ele foi ali para casa da Dona Esmeralda. O seu Walter faleceu. Fazia 8 anos já que eles moravam ali. Foi muito triste, mas o seu Walter tinha ensinado tudo da oficina para o Agnaldo, e o Agnaldo tocou oficina.

?Voz G

Dona Esmeralda falou, olha, toca oficina, porque ele, ele, se ele te ensinou, é porque ele queria que você tomasse conta disso.

AFAndreia Freitas

Dona Esmeralda, uma mulher muito, muito forte assim, muito pra frente. Então assim, ah, o Walter morreu, senti, mas a vida continua. Agora somos nós três. Cristiano já tava com 21 anos.

?Voz G

Dona Esmeralda falou, você tem que fazer uma faculdade. O Agnaldo não quer fazer, mas você vai fazer.

AFAndreia Freitas

Ele foi fazer contabilidade. Dona Esmeralda tinha um único irmão chamado Jaime. Jaime também gostava muito dos meninos. Quando Agnaldo tava com 30 anos e o Cristiano 26, eles ainda morando com a Dona Esmeralda, Dona Esmeralda faleceu. Foi como perder uma segunda mãe, que as duas foram mães, né, Dona Antônia e Dona Esmeralda. Para vocês terem uma ideia, o Cristiano sempre foi mais fechado, né? Mas o Agnaldo, ele evitava ter um namoro sério assim porque ele não queria casar e deixar a Dona Esmeralda.

Ele queria cuidar da Dona Esmeralda até o fim. Nesse ponto, os dois já cuidavam da Dona Esmeralda. Agora inverteu, eles que faziam tudo na casa, o Agnaldo que cozinhava, Dona Esmeralda dava os palpites lá de como ela queria e ele fazia. Cristiano que limpava a casa, eles que levavam ela ao médico. Jaime vinha sempre, né, o irmão, e via ali como a Dona Esmeralda tava bem cuidada com os meninos. Quando ela faleceu, eles ficaram muito mal e se prepararam para sair da casa, porque aquela casa era do Jaime agora, né, o único herdeiro provavelmente de Dona Esmeralda.

O Jaime chegou lá com uma pasta. Quando o Seu Walter morreu, Dona Esmeralda fez o inventário e já passou a casa para o nome dos dois. Ela deu a casa, que era o único bem, né? Oficina tava num lugar alugado e se pagava, né? Tava ótimo. Ela deu a casa para os dois. O Jaime concordou, irmão dela, e ele foi lá entregar a pastinha.

?Voz G

Olha, vocês não vão precisar sair daqui porque essa casa é de vocês.

AFAndreia Freitas

No meio daquela dor toda, pelo menos um alívio. Eles não— agora eles já estavam estabilizados, eles iam conseguir alugar um lugar, lógico, mas eles tinham muitas lembranças ali. E bom, agora a casa era deles. Passado mais ou menos uns 2 anos, eles já tinham reformado a casa. O andar de cima ficou para o Cristiano, o andar de baixo ficou para o Aguinaldo. Eles fizeram a escada para fora, né? Ficou totalmente independente as duas casas.

Cristiano já tinha arrumado uma namorada, Agnaldo ainda tava meio assim de firmar compromisso, quando quem bate lá na porta? O pai. O pai estava com uma mochila, uma mala, dizendo que ele tinha perdido tudo, que nem era aquela mulher que foi morar lá, uma outra tinha roubado ele e que ele não tinha onde morar. E ele tinha ficado sabendo que aquela casa agora era deles. O pânico do Cristiano pelo pai era tão grande que, veja, um homem feito já, ele tremia e não conseguia falar uma palavra.

?Voz F

E o Agnaldo falou: olha, aqui você não tem nada, você abandonou a gente, você largou a gente, agora você quer o quê? O que que você quer aqui?

AFAndreia Freitas

O pai saiu xingando com a mala Aguinaldo ficou esperando um processo, alguma coisa. Um ano depois dessa visita do pai, um dia ele tava saindo de uma pastelaria lá, tava levando até um pastel para o Cristiano, e ele viu o pai dele dormindo na rua. O pai dele é um homem muito ruim. Aquilo deu uma coisa assim no Aguinaldo, ele não sabe explicar bem. Ele não sentiu pena, mas ao mesmo tempo sentiu estranho. E aí ele chegou com pastel para o Cristiano, ainda pensou em deixar o pastel para o pai dele, mas passou reto, contou para o Cristiano, e o Cristiano não falou nada.

Depois de uns meses pensando nisso, né, se ajudaria o pai, se faria alguma coisa, ele acabou não fazendo nada, gente, não conseguiu se mexer para fazer, ficou meio paralisado mesmo, porque pelo Cristiano Nada ia ser feito também. Agora que o Agnaldo já está casado, tem uma filha, Cristiano também já tá casado, já tem dois filhos, eles receberam na porta da casa deles uma assistente social de um hospital municipal da cidade vizinha.

E ela vinha avisar que o pai tinha dado aquele endereço, que ele tava internado com uma doença já terminal, e ele queria ver os filhos. Cristiano começou a chorar, um choro que não era pelo pai, era tipo, meu Deus, esse pesadelo não acaba. E o Agnaldo disse para assistente social que eles tinham sofrido muito na mão do pai e que ele não ia, nem ele nem o irmão. Ela olhou para eles como se eles fossem dois monstros. E aí assistente social falou: vocês vão negar o perdão ao pai de vocês?

?Voz G

Ele me disse que ele só quer pedir perdão.

AFAndreia Freitas

E aí, gente, é fácil, né? Você faz tudo, bota duas crianças para fora de casa praticamente. E se não tivesse a Dona Esmeralda, como que tinha sido a vida desses meninos? Quem tava dormindo na rua eram os dois. Agnaldo falou para assistente social que era sem perdão, não ia perdoar. E que não era para ela voltar lá. E ela não voltou. Provavelmente o pai dele faleceu. Até hoje tem hora que ele lembra do pai dele deitado na calçada e pensa se ele devia ter agido diferente.

Eu acho que não. Às vezes ele pensa no pai dele naquela calçada. Ao mesmo tempo, ele pensa em tudo de ruim que esse homem fez para os dois. E como depois a vida deles melhorou, Dona Esmeralda apareceu do nada, sonhou com a Dona Antônia, uma parte bonita, né, da história. Mas o Aguinaldo falou, Andréia, a minha história do meu irmão é muito triste. Meu pai batia na gente, deixava a gente na chuva, jogava comida nossa no chão. Com a mulher que ele arrumou rindo.

E às vezes a gente comia comida do chão porque a gente tava com fome. Então não sei, eu não acho que ele fez errado não. Eu acho que chega um momento na vida da gente que a gente tem que se preservar, preservar a nossa saúde física, mental, né, nosso emocional. E eu acho que foi isso que os dois fizeram, né. Então o Agnaldo falou, Andréia, é sem perdão. Eu não perdoo o meu pai. O que ele fez com a gente foi imperdoável. Então eu não aceito que alguém fale que eu sou um monstro, que eu agi errado, porque ninguém sabe o que a gente passou e a gente passou muita coisa.

Então eu não acho que o Aguinaldo errou. Ele também não acha. Ainda bem que não tem essa culpa. Mas às vezes ele fica pensando.

AFAndreia Freitas

O que vocês acham?

?Voz H

Oiê, meu nome é Rafael Pacheco, moro em Goiânia. Agnaldo, a sua atitude foi correta. Acalma seu coração. Apesar que você não tem nenhum arrependimento da sua atitude, mas você e o Cristiano agiram corretamente. Seu pai, ele não teve decência, escrúpulos, não fez o papel dele como pai, principalmente na ausência da sua mãe. E impossível a gente não se emocionar com a história de vocês, com a atitude desse casal de idosos. Que proporcionou o que seu pai deveria ter feito.

Então eu acho que a sua atitude foi correta. Eu também teria a mesma atitude. Um beijo pra vocês, fiquem bem e siga sua vida com o seu coração em paz.

?Voz I

Oi pessoal, eu sou o Rodrigo, eu sou do Rio. Cara, a sua história emociona, né, a gente, e ao mesmo tempo causa espanto. E dependendo do ângulo que a gente olhar pra essa história, a gente vai ver uma coisa diferente, né? No caso, o comportamento de quem tava aqui, que era muito mais assustador do que o comportamento de quem partiu, né? A sua mãe mesmo tendo partido, ela ajudou, cuidou de vocês, né? E acho que a história de amor que vocês desenvolveram com esse casal é uma história muito bonita, é uma história muito louvável.

E principalmente, Agnaldo, a história de amor entre você e o seu irmão. Um grande abraço para você, um abraço para o seu irmão, e que vocês continuem tendo essa vida boa que vocês conseguiram criar.

AFAndreia Freitas

Chega de esperar! Você não precisa mais se preocupar com papelada, burocracia e complicações. Com a Contabilizei, você terá tempo para focar no que você faz de melhor. Contabilizei abre o seu CNPJ e ele fica pronto em poucos dias. Você pode emitir nota fiscal em segundos, tem acesso a suporte até às 10 horas da noite Tem o controle total da rotina e previsão de impostos em tempo real. Tudo isso sem precisar entender de contabilidade.

Acessa agora a Contabilizei no link que eu deixei aqui na descrição do episódio usando o cupom DEIA, DEIA maiúsculo sem acento. Você ganha a segunda mensalidade para dar aí aquela força no seu negócio, para você começar as suas coisinhas, o quê?

?Voz D

Formalizadas.

AFAndreia Freitas

Valeu, Contabilizei!

AFAndreia Freitas

Um beijo, gente, e eu volto em breve.

?Voz A

Quer a sua história contada aqui? Escreva para nãoenviabilizei@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Enviabilizei.

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