Episódios de Não Inviabilize

MODOS

16 de abril de 202621min
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Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!

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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia

Vinhetas: Pipoca Sound

Voz da vinheta: Priscila Armani

Participantes neste episódio1
A

Andreia Freitas

HostJornalista
Assuntos3
  • Dilemas de RelacionamentoFalta de educação em refeições · Humilhação em relacionamentos · Comportamento de Isabela
  • Perfis comportamentaisAnálise de amigos sobre o namorado · Conselhos de amigos
  • Tratamentos e TerapiasReflexão sobre relacionamentos · Conselhos de psicólogos
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Picolé de limão, o refresco ácido do seu dia.

Oi gente, cheguei, cheguei pra mais um picolé de limão e eu já não tô sozinha, meu publi. Quem tá aqui comigo hoje é o Airbnb. O Airbnb te convida a aproveitar os feriados prolongados pra você se libertar um pouco dessa rotina corrida e se reconectar com as pessoas que você ama, pelo menos por uns dias.

Você vai se desligar aí dessa correria do dia a dia, vai trocar diários, vai respirar fundo e curtir uns diazinhos aí. Relax. Coisa que só um feriadão traz, né, gente? Você precisa dar uma relaxada boa, uma renovada. Mas, Deia, como é que eu vou fazer isso?

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Isabela, quando ela tinha seus 34 anos, conheceu um cara, um querido, fofo. Sabe aquele cara carinhoso, que te dá atenção? Esse tipo de cara.

Isabela trabalha numa área muito específica da engenharia. E esse cara também trabalha nessa área específica da engenharia. Os dois têm ali a mesma faixa salarial, a mesma condição financeira, enfim. Tem as mesmas vivências profissionais aí, porque eles têm quase a mesma idade. Ele é dois anos só mais velho que a Isabela. Então, assim...

Este é o cenário. Ela começou a sair com esse cara, conversa muito agradável, o cara muito carinhoso. Só que tinha um detalhe. O cara era meio estranho em algumas coisas. Por exemplo, a primeira vez que Isabela foi ao cinema com esse cara. A Isabela com um pacote grande de pipoca do cinema, com manteiga, nananã. Um refrigerante enorme entre os dois, naquele...

Suporte de refrigerante da cadeira, né? Suporte de copo ali. O cinema tava vazio. De repente, esse cara falou assim. É, pipoca me faz peidar. E começou a peidar ali do lado da Isabela. Só que assim, gente, a Isabela tá comendo pipoca ainda, né?

E ela falou, Andréia, mano, um cheiro insuportável. Eu parei de comer pipoca, não consegui mais tomar o refrigerante, nada. Tudo parecia que tinha uma nuvem de peido em volta ali daquelas duas poltronas. Ela ficou meio assim, mas não comentou nada com ele. Eu acho que já era a hora de falar, escuta, você precisa ter educação, eu tô comendo, né? Eu acho que ali valia, mas era comecinho de namoro.

Esse cara, então, ali entre os dois, sempre com essas situações, ou peidava, rotava, ou, sei lá, tirava ranho do nariz. Mas, assim, muito nojento ele. E a Isabela, assim, coitada, até com o estômago meio fraco, sabe? Assim, meio mal com esse tipo de coisa. Mas, sem falar nada. E eu acho que aí a gente tem que sinalizar. Teria que falar pra ele, sim.

mas não falou. O tempo passou, Isabela resolveu apresentar os amigos dela, uma vez que ela já tinha conhecido os amigos dele no começo. Quando eles foram ficar a primeira vez, ele estava com os amigos. Então ela já conheceu os amigos antes mesmo de ter um namoro sério. E agora era a hora da Isabela apresentar os amigos dela para esse cara.

Isabela fez um almoço na casa dela. Chamou ali uns 10 amigos para conhecer ali um namorado novo dela, enfim, né? Todo mundo tendo assuntos em comum, ou de trabalho, ou de coisas que gostava, enfim. Ela fez uma turma boa ali para apresentar esse namorado.

E Isabela fez lasanha, uma lasanha que ela gosta de fazer, que ela tá acostumada a fazer, que todo mundo gosta. Tava todo mundo muito feliz que ia pra casa da Isabela comer lasanha. Conhecer o cara era um bônus, né? Um adendo. Todo mundo foi chegando, então você vai ali, você faz uma bebida, enfim, né? Tem um...

Uns birinaits e uns acepips ali pra você beliscar antes da lasanha, porque a lasanha seria o prato principal ali, né?

Isabela chama todo mundo pra mesa. Ela fez uma travessa grande e uma um pouco menor, mas ainda bem grande. Eles em 12 pessoas, daria e sobraria. Assim que a Isabela colocou a lasanha na mesa, ele foi o primeiro a se servir. Ele não tinha esperado nem todo mundo sentar à mesa ainda.

Ele já levantou com o prato dele na mão e foi até a travessa maior de lasanha. A cena era a seguinte, ele cortando a lasanha, então assim, fez um quadrado ali. Pratos grandes na mesa. Ele pegou um quadrado do tamanho do prato. Já seria ali um pouco sem educação, sim. Não satisfeito, ele cortou um outro quadrado.

Do mesmo tamanho. Dava assim, quase já meia forma da lasanha. E botou por cima. Então ele fez um sobrado de lasanha. Ele fez um sobrado de lasanha. Um andar em cima de outro andar de lasanha. E ali estava o prato dele.

As pessoas ficaram chocadas. E todo mundo foi pegando ali um pedacinho de lasanha, praticamente uma nesga, né? Um pedaço normal de lasanha. Ainda assim, sobrou, mesmo ele fazendo essa casa de lasanha, ainda sobrou, né?

Todo mundo comendo ali, devagar, e ele comendo muito rápido, fazendo barulho e com a boca aberta. E a Isabela falou que até então ele não tinha demonstrado falta de educação na hora de comer. Pelo menos não que ela lembre, mas talvez pode até ter sido um pouco, porque o destaque sempre foi enquanto ela come, ele peidar.

Então talvez ela não tenha prestado atenção, sabe? Ele tava comendo, de boca aberta, meio deixando cair da boca, meio fazendo barulho. As pessoas estavam realmente constrangidas, ninguém conseguia conversar. E a Isabela uma hora falou pra ele, calma amor. Por que você tá me pedindo calma? Tô comendo.

Ele comeu o sobrado de lasanha, deixou no prato. Uma coisa que me aborrece demais, demais, é a pessoa deixar a comida no prato. Sério. Se você não conhece a comida, não sabe se vai gostar, pega um pouquinho e experimenta. Se você amou a comida, come um pedaço, pega outro pedaço, vai comendo aos poucos.

Nessa eu sou como os italianos. Pra mim é uma ofensa. Uma pessoa deixar a comida no prato. É assim o ápice da falta de educação. Ele saiu da mesa, deixou o prato sobrado de lasanha dele lá. Então assim, ninguém sabia se ele ia continuar comendo sobrado de lasanha ou não. Foi até o banheiro e ele pegou um cortador de unha.

Ah, tá bom, pegou um cortador de unha, ele foi, sei lá, pra fora, pro quintal, pra varanda, cortar unha? Não! Ele voltou pra mesa e começou a conversar com as pessoas. Sabe quando você senta na mesa e você põe o pé em cima da cadeira? Não da mesa, da cadeira. E ele começou a cortar unha.

Então assim, a maioria dos pedaços de unha vão pra debaixo da mesa porque você tá com o pé na cadeira, não com o pé na mesa, com o pé na sua cadeira. Mas alguns pedaços, eles voam sim, pra mais longe e pode cair no prato de outra pessoa, gente. Todo mundo tava muito horrorizado. E a Isabela, Andréia, eu me senti humilhada. Humilhada.

E ele cortou todas as unhas do pé. Do pé. Porque tem isso. A unha do pé, gente. Te pega no olho e te cega. André, não vi a hora de terminar aquela refeição. As pessoas terminaram a lasanha e elas foram embora.

Porque assim, gente, você vai no almoço na casa de alguém, depois que come tem uma sobremesa, sei lá, o povo fica conversando, toma um café. À tarde vai, né? Um domingo à tarde vai. Foram se despedindo da Isabela. Ah, Isabela, tava muito gostoso, obrigada, tal, eu tenho que ir. Todo mundo foi embora.

A Isabela falou, por que você se comportou desse jeito? Porque não tem briga, não tem nada, né? Desse jeito como? Eu comi o quanto eu aguentei. E depois eu precisava cortar minha unha. Aproveitei, é domingo. O que que tem? Você precisava cortar unha na mesa? Não voou nenhum pedaço de unha em ninguém. É só unha. As pessoas têm medo de unha? Olha esse cara.

Sem contar que ele deixou metade da lasanha. Você pegou quase meia travessa de lasanha e deixou no prato. É porque eu não gostei tanto assim. Gente. Esse almoço foi um desastre. Os amigos todos odiaram o cara. Não tinha como, né, gente? Não tinha como. O que esse cara esqueceu é que entre os amigos da Isabela tinha ali um casal que era amigo em comum.

E aqui a gente vai falar da Sabrina e do Fernando. A Sabrina ficou muito chocada com o que ela viu nesse almoço, né? Ela esperou uns 4, 5 dias e mandou mensagem pra Isabela. Ah, vamos tomar um café e tal, né? Foram tomar um café e o Fernando foi junto. Então, Sabrina e Fernando, o casal, chamou Isabela.

Isabela, então, a gente chamou aqui porque a gente precisa conversar, né? A gente viu o que o fulano fez no seu almoço e a gente precisa te dizer, ele não é assim. Por que ele fez aquilo no seu almoço, a gente não sabe. Mas ele fez de propósito, porque ele não é assim. A gente já almoçou com ele em situações, sei lá, mil situações diferentes. Ele nunca foi assim.

E a Isabela contou dos peidos, dos arrotos, da falta de modos dele no geral. Eles falaram, olha, esse cara tá fazendo de propósito. O Fernando estava naquela turma quando a Isabela conheceu esse cara. E eles conheceram ali numa situação muito específica da área da engenharia. Nessa ocasião, todo mundo reparou que a Isabela é muito, muito, muito.

Mais inteligente que ele. No trabalho. Em relação à engenharia, ela é muito superior. Quem falou isso foi o Fernando. Que o Fernando é da mesma área que eles, né? A Sabrina é a namorada do Fernando, mas tá sempre na turma, sempre com todo mundo. Mas ela não é da área. O Fernando falou, Isabela, ele tá fazendo isso? Que é a única maneira que ele achou de te humilhar.

Porque profissionalmente você é superior a ele. E ele tá fazendo isso de propósito pra te humilhar, porque ele não é assim. O namoro da Isabela já tava o quê? Uns seis meses. A Isabela ficou em choque. Como assim esse cara tá fazendo isso de propósito? A Isabela ficou um pouco incrédula, tipo... Não, deve ser o jeito mesmo. Ele não tem modos. E aí o Fernando falou... Eu vou te provar.

Passadas duas semanas, Sabrina e o Fernando fizeram um jantar e chamaram o casal. A Isabela foi e ele comeu normal, não peidou, não arrotou, não cortou unha, não falou coisas absurdas, que também tem isso. Ele fala umas coisas assim, nada a ver pra chocar.

Comeu normal, riu, conversou com todo mundo. Totalmente diferente do que ele é quando ele tá sozinho com a Isabela ou com os amigos da Isabela. Isabela, não satisfeita, resolveu fazer um teste com a família dela. Família dela morando no sul, longe de onde ela mora atualmente. Então, assim, teria que ser uma viagem pra ir pra lá, pra conhecer a família dela.

Ele foi e ele se comportou do mesmo jeito que ele se comportou no dia do sobrado de lasanha. Teve uma hora que a mãe da Isabela estava sentada no sofá e ele em pé passando, ele peidou praticamente na cara dela. Todo mundo achou ele sem modo, sem educação, sabe? Um cara péssimo. Isabela voltou muito triste, porque assim, ele foi totalmente sem educação.

Não vou nem ficar listando as coisas aqui, mas ele foi totalmente sem modos. E ele, assim, gente, um cara que vem de uma família classe média. No comecinho, já bem no comecinho, a Isabela conheceu a mãe e a irmã dele. E ele não teve, assim, que ela lembre nenhuma atitude, assim, né? E elas também moram muito longe, então ela não teve oportunidade.

de sair de novo com a mãe e com a irmã dele. Mas, assim, achou a família super de boa. E, sério, eu acho que o Fernando e a Sabrina, eles têm razão. Que é porque a Isabela é superior a ele em termos de conhecimento e inteligência na área deles.

E é um jeito que ele achou de humilhar a Isabela, não sei. Só que, gente, a Isabela disse que ele é o cara mais carinhoso do mundo, que ele dá muita atenção pra ela, ele é muito carinhoso, o sexo é muito bom, enfim. Essa é a frase da Isabela, tá? Tirando a parte da humilhação, ele é perfeito. Mas e a parte da humilhação? Né, Isabela?

Então, assim, gente, ela já tentou conversar com ele, ela já pediu, ele fala que são situações normais de qualquer pessoa. Só que, poxa, se você não tá conseguindo segurar um peido, vai ver o que tá acontecendo com esse cu frouxo. Porque se a sua esposa, se o seu marido, se o seu namorado, se o seu amigo, se a sua mãe tá comendo e você peida enquanto a pessoa tá comendo, você não tem educação, sabe? Então, assim, não vem me falar pra mim que isso é normal, porque isso não é normal.

Isabela continua com ele. Ele pediu a Isabela em casamento, eles estão noivos. Mas a cada dia que passa, ela repensa mais um pouco, porque ele é muito, muito, muito sem educação, sem modos, quando está com ela ou está com pessoas que admiram a Isabela. Para vocês terem uma ideia, a Isabela não tem coragem de apresentar o próprio noivo para a coordenadora dela lá, do trabalho dela.

porque acha que ele vai agir desse jeito e ela tem muita vergonha. Então, se você está com uma pessoa que você tem vergonha de apresentar ele no seu núcleo, no seu círculo, é alguma coisa errada, né? Você já falou com ele, ele lida com uma coisa que te faz se sentir humilhada de uma maneira como se fosse uma bobagem e diz que não vai mudar.

Adianta esse cara ser carinhoso? Eu não sei, gente. Pra mim é não. E eu acho que a Isabela ter escrito um e-mail pro podcast questionando tudo, mesmo falando que está com ele, que ama ele, já é um primeiro passo. O segundo é terapia duas vezes por semana até largar. Essa é a minha receitinha.

Bom, o que vocês acham? Oi, não viabilizeis. Meu nome é Giovana, eu sou psicóloga e falo de Curitiba. Eu fiquei pensando sobre esse episódio e me veio uma frase muito importante que é amor e abuso não andam juntos. O que é abuso? Violência física, psicológica, humilhações, violências patrimoniais, qualquer atitude que envolve tentativa ou uma necessidade do outro ter um poder na relação te diminuindo ou te ferindo. Então, o que eu penso para você, Isaac? Então, você repensar um pouco a ideia de amor que você construiu na sua vida.

Deixa eu te contar uma coisa, se ele é carinhoso mas te humilha, ele não é perfeito e ele muito menos é realmente carinhoso. No fim das contas, amor e humilhação não andam juntos e não tem como os dois coexistir. Talvez seja a hora de você pensar, que ideia de amor é essa que te ensinaram e que você está construindo dentro do seu relacionamento? Um beijo e desejo o melhor para você.

Oi, não, Vivian Blizzers. Eu sou a Fabi. Falo aqui de Portugal. E essa história me deixou tão revoltada e, ao mesmo tempo, tão apreensiva com coisas que eu já aceitei. A terapia me fez questionar. Por que a gente aceita tantas coisas assim, né? E eu não consigo separar também um cara ser maravilhoso e fazer a questão de te rebaixar. Ele se sentir bem e confortável com isso. Em que posição a gente se coloca para fazer outro ser humano se sentir confortável em colocar a gente para baixo e a gente aceitar isso?

Eu acho muito problemático continuar nesse relacionamento e levar ao ponto em que ele vai fazer você acreditar que você é menos que aquilo, sabe? Sinto muito, espero que a terapia faça você enxergar que esse cara não ama você, provavelmente nem a ele mesmo. Beijos, espero que isso termine, né? Pra mim é termina.

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