GENITORA
Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
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- Historia do FrevoInfância difícil · Relação com a mãe · Adoção e abrigo · Conflito familiar · Processo judicial
- Questões legais e processuaisAbandono afetivo · Direitos e deveres
Picolé de limão, o refresco ácido do seu dia.
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Eu vou deixar o link certinho aqui na descrição do episódio. E fica comigo até o final, porque tem cupom. E hoje eu vou contar pra vocês a história da Josi. Então vamos lá. Vamos de história.
A mãe da Josi engravidou dela quando ela tinha aí os seus 20 anos, né? Era uma jovem, ficou grávida da Josi. Teve a Josi, só que nunca foi a parada dela ser mãe. Então, a Josi, desde muito pequena, ficava com uma tia ou ficava com uma vizinha. Tava sempre por aí. Era jogada pelas casas, assim, né?
Vivia suja, vivia com fome. Quando ela tinha mais ou menos uns 5 anos, ela lembra que ela passava muita fome, que ela estava sempre suja e que tinha uma vizinha que era muito boa com ela, que chamava Dona Eva. O pai é desconhecido. A mãe nunca disse quem era o pai ou o pai não constava na certidão de nascimento.
Quando a Josi estava com mais ou menos uns seis anos, a mãe já fazia isso, já trancava ela em casa, né? E saía. Ia para bares ou voltava com homens. E a dona Eva, que era vizinha, fazia o que podia. Quando a dona Eva percebia que a Josi estava trancada, Josi, nessa época, passava por um vitrô que tinha lá e dona Eva pegava ela pelo vitrô. E aí dava comida, dava banho e a mãe pouco se importava.
Quando Josi fez sete anos, a dona Eva se mudou, ia mudar com o marido. E aí, dona Eva resolveu chamar o conselho tutelar. Só que a dona Eva cuidava da Josi. Então, a Josi não estava mais tão magrinha, não estava suja. Por quê? Porque a dona Eva ficava em cima. Só que a dona Eva ia para outro estado.
E o Conselho Tutelar fez ali um acordo com a mãe da Josi de não tirar a guarda, né? De não tirar a Josi dali e ir acompanhando. A Josi não lembra se não teve acompanhamento ou se a mãe enganava a galera do Conselho Tutelar. Ela passou um ano a ponto de pegar comida no lixo.
E era uma época que, assim, o conselho tutelar, porque eu acho que hoje em dia a escola tem que comunicar. Se a criança não vai para a escola, o conselho tutelar aparece lá. Naquela época não tinha isso. A Josi foi matriculada numa escola, mas nunca foi. Ela estava com sete anos, era para ela estar na época a primeira série, né? Mas não estava. Então, assim, ela não tinha nem a merenda escolar, ela comia lixo, gente.
Algum vizinho denunciou e aí Josi foi levada para um abrigo. Josi lembra que ela foi levada para um abrigo por policiais.
A mãe dela nunca mais apareceu. Depois de um tempo foi feito todo o processo de retirada da guarda, mas Josi não sabe dizer porque que isso não foi pra frente. Porque, sei lá, acho que ela fez 18 anos antes. Não sei porque que demora tanto.
Ela nunca pôde ser adotada. O que eu acho, né? Não sei o que aconteceu. Que a mãe, talvez, às vezes, fosse lá. A Josi não tem essa lembrança, porque o abrigo que ela tava...
era muito ruim e ela tem muitos traumas. Então, ela não lembra realmente se a mãe ia de tempos em tempos visitar ou não. A única coisa que ela sabe é que ela tinha esperança de ser adotada, mas nunca foi porque a mãe dela nunca, sei lá, acabou saindo da certidão dela ali.
O tempo passou, Josi fez 18 anos. Com 18 anos, o abrigo simplesmente falou, se vira. Sorte dela é que ela tinha amizade com a faxineira do abrigo, que a gente vai chamar aqui de Rosália. E Rosália falou, olha, você vai pra minha casa, você vai morar na minha casa. Rosália era concursada, né, porque era um abrigo da prefeitura.
E o marido dela também era motorista da prefeitura. Que a gente vai chamar aqui de Rodney. Rodney falou pra Josi. Olha, o primeiro concurso que aparecer na prefeitura, você vai fazer. Porque aí você consegue ter seu dinheirinho e tal, né? Consegue caminhar com a sua vida. Dito e feito, Josi foi, fez um concurso da prefeitura. E, gente, ela estudava muito, assim, né? Quando ela morava no abrigo, ela só podia ler. Então, ela lia muito e tal.
E ela passou nesse concurso da prefeitura para a área administrativa ali. Mas era uma coisa que, poxa, já era um cargo ali para ela. Só precisava do ensino médio, ela tinha acabado o ensino médio e tal, não precisava de faculdade. Josi, dentro da prefeitura, começou a fazer uma faculdade, passou em outros concursos, até que ela passou num concurso federal. E assim, gente, a vida da Josi...
progrediu sem saber onde a mãe dela estava. Josi conheceu o Cláudio e eles se casaram. Josi contou, quando conheceu o Cláudio, toda a história triste dela, de infância e tal. O Cláudio ficou muito chocado e eles se casaram. E assim, um casamento muito feliz.
Josi e Cláudio tiveram um filho, que a gente vai chamar aqui de Cláudio Júnior.
Cláudio Júnior cresceu tendo todas as coisas que os dois podiam proporcionar, os dois com empregos muito bons, com uma vida financeira bem estável. Então, assim, casa própria, carro. Cláudio Júnior, quando fez 17 anos, foi fazer um intercâmbio fora do país. Então, assim, gente, uma vida realmente muito boa. E mãe de Josi nunca deu sinal de vida.
Um dia, logo após o período da pandemia, um homem aparece no emprego da Josi querendo falar com ela. Como ela trabalhava numa instituição pública, né? Podia ser qualquer pessoa que queria um auxílio ali da função dela. Ela foi atender e este homem estava ali para pedir dinheiro. Esse homem era o marido da mãe dela.
Como diz a Josi, mãe não, genitora. Ele estava ali porque genitora de Josi tinha tido um AVC. E agora eles estavam precisando de dinheiro.
Josi ficou chocada, foi pega totalmente de surpresa ali, né? E mandou o homem embora, não queria saber dele. Só que o homem não foi embora, ele ficou lá, era um prédio público, ficou por ali. Josi ligou para o Cláudio. Cláudio pediu saída no trabalho dele e veio para confrontar este homem.
E esse homem disse que não podia trabalhar, que ele tinha um problema de saúde lá na coluna, e ele era aposentado por invalidez, ganhava um salário mínimo, e que a mãe, genitora, perdão, não tinha nenhuma renda. Não podia se aposentar, porque ela nunca recolheu nada.
que ela tinha tido um AVC, que eles não tinham conseguido aposentar ela e que ela precisava de medicamentos, precisava de uma cama especial, precisava de um monte de coisa. Cláudia, assim, chocado, porque foi uma mulher que abandonou a Josi totalmente.
Josi teve uma crise nervosa, chorou muito, precisou ir embora mais cedo do trabalho. Ela falou pro Cláudio. Eu não vou dar um centavo pra essa mulher. Ela não me criou, nunca veio atrás de mim. E agora, quando aparece alguém ligado a ela, é pra pedir dinheiro. E aí, assim...
Por que até antes de aparecer este homem, eu estava chamando ela de mãe e não de genitora? Porque a Josi, no fundo, ainda tinha uma esperança de que algo tinha acontecido com a mãe dela. Sabe assim, alguma história que separou as duas. Mas ali ela viu que não. Que realmente a única aparição que ela fez foi pedindo dinheiro por meio de uma outra pessoa.
Chegaram em casa, conversaram com Cláudio Júnior e Cláudio Júnior ficou balançado para conhecer a avó. Josi teve uma crise, disse que não, mas ele era adulto já. Inclusive já até trabalhava, morava ainda ali com os pais, mas já até trabalhava.
Ele explicou para a mãe que ele queria pelo menos conhecer a avó. Ah, se vai ter contato depois? Não sei, mas queria conhecer a minha avó. Josi teve outra crise nervosa, o Cláudio ali no meio, tentando conciliar as coisas. Mas acabou que Cláudio Júnior foi conhecer a avó dele.
Cláudio Júnior tinha um carro já. Como eu disse, ele já trabalhava, né? E financiou um carro com a ajuda dos pais, sim, mas ele que pagava as parcelas. Assim que ele chegou lá, a avó que estava com o braço esquerdo paralisado e a perna, assim, ela mancava um pouco. Não chegava a arrastar a perna, né? Assim que ela foi receber ele ali no portão, uma casa muito humilde,
Ela já falou. Você é meu neto? Ah, você é meu neto. Você parece muito com o fulano. Deve ser o pai da Josi. Você pode vender esse carro pra me ajudar, pra me dar o dinheiro. Gente, o rapaz não tinha entrado no portão ainda. O tempo todo, ela só falava de dinheiro.
Realmente a cama deles era muito precária. Eles moravam tipo num cômodo, né? Claudio chegou, conversou com os pais e falou Olha, eu realmente não quero ter contato com ela porque ela não tá interessada na gente, ela tá interessada em dinheiro. Mas ela é uma senhora e eu quero dar a cama.
Que ela precisa pra eles. Porque ele também tem problema de coluna, então assim, meio que vai ajudar os dois. Era, sei lá, tipo um colchão ortopédico, não era nem cama hospitalar esse tipo de coisa, né? Cláudia falou... Olha, você já tem a parcela do carro pra pagar tudo, eu vou conversar com a sua mãe, porque o correto é a gente dar. E a Josi não queria dar nenhum real, nada.
Era a genitora da Josi. Mas o Cláudio ali, vendo o Cláudio Júnior muito sensibilizado, né? Com a avó dele, mesmo sabendo que a avó dele não era flor que se cheirasse, conversou com a Josi e falou... Josi, você conhece o Cláudio Júnior. Se a gente não fizer, ele vai fazer. Ele não tem dinheiro, ele vai se endividar e tal.
E a Josi falou, então eu não quero saber. Você vai fazer? Eu não quero saber disso. Não vai sair um centavo do meu dinheiro. Você pega do seu dinheiro, da sua poupança, o que for. Mas eu não quero saber. Mas sendo que o dinheiro ali era dos dois, né? Eles voltaram lá na casa. Compraram a cama. O colchão. Compraram uma nova geladeira. Um novo fogão. Um micro-ondas. Um botijão de gás. E uma máquina de lavar roupas.
E ainda, Cláudio pagou o eletricista, porque a fiação lá não ia aguentar, enfim, fez a parte elétrica ali daquela casinha que eles moravam. Bom, equipou. No equipou, agora cada um segue a sua vida. O próprio Cláudio Júnior falou, eu não quero o contato, né? Mas pelo menos agora a gente sabe que eles, pelo menos tem agora as coisas, né? O que vai botar nessa geladeira não é um problema.
Da família da Josi. Só que aí começaram os pedidos de dinheiro. Agora tanto a genitora quanto o marido dela apareciam no trabalho da Josi. Apareciam no trabalho do Cláudio. Apareciam no trabalho do Cláudio Júnior. Pra pedir dinheiro. Pra pedir uma televisão.
pra pedir, pra pedir. Toda hora pedir alguma coisa. No trabalho da Josi, uma amiga dela de trabalho, que a gente vai chamar aqui de Amanda, falou, Josi, você precisa tomar cuidado com essa mulher, que ela vai te botar na justiça e você vai ter que sustentar ela.
Se bobear, vai ter que botar até dentro da sua casa. A Josi ficou chocada, porque ela não pensava que isso podia acontecer. A Amanda explicou, porque a Amanda é advogada. E a Amanda falou, olha, você pode entrar com um processo para pedir para tirar o nome dela da sua certidão. Só que a certidão da Josi já não tem o nome do pai.
Ela entrou com esse pedido. A mãe dela está sendo defendida pelo Ministério Público. Já foi marcada uma conciliação que a Josi não foi. E o processo está correndo. A Josi não sabe se vai ser possível ou não tirar o nome da mãe. Visto que ela já não tem o nome do pai. Mas eu acho que sim, né, gente?
E essa mulher sempre aparece agora pedindo as coisas. Agora ela entrou numas que os remédios que ela recebe do SUS não funcionam. Que ela quer o remédio da farmácia.
Só que assim, é tipo mil e tantos que ela recebe de remédio do SUS, e ela quer os remédios da farmácia. Cláudia um dia ficou irritada e falou, tá bom, eu vou lá na farmácia e compro os remédios. Não, ela quer o dinheiro. Ela não quer o remédio, ela quer ela escolher a farmácia e ela com o dinheiro ir comprar. Ou seja, ela vai continuar tomando o remédio do SUS e vai ficar com dinheiro para ela, não é?
E a vida da Josi, que era perfeita, agora está um caos. E a Josi não fala para o filho, mas ela põe um pouco da responsabilidade no filho de ter dado essa oportunidade para aquela genitora se aproximar, ter dado as coisas.
A hora que eles viram, acho que o tanto de coisa que eles ganharam, que foram coisas assim, para manter a vida funcional. Então, uma geladeira que funcione, um fogão que funcione, micro-ondas que funcione, uma máquina de lavar que eles não tinham, para facilitar a vida. O colchão que eles precisavam, junto com a cama, porque eles dormiam, para vocês terem uma ideia, era um estrado, uma espuma em cima de blocos.
Aí arrumou a fiação, arrumou o telhado. E assim, agora eles estavam com dignidade, assim, né? E aí eles querem mais, tanto ela quanto esse marido dela, que vive falando que a genitora tem direitos. E a Josi agora tá apavorada, porque o pedido dela não anda. Ela falou, André, se sair, se tirarem o nome dela da minha certidão de nascimento, eu vou chamar a polícia pra essa mulher.
nunca mais eu vou olhar na cara dela. Ela vai aparecer aqui no meu trabalho, que é um departamento público, então se ela quiser proibir alguém de entrar lá, ela tem que ter, sei lá, uma coisa judicial. Nunca mais ela vai entrar aqui, em lugar nenhum. Ela está perturbando a família toda.
Algumas pessoas do trabalho dela, do convívio dela, acham que ela devia perdoar, porque Jesus perdoou e que é a mãe dela. Não é só a genitora, é a mãe.
que a mãe pode estar arrependida e querendo chegar perto. Mas você vê, até o neto, Cláudio Júnior, percebeu que é só grana. Só que tem toda essa corrente de pessoas que criticam muito a Josi.
A Josi não vai voltar atrás por ela, só se ela for obrigada pela justiça a cuidar dessa mulher. E a cabeça dela tá tão ferrada que ela falou, Andréia, sei lá, se me obrigarem a cuidar dessa mulher, eu acho que eu me jogo na frente de um trem. Pra vocês terem uma ideia. Josi, você tem que cuidar do seu mental, fazer toda a coisinha jurídica que tiver que fazer, e ir vivendo um dia de cada vez.
porque essa mulher vira e mexe e aparece, e é sempre para pedir dinheiro. Eu achei bacana essa sensibilidade do Claudio Júnior, porque ele fez as coisas de coração, né? O pai ajudou, porque sabia que o Claudio Júnior ia se embolar ali para pagar a prestação de tudo aquilo que eles deram ali, né? Mas isso aí abriu uma porteira, né?
Então, Josi tem essa pequena mágoa. Ela fala, André, eu não tenho do que reclamar do meu marido. Ele é um excelente marido, meu filho. Excelente filho. Mas eles me atravessaram nisso, né? Porque eu conheço ela. Sabia que isso ia acontecer. E realmente aconteceu. Agora ela virou uma praga, uma pedra no sapato da Josi. E até do Claudio e do Claudio Júnior. Porque ela e o cara, eles aparecem em todos os empregos.
O que vocês acham? Oi, não inviabilizadores. Aqui quem fala é a Fernanda. Eu sou de Santo André e eu sou advogada familista. Josi, eu sinto muito por tudo que você passou pela irresponsabilidade da sua genitora. Como advogada, eu quero falar que é muito difícil que a justiça te obrigue a cuidar da sua mãe porque a sua mãe não cuidou de você quando ela precisava cuidar.
Por mais que esse processo demore, eu acredito que ele vai ser, sim, favorável para você. E eu acho muito difícil que ela consiga na justiça uma decisão para que você cuide dela. A gente já tem aí jurisprudências em que a justiça reconhece que o filho não é obrigado a cuidar do pai ou da mãe porque o pai ou a mãe foi ausente enquanto a criança mais precisava. Eu acredito que esse vai ser, sim, o caso da Josi. E eu estou torcendo muito para que isso dê certo.
Josi, fique tranquila. Por mais difícil que seja, eu acredito que a justiça vai, sim, ficar do seu lado. Beijo e boa sorte.
Oi, não inviabilizadores, meu nome é Caio, eu falo de Rio Preto. Josi, no dia 28 de outubro de 2025, entrou em vigor uma lei 15.240 que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente, para incluir expressamente que o abandono afetivo é um ato ilícito. O abandono afetivo até então era uma construção jurisprudencial.
Era uma conclusão levada pelos tribunais, mas que não constava da lei. Hoje em dia, o abandono afetivo consta expressamente da lei e possui várias implicações, inclusive com relação ao dever de guarda, ao dever de assistência. Isso pode caracterizar uma negligência. Portanto, é possível que você aleque isso, essa entrada em vigor, porque a partir de agora o Estado passa a reconhecer essa situação e isso pode fortalecer o seu processo para retirar o nome da sua genitora da sua certidão. Boa sorte.
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