VAZIA
Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
Vinhetas: Pipoca Sound
Voz da vinheta: Priscila Armani
- História de Mariana· SociedadeAdoção e infância·Nascimento dos gêmeos·Ignorância e negligência parental·Saída da casa da tia·Processo judicial por abandono·Cuidado com os pais·Adoção e medo de repetir padrões
- Paternidade e Legado· SociedadeDesejo de adotar·Medo de repetir padrões·Sentimento de vazio·Capacidade de dar amor
- Aceitação do que não se pode controlar· SociedadeForça interior·Desejo de ajudar o próximo·Continuidade da terapia
Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia.
Oi gente, cheguei, cheguei para mais um Picolé de Limão e hoje eu não tô sozinha, meu publi. Quem tá aqui comigo hoje é a Pet Love, que eu amo, minha amada Pet Love. Sabe aqueles programas que deixam o remédio na farmácia mais barato? O meu remédio de pressão é assim, Graças a Pet Love, você agora vai ter um programa igual para o seu pet. Pet Love acaba de lançar o BPM, o programa de benefícios de medicamentos para pets, o primeiro do Brasil, tá?
Para você, tutor, manter o tratamento veterinário aí dos seus pets em dia sem que isso pese tanto no seu bolso. Seu pet vai ter mais saúde, já que muitos tutores aí têm um gasto absurdo. Você que tem aí um gasto recorrente com seu pet pode ter 40% de desconto em medicamentos e 25% de desconto em alimentos medicamentosos. Aqui em casa eu tenho pet que come ração para diabético, eu tenho pet que come ração para alérgico, eu tenho pet que come ração gastro.
Então um programa como esse faz toda a diferença aí no orçamento de quem cuida bem dos seus animais, né? O BPM é válido apenas para produtos selecionados de marcas parceiras da Petlove e tem um selinho que aparece ali do lado do nome com um P+, P de Petlove mais. Para você fazer parte aí do programa de benefícios de medicamentos, você precisa ser um cliente do plano de saúde Petlove e fazer parte do clube Pet Love. E aí é só você adicionar o produto no carrinho que o desconto já entra automaticamente, sem cupom e sem nenhuma burocracia.
Aproveita o BPM, gente! É o primeiro programa de benefícios de medicamentos para pets do Brasil. Agora o pet também tem. Clica no link que eu vou deixar aqui no final do episódio porque tem o quê? Tem cupom, tem cupom, tá na descrição do episódio. E hoje eu vou contar para vocês a história da Mariana. Então vamos lá, vamos de história. Mariana foi adotada quando ela tinha 4 anos. Ela não tem lembranças de como era a vida dela antes de ser adotada.
Dos 4 aos 8 anos, Mariana teve muito carinho dos pais. Com 8 anos, Mariana ficou sabendo que sua mãe estava grávida de gêmeos. Ela tinha feito um tratamento e depois de anos tentando tinha dado certo. Foi uma gravidez onde Mariana não podia nem brincar dentro de casa porque tudo podia fazer com que a mãe perdesse aqueles bebês. Então até os bebês nascerem, a Mariana não podia nem brincar. Quando as crianças nasceram, dois meninos, né, os gêmeos, Mariana foi tirada do quarto que era dela e foi colocada com a cama dela no cantinho do lado da sala, tipo na copa.
Mariana lembra que quando tinha visita em casa ela não podia dormir porque a cama dela ficava ali na copa, transitava pessoas e tal, e a mãe não deixava ela dormir. Então ela tinha que ficar sentada lá na varanda até que as visitas fossem embora. Enquanto os irmãos dela dormiam lá no quarto que agora era deles, né, o quarto que foi dela. Mariana nunca foi colocada para fazer serviços domésticos, que a gente já viu isso acontecer, né.
A partir do nascimento dos gêmeos, ela foi ignorada totalmente pelos pais. Mariana fazia testes, ela passava dias sem tomar banho para ver se ela levava uma bronca da mãe, e a mãe nem reparava. A mãe só cuidava dos gêmeos, o pai só queria brincar com os gêmeos. Quando eles colocaram a Mariana na sala, a cama dela tinha dois gavetões. Um gavetão foi colocado roupa e o outro alguns brinquedos, caderno, coisas da escola. E o que sobrou, a mãe dela deu.
O único espaço que Mariana tinha era ali aquela cama na copa e os dois gavetões. Muitos brinquedos que ela gostava ou ficaram para os gêmeos ou a mãe deu. Imagina uma criança que dos 4 aos 8 Mariana não teve amor, era chamada de filha. E a partir do momento que os gêmeos nasceram, ela deixou de ser a filha, porque eles não chamavam mais ela de filha, chamavam pelo nome Mariana, e não falavam para os gêmeos que ela era irmã, chamavam ela de tia.
Fala com a tia Mariana. Veja só, os irmãos cresceram assim, vendo Mariana como uma pessoa que tava ali na casa, que ela não podia brincar com eles. Então a vida da da Mariana era ficar quietinha para pelo menos não perder aquela cama que ela tinha ali na Copa. Mariana também, quando os gêmeos nasceram, foi tirada da escola e colocada numa escola pública. E os gêmeos, quando tiveram ali idade para ir para escola, foram para uma escola particular.
Mariana tinha 9 anos de diferença para os gêmeos. Dos 9 aos 18 ali, os pais nunca mais comemoraram aniversário dela, não olhavam lição, caderno, se ela passava de ano, se ela não passava, Nada importava. A mãe era dona de casa, então era ela que fazia as coisas. Ela não botava Mariana para fazer os serviços da casa, mas assim, a Mariana tinha um pão de manhã, não podia repetir. Era a mãe que botava comida no prato e era aquilo.
E o jantar também, a mãe botava comida no prato, era aquilo. Quando tinha pizza, alguma coisa diferente, a Mariana tinha que jantar a comida que tinham comido no almoço e ela não participava desses momentos de família. E detalhe, ela dormia na copa. Então a mesa de jantar ali, eles comendo pizza e ela deitada lá na cama dela. Quando a Mariana fez 18 anos, eles arrumaram uma mala e falaram que ela ia morar agora numa tia. E essa tia botou a Mariana como uma empregada doméstica não remunerada.
Mariana um dia tinha ouvido na escola que O melhor caminho para você ter uma independência financeira, uma estabilidade, era estudar para concurso. Então Mariana começou a estudar para concurso, mesmo trabalhando ali de doméstica na casa de uma tia. Mariana ficou 5 anos na casa dessa tia, então dos 18 aos 23. Com 23 anos ela passou num concurso para escrevente. Com o salário que ela ia ganhar, ela conseguia alugar um lugar muito simples.
E pelo menos ela viveria sozinha. Então ela ficou na tia até juntar o dinheiro para comprar uma geladeira, um fogão, umas coisinhas básicas assim, né, para ter numa casa, e juntar o dinheiro ali do depósito mais um pouquinho do aluguel. E aí depois ela saiu da casa da tia. Quando ela tava na tia, ela trabalhava de dia, chegava e tinha que limpar a casa da tia, tinha que fazer comida. A tia só deixou ela ficar lá porque ela ia continuar fazendo fazendo as coisas que ela fazia antes.
Mariana saiu daquela casa e também não olhou mais para trás e foi viver a vida dela. Mariana prestou outros concursos, foi fazer faculdade, a vida seguiu. Ela teve alguns namoros, mas optou por não se casar. E 20 anos se passaram desde que a Mariana saiu da casa da tia com 23 anos ali. Ela nunca mais procurou ninguém da família dela. Nesses 20 anos, Mariana tinha feito faculdade de medicina, tava trabalhando na Santa Casa, atendia também numa outra clínica.
De repente, ela recebe ali um aviso da justiça. Mariana estava sendo citada por abandonar os pais. Tinha um telefone lá no papel. Mariana ligou, achou que a pessoa lá da Defensoria foi muito grossa com ela. E ela arrumou um advogado para entender o que tava acontecendo. E aí Mariana ficou sabendo que os pais estavam processando somente a Mariana por abandono. Cadê os gêmeos? O que Mariana não tinha ideia é que um dos gêmeos tinha morrido afogado quando tinha 15 anos.
Eles tinham ido numa excursão com a escola e tal, O outro irmão tinha ficado revoltado, entrado para o crime, e uns 6 anos depois que o irmão dele morreu, ele foi assassinado. Os pais eram incapazes agora de se cuidar sozinhos, tinham alguns imóveis, mas eles também não tinham capacidade para fazer a gestão desses imóveis. Foi procurado um familiar ali e ficaram sabendo que eles tinham uma filha. Que era Mariana. Mariana teve um encontro com eles por essa questão jurídica, né?
Ela foi praticamente obrigada, mesmo contando a história dela, a cuidar dos pais. Eles tinham dinheiro, tinham dois cuidadores. Um cuidador ficava com o cartão de banco deles. Então a Mariana já viu também que tava errado. Demitiu os dois cuidadores, contratou uma empresa com o dinheiro dos próprios pais, né, que aí eram cuidadores que era assim rodízio, e botou os pais para morar na casa dela. Um ano e meio depois que ela tava cuidando dos pais, apareceu aquela tia.
Lembra aquela tia que fez a Mariana de empregada? E ela queria morar lá também, queria ser cuidada também. Mariana disse, olha, minha obrigação é com eles porque eu fui obrigada pela justiça. Com você eu não tenho obrigação nenhuma, não vou cuidar de você. Essa tia saiu de lá, entrou na justiça, e qual a alegação da tia? A tia é a mãe biológica da Mariana. O pai adotivo da Mariana é o pai biológico. Pai biológico teve um caso com a irmã da mãe adotiva, que teve a Mariana.
Como a outra não engravidava, pegou para criar até que ela engravidou, teve os gêmeos, tentou devolver para tia, né, que era a mãe biológica. Tia não quis e ela ficou lá dormindo na copa. Então aquela história, né, porque ela não lembrava antes dos 4 anos como era a vida dela, de que ela tinha sido adoptada numa instituição, era tudo mentira. Aí você pergunta: e a certidão? Ela tinha uma certidão de nascimento com o nome da mãe adotiva e o pai adotivo como pais dela, sendo que o pai era realmente o pai biológico dela.
Ou seja, Mariana foi um fruto de uma traição, né? Do marido transou com a irmã da esposa Teve a Mariana, a irmã da esposa não deu conta de cuidar, a outra não podia engravidar, pegou para cuidar, e depois que engravidou queria devolver a Mariana. E aí ninguém queria mais a Mariana. A tia morreu antes do processo finalizar. Passado ali alguns meses, o pai dela faleceu e a mãe dela ficou com ela mais 4 anos, a mãe adotiva, né? Mariana ficou com os imóveis dos pais, os imóveis da tia, que era a mãe dela biológica.
Vendeu tudo que era deles, que ela não queria saber de nada, mas com o dinheiro ela montou uma clínica onde ela consegue atender com preços populares. E a questão da Mariana é: ela tinha pai, ela tinha duas mães, ela nunca teve amor de nenhum dos pais, nem dos irmãos, que eram meio-irmãos dela, por parte de pais biológicos, e a mãe obrigava eles a chamar a Mariana de tia. Ela enterrou os três. Ela não se sentiu vingada, não se sentiu bem, não se sentiu tipo, ah, venci.
Mariana nunca conseguiu criar vínculo com ninguém, teve alguns namorados, mas nunca foi pra frente nada, nunca teve também interesse em ter filhos. Mariana tem dinheiro, faz terapia há muitos anos, mas ela se sente vazia. A palavra é vazia. Recentemente ela começou a atender umas crianças de um abrigo e tá inclinadíssima a adotar uma criança. Só que toda vez que ela pensa em ser mãe, ela tem medo de repetir algum padrão que aconteceu com ela, né?
Com a mãe, com a tia que era mãe, E é por isso que ela escreve para gente, porque ela se sente vazia e ela tá pensando em ter um filho, em adotar uma criança. Eu não sei, eu fiquei muito— quando eu escutei a história da Mariana, eu não sei se esse é o caminho. Será que esse é o caminho? Porque do nada, né, ela nunca pensou em ser mãe, de repente agora que ela se sente tão vazia, ela Achar que vai adotar uma criança para tipo preencher alguma coisa nela?
Eu não sei, gente. Ela disse que ela teve uma vida totalmente sem amor e que ela não tem certeza se ela é capaz de dar amor para alguém de verdade, né? E que talvez uma criança fosse o caminho. Eu acho que ela tem que trabalhar mais isso em terapia, porque você não pode adotar uma criança para tentar fechar um buraco que você tem no peito. Né? Eu acho que você precisa resolver isso primeiro e aí sim abrir um espaço na sua vida, no seu coração, para uma criança, e não adotar uma criança para ela tapar um buraco que já existe. O que que vocês acham?
Oi, Não Enviabilizers, meu nome é Lia, eu falo de Curitiba e eu escutei essa história junto da minha mãe adotiva. Ela me trouxe muitos sentimentos e o meu recado para Mariana é o seguinte: eu sei o quão transformador pode ser uma adoção, tanto pra pessoa que adota quanto pra pessoa adotada. Ao mesmo tempo que eu entendo que uma criança adotada, seja de onde ela veio, seja quais forem as circunstâncias dessa nova família, boas ou ruins, ela traz consigo uma carga muito grande, assim, emocional, uma história muito enraizada, assim, estigmas muito fortes.
E isso sim pode trazer na Mariana, né, coisas que lembram a tua história de vida e até alguns traumas. Mas ao contrário do que possa parecer, ao contrário do que a Déia falou, eu não acho que isso deva ser um impedimento. Muita coisa boa pode te aguardar dessa atitude, tanto pra você quanto pra essa criança.
Olá, Invisibilizers. Meu nome é Lucas, eu falo aqui dos Estados Unidos. Mariana, você é um anjo na Terra. Espero que essas terapias consigam lhe mostrar isso. Por tudo que você passou na sua infância, que é geralmente onde se forma a nossa personalidade, né, a base. Você ainda consegue achar força, vontade, desejo de ajudar o próximo, apesar de você ter sido abrigada pela justiça. Mas é da sua índole de ajudar as pessoas, porque você criou essa clínica, entendeu?
Você tá com esse desejo de ser mãe. Como você já faz terapia, meu conselho é: continua, né? Nunca para. Tenta amadurecer junto com a psicóloga essa ideia, porque se você tem essa vontade e o medo de fazer mal, é porque você sabe que essa criança precisa de uma companhia, de alguém Né, de ser adotado. Parabéns e um beijo, se cuida.
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Não esquece, dá uma olhada ali nos termos e condições, tá? Consulta tudo certinho. E o nosso cupom é válido por tempo limitado, então, ó, corre! E aproveita o primeiro programa de benefícios de medicamentos para pets do Brasil. Agora o pet também tem. Valeu, Pet Love, te amo! Um beijo, gente, e eu volto em breve.
Quer a sua história contada aqui? Escreva para noninviabilize@gmail.com. Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Inviabilize.