VÂNIA
Picolé De Limão é um quadro do canal Não Inviabilize. Aqui você ouve as suas histórias misturadas às minhas!
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Edição de áudios: Depois O Leo Corta Multimídia
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- Acidente na TijucaProblemas de coluna · Fisioterapia · Impacto do comportamento pessoal em relacionamentos
- Dilemas de RelacionamentoFalta de afeto · Terapia de casal · Desejo sexual
- Tomada de DecisãoConsiderações sobre traição · Busca por afeto
Picolé de limão, o refresco ácido do seu dia.
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E hoje eu vou contar pra vocês a história da Vânia. Então vamos lá. Vamos de história.
Vânia conheceu o Alberto na academia. Vânia sendo professora de educação física, dando aula em algumas escolas, sendo personal também. Alberto todo fitness, da saúde. Vânia começou a ser personal ali do Alberto. Tiveram um envolvimento, começaram um namoro. Esse namoro virou noivado, que virou um casamento.
Os dois muito entrosados, gostando ali das mesmas coisas. Aquele casal que corre junto, que malha junto, que faz trilha, que faz viagem de esporte, que faz viagem e aventura. Olha!
Pior casal, mentira. Melhor casal. E gosta de rapel, e gosta de sobe trilha, desce trilha, escala. Olha, só de pensar já fiquei cansada. O tempo foi passando esse casamento muito legal. Ele, um engenheiro. E ela, nessa área da educação física, trabalhando em várias frentes nessa área dela.
O tempo foi passando. O Alberto tinha alguns projetos que eram mais perto de casa, outros mais longe. Então, às vezes, ele viajava. Ficava dois, três dias fora. E assim, gente, tudo certo.
Sempre nessas viagens, o Alberto, quando chegava no lugar, ele mandava mensagem. Ele falava, olha, cheguei aqui em, sei lá, Poneilópolis, tá tudo certo. Aí ia trabalhar, fazer as coisas dele e ele se falando sempre ali no celular. De manhã, Alberto saiu pra ir pra Poneilópolis. Ele ia ficar dois dias.
Ele falou, assim que eu chegar em Paneilópolis, eu te ligo. Vânia foi dar as aulas dela. Quando ela estava dando aula em escola, ela não ficava com o celular. Então, era um período, sei lá, da manhã, até ele saiu umas sete horas, umas dez horas, dez e meia, eles chegariam em Paneilópolis. Só que ela só ia ver isso meio dia. Quando Vânia pegou o celular, que ela saiu dessa escola, ia passar em casa, almoçar, e já tinha... E...
Aluno, né? É aluno ou cliente que fala quando você é personal? Acho que é cliente, né? Cliente já na academia. Não tinha mensagem do Alberto.
Será que ele se enrolou lá? Chegou tarde? Vânia não preocupou. Foi dar os treinamentos que ela tinha que dar ali de personal. Tinha três clientes na sequência. Quando ela pegou o celular cinco horas, não tinha mensagem do Alberto. Gente, não fazia sentido. Mas tinha ali duas ligações perdidas de um número que ela não sabia de onde era. Mas o que você pensa? Sei lá, propaganda. Né?
operadora de celular querendo te encher o saco. É isso que a gente pensa. Deu seis horas da tarde. Poxa vida, aí já tá demais. Seis e meia, ela já tinha ligado pra irmã, pro irmão do Alberto. Ninguém sabia dele. Ela já tava começando a entrar numa angústia de assim, onde eu vou procurar? Bom, vou ligar pro chefe dele.
Quando ela já ia ligar para o chefe dele, ela recebeu uma nova ligação. E essa nova ligação era de um hospital de uma cidade que não era nem Poneilópolis, dizendo que o Alberto tinha sofrido um acidente na estrada.
dando ali o endereço do hospital que ela tinha que ir. A Vânia ficou muito desesperada e aí ela resolveu ligar na empresa. Na empresa, o pessoal também não estava sabendo de nada, porque tinham falado com o Alberto de manhã, enquanto ele estava na estrada, que ele parou ali, que ele tinha que encaminhar um relatório lá por e-mail.
Ele não chegou, o cliente lá já tinha ligado na empresa, ninguém achava o Alberto. E também não tiveram nem a decência de ligar pra Vânia, né? Tinha que ter ligado pra Vânia. Mas estavam ainda tentando resolver. E aí a Vânia falou. Ele sofreu um acidente na estrada e está hospitalizado. Foi o chefe do Alberto.
A moça do RH e a Vânia. Até lá. E não chegava nunca, gente. Não chegava nunca. Eram umas duas horas onde eles estavam. E assim, não chegava nunca. Quando ela chegou lá, ele estava em cirurgia. Porque ele tinha capotado na estrada.
Não tinha nenhum outro carro envolvido, mas não sabia se ele desviou de um animal, se ele dormiu na estrada. Ninguém sabia, ele capotou ali para o lado do acostamento, subiu um barranco, desceu o barranco e estava lá, caído no carro, foi socorrido, mas agora estava em cirurgia.
Terminou a cirurgia quase 10 da noite e estava todo mundo lá esperando. O chefe e a moça do RH já tinham se instalado na cidade lá, achado um hotel para ficar hospedado.
A Vânia ia ficar lá com ele, mas ela não podia ficar no quarto, porque ele ia sair e foi para a UTI. E aí o médico veio falar com ela. O médico disse que ele tinha tido uma fratura na coluna e que provavelmente ele ia ter uma limitação de movimentos. Aquilo foi um baque para a Vânia, mas ela sabia o baque que seria para o Alberto.
Ela ficou ali, dormiu nas cadeiras ali da recepção mesmo. E quando foi seis horas da manhã que trocou o plantão, a médica que assumiu deixou ela ver o Alberto. Ele já estava acordando e tal, né? E ele só queria saber o que tinha acontecido, porque ele não lembrava o que tinha acontecido também.
Ele queria levantar, mas ele não conseguia. Ele não sentia as pernas. E a Vânia foi tentando disfarçá-la. Não queria dar a notícia pra ele. Tanto que ela tinha falado pro médico. Não sei como eu vou dar essa notícia. O médico falou, olha, a gente pode dar e tal, né? Você pode ficar com ele enquanto a gente dá a notícia. E ela achou melhor. Mas aí naquele plantão, ela ficou enrolando ele. Falou, não, pode ser da batida que você não tá sentindo.
Deu uma disfarçada ali. Eles ficaram conversando, mas ele tava meio em choque. Tava meio passado. Ele sabia que ele tinha reunião e ele não tinha ido na reunião. Tava preocupado com o carro também. Ela falou, bom, o carro a gente vê depois. O carro tem seguro e tal, né?
Ela não contou para o chefe e para a moça do RH. O chefe já tinha ido, já tinha tentado ver. O chefe queria transferir ele para um hospital do convênio. Ele estava no hospital público, mas não era. Ele tinha que ficar ali por enquanto, né? E estava sendo bem atendido. Vivo o SUS.
O chefe falou, bom, então eu acho que, assim, aqui eu não consigo fazer mais nada, tal, você não vai transferir ele, então a gente fica aí com esse canal aberto de comunicação, né? Assim que você precisar de alguma coisa, você fala comigo ou com a moça do RH. E eles foram embora. Quando deu duas horas da tarde, ela foi chamada às pressas. O médico que tinha assumido o plantão ali, tinha dado a notícia pra ele.
Assim, de sopetão. E ele tava surtando, o Alberto tava surtando. E ela foi lá, foi consolar o Alberto ali, mas ele tava com raiva, tava com raiva de todo mundo e é totalmente compreensível, né, gente? O tempo foi passando ali no hospital, ele era obrigado a fazer fisioterapia no hospital, né? Tipo, a fisioterapeuta passa ali, sei lá, três, quatro vezes no dia e ele tinha que fazer.
Até que ele foi e falou, olha, bom, agora aqui a gente não tem mais o que fazer, né? A gente vai te passar as instruções, tal, você tem que procurar os especialistas, nananã. Pela lesão ali do Alberto, que ainda bem não foi tão alta, ele tinha um movimento ali dos braços, mas ele ia precisar de uma sonda para o xixi. Ele tinha perdido a sensibilidade, meio que da cintura para baixo, assim.
E ele não se conformava. Eles foram embora. Ele se recusava a sair na cadeira de rodas. Porque a Vânia estava o quê, gente? Já tentando procurar a melhor cadeira de rodas que existe no mercado, né? Alguma coisa assim. E ele falou, não compre nada. Botaram ele no carro. Já foi uma dificuldade. Ele precisava de um apoio, de um encosto. Botou ele no carro, botou o cinto. Ele não ficava parado.
O médico ainda falou pra ele, essa postura com fisioterapia você vai conseguir recuperar, mas agora você não vai conseguir. Não dava pra ele ir sentado no banco da frente, ele queria ir deitado atrás. Foi uma situação que a Vânia não conseguia lidar. O que a Vânia fez? Vânia foi lá na cidade, contratou uma ambulância pra levar ele. Ele ficou internado um mês, fazendo fisioterapia, tudo no hospital, gente.
Nisso, a vida da Vânia parou. Ela voltou para a cidade algumas vezes, cancelou aluno, tirou lá umas férias que ela podia tirar na escola. A vida dela parou, né? Porque, poxa, o seu marido sofreu um acidente gravíssimo.
E ele bravo porque ele não queria ir nem na ambulância. Mas aí foi na ambulância. Ele não tinha deixado ela fazer nada em casa de adaptação. Foi tudo muito difícil até ele começar a aceitar. Eles tinham um amigo ali que era da escola, que a Vânia dava aula, que era psicólogo. E esse cara foi conversando com ele, chamando ele pra realidade. Porque o que o Alberto não queria? Ele não queria que adaptasse a casa, ele não queria a melhor cadeira, porque ele falava Eu vou voltar a andar.
Só que isso não ia ser possível. Pelo menos ali, né? Pelos exames. Então, ele tinha que começar realmente a fazer as coisas da fisioterapia, a aceitar as adaptações para a vida da Vânia também ficar mais fácil. Porque estava muito complicado para ela.
O tempo foi passando, ele foi aceitando melhor a situação, aceitando as adaptações da casa, cadeira de rodas, cadeira de banho, ajuda da Vânia para passar essa sonda. Ele aprendeu depois a lidar sozinho com a sonda, mas são coisas que precisam de tempo para você conseguir adaptar tudo.
Ele não queria voltar a dirigir. A empresa também foi legal de ver como que dava para adaptar agora os projetos. Para ele participar, obviamente, seria muito complicado ir até as obras, mas essa parte toda de projeto, de parte escrita, desenho, essas coisas, ele poderia fazer. Então, a vida foi, gente, ajeitando.
A sorte do Alberto é que a lesão não tinha sido tão alta. Afetou mais as pernas, né? Mobilidade da cintura para baixo. Só que tinha afetado também o pênis. Ele não tinha libido, ele não sentia nada.
Eles ficaram um ano sem contato sexual. Eles se abraçavam, mas nem beijo na boca. O Alberto queria, porque ele não tinha vontade. Ele tinha muita coisa para lidar. E a Vânia foi levando, aceitando, lidando com as coisas no dia a dia. Vânia também pediu que eles fossem consultar um psicólogo para essa questão sexual. Fazer uma terapia de casal.
porque nada impedia o Alberto sei lá gente, tem tanta coisa que dá pra fazer sem que o seu pênis funcione mas ele não queria nada
foram pra essa terapia. E ali foi entendido que ele tinha esse bloqueio, que ele não queria mais, que era uma coisa que ele não achava que ele agora, como uma pessoa com deficiência, tivesse que lidar com isso. Ele tinha as questões dele que a Vânia falou, Andréia, no final eu nem consigo entender direito.
Bom, isso é o menor dos problemas agora. Então vamos lidando com as outras coisas, vamos ajeitando a vida. Ele vai voltar, né? Tá voltando pro trabalho. Daqui a pouco ele aceita um carro adaptado pra ele poder ter um pouco mais, né? De liberdade e tal. Só que ele tinha essa questão da bexiga. Então ele, sei lá, podia ficar duas horas fora de casa no máximo. Tinha que voltar pra esvaziar essa sonda. Um ano, dois, três, quatro, cinco.
Vânia sempre no papel de amiga, apoiadora, cuidadora, mas ela queria também ser esposa. E ele rejeitava. A Vânia. Cinco pra seis anos, né, depois do acidente dele.
Vânia realmente começou a sentir falta de sexo. Ela queria transar. De qualquer jeito, ela chegou a comprar um pênis de borracha, depois comprou um vibrador e ele ficava muito ofendido. E ele não queria, não queria encostar nela. Ela ficou muito magoada. Eles tiveram algumas brigas em relação a isso. Ele se tornou uma pessoa mais amargurada pelas questões do acidente dele, né?
Até que um dia ele falou, você quer sair com alguém, você pode sair com outro homem, eu não vou me importar. E aí acendeu uma luz, porque até então ela não tinha pensado nisso. Ele falou isso e percebeu no rosto dela que deu uma iluminada, tipo, posso? Ela ficou quieta, só que naquela mesma noite ela viu ele chorando muito.
Às vezes ele chorava, mas chorava escondido. Então ele deve ter falado isso da boca pra fora. E depois ele ficou muito magoado dela ter meio que aceitado essa possibilidade.
Naquela mesma noite, antes de dormir, ela falou... Eu não vou sair com outros homens, pode ficar tranquilo. E aí ele fez um carinho ali no cabelo dela. Sei lá se vai rolar alguma coisa. Porque a Boninha tava disposta, gente, a fazer aquilo acontecer, né?
Mas aí ele também dormiu e passou. Só que aí agora, Vânia tá nisso assim. São quase oito anos que ela não pensa em separar dele. Porque sabe que ele vai ficar mal, que ele vai ficar deprimido. Os irmãos que são casados já sinalizaram que não querem ele.
Se ela separar dele, ele vai ter que se virar sozinho. Em algumas coisas, ela sabe que ele não vai conseguir, que ele vai precisar de um cuidador. E a Vânia ama ele. Ela fala, Andréia, eu faço, eu cuido dele, eu faço as coisas pra ele, eu não me importo. Mas ele não quer fazer sexo comigo e eu gostaria de fazer sexo com outra pessoa. Eu queria me sentir viva, sei lá.
Ela nunca traiu ele. Ela já sabe que ele vai ficar magoado se ele souber. E aí, uma amiga dela lá da academia falou... Escuta, você sai pra trabalhar? O que te impede de você transar com outro homem? Não precisa contar pra ele. Ele já tem tanto problema, tanta questão. Ele já fica chateado com tanta coisa. Não leva essa demanda pra ele. Se a sua questão é só essa, né? Sexual, você pode resolver sem ele saber.
E aí, a Vânia ficou mexida. Porque são oito anos praticamente sem nada, gente. Nem um carinho dele, nem beijar na boca. Ele não quer beijar na boca. Porque ele pode, a boca dele tá ótima. Mas, né, a mente, mesmo fazendo terapia...
Então, assim, ela pensa muito nisso. E aí, eu trouxe uma coisa para ela que talvez complique. Por quê? Eu acredito que não seja só sexo que a Vânia esteja procurando. Eu acho que ela procura afeto. Porque ele também nega afeto. E aí, a minha questão é, se você sai com outro cara e você se apega e vira um relacionamento.
Você está preparada para os desdobramentos disso acontecer? Porque a gente nunca sabe quando a gente se envolve com outra pessoa. Eu, Andréia, percebo na Vânia que não é só sexo que ela procura. Que ela procura afeto. E se ela achar? Como é que vai ser? E o Alberto? Ele está preparado para uma separação? Os irmãos já falaram que não vão aceitar.
Ele em casa, ele está preparado para morar sozinho, ter um cuidador, ele trabalha, ele não voltou a dirigir, então, assim, muita coisa que ele precisa é ela que leva. Mas ele é um cara, ele é um engenheiro, ele ganha bem, então ele pode ter alguns cuidadores, mas...
A Vânia fala que não, imagina, eu jamais vou largar ele. Mas e se ela se apaixonar? A questão da Vânia nem era essa. A questão da Vânia é, eu vou sair, eu vou transar e eu vou mentir pra ele. É errado mentir.
Mesmo lá a cliente dela falando que mente boba, vai lá, transa e resolve o seu problema. Você tem um problema agora que é quero transar. Você vai lá, tem uns caras que dão em cima de você, você vai, transa, resolve o seu problema. Mas eu acho que talvez seja um pouco mais fundo isso aí. E aí temos essas questões.
O que vocês acham? Eu lá não inviabilizei essa Letícia. Falo aqui do Rio de Janeiro. Vânia, entender e apoiar o seu marido são medidas diferentes. Não dá pra entender a falta de afeto dele e ainda assim apoiá-lo. Você deveria levar em consideração a sua necessidade e trazer isso de uma forma aberta e clara pra ele. Ó, o casamento não tá dando certo.
Porque eu não estou recebendo o afeto que você é capaz de me dar. Não é algo sexual, é algo no campo do afeto. Se ele não está conseguindo te dar isso e você sabe que ele é capaz de te dar isso, tem que chegar e falar que isso não está acontecendo. E por conta disso, de algo que ele pode te dar e ele não está te oferecendo, o relacionamento não pode continuar. E aí tentar apoiá-lo de outras formas, que não tem nada de errado nesse sentido.
Oi, não inviabiliza eles, aqui é o Murilo, falo de Lisboa. Vânia, um abraço, minha querida, você é uma mulher leal, tenho um amor muito sincero pelo Alberto, e apesar da enorme crise que ele tem vivido nos últimos oito anos, ele precisa reconhecer que ele tem muita sorte. Sorte pelo trabalho que o mantém e o estimula a continuar em atividade, e mais sorte ainda por você, minha querida, você é uma esposa maravilhosa, sabe? Ele precisa reconhecer isto.
Eu acho que a terapia vai ajudá-lo a ele acordar para a vida. Ou ele segue um caminho sem você, ou a partir de um acordo que vocês possam manter os dois juntos. Pelo amor de Deus, Alberto, libido, metade está no cérebro, ou mais da metade, o seu cérebro está aí vivão. Acorda para a vida, homem. Vai experimentar novas formas de sentir prazer. Um beijo grande para você, Vânia. Parabéns por você ser assim.
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