Rispa insiste e não desiste | Pr. Ricardo Bitun
10 de Mai 2026 | Igreja Manaim Mooca
Ricardo Bitun
- Historia do FrevoFome em Israel · Pecado de Saul · Morte dos filhos de Rispa · Ação de Rispa · Enterro digno · Rispa · Saul · Davi · Gibionitas
- O amor como sentido da vidaAmor incondicional · Quebra de ciclos de ódio · Integridade e princípios · Esperança · Amor de Cristo
- Tragedias e ImpactosVingança · Mágoa e rancor · Desistência da vida · Ceticismo · Culpa · Amor incondicional · Persistência · Resistência
- Dor como informação corporalLuto · Expressão de sentimentos · Humildade · Aguardar a intervenção divina
- A fé que move montanhasFé na vida · Crer na ressurreição · Persistência na oração
livro de Samuel, capítulo de número 21. Segundo Samuel, capítulo de número 21, nós vamos ler dos versículos 1 até o versículo 14. Segundo Samuel, capítulo 21, versículos de 1 a 14. Eu preciso que você preste atenção na leitura.
Essa é uma história assim, não é uma história simples, fácil, como o Davi matou o gigante. Que precisam que a gente se atenha melhor, a gente pense, durante a pregação você vai ver isso, eu creio que você vai pensar coisas, o Espírito vai falar com você, talvez coisas que não falaram comigo, e ele vai mostrar algumas coisas, então é um texto que fala sobre uma mulher chamada Rispa.
Talvez você nem lembre quem foi rispa. Se você não tem muita intimidade com as Escrituras, você, ah, eu lembro ter falado alguma coisa da rispa. Mas rispa o quê, exatamente? Então, preste atenção. Vamos lá. Houve em dias de Davi...
o rei, uma fome de três anos consecutivas. Davi consultou o Senhor e o Senhor lhe disse, a culpa de sangue sobre Saúl e sobre a sua casa, porque ele matou os gibionitas.
Então chamou o rei, os gibionitas, e lhes falou, os gibionitas não eram dos filhos de Israel, mas do resto dos amorreus. E os filhos de Israel lhe tinham jurado poupá-los, porém Saul procurou destruí-los no seu zelo pelos filhos de Israel e de Judá.
Perguntou Davi aos gibionitas, que querem que eu vos faça e que resgate vos darei para que abençoeis a herança do Senhor? Então os gibionitas lhe disseram, não é por prata nem ouro que temos questão com Saul, é com sua casa. Nem tampouco pretendemos matar pessoas alguma em Israel. Disse Davi, que é pois que quereis que vos faça?
Responderam ao rei, quanto ao homem que nos destruiu e procurou que fôssemos assolados, sem que pudéssemos subsistir em termo algum de Israel, dê seus filhos, se nos deem sete homens, para que os enforquemos ao Senhor em Gibeá de Saúl, o eleito do Senhor. Disse o rei, eu os darei.
Porém o rei popou a Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saúl, por causa do juramento ao Senhor que entre eles houveram, entre Davi e Jônatas, filho de Saúl. Versículo 8. Porém tomou o rei os dois filhos de Rispa.
Filha de Ayá, que tinha tido de Saúl, e a saber, a Armônima e Fibosete. Como também os cinco filhos de Merabe, filha de Saúl, que tivera de Adriel, filho de Barzilai, o Meolatita.
E os entregou na mão dos gibionitas, os quais os enforcaram no monte. Perante o Senhor, caíram os sete juntamente. Foram mortos nos dias da ceifa, nos primeiros dias, no princípio da ceifa da cevada.
Então rispa a filha de Aiá, tomou um pano de saco e os estendeu para si, sobre uma penha, desde o princípio da ceifa, até que sobre eles caiu água do céu, e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite.
Foi dito a Davi, o que fizera Rispa, filha de Aiá, e concubina de Saul. Então foi Davi e tomou os ossos de Saul, ossos de Jônata, seu filho, dos moradores de Jabes Gileade, os quais furtaram da praça de Batseam, onde os filisteus os tinham pendurado no dia em que tiveram a Saul em Jeboá.
Dali transportou os ossos de Saul e os ossos de Jônatas, seu filho, e ajuntaram também os ossos dos enforcados. Enterraram os ossos de Saul e de Jônatas, seu filho, na terra de Benjamim, e Zelá, na sepultura de Quis, seu pai. Fizeram tudo o que o rei ordenara. Depois disso, Deus se tornou favorável com a terra.
Quem entendeu o texto, de misericórdia, esse texto foi bem mal escolhido para uma data como essa.
É um negócio estranho, não é uma das melhores datas para se falar em enforcamento, em mãe que perdeu filho, mas vocês vão entender, e eu creio, aquilo que o senhor tem para dizer com a igreja no dia de hoje. Por isso que o título é Rispa, Insiste e Não Desiste. Só para recapitular de uma maneira...
Breve a história. A Israel, Davi era o seu rei, por três anos havia fome na terra. Isso está lá no versículo 1. Diz que veio uma fome muito grande. Davi foi ter com o Senhor, foi buscar ao Senhor para saber o que acontecia.
O que é que estava acontecendo? E quando ele vai, o senhor diz, olha, há pecado no meio da sua casa, porque os gibionitas foram mortos por Saul.
E Saúl mata os gibionitas, lá em 1 Samuel 21, se não me falha a memória, porque ele tem um zelo, ele desobedece ao Senhor. Saúl foi um rei bastante complicado. E ele mata os gibionitas, mas ele não honra a palavra dada por Josué.
Josué deu a palavra, logo no capítulo 9 de Josué, dizendo que os gibionitas enganam a Josué. Eles vêm com pão bolorento, vêm com roupas de mendicância, dizem, nós viemos de uma terra distante, nós não temos onde ficar, para onde ir, será que você poderia jurar?
que não matará o meu povo, porque Josué estava conquistando. Josué estava expandindo o reino. E eles enganaram Josué, ao invés de buscar o Senhor, pedir discernimento, entrou na conversa dos gibionitas. E aí ele empenhou a palavra. Ele disse, olha, nós não vamos tocar nos gibionitas. Israel não vai matar os gibionitas.
Mas o Saul, que também não levou em conta a promessa, a palavra empenhada, a aliança, foi num dia de fúria e matou os gibionitas. Com isso, Deus trouxe juízo. Israel passou por uma crise tremenda, três anos de fome, intensa fome.
Davi busca o Senhor e Deus disse, olha, tem pecado com os gibionitas. Davi vai até os gibionitas, ele é rei, ele é justo, se eu devo, vamos pagar. E diz para os gibionitas, olha, diga para mim quanto que a conta está aí, porque o Saul pecou e ele era o rei, ele fala em nome da nação. Então eu quero acertar a conta, quanto que é prata, quanto de ouro. Os gibionitas olham e dizem, nós não queremos prata nem ouro.
Nós queremos que prevaleça a lei de Italião, da justiça proporcional. Lá em Deuteronômio. Isso é o seguinte, olho por olho, dente por dente. Nós não queremos ninguém de Israel, porque o pecado não foi de Israel, o pecado foi da casa de Saúl. Eu quero sete filhos de Saúl. Eu quero sete homens da casa de Saúl. Davi olha e diz, meu Deus do céu, porque Davi também é parente de Saúl.
Ele casou com a filha de Saúl. O que os gibionitas estão pedindo é se escolha dentro da sua família sete homens para que nós o enforquemos. E aí está paga a dívida. Prevalece a lei de Italião. Sangue é cobrado com sangue. Davi fica numa situação difícil, mas dá sete homens. Cinco da filha de Merabe.
E dois filhos, filhos de Rispa. Rispa era viúva de Saúl. Antes viúva de Abner. E dá os dois filhos de Rispa. Harmony e Mefibosete. Não é o Mefibosete filho de Jônatas. É o Mefibosete filho de Saúl e de Rispa. Rispa era concubina. Naquele tempo você tinha a sua esposa e você tinha concubinas.
Então ele deu esses sete homens, os gibionitas foram lá enforcar os sete e deixaram em praça pública. A rispa, olha os dois filhos enforcados dela, vai, pega um pano de saco, como que faz uma cabaninha e fica por lá, os historiadores falam de cinco a seis meses.
Dia e noite vigiando. Você imagina a cena. Os dois filhos ali enforcados. E aí vem uma ave de rapina para pegar o corpo. Ela sai, sai, sai, sai, sai, é meu filho. E ela fica de cinco a seis meses espantando. À noite vem um gato selvagem, algum outro animal. Eu não sei se ela tem pedra, se ela tem um pedaço de pau, alguma coisa. Sai daqui, sai, grita. Uma tocha, um fogo e ela espanta.
e ela fica isso chega até Davi, aos ouvidos de Davi o rei ele olha e diz, meu Deus do céu o que essa mulher fez e ele manda que busque os ossos, que ele também não tinha os de Jônatas, os de Saul os dos sete e faz um enterro digno
E faz um enterro digno para esses homens, para os filhos de Rispa, de Merabe, Jônatas e Saul. E os enterra e diz que depois que foi feito isso, voltou a prosperidade para Israel. A chuva volta, a fome cessa, a bênção do Senhor volta. Basicamente é essa a história que nós acabamos de ler, esses 14 versículos.
Quando eu estava meditando nisso, e eu creio que você também pensando, ouvindo a história, talvez pela primeira vez, ou pela 28ª, seja quantas forem, a minha pergunta é, qual seria a reação de rispa a uma situação dessa? Eu vou estender a minha pergunta. Você mãe, talvez você pai,
que acontecesse algo desse jeito com você, qual seria a sua reação? Como Rispa reage a uma situação como essa? Como essa mãe ao ver seus filhos sendo levados e mortos pelo pecado do pai, Saúl, como é que reage? Como é que você reage às incoerências da vida?
Como é que você reage às vinganças, às injustiças, à gente que te fere, te magoa, te machuca? Eu creio que ela poderia jurar vingança. Eu não descansarei enquanto não vingar a morte dos meus filhos. E talvez se isso fosse feito um filme em Hollywood ou pela Netflix, você ficaria do lado de rispa.
Que mulher de fibra. Ela jurou vingança, ela não é nem guerreira, mas ela lutou até o fim. Você poderia ir por outro caminho, quando algo afeta o seu filho, afeta você, afeta a sua família. Mágoa, rancor, ressentimento. Pastor, eu não perdoaria. Um homem de Deus escolheu os meus dois filhos para que morresse naquela forca?
Eu não perdoo o que eles fizeram com o meu filho. Eu não perdoo o que essa nação de Deus, esse homem de Deus, esse líder espiritual, au-au, fez com os meus filhos. Eu não vou perdoá-los. Lembre-se, Davi é homem de Deus, homem segundo o coração de Deus. Talvez outra mãe desistiria da vida. Ela olharia e diz, vale a pena viver? Por quê?
Ela é viúva. A condição da viúva é terrível em Israel. Tanto que Deus manda proteger o órfão, o pobre, a viúva e o estrangeiro. Porque ela fica sem ninguém, ela no trabalho não faz nada. Ela é viúva de Saúl. Segundo, ela não tem filhos, porque ela vai envelhecer. Naturalmente, os filhos cuidam da mãe. Qual é o futuro de Rispa?
Tem mais um agravante. Ela morou no palácio. Ela é dondoca. Ela morou lá com o rei. As unhas dela sempre bem feitas. Ela toma banho todos os dias. Ela tem plumas e paetês. Agora ela está na boca do... Qualquer lá. Ela não tem nada. Sem futuro. Sem ninguém para apoiá-la. Sem nada que ela faz. É melhor.
É melhor morrer, poderia ser. Ou ainda ela poderia tornar-se cética. Você já viu um cético? Cético é aquele que não reage a nada. Morte, vida. O culto pode estar lá, os anjos voando. O reter até caindo, a pessoa está assim. Pode estar triste, todo mundo chorando. Cética. Ela não tem sentimentos. Leia o filósofo Sêneca.
Sobre a brevidade da vida, você vai ver lá quase que um cético. Ele não tem emoções. Rispa poderia, todo mundo olharia. Depois da morte dos filhos, Rispa nunca mais foi a mesma. Depois que os seus filhos morreram, nunca mais ela foi. Hoje ela é triste. Hoje você pega a Rispa nos cantos, chorando.
Eu poderia aqui ficar falando, falando, falando, falando. Mas você entendeu? Qual que é a reação de rispa dessa mãe? Qual é a sua reação diante da tragédia que acontece com os nossos filhos? Do inevitável que acontece comigo e com você? Como a gente reage à vida? Talvez eu não tenha nenhuma tragédia mais horrorosa.
do que mexer com o filho de uma mãe. Talvez por isso que o Espírito Santo deixou registrado isso aqui. Não há nada que nos machuca mais do que o fracasso de um filho, de uma filha. A injustiça.
Rispa poderia também tomar culpa. É culpa minha. Meu filho ficou assim, fez isso porque eu não dei o amor, eu saía para trabalhar e eu não dei atenção, ele pediu para empinar pipa e ela se encheu de culpa. E os vizinhos diziam, é culpa sua. Você tinha que ficar em casa. Você tinha que ter batido mais nele. Você tinha que ter puxado a orelha. E aí vem e jeito para tirar pedra não vai faltar.
Como que a gente reage quando o nosso mundo virou de ponta cabeça? Como que você reage quando um homem de Deus atinge você no mais profundo da sua alma? Quando um homem que você confiou, um líder espiritual, alguém que, um amigo, ele lhe fere, ele põe a adaga lá no teu coração e ainda torce. Como que você reage?
cetismo ou tal, agora já não tenho mais futuro, o meu ministério acabou aqui, a minha vida profissional terminou, a minha vida não faz mais sentido. Como é que você reage? Porque a questão é como nós reagimos às intempéries da vida. É isso que vai demonstrar o nosso caráter, a nossa confiança em Deus. Rispa, reage.
com a insistência, a persistência de um amor incondicional. Ela mostra uma postura, uma atitude de resistência em favor da vida, como poucos personagens bíblicos fizeram. Ela é uma rocha, não é à toa que ela fica ao lado de uma rocha.
Não é à toa que ela fica por cinco ou seis longos meses. Porque o amor continua sendo a última palavra. Grava isso. O amor continua sendo a última palavra. O amor é a resposta mais nobre que um cristão pode dar às intempéries, às adversidades, às agrúrias da vida.
Não há nada, não há ninguém mais espiritual do que responder com o amor. Por quê? Rispa não enrijeceu seus sentimentos de dor e luto com ódio e com vingança ou ceticismo.
Porque Deus sabe, rispa sabe, ou deveria saber, que se ela entra na espiral da violência, no ciclo do ódio, no espiral do ressentimento, isso nunca mais para de acontecer. Ela afunda e afunda todos os outros que estão com ela. Ela contamina todos ao seu redor.
Se ela parte para o ressentimento, para o ódio e para a violência. Por quê? Eu vou dar três razões para você. Porque Rispa não entrou no ciclo da violência, do ódio, da amargura, do ressentimento, da bisbilhotice, da fofoca. Seja qual for a reação.
Primeiro, porque esse ciclo destrói a nossa identidade em Deus. A nossa identidade em Cristo fica comprometida quando você usa os mesmos métodos que lhe feriram para com o outro.
Quando eu sou ferido e eu uso o mesmo método, eu uso e dou a mesma resposta na mesma intensidade, eu aprofundo o ciclo do ódio e da violência, da amargura e do ressentimento.
Alguém me feriu, fez uma fofoca, falou lá, disse que eu era o que eu não era e tal, não sei o que. Ah, então quem foi? Foi o fulano. Ah, tá. E aí eu começo a conspirar, a fazer fofoca também, porque bateu, levou, eu vou responder na mesma medida e tal. Quando ele faz isso, ele acaba se tornando igual aquele que o feriu. Ele vai ficar muito parecido.
Qual é para mim, pessoalmente, eu já disse, uma das maiores armadilhas da batalha espiritual? É quando nós começamos a usar as armas do inferno para combater a arma espiritual. Perdão, a batalha espiritual, o inimigo. O inimigo vem e ele fala com ódio.
Eu vou matar você, eu vou arrebentar Eu digo, pois é, seu diabo Pois eu te odeio Eu odeio aqueles que odeiam a Cristo Rapaz, você está sendo tão odioso e horroroso quanto ele Se o diabo conseguir colocar as armas dele na sua mão Ele ganhou a guerra Se ele conseguir destruir a sua identidade como filho do amor
como mensageiro da paz, quando você começar a responder aos outros, aos adversários, exatamente como eles fizeram a você, a guerra já está ganha. Você perdeu aquilo que te diferenciava. Quando todos falavam contra com ódio, você falava com amor e paz. Quando todos batiam, você guardava o sentimento de paz e de amor no teu coração. Quando você responde como o outro responde,
Você não tem mais nada que o diferencie. Você é igual a todo mundo. Você é mais um no seu trabalho. Você é mais um na sua escola. Segundo motivo. Justificativa para o opositor. Ao se tornar igual, você valida o comportamento do outro. E aí você começa a dizer assim, está vendo? Todo mundo faz.
Ah, não fui só eu não. Eu fiz, é verdade. Mas lembra, o João fez antes. A Maria também fez. O Pedro também. Você mentiu, eu menti. Ele mentiu, nós mentimos. Vós mentis, todos mentem. Você passa a conjugar o verbo, que é um verbo maligno. Você legitima o comportamento. Todo mundo erra.
Todo mundo um dia dá um tapa na cara da sua mãe. Todo mundo faz malcriação. Então, se é todo mundo, não tem problema. Terceiro e último. O ciclo infinito da violência.
Ele alimenta esse ciclo sem fim. Se você responde ao mal com o mal, a corrente nunca quebra. O mundo apenas ganha mais uma pessoa. Violenta, amargurada, rancorosa, cética. Espírito de destruição, violento. Bateu, levou. Comigo ninguém fala assim.
Eu sou muito homem para falar. Eu sou muito mulher para ninguém vir aqui e me desrespeitar. Parabéns, o diabo ganhou mais um. Isso é só mais um. Rispa não vai por esse caminho. Ela não alimenta o ciclo da violência.
Há um filósofo, ainda que muitos não gostem, alemão chamado Nietzsche. Ele diz assim, aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Aquele que luta com monstros, toma cuidado para que você também não se torne mais um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo começa a olhar para você. E você já não sabe quem é o abismo e quem é você.
Quando flertamos com esse ciclo de ódio, violência, rancor, ceticismo, falar mal um do outro, fazer fofoca, alimentar amargura, seja o que for, você vai se tornando um com essa pessoa. Você já não salga mais, você já não é mais luz. Estamos todos em treva. Bem-vindo ao time.
A sequência da violência dessa narrativa, ela é interrompida, esse ciclo da violência interrompida pela ação de uma mãe, chamada rispa. Sabe como que o ódio, rancor, amargura e as armas do inferno vão ser interrompidos na sua família? Não, porque se eu for e gritar em nome de Jesus, fica gritando, você vai ficar rouco.
Pode ser. Mas quando você faz o contra-ataque com as armas do céu, de Deus. Ele vem com ódio, você vai com amor. Ele vem com guerra, você vai com paz. Ele vem com palavras duras, você vem com palavras de misericórdia. Você destrói. Porque o diabo se perde todo quando você luta com essas armas. Ele não sabe o que fazer.
Esse ódio, essa violência, essa tragédia é interrompida por uma mãe. O que ela faz? Ela mantém a sua integridade, os seus princípios, os seus valores, mesmo sob ataque, mesmo sob diversidade ou adversidade. Ela mantém o outro. O que Davi fez ou o que aconteceu não tem poder sobre ela.
Ela é maior do que isso, aquele que está dentro dela é maior do que o que fizeram ali. Rapaz, você não vai me tornar um como você é. Eu não vou ser como vocês são. Pedindo sangue, vingança, morte, não. Eu não sou desse time, eu sou de outro time. Rispa ama incondicionalmente.
Ela persevera naquilo que ela crê. Ela resiste a tudo e a todos. Esse tipo de amor incondicional, ele oferta, ele oferece um refúgio seguro nos momentos de tempestade. Não há lugar mais acolhedor e mais seguro em tempos sombrios.
Tempos em que você tem tudo para se vingar, para retribuir, para buscar justiça com as próprias mãos. Para chamar os irmãos da igreja, todo mundo com placa e faixa, e ir lá combater e fazer grande. Não tem nada mais acolhedor do que o amor incondicional. Você cair nos braços de quem lhe ama, independente de quem você é, que lhe ama, independente de qualquer coisa. Esse amor incondicional.
Eu ouvi de um irmão lendo algumas cartas, mexeram comigo profundamente. Eu queria ler para você a carta de algumas mães, depois de visitarem seus filhos na cadeia, no presídio.
Uma escreveu assim, somos reféns de uma sociedade que nos olha da mesma forma que enxerga o criminoso, meu filho. O fato dos nossos filhos estarem presos não significa que nós não prestamos. Eu sou mãe. Uma outra escreveu assim, na primeira vez que eu entrei no presídio, achei que ia me consumir de tanta dor, de tanto chorar.
Vi o meu filho algemado. Vi ratos no pátio. Nós tivemos que estender a coberta que ele dormia para colocar a comida em cima. A primeira coisa que fiz foi pedir perdão. Eu me senti culpada. Onde foi que eu errei com o meu filho? Porque não percebi os sinais que ele dava. Em que momento meu filho pegou o atalho e eu soltei a sua mão?
Mas ele sempre diz que a culpa não é minha, foi ele que escolheu. Ele tem consciência do erro e sabe que tem que pagar. E uma terceira e última carta, a mãe diz assim, quando recebi a notícia, eu achei que era engano. Ele tocava na orquestra da igreja, estudava, queria cursar em engenharia elétrica. Onde foi que eu errei? Essas mães, todos os dias de visita, elas estão lá.
Enfrentando filas, revistas. Elas amam. Elas amam um marginal. Não para ela. Ela ama o filho dela. Elas amam um criminoso. Fica sustentando esse vagabundo. Elas amam o filho dela. Não tente convencer uma mãe que ele merece a morte. Não tente convencer rispa que acabou tudo.
Não, não, acabou, morreu, vamos embora, rispa. Vida que segue, vida não segue. A vida ainda não terminou. Rispa, como assim não terminou? Ela tem um amor, um coração. Que ela demonstra esse amor no seu dia a dia.
Ela se indigna contra a desonra, a morte, mesmo depois de encontrar seus filhos. Porque Deuteronômio 28 diz que aqueles que fossem enforcados ou crucificados ou apodrejados e não fossem dignos, fossem desonrados, você teria que deixar para que as aves de rapina comessem, os animais do campo, as feras, as bestas feras comessem. E ela diz, meus filhos não vão ter uma morte desonrosa.
Rispa, desiste. Rispa, já foi. Acabou. Ou como alguns dizem, né? Tão engraçado, eu morro de rir. RG cancelado, mais um RG cancelado. E eu fico pensando sempre, é porque não é seu filho. Se fosse seu filho, você não falaria assim. Tenta falar para Rispa que cancelaram o RG dele. Cancelaram o RG de Mephibozete.
Ela não desiste. Ela diz, eu tenho que de alguma maneira provar a honra do meu filho. Eu o amo. Risco, ele não vai te dar mais nada em troca. O amor incondicional não espera nada em troca.
O amor incondicional ele ama. Ele não deseja vingança, ele não deseja qualquer outra coisa. Eu fico imaginando quão distante nós estamos do amor de Cristo. Esse amor de rispa representa o amor de Cristo. Quão longe nós estamos. Distantes. Léguas de distância do amor de Cristo. Quando nós falamos que somos discípulos do amor. Deus é amor.
Eu fico imaginando, Deus, como eu estou distante desse amor. Às vezes, por muito menos, eu brinco com a família. E rispa vai, e ela transcende a morte. Ela vai para além da vida. Ela continua crendo. E é interessante que ela não passa pano. Ai, tadinho, não. Ela estende o pano. O pano, ela não mascara o luto. Ela não encobre o pecado.
E ela também não mascara o seu luto, dói, sofre, ela geme. São quase cinco, seis meses dela gemendo por aquele filho. Eu sou crente, eu sou filho de Israel, não sinto dor, eu sou intranspor. Não, dói, está doendo, geme. Ela estende o pano, fica ali por cinco, seis meses, ela fica espantando as aves de rapina.
Ela diz, enquanto não acontecer algo aí, eu não saio daqui. Ela não justifica a situação. Ela não justifica o pecado de Saul, seu marido. Ela não justifica tudo o que aconteceu. Ela não mascara sua dor. Que mulher é essa, Rispa?
Quantas vezes a gente fala para os nossos filhos, engole esse choro. E aí precisamos mandar para os psicólogos para lhes ensinarem aquilo que os cristãos deveriam ensinar. Quando está doendo, fala que dói mesmo. Vai falar no altar. Compartilha aí os seus pecados uns aos outros. Compartilha as suas dores. Não, não. Senão nós temos que proteger o nosso filhão. Nós temos que proteger o papai. Nós temos que proteger a mamãe. Nós temos que...
Não fale nada. Não abra a boca. Cala a boca, menino. Não fale nada. Não chore. Engole o choro.
E aquilo estourando no peito. Nós temos que mostrar uma boa imagem, que está tudo bem. E aí quem vai resolver, Deus diz, bom, se vocês o resolvem, eu vou mandar para os psicólogos. Quem sabe eles ajudam o seu filho porque você não está conseguindo ajudar. Porque ele está com uma dor lá dentro, ele precisa falar, ele precisa expocar.
Ele precisa ser curado, ele precisa chegar para a comunidade e dizer, está doendo mesmo. Eu fiz, eu aconteci, eu não fiz. Isso é verdade, isso não é. Eu estou aqui de peito aberto porque eu estou no meio da família, eu estou em segurança. Aqui é lugar de seguro, eu posso falar aqui. Mas eu não encontro uma ambiência segura. Aí colocamos máscaras e vamos ficar quietos, vamos dizer que está tudo bem. E lá, graças a Deus, aleluia, família Margarina, está tudo lindo.
E aí Deus diz, é, está difícil, meu povo. Marca uma hora lá na psicóloga para tentar ajudá-lo. Ela não justifica, ela simplesmente põe o pano e chora. Ela se humilha. E ela aguarda. Aguarda o quê? O que é que você está vendo? Qual é a tua esperança, rispa? Você não percebeu que acabou? E aí Romanos 8, 18.
Eu peço licença aos irmãos, eu vou trocar Abraão por Rispa. Rispa, esperando contra a esperança, creu.
que ela seria a mãe de muitas ações, segundo lhe fora dito, assim será a tua descendência, sem enfraquecer na fé, rispe, embora tivesse em conta o corpo adormecido dos seus filhos, sendo já avançado o estado de putrefação, a idade avançada não duvidou por incredulidade da promessa, mas pela fé ela se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicta de que Deus, Ele era poderoso para cumprir o que prometera.
meus filhos terão um cerimonial de honra eles não são bandido o pai pecou, mas eles ali não, eu vou continuar quanto vale o choro de uma mãe? quanto vale, quanto custa a sua insistência? de alguma maneira ela se recusou a permitir que os corvos, as aves de rapina comecem o corpo dos seus filhos que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que as pessoas que
Deixa eu abrir um parênteses. Fala mães, pais e pessoas com essa fé. Ainda que seu filho esteja morto, sua filha esteja morta, ele pode ressuscitar. Ainda, como diz Efésios 12, que eles estejam mortos dos seus delitos e pecados. Ainda que eles não sintam mais o Espírito Santo de Deus.
Creia que eles podem ressuscitar. Eles estão dormindo. João 11, como Jesus falou em relação à morte de Lázaro. Mãe, não desista. Insista. Continue crendo, ainda que pareçam mortos. Mortos espiritualmente. Saiba que Deus ainda pode honrá-lo.
Continua firme, mamãe. Continua firme, crendo. Não desiste, insiste. Mas olha, já estão me atirando pedra. Ninguém mais crê. Você crê, isso é importante. Me permito, pela segunda vez, trazer uma música não cristã, não gospel. Mas como não lembrar disso?
É preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. Quem traz no corpo a marca Maria, Maria, mistura a dor e a alegria. Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida.
Eu não sei se Milton Nascimento sabia o que era a vida. Mas lá em João diz que ele é o caminho, a verdade e a vida. Essa estranha mania. Ela possui os cristãos, essa estranha mania de ter fé na vida, naquele que é a vida. Ela não desiste. É preciso ter raça, é preciso ter gana. Ele traz na pele e no coração. Essa coisa estranha.
Essa mania esquisita de acreditar, de ter fé nele. E apesar, é aí que eu acho mais bonito. Eu queria que você trouxesse a cena. Ver uma mulher viúva, sem filho, sem nada nem ninguém. Os filhos mortos já há cinco meses, tirando mal. Só interessando aos corvos.
Você olha para ela e diz, onde você quer chegar com tudo isso? Ô Risma, desculpa, eu compartilho da sua dor, do seu luto, está tudo certo. Realmente eu acho que eu estaria em flagalho. Mas só me diz uma coisa, onde você quer chegar? Onde isso tudo vai dar? Você está pensando que os filhos vão ressuscitar só se for os ossos. Não tem mais nada. Aí ela vai dizer, eu vou insistir, eu vou continuar.
E diz que aquele sofrimento silencioso, aquele luto calado, explode nos ouvidos do rei. E o rei soube o que em silêncio Rispa fazia. Ele ouviu, ele ouviu o que ela nunca gritou.
E aí ele diz, tirem aqueles homens, dê um enterro de honra e um enterro digno para aqueles meninos. E aí o último versículo, para que eu termine, versículo 14. Enterraram os ossos de Saul, Jônatas, seu filho, na terra de Benjamins, ela na sepultura de Quis, junto com os outros sete. Fizeram tudo o que o rei ordenava. Depois disso...
Deus se tornou favorável para com a terra. A água voltou. A chuva torrencial do céu voltou. O luto não é a palavra final. O sofrimento chegará ao fim. Mas cabe a mim e a você. Quebrar os ciclos de ódio, vingança, amargura, incredulidade. E crer.
Que as águas virão. Pode demorar quatro meses, cinco, seis, um ano, não sei. Mas chegarão. A mim e a você. Cabe apenas insistir, persistir e dizer assim, eu sei que o meu choro chegará ao trono do meu pai. Eu sei que o meu choro chegará aos seus ouvidos. E eles virão para mim de novo, através da chuva.
É como se ela estivesse regando os céus com as suas lágrimas. E depois que as comportas do céu se encheram com as suas lágrimas, sua dor, seu sofrimento, Deus diz, rispa, aqui está cheio. Eu preciso tirar um pouco de água daqui. E aí ele abre a tampa e começa a chover na terra e florescer o campo. E a paz volta à terra. E você temos capacidade de encher os tambores.
as caixas d'água do céu, para trazer a água que revitaliza, que ressuscita, que traz esperança em nossa família. Abaixe sua cabeça, feche seus olhos. Pai, ajuda-nos, Senhor, a continuarmos firmes, resistindo, sermos resistência num mundo tão violento, num mundo tão cheio de adversidades, de coisas esquisitas, de...
facilidade para a ira, para o rancor, para a mágoa, para o distanciamento. Ah, eu sei que o Senhor pode nos ajudar.
Por isso, nos ajuda. Em nome de Jesus. Nos ajuda, Senhor. Nos ajuda, eu te peço. Ajuda os irmãos que estão vivendo luto. Seja de separação, seja de ver a morte muito próxima da sua casa. Seja o que for, o Senhor sabe exatamente o que se passa. Que o Senhor os ajude a vivenciar, experimentar o amor. O amor incondicional. No nome de Jesus, o Cristo nosso Senhor. Amém?
Amém.