COITADA
Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!
Use a hashtag #COITADA e comente a história no nosso grupo do telegram: https://t.me/naoinviabilize
PUBLICIDADE EBAC
Quer um cupom de R$200 de desconto para estudar na EBAC? Use naoinviabilizedesconto e junte-se aos mais de 145 mil estudantes da Escola Britânica de Artes Criativas & Tecnologia. Cupom válido por tempo limitado.
Link: https://ebac.me/887d1c
QUER OUVIR MAIS HISTÓRIAS?
BAIXE NOSSO APLICATIVO EM SUA LOJA APPLE/GOOGLE, CONHEÇA NOSSOS QUADROS EXCLUSIVOS E RECEBA EPISÓDIOS INÉDITOS DE SEGUNDA A SÁBADO: https://naoinviabilize.com.br/assine
Envie a sua história bem detalhada para naoinviabilize@gmail.com, seu anonimato será mantido, todos os nomes, profissões e locais são trocados para preservar a sua identidade.
Site: https://naoinviabilize.com.br
Transcrição dos episódios: https://naoinviabilize.com.br/episodios
Youtube: https://youtube.com/naoinviabilize
Instagram: https://www.instagram.com/naoinviabilize
TikTok: https://www.tiktok.com/@naoinviabilize
X: https://x.com/naoinviabilize
Facebook: https://facebook.com/naoinviabilize
Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
Vinhetas: Pipoca Sound
Voz da vinheta: Priscila Armani
- Histórias de mães e filhasInfância e moradia com a avó · Morte da avó e inventário · Dependência financeira da mãe · Trabalho como jovem aprendiz · Kelly · Dona Maria · Tia Márcia
- Problema de moradiaDificuldades financeiras após cirurgia · Transferência de dinheiro pela mãe · Empréstimo para cobrir despesas · Kelly
- Decisão sobre o futuro da mãeProposta de construção no terreno da tia · Aconselhamento jurídico e judicial · Responsabilidade legal e financeira · Kelly · Tia Márcia
- Venda de açaí e recuperaçãoEmpreendedorismo com carrinho de açaí · Problemas de saúde e internação · Perda de mercadoria e equipamento · Kelly
- Rompimento FamiliarDesconfiança e conflito familiar · Abandono e falta de apoio · Mãe em abrigo de mulheres · Kelly · Mãe da Kelly
Picolé de limão, o refresco ácido do seu dia.
Oi, gente, cheguei, cheguei pra mais um picolé de limão. E hoje eu não tô sozinha, meu publi. Quem tá aqui comigo hoje é a Ebac. Se você estava esperando um momento, o momento é agora. Momento do que, ideia? De começar uma carreira nova, atualizar o seu currículo, tirar da gaveta aquele desejo antigo de começar um curso, sabe? Aquele curso que você sempre quis fazer.
Na EBAC você paga um preço justo, tem aulas com professores que são profissionais renomados no mercado, estuda quando e onde quiser e ainda tem a possibilidade de sair empregado. Sim!
Em alguns cursos você já sai empregado. A Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia é uma instituição de ensino inovadora que oferece a oportunidade perfeita para você investir no seu futuro. A EBAC possui mais de 150 cursos e uma plataforma própria de ensino. Além de duas pós-graduações reconhecidas pelo MEC e mais de 145 mil alunos estudando. Olha que bacana!
Transforme o seu futuro com cursos profissionalizantes que vão do zero ao pró. Na EBAC você encontra um novo modelo de ensino das disciplinas que envolvem criatividade, tecnologia, marketing, moda, audiovisual, negócios. Gente, todos os ramos, tá?
Acesse agora ebaqueonline.com.br e invista no seu futuro. Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio. E fica comigo que tem o quê? Tem cupom.
E hoje eu vou contar para vocês a história da Kelly. Então, vamos lá. Vamos de história. Kelly, filha única, sempre ela e sua mãe. Nos documentos da Kelly, não tem o nome do pai. Quando ela era criança, ela perguntava muito para a mãe sobre quem era o pai, a mãe desconversava. A mãe nunca disse quem era o pai da Kelly. Desde criança, a Kelly tem a lembrança de morar na casa da avó dela. Vamos chamar a avó dela aqui de Dona Maria.
e ter ali a mãe dela, a Dona Maria, três tios, tia Márcia e mais dois tios, que a Kelly não se dá tão bem, todo mundo adulto, todo mundo se casou, saiu da casa ali, da avó da Kelly, a Dona Maria. Com o passar do tempo, Dona Maria foi ficando doente e Dona Maria faleceu.
Assim que Dona Maria faleceu, os dois irmãos, filhos da Dona Maria, já entraram com o inventário e já queriam que a mãe da Kelly desocupasse a casa.
A Kelly estava com 13 para 14 anos. Foi ali que a Kelly descobriu que a mãe nunca tinha trabalhado. Que a mãe não tinha uma renda. Eu falei, mas Kelly, você não via que a sua mãe estava o tempo todo em casa? Ela falou, até via, mas eu não tinha ideia muito das coisas assim. Mas ali eu percebi que a minha mãe vivia na aba da minha avó ali. E que meus tios tinham muita raiva disso. E por isso que eles fizeram isso de já.
Entrar com o inventário e já pedir para que a Kelly e a mãe saíssem da casa, né? Tia Márcia, que não concordava com os irmãos, conseguiu botar lá uma advogada para que, pelo menos, a Kelly e a mãe ficassem na casa até vender. Quando vendessem, elas tinham que sair. Como elas não tinham dinheiro para comprar ali a parte dos outros...
Ali, todo mundo morava de aluguel. A única que morava ali com a dona Maria era a mãe da Kelly. Quando vendeu a casa, dava para você dar entrada numa casa ou você comprar um terreno. Dava para comprar um terreno à vista.
Tia Márcia falou isso pra mãe da Kelly. Fulana, faz como eu, compra um terreno. Não vai gastar a sua parte, porque agora você não tem onde morar. Mas a mãe da Kelly optou ali por alugar uma casa e não botar esse dinheiro no terreno. Então, assim, o que a mãe ia fazer com o dinheiro, a Kelly não sabia. A Kelly tinha 14 anos. A mãe passou a viver desse dinheiro.
que dava pra ela comprar um terreno. E começou a pressionar a Kelly pra Kelly ser uma jovem aprendiz.
que na época não tinha nem esse nome, acho que o programa ainda, a Kelly não lembra, pra ela começar a trabalhar pra ter um pouco das coisas. Kelly começou e ela ganhava meio salário mínimo. Trabalhou quatro anos assim, sempre entregando esse meio salário mínimo na mão da mãe. Ela não comprava um batom, um esmalte, nada. E a mãe não dava dinheiro pra ela pra nada. E geralmente elas comiam sardinha, salsicha, sabe assim?
Era tudo muito precário. Quando ela fez 18 anos, a empresa que ela estava efetivou a Kelly e a Kelly passou a ganhar um salário mínimo, mais os benefícios. Aí foi que a mãe realmente não se mexia mais para nada.
E Kelly cresceu assim, agora com consciência de que a mãe dela não trabalhava. Quando ela começou a ganhar um salário mínimo, a mãe dela já falava que ela tinha que pagar aluguel. Pagava aluguel, pagava mais a conta de luz. E aí a mãe dela dava o dinheiro lá da conta de água. E a Kelly ficava com 150 reais. Sabe assim, do dinheiro dela convertendo pra hoje, por exemplo, né?
Era a vida da Kelly. A mãe dela às vezes aparecia com uma blusa bonita. Pegou o dinheiro. Em vez de comprar uma carne. Um negócio melhor para elas. Não. Gastava com ela própria. E fazia a Kelly dar todo o dinheiro.
E Kelly foi acostumando com essa dinâmica. Era a única dinâmica familiar que ela conhecia, gente. Ela tinha ali a tia Márcia, mas a tia Márcia também tinha a vida dela lá, né? Não tinha tanto contato assim. Então, pra ela, aquilo era... Poxa, minha mãe é assim, não tenho o que fazer. O tempo foi passando. A mãe, mesmo a Kelly, dando dinheiro do aluguel, chegou um dia lá que falou pra Kelly que elas iam ser despejadas.
Kelly teve que pedir para o chefe dela um empréstimo e o chefe dela, do bolso dele, falou eu vou te emprestar e Kelly você vai me pagando do jeito que você puder. A empresa não fazia empréstimo porque quando você é CLT tem as regras e tal Kelly foi lá e fez um aluguel no nome da Kelly porque a Kelly era a única que tinha um olerite, um negócio ali.
Sempre, gente, com um quarto só, tá? Duas camas de solteiro, um guarda-roupa. Kelly achou uma casa que era um pouco melhor da casa que elas moravam, num bairro mais perto do trabalho da Kelly. Mas Kelly ainda ganhando pouco. Os móveis já estavam muito ruins. Kelly falou, eu vou fazer um crediário dos móveis. Porque, assim, o guarda-roupa não dava mais pra desmontar e montar de novo, sabe? Tava só o farelo.
Kelly mobiliou e aos poucos foi mudando. A geladeira que era muito velha, elas tiveram que levar porque não tinha condição de comprar outra ainda. Mas com o tempo e muito esforço, Kelly conseguiu mobiliar essa casinha alugada. Isso era lá para maio. Quando chegou o final do ano, ela não tinha devolvido nada para o chefe dela.
Era uma empresa que pagava décimo terceiro e décimo quarto. Kelly pegou o décimo terceiro dela inteiro, o décimo quarto dela inteiro e pagou o chefe. Mãe da Kelly ficou muito brava. Porque ela já estava contando com esse dinheiro. E do décimo quarto ela nem sabia, ela só estava contando com o décimo terceiro. E a Kelly pelo menos quitou, honrou ali a dívida que ela tinha com o chefe.
O tempo foi passando que a Lina não conseguia fazer uma faculdade, deixou essa meta adormecida, mas ela tinha objetivos ali, de trocar aquela geladeira, deixar a casa arrumadinha. E assim ela fez, gente. Conseguiu trocar sofá, conseguiu trocar geladeira, conseguiu comprar os móveis da cozinha, os armários, porque não tinha.
Foi fazendo assim as coisas. Comprou um chuveiro melhor. A gente pode falar, mas era pouco dinheiro. Gente, quando você não tem, você não tem. Tem de onde tirar. Aos poucos ela ia pagando um crediário, fazia outro. E foi deixando a casa bonitinha ali, tudo certinho. A partir do momento que ela não tinha mais coisa para fazer naquela casa que era alugada, então não adiantava ela investir em estrutura naquela casa.
Kelly... Agora vou tentar uma faculdade ou vou guardar um dinheiro para dar entrada numa casa? Vou guardar dinheiro para dar entrada numa casa. E assim Kelly começou a guardar dinheiro. Era o começo ali dos bancos digitais. Kelly abriu uma conta digital e começou a guardar o seu dinheirinho para no futuro dar entrada numa casa. Qual que era a conta que a Kelly fazia? Quando eu consegui simular?
A compra da casa e a parcela fica igual ao aluguel, aí eu saio do aluguel. A gente entra na casa e o valor que eu ia pagar de aluguel, eu pago a parcela. Então não tinha como ela pagar, por exemplo, uma parcela e o aluguel, ou começar alguma coisa assim antes. Tinha que ser uma casa que já estivesse pronta, né? Pra que elas pudessem mudar.
E um valor de parcela que fosse compatível com o valor que gerou aluguel. Porque aí estava dentro do planejamento de pouquíssimo dinheiro que a Kelly ganhava. Kelly começou a guardar R$ 250,00 por mês.
Para poder, lá na frente, sabe Deus quando, dar entrada numa casa. Conseguia guardar 3 mil reais por ano. Kelly não fazia nada ousado, não sabia investir. Deixava no banco em coisas seguras. Ah, uma vez ou outra precisou tirar um pouquinho para uma emergência e tal. Depois de 9 anos, Kelly tinha 35 mil reais.
Depois de nove anos, foi o que ela conseguiu juntar com o salário que ela ganhava. Ela só conseguia guardar R$ 250,00 por mês e assim, na régua. Então, veja o quanto a Kelly trabalhou e o quanto demorou para ela juntar R$ 35.000,00.
35 mil reais era o suficiente para Kelly dar entrada numa casa ou um apartamento de dois quartos que não fosse muito longe do trabalho dela ou do centro e que fosse o aluguel ali equivalente com a parcela? Não. Nas contas da Kelly, ela precisava de 50 mil reais.
Acontece que a empresa teve lá diversos cortes e Kelly entrou numa galera lá que foi mandada embora. Recebeu tudo direitinho, os direitos dela. Agora ia dar para ela dar entrada. Nessa casinha, para as duas. E se ela não conseguisse o emprego? Então talvez não fosse o momento, né? Você tem que estar, mesmo porque para você fazer a documentação da parcela ali, você vai precisar estar empregada.
Kelly já estava querendo sair do CLT, o que eu acho sempre a pior decisão, né? Porque quando você trabalha CLT, você tem muitos direitos garantidos, né? Quando você é autônomo, não tem tanto. A gente está falando aqui de 10 anos, onde a mãe dela nunca trabalhou. A mãe dela limpava a casa, fazia as coisas, fazia comida. Bem mais ou menos.
Kelly, que acabava fazendo tudo. Mas a Kelly estava acostumada. Kelly. Eu vou fazer o seguinte, eu não vou mexer nos 35 mil que eu já tenho. Vou pegar essa minha indenização, vou comprar o carrinho de açaí, as coisas de açaí. E vou começar a vender. Porta de faculdade. De faculdade que ela gostaria de estar dentro, né? Mas estava ali vendendo açaí.
Kelly comprou um carrinho de açaí. E não é que começou a dar certo? Ela estava ganhando um pouco mais do que ela ganhava na firma. Só que agora, né, não tinha ali os direitos assegurados. Estava bom, estava dando certo. A mãe, algum dia, queria ir lá ficar no carrinho de açaí também? Dividir turno, vender? Jamais.
Kelly não contava com a mãe. Contava com ela mesma para vender ali o açaí e fazer as coisas. Kelly tinha os lugares tipo, ah, na hora do almoço eu fico mais na frente de um banco. Depois, quando dá seis horas, eu vou para frente da faculdade. E assim ela ia fazendo. Ela só chegava em casa depois do intervalo da faculdade, nove e pouco da noite. Até que um dia Kelly saiu e no meio ali do expediente dela...
Ela começou a sentir uma dor muito forte, assim, no pé da barriga. Uma coisa absurda. E uma dor, uma dor, uma dor. Que ela chegou a sentar e não conseguiu levantar. Ela estava na frente de um call center. Então, assim, vendia bastante açaí ali. O pessoal ganhava pouco também, mas gostava de um açaizinho.
Algumas pessoas ali do call center viram que ela estava realmente passando mal. Guardaram o carrinho dela. E ela foi socorrida. Foi levada pelo SAMU. O que Kelly não sabia é que ela tinha alguns cistos. Um deles estourou. E ela estava correndo risco de vida. Foi internada. Um médico foi lá falar com ela. Ela falou, amanhã cedo a gente vai te operar e tal, né? Você vai passar a noite aqui, fazer o jejum e tal. E a gente vai te operar.
Kelly correu ligar pra mãe dela, pra mãe dela vir pegar o celular. Kelly tinha um dinheiro pra entrar naqueles dois, três dias próximos da galera que compra açaí por mês. Fazia ali um planozinho, cadernetinha com a Kelly e depois no dia você depositava pra ela ali.
Kelly falou, mãe, toma, fica com meu celular pra entrar no meu aplicativo de banco. É assim. Entre amanhã e depois de amanhã vai cair o dinheiro e você pega esse dinheiro pra pagar o aluguel. Porque aluguel era assim, gente. Se você pagasse hoje, era mil.
Se você pagasse amanhã, já tinha, tipo, uma multa de 10 mil, já era 1.100, e depois ia subir um pouquinho mais, assim. Mas já era 100 reais a mais. Era um dinheiro importante ali, né, pra Kelly, que ele não queria pagar juros. Eu não sei como é, né, que vai ser aqui, se eu vou conseguir entrar no banco, fazer essas coisas daqui, né, não sei se eu vou ficar bem. Então, assim, você faz isso? Não, claro, faço. Sou a mãe, gente.
Seu fechamento, sua confiança. A mãe dela até aqui não trabalhava, não trabalhava, mas também nunca pegou nada de Kelly. Kelly operou, deu uma complicaçãozinha que ela precisou ser... Vocês já ouviram falar disso? Tipo, lavada por dentro? Ela foi lavada por dentro.
Então ela ia ficar mais uns dias no hospital. Deu tudo certo. Ela saiu do hospital. A mãe dela, que tinha que ficar lá dormir com ela, disse que não conseguia dormir em hospital. Não ficou com ela, mas foi lá todo dia. E a mãe dela tava feliz. Kelly pensou, tá feliz por quê? Eu tô bem, eu tô viva, né? Kelly voltou. Ela tinha que pedir pra alguém buscar o carrinho de açaí, porque a mãe dela tinha vergonha de andar com o carrinho de açaí.
na rua, esse carrinho tinha açaí. E o pessoal guardou ele lá num lugar do jeito que estava. Aquele açaí que estava dentro do carrinho apodreceu, fermentou um caos. Ela chamou o rapaz, que até vendia açaí para ela, para o rapaz ir lá buscar o carrinho. O rapaz foi, pegou, tirou todos os potes dentro do carrinho, com a mangueira ali na frente da casa da Kelly. Deixou tudo impecável.
Mas a Kelly perdeu aquele açaí, né, que ficou no carrinho. O Wilson não cobrou nada, falou, Kelly, a hora que você voltar, que você precisar do açaí, eu faço pra você, na confiança, você não precisa me pagar antecipado, porque era sempre antecipado, pra você voltar a trabalhar, não tem problema, tamo junto. Foi embora. Então, veja, a mãe não ajudou em nada. A única coisa que a mãe fez foi entrar no banco ali pra pagar o aluguel, né?
Kelly ia ficar um tempo ainda sem poder sair para vender. Estava se recuperando, gente, de uma cirurgia. Quando ela recebeu uma mensagem ali da imobiliária, que já tinha tido a multa e que agora estava correndo juros. Porque o aluguel estava atrasado. Ela falou, minha mãe esqueceu de pagar o aluguel. Antes de criar qualquer atrito, como ela já estava em casa ali, a mãe já tinha até feito uma sopa para ela. Olha isso.
Ela entrou no banco para pagar o aluguel. Ela entrou no banco e viu que o dinheiro do aluguel não estava lá. A galera tinha feito os depósitos, mas o dinheiro não estava lá. E o dinheiro da caixinha dela de investimento também não estava mais lá. Ela olhou e tinha sido transferida. A mãe foi transferindo, sabe? Um pouco hoje, um pouco amanhã.
Ao longo do período que ela ficou internada, a mãe transferiu todo o dinheiro pra própria conta. Kelly não tava acreditando naquilo. Kelly pensou. Foi uma cirurgia que podia dar errado? Ela já tava com a coisa estourada dentro dela e podia dar sepsis. Minha mãe foi precavida?
E aí chamou a mãe pra conversar. Mãe, cadê o dinheiro que tava na minha conta? E a mãe não falava nada. Kelly foi ficando nervosa e uma hora a mãe virou pra ela e falou assim. É, eu achei que você ia morrer. E morte não precisa de dinheiro. A mãe achou que a Kelly ia morrer e pegou o dinheiro todo da conta dela.
Então não foi uma coisa assim, ah, eu pensei que se acontecesse alguma coisa com você, eu não teria como, ia demorar, sei lá, para eu conseguir mexer nesse dinheiro. Passei para a minha conta, mas toma aqui de volta na sua conta. Não. Kelly ficou muito mal, elas tiveram uma briga e a Kelly resolveu botar a mãe para fora.
A mãe foi pra casa da tia Márcia. Tia Márcia também queria que ela desse conta do dinheiro, mas ela não falava nada do que ela tinha feito com o dinheiro. Tia Márcia falou... Kelly, ela gasta. Ela compra as coisas pra ela, ela vive assim como se ela fosse uma pessoa rica, e o dinheiro acaba. Não é nem compulsão por compras, por jogos, por nada. Ela vai tipo... Ela gasta o dinheiro. Se ela ver um perfume lá de 2, 3 mil reais, ela vai comprar.
Tipo, sabe, porque ela é acumuladora? Não, porque ela quer usar uma coisa de rico, sabe assim? Totalmente descompensada, né? Agora que ela não tinha nem o dinheiro do aluguel, trabalhando autônoma, não podia sair para vender o açaí, o que ela ia fazer? A sorte, e aí a gente não sabe nem se foi tanta sorte assim, é que a mãe dela, tão mau caráter, que era!
Tinha pedido um empréstimo. O empréstimo saiu. Dois, três dias que a Kelly já estava em casa, que aconteceu a treta com a mãe, ela botou a mãe para fora, caiu o empréstimo. A sorte da Kelly é que o empréstimo entrou em análise. Porque se tivesse liberado enquanto a Kelly estava internada, a mãe tinha sacado, tinha transferido para conta dela. Vocês concordam?
Com o dinheiro do empréstimo, ela pagou um aluguel e ficou com um pouco de dinheiro para poder se alimentar, tomar remédio, até ficar boa para vender açaí de novo. Entre os amigos e alguns familiares da Kelly, metade achou que ela tinha que fazer BO, metade não. Ela foi na delegacia fazer o BO. O delegado falou, olha, você vai fazer um BO contra a sua própria mãe? É melhor você ver isso na esfera cível.
Mas a Kelly insistiu ali, ele falou, olha, posso te dar um conselho? Faz o BO, porque de repente você vai usar ele numa causa cível. Mas arquiva depois, não vai representar um BO contra a sua mãe. Kelly guardou o BO e ficou sem saber o que fazer. Porque assim, vai entrar na justiça contra a própria mãe, que não tem um real, gente, não trabalha, não é aposentada.
Não é que ela tem o dinheiro de aposentador. Não tem nada. Agora ela estava vivendo aos custos de quem? Tia Márcia. Kelly. Perdi tudo. Vou aceitar entubar e seguir agora a minha vida rompida com a minha mãe.
Quando ela voltou nesse lugar de telemarketing que ficou o carrinho, a mãe dela tinha ido lá tentar pegar o carrinho. E foi com um rapaz que foi olhar o carrinho pra comprar. Só que a galera falou assim, como que a gente vai entregar um carrinho pra mãe dela, mesmo sendo a mãe dela, sem a Kelly ter falado nada? E aí eles não entregaram. Tanto que eles entregaram pro rapaz que foi buscar depois, porque a Kelly avisou lá. Então ela ia vender até o carrinho de açaí da Kelly.
Kelly, muito magoada, rompeu com a mãe. A mãe ficou lá na tia Márcia. Até que um dia a tia Márcia liga e fala... Olha, tive que botar a fulana pra fora. Ela também pegou um dinheiro aqui. Me fez brigar com os meus filhos porque ela não assumiu. Eu achei que tivesse sido meu filho. Uma briga lá.
Mãe da Kelly estava morando num abrigo de mulheres. E ali no abrigo ela tinha que fazer as coisas, né? Porque assim, você tá lá no abrigo de uma ONG, então assim, elas tinham um cronograma de coisas pra fazer, né? E isso foi antes da pandemia. A mãe dela foi lá pra morar nesse abrigo. E a Kelly falou, olha...
Não posso fazer nada também. Ela não quer trabalhar. É uma pessoa saudável. Não quer trabalhar. Está lá o abrigo, aceitou. Então, que fique lá nesse abrigo de mulheres. Seis anos depois, uma assistente social lá do abrigo entrou em contato com a Kelly, pedindo que a Kelly retirasse a mãe do abrigo e levasse para casa.
que a mãe está com uma doença respiratória meio grave, que lá tem um ambiente mais úmido, tem mofo, essas coisas, que ela precisava de um ambiente melhor para se tratar e que ela estava com a saúde bem debilitada e que a ONG não tinha mais como ficar com ela lá. Então, a assistente social estava ligando para a Kelly levar ela para casa.
Kelly não quer levá-la pra casa, não quer cuidar da mãe. Kelly perdeu o dinheiro na entrada da casa, então ela nunca mais conseguiu juntar dinheiro. Demorou muito pra pagar o empréstimo, se enrolou, porque a mãe fez tipo uma parcela alta, sabe assim? Se enrolou, ficou devedora no SPC, continuou morando na mesma casa, pagando aluguel, né? Então não conseguiu...
Cumpri mais meta nenhuma, gente. Foi tudo encavalando, né? Por conta dessa rasteira financeira que a mãe deu nela. A mãe também nunca procurou. Pediu desculpas, pediu desculpas. Mais uma desculpa assim, tipo, ah, desculpa. Eu achei que você fosse morrer. Olha a desculpa. Ah, desculpa, eu achei que você fosse morrer. Tipo, morto não usa dinheiro. Essa foi a desculpa da mãe.
Tia Marcia falou, olha, se você quiser, aqui no meu terreno é grande. Terreno que tia Marcia comprou com a parte dela da casa da dona Maria. E a mãe da Kelly torrou a parte que lhe devia.
Se você quiser, pega um pedacinho aqui do terreno, faz dois cômodos com banheiro pra sua mãe, virar daqui, ó, pra fora, pra esquina, e ela pode morar. Eu não sou boba nem nada, cobro um aluguel dela de 50 reais, aí você paga, Kelly, e a gente formaliza isso e ela mora. Agora, dentro da minha casa, eu não ponho mais. Kelly também não quer botar mais a mãe dentro de casa. Só que a Kelly falou, Andréia, eu já tô toda enrolada por culpa dela. Anos pra conseguir pagar uma dívida.
E agora eu vou ter que gastar com material de construção, fazer as coisas, vou ter que comprar geladeira usada, ainda assim é dinheiro. Me endividar novamente, ou botar minha mãe em casa, minhas opções são essas. Porque, ah, eu vou jogar ela na rua, assistente social lá, capaz a mulher até deu a entender que a Kelly podia ser processada. Real.
Kelly falou pra assistente social que precisava de um tempo pra resolver o que ia fazer. E aí, agora, Kelly bota a mãe dentro de casa, ou pega um pedreiro, constrói ali dois cômodos, um banheiro, que já vai uma grana pra isso. Ela falou, André, agora eu consigo pegar um empréstimo de novo no banco, mas eu vou me enrolar de novo. Porque ela não vai ter pra pagar o pedreiro assim, ó, na lata. Vai ter que pegar empréstimo, gente.
E aí, agora, o que ela faz? As opções são essas. Se ela não fizer nada, provavelmente a ONG realmente vai processar a Kelly.
Kelly se consultou com uma advogada que disse que tem grandes chances, sim, mesmo ela tendo um BO que a mãe roubou ela do Estado, obrigar a Kelly a custear as coisas da mãe ou a brigar a mãe, porque a mãe não tem aposentadoria, não tem nada e está debilitada, doente. A advogada falou para ela, se você fizer agora de bom grado, você registra tudo o que você fez.
E depois é mais fácil de você não criar essa obrigação. Se você deixar na mão da justiça, você vai criar para você uma obrigação que é tipo uma pensão, para sempre. A advogada aconselhou a Kelly a fazer os dois contos. Olha, sua tia está sendo muito boa de oferecer um lugar para você construir e a sua mãe ficar lá. Ah, você vai ter que gastar depois 50 reais para sua tia de aluguel, pagar água e a luz da sua mãe? Provavelmente.
Mas é melhor do que isso virar um processo judicial. Esse foi o conselho da advogada. E aí a Kelly falou, Andréia, aqui dentro eu não vou botar mais, porque é a mesma coisa, ela continua morando na mesma casa. Não vou botar minha mãe mais aqui. Então, é isso. Eu deixo, jogo para a justiça, não faço absolutamente nada, ignoro o assistente social da ONG.
Ou eu corro e construo aí esses dois cômodos com banheiro lá no terreno da minha tia. E aí, gente, eu acho que a Kelly tem que construir esses dois cômodos.
E se livrar logo. Antes que a tia dela também mude de ideia. O que vocês acham? O que a Kelly pode fazer? Ela deixa torar, deixa ir para a justiça. Porque agora a assistente social virou para a Kelly e falou assim, a sua mãe é uma coitada. A sua mãe precisa de ajuda, ela é uma coitada. Você vai largar a sua mãe na rua? Você vai largar a sua mãe sem ajuda? Ela é uma coitada.
Então, Kelly, deixa atorar e deixa a ONG entrar com o processo, porque isso vai acontecer. Ou corre e já começa a construir esses dois cômodos, avisa a assistente social o que está fazendo, o que vai fazer, dá um prazinho lá e fala, por favor, não entre na justiça que eu estou resolvendo. Eu acho melhor construir os dois cômodos. O que vocês acham?
Oi, né, WebLeezers. Aqui quem fala é a Bárbara, de Curitiba, Paraná. E, poxa, Kelly, que situação terrível. Sinto muito por você ter essa pessoa como genitora.
eu acredito que você poderia verificar imediatamente se sua mãe tem direito ao BPC LOS, que é um benefício assistencial de um salário mínimo para os idosos de baixa renda, mesmo sem terem contribuído ao INSS. Segundo, se a ONG quiser entrar com uma ação judicial, deixe que o juiz analise, porque uma eventual pensão vai ser fixada de forma proporcional também à sua capacidade financeira e vai considerar todo o seu histórico com ela e todo o abuso financeiro que você sofreu.
Se você optar por construir uma casa, lembre-se que isso não vai te isentar automaticamente de responsabilidade de uma pensão futura. Muita atenção se você for construir no terreno da sua tia. Busque aconselhamento jurídico. Um beijo, boa sorte.
Oi, Noivia Blizzers. Meu nome é Paula, sou assistente social e estou falando de Venceslau Brás no Paraná. Kelly, sinto muito pelo que aconteceu com você, mas assim, você não é responsável pelas escolhas que sua mãe fez, tá? Você não tem culpa de nada do que aconteceu. Desde muito nova, você assumiu responsabilidades que não eram suas.
Trazer ela para morar com você agora pode fazer você voltar para um lugar de sobrecarga, de sofrimento. Sobre o que a assistente social falou, dizer que pode existir processo dessa forma, acaba gerando medo e pressão em você. É uma decisão que você não pode tomar com base nesse medo. A responsabilidade da família não é automática.
É preciso considerar toda a história de vocês e também a sua condição emocional e financeira. Eu espero que você resolva isso da melhor maneira possível. Na EBAC você tem acesso a uma plataforma de ensino super confortável, interativa. Você pode estudar no seu tempo, onde e quando quiser. E tem acesso a mais de 150 opções de cursos online.
Você tem que se juntar agora aos mais de 145 mil alunos. Ao final de um curso na EBAC, você recebe um certificado reconhecido no mercado de trabalho, tem um portfólio com projetos e alguns cursos você ainda tem auxílio para conquistar o seu emprego. E olha que bacana!
A EBAC está em festa. Ela está comemorando 10 anos e liberou condições promocionais em todo o site. Comemora com a gente. Vem garantir hoje o melhor presente. Qual é o melhor presente? O seu futuro.
Com o nosso cupom NÃO INVIABILIZE DESCONTO, tudo junto, minúsculo, sem acento, você ganha R$ 200,00 de desconto em qualquer um dos cursos ofertados. Mas corre que o nosso cupom é por tempo limitado.
Para começar a estudar agora, acesse ebaconline.com.br, vai lá, escolhe o curso que você quer e consulte as condições de pagamento, tá? Valeu, EBAC! Um beijo, gente, e eu volto em breve. Quer a sua história contada aqui? Escreva para nãoenviabilize.gmail.com Picolé de Limão é mais um quadro do canal Não Enviabilize.
EBAC
Cursos profissionalizantes