CHAPÉU PRETO
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
Vinhetas: Pipoca Sound
Voz da vinheta: Mari Ribeiro e Priscila Armani
- O Pé Quebrado e a Entidade Maligna· ReligiaoPé Quebrado·Entidade Maligna·Dona Marta Benzedeira·Necrotério
- Homem do Chapéu Preto· SociedadeHomem do Chapéu Preto·Hospital·Sonhos·Morte
- Paralisia do Sono e Medo· SaudeParalisia do Sono·Medo·Ingrid
- Energia do Sofrimento· SociedadeObsessores·Energia do Sofrimento·Letícia
Shh, luz acesa, história de dar medo. Oi, gente, cheguei, cheguei para um Luz Acesa. E hoje eu vou contar para vocês a história da Dona Vera. Essa história aconteceu quando Dona Vera tinha lá pelos seus 13, 14 anos. Então vamos lá, vamos de história. Vera tava brincando na rua, meninota adolescente, brincando de bola ali com suas amigas da mesma idade, quando ela deu um mau jeito lá, caiu e acabou quebrando o pé. Correram com Verinha para o pronto-socorro.
Todo mundo ali muito pobre, enfim, né? Deram um jeito, conseguiram um carro ali emprestado, né? Alguém dá carona. Ela ia ficar deitada ali um tempo em repouso para ver o que que ia acontecer com aquele pé, para depois botar o gesso. Isso aconteceu umas 4 horas da tarde, então ela só no dia seguinte de manhã que eles iam botar o gesso. Então ela ia ficar com o pé imobilizado em observação para o dia seguinte botar o gesso e ela sair daquele hospital.
Um hospital pequeno, cidade de interior, né, vivo SUS. Detalhe, não era nem SUS, era INAMPS. Eu sou da época do INAMPS. Era o hospital municipal ali da cidade. Verinha tava muito angustiada, uma adolescente, ia ter que passar a noite no hospital. A mãe dela ia poder ficar com ela, então vamos botar o nome aí, Dona Ângela, ia poder passar a noite ali com Verinha. Mas é aquela coisa, né, hospital meio precário, ela ia ficar ali numa maca, a mãe sentada numa cadeira, enfim, perrengue.
Verinha não conseguia dormir, ela tava incomodada de estar naquele ambiente novo. Mas chega uma hora que o seu corpo vence e você adormece. Eram macas no quarto e tinha 3 macas. Verinha perto da porta, uma maca vazia no meio, e lá perto da janela tinha um homem que tava muito ruim, muito ruim, gemendo. Uma mulher assim tava sentada numa cadeira meio chorando. Já me pegou porque assim, misto esse quarto, né? E era um senhor bem de idade, baixinho, cabelo bem branco, enfim.
Dona Ângela nem perguntou nada, né, porque assim, né, parecia que o cara tava partindo. Verinha adormeceu e ela teve um sonho. Perto da casa dela tinha uma praça, tinha um jardim assim, uma praça com jardim, e era a própria população que cuidava ali do jardim, podava, né. Sempre tem um vizinho que poda. Nesse sonho tinha umas flores ali e conforme ela ia andando nessa praça, as flores que estavam ali, elas iam murchando e morrendo.
Verinha muito assustada, mas ainda nesse sonho tentando entender, e ela falava para os amigos: por que as flores estão morrendo? De repente ela viu uma criatura, uma coisa estranha nesse sonho. Ela tava andando, na frente dela apareceu um vulto, uma coisa estranha. Ela assustou e olhou ali para os amigos Eles tinham muitos amigos e falaram, meu Deus, o que é isso?
Será que é isso que tá apodrecendo as flores?
Ao mesmo tempo que essa criatura apareceu no sonho da Verinha, ela escutou a voz da mãe dela falando, Verinha, acorda, acorda, acorda! Nisso, a Verinha despertou. Ela tava com uma tala, não era o gesso ainda, deitada de barriga para cima. Quando ela abriu o olho, tinha um homem. Um homem muito alto, muito branco, com a boca muito enrugada. Sabe quando tem aquelas rugas em volta do lábio, assim? Com um sorriso maligno. E ele tinha na cabeça um chapéu preto.
Camisa preta, um paletó preto, mas ele tinha um chapéu grande, preto. Na hora, Verinha assustou e gritou, mãe! Quando ela gritou, mãe, ela viu que Dona Ângela tava no quinto sono, torta na cadeira, dormindo, roncando. Então não tinha como ter sido a Dona Ângela que chamou esse homem idoso com um olhar muito maligno, uma risada muito maligna. De repente sumiu. Ela acordou, ele tava muito perto do o rosto dela, observando. O quarto tava escuro, mas não tava totalmente escuro, assim hospital, né?
Ela olhou para o lado, aquela senhora que tava chorando tava dormindo, só que o senhorzinho que tava na cama passando mal tava com as mãos assim torcidas, assim, sabe quando você meio que tenta fechar a mão e não consegue? Ela fica meio fechada, meio aberta. Com os braços pra cima e a boca muito aberta. E ela gritou. As duas mulheres acordaram ali, Dona Ângela e outra senhora, e aí a outra senhora começou a gritar porque o senhorzinho tinha morrido.
Verinha contou pra mãe o que ela tinha visto e Dona Ângela falou, minha filha, eu acho que você viu a morte. Não fazia muito sentido assim, porque era algo muito ruim. Na cabeça da Verinha, ainda uma adolescente— na minha cabeça também acho que funciona assim— a morte seria meio neutra, não seria algo ruim, sabe? Assim, se existisse uma entidade morte, eu acho que ela não seria maligna, ela seria: tô aqui fazendo meu trabalho, sabe?
Tô aqui, é meu trampo. Então acho que ela seria neutra. Verinha não acreditou naquilo, não achou que fosse a morte. Era de madrugada, aí acenderam tudo, tiraram ali aquele senhor. Ela tava acho que no ambulatório, na verdade, né, não era um quarto. Daqui a pouco já era de manhã, já foi, já botou o gesso. Verinha e só a mãe ali, não tinham dinheiro para alugar a muleta.
Dona Ângela falou, quando a gente chegar em casa, o vizinho faz para você de madeira ali, mas eu vou te levando, a gente vai ter que ir embora de ônibus.
Quando elas saíram ali do hospital Verinha escorando na mãe, ia ter que ir saltitando até o ônibus. E do outro lado da rua, Verinha viu este homem. Era velho, chapéu preto, uma cara muito de mal, camisa preta, calça preta. Parecia um homem de verdade. E aí ela falou pra mãe, olha lá, ele tá ali, ele tá ali!
E do outro lado da rua, Dona Ângela falou, olha, não tem ninguém, minha filha.
Dona Ângela, na No coração dela, ela ficou com medo de, sei lá, o pé dela dar uma arruinada, sabe? E Verinha morrer, porque na cabeça de Dona Ângela era morte. Verinha chegou em casa, já tinha toda ali a molecada pra querer assinar o gesso dela. Todo mundo assinou, fez desenho, nananã. Contou como foi ali, mas não contou do homem do chapéu preto. Verinha achou que esse homem do chapéu preto que só ela tava vendo, ia ficar no hospital, que era alguma coisa do hospital.
Só que não. Verinha tava sentada na calçada com todo mundo ali assinando o gesso, conversando, quando do outro lado da rua este homem apareceu. Ele era algo maligno. A Verinha sentia isso, ela sentia um arrepio, ela ficava com muito medo. E ela travou, paralisou e ficou olhando ali. E tava uma galera, todo mundo rindo, conversando, e ele do nada, ele sumia assim na frente dos olhos dela. Isso era no dia que ela chegou. Chegou à noite, ela sonhou de novo que ela tava com a turma dela nessa praça e as flores todas iam morrendo.
Toda noite, Verinha tendo esse sonho, e quando ela despertava O homem do chapéu preto tava olhando para ela, em cima dela. Tadinha, começou a sentir uma dor no pé que tava engessado, uma dor, uma dor, uma dor. Ela pegou a tesoura e cortou o gesso, e foi a sorte dela, porque o pé dela tava escuro, tava, sei lá, tinha acontecido alguma coisa naquele pé. Dona Ângela primeiro brigou com ela que ela cortou o gesso, mas a hora que viu o pé, assustou.
Bom, a gente vai ter que voltar para o hospital de novo.
Agora ela já tava com umas muletas ali que o vizinho improvisou, enfim.
E aí, antes, Dona Ângela falou: vamos passar na Dona Marta Benzedeira antes da gente ir para o hospital?
Dona Marta viu o pé da menina velhinha, só que Dona Marta também viu o homem do chapéu preto. E aí ela não quis falar com a velhinha porque achou que A Verinha e foi falar com a Dona Ângela.
Falou, Verinha, espera ali que eu vou falar com a sua mãe. E aí falou, olha, isso no pé dela, se não, se a gente não resolver o que a gente tem que resolver aqui, a Verinha vai morrer.
E aí a Dona Ângela contou a história.
Falou, meu Deus, acho que ela tá vendo a morte. Não é a morte, ela pegou o encosto de alguém, de uma pessoa muito ruim. Que morreu no hospital.
E provavelmente aquele idoso, né? Porque a gente sabe que idade não muda caráter.
Ela pegou essa entidade de alguém, esse espírito de alguém muito ruim. E é uma coisa muito maligna que agora tá com a Verinha. A gente precisa tirar isso dela, porque esse pé dela vai realmente arruinar e ela vai morrer. E aí Dona Ângela falou, chama a Verinha, a gente tem que falar isso pra Verinha, né? Ela já é uma mocinha, ela vai aguentar.
Verinha ficou desesperada com todo sonho.
E aí a Dona Marta falou, esse sonho que você tá tendo já é realmente ele querendo te levar. Ele não é a morte, mas ele vai te matar se a gente não fizer alguma coisa. Dona Marta fez ali uma reza tal, mas falou, aqui eu não vou conseguir tirar ele de você. Vocês estão indo pro hospital? Eu vou para o hospital com vocês.
Foram as 3 de ônibus, né, que ali todo mundo pobre, enfim. Quando chegaram no hospital, ela preencheu a ficha ali, né, a mãe da Verinha. Elas iam aguardar. Dona Marta falou, Verinha, vem comigo. E aí, hospital de cidade pequena aqui em Santo André, há muitos anos era assim também, depois que separou. No Hospital Municipal de Peneirópolis tinha ali um IML na parte de baixo, ali tipo no porão do hospital. Aqui em Santo André era assim também.
E aí a benzedeira, Dona Marta, perguntou ali, né, onde ficava o necrotério. Mostraram para elas, porque de repente você vai lá, né, liberar um parente, alguma coisa. E quando elas chegaram na porta do necrotério Verinha viu aquele homem do chapéu preto e agora ele tava enfurecido. Ele tentava de alguma forma atacar a Verinha e a Verinha sentia dor física. Mas ela fala, Andréia, eu não sei se é porque eu tava encostando meu pé no chão ou se eu tava com medo, enfim, ele tentava avançar em mim e eu tava com a Dona Marta.
Dona Marta não deixava. Dona Marta tirou da bolsinha dela uns galhos que tinha arruda, tinha um monte de coisa, fez um negócio na porta do lado de fora assim, na porta do— era um corredor e tinha a porta do necrotério com gente passando assim, nem aí. Falou umas palavras, foi falando, foi falando, e de repente ela tirou aquele ramo de erva que tava na mão dela e bateu no homem. Ela via o homem também, mas era como se ela tivesse batendo no nada, né, quem tava vendo de longe.
E aí ele sumiu. Verinha começou a sentir um cansaço. E a hora que ela olhou para o pé, tava assim, gente, tava muito escuro, muito assim, um roxo bem escuro assim. O pé dela já tava inchado, óbvio que tava quebrado, mas tava ficando vermelho.
E aí Dona Marta falou, vamos voltar, eu tirei ele de você, mas eu não consigo tirar ele daqui.
Bateu aquelas ervas ali no ar assim e jogou no lixo. Pegou ali uma garrafinha de água e falou pra Verinha, toma isso aqui. E aí elas foram voltando ali, Verinha foi se sentindo aliviada, mas muito cansada. Foi atendida pelo médico, o médico falou, olha, então vamos só imobilizar, não vamos mais botar o gesso, tal. Fez uma tala lá com faixa. Verinha tem assim a vaga lembrança de que o pé foi melhorando, melhorando, até que curou.
Mas ela nunca mais esqueceu desse homem do chapéu preto, que provavelmente tava com aquele idoso na cama. E a hora que o idoso morreu, ele veio para Verinha. Coincidentemente, esses dias eu tava vendo Nem lembro aonde, que quando você sonha e aparece algum monstro, alguma criatura nesse seu sonho, é porque tem alguma assombração, alguma coisa te olhando. Será que quando ela sonhava, que ela tinha aqueles pesadelos, porque o pesadelo começou quando esse homem do chapéu preto apareceu, era porque ele tava ali olhando, ele tava apresentando alguma coisa.
Agora, o homem do chapéu preto, ele não era a morte, mas ele se alimentava de morte, né? Porque ele tava ali com aquele idoso e o idoso morreu. Dona Marta Benzedeira falou que se não tirasse ele, a velhinha ia morrer. Então ele se alimentava das mortes, sei lá. Quando a Dona Vera me falou um homem de chapéu preto, eu tenho uma na minha cabeça, uma imagem. Vocês já assistiram Poltergeist? Mas o antigo, eu nunca assisti de novo, né?
Provavelmente agora eu ia achar um filme bem bobo, mas quando assistiu era criança. E eu lembro que tinha um velho assim magro e ele tinha um chapéu preto, eu acho assim, pelo menos no meu imaginário tinha. Então Eu fiquei com muito essa coisa do poltergeist assim na minha mente, eu fiquei um pouquinho assustada. Então o que era essa entidade maligna? Porque era um espírito maligno, segundo Dona Marta, benzedeira. Em muitas histórias assim, quando tem uma benzedeira, alguém que aparece, fala que hospital tem muita, muita entidade boa, mas também muita entidade maligna.
Oi, oi, nome é Viabilizers, meu nome é Ingrid, eu falo de Belo Horizonte. Essa história me deu uns arrepios, me deu um trem ruim, porque essa questão dos sonhos me pega, gente. Eu sou uma pessoa que sofro com paralisia do sono e dá mesmo uma sensação de que tem alguma coisa próximo de você, uma criatura, sei lá, ou em cima ou no quarto onde você tá dormindo, mas é algo muito próximo, sabe? E isso dá muito medo. Então você acorda ali no susto, uma sensação ruim, uma sensação pesada.
Mas aí volta a dormir, esquece. Pelo menos no meu caso é assim. Eu acho que assim como a Dona Vera, eu vou ter que estar procurando uma bebedeira também, né? Será? Não sei não, hein, gente. Credo. Beijo, tchau tchau!
Oi, oi, gente! Letícia de Toledo, interior do Paraná, aqui só acrescentando um comentário. Alguns obsessores, eles se agarram a energias específicas, e quando a gente tem medo, a gente solta uma energia específica, assim como quando a gente sofre ou quando a gente tem dor. Então talvez esse obsessor, ele se alimentava disso, ele se alimentava da dor e do sofrimento. A pessoa ia adoecendo, ele se alimentava até ela não ter mais o que dar para ele. Infelizmente, ela acabava morrendo, mas não era ele quem causava a morte em si.
Essa é a história da Dona Vera. Comentem lá no nosso grupo do Telegram. Um beijo e eu volto em breve. Deus me livre!
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