ESCAMOSA
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- Historia do FrevoCriação de Tamires e família · Conquista da casa própria · Apoio a parentes em dificuldade · Chegada da prima e filhos · Conflitos e destruição da casa · Morte da avó Mirtz · Expulsão da prima e filhos · Situação da prima e filhos após expulsão · Reação da família e vizinhança · Tamires como 'escamosa'
- Histórias de ouvintesPatrícia de São Paulo · Esforço e patrimônio de Tamires · Responsabilidade da prima · Meritocracia e valorização do esforço · Responsabilidade dos pais das crianças
Picolé de Limão, o refresco ácido do seu dia. Oi, gente! Cheguei! Cheguei pra mais um Picolé de Limão. E hoje eu não tô sozinha, meu publi! Quem tá aqui comigo hoje é a Pet Love. Amo!
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E hoje eu vou contar para vocês a história da Tamires. Então, vamos lá. Vamos de história. Tamires foi criada por dona Edivalda, sua mãe, com o apoio de sua avó, Mirtz. O núcleo menor da Tamires sempre foi a mãe, Edivalda, e a avó, Mirtz.
Só que uma família muito grande, né? Edivalda aí com muitos irmãos, né? Filhos aí de Dona Mirtz e sobrinhos, primos de Tamires. Aquela coisa, família grande. Tamires se formou, estudou e passou num concurso muito bom. Tanto a avó da Tamires como a mãe, elas não tinham casa própria. Moravam de aluguel.
Primeira coisa que a Tamiris fez foi dar entrada numa casa nova. Assim que passou, sei lá, um ano que ela estava nesse emprego concursado já, conseguiu ali um bom financiamento e comprou uma casa.
simples, né? No bairro mesmo que elas moravam ali, um bairro classe C, mas uma casa muito boa com quintal, três quartos, Tamires ficou com a suíte para ela e os outros dois quartos, Dona Mirtz e Dona Edivalda.
O tempo foi passando uma estabilidade de trabalho muito boa, um salário muito bom. Três anos e meio depois, ela tinha quitado a casa e a casa estava reformada. Ela já tinha ampliado a garagem, colocado grama no jardim. Tava uma casa que se destacava ali no bairro que ela mora. Conhece a vizinhança, conhece todo mundo. Lá atrás já tinha uma churrasqueira no quintal, então fazia muita festa. Também eles gostam de festa.
E foi dando tudo certo. Até que primeiro veio um primo que precisava estudar, era do interior, e ficou um ano morando no quarto da avó, da dona Mirza ali, né?
No quarto da Dona Mirce tinha só uma cama de solteiro, botaram uma outra cama ali e o rapaz ficou. Nunca deu trabalho, ajudava nas contas. Então assim, foi um parente que não deu trabalho, veio e foi embora. Só que aquilo abriu uma porteira.
Os parentes, quando estavam com algum perrengue ou precisavam ir para mais próximo da cidade, ficavam na casa de Tamires. Isso começou a incomodar, mas a Tamires saía para trabalhar cedo. À noite, ela sempre fazia uma pós-graduação ou uma segunda faculdade, então ela chegava muito tarde. Dona Mirtz e Dona Edivalda deixavam a casa impecável. Ela não sentia o efeito do parente.
E ela foi deixando. Alguns parentes ajudavam, outros vinham, ficavam um tempo e eu ir embora não ajudavam em nada. Um dia, filha de Dona Amirtes, irmã de Dona Edivalda, a tia Joyce faleceu. Tia Joyce morava de aluguel, né? Não tinha conseguido comprar uma casinha pra ela, nada. Tia Joyce sustentava uma filha.
Com os três filhos da filha. Quando a tia Joyce morreu, um tempo depois, esta prima foi despejada com as três crianças. Dona Mirtes, muito mal, pediu para Tamires se a prima podia ficar lá. Tamires, muito a contragosto, falou... Ai, Vão, mas como que vai ser isso? Porque uma coisa é você receber adultos, outra coisa é você receber crianças e tal, né? Dona Mirtes falou... Eu passo...
pro quarto da Edivalda, e a menina lá, a moça, fica com os três filhos no outro quarto. Aquelas duas câmaras de solteiro que estão lá, você que comprou, eu vou pedir pra desmontar. Isso, o quintal já estava todo reformado.
Uma infraestrutura muito boa. E tinha lá o quartinho de coisas de material, escada, essas coisas. Vou pedir pra desmontar as duas camas. A gente bota lá no quartinho e eu vou comprar duas beliches. Porque ela tinha três filhos. Então precisa de quatro lugares no quarto. Tamir já tava muito assim mal. Mas... Tudo bem. A vovó pediu e... Vó, só não quero bagunça na minha casa. A senhora sabe como eu sou. Não, fica tranquila.
como criança é. Criança é criança, gente. Criança gosta de brincar. Não tem como você prender as crianças, amarrar as crianças. Primeira coisa, eles destruíram a grama. Eles destruíram toda a grama. Arrancavam tufos, cavavam, enfim. Acabou com a grama.
As paredes internas da casa começaram a ficar muito sujas. Dona Mirce e Dona Edivalda, pessoas de idade, não conseguiam limpar a parede. Mantinham a casa limpa ali porque eram só as três. Agora, com a moça e os três filhos, era mais complicado. A moça não trabalhava. Por mais que Dona Mirce falava, olha, a gente olha as crianças, você tem que procurar um trabalho, né? Não trabalhava.
Os pais das crianças, nenhum dos três pagava pensão. Dona Edivalda falou, olha, eu conheço uma advogada, vamos botar esses pais na justiça, né, pra pagar pensão. Mas ela não se mexia. Sabe gente que não se mexe? Os gastos com alimentação dobraram...
A dona Mirs e a dona Divalda, aposentadas já, cada uma recebendo um salário mínimo. E tinham os remédios, as coisas para comprar. Então não sobrava assim para dobrar a alimentação. A Mirs fala, André, nem dobrou, triplicou. Tipo, leite que ninguém tomava, comprava caixas e caixas de leite. Porque ela ficava falando que as crianças pediam leite. E aí você vê a criança pedindo leite, você tem o dinheiro, você compra, né?
Segundo Dona Mirth, seria uma situação temporária, né? Ah, no máximo em seis meses ela se arruma. Então, acho que não deveria nem ter colocado a beliche, porque beliche, para mim, já parece um negócio mais definitivo. Podia ter falado, ó, bota uns colchões no chão aí, vamos ver o que faz.
tempo foi passando, Dona Mirtes começou a ficar muito nervosa, porque assim, idosa já, né, com as crianças ali o tempo todo correndo, gritando, um dia ou outro você gosta, mas né, se você já tem uma certa idade, já não tem tanta mobilidade, as crianças o dia inteiro ali, uma vez uma criança quase, ela chegou a cair, machucou o cotovelo, mas se quebra um fêmur ali, acabou, né?
Um ano depois, Dona Mirs passou mal e faleceu. Foi um baque para a Tamires perder a avó. A avó era tudo na vida da Tamires. Foi um luto muito difícil, tanto para a Dona Edivalda quanto para a Tamires. Mas a prima estava de boa.
Quem tinha uma autoridade sobre a prima ali na casa da Tamires era a avó. A partir do momento que Dona Mires faleceu, a prima passou a achar que a casa era dela.
Ela começou a brigar com a dona Edivalda todo dia, a humilhar a dona Edivalda. E dona Edivalda tentava esconder isso da Tamires porque ela não queria arranjar a confusão. Só que como a prima gritava muito, a vizinha do lado começou a avisar a Tamires. Olha, essa é a sua prima aí que matou a sua avó de nervoso e ela vai fazer a mesma coisa com a sua mãe. A casa já ficava uma bagunça porque dona Edivalda não dava conta sozinha. A prima não lavava um copo. Nada.
Chegou ao ponto das crianças quebrarem a TV. Agora a Tamiris tinha que trancar o quarto dela, porque a prima entrava, pegava perfume, pegava as coisas. Louça, o monte, Dona Edivalda não dava conta, porque assim, eles bebiam água e não lavavam nem o copo. Às vezes, se olhava na pia, sei lá, tinha 12 copos. Tamiris pegou os jogos de copo que ela tinha e guardou no quarto dela e deixou só ali um copo para cada pessoa.
Porque aí a pessoa quer usar de novo, tem que lavar o copo. A situação foi ficando insustentável. Dona Edivalda já nem tinha vontade de sair do quarto, sair da cama. Até que um dia, Tamires chegou. Eram umas 11 horas. E a prima simplesmente tinha recebido amigos na casa de Tamires.
Estava todo mundo fumando, bebendo as bebidas da Tamires. Que a Tamires, tipo, só toma um golinho, sabe? Você compra, sei lá, um vinho caro, um uísque caro. Eles abriram todas as bebidas.
O pessoal tava bebendo, tinha fritado coisa. E Dona Edvalda tava lá no quarto chorando, porque a prima tinha gritado com ela. Tamires expulsou todo mundo. No dia seguinte, ela ligou no departamento que ela trabalhava e falou... Olha, hoje eu não vou trabalhar. E aí, gente, aqui talvez seja uma zona cinza. Tamires esperou a prima sair pra levar, porque não trabalhava a prima, né? Levava as crianças na escola e voltava.
Assim que ela saiu, Tamir chamou o chaveiro, trocou a fechadura do portão, trocou a fechadura da porta, pegou vários sacos de lixo, dobrou tudo direitinho, as roupas, tudo, sapatos separados, sacos de lixo separados.
Fez vários pacotes e deixou ali na garagem. Quando a prima voltou, que a chave dela não entrou na fechadura do portão, ela começou a chamar, achou que, sei lá, era algum problema. E aí, Tamir saiu e falou, Olha, eu não quero mais você aqui em casa. Suas coisas estão aqui e você me diz pra onde eu vou levar.
A prima começou a gritar na rua, quis fazer graça, mas todo mundo ali odiava ela já na rua, porque ela gritava realmente com as idosas. Ela tinha um namorado, depois de muita gritaria, chamou o namorado, com a ajuda de um vizinho. E eles falaram, olha, eu não vou abrir o portão, eu vou passar aqui pelo muro para o vizinho, e o vizinho vai entregar para vocês.
fez que fez. Ela queria os beliches e os colchões. Ela falou... Eu vou chamar uma pessoa pra... é... desmontar. E mando pra você ainda hoje.
A prima xingou ela de tudo quanto é nome, falou um monte. E assim a Tamiris fez. Chamou um outro vizinho lá que era montador de imóveis, pediu para desmontar, arrumou um carreto, pagou mais caro para o cara fazer no mesmo dia e mandou tudo para a casa do namorado. Dona Edivalda chorou muito, mas também não interferiu, porque para ela também já estava muito difícil, né?
No grupo da família, uma parte ficou contra a Tamires, outra parte a favor, mas a parte ficou contra, ninguém que nem a Tamires escreveu lá. Então, quem está contra mim aí, abre as portas da casa para a fulana e os três filhos. Quem que vai abrir? Ninguém abriu.
Tamiris ficou sabendo que esse namorado aguentou a prima da Tamiris por três semanas e depois também botou ela com as crianças pra fora. Então, assim, triste pelas crianças, né, gente? Porque ela não quer trabalhar. Ela não quer, ela pode muito bem trabalhar, não quer trabalhar. Tamiris falou, Andréia, assim, eu me sinto mal, mas tava acabando com a nossa vida. Ela não tinha pra onde ir e as crianças estão num abrigo.
Ela tá numa dessas casas, né, que acolhem mulheres, tá causando lá na casa de acolhimento, porque ela não quer trabalhar. O que a casa de acolhimento que ela tá faz? Te capacita pra alguma coisa, pra você conseguir um emprego e sair da casa de acolhimento. Não é pra você morar a vida toda na casa de acolhimento, é uma casa de passagem.
para você se reestruturar, conseguir alugar uma coisinha e morar com seus filhos, pegar os seus filhos. Ela não tem nenhum impedimento, a não ser esse, de ter uma moradia para pegar os filhos de volta. Parece que ela vai visitar os filhos todo final de semana, mas ela não quer trabalhar.
Nada que a casa de acolhimento sugere que ela possa fazer, sei lá, um curso de unha, maquiagem, cabelo, qualquer coisa, gente. Solda, qualquer coisa. Ela não quer nada. Ela não quer.
Ela tá nessa casa de acolhimento, as crianças estão no abrigo e muita gente da família culpa a Tamires por essa situação, tipo, da mãe estar separada das crianças, né? Pelo que uma prima lá escreveu, qualquer parente, se quiser ficar, é melhor que o abrigo, né? Então, eles dão a guarda provisória pra um parente, mas nenhum parente quer.
Também disse o André, eu não vou pegar, não tenho nem como cuidar, vou deixar nas costas da minha mãe, sabe? Já que tirou as beliches, eu transformei aquele quarto, comprei vários aparelhos de academia, comprei coisa de pilates e transformei ali numa mini academia pra mim e pra minha mãe.
Então agora nenhum parente vem, né? No quarto da dona Edivalda tem duas camas de solteiro. E agora também eles falaram, eu já vou comprar uma cama de casal pra minha mãe, tirar aquelas duas camas de solteiro, pra não ter lugar pra visita, gente.
A casa ficou destruída, gente. E ela realmente não trabalhava, as despesas estavam muito altas. Ela gritava, tratava muito mal a dona Edivalda. Também disse, André, eu não tinha outra alternativa. Sair por bem, ela não ia sair por bem. Às vezes eu estou deitada na minha cama e me arrependo um pouco pelas crianças. Mas ela ia acabar matando a minha mãe de nervoso, igual matou a minha avó.
E eu não sei o que ia virar, entendeu? Daqui a pouco eu não ia conseguir mais entrar na minha própria casa. Tamir sabe que o que ela fez foi extremo, mas ela não via outra alternativa, né? Mas às vezes ainda ela se sente mal pelas crianças, né? Porque as crianças agora... A guarda é da mãe ainda, mas como a mãe não tem...
um lugar fixo, e ela não quer trabalhar, gente. Ela não quer trabalhar. Parece que até a casa de acolhimento arrumou um lugar para ela ser, tipo, ajudante de cozinha, né? Ia ganhar, sei lá, dois mil reais, e aí arrumaram uma casinha lá para ela alugar, que era, tipo, setecentos reais. E ainda assim ela não quis, gente. Ela não quis. Então, né? Fica complicado.
Tamiris falou, vocês querem atentar a vida na capital, qualquer coisa, vocês vão procurar um outro lugar, na minha casa. Eu só recebo para a visita que vai embora no mesmo dia. Quer vir, a gente faz um churrasco, deu seis horas da tarde, você vai para a sua casa. Tamiris está assim, agora mais rígida e o pessoal acha que ela está escamosa. Chamam ela de escamosa. Porque, ah, está metida, está escamosa, porque tem trabalho em concurso público, ganha bem, tem carrão.
virou a escamosa da família amitida. Eu fico pensando nas crianças também, porque deve ser fácil estar num abrigo separado da mãe. Mas e essa mãe? E esses pais? Por que não botam esses caras na justiça? Não sei por que ela não bota. Porque pelo menos a pensão ela ia conseguir pagar um aluguel. Que fosse 300 reais de pensão cada um já é 900 reais.
Já dá para bancar pelo menos um aluguel para ter onde essas crianças ficarem. Enfim, abrigado, sem ser aí numa instituição. Mas, né, a Tamiris não pode interferir nisso.
O que vocês acham? Oi, meu nome é Patrícia, falo de São Paulo. Tamires, você está corretíssima. Não se arrependa. Você também teve aí uma história de vida que não foi fácil e conseguiu, com muito esforço, com muito trabalho, construir o patrimônio que você tem.
e ela estava destruindo tudo, desrespeitando a sua casa, principalmente desrespeitando a sua mãe, e desrespeitou a sua avó, desrespeitava você. São as consequências, né? Ela não quer trabalhar. Eu acho que tem que partir dela, da sua prima, a iniciativa de arrumar um trabalho para poder dar uma vida digna e conviver com os filhos dela. Não é sua culpa, não é sua responsabilidade. E se os parentes querem falar, então que acolham ela, que acolham os filhos dela para resolver um problema que foi ela que criou e não você.
Certo.
Tudo que você conseguiu foi com esforço. Não é justo que você, se esforçando tanto para ter o que tem, chegue em casa e esteja lá escondendo o copo dentro do quarto, vendo suas coisas se acabarem, sabe? Não é papo meritocrático, mas a gente tem que valorizar os nossos esforços também. Outra coisa, ela não gosta de trabalhar? Eu também não gosto. Não tenho três filhos e mesmo assim o despertador vai tocar amanhã. Então assim, não vamos pegar a demanda de todo mundo para a gente porque a gente não resolve a vida de ninguém. Muito mal, resolvemos as nossas. E cadê o pai das crianças, hein?
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