Episódios de Não Inviabilize

DIVISÃO

28 de maio de 202629min
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Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!

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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia

Vinhetas: Pipoca Sound

Voz da vinheta: Priscila Armani

Participantes neste episódio3
A

Andreia Freitas

HostJornalista
L

Leo

Convidado
P

Priscila Armani

Convidado
Assuntos4
  • Gestão de Dinheiro e PoupançaMaura e o início da carreira · O relacionamento com o ex-marido · A criação dos filhos e a diferença de padrão · A questão racial e de classe no relacionamento · A separação e as consequências · Lucas · Luana
  • Maternidade como missãoA gravidez e o casamento · A diferença de tratamento entre os filhos · A escola de Luana e a impossibilidade de bancar para Lucas · A viagem para a Disney
  • O papel da madrastaA relação com o filho do ex-marido · A criação do quarto para Lucas · A ex-esposa e a dinâmica familiar
  • Histórias de ouvintesJuliana de Arujá · Sami de Curitiba
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Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. Oi, gente! Cheguei! Cheguei pra mais um Picolé de Limão. E hoje eu não tô sozinha, meu publi! Quem tá aqui comigo hoje é a Pet Love. Maio está acabando! O mês de aniversário da Pet Love está chegando ao fim.

Com ele, acaba também a maior oportunidade do ano. Mas corre que ainda dá tempo. A Pet Love quer garantir que você não fique de fora do compromisso da marca em tornar o cuidado do seu pet mais acessível para você. Se você ainda não aproveitou o desconto...

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E hoje eu vou contar pra vocês a história da Maura. Então, vamos lá? Vamos de história? Maura vem de uma família muito desestruturada, mas quando ela tinha ali seus 17 anos, deu muita sorte e ela entrou numa empresa muito grande pra trabalhar. Vamos chamar aí de Pony Corporate.

Na Pony Corporate, ela teve chance de crescer. Inclusive, a empresa pagou faculdade, pagou tudo para ela. Com 10 anos de empresa já, com 27 anos.

E Maura se viu ali ganhando em torno aí dos seus 10, 11 mil reais. Para quem veio do nada, de uma família desestruturada, Maura estava muito bem. Maura conseguiu dar entrada num apartamento bom, de três quartos, solteira, focada no trabalho, focada nos estudos, porque ela já estava fazendo ali uma pós-graduação.

E assim, a vida foi seguindo. Na pós-graduação, Maura conheceu um cara. Fazia pós ali na área de finanças. E o cara fazia uma outra pós, mas assim, era o mesmo prédio, né? Mesmo horário.

Pintou um clima, eles começaram a sair. Uma hora eu já tinha 30 para 31, então já estava com seu apartamento, seu carro, ganhando bem, uma boneca. Ele tinha saído de um casamento, tinha um filho de um ano, que a gente vai chamar aqui de Lucas, e ele falou... A minha trajetória é, eu consegui comprar um apartamento.

Popular. E agora, no divórcio, a gente colocou esse apartamento no nome do Lucas. E a minha ex-esposa mora lá com o Lucas. Você percebia que tinha uma diferença de padrão de vida entre Maura e este homem. Mas, assim, não era tanta diferença assim. Mas porque ele tinha obrigações, deveres financeiros aí com o Lucas.

Ele também pagava aluguel, né? Porque o apartamento lá ficou em nome do Lucas e tal. Eles começaram um namoro ali. E esse namoro firmou. Maura conheceu o Lucas. Lucas, bebezinho de tu um ano, gente. A ex, no começo, não queria que a Maura tivesse contato com o bebê. Mas depois ela foi entendendo que o cara provavelmente ia se casar com a Maura. Então, assim, ela não ia ter muita opção.

Rolou um atrito nesse começo e depois ela resolveu ficar neutra. Então ela não fazia questão da Maura, mas também não colocava muito empecilho. Nesse pequeno intervalo do namoro firmar, Maura engravidou. Lucas já estava ali para fazer os seus dois anos.

E Maura agora grávida. Foi uma gravidez que a Maura passou muito mal, assim, de enjoo, essas coisas. Mas o cara pediu ela em casamento e eles casaram. O cara deixou de pagar aluguel, o que foi bom pra ele. E foi morar num apartamento de três quartos de Maura. Maura, agora madrasta, a primeira coisa que ela fez... Vamos pegar um dos quartos aqui e fazer o quartinho do Lucas.

Iniciativa de Maura. Investimento em móveis, decoração, pintura de quarto de Maura. Maura fez um quarto para o Lucas. Paralelo a isso, ela já fez o quartinho da filha dela, que a gente vai chamar aqui de Luana.

Você vê ali numa porta do quarto escrito Lucas e na outra porta do quarto escrito Luana. Na disposição do apartamento de Maura, o quarto dela, que era suíte, ficava no fim do corredor. O final do corredor era a porta do quarto dela e ali tinha uma suíte. E os dois quartos ficavam antes aqui no corredor à direita. A porta mais perto do quarto dela, ela fez o quarto da Luana, que seria mais bebezinha. O quarto também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também também

E precisaria de mais coisa. Na porta do lado, mais afastado do quarto do casal, o quarto do Lucas. O cara já implicou com isso. Por que o Lucas, que era mais velho, não tinha o privilégio de ficar mais perto do quarto do pai? Que era o quarto da Maura também. Maura explicou porque é um bebezinho, demanda mais, né? Enfim.

Tudo que foi feito para as crianças, a decoração, os móveis do quarto... Uma hora eu falo, Andréia, iguais. A única diferença é que no quarto da minha filha tinha o trocador e o berço, que depois viraria uma cômoda, que era a cômoda que já tinha no quarto do Lucas. A única diferença é que era o espaço ali, onde tinha uma cômoda no quarto do Lucas, tinha um trocador com um bercinho ali.

Mas depois, futuramente, a cômoda foi colocada. Então, assim, os quartos ficaram iguais. Era diferente o quê? A temática, porque ela contratou uma pessoa para pintar aqueles desenhinhos no quarto, borboletas, girafas, esse tipo de coisa, né?

E o cara sempre de olho pra ver se ela ia fazer pelo Lucas a mesma coisa que ela ia fazer por Luana. Sendo que ela não tem nenhuma obrigação com o Lucas, mas ainda assim ela fez. O Lucas amou o quartinho, ficou assim encantado. Foi tirado foto do quarto, foi mandado para a mãe e a mãe da criança respondeu para o marido, ex-marido dela, marido de Maura.

que achou tudo exagerado, que não era necessário para uma criança aquele grau de sofisticação. Maura, uma mulher negra. A ex-mulher, o cara e o Lucas, brancos.

começou a talvez incomodar a família do cara. Maura era muito sofisticada e tinha mais dinheiro que o cara. E uma vez, numa festa de família, um tio desses tiozão falou, mas como você dessa cor... Dessa cor, foi o termo que o tio usou. Conseguiu tudo isso.

Quando Maura estava ali com os seus cinco meses, ela tinha uns dez dias que ela tinha ainda de férias para tirar. Ela resolveu tirar essas férias e ir para Miami fazer o enxoval da Luana. Então, veja, com o dinheiro dela, não pediu nenhum dinheiro para o marido. Ele já reclamava de pagar a pensão do Lucas, porque ele ficava meio sem dinheiro. Ela falou, olha, eu vou para Miami, vou fazer o enxoval da Luana. O que também?

O marido falou tudo bem. E ela foi e fez, gente. E assim, um enxoval é um enxoval. Ela voltou com malas e malas. Ela trouxe alguns brinquedos pro Lucas e acho que uns dois conjuntinhos de roupa. O cara surtou. Como que você traz tudo isso?

Pra Luana e só traz esse pacotinho pro Lucas. E aí ela explicou. O Lucas não, bebê. Eu fui lá pra fazer um enxoval. Uma coisa que tem que durar, né? Que tem várias etapas da criança. Ela trouxe um monte de tamanho de roupa, um monte de coisa diferente, né?

E aí o cara começou a olhar aquelas roupas que ela trouxe pra Luana, que pareciam mais assim, unissex, entre aspas. Ele queria pegar pro Lucas. A Maura falou... Eu trouxe essas roupas para a Luana. Maura foi ter Luana num hospital de ponta. Nesses que a maternidade você pode...

Você tem, tipo, uma sala pra sua família ficar. Tipo, uma sala com até bebidinhas. Gente, coisa de rico. Maura tem todo um acesso. Por ser uma mulher negra, às vezes ela é questionada em relação a isso. Ela teve um parto mais chique. E a família do cara comentando. Ah, porque o Lucas nasceu numa Santa Casa. Gente, a Santa Casa também é ótima.

As crianças tinham três anos de diferença. O tempo foi passando. Maura sempre fazendo tudo pela Luana. E também, gente, comprando coisinhas pro Lucas. Mas é aquela coisa, o Lucas não é o filho dela. Não tem que sustentar o Lucas. Às vezes, acontece alguma situação que o cara fazia umas cobranças da Maura que ela falou, poxa, mas é o seu filho. Eu também não tenho como baixar o padrão da minha filha porque você acha que eu tenho que fazer também pelo seu filho.

Com quatro aninhos, aí a Luana já estava com um e o Lucas estava com quatro aninhos. A mãe do Lucas resolveu que ele tinha que ir para uma creche. E eu acho que tem que ser assim mesmo. Foi, fez inscrição numa creche pública e botou o Lucas. E creche, gente, quando a criança vai para creche, ela pega muita doencinha de creche, né? Tem outras crianças e tal. Eu acho que isso acaba até sendo bom para a imunidade, né?

E o Lucas começou a ficar uma época doente, dessas doenças de creche mesmo. Nada grave, muita gripe, uma tosse. E como bebezinha Luana era muito pequena, o pediatra falou, olha, vamos tentar dar uma isolada. Quando ele estiver assim muito ruim, não deixa brincar junto. Eles têm que frequentar a mesma casa, porque tinha um quartinho do Lucas lá e tal. O pai falou, você não quer meu filho perto da Luana. Detalhe, a Luana é filha dele.

Ela começou a perceber que parecia que ele tratava a Luana como uma criança que não era filha dele. E só o Lucas era filho dele. Porque ao mesmo tempo que ele estava preocupado que o Lucas não ia poder brincar com a irmãzinha, ele não estava preocupado então com a filhinha dele de não pegar uma doença que para ela com um aninho seria mais séria? Né?

E esse marido começou a falar pra Maura que o Lucas ficava muito doente porque ele tava numa creche pública, que ele queria colocar o filho numa escola particular, uma escolinha particular, mas que era muito caro. Maura falou... Você dá uma parte do dinheiro aqui nas contas, apesar de eu pagar a maioria. Você quer dar um pouco menos pra você poder pagar a escola particular do Lucas? E aí o cara se ofendeu.

Ele achava que esse excedente do salário da Maura, essa diferença salarial que eles tinham, ela tinha que pegar e pagar a escola do Lucas. E ela falou, não, não funciona assim, porque o Lucas não é meu filho. E quando eu for pagar a escola, eu não tenho como pagar duas escolas, por exemplo, para os dois. Quando eu tiver que priorizar, eu vou pagar a escola da Luana.

E o menino ficou na creche pública mesmo, que era uma creche muito boa. O Lucas tinha tudo na creche. E se fosse na particular, ele ia ficar doente igual. Porque a gente sabe que criancinha é um hub de doenças. Elas passam doencinhas, sim, de criancinhas. E isso é normal da idade.

Festa de um ano, a Maura não quis fazer, fez só um bolinho pra família ali. Família mais chegada, né? Como eu disse, a família da Maura tinha muitas questões e ela só tem contato hoje em dia com um irmão dela, que a gente pode chamar aqui de Clécio. E o Clécio, gente, ele é tipo um advogado que é tipo bambambam da UAB. Clécio também tem dinheiro.

Ela fez ali um bolinho, Clécio, com família, uns amigos muito sofisticados. Lucas fazendo aniversário em novembro e Luana fazendo aniversário em maio. É longe as festas uma da outra, não são longe? Quando Luana fez dois aninhos, a Mara falou, quero fazer uma festa, realmente, uma festa grande, para os filhos dos meus amigos, meus sobrinhos, os filhos do Clécio.

E aí ela fez uma festona. Quando o marido viu a proporção daquela festa, ele queria incluir como se fosse aniversário do Lucas também. Só que o Lucas já tinha feito aniversário lá atrás, em novembro. Não fazia sentido isso. E aí a Mauro questionava ele. Ele falou, você não gosta da sua filha? É a festa da sua filha.

Lucas, uma criança, se divertindo com tudo. O quarto dele lá lindo, na festa da irmã ele amou, tinha coisa pra eles. Uma hora resolveu fazer na festa, cantinho do Lucas. Então tinha um cantinho com a foto dele, balão, as coisinhas. Pra ele se sentir destacado na festa da Luana, por tanto que o marido ficou enchendo o saco.

E aí eu perguntei para a Maura, eu falei, Maura, eu estou odiando este cara. O que fazia você ficar com ele? Ela falou que o restante todo era super ok, assim. Ele só encanava quando tinha o que ele chamava de divisão. Ele dizia que a Maura fazia uma divisão entre Luana e Lucas. Mas ela falou, Andréia, com o meu salário, eu não consigo dar o mesmo padrão para Luana e para o Lucas. O Lucas tem pai, tem mãe.

Eu sou mãe da Luana. O meu marido não dá um real para a Luana. Eu deixo que ele cuide mais financeiramente do Lucas. Não está bom? Eu tenho que abrir mão das coisas que eu quero para a Luana pelo Lucas? Por quê? E, gente, eu acho que a Mauna está certa. Porque não é que ela faz uma diferença entre as crianças. Mas as crianças têm padrão diferente.

O tempo foi passando, o Lucas foi da creche pública para a escola pública. Gente, eu estudei escola pública. A maioria aqui acho que estudou também. Morremos? Não morremos. Você não tem dinheiro, você tem que ir para a escola pública. Não é isso? Lucas já estava com sete anos, entrando no ensino fundamental na escola pública. E Luana com quatro aninhos, indo para uma escolinha. Que escolinha que Luana foi?

Luana foi para uma escolinha bilingue, que a gente pode chamar aqui de Happy Pony. E assim, fazer inglês desde 4 anos de idade, é isso? Uma escola tipo dessas que realmente tem um estudo mais internacional e tal. Foi para Happy Pony, era cara? Era. Maura conseguiria pagar duas crianças nessa escola? Não. Mas ela conseguiu botar a própria filha.

Tinha todas umas questões também que a Luana era uma das poucas crianças negras dessa escola. Escola de elite e tal. Então assim, já tinha coisas que a Maura tinha que lidar e tava lidando, né? As demandas iam aparecendo. Ela ia lidando. Lá foi Luana pra Happy Pony e amando a Happy Pony. Amando.

O marido da Maura tentou uma bolsa na Happy Pony, mas a Happy Pony dava 30% para irmãos. E ainda assim, com os 30%, ele não ia conseguir pagar. A Maura disse, André, lá não é só mensalidade.

A gente paga os almoços, a escola é integral, a gente paga os almoços à parte, a gente paga as atividades extras à parte. Então, assim, eu não conseguiria realmente bancar duas crianças lá. E eu não tenho dois filhos, eu tenho uma filha. Com oito anos, o Lucas reclamou do quartinho dele, falou que estava muito infantil, porque agora ele já era um garotinho, né?

A Maura pegou a arquiteta que tinha feito os quartos, sentou com as crianças e a arquiteta falou, o que vocês gostariam no quartinho de vocês?

Cada um escolheu o tema e Maura pagou a reforma dos dois quartos. Sozinha, sem a ajuda do marido. Agora o Lucas tinha o quarto dele com o tema que ele escolheu lá, tipo foguete. Mas aqui que a arquiteta fez, colocou essas coisas de foguete e tal, mais em decoração para quando ele crescesse.

guarda as coisas de foguete e o quarto fica um quarto mais de adolescente adulto. E fez isso com as duas crianças. Luana foi lá e escolheu tudo que ela queria para o quarto dela e Lucas escolheu tudo que ele queria para o quarto dele. Maura fez o quê? Pagou.

fez uma reforma ali no quarto das crianças, das duas crianças, igual. Então, o que a Maura pode fazer igual, ela faz, não existe essa divisão que o marido fala, mas em certas coisas que são a longo prazo, ela não consegue bancar as duas crianças. Chegamos ao começo desse ano. A escola ali tinha um programa que quando você fazia sete anos, você podia ir pra Disney.

E aí você tinha a opção, se um pai seu ou uma mãe quisesse ir junto, pagando, né? Podia ir, ou se você tem um irmão que não tá na Happy Pony, mas quer levar a família toda. Happy Pony tinha lá uma programação.

As amigas da Luana iam pra Disney. Então, o que a Maura falou? Bom, você vai. Eu não vou fazer isso com o Lucas. Eu não consigo deixar a Luana com sete anos e sozinha pra Disney. Então, eu vou. Mas eu consigo pagar pra mais uma pessoa. Então, em vez de pagar pro pai, eu vou pagar pro Lucas. Vou eu, Luana e Lucas pra Disney. Gente, não tá bom? E a mãe do Lucas não aceitou. Falou, ou ele vai com o pai, ou ele não vai.

Tem que incluir o pai na viagem. Uma hora eu falo. Eu não tenho dinheiro. E ele não tem dinheiro. Falou pro cara. Com ela sozinha, ele não vai. E aí o Lucas chorou, gente. Porque o Lucas queria muito ir. Um dia o Lucas chegou lá. Agora o Lucas já. Ela com sete e o Lucas com dez. Reproduzindo o que a mãe disse. É verdade que você não gosta de mim porque eu sou branco? Gente, que mãe que fala um negócio desse pro filho?

A Maura ficou muito brava, pegou o telefone, ligou pra mãe do Lucas e ela negou. Ah, eu acho que isso aí é um sentimento dele. Não fui eu que falei, eu acho que ele realmente pensa isso, porque você faz essa divisão, sim, entre as crianças. Gente, a mãe falou isso pra Maura. Olha, eu não faço divisão nenhuma, eu só não tenho que sustentar o seu filho em tudo que eu faço pra minha filha. Rolou uma treta ali no telefone e ela falou, com você, o meu filho não vai.

Já que o Lucas não ia ter autorização pra ir, a Luana falou, papai, então vamos. E o pai falou, se o Lucas não vai, eu não vou. E o pai não foi com a Luana. Só quem foi, foi Maura. Foi a primeira vez que ela notou a Luana triste. Sacando, tipo, ele preferiu ficar com o Lucas do que vir com a gente, porque o Lucas já não ia ter autorização mesmo, né?

Maura voltou decidida a se separar. O apartamento já era dela mesmo, né? Ela comprou muito antes de se casar com esse cara. Ele ainda tentou pegar alguma coisa, mas assim, não tinha, gente. Não teve acordo. As crianças foram para o psicólogo. Quem paga o psicólogo do Lucas é a Maura. Ela fez um pacote, tipo, para o Lucas e para a Luana.

E o Lucas não queria que tirasse o quarto dele lá da casa. E a Maura falou, olha, por mim, se você quiser. A Luana é sua irmã. Você pode vir aqui quando você quiser. Só que a mãe proibiu. Assim que eles se separaram, a mãe proibiu o Lucas de ir lá e tirou o Lucas da terapia. Terapia que a Maura pagava.

A Maura se divorciou, não teve coragem até hoje de desfazer esse quarto do Lucas. Ela tem contato com o Lucas porque o Lucas procura pela Maura, pela Luana, nas redes sociais. Ele já falou para a Maura se quando ele fizer 18 anos, se ela leva ele para os Estados Unidos, na Disney.

Eu levo, quando você for adulto, puder responder por você e sua mãe não precisar assinar, eu levo. Quando foi para tirar o visto para os Estados Unidos, a Maura já tinha. Ela falou, olha, vamos já tirar da família, né? E o cara não quis, porque ele não ia poder ir junto com o Lucas. Ela acabou tirando só o visto da Luana. Aí ela falou, eu não sei nem, André, depois como é que ele vai fazer 18, como é que vai ser esse visto? Ele não vai conseguir sozinho.

E provavelmente vai ser negado. Ele vai ter que, sei lá, tirar com o pai dele. O pai dele, daquele jeito, agora me odeia. Ele paga 390 reais de pensão pra Luana. Gente, 390 reais de pensão. Quase não fica com a filha. Luana sente falta do pai. E aí a Maura falou, André, aí eu percebi que essa divisão de afeto, quem faz é ele.

Ele se ressente porque eu tenho mais dinheiro, porque eu tenho um emprego melhor que o dele. E aí ele desconta na Luana, né? A Luana quase não vê o pai, ganha uma miséria, e aí agora ele não reclama, né? Tipo, se ela tirar todas as coisas da Luana, ele não vai reclamar. Porque ele queria que as coisas fossem feitas para o Lucas.

Bom, eu acho que essa história tem muitas camadas de classe, de raça, de tudo, de até homem, mulher, né? Enfim.

muita coisa pra gente comentar, e eu acho que a Maura não errou, eu acho que ela fez o que ela conseguia pelos dois, mas a hora que você tem que priorizar, você vai priorizar seu filho, né? Não é que ela fazia grandes diferenças, ela falou, gente, eu nunca fiz, o Lucas se sentiu mal, o Lucas se sentiu inferior, mas assim, eu queria dar as coisas pra minha filha também. Então, coisas pequenas assim, tipo, ah, comprou um tênis, um puta tênis de marca pra Luana, comprou também pro Lucas.

E é ela que comprava, do bolso dela. Mas grandes coisas, tipo colocar numa escola bilingue, ela não tinha como colocar os dois, e o Lucas não era filho dela. A viagem pra Disney, pagar mais uma pessoa, ela falou, André, eu já tava no limite, porque assim, não é só... Gente, é realmente muito caro, tudo é muito caro, real, assim. Então, pra duas pessoas já é muito caro, ela ia pagar pra três, pro menininho também. E agora, pagar ainda pro marmanjo, pro homem...

Ela falou, não ia conseguir, não é nem que eu não queria, não ia conseguir financeiramente, não ia entrar em dívida por causa disso, eu queria levar o Lucas. Mas se a mãe não deixou, não deixou, né, gente?

Então, assim, tá errada, Maura? Não tá errada. E aí agora se divorciou e agora um monte de ficha em relação à diferença de grana, até essa questão racial, são fichas que estão caindo aí na cabeça da Maura e algumas bem doloridas.

O que vocês acham? Oi, não inviabilize eles. Meu nome é Juliana, falo de Arujá, São Paulo. E, Maura, primeiramente, eu sinto muito que esse homem não seja um pai presente para a sua filha, mas também fiquei feliz de saber que hoje vocês estão seguindo em frente, que ele é um ex e que ele não é mais um atraso para você.

a história inteira, eu fiquei completamente horrorizada que eles tentavam transferir uma responsabilidade pra você, sendo que nem eles corriam atrás, né? Exigia, exigia, exigia, mas não se moviam pra dar um conforto maior pro próprio filho, né? Queria que você bancasse. O que eu senti ali é que foi uma dor de cotovelo.

horrorosa, que você tinha uma condição financeira melhor. E um outro ponto que me deixou extremamente dolorida é que esse menininho vai crescer com os pais sendo guiados pelos próprios caprichos e pelo próprio ego, que é uma pena, né? Ele merecia muito mais. Espero que vocês não percam o contato, é nítido que vocês têm carinho um pelo outro. Um beijo.

Oi, Nenviabilizers. Aqui é a Sami, de Curitiba. Maura, eu acho que você foi uma madrasta excelente e fez até mais do que você deveria fazer pra uma criança que nem é seu filho. Mas que bom que você pôde oferecer coisas pra ele também. Percebi ao longo dessa história que você não comentou em nenhum momento como o seu ex era carinhoso com a sua filha ou como ele cuidava e demonstrava esse afeto. Então isso é bem preocupante, assim. Parece que ele é um cara completamente recalcado e racista.

Não é porque ele é um homem branco que estava num relacionamento com uma mulher negra que ele deixa de ser racista. Parece que ele projetava no filho todas as inseguranças que ele tinha em relação a você. E usava o filho como desculpa pra essas coisas horríveis que ele sentia. Que bom que essa história teve um final feliz, que você terminou esse casamento que não te agregava em absolutamente nada. Eu espero que você e a sua filha sejam muito felizes e que você ainda consiga proporcionar muitas coisas pra ela.

E que ela ainda te dê muito orgulho também, assim como você com certeza deve ser um orgulho pra ela. Um beijo, fique bem.

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