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VIC REVELA SEGREDOS SOBRE A LOCUÇÃO DE RÁDIO

01 de maio de 20261h59min
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Victoria Roza Cruz, mais conhecida por Vic, nos conta sobre sua carreira e os segredos da locução de rádio.

São 10 anos vivendo a comunicação. Vic é comunicadora, apresentadora e locutora. Jornalista de formação e pós-graduada em Meio Ambiente.

Papo completo no Youtube e no PONTECAST, o canal de podcasts.

#locutoravictoriarozacruznoponte #victorarozacruznocanalponteaerea #locuçãoderadio

Assuntos6
  • Apresentadores e PalestrantesInício na Tupi · Experiência na Antena 1 · Trabalho na Rádio Mix · Transição de jornalista para artista · Importância da voz e autenticidade
  • Crise do Jornalismo e MídiaPós-graduação em Meio Ambiente · Inspiração em André Trigueiro · Sustentabilidade e mobilidade urbana · Metodologia de vídeo participativo · Fernanda Bauhart como inspiração
  • Impacto das palavras e da comunicaçãoVoz como expressão da identidade · Impacto da voz na memória afetiva · Locução em rádio e videocast · A voz como ferramenta de conexão
  • Inteligência ArtificialDemocratização da informação vs. superficialidade · O papel das big techs · Geração que absorve informação sem conhecimento · A importância de fazer boas perguntas · Pensamento crítico escasso
  • Histórias de infânciaFérias na Serra do Garrafão · Viagem de Pajero atolada · Professor de matemática como salvador · Relação com o irmão · Lasanha com a avó
  • Tecnologia de RádioA importância do retorno de áudio · Desafios da locução em estúdio e ao vivo · A arte de desanunciar músicas
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E aqui a gente tem os estúdios de gravação. Eu tô em um, aí ali tem outro, enfim, tem alguns. Oiê! O melhor mix do Brasil está hoje aqui no canal Ponte Aérea. Paulo Eduardo, nós vamos ser processados do plágio já na largada, tá? E, galera, hoje a gente continua na música, mas a gente vai pegar uma pegada totalmente diferente. A gente vai pra dentro de uma rádio, conversar com uma locutora jornalista, pós-graduada em meio ambiente.

que é locutora na Rádio Mix do Rio de Janeiro, Vitória Rosa Cruz. Vamos bater um papo com a Vicky e vamos ver o que sai desse papo louco que vai começar agora. Vicky, super obrigado por ter esse tempinho pra gente e vamos lá, bem-vindo a bordo. Oiê, eu sou a Vicky.

Adorei, adorei o início aí, gostei, gostei bastante. Bom, muito obrigada, meninos, posso chamar assim, né, meninos, já somos amigos. Muito obrigada pela oportunidade de estar aqui, obrigada pelo convite, eu tô super animada pra esse papo aí, sem roteiro e vamos ver o que que sai.

Ô Sérgio, eu preciso fazer só um pequeno adendo aqui, que você esqueceu de duas informações importantes. Eu sei que você quer começar aí com a Vick, mas você esqueceu de duas informações importantes. Primeiro que ela é taurina, logo ela faz aniversário. E outra, ela é tricolor, que nem eu. Tupa aí, ô urubu. Hoje ela vai chorar de novo.

Vou nada, parou, parou. Fla-flu hoje dá flu com certeza. Com certeza. 1 a 0. Sem medo de errar. Tudo certo. Com certeza. Por isso que a gente não fala de futebol, Vicky, porque sempre dá confusão. Sempre dá confusão, é isso, é verdade. Vamos lá, Paulo Eduardo. Entra no voo aí e começa a atuar. Como é que está São Bernardo, Paulo Eduardo? Cara, São Bernardo está parecendo o bafo do capeta, cara. Como está quente aqui.

misericórdia, tá quente demais, tá calor demais. Eu tô me sentindo como se eu estivesse aí junto com vocês no Rio, mas não vamos falar de mim, não, vamos falar da Vick, da Vicktória. Ô, Vick, a gente tá acompanhando o seu trabalho e a gente tá percebendo que você gosta muito desse lance de memória efetiva, e eu gosto disso também. Eu sou um cara que gosta de memória efetiva. E o Serginho já falou que a gente não vai perguntar como é que começou a sua carreira.

É porque a gente já viu como começou a sua carreira. Quem quiser saber, vai pesquisar. Eu quero começar lá atrás. Eu quero voltar lá naquele cara que era locutor lá no Calçadão de Caxias, o Tiago. Tiago Nascimento, né? Que te mandou um áudio, te ligou, não sei direito. Na maior cara de pau que nem a gente fez. Essa história é sensacional. Conta pra gente.

Ah, o Tiago, eu acho, eu não me lembro nem exatamente como é que a gente se conheceu. Eu acho que foi assim, realmente, por rede social, se eu não tô enganada. E ele chegou e falou, cara, tô fazendo mais lives aí. E aí, bora fazer? Aí eu falei...

Tá, vamos nessa, vamos ver qual é. E ali eu comecei, troquei uma ideia com ele. Ele é locutor, né? Ele trabalhou já em porta de loja, também já fez algumas gravações, já teve algumas gravações de TV. Ele faz também, ele imita alguns personagens, algumas vozes, assim. Ele adora imitar o Silvio Santos, ele é muito bom fazendo isso.

E aí a gente trocou essa ideia, assim, na internet. Abrimos uma live no Instagram. Na época, eu com um telefone piorzinho do que eu tenho hoje, que não é o high-tech ainda, entendeu? Mas é um telefone melhor. E a gente começou a conversar e foi totalmente assim. Oi, Vico, eu sou o Thiago. E aí?

Oi, eu sou a Vicky. E tudo começou assim. E a gente trocou essa ideia, eu contei um pouco lá do início da minha trajetória. Esse realmente é um vídeo que eu contei o início, o passo a passo. E foi muito legal, foi uma experiência bem especial do interesse dele. Eu fiquei bem assim...

feliz, fiquei surpresa de ter sido convidada por ele, e também acabou sendo uma oportunidade ali, logo no comecinho, de poder contar um pouco sobre mim também, outras pessoas conhecerem, então, é isso, foi um espaço bem, acho que bem importante pra mim e pra ele, a gente continua em contato, eu acompanho as conquistas dele, ele, as minhas, a gente se apoia bastante, então, é, desses encontros que ficam, acho que é isso.

Eu acho legal, Serginho, porque a gente tem realmente que valorizar as pessoas que ajudaram a gente. Eu só esqueci de falar um negocinho, que eu até notei aqui e queria falar, que a gente tem uma coisinha comum em você. Porque o meu pai também se chamava João. E a minha mãe, na verdade, minha mãe não se chamava Tereza como a sua, mas era Terezinha. Então, assim, são essas viagens, essas loucuras. Bem parecido, bem próximo.

E aí, voltando a essa história de pessoas que acabam passando pela vida da gente, ajudam a gente, a gente acaba levando para a vida, eu quero fazer uma sacanagem com você. Faz tempo que eu não faço essa sacanagem com ninguém. Tem uma semana. Mas com a Vick eu quero fazer. Com a Vick eu quero fazer. Eu vou falar uns nomes aqui. Você me diz quem é a mais legal, quem você gosta mais, quem é a mais generosa. Peguei aleatório uns nomes aqui. Eulina Rego.

Claudia Jones, Nayara Alves, acho que só essas três tá bom.

Ah, esse daí é o começo de tudo, né? Quer dizer, de quase tudo. Eu comecei na Tupi como estagiária de jornalismo, então eu era bem... Eu não tinha nada do artístico. Eu realmente fazia reportagem, entrava no ar dando informação de fato, fazendo entrevista. E aí, isso daí foi o início realmente da minha vida no rádio. Mas a Antena 1 foi o início da minha vida artística. E aí entram essas três personagens.

Eulina, Nayara e Cláudia Jones. Três locutoras queridas, três locutoras que são, assim, baita referências a nível Rio, acho que a nível Brasil também, sabe? A Jones é a voz da Globo, isso já diz muita coisa sobre quem ela é.

E a Jones se tornou uma grande amiga. A Jones foi a pessoa que falou assim, olha, senta aqui na mesa de áudio, que eu vou lá embaixo beber um café, vou lá embaixo gravar um negócio depois, que o estúdio era o estúdio de gravação da Antena 1, tinha uma escadinha, era o estúdio principal, e embaixo o estúdio de gravação. E ela falou, eu vou lá embaixo, aí você aperta um botão aí, vai dar tudo certo. Falei, Jones, não. Aí ela, sim, é só assim que você aprende. Eu falei, tá bom.

Aí fiquei ali esperando, né? O que eu tinha que fazer pra apertar o botão. Nisso apareceu uma pausa no meio do caminho, a rádio parou, eu falei, tirei a rádio do ar. Isso assim, um segundo, que na minha cabeça foi uma vida. E apertei o botão, segui em frente, ela voltou, eu falei, Jones, nunca mais faz isso. Pelo amor de Deus, a rádio parou, saiu do ar, a culpa foi minha. Aí ela, não tá tocando? Parabéns, você aprendeu a fazer rádio.

Você entendeu que vai vir uma questão, você vai ter que resolver e você vai continuar. Então, a Jones, eu acho que é isso. A Jones é uma professora, é uma inspiração. Ela também abre muitas portas. Ela é vanguardista no que ela faz. Ela abre muitas portas para muitas mulheres como eu que estão vindo depois dela. E é uma inspiração gigante.

Mas não disse quem é mais legal, não disse quem é mais... Quem ela gosta mais. Quem que ela salvaria num barco afundando. Não falou nada disso. Imagina, imagina. A Eulina foi uma locutora que chegou pra mim e mostrou como o rádio é leve. Como o rádio é...

O Mujad é um lugar pra gente brincar e pra gente ser feliz. A Eulina é uma pessoa que, cara, ela tem um astral. É por isso que é difícil elencar quem é mais, quem é mais isso, mais aquilo. Eu diria que com cada uma delas... Primeiro, todas são minhas amigas.

E aí, tipo, com cada uma delas eu aprendi uma coisa legal, né? E aí a Eulina mostrou que rádio é isso, cara, rádio é astral. Você não consegue chegar aqui, sei lá, vou dar um exemplo. Eu não sei se uma pessoa que trabalha em frente ao computador, senta ali, digita, faz o que tem que fazer, faz a sua planilha e vai embora.

A Eulina, ela tinha um ritual pra entrar no ar, sabe? E aí você olhava do nada pela janelinha do estúdio, assim, tava a Eulina dançando, a Eulina cantando junto com a música. Então, assim, a Eulina é o espírito do rádio. E Nayara, Nayara é simplesmente uma das vozes mais potentes que eu já ouvi. Assim, né? Ela se tornou a voz da Antena 1. Quando você falava em Antena 1, quando você fala em Antena 1, porque ela ainda tá no ar.

Você fala da Nayara, você fala dessa voz marcante que te toca, aquela voz aveludada. E fora isso, a Nayara é professora de história. Eu tenho uma profunda admiração por professores de maneira geral. E a Nayara é professora da rede pública aqui do Rio.

Ela também é mestranda, então ela é uma pessoa que está em constante aprendizado, estudo. Ela é uma pessoa que está sempre se atualizando, que você consegue conversar sobre todos os assuntos e que consegue fazer diferentes funções. Nayara hoje em dia está na locução e está na programação da rádio também.

então eu olho pra ela assim e falo caramba, sempre dá pra gente se reinventar sabe, acho que é isso, esses são três nomes importantes não sei quem é mais legal aí cada uma tem uma característica diferente sacanagem é, Sérgio, falou, falou, falou é a monetada clássica

É, não me comprometi, né? Imagina. Mas, ó, nessa tua vibe do astral da rádio, eu vou te dar um exemplo do Roberto Menescal, que também esteve com a gente aqui, e com a Alícia Bianchini, que também esteve com a gente aqui, que é uma cantora que começou aos 60 anos. Ela foi gravar a primeira vez com o Menescal, o Menescal entrou no estúdio e ela estava super nervosa. Aí ela falou assim, Menescal, acho que eu não vou conseguir gravar. Aí ele falou assim, olha só.

Se você, música, estúdio, é pra você se divertir. Se não for pra gente se divertir, não vamos nem gravar. E aí, na hora lá, tontou e foi.

É muito doido, mas é isso, assim, eu sou uma pessoa que eu me cobro muito, eu sou muito responsável, eu gosto de fazer tudo certinho e tal, só que, cara, eu só comecei, eu acho que, de alguma forma, dentro do que eu entendo ser legal no rádio, que é autenticidade, eu só consegui colocar mais da vitória no técnico, que é importante você saber, é fundamental pra te dar segurança, mas eu só consegui ser autêntica dentro do técnico, quando eu falei, pô, mas fazer isso é legal pra caraca.

eu gosto tanto de fazer isso, por que eu não vou me jogar e vou experimentar? E aí, eu acho que foi quando verdadeiramente o barco fluiu, independentemente de como estiver o mar, se estiver com tempestade, se estiver calmo, se a gente está navegando e curtindo o balanço, vai bem, sabe? É só pegar, quer ver um exemplo sensacional, Paulo Eduardo? É só você pegar a chamada que ela fez na Antena 1, que eu...

não me lembro que ano que foi, que ela tá lá, lá na realidade é a Vitória Rosa Cruz. Ela chamou de um programa de entrevistas, blá, blá, blá, blá. Nossa, era uma coisa tão formatada que é surreal. É verdade. Tipo assim, você nitidamente, você evoluiu o absurdo. Você nada que se encontrou, né? Que você evoluiu, você encontrou a Vicky, né?

Eu acho que é isso, porque independentemente do segmento, porque tinha essa coisa, ah, mas aí era uma rádio adulta, ah, mas é uma rádio jovem. Não, eu acho que não depende do segmento da rádio, depende de você, primeiro, amadurecer. Eu reconheço que eu sou uma jovem profissional. E eu reconheço que aos 23, quando eu entrei numa cadeira de locução,

Assim, eu estava muito até deslumbrada. Eu falei, meu Deus, eu não sei nem o que fazer. Minhas colegas têm 30 anos de profissão, 50 anos de idade. São, caraca, monumentos da locução. E eu estou sentada aqui, o que está acontecendo, sabe? Então, assim, a voz, ela...

digamos, denuncia, a voz ela expressa, ela transborda tudo aquilo que nós somos. Então, aquela minha voz que era mais pra dentro, que era uma voz mais empacotada, uma voz que tinha menos nuances, era uma voz de alguém que, e era uma voz que ao mesmo tempo chegava, impactava, é porque era uma voz de alguém que queria chegar, mas que ainda não sabia como.

Então, eu estava só ocupando um espaço, botando a minha caixa ali, bem quadrada ali. E agora, aos poucos, eu consigo ir me soltando, sabe? Hoje, olhando para trás, eu consigo ver dessa forma. Eu vejo nitidamente que você tinha a voz da jornalista e hoje você tem a voz da artista.

Isso daí é outro detalhe, que eu aprendi com um papa do rádio, assim, que é o Ovoruski, né? Ele é um cara, poxa, reconhecido a nível Brasil aí, um dos maiores nomes de rádio do Brasil. E ele foi a pessoa que me deu a oportunidade na então Sul América Paradiso, que hoje é a Mil Paradiso. Ele junto com a Márcia Ramos, que a gente carinhosamente o mercado chama de meiguice.

quando me chamaram para fazer a Sul América Paradiso e o Hora do Blush, ele me falou, você é muito jornalista ainda, mas aos pouquinhos você vai entender, você vai pegar esse feeling. E é isso, porque você sai da imparcialidade para a conversa, você sai da informação para o diálogo, para a interação, para criar essa comunicação com quem está te ouvindo. E parece que não, mas é muito diferente.

É uma característica das rádios, né, Vicky? Você vê, a Antena 1 é completamente diferente. O que eu ia dizer lá atrás é que eu acho que você está no lugar certinho, porque a Mix é muito isso, vai e se joga, né? Eu falo isso com muita tranquilidade porque eu escuto a Mix. Então, eu falo isso com muita tranquilidade. Adorei. Aliás, eu escuto a Mix todo dia. Você conhece a Giza aqui de São Paulo? Conheço, conheço a Giza, que faz com o Gui para o Mix tudo.

Com Guipo, mix tudo, isso. Mas conhece assim ou conhece? Ah, conheço da gente já ter se encontrado em Rock in Rio, em Detal, a gente já teve em alguns eventos assim, mas nunca troquei uma ideia tomando um café com ela ainda. Ah, entendi, entendi. Bom, enfim, eu ia falar pra você fazer a ponte, Giza, vem bater um papo com a gente. E é bom que ela tem o espaço dela também, né? Ela entra na roda e Giza, aí dá pra fazer o bem bolado.

É verdade, ela tem um podcast agora. Ela tem um podcast. Não sei se ela vai querer a gente ir lá, mas enfim, né? Tudo certo. Podemos estragar tudo, né? Podemos estragar tudo, enfim. Você estava falando aí da Nayara fazendo mestrado, é muito professor aí por perto, né? Tem um monte de história com professor na sua vida. Coitada da Nayara, ainda dá tempo de desistir dessa história de mestrado. Isso aí é loucura. Mas eu queria te perguntar, na verdade eu não quero te perguntar, eu quero que você conte uma outra história que tem um professor do mundo.

que salvou vocês de um atoleiro, numa caçamba, lá em Minas, na Serra do Garrafão.

Ah, essa história é muito boa, cara. Mas essa história aí, olha, tem tempo. Não tinha nem um smartphone. Tinha celular na época, mas não tinha um smartphone para documentar isso. Mas eu passei uma parte da minha infância, algumas férias, alguns períodos de férias na Serra do Garrafão, em Minas Gerais, que é minha melhor amiga. Minha amiga de mais tempo de vida. Eu conheço ela desde que eu tenho quatro anos de idade. Então, eu realmente nem me lembro. Eu não tenho memória sem ter essa amiga na minha vida.

E o pai dela tem um sítio lá em Itamonte, em Minas. E aí a mãe dela perguntava pra minha mãe, ah, a gente pode levar as crianças? Que aí era eu e meu irmão. Então, íamos nós cinco no banco de trás da pageira da minha amiga, e mais ela e os dois irmãos dela, entendeu? Então, eram cinco crianças atrás e dois adultos na frente.

E assim a gente ia pra Minas saindo aqui do Rio. Às vezes a gente demorava cinco horas, sim, mas a gente já demorou doze também, por causa de trânsito, porque a estrada é de terra, porque pode chover, porque pode, pode, pode a gente ficar parada no meio da estrada. E foi isso que aconteceu. E uma dessas possibilidades foi que a gente atolou.

E aí não tem sinal de celular. Então eu lembro que antes da gente subir a serra, a gente ligava pros nossos pais e avisava, ó, a gente vai subir a serra, daqui a cinco dias a gente se fala, sete dias a gente se fala. Beleza. E aí, no meio da estrada, atolamos, vamos fazer o quê? E a gente atolou com uma pajero. Você pensa, qual é a possibilidade de zero a dez? Na minha cabeça, a vitória era zero. Zero.

E aí, bom, a gente ficou ali até que passou um cara com... Não sei qual é o nome daquele carro que tem dois bancos na frente e uma caçamba atrás. Pô, eu vou ajudar vocês, não sei o quê. Aí a gente, beleza. E aí ele botou a gente sentado na caçamba, que era onde tinha espaço.

E a gente foi sentado na caçamba. Eu tinha um celularzinho LG, que não era smart, como eu falei. Mas eu tenho esse... Não sei se eu tenho esse vídeo em específico, mas eu tentei naquele dia documentar o que estava acontecendo. Então, eu comecei a gravar. E olha que loucura, eu devia ter uns... Sei lá, 12 anos, no máximo. É...

Até menos, eu acho. Enfim, por aí, 10, 12, vamos jogar por aí. Eu, naquela época, nem sonhava, não pensava, vou trabalhar com comunicação, ser jornalista, e me dando a tele, vou documentar isso aqui, estamos atolados, vamos contar essa história.

Então, esse vídeo hoje, ele não tem som, eu tenho ele no meu HD, eu não tinha conseguido recuperar o som dele, mas tem as imagens lá meio tremidas, e que a gente pegou carona com esse cara, e ele foi contando a história, que ele era professor de matemática, eu não lembro detalhes, mas ele estava achando tudo o máximo, eu estava morrendo de medo, sentada naquela caçamba, porque eu era muito zoada quando eu ia para a serra, de menina da cidade, e aí falavam que, porque a minha aparência é um pouco de Barbie, né?

Só que eu sou zero Barbie, zero patricinha. Só que aí era menina da cidade, menina da cidade, menina do Rio de Janeiro. E eles me zoavam assim, a Bess. E aí ele ficava dirigindo lá e contando as histórias dele, achando tudo o máximo. E a menina da cidade morrendo de medo, segurando na cação. Era a diversão, né? Mas é uma boa história, boas memórias. E, poxa, eu tive uma infância muito feliz. A galera achando que você era da Zona Sul igual o Serginho, você lá da Zona Norte, né?

Claro, eu sou da Tijuca, da Zona Sul, da Zona Norte. Imagina. Tijucano, Paulo Eduardo. Tijucano é insuportável, Paulo Eduardo. São saídas como é que eles são. Mas tem uns tijucano insuportável. Bom, cara, Erasmo Carlos, Tim Maia, tem uns tijucano. Cara, mas lá é impressionante como é que tem essa nata de música e tudo mais. Tijuca é surreal, cara. Você começa a pegar a história da Tijuca, você vai tocar, depois você fala, cara, tudo vinha de lá. É muito louco.

Cara, Tijuca, olha, a gente é chato mesmo, entendeu? Tijuca não tem defeitos. E aí o pessoal fica botando uma pilha, falando assim, por que choras, Leblon? Estamos aqui na Tijuca, Tijuca tem tudo, só não tem praia. O resto tem, entendeu? Você sabe o que eu acho muito louco, Vicky? Olhando do lado de cá, aqui de São Paulo.

Eu acho que os tijucanos são os únicos aí do Rio de Janeiro que falam, nós somos tijucanos. Eu não vejo, por exemplo, o pessoal que nasceu no Leblon falando, não sei nem como é que chama quem nasceu no Leblon, mas tijucano tem orgulho disso, né, cara?

É uma coisa meio doida mesmo, né? É quase que uma religião, assim. É engraçado, porque eu estudei na Ilha do Governador, que é um outro bairro aqui do Rio, também da Zona Norte. Mas que ele tem uma distância considerável, porque é uma ilha, então você tem que atravessar a linha vermelha, que é uma via expressa.

pra você ir pra Ilha do Governador, que é próximo ao aeroporto internacional. E aí os meus amigos lá da ilha, a galera da ilha também é uma galera assim, fiel. E aí fica aquela coisa, eles de um lado e eu do outro, e eles ficam lá, vem a Vitória falando da Tijuca, que a Tijuca é isso, é aquilo. E eu falei, vocês conseguem viver na ilha de vocês sem vir pro centro do Rio, sem viver a outra vida? E a gente fica nessa aí um bom tempo.

Aliás, você falou que você saía da Tijuca e ia para ele estudar. Eu sei que você pegava dois ônibus, seis horas da manhã, e você já ia ouvindo a Mix, né?

É, exatamente. Nessa época não existia Spotify, nem nada disso. A gente tinha bastante... Digo isso porque, cara, apesar de eu trabalhar em rádio, eu tenho noção que cada um tem suas preferências. Tem gente que escuta rádio no carro, tem gente que escuta rádio no fone, tem gente que escuta Spotify e tudo bem. Eu escutava o rádio do meu celular com um fonezinho e aí eu ia ouvindo o baú da Mix, porque eu fazia um trajeto de quase uma hora aí, né?

Uma horinha eu chegava na ilha. Você contando o tempo de esperar o ônibus, pegar o ônibus e tal. Mas eu ia no contra-fluxo, porque o fluxo é todo da ilha pro centro do Rio. Eu ia da zona norte pra ilha, então eu não pegava muito trânsito. Mas eu ia ouvindo. Meu irmão sempre tava de fone de ouvido. Eu acho que eu peguei isso até um pouco do meu irmão, parando pra analisar friamente.

Eu comecei a ouvir porque eu via meu irmão ouvindo e aí eu ia pegar o meu fone e eu via também. E a rádio que eu mais gostava das músicas, que eu achava mais legal assim, era a Mix. E aí eu ia ouvindo a Mix, eu ia ouvindo o baú da Mix e ia para a escola. E aí você falou do seu irmão e veio outra coisa na cabeça. Você ainda acha que ele é inteligente e você é legal?

Cara, olha, esse daí é um problema. Meu irmão é uma pessoa muito inteligente. Meu irmão é professor também. Falando que eu tenho uma admiração imensa, né? Minha mãe é professora. Minha mãe é formada em letras. E ela deu aula de português e inglês até que ela tivesse os filhos e tal. Mas a formação da minha mãe é em letras, né? Meu irmão está fazendo um pós-doutorado. Então, assim... É...

É isso, sabe? Ele é pesquisador, ele é professor, então ele é realmente uma pessoa muito inteligente, muito conceitual, e eu acho que, assim, eu sempre fiquei, como é que se diz, assinando embaixo de um discurso padrão, né? De que a pessoa inteligente é essa pessoa que conquista...

Enfim, notas boas, bons resultados em termos do que se é esperado em provas, em avaliações. E depois eu entendi que existem diferentes tipos de inteligência, sabe? Então hoje eu consigo reconhecer várias coisas positivas e inteligentes que fazem parte de quem eu sou.

E outras que não, eu não tenho todas as aptidões, sabe? Mas quando eu era mais nova, eu tinha dificuldade de enxergar isso. Eu achava que eu tinha que ter a aptidão de tirar 10 em tudo. E isso daí eu nunca fui capaz mesmo, nem de tirar 10 em uma coisa que dirá em 10 coisas. Ninguém é, ninguém tem esse monte de aptidão em tudo. Eu queria falar dessa coisa que a Vicky falou um tempo atrás, sobre a importância da voz da locutora em relação a nós ouvintes, né? A gente trouxe aqui a Adriana Rimmer.

Que legal, irada. Então, a Adriana, quando ela começou a falar, eu literalmente me teletransportei, porque eu sou da geração, da mesma geração dela, e eu ouvia a rádio 24 horas por dia, eu uso fone de ouvido desde que eu tenho 20 anos de idade, os antigos walkman da vida, mas tipo assim, é surreal como é que é importante aquela coisa que você estava falando, de você ter a entonação utímpica, ter um lado artístico na voz.

porque tem programa, eu ouvia Antena 1, Transamérica, às vezes a imprensa que tinha umas musiquinhas lá, os Mela Pueca da noite, que a gente ficava ouvindo, e Rádio Cidade que veio depois, que depois passou a ser a minha principal, embora a minha rádio preferencial era a Rádio Fluminense, a maldita, que era uma coisa assim que triste ter acabado, porque onde nasceu todo o nosso rock, nasceu dali, né?

Então, basicamente, o que eu quis falar é por causa dessa coisa da importância realmente da voz. Como ela começou a falar aqui, eu falei, caramba, eu tô conversando com a Adriana Rieber, que eu ouvia quando eu tinha vinte e poucos anos. Então é muito louco como é que você vai marcar gerações aí com a tua voz, né? É uma coisa muito louca.

É, pois é isso. Pra mim também, às vezes, é um pouco difícil, assim, de assimilar. Quando eu conheci, eu conheço, assim, por telefone, né, por Instagram e por mensagem, a locutora que eu ouvia quando eu ia pra escola, que é a Ro, que foi locutora aqui da Mix por muitos anos. Hoje ela mora na Alemanha, ela é DJ, ela grava, assim, sinistra, brava, brava, brava, e ela foi, assim, colega dos meus atuais colegas. Então é muito doido, assim, eu falo, caramba, eu tenho...

ouvir a voz dela me faz voltar para essas lembranças que resgatam essas minhas memórias afetivas de tudo que talvez eu conheci de música. Se eu fui no The Town e tive uma experiência do Neo, de lembrar do meu fone de ouvido, da Mix, da locução, da Rô, de eu indo para a escola e tal, é porque a Mix fez parte da minha formação musical e porque essa locutora...

conduziu esse processo também de falar sobre essas músicas, de criar essa relação comigo, de ser a minha companhia no meu ir e vir. Então, eu acho que a voz, ela tem esse poder, a nossa voz que está no rádio, no caso, ela tem esse poder de conectar as...

emoções, assim, né, de conectar as lembranças, as memórias afetivas, como eu gosto de dizer, então, realmente, é uma coisa muito, muito incrível, eu não tenho muita noção, confesso, assim, da dimensão disso, mas eu fico muito feliz com as mensagens que eu recebo, eu fico muito honrada, assim, de poder estar nesse lugar e saber que chega pras pessoas mesmo com carinho, com alegria, é muito bom, é muito bom, realmente.

Não, é surreal, porque a Adriana começou a falar, inclusive, dos personagens que ela... Porque a Adriana é muito louca, né? Não sei se você já teve oportunidade de conversar com ela. Ela era muito louca desde essa época. Então tinha um monte de brincadeiras dentro da rádio, principalmente acho que foi mais na cidade. Não lembro se foi mais na Transamérica ou na cidade, que ela falou que ela criou uns programas. Eu ouvi as duas, então nunca me lembro de qual das duas exatamente que eu me prendia.

mas tinha uns programas que ela criava, que ela criava personagens, então a galera era enlouquecida, os james eram muito loucos, que hoje eu acho que eu não vejo tanto isso nas rádios, é descontraído, é assim, eu não estou mais com o hábito de ouvir rádio, para falar a verdade, vou confessar, eu sou da geração que meio que perdeu, porque eu ouvia no carro e eu ouvia em casa.

E depois eu meio que fui perdendo um pouco isso de... Sei lá, eu sempre fui muito esquisito. Eu sou da geração da fita, então de gravar... Minha playlist era a fita, né? Então é uma outra vibe também. Mas eu acho que foram gerações diferentes. Eu acho que essa geração da Adriana e tal...

Foi uma geração muito marcante no rádio. Eu acho que era de maneira geral, assim, que eu acho que é uma coisa até que são muitas histórias que eu escuto nos corredores, que eu escuto quando eu conheço as pessoas. Nossa, mas foi uma geração muito louca. A gente se divertia muito fazendo isso. Era todo mundo muito doido e tal. E eu acho que realmente foi uma geração e foi marcada por esses personagens que a gente conhece do rádio.

E foi uma geração também que, onde se ouvia muito rádio, realmente, era o boom da coisa.

E é isso, sabe? Que bom que tem todas essas histórias e que bom que tem toda essa galera que, como eu comentei lá no início, né? Essa galera que veio antes e que mostrou todo esse potencial que a gente consegue entregar e que hoje as pessoas entregam esse potencial em áudio, mas de outras formas também. Eu acho que tudo virou complementar. Então, se você escuta um podcast ou se você...

assista um programa de televisão que ele tem característica radiofônica se você, a gente está aqui num videocast mas eu tranquilamente posso somente escutar, então é um videocast com característica radiofônica, então toda essa galera que fez todo esse movimento lá atrás, é responsável por todas as formas de se criar conteúdos de se produzir conteúdo, não importa se tem o vídeo ou se não tem tem característica radiofônica e aí

E aí acabou, matou aí a qualidade da coisa. O Serginho está falando de fita e coisa antiga, e eu estou lembrando aqui, eu queria saber se seu pai ainda tem o Jurássico.

Tem o Jurássico. O Jurássico está na casa do meu pai. Está lá o 3 em 1 dele, lá guardadinho. Os vinis também. Ele não tem muito. Ele não tem uma coleção de vinil, assim, mas ele tem alguns ainda guardados. Nesse 3 em 1 tem a gavetinha lá de fitas. E ele tem gravação de quando ele escutava Antena 1 e tocava a música que ele queria. Ele tem a gravação, entendeu? Tudo isso está lá e está funcionando.

Meu pai muitas vezes me escuta na rádio colocando no Jurássico. Ele vai lá na bolinha e aí o cursorzinho anda para um lado, anda para o outro e ele vai tentando lá... Tentar chegar lá na 102.1, isso aí. Na bolinha. É, não sei o nome da bolinha, puxa vida. É eu. Agora me pegou, agora me pegou. Eu também não sei.

É, faz a sintonia, mas também faltou no nome do botão, qual é o nome daquela rodinha. É, é a bolinha, Serginho. É a bolinha. É, não sei, pra mim é o sintonizador de frequência, de dial, alguma coisa por aí, mas não sei o nome da bolinha, não sei. Ajuda dos universitários. Agora, essa do pai dela é sensacional, porque a gente fazia isso, a gente ficava ouvindo na rádio e como a gente não ia comprar, às vezes, um vinil ou coisa e tal, a gente ficava com a fita pronta pra dar rec e pra gravar o que tava rolando na rádio. Era assim que a gente fazia o...

A pirataria da época. A playlist, né? E rezava pro loutor não falar, né? Pra não atrapalhar. Isso que eu ia falar agora, pra não dar aquela... Eu ia só a Vicky no meio da música. E puta, fudeu a gravação. Fala, porra, Vicky. Que sacanagem. Pô, vai lá comer um biscoito, cara. Não fala no meio da música, não. Vai comer um biscoito, não. Uma bolacha, pô.

Nem alimenta, Vicky, não alimenta isso não. Ô Vicky, vamos de bastidor, eu acho que bastidor é legal. Eu quero voltar um pouquinho, lá na época da Antena 1, eu queria que você falasse para a gente das dicas que o Tony Sonoplasta te dava.

Poxa, muito legal, cara. O Tony virou um grande amigo, assim. E o Tony... Na verdade, assim, tem a Cláudia que me ensinou ali a mesa. Tem a Suzana, que foi a pessoa que era coordenadora artística da época, que falou, não, a Vicky vai entrar no ar a palavra...

Quem dava era ela, coordenadora. Teve a Jones que me treinou, beleza. Mas tiveram duas pessoas que foram lá no ouvido da Suzana e falaram assim, Ei, ei Suzana, você já prestou atenção nessa jornalista? Ei Suzana, essa menina vai ficar bem no ar. Ei Suzana, dá uma olhadinha. Que uma dessas pessoas é o Tony e a outra é minha grande amiga de vida também, que é a Ludovani.

E o Tony, ele já ia plantando essa semente, ele tinha reparado de alguma forma no meu jeito de falar, na minha voz. E assim que eu tive a oportunidade de sentar ali, o Tony, ele vinha assim. O Tony é uma pessoa que fala baixo, fala calmo. Então, ele só vinha e falava, Vicky.

Presta atenção, assim, só pra você não deixar a frase cair. E ninguém ouvir a última sílaba, fala até o final. Ó, agora faz com calma, para, ponto, faz de novo. Tranquilo. Ó, não precisa gritar no microfone, pode falar tranquila. Vai tentar de novo. Faz assim. Aí depois eu ia...

Atrás da mesa dele, olhava lá quando gravava, e aí ficavam todas as... Toda aquela frequênciazinha do som ali, ele falava, ó, tá vendo? Aqui, aqui. Então, se você falar mais assim, mais tranquila, né? Sem projetar tanto, hoje falando em termos mais técnicos, mas sem gritar, vai ficar mais fácil. Eu sei que tem um nervosismo, mas tenta falar mais calma, dá uma respirada e tal. Então, o Tony, ele era essa pessoa que vinha com calma, falando pouco, mas falando o essencial, e principalmente que era o que eu conseguia atingir naquela época.

hoje eu faço fono, já faço fono há dois anos, eu tenho esse acompanhamento profissional, já fiz curso de oratória eu fiz o próprio curso de locução e aí é uma enxurrada mesmo de cobranças assim, que o lugar onde eu estou hoje me permite ter mas naquela época o Tony podia ter falado qualquer coisa, sei lá, imposta a sua voz pra ela ficar melhor, mas não

O Tony, ele me dava as dicas dentro do que eu tinha capacidade de fazer naquela época. E sempre me jogando pra cima. Ele nunca falou, ó, mas você ainda vai chegar lá. Não, Vicky, o que você faz é bom. O que você faz tá bom, tá ótimo. É isso. Agora ajeita ali, ó. Cuidado com aquilo.

Presta atenção nisso. Então, eu diria que se eu tivesse começado de outra forma, em outro lugar e que não fosse com o Tony, com a Lu, com a Suzana, com a Cláudia, com a Nayara, com a Eulina, se não fossem com eles, talvez eu não teria chegado no lugar que eu estou. Porque ali eu não tive a enxurrada de...

de negatividade, assim, que ia me deixar numa inércia, sabe? Foi tudo que você tá fazendo é legal. E eu olho pra trás hoje e falo, meu Deus, olha como é que era. E ninguém pra me falar tá passando vergonha. Pelo contrário, eles falavam que tá tudo muito legal, sabe? Então, sou...

Cara, muito grata. São meus amigos. Meus amigos mesmo. Eu volto lá na antena, a gente toma cerveja na mureta da urca, a gente sai pra ir a show junto. São meus amigos. Meus amigos mesmo, assim. Conhecem minha família, meu pai, minha mãe, minha filha. Conhecem todo mundo. Ô Vic, e por acaso foi ele... Só um segundo, Serginho, porque tem a ver. Por acaso foi ele que falou pra você, ô Vic, a hora que você errar, você não precisa fazer pfff. Foi ele?

Não me lembro se foi ele. Eu não me lembro se foi ele. Como é que você fazia? Faz aí pra gente. Cara, às vezes eu tô gravando, sei lá, tô olhando alguma coisa. Aí, não sei. Ah, hoje a Blitz Mix estará na rua Professor Gabizo. Não. Professor Eusebio. Não, pera. Eu sozinha assim, fazia um...

Qualquer coisa. Isso quando não é um palavrão, como a gente estava falando no off aqui. Eu sou carioca, então às vezes é pô, caraca, de novo, não. Pode falar, caraca não é palavrão, pô. Pô e caraca? Ou seja, é assim que carioca fala palavrão? Pô e caraca? Não, é porra e caralho. Porra, errei de novo, cacete.

É mais ou menos por aí mesmo Acho que foi ontem Eu tava aqui gravando nesse estúdio de gravação que eu tô Tô num estúdio de gravação da Mix Acabei não comentando isso ainda Como eu acabei de sair do ar, eu peguei um cantinho aqui Pra gente poder gravar E aí eu tava gravando ontem com o operador de áudio Ele botou pra gravar, ele vai, Vicky, beleza Aí teve uma frase Que eu dei uma empacada assim Dei uma empacada, teve uma hora que eu dei um tapão na mesa Caralho Aí eu falei Pera aí Eu tô num bom lugar

Aí, respirei. Falei, podemos gravar de novo. Aí, voltei. Agora sim, pô. Mas é, cara. Mas, cara, gravar é muito bizarro. Quando você empaca numa palavra, que às vezes você come uma letra e tudo, e que a parada você repete e você erra no mesmo lugar. Aí, só mandando um caralho, porra, não é possível.

Não, porque aí parece que tu desopila, né? Aí você, agora tô leve. Outro dia, o estagiário me filmando aqui pra um vídeo que a gente ia colocar em rede social, aí a gente tava gravando, aí eu empaquei lá numa frase, que ele me deu um texto desse tamanho e falou, te grava num take só. Eu falei, lindo, sem TP. Como assim? Decorar? Calma aí.

calma aí, aí eu falei, deixa eu passar aqui, peraí, aí a gente foi, passou a primeira, rolou, falei, mas vamos fazer uma melhor, mais redondinho, acho que dá pra caprichar, vou focar no sorriso, que aí a gente foca em decorar o texto, esquece que se tem imagem, tem que focar no sorrisinho, tal, aí beleza, daqui a pouco, eu empaquei, empaquei, não saía, aí eu comecei a me sacudir, falei,

Pronto, podemos ir de novo. Era só para dar uma desopilada, só para dar uma soltada no corpo, agora vai fluir, porque você fica naquela energia ali. Ele mesmo falou, ele, Vicky, do nada você foi aumentando o seu tom de voz, aí eu falei, repara que meu queixo sobe, aí eu vou ficando meio travada assim, é a hora que você tem que soltar. E o palavrão, ele ajuda a gente soltar isso, né? Para a gente poder retomar e fazer de novo melhor. Ô estagiário, cadê o meme?

Queremos o meme disso, estagiário. Ai, olha, ele falou, eu quero fazer um corte só dessas coisas. Eu falei, ah, fica à vontade. Cara, eu tenho zero problema com isso, zero. Falei, fica à vontade, pode fazer. Aí ele me mandou algumas coisas, a gente ia fazer um vídeo. Eu acabei fazendo um post e aí eu botei só uns pedacinhos, né? O pedacinho que eu apareço assim, o pedacinho que eu apareço assim. Os palavrões eu confesso que eu não botei em rede social assim, né? O Instagram não me cancelar. Eu boto, eu boto.

Eu falo palavrão lá, de boa. A gente tem mandado vários. Tem mandado vários lá. Por palavrão, a gente não foi cancelado, não. Vamos ver. Tá vendo? Esse ainda é o lado da Vitória. Sabe esse lado da Vitória lá? Muito responsável, muito certinha, muito preocupada. Ele ainda dá uma pitada de vez em quando aqui, entendeu? A Vitória Rosa Cruz ainda prendendo tudo. A Vitória Rosa Cruz. É isso. É isso aí.

Agora, você está falando essa coisa da altura da voz, Paulo Eduardo, em estúdio. Quem nunca entrou numa cabine de locução, vocês não têm ideia de onde é que é uma cabine de locução, porque a parada é um silêncio. E se você não tiver um retorno, você não se ouve. Então, para você acertar o teu... Se você está falando alto ou baixo, você não tem a melhor ideia, porque você não se ouve. É uma coisa muito bizarra. Eu tive uma experiência, Vic, no palco da MTV.

Quando eu ganhei um VMB, tá? Porque eu vou tirar onda contigo agora. Que irado! Aí eu tava no palco lá do VMB, e aí o Mion, acho que era o Mion na época, rapa, agradece aí, papai. Só que eu não ouvia eu falando. A sensação que eu tive foi tão bizarra. Eu falei, gente, eu tô no palco, como é que eu não consigo me ouvir? Eu não me ouvia.

Então eu não sei o que eu falei, eu tenho a menor ideia do que eu falei. É muito louco. Mas isso é muito louco, porque são duas coisas, na verdade, né? A primeira, a gente não se ouvir é muito louco. Vou dar um exemplo. A beira do palco mundo do Rock in Rio. O Alok tava no palco, aí a gente tava com a equipe de web fazendo story pro Instagram da Mix. Beleza, aí eu peguei o microfone e comecei a falar e tamo aqui, Alok tá no palco. Rock in Rio, papá. Quando eu cheguei no estúdio que eu fui assistir,

Aí eu, caraca, gritei pra caraca, pra quê? Mas eu não fazia a menor ideia. Um barulho, as pessoas gritando e tudo mais. Então, tem esse ponto da gente não se ouvir se a gente estiver num lugar de muito barulho. Tem o ponto da gente não se ouvir quando a gente tá num estúdio. E também a gente aprender a falar.

Se ouvindo no estúdio somente você e a sua voz, isso não te atrapalhar, é um ponto. E você se ouvindo no ar é outro ponto, porque aí é o ao vivo, aí é a trilha embaixo, aí é o volume da trilha, aí são os comandos de operação de mesa, e aquilo dali, no início, por exemplo, eu usava só um lado do fone, porque eu me perdia com a trilha, a minha voz, aí depois eu falei, vou prejudicar a minha audição, comecei a trocar o lado do ouvido. Aí eu falei, tá, mas agora eu já criei uma mania, que só funciona desse lado.

Aí eu falei, bom, para, eu tenho que aprender, eu tenho que ser profissional, eu tenho que usar o retorno, o retorno vai me ajudar. E aí comecei a dar uma forçada de barra ali, e hoje em dia eu só consigo fazer com fone, e raríssimas vezes eu já experimentei fazer sem, e aí eu percebo como é que a minha projeção é muito mais alta, sem nenhuma necessidade, como é que a minha voz acaba atravessando o microfone ao invés de ser colocada no microfone.

Então, assim, é um processo, e é muito doido mesmo a gente não se ouvir. Influencia muito.

É muito difícil, cara. Eu vou te falar que eu fico meio louco com isso. Eu acho meio bizarro. Vai lá, pode entrar. Mas isso é meio comum quando você assiste, por exemplo, você falou aí do The Town. Você assiste na Multishow?

Tem muitas das pessoas, das profissionais e dos profissionais que estão trabalhando lá e estão gritando. Deve ser isso aí que você está falando, porque o cara não tem a menor noção. Se o retorno não tiver legal, se você não estivesse ouvindo legal, nesse caso eu fui para o meio da galera sem retorno, sem nada, só gravamos ali, porque aí era fogos, era lock, era tudo e vamos gravar. E aí a gente percebeu como é que, cara, muito legal, vamos gravar e tal, mas o retorno é muito importante para não correr o risco de...

gritar, porque é uma tendência a gritar e não ficar agradável pra quem tá recebendo a mensagem, né? Pra não ficar aquela coisa do... Ai, peraí, o que essa garota tá gritando no meu ouvido? Mas uma coisa legal que você falou, se você não tiver acostumado com o retorno, você se perde, né? É, também, também. Porque você se ouve, né?

Exatamente, é isso, é muito louco, né? É difícil com ele, é impossível sem ele, e é realmente uma coisa de você usar ele a seu favor pra você também poder ficar confortável. Imagina você cobrir um festival, gritando por quatro, oito horas, não tem voz.

treinada, não tem voz que faça exercício de fono todo dia que vai resistir também. É o nosso instrumento, né? Então, a gente ter todos esses recursos é o que também dá saúde pra gente poder fazer uma maratona, como é um Rock in Rio, um Deta, um Lola, enfim, por aí vai, né? E ela ainda tem uma parada, Paulo, Eduardo, essa coisa do retorno, porque ela é jornalista. Aí você pensa o seguinte, quando você tá com jornalismo...

Você vê que olha o programa de jornalismo, você vê direto. Você vê que quem tá coordenando normalmente, que é o âncora do programa, você vê que a pessoa de vez em quando ela tá umas bugada. Na real não é, que tem um diretor que tá gritando no ouvido dela, não corta, já tá com tempo demais, corta esse... Cara, então ela tem que coordenar o que ela tá... E às vezes ela tá no meio do raciocínio falando, aí vai um diretor maravilhoso, fala assim, teu tempo tá acabando, resume logo esse assunto...

E aí te quebra, porque você tá falando, você tá ouvindo. É muito louco, é que nem tocar bateria.

É, eu nunca trabalhei com um retorno dessa forma, né? O máximo que eu já trabalhei é o retorno da mesa, e no caso do Rock in Rio, por exemplo, que a gente está em transmissão ao vivo, da minha coordenadora do estúdio, minha coordenadora aqui da Mix, ela está passando os comandos enquanto a gente está ali no ar. Então, ela falou, olha, chegou uma pessoa que a gente chama do na rua, né? Chegou um povo fala, chegou...

uma entrevista de backstage, e aí você tá ali na transmissão, e ela tá aqui falando com você, ó, chegou a entrevista, tá na pasta, e você tá rolando a transmissão aqui do Iron Maiden, uau, showzão e tal, e nisso você tá ali na pasta, aí nisso você joga pro comentarista começar a tocar o barco, enquanto você tá programando a entrevista que vai entrar, então ela tá falando aqui, você tá ouvindo o som do cara também.

Porque eu tô com... Ele tá no ao vivo, então eu tô no retorno, vendo se tá tudo ok com a minha mesa de áudio. Tô buscando a entrevista que vai entrar, que já tá na pasta, que o operador de áudio já deixou. E aí, daqui a pouco, você... Então, beleza. Tudo que você falou foi muito interessante. O show continua e agora vamos com fulano, direto de tal lugar. Cara, nem eu sei te dizer como é que eu fiz. Não sei.

É bizarro, cara. É muito louco. É por isso que a gente fala que ninguém é normal nessa área do audiovisual. Tô mentindo? Tem como. Cara, quando você entra numa ilha de edição, eu tô acostumado eu tô falando, mas eu tô acostumado com isso. Você tem lá três monitores passando cada... Tá material em tudo, você tá selecionando material pra você botar no teu material. Cara, é uma parada muito louca, porque tudo meio...

É por isso que eu falo que eu sou multitask, porque você faz um monte de coisa ao mesmo tempo e você, afinal, é que nem a Vicky falou, você não sabe como você fez, mas a parada sai, é muito louco, é instinto. É muito doido. E é uma adrenalina que a gente gosta, é tudo muito louco, eu estou exausta, nossa, amanhã tem mais, que delícia. Eu acho que Vicky é perfeito para mim, que não dá para ser Vitória Rosa Cruz, mas teve uma época que o Apolinho transformou seu Rosa Cruz num sobrenome só, né?

Pois é, teve essa época, né? A Tupi foi minha primeira rádio, tirando a rádio da faculdade que eu fiz, com um amigo que hoje também trabalha em rádio, que me ensinou a gostar, foi ele que abriu as portas e falou vem aqui fazer a rádio da faculdade. Então essa foi a minha primeira rádio, foi a rádio da faculdade, mas a minha primeira rádio comercial, rádio mesmo, fora do ambiente universitário, foi a Tupi.

E assim que eu entrei lá, na época tinha um direcionamento artístico, a diretoria artística dava o direcionamento de como é que as coisas iam acontecer. Cheguei lá no meu primeiro dia, oi, tudo bom, tudo bem, beleza? Fala lá pro fulano. E aí, fulano, tranquilo, tranquilo, ó, você vai assinar sempre da redação Vitória Rosa Cruz. Aí eu...

Por quê? Ah, porque a gente acha que fica legal. Falei, ah, beleza. Até então, eu falava Vitória Rosa e tal. Não por conta de rádio, mas assim, qualquer coisa. Ah, escrevi um texto. Na época, a gente tinha blog na faculdade. Assinava Vitória Rosa, Vitória Rosa. Sempre fui Vitória Rosa. E aí, virei Vitória Rosa Cruz por causa da Tupi.

E foi meu nome todo. E aí eu fiquei sabendo depois que o Apolinho, um belo dia, perguntou por que essa estagiária tem dois sobrenomes se todas as estagiárias têm um nome só? E aí alguém virou para ele e falou, você pode falar a Vitória Rosa Cruz.

E aí fica uma coisa só. E aí nisso, o meu coordenador lá do meu horário, que hoje é um baita repórter apresentador da Record, que é o Marcos Marim, aí ele ficava me zoando com isso. Ele, Vitória, rosa criste, vem aqui na minha mesa, por favor. Vitória, rosa criste. E aí tinha essa coisa, rosa criste, rosa criste.

E era, no fundo, uma brincadeira, assim. Eu vou te ser bem sincera, que pra mim, ele nunca falou. É uma história que rolava, e todo mundo assumiu isso ali na época, e acabou virando uma grande lenda, assim. Eu não sei nem se a Pauline sabe quem sou eu.

Eu não sei se ele vai lembrar, porque eu só fiquei seis meses lá na Tupi. Mas eu gostei, porque eu vi que, cara, no fundo, não senti desrespeito em nada. Pelo contrário, eu senti carinho, sabe? Em querer saber quem eu era, por que desse nome, porque tem maior galera que pergunta, pô, isso tem a ver com a ordem?

Rosa Cruz e tal. Eu, não, gente, é o último nome da minha mãe e o último nome do meu pai. É só isso, sabe? Então, acabou virando toda essa história com esse nome. E aí, dali, eu fui pra Antena 1, continuei assinando Rosa Cruz, porque aí já me conheciam como Rosa Cruz. E aí, fui pra Paradiso Rosa Cruz. Só que era natural. Qualquer interação que eu tinha no ar, qualquer boletim que eu chamasse, qualquer colunista que eu chamasse pra entrar no ar. E aí, Vicky? Boa noite, Vicky. Tudo bem, Vicky? Oi, Vicky.

Todas as pessoas me chamam de Vic, ninguém me chama de Vitória. Victória não existe, né? Ninguém chama, nem eu, nem minha mãe. Então, Vitória. E aí, Vitória, só Vitória, fica um nome também meio sério. Vitória Rosa não é. Vitória Rosa Cruz, muito grande. Sempre foi Vic, Vic, Vic, Vic. Cara, hoje em dia eu só falo, sou a Vic, a Vic da Mix. Aí tu sabe, sai e vai. É bem isso, né, Victória? Deixa eu te falar uma coisa.

Desculpa, tá tomando água, Sérgio. Que sacanagem. Imagina, aí Cospe aqui, vai ser muito engraçado. Ia ser muito legal. Vamos só dar nome aos bois, né? Você tá falando aí da Rádio da Faculdade, Conexão Faixa, com o Paulo Matos do Tim.

Putin, exatamente. Bom, Paulo Matos. Paulo Matos é o meu amigão de faculdade. A gente se conhece há 10 anos. E quando eu entrei na faculdade, eu fazia o núcleo artístico e cultural, que eu precisava de bolsa. E aí esse núcleo me dava 50... 50 não, 80% de bolsa e um auxílio passagem. Então era tudo que eu precisava.

Só que aí eu fui fazer um trabalho voluntário e adorava fazer aquilo ali e não via sentido em ficar no Nucleotístico e Cultural podendo estar no trabalho voluntário. E aí nisso eu já tinha conhecido o Tim, a gente já trocava ideia no parte da faculdade e ele falou, cara, vem fazer a rádio da faculdade comigo. Consigo te garantir 50% de bolsa, não tem mais o auxílio passagem, mas também você fica com a tarde livre para você fazer o seu projeto e fazer um trabalho aqui, outro ali, ganhar o dinheiro e pagar as tuas contas. Eu falei, pô, já é.

Aí cheguei lá e ele falou, ó, primeiro eu quero que você faça texto e tal, aí eu comecei a redigir texto em formato de rádio, texto todo em capse, barrinha, barrinha, tal, tal, tal, e fui aprendendo ali, e ficava olhando ele fazer a rádio da faculdade, como é que era e tal, até que um dia ele falou, pô, apresenta comigo, falei, beleza.

Bom, assim a gente fez a faculdade inteira. Eu entrei na rádio da faculdade no segundo semestre de 2014, primeiro de 2015, que foi até 2017. A gente fazia duas vezes por semana o Conexão Faixa, que era um programa rápido de...

assuntos do momento, assuntos da semana. A gente não ia para nada muito polêmico, a gente ia para umas coisas mais leves, até porque rádio de faculdade, faixa, faculdade da Zona Sul, Botafogo e tal. Então, a nossa intenção era ir por aí, às vezes divulgar vaga de estágio, ser realmente uma fonte de serviço, de informação.

E assim a gente fez a rádio da faculdade, saímos, nos formamos, e aí depois a gente agora vive se esbarrando aí no mercado de trabalho, nas rádios, e continuamos nos esbarrando nos bares ainda bem, né? Isso é importante. Vem, deixa eu mudar um pouquinho, Paulo. Após de meio ambiente, foi para você ficar com raiva do ser humano? O que a gente anda fazendo com a Terra?

A minha história com o meu ambiente, ela vem de sempre, eu acho. Eu sempre tive um quedo de achar... Eu tenho um trabalho de escola guardado, que era sobre aquecimento global e eu devia ter, sei lá... Aí nessa idade dos 10, 12 anos do caos da viagem...

eu fazia trabalhos assim, foram assuntos que sempre me interessaram, o contato com a natureza, essas próprias viagens pro mato, isso tudo sempre me despertou, essa conexão de entender o todo humano como parte do meio ambiente sempre me despertou muito interesse. Eu cheguei a cogitar em algum momento da minha vida fazer biologia por causa disso. Só que, cara, eu tenho medo de qualquer inseto. E aí a minha mãe falou que eu tenho medo.

Como, minha filha? Me explica. Se você vê uma barata e bate a porta de casa e vai embora. Me explica. Aí eu falei, realmente não dá. Então, eu sempre tive esse quê. Quando eu fiz a minha faculdade de jornalismo, eu fiz vários trabalhos voltados para sustentabilidade.

Eu me envolvi em projetos de sustentabilidade, esse projeto que eu fazia parte voluntária, ele era sobre mobilidade urbana sustentável. Então, de alguma forma, a sustentabilidade sempre permeou. E aí chegou naquele momento que eu terminei a faculdade.

Terminei o curso de locução, na verdade estava no meio do curso de locução e tal. Falei, cara, vou meter uma pós e aí se eu tiver que tirar um projeto do papel, vou ser especialista em alguma coisa, pelo menos. Não vou ter em nível prático, mas vou ter em nível teórico. E isso já vai me abrir portas de networking para eu conseguir galgar alguma coisa. Fiquei pensando em como é que eu ia tocar dali para frente.

E aí eu fui fazer a pós em meio ambiente também, porque eu queria, de alguma forma, entrar em contato com André Trigueiro, que era professor dessa pós em meio ambiente. Para mim, eu, cara, admiro imensamente ele, imensamente. E aí eu teria aula com ele, eu teria a oportunidade de ser aluna dele. E aí eu falei, cara, é nisso mesmo que eu vou, é essa pós que eu vou fazer. E essa foi uma etapa da minha vida, assim, insana, que de manhã eu abri a antena 1.

Sete horas da manhã, aí à tarde eu ia para o curso de locução, Antena 1, Urca, curso de locução Copacabana, e após graduação à noite no centro do Rio. E eu morando na Tijuca e a minha filha com menos de um ano de idade.

Mas eu sabia que aquilo dali, eu estava de alguma forma ali tentando entender para que lado que eu vou, o que eu vou fazer com tudo isso que eu tenho. Porque tudo isso me interessa, o jornalismo, os meus pilares, assim que eu enxergo, né? É o jornalismo, é a comunicação, enfim, me comunicar de alguma forma, a educação e a sustentabilidade, são coisas que me movem. Então, a comunicação para qualquer um dos assuntos, a comunicação como serviço.

E a educação e a sustentabilidade como coisas que eu acredito que são formas que a gente pode transformar a nossa sociedade para melhor. E eles estão sempre ali permeando, de alguma forma, os projetos que eu faço parte. Muito legal. O Trigueiro é sensacional. Como é que o Trigueiro mudou a carreira dele desde lá do início, porque o Trigueiro regula comigo de idade.

E, cara, o que ele mudou a carreira dele, assim, é absurdo. Como é que ele se aprofundou nessa coisa do meio ambiente mesmo? Impressionante. O cara é... Ele é sensacional. E ele não é raso, né? Ele não dá uma opinião assim... Ah!

sei lá, tudo vai mudar, vai chegando. Não, o cara, ele se preocupa em pegar uma referência científica e em traduzir isso para um público que não está preparado para uma fala científica. Ele consegue colocar isso de forma que a população de massa que consome, inclusive o veículo onde ele trabalha, que é de massa, o globo é um...

um veículo de massa, e ele consegue falar com as diferentes pessoas e tocar elas de alguma forma com essa informação traduzida em conhecimento. Então, assim, a admiração máxima. E foi incrível ser aluna dele. Sério, eu tive aula de geopolítica com ele e, nossa, ganhei livrinho autografado, tirei foto, fiz tudo também. Não, até porque a comunicação fica... A comunicação tá super difícil, né? Porque tá cada vez mais rasa nas redes, né?

você aprofundar um assunto numa rede social hoje é uma coisa impossível porque as pessoas não leem, se você escrever babou, que o amigo não lê e pra você falar você tem que pensar eu tô falando com e é gozado como é que as pessoas estão com dificuldade de entendimento

É porque hoje em dia tem apropriação de discurso, né? As pessoas querem consumir aquilo que vai validar a opinião delas. Então, quando você tinha pessoas que podiam colocar uma interpretação sobre alguma coisa, e aí você...

Olhar aquilo ali, ler, ver, analisar e pensar, pô, isso faz sentido, isso não faz. Dentro daquele outro ponto, daquele livro que eu li, isso aqui complementa. Então, você tinha um pensamento mais crítico. Hoje em dia, eu vou procurar ver ou acompanhar alguém que faz alguma coisa rápida e que valida aquilo que eu acredito como lei absoluta do universo. E aí, eu vou me juntar nisso aí e vou ficar nessa minha galera.

Então, eu gosto, por isso que eu gosto dessas pessoas que provocam a gente a pensar. Por isso que eu gosto de papos interessantes como esse que a gente está tendo aqui, de pessoas com diferentes vivências que vão trazer alguma coisa e vão te acrescentar. Você deixa um pouco de você, você leva um pouco da pessoa e, pô, a gente vai crescendo para o que a gente mais sabe fazer, que, pô, nós somos animais racionais. A gente está aqui para isso, né? Para criar conexões dentro de tudo que a gente vai aprendendo ao longo da vida.

Então, se as pessoas querem perder isso, elas estão loucas. Elas querem perder o que a gente tem de mais valioso, que é adquirir conhecimento. Cara, mas é muito louco isso. É muita informação e pouco conhecimento. É verdade. Mas o que é bizarro, Paula, porque esse gancho é legal. Porque, tipo assim, eu sou... É aquela coisa. Eu, Paula, a gente anda uma geração... Eu sou 10 anos mais velho que o Paulo, mas a gente é de gerações próximas.

Então, tipo, eu tô acostumado a sentar no bar com pessoas com cabeças totalmente diferentes e a gente trocar ideia. Ninguém vai convencer ninguém, mas é que nem você falou. É uma troca.

Eu vou ouvir dali, vou ouvir daqui, vou tirar o que ele acha legal e vou criar uma nova ideia, talvez, né? Formatar coisa na cabeça diferente. E as pessoas não querem mais isso. Hoje eu vi um cara comentando um post meu que eu falo sobre inteligência artificial, e o cara falou assim, ah, que legal que agora democratizou tudo e a gente não tem que engolir, não vamos forçar a gente a engolir tudo, um goelo abaixo. Eu falei, cara, tem nada com porra nenhuma que você tá falando.

As pessoas pegam as palavras, elas juntam na frase, as palavras do momento, né? Elas juntam naquela frase e jogam. Eu sempre fico pensando assim, poxa, será que ela entende o sentido dessa frase que ela escreveu?

Mas eu tenho um lado anárquico muito forte. Então eu vou fazer um vídeo sobre o tema para o rapaz entender que o que eu estou falando não tem nada a ver com aquilo. A minha preocupação... Ele não vai entender. Não, não vai. Eu sou totalmente a favor da inteligência artificial. Mas a minha preocupação é muito maior. O que essas big techs vão fazer com as novas gerações quando eles dominarem tudo? Eles estão dominando tudo. E o pessoal está achando que aquilo ali vai ser gratuito por reino da vida. Não vai. Isso vai ter uma cobrança na frente.

A coisa é muito mais profunda na minha visão. Eu posso estar falando uma pôr merda no mundo, mas a minha visão é que o poder é o quê? Conhecimento. É o que está mandando. A partir do momento que eu desenvolvo uma tecnologia de inteligência artificial e que eu vou dizer o que você vai consumir, aquilo ali vai ser alimentado pela minha tropa de técnicos, engenheiros, seja o que for, eu vou começar a criar uma moldura nova com uma geração que não quer mais estudar.

É uma geração que quer perguntar tudo para a Alexa da vida para ela responder para ele.

É uma geração que... Então, é esse o ponto, exatamente isso que você falou, que ela não está construindo ali um conhecimento, ela está só absorvendo informação, como o Paulo falou também, é só, ah, isso aqui, pô, isso aqui é roxo, beleza, aprendi que isso aqui é roxo. E aí, né? Mas não te interessa saber por que que você faz associação dessa cor com roxo?

E aí, por que você também reproduz que isso aqui é roxo? Então, é uma coisa que esse pensamento crítico realmente está escasso. Hoje em dia, validação de discurso. É preocupante e é isso. Você tem que escolher as batalhas que você quer comprar, né? As batalhas que você quer estar envolvido, porque não dá para entrar em todas. E é isso, a gente tem que meio que dar uma filtrada.

Não tem umas que eu gosto, vou te falar a verdade, que tem umas que eu gosto.

Mas tem umas que eu fujo. Tem umas que você fujo, imagina. Não dá pra comprar todas. Não dá, não dá. Tem coisa que é melhor você até pra saúde mental, porque senão você pira. Então, é, eu acho que isso daí, eu diria que isso daí é uma grande preocupação também, né? As pessoas saberem processar tudo isso. É muito difícil, eu tenho acesso a tudo, eu quero ter tudo, eu quero estar em todos os lugares, mas você nem consegue entender o lugar que você tá na sociedade hoje, meu amigo. Calma. Mas é...

Estar em todos os lugares, mas sem se aprofundar em nenhum deles. Esse é o problema, né? É sempre ali navegando no raso. É uma assustadora. Porque aí eu pergunto no chat GPT, ele responde para mim, eu reproduzo aquilo ali, aquilo ali passa a ser meu pensamento, daí vai, isso que está acontecendo na real.

É verdade. É verdade. E você não sabe nem fazer. Eu diria que o mais importante hoje seria saber fazer boas perguntas. Só que se você não tem um pensamento crítico, você não faz boas perguntas. Então, não adianta você ter o chat GPT à sua disposição se você não sabe fazer uma pergunta inteligente para ele. Eu vou além. Eu estou em sala de aula todo dia, Vicky. Dificilmente venha uma pergunta. Boa ou ruim. Não tem pergunta? Não tem diálogo?

Eu costumo dizer que dar aula hoje em dia no nível superior é um dos trabalhos mais fáceis que tem. Porque ninguém te questiona. Estou te falando na real, estou te mandando na real. É muito fácil, porque você fala e ninguém te questiona. Dos que estão prestando atenção, um ou outro de vez em quando faz uma intervenção. A grande maioria acredita que o diploma vai mudar a vida delas.

quando elas terminarem a universidade, e não se dão conta dessa questão que eu disse. É muita informação que não vai servir para nada do lado de fora. E o que é mais triste? E o que é mais triste? Lá na frente, dificilmente essas pessoas conseguem fazer uma autoanálise e perceber que a culpa é delas. A culpa é da universidade onde eu estudei, é do professor que eu tive. É surreal.

É, eu acho que ainda tem muita daquelas perguntas, né? Eu já escutei muito isso. Pô, mas aquela faculdade é boa? Aí eu falo, olha só, eu tenho discurso aqui, aquele discurso padrão, quem faz a faculdade é o aluno, meu amigo. Então, adianta você achar que você está na melhor faculdade ou na pior faculdade se você não vai querer estudar, se você não vai querer fazer networking com seus professores, se você não vai querer usar a biblioteca para você conhecer autores que você não conhece.

Assim, sabe? A pergunta é um pouco mais complexa do que ter o melhor ou pior, né? Eu vou te falar quais são as perguntas que eu mais ouço, tá? As perguntas que eu mais ouço toda semana. Professor, vai ter alguma coisa importante hoje? Professor, o senhor vai fazer chamada? Professor, é pra copiar? Professor, isso é pra nota? São as perguntas que eu mais ouço. Caramba!

Cara, isso é faculdade. É tenso. Isso é faculdade. Faculdade, eu dou aula no nível superior. Eu vou voltar lá pra Vicky certinha. Vicky que toda preocupada em ser certinha, às vezes não fala palavrão. É a Vicky Antena 1. Vicky Antena 1, né? A Victoria Rosa Cruz. E aí eu queria que você me dissesse como é que essa Vicky certinha, Caxias, nerd...

Como é que ela lidou com aquela entrevista lá na Sul América Paradiso, que você chegou atrasada porque o elevador, o número não correspondia ao andar? O 4 vale 5, o 5 vale 6.

Caraca, isso é muito doido. É a VIX certinho, isso aí é a VIX certinho mesmo. Imagina a auge da pandemia, sair de casa, de máscara, assim, aquele caos que era, tipo assim, botei a roupa, saí de casa, não vou encostar em nada. E aí eu vim pra cá, a paradisa do mesmo grupo que a Mix, né? Então eu vim pra cá pra Dial Brasil, que é a empresa. Em julho de 2020, tava no auge da pandemia. E aí...

Meu pai me trouxe na época, eu acho. Bom, cheguei aqui, apertei o botão que ela tinha falado pra apertar, a Márcia, meguice. E aí eu entrei aqui no elevador, entrei no rol do elevador, liberaram a catraca pra mim e subir, beleza. Aí apertei o botão. Eu não me lembro agora, você vê que eu acabei de pegar o elevador pra subir.

E eu não me lembro qual era o problema do número, que agora eu já vou no automático, mas eu acho que ela falou assim, aperto 3, sendo que pra chegar aqui, você aperta o 4. Você vai pro terceiro andar, mas o botão era o 4, é isso. Aí eu, beleza, fui lá, 3. Aí nada, cheguei um negócio todo preto. Aí eu falei, olha, eu já cheguei, mas eu, assim, eu não tô vendo a porta que você tá falando, eu não sei em que lugar do andar é.

Não, Vicky, mas... E a Megui disse assim, ela já vai falando, ela já me chamava de Vicky. Não, Vicky, mas você vai... Aperta aí o quarto, vai pro terceiro andar. É em cima do WeWork. Porque o WeWork são dois andares. Aí eu falei, beleza, no um é o WeWork, eu já abri aqui, quando abri o elevador era o WeWork, no outro também era o WeWork, e no outro é preto. É todo preto. Bom, a gente ficou nessa, aí ela me mandou um áudio muito bom, que era assim, na porta tá escrito, Dia ao Brasil.

Aí eu falei, tá bom Bom, aí eu testei o outro botão e cheguei Cheguei na porta e falei pra E aí eu não sabia como é que eu tinha que falar com ela Porque ela não tava exatamente na porta Tem uma entradinha pra depois você chegar no escritório em si

Aí ela chegou, abriu a porta pra mim, ok, tudo certo. Só que nisso eu cheguei atrasada. Eu nunca tinha chegado atrasada em nada na minha vida, assim. Em termos de trabalho, jamais. Uma pessoa mais caixias com horário profissional do que eu, impossível. Eu posso errar em qualquer coisa. Mas no trabalho era bizarro, assim.

Aí cheguei aqui, estava ela e o nosso operador de áudio, que é o Bonitinho, que por um acaso é a pessoa que está aqui hoje fazendo essa mudança de estúdio, que eu também dei uma comentada. A gente está em obra aqui e tem uma pessoa responsável técnica aqui dando uma mexida. E aí o Bonitinho estava aqui. Aí ela me conduziu a esse estúdio, a este microfone, a este lugar que eu estou exatamente aqui. Falou, olha, está aqui, toma aqui os papéis. Só você fazer a sua locução na hora que você quiser. Fica à vontade.

Tá bom, entrei aqui, peguei o papel. Aí falei, beleza, tinha pra desanunciar três músicas. Pra quem não sabe o que é desanunciar, é falar o que acabou de tocar. Que é uma palavra que não tem no dicionário, né? É uma palavra só do dicionário do rádio. E aí...

Era uma música internacional, duas músicas internacionais e uma música nacional e mais uma leitura de um texto, um texto jornalístico. E aí eu peguei isso e falei, olha, pode ser já, já? Pode. Então eu fui batendo o texto todo, peguei uma caneta, anotei, barrinha, destaquei as palavras mais importantes e aí eu fui olhar o nome da música do Elton John.

E eu nunca sei reproduzir ela, tá? Eu não sei como é que eu consegui no dia do teste. E I guess that... I guess that... Não sei o nome dela toda. E aí chegou lá na hora, eu falei, cara, o nome dessa música tá errado. Meu pai fazace de Alton John, imagina. Jamais que eu ia errar uma música de Alton John, jamais. Aí...

Falei, bati ali e falei, Márcia, desculpa, o nome dessa música do Elton John aqui, ela não tá errada?

Ela, nossa, me desculpa, claro, porque depois eu pensei comigo, cara, será que só é uma pegadinha pra eu saber se tá certo? Se não tá, vou falar. Mas, pô, eu nunca falei nada. Isso tem a minha cabeça dialogando, né? Já cheguei atrasada, mas aí eu vou falar que tem um erro, mas será que eu falo ou não falo? Aí falei. Aí ela falou que tava errado, corrigiu lá a caneta e aí eu vim, vim pra cá gravar.

E aí eu gravei a primeira vez e falei e aí quer que eu grave de novo? Não, seu teste é com você. Eu falei, tá bom, pra mim tá bom, fechou. Gravei de uma vez só, era essa música do Elton John, era uma música do Jason Brass e uma música do Jota Quest, se eu não me engano. Eu acho que era isso. E mais um texto jornalístico.

E aí eu fiz o teste, ele disse, tá bom, muito obrigado, olha, qualquer dia, qualquer coisa eu te ligo. Saí, aí liguei pro meu, hoje, marido, liguei pro meu namorido na época, falei, cara, acho que não. Pô, cheguei atrasado, aí eu falei pra mulher que o nome da música tava errado, eu tive essa cara de pau. Eu nunca fui cara de pau assim, eu sempre fui assim, tudo que eu era o simidão, se tá dado.

tá ótimo, tá tudo bem, tá tudo ótimo. E foi, acho que ali que já começou a nascer uma pessoa que, opa, de repente dá pra fazer diferente, de repente eu tenho alguma coisa a contribuir. E deu tudo certo, no fim das contas. Então, curiosidade minha de audiovisual. Quando eu vou dirigir uma dublagem, se eu tiver alguma coisa pra dublar ou pra um locutor que vai fazer um vídeo pra mim e tudo, eu normalmente dou um toque pro cara, faz um tom um pouco mais acima, bababababá.

No caso da rádio, não, né? É o teu estilo, né? Então, depende, depende. Por exemplo, eu já peguei spot aqui pra gravar, spot de rádio que tava... Primeiro tem alguns que falam, né? Locução feminina ou locução masculina, beleza. E aí tem uns que tá assim, ah, é tom mais sério, sem muita interpretação, por exemplo.

ou então há com bastante alegria quando se trata de um festival, um show então não necessariamente vem um briefing a respeito de locução, vem um briefing meio que do espírito que o cliente quer, ou então se não tiver esse briefing, a gente sempre grava com o produtor eu estou gravando, tem um operador de áudio captando som e tem um produtor do meu lado

E aí ele vai, não, Vicky, faz mais assim? Ah, Vicky, bota mais uma alegria? Ah, Vicky, dá uma baixada? Ó, esse daqui é um boletim, faz mais sóbrio e tal. Então, o locutor nunca tá sozinho. Posso não ter uma direção, assim, focada ali, né? Uma direção de locução. Mas uma direção de tom rola.

Aí depois acontece aquilo Né, Sérgio? Aí acontece aquilo Que a gente já ouviu aqui, depois de 100 gravações Fala assim, mas não é que a primeira Ficou boa, melhor de todas É, isso é uma história Que tem aqui de um amigo nosso Que é o Luiz Feiermotta, que é dublador Do Stallone, coisa e tal Ele é amigo meu, fez muita locução pra mim Quer dizer, não faz mais porque eu não tenho mais Feito um vídeo, ele veio gravar com a gente E aí o Luiz falou, mas não foi com ele Esse caso, que era tipo Coca-Cola E aí

sei lá, o melhor refrigerante do Brasil. Um blá blá blá assim qualquer. É que o locutor entrou no estúdio, aí gravou. Aí a pessoa ouviu e falou, não, não tá legal. Aí a pessoa gravar, gravar, reza a lenda no meu canal, reza a lenda, reza a lenda que ele gravou em torno de 100 versões. Nossa! Aí chegou na agência, o diretor da agência falou assim, sabe o que é? Aquela primeira realmente estava muito boa. E o cara não tinha que variar, era aquela coisa de tipo...

refrigerante, coca-cola, é muito boa. Você vai variar, não tem como você variar tanta coisa. Aí no final foi isso. Tem essa lenda no mercado, o cara gravou 100 versões para usar a primeira.

Ah, mas isso aí é o famoso é raro, mas acontece muito, né? Cara, eu fiz um trabalho agora, acabei de entregar. É a segunda vez que eu faço o festival Team Music Noites Cariocas, que é um festival famoso aqui no Rio, que acontece no Bondinho. No ano passado, eu fui a voz padrão do festival, fui a voz do Bondinho, a voz que anunciava no palco.

E aí eu fiz esse trabalho pra eles novamente esse ano, o festival acontece em abril. E aí eu gravei, mandei pra eles, ó, vê se o tom é esse, vê se tá legal, porque é um material que vai interno pro bondinho, é um material de gravação pra TV, daquele comercial de TV, é um material do palco, que tem aquela voz de segurança também. Então, cada um, cada um tem uma proposta ali, tem um tempo. Aí gravei, mandei pra eles.

Mandei a demo, não, maravilhoso, é isso aí, show, manda ver, beleza. Aí fui, gravei, um outro dia aqui que eu tava na rádio, aproveitei a púsquica, eu tenho meu equipamento, gravei e tal. Aí fui, comecei a editar, falei, ah, quer saber? Aí eu gravei, tipo assim, num dia a voz do bondinho, no outro dia a voz da TV. Aí teve um dia, aí eu comecei a editar, beleza. Aí teve um dia que eu tava aqui na rádio, falei, ah, tô fazendo nada.

Vou gravar. Abri o microfone, eu gravei de uma vez só. Gravei todas as entradas do palco, todas as vozes do bondinho, porque tem que ser chamando um artista por dia, todas as vozes da TV, tudo num arquivo só. Joguei pro meu computador, foi o material que vai ser usado. Cara, mas isso é muito do meio artístico, cara, é muito isso.

Porque na real... É uma coisa de espírito, eu não sei. Eu falei assim, cara, pô, minha voz tá legal hoje, tá aquecida, eu tô me sentindo confiante, vou fazer. E aí eu fiz e entreguei. Assim, tá. Mas tem muito isso, cara, porque na real essa coisa vai maturando na tua cabeça e eu tenho um problema sério. Por exemplo, se eu fiz um vídeo, se eu não liberar esse vídeo logo...

Fudeu. Sim, é isso. Nossa, muito isso, cara. Eu falo assim, gente, não vem falar comigo de algoritmo. Algoritmo, pra mim, é o seguinte. Tava aqui, do nada, eu olhei pra esse fone, esse fone fez um triplex na minha cabeça, e aí eu desandei, peguei meu telefone, eu sempre ando com tudo.

Eu sempre tenho fone, eu tenho o case com microfone, qualquer coisa que você possa imaginar, eu tenho. Fica tudo assim na minha frente. Inclusive a ringue lática, eu tô usando, tudo anda na minha busca, tudo. Eu tô sempre pronta. Se isso aqui fizer um triplex na minha cabeça, eu vou fazer o vídeo e pode até ser que 3 horas da tarde não seja a hora de postar. Mas é a hora que eu vou postar, porque o meu feeling tá falando que eu preciso liberar esse vídeo agora. E se eu assistir de novo, eu vou achar que ele tá uma merda. Pois é. É isso aí.

Mas, cara, vou te falar essa parada do algoritmo de hora. Isso é um caô. Se você assistir a galerinha de YouTube, não a galerinha, o próprio suporte do YouTube, por exemplo, os caras falam o seguinte, não tem a menor influência no horário que você posta. Ah, é?

A plataforma que vai decidir que horas ela entrega. Então, tipo assim, eu que tenho no YouTube, por exemplo, eu tenho uma conta que eu conto no canal, eu tenho a minha conta pessoal. Eu sou inscrito com a minha conta pessoal no canal Ponte Aérea. Beleza. Aí eu posto no canal Ponte Aérea, o YouTube não me entrega, por exemplo, a Reels, o Shorts, né? Ele não me avisa que o Shorts está postado na hora, às vezes, que eu posto. Ele vem me avisar um tempão depois, ele me entrega o Shorts do canal Ponte Aérea. Tá aqui.

Tem um horário que ele entrega, que ele deve analisar lá com as entregas de... Aí é servidor, aquela coisa mais de infra, né? Então, cara, isso é uma lenda danada. A gente já fez um monte de laboratório, eu e o Paulo, um canal, fazendo um monte de vídeo por dia, horário. Cara, de repente um vídeo faz assim, 160 mil visualizações, você fala, porra, acertamos. Aí você faz o outro na mesma linha, no mesmo horário, no mesmo dia. Acontece porra nenhuma. Não acontece porra nenhuma.

É isso, eu falei isso já, cara, eu fiz uma parceria com uma menina de um salão de beleza, a Catarina, que é uma amiga muito querida, aí ela não viu que seus conteúdos são ótimos, me ajudam, eu falei, claro, pô, vamos nessa, tamo junto, é isso, vamos crescer juntas, sou super a favor sempre do crescer junto. Aí fui pro salão, gravei com ela e tal, publicamos o primeiro vídeo, novidade, entregou, pô, beleza, vamos fazer o segundo vídeo nessa pegada, é isso.

sem visualização, e eu falei, que isso? O que é isso? Então, é muito doido. Eu até falei para ela, falei, olha, desculpa, você acha tudo muito legal, mas eu também não entendo tanto assim de algoritmo, a gente acha que entende, e tem coisas que vão e tem coisas que não vão. Então, para mim, as coisas para mim, que mais engajaram minhas, assim, em termos de produção minhas, foram essas.

que eu do nada, tem um vídeo no meu Instagram de 30 segundos, que sou eu sentada aqui, nesse mesmo lugar, com esse mesmo microfone, falei, ah, cara, vou falar do dia do radialista. E aí, eu comecei a zoar com isso. Ainda botei um trecho de um vídeo da Anitta, que foi ela falando de um rádio muito importante no Brasil. E eu, tipo, falei, pô, eu tenho uma lixa, vou lixar a unha, vou jogar a lixa, é isso, é isso, é isso. Tá, aí, editei, postei, sei lá, quatro da tarde, que dizem que é um horário nada a ver, você tem que postar depois das seis, não sei o quê.

Aí, o vídeo, a galera comentou a beça, teve gente que foi conhecer, acabou entrando no meu perfil, aí viu outras coisas de rádio, caramba, mesa de áudio, estúdio, que legal e tal, pô, cheguei aqui por causa desse vídeo, achei muito criativo e você recebe esse tipo de feedback, então...

É isso. No fim, pra mim, o meu trabalho em si se baseia todo em energia, em entrega, em tesão, seja em produção de vídeo, de áudio. É uma coisa muito doida mesmo. É o corpo, a mente, o espírito, meio que tudo junto ali, mais as nossas habilidades técnicas e mais tudo aquilo que a gente carrega de conhecimento. É meio que quando tudo isso tá 100% alinhado, a entrega é foda e não tem nada que te pare, assim, né? Pois é.

Eu, cara, eu dou risada, pra mim o melhor vídeo que eu vi sobre essa coisa de algoritmo foi uma vez o cara que fez eu te falei no TikTok, ele falou assim não, porque o algoritmo mudou aí o outro já mandou na tampa dele assim você trabalha no TikTok? Porque ninguém sabe se o algoritmo mudou, ele não manda uma mensagem e fala assim o algoritmo mudou, não é isso não existe isso, cara então é um bando de calozeiro danado só que é aquela coisa, engaja, né o povo gosta da coisa que a gente falou lá atrás da coisa da rasa, do superficial, da dancinha do...

E do você achar aquela pessoa que vai o quê? Validar o seu discurso. Aí você vai falar, olha, o algoritmo mudou. Esse cara também falou, ótimo, somos amigos. Você acha e eu também. É isso aí. Ô, Vic, eu queria voltar para um dia que você estava passeando lá no Boulevard Olímpico e aí a Bruna, namorada do Igor, te ligou. Foi aí que começou, né?

Foi aí que começou. Essa história também é muito doida. Aliás, o que não é doido, né? Eu olho pra trás assim e falo, olha...

Pra quem acredita, pra quem tem fé, é Deus. Pra quem acredita, em orixá, é orixá. E assim vai. Porque tem umas coisas inexplicáveis. A Bruna, eu conheci a Bruna entregando um par de ingressos de jogo de basquete pra ela na saída do metrô da Uruguai, na Tijuca. Eu lembro de tudo. No Mundo Verde, ela estava comendo um salgado. E aí o Bruna... E aí

Igor jogou vôlei comigo. Eu joguei vôlei no tempo da minha vida, de domingo a domingo. Segunda a sexta de quadra, sábado e domingo de praia, que não era praia. Por quê? Porque a Tijuca não tem praia, mas tem uma quadra de areia do lado do shopping Tijuca. E foi lá que eu comecei a jogar vôlei de praia. E aí o Igor jogava vôlei comigo de quadra.

E aí, como eu fui voluntária nos Jogos Olímpicos, de vez em quando pintava o ingresso e tal. Pintou o ingresso, eu mandei no meu grupo, porque todo mundo ama esporte. Falei, galera, tem um par de ingressos para o jogo de basquete. Alguém está afim? Aí o Igor, pô, estou muito afim. Aí chamei ele no privado. E aí, qual vai ser? Não, a minha namorada pode pegar com você. Eu falei, sem problemas. Aí a gente combinou lá no...

metrô da Uruguai, ela queria comer, a gente foi até o Mundo Verde, entreguei os ingressos, e a gente começou a falar lá, porque eu sou jornalista e tal, falei, ah, eu também, ah, eu trabalho na Rádio Tupi, eu falei, poxa, que legal, eu trabalho lá na Rádio da Faculdade, também tô com um projeto voluntário, também tô como voluntária das Olimpíadas, voluntariado também é um capítulo à parte, né, eu me amarro. E aí, papo vai, papo vem, conversamos pra caramba, meia hora e quarenta minutos.

Ótimo, foram lá para o jogo de basquete deles, a vida seguiu, terminou as Olimpíadas, do nada toca o meu telefone. Aí olhei assim, um número que eu não tinha salvo. Oi, alô? Aqui é a Bruna, namorada do Igor, que trabalha na Rádio Tupi, lembra? Falei, claro. Então, a gente está precisando de estagiário aqui, como naquele dia que você me entregou o ingresso, a gente bateu um papo. E, poxa, eu vi que você fala muito bem, você é jornalista, você não quer vir fazer um estágio aqui?

Aí eu falei, tá, quando? E aí, sei lá, ela me ligou no sábado. Eu não vou lembrar exatamente a data, mas ela me ligou no sábado e eu fui na segunda-feira na Tupi. Aí cheguei lá com o meu currículo impresso embaixo do braço. Aí já tinha mandado por e-mail, mas levei o impresso, né?

Ordem do papai e da mamãe. Fui lá de camisa social, botãozinho aqui, ó. Cara, eu tenho essa foto em frente ao espelho, aquela com o celularzinho assim, né? Calça, sapatilha, várias coisas que eu aboli da minha vida. Cara, camisa de botão, sapatilha. Sapatilha é o negócio mais desconfortável do planeta, só uso tênis. Aí, fui lá, minha chefe na época me deu um teste também. Aí, fui fazer o teste. Entra aqui pra gravar, eu tá bom.

Peguei o papel, aí falei, é só ler, né? Tá, vou ler. Aí comecei a ler e aí no final eu tava falando, Tupi, né? Tupi fala muito de caso de crime e tal. E aí tava tipo, ah, 26 DP. Aí eu ainda, né, caprichei aqui, ajeitei a postura. A 26ª Delegacia de Polícia. E aí, ela, não, não. É 26 DP, exatamente como tá escrito. Falei, posso?

Não passei, irmão. Tomei um cortadão. Claro que eu não passei, né? Esquece, tal. Voltei pra sala e ela, olha, tá bom, muito obrigada, é isso. Aí depois ela me mandou uma mensagem. Olha, tô te esperando amanhã. Aí eu, ah, aí eu falei, tá bom.

Aí ela, tô te esperando amanhã. Aí cheguei lá e comecei a trabalhar. E assim foi. Fiquei seis meses na Tupi, a minha coordenadora na Tupi. Depois, assim que eu entrei aqui na Paradiso, nos meus primeiros dias, eu comecei a fazer o Hora do Blush. Cheguei pro primeiro dia do programa. Quem era a produtora do Hora do Blush? Minha primeira chefe na Tupi, que é a Ana Rodrigues.

que é uma amiga, nossa, incrível, uma pessoa que eu divido muita coisa da minha vida e que eu sou muito grata de ter aparecido lá no início, porque realmente essa caminhada, tendo ela como amiga, como uma mentora, como uma jornalista referência, fez toda a diferença. E a Bruna?

virou uma grande colega. A gente vira e mexe também, se esbarra aí nos trabalhos. Aí a Bruna também continuou repórter de trânsito, já entrou enquanto eu estava no ar como repórter de trânsito. Ela é colega do Paulo Matos, que é uma colega de faculdade, que também é repórter de trânsito. Está todo mundo ali no mesmo meio. E o Igor continua namorado dela. Aliás, eles casaram.

E na saída do casamento, quando eles estavam saindo da igreja, a gente fez um corredor jogando vôlei, né? Então ficaram uma pessoa de um lado, uma pessoa do outro batendo bola. E eu fui uma das pessoas que ficou aí nesse corredor de saída deles do casamento. E tem essa história com a Bruna e tem a minha história comigo. Porque ela fala de coisa doida, coisa doida, mas coisa doida é a Fernanda Pão Rá.

Não vou saber falar o nome dela certo. É Bauhart. Tá certo. Coisa doida pra mim é o que ela fez. Ela realmente ligou o foda-se. Apertou o botão do foda-se. E foi fazer esses projetos humanitários. Escreveu o livro. A parada é muito louca, cara. Eu tava dando uma olhadinha no perfil dela. Falei, cara, que mulher. Quer dizer, eu acho que é até legal. Porque ela falou, sei lá. Ela tava acho que em Los Angeles. Praia na minha frente. Surfe.

moro, trabalho numa sala toda envidraçada e, pô, desse jeito eu vou trabalhar com... Vou viajar pelo mundo, ajudar as pessoas e... Isso pra mim é foda, sabe? Eu acho que a cabeça da pessoa tem que ser muito... Ou muito louca ou muito alinhada, né? Porque eu não sei, eu não consigo definir.

É, a Fernanda é a minha grande, assim, ó, citando pra não ser injusta, já que eu já falei que sou grata a tantas pessoas, que tenho tantos amigos, e realmente eu sou uma pessoa... Cara, eu acredito, eu tenho fé, né? Então, eu realmente me sinto abençoada de ter tantas pessoas iradas ao meu lado, que fazem parte da minha história. Mas a Fernanda é a minha grande inspiração. Eu fiz jornalismo por causa dela, por ter conhecido ela e a história dela.

Hoje, a Fernanda, exatamente hoje, nesse momento que a gente tá aqui, ela tá na Uganda. Então, assim, essa é a Fernanda.

e antes dela ir, ela falou pra mim Vicky, minha casa em Búzios, porque Búzios se tornou o refúgio dela quando ela precisa realmente se reconectar passar por um processo de dar uma aterrada novamente desses diferentes mundos que ela vai ela vai pra Búzios que aí ela fica bem numa casa no meio assim do mato e tal

o mar, que ela dá uma recuperada. Aí ela me mandou uma mensagem. Oi, Vic, tudo bem? Como é que você tá? E tal, olha, eu tô indo pra Uganda fazer uma missão e tal, pela... Agora eu não me lembro qual das agências que ela tá. E aí ela falou, olha, minha casa em Buda está liberada, se você quiser. É muito boa ela, cara.

Enfim, a Fernanda, eu conheci ela nesse projeto voluntário, o primeiro projeto voluntário que eu fiz parte, antes do voluntariado das Olimpíadas, que é o sobre mobilidade urbana sustentável. E a Fernanda, ela facilitava processos audiovisuais.

Então, esse projeto falava sobre mobilidade urbana e uma das formas de comunicar as ideias desse projeto, que era um grupo de jovens, que tinha gente do setor de transporte, cidadãos como eu, que era só uma universitária, tinha gestores, donas de empresas de ônibus, era todo mundo nesse projeto discutindo melhorias para a mobilidade urbana do Rio de Janeiro. E uma das formas de entregar aquilo que a gente discutia, sugeria,

era em formato audiovisual. E a Fernanda tinha uma empresa aqui no Rio de Janeiro, chamada ProPlaneta, uma organização, e ela facilitava esses processos audiovisuais. Então, ela capacitava esses jovens para aprender a filmar, para aprender a operar aquele equipamento ali.

Ela também dava... Ela usa uma metodologia chamada vídeo participativo, que ela tem por missão, por propósito, fazer com que as pessoas aprendam entre elas. Então, a Fernanda está ali como uma facilitadora, uma provocadora, alguém que vai acompanhar. Mas as pessoas, entre elas, montam o próprio discurso, o próprio direcionamento daquilo que elas querem falar e usam o equipamento audiovisual para isso, usam a linguagem audiovisual para isso.

Então, a Fernanda entrava com esse braço nesse projeto de mobilidade urbana. E aí, quem estava lá? Eu, nesse projeto. E aí, eu estava no meu primeiro período de faculdade. Não, meu segundo período. Tinha acabado de começar o segundo período de faculdade. E eu cheguei nesse projeto de mobilidade por causa da minha mãe, que trabalha com mobilidade urbana.

E ela falou, ó, tem um projeto super legal, você tá começando faculdade, não sabe muito o que vai fazer, vai lá pro projeto. Eu falei, tá bom. E aí, fui ser voluntária no projeto, cheguei lá, no primeiro dia foi uma reunião assim, eu olhei e falei, ah, tá legal, ótimo, posso seguir, interessante. E aí, no segundo dia, eu encontrei a Fernanda. Aí, eu falei, cara...

Que mulher é essa? Que história? Assim, a primeira vez que ela entrou foi por vídeo e ela falou, ah, não, porque eu tô aqui na Cruz Vermelha Internacional. Falei, cara, que foda, como assim, Cruz Vermelha, cara? E aí eu comecei a pesquisar sobre ela e eu vi tudo que ela fazia. A Fernanda trabalha com a ONU, com a Cruz Vermelha. A Fernanda esteve nos lugares mais desafiadores do planeta, em situação de guerra, de refugiados.

de desastres ambientais, eu acho que ela lida com as piores dores pelas quais um ser humano pode passar, e ela está ali, levantando, levantando não seria a palavra, mas ela está ali como uma pessoa capacitada em comunicação para ajudar essas comunidades. Quando eu olhei tudo aquilo ali, eu falei, isso é muito foda.

É para isso que a comunicação existe, para ela ser um serviço e para ela dar dignidade para as pessoas. Vou fazer jornalismo porque a Fernanda, para mim, é uma jornalista que me inspira. E assim eu decidi fazer jornalismo e assim fiz um trabalho da faculdade que eu tinha que falar uma pessoa que me inspirava. E foi ali que eu descobri que era a Fernanda e foi ali que eu descobri que era o jornalismo. Porque até então eu falava, ah, publicidade, interessante. Eu gosto dessa coisa de tentar entender os desejos, os anseios das pessoas.

em ter alguma coisa, em ser alguma coisa, e eu achava que a publicidade seria um caminho de entender isso. Só que aí, quando eu conheci a Fernanda, tudo mudou, e eu fui lá e bati na porta da casa dela e falei, pô, você me daria uma entrevista para o meu trabalho da faculdade? Aí ela, claro.

E aí eu entrevistei ela e, cara, eu saí maravilhada da entrevista. Falei, nossa, essa metodologia é incrível, eu quero trabalhar com isso, isso faz muito sentido pra mim e tal. E aí foi isso, e daquele dia em diante eu nunca mais desgrudei dela. Aí já vão quase 10 anos, a minha tese da faculdade, a minha entrega não foi sobre rádio, o meu...

a minha monografia, foi sobre a metodologia de vídeo participativo. Eu apliquei a metodologia e fiz um documentário falando sobre o processo de aplicação da metodologia. Então, foi uma tese, inclusive, inédita a nível Rio de Janeiro. Eu tive que pegar muitas referências de fora, inclusive internacionais, porque não é uma metodologia que é muito falada aqui, mas ela já é uma metodologia reconhecida por organizações internacionais, como a Cruz Vermelha e a ONU.

E aí eu fiz sobre educação, como eu falei, é um dos pilares que me move. Fiz com jovens de São Gonçalo, Niterói e Maricá, que é do outro lado da ponte aqui do Rio, para quem não conhece. E, bom, a Fernanda é tudo isso na minha vida, né? A Fernanda é realmente a minha inspiração, assim, em termos de ser humano. Ela era uma pessoa que trabalhava na CNN Internacional, uma pessoa que ajudou a criar a CNN Digital, assim. Ela trabalhava, como ela falou, na Califórnia e tal.

Califórnia, acho que era Califórnia. Morava em frente à praia, ganhava três dígitos, papapá. E ela olhou para aquele escritório ali e falou, cara, os saltos estão cada vez mais altos, as bolsas cada vez mais de grife ou cada vez mais vazias. E aí ela foi procurar um sentido nisso, fez um mestrado.

em gestão ambiental na Holanda. Então, a minha influência também na minha pós-graduação em meio ambiente vem muito da Fê. E aí ela começou a trabalhar com isso, ela começou a trabalhar com comunicação com comunidade, principalmente com essa metodologia de vídeo participativo, que em inglês é participatory video.

E é isso, hoje, ela é uma puta referência internacional, assim, ela vai a campo também, mas ela também já ocupou cargos de coordenação a nível internacional, cara, a nível, assim, bizarro. Ela, como mulher, como brasileira...

ela é realmente alguém que... Ela diz que ela faz a nanoparte dela. Eu falo para ela que, na minha opinião, ela faz muita coisa, porque ela olha para o que importa, que são as pessoas que estão ali tentando sobreviver. A gente fala aqui em viver, fala em sonhos, fala em um monte de coisa muito legal, mas tem gente que só está tentando sobreviver de alguma forma.

e ela está ali só tentando colaborar em erguer a voz dessas pessoas, dessa comunidade. Então, a minha base vem toda daí. Eu acho que os meus valores profissionais, eu posso estar num rock in Rio, eu posso estar numa realidade completamente diferente, mas os meus valores profissionais e pessoais, as minhas inspirações, elas vêm todas dessa base, dessa história e dessa mulher que eu acho maravilhosa.

Essa mulher é sensacional, cara. O pouco que eu li dela... Você para e fala... Você repensa tudo, na real. Você fala, cara, eu sou um bosta, sabe? Porque...

Então, o que eu acho incrível é que o exemplo dela me ajuda, primeiro, a botar o meu pé no chão e, segundo, a olhar o mundo um pouquinho mais distante do meu umbigo. Porque também, às vezes, a gente fica muito nessa tecla dos nossos problemas, das nossas dificuldades e que elas não são menores, não é isso. Mas quando a gente começa a enxergar o mundo como um todo e quem nós somos ali e o que nós podemos fazer no nosso dia a dia...

para que seja mais leve para a gente e para o outro, muda muita coisa. E a Fê me ajuda muito em tudo isso. A Fê também, por ter esse padrão internacional, ela me ensinou muitas coisas profissionais, que me ajudam bastante na minha caminhada. E a gente continua trocando. Eu não dou um passo sem... Fernanda, deixa eu falar um negocinho aqui com você. Realmente a gente se chama de Ubuntu, que significa eu sou porque nós somos. É uma filosofia africana.

e ela diz que eu a inspiro muito, mas ela me inspira muito. E ela lançou o livro dela recentemente, que é o Vozes da Flor da Pele, que eu faço parte como personagem, ela conta um pouco do momento em que ela se encontra comigo, em que a minha vida e a dela se encontram de alguma forma.

E nesse livro ela conta bastante dessas missões, desses lugares que ela já esteve no mundo, dessas missões que ela já fez, e também das provocações dela, que eu acho que ajudam a gente bastante a repensar, ressignificar. Acaba sendo um convite para quem está aberto, para quem quer, para quem está nessa busca, que eu acho que ela está nessa constante busca. Eu também considero que estou.

Então, acho que é um livro bem convidativo, assim, bem inspirador, bem provocativo. Acho que ressignifica muita coisa. Pra quem quiser ler, ficou com muito. Não, eu acho que provocação sempre é bem-vinda. Eu acho que essa coisa de, tipo, você tem que ler até, tipo, não me adiantou nada, mas, tipo, sempre te cutuca alguma coisa. Sempre você dá uma parada, você fala, putz, é isso. E, sabe, é muito louco. É aquela coisa que você falou antes, né? É a troca entre a gente, que um fala, outro fala, você vai absorvendo.

Com certeza tem coisa que é legal. Dependendo do momento que você está da vida, ela chega diferente. Eu li o livro, eu fui leitora modelo do livro. Chegava para mim os capítulos, eu lia, comentava criticamente. Eu nunca fui leitora modelo de nada. Mas ela fiquei super, botou fé em mim, vamos nessa. Ela, não, você é o público-alvo do livro. Então, beleza. Então, a gente foi trocando ali, foi criando a nossa maneira de fazer, junto com a outra autora, com a pessoa que colaborou com o livro, que é a Rosane Queiroz.

e junto com uma equipe, ela montou uma equipe mesmo para fazer o livro, foi a primeira vez que eu estive envolvida na construção de um livro e também foi um processo muito legal porque apesar de falar bastante, eu gosto muito de escrever, então foi muito interessante para mim

E ali eu ia dando os feedbacks, falando, ou seja, eu lia o livro inúmeras vezes. Ele pronto, ele em pedaços, ele voltava. Mas eu mesma, esses dias, fui surfar, que é um outro hobbyzinho aí. Fui surfar, peguei o livro, abri para ler uma página, um capítulo lá que eu queria reler.

E aquela mensagem que eu já li algumas vezes em situações diferentes chegou diferente para mim. Então, eu acho que isso também é o legal. A gente está sempre aberto a ver novas coisas, a ver de outra forma aquilo que a gente já conhece. E eu acho que assim a gente vai evoluindo.

pra mim, assim, tô numa rotina, tô em rádio todo dia, eu tenho uma folga por semana. E aí, essa folga, pra mim, ela é um pouco sagrada. Eu gosto, gosto de poder dar um mergulho no mar. Desde que eu, eu sempre falei que queria surfar, desde que eu tomei a coragem pra fazer isso, é uma coisa que tem me feito um bem danado. E às vezes, só de você botar o pé na areia, dar uma caminhadinha ali, nossa, é outra coisa. Cara, é só botar a prancha de... Deitando a prancha, remoa ali fora, já tá valendo.

Pode estar fletado. Qualquer coisa, né? É impressionante. Isso é um privilégio muito grande da nossa cidade. Nossa. Pode estar fletado, mas só aquela água salgada e tudo, você fala porra. Só de você voltar para casa, meu ladinho da Marizinha já está ótimo. Só quem... O Paulo detesta areia. O Paulo odeia areia. Vai entender. É paulista mesmo, né? É paulista. É paulista.

Mas eu gosto de São Paulo, viu? Eu gosto de São Paulo. Eu não tenho nada contra. Não gosto dessa rixa aí. Eu fico só zoando, né? Eu também. Eu também. Eu também só zoo. Mas assim, só uma correção, viu, Sérgio Chimídio? Eu sou paulistano. Nasci na capital, tá? Ah, a gente não fala paulistano aqui no Rio. A gente fala paulista. Cara, vocês falam sampa, que não tem nada a ver. Só vocês falam sampa. Ah, aí, tá vendo? Pode ser terra da garoa também. É, se você preferir.

Mas tudo bem, tá valendo o Paulista. Cara, quando eu falo do... Às vezes eu já falei assim no ar, né? Aí, ó, vou me dar um dedo duro, hein? Às vezes eu tô no ar, assim, aí a gente falando do Lola Paulosa, né? O Lola que vai rolar lá na terra da garoa. Ou que vai rolar lá na terra da bolacha. A gente também não costuma falar isso aqui, não. A gente não usa.

Mas tá tudo certo, tá valendo. Eu gosto muito dessa troca de sotaque. A gente se zoa, né, Serginho? Mas tá valendo, né? É, mas até essa coisa da rivalidade eu acho que já foi muito pior lá atrás. Eu acho que é uma coisa que meio... Que nem aquela coisa de brasileiro com argentino. Tem essa galerinha do futebol que fica mantendo isso. E isso aí meio que já morreu faz tempo.

Tá, tá meio fora de moda. Tá, total, cara. Eu sou 60, então. Eu fui em rádio em São Paulo, eu estive muito rapidamente pro Detal, e aí eu conheci a Mix de São Paulo. E, cara, a gente tava comentando essa coisa do sotaque, né? Eu falei pra eles, pô, é muito chato pra vocês me ouvir, assim, é muito chato conversar, é desagradável pra vocês, porque eu sou muito carioca. Aí eles, cara, esquece isso, isso não existe mais não, cara, esquece.

Eu duvido que algum paulista falou pra você, cara, esquece isso, duvido. Ah, eu vou, esquece, meu, esquece, meu. Aí melhorou. Bom, meu, esquece. Melhorou. Você disse que tem um dia de folga por semana, não é isso?

Isso. Acredito que nesse dia é o dia que você vai fazer tudo que você não faz, família e o caramba. Quantas vezes por dia você escuta pedido pra sua Alexa de gueto da Isa? Muitas, muitas. A Isa é a cantora favorita da minha filha.

E eu já tive o privilégio, que isso é um baita privilégio, de proporcionar esse encontro da minha filha conhecer a Isa no dia que eu a entrevistei aqui na rádio. Eu contei pra Isa, que a minha filha era fã, e aí a Isa falou, você mora muito longe daqui? Tem como alguém trazer a sua filha? Eu falei... Aí eu estava aqui, Isa, na cadeira que está aqui à minha frente, mais ou menos onde está o celular. Falei, você está falando sério, Isa?

Ela sério. E, bom, elas se conheceram. Mas aí eu já escutei, eu escuto bastante. A minha filha adora conversar com a Alexa, entendeu?

mas ela gosta muito de isso, eu gosto de Ludmilla, ela curte, e ela fala pra todo mundo que eu trabalho em rádio, né, os amigos dela me escutam, é mó barato. Eu acho que acabou que eu tô, ainda aqui dentro do meu, cara, menos do que a minha nanoparte, né, dentro do nano ali, eu tô criando novos ouvintes de rádio ali de uns seis anos de idade. Eu queria que você me falasse tudo que vem à sua mente quando você lembra da lasanha da Dona Arminda.

Ah, aí, ó. Foi eu e minha vovó. A gente adora cozinhar, né? A minha avó tá viva ainda. Tem 92 anos. É a única avó que eu tenho, né? Porque a minha outra avó já partiu. Minha avó e meu avô por parte de mãe.

Eu conheci, mas já foram. Minha avó, por parte de pai, tá viva. E minha avó, por parte de pai, eu não conheci. Então, é uma relação, assim, incrível, né? A minha avó convive comigo, convive com a minha filha. A minha filha é bem colada nela, isso é muito legal. E a minha avó é uma pessoa muito ativa. Então, assim, a gente troca muita ideia sobre comida. Então, eu falo, ah, avó, outro dia eu fiz um doce de leite no forno.

E aí, assado, né? E aí eu falei, vó, vi no TikTok, testei a receita, deu certo. Aí ela, sério? Eu falei, sério? Vem aqui em casa. Aí ela foi, aí o Vinícius, meu namorido, marido, é difícil pra mim arrumar uma nomenclatura pra ele, pai da minha filha, e assim vai. Ele testou um sunomono em casa. Aí foi a minha avó lá em casa experimentar o sunomono.

ou doce de leite assado, entendeu? Tudo receita de TikTok. E aí depois a gente ainda desceu e foi tomar um café na Copenhague, que ela me deu a deixa. Ai, tem um café bom na Copenhague, tem uma aqui perto. Eu falei, vamos lá, vamos lá tomar um café.

E aí, vamos lá. Mas é isso, a minha avó, ela topa entrar nessas doideiras. A minha avó não consegue ficar parada. Então, se ela estiver lá em casa, eu falo assim, avó, vamos fazer uma lasanha? Aí, vamos. Aí, teve um dia que eu publiquei uma foto da gente no meu antigo apartamento.

fazendo uma lasanha juntas, tinha acabado a luz, aí uma era a luz dessa ring light aqui, a outra era a lanterna do celular, a gente ainda de máscara, porque eu acho que foi a maior preocupação, assim, quando a pandemia estourou, né? Caramba, e se aconteceu alguma coisa com a minha avó, e se aconteceu alguma coisa comigo, e se eu não consegui mais ver minha avó, minha avó sozinha em casa, então isso foi uma preocupação pra minha família muito grande.

Mas deu tudo certo, ela tá aí, ativa. Esse dia que ela parou lá em casa pra comer o sunomone, o doce de leite, eu tava trabalhando, toca meu telefone, o Vinícius, amor, sua avó tá aqui. Falei, ah, tá ótimo. Aí a Alice, avisa, me leva na escola. Aí foi minha avó levar minha filha na escola, depois me esperou, almoçamos juntas.

E essa ainda chegou lá com meia nova. Não, essas meias da sua filha, não. Olha só, tem uma meinha nova aqui. Essa daqui você me dá que eu vou clarear. Falei, vó, eu sei que tá encardido. É que eu não tenho tempo de clarear a meia. Eu jogo na máquina. Não, eu vou clarear pra você, filha. Relaxa, eu vou sim. Mas tá bom. Então pode levar. Aí me ligou ela, as meias estão prontas. Aí eu falei, eu vou aí, vó. Eu vou trabalhar, vou estar na rádio, mas depois eu vou aí buscar as meias.

Aí me ligou depois pra falar mais alguma coisa. Agora eu não lembro o que foi que ela falou. Ah, lá, esses dias recebi um troco, uma moeda novinha de 25 centavos. Aí eu vou dar, porque a Alice vai querer colocar no cofrinho. Eu falei, tudo bem, vó. Então eu pego a meia e pego as moedas. E aí eu posso deixar que eu vou olhar. Então tá bom, minha filha, vou te esperar.

Então é isso, essa é a minha avó, super ativa, memória ótima, acompanha meus trabalhos, meus corres aí. Acho que é a única pessoa que reza por mim todos os dias, mais do que eu mesma. Você falou uma coisa importante que eu já ia me esquecendo, né? Sua avó acompanha e tal, mas eu sei que a sua família, a sua família de maneira geral acompanha o seu trabalho. Eu quero saber se a gente pode contar com a audiência deles.

Pode. Eu mando pra todo mundo e todo mundo assiste e você pode ter certeza. Ó, meu pai, por exemplo, é uma pessoa. Meu pai e minha mãe, eles vão assistir e aí eles vão falar. Aí eles vão mandar o feedback, entendeu? Nossa, mas você fala demais, fala rápido demais. Nossa, mas, sei lá, vamos comentar. Eles vão falar várias coisas boas. Eles vão falar várias coisas boas.

Mas eles também vêm com uns toquezinhos assim, sempre pertinentes. Porque eu sei que, primeiro, são as pessoas que mais acreditam em mim, que mais me apoiam, que, cara, sempre acreditaram, que estão na minha primeira fileira, como eu sempre falo. Então, tudo que vem dali, eu dou uma atenção boa. Claro que primeiro eu torço o nariz e falo, ai, para de mexer o saco. E depois eu falo, pô, tem uma relevância assim, tem que ouvir a voz da experiência aí.

Porque eles ficam muito orgulhosos. A cada vez que eu falo, vou participar de um podcast, vou gravar, vou trabalhar, vou fazer tal coisa. Filha, não deixem de me mandar. No trabalho eu vou tentar dar uma olhada, indo, voltando. Que legal, é ao vivo, então manda o link, não deixem de mandar. Vou fazer uma peça de teatro agora com a minha filha. Trabalho pouco, né? Tem um tempo sobrando muito grande. E aí eu estou ensaiando. A minha filha fazia uma peça de teatro.

Aí eu vou fazer com ela o espetáculo. E aí eu estou ensaiando com a minha filha uma peça de teatro. E aí adivinha quem comprou a primeira fileira? Meu pai, minha mãe, meu marido, meu irmão, minha avó. Mas isso não é novidade, que você já fez teatro antes. É isso. Então, essa peça que a minha filha está fazendo, vocês querem acabar e eu vou embora com história, entendeu? Eu continuo falando. Não, mas a gente sabe que você fez teatro na infância.

Essa peça que a minha filha está fazendo foi a peça que eu fiz há 20 anos atrás. E aí, ela está fazendo essa peça agora. E aí, a professora falou, ah, não, mas eu quero também resgatar as pessoas que fizeram no passado. Conclusão, em abril vão ter duas apresentações e aí eu e minha filha estaremos juntas no palco, entendeu? Nesse momento, nostalgia. Ô, Paulo Eduardo, os pais dela vão falar assim.

você tem que escolher melhor esses podcasts que você participa, viu? Eles vão falar que eu falo demais com certeza, que eu não deixei ninguém falar, que eu falei demais, entendeu? Isso é certo, certo. Mas aí você fala para eles assim, a gente aprendeu aqui com o Paulinho Mosca, que esteve aqui com a gente, o Paulinho Mosca ensinou para a gente quando ele fazia lá o... Como é que é o nome do programa, Paulo? Zumbido. Zumbido.

que o interessante é o convidado, não é a gente que está entrevistando. O convidado é que tem que falar, não é a gente que tem que falar. Então tem que falar isso para os teus pais. Cara, Paulinho Mosca é um querido, né? Eu entrevistei ele, foi uma das primeiras entrevistas que eu fiz com um artista, sabia? Nos 40 anos da Antena 1 Rio. Tenho fotinho e tudo com ele. Cara, que pessoa fofa. E que pessoa esclarecida, né? Sábia. Cara, sabe o que é o mais legal, né, Serginho? A gente falou...

Duas horas e a gente praticamente não falou de música. Está vendo? É, cara, é uma pessoa interessante. A gente descobriu da depressão dele durante a pandemia, a gente descobriu que ele durante a pandemia, a fuga dele, quer dizer, onde ele extravasou a arte dele para não pirar, foi escrevendo um livro que já estava com 300 ou 400 páginas.

Tudo isso a gente descobriu. Ó, jornalista, viu? A gente é bom nisso. Tá vendo? A parte do saquinho de vômito de coleção dele, você conhece essa história, né? Porque ele já contou um monte de vezes das coleções que ele tem. Não conheço. Não?

Nós vamos te dar um intensivo nas tuas entrevistas. Ele tem uma coleção de saco de vômito que ele começou assim do NET. Ele tem de coleção de chaveiro. Chaveiro eu também tive. De maço de cigarro eu também tive. E ele tem de saquinho de vômito. Eu falei, porra, Paulinho, essa eu nunca tive. Ele disse que ele saia pegando nos aviões.

E aí ele viu de alguém, aí ele falou, aí deu na cabeça dele, ele saiu do avião, pegou o primeiro, depois que ele pegou a primeira, ele começou a pegar um monte, ele falou, ele tem um monte de saquinhos legais. Nossa, é, a minha entrevista com ele foi super rápida, assim, ele fez a edição comemorativa lá dos 40 anos, então foi tipo, ah, como é que é fazer parte disso, coisa e tal, foi bem três minutos ali, mas eu vou assistir o podcast, nossa, muito legal. A gente gravou também com o Luiz Nicolau, que na realidade...

fez com ele no início a banda, né? Então, o Inimigos do Rei. Então, eles começaram o Inimigos do Rei junto, aí teve um entrevero. A gente gravou com os dois no final da história. Cara, a gente gravou com muita gente bacana. E tem uma molecada nova, e tem uma galerinha nova da música muito foda. A gente gravou com uma menina chamada Olivia Yeltson, não sei se você já ouviu falar dela. Cara, sensacional! Sensacional! Ela tá...

A meta dela é lançar a carreira dela lá fora. Ela canta em inglês, basicamente. E, cara, mas as músicas da menina são... Ela canta pop? Ela canta rock.

Não, mas tô falando isso porque aqui, olha eu vendendo a rádio, hein? É, aqui na rádio a gente tem um programa de novos artistas, entendeu? Mas, assim, não é que toque somente pop, mas toca artistas com uma pegada mais pop. E aí a gente faz uma entrevista rápida e tal. E eu nunca ouvi falar o seu nome. Eu vou pesquisar, vou ouvir. Eu vou te mandar, eu vou te mandar Olivia e Elza, vou te mandar Ana Gerber, que é outra que a gente gravou.

A Vitória Nércia não adianta, porque a Vitória Nércia é rocão pesado e ela faz aquelas vozes culturais de sepultura. Que ela vai... Que grado! Cara, é maravilhosa. A Vitória é maravilhosa. Eu sou apaixonado nela, cara. Eu vejo assim... Gosto a chorar, né? É vitória, exatamente. E ela vai do cultural a voz normal, que é linda, cara. Então ela brinca no mesmo... Cara, é muito louco a parada. Eu falo, caralho, Vitória, eu sou muito fã.

Então a gente gravou com uma galera Muito diferente, cara Muito diferente Mas isso é muito legal, porque sai do mais do mesmo Você tá falando com pessoas Que tão fazendo movimentos diferentes E que tão falando de assuntos Interessantes E acaba que a gente tá A gente, já tô me incluindo A gente tá gravando aqui o que? A nossa comunidade, entendeu? A nossa galera que a gente abraça e fala Gostei Pois é

Mas está rolando muito isso. O que está sendo muito engraçado nos nossos papos, é que está acontecendo exatamente isso. A gente está gerando uma sinergia com as pessoas que estão vindo, que vai de Menescal, que falou assim, minha casa está aberta para quando vocês quiserem vir aqui conversar. Porque a gente gravou com ele durante o carnaval. Mas foi na quarta-feira de cinzas, não foi Paulo. Foi uma coisa assim.

que ele falou, era meu único dia era meu único dia de folga, porque ele tava com um monte de trabalho o Mendes Cal, cara, ficou aqui um tempão conversando com a gente foi um baita papo foda tenho uma foto com ele, se eu não me engano no solar de Botafogo

Eu e uma galera, na época de Antena também. Cara, na Antena 1 eu conheci muita gente consagrada, assim. Pois é, e você conversa com essa galera pesada e você fala, que louco, cara, a gente conversou com a Leila Pinheiro, deu risada com a Leila Pinheiro aqui, um monte, Leila figuraça. Eu tava internado, lembra, Sérgio? É, ela tinha gravado. Eu tava com Covid, ela me mandou áudio.

Pois é, ela mandou áudio pro Paulo que ele tava com Covid. Cara, a Leila, a gente deu tanta risada com ela, ela falou no palavrão. Ela reclamando de pessoas que vão entrevistar ela, que perguntaram como é que foi a carreira dela de bailarina no início. Aí ela falou, quando começa assim, eu já tenho vontade de encerrar a entrevista. Cara, a gente pega cada história sensacional, Vicky. A gente tem muita história bacana. E a gente deixa no programa, né? Porque a vibe é justamente essa.

Nossa, muito legal. Eu realmente contei, a gente dividiu aqui momentos e histórias. Primeiro que, para você chegar na história, é muito mais interessante do que você contar a linha do tempo e fazer a provocação como o Paulo está fazendo. E segundo, você acaba contando coisas mais interessantes ou então mais divertidas, pelo menos. Um outro viés. Muito legal.

A gente pegou uma história do Marcos que ele contou, o Marcos falou assim, cara, vou contar uma parada que vocês não contem pra ninguém. Ele simplesmente ficou preso dentro do frigorífico na Alemanha. Quando ele saiu do palco, ele tava fazendo um show, ele em vez de sair pro lado direito da coxinha, ele saiu pelo outro lado. E era o frigorífico que ele ficou preso dentro do frigorífico. Meu Deus, cara, que isso. E o Menezcal confirmou, né? E o Menezcal confirmou que o Menezcal tava junto.

Meu Deus do céu. Ele fala, Marcos é muito avoado. Marcos ele é muito escaralhado. Tipo, ele... Que loucura, que loucura. Ah, cara, essas histórias aí são muito boas. Vou te dar uma história boa que eu nunca contei, mas é rápida, rápida. Ó, já gostei.

Mas assim, não é nada demais, mas ela é engraçada. Porque eu tava assim na beira do palco do Noite Carioca, estava rolando o show do Diogo Nogueira, eu tava na beira do palco, porque eu tinha entrevistado ele antes de subir, aquela coisa de pegar um pouquinho ali. Não me lembro se eu entrevistei ele antes, ou se foi depois, acho que foi depois. Bom, eu tava ali no palco esperando o momento de falar com ele novamente. Acho que eu conversei com ele antes e gravei com ele depois.

Então eu fiquei ali na beira do palco, filmando uma coisa ou outra, falei, ah, vou ajudar o time de web, fazer umas imagens, de repente eles usam.

Nisso, uma pessoa da equipe dele, Niki, né? O Niki é muito bom. Niki. Niki, eu estava ali, uma pessoa da equipe dele. Tá querendo filmar e tal? Falei, tô. Aí ele, pô, quer me emprestar o telefone? Eu falei, claro, cara, vai lá, pô, vou te esperar aqui na lateral do palco. Entreguei o telefone. Niki, entreguei o telefone, ele foi. Na frente dele, né? Ele aqui, pá! Várias imagens do Diogo Nogueira aqui, pá, tal.

Diogo Nogueira se abaixa, vou falar com a plateia, desceu do palco, não me lembro. Só vi o cara indo pra poder proteger ele. Falei, meu telefone não vai voltar. Não vai voltar. Ele foi junto. Bom, passa o tempo e tal, beleza, o cara voltou pro palco. Falei, maluco, nunca mais apareceu, saiu da minha vista, assim, né? Eu só vejo uma pessoa chegando por trás de mim, assim, na coxia. Aí, ufa, não sei o que deu pra fazer, porque ele saiu e tal, mas tá aqui. Eu falei, ó, o telefone voltou, cara, graças a Deus. Graças a Deus.

que se foda as imagens, né? É, o que saiu, saiu. E acabou que eram boas imagens, assim. E é engraçado que toda vez que eu vou editar alguma coisinha, eu procuro pegar um trechinho ou outro de shows onde eu já estive, que eu já participei. E aí, toda vez que eu corto esse trecho do Diogo Nogueira, eu lembro do meu telefone indo, voltando. É esse telefone que eu tô falando aqui com vocês, entendeu? Então, esse telefone aí, ele tem história, hein?

Ele já foi em altas mãos, assim. Esse depois que você comprar um novo, você tem que deixar ele no cantinho, parte da história. Tem um museu. Tem nosso, todos. No mesmo festival, eu conversei com a Baby.

com a Baby do Brasil, né? E, cara, foi muito engraçado, que no meio da entrevista, assim, ela reparou que eu tinha feito a maquiagem da cor do cabelo dela. Assim, parecida com as que ela faz, né? Azul, rosa, azul. E aí ela parou com aquilo ali, e ela falou, nossa, que legal. Mas você já se maquiou, assim, no carro? Porque eu me maquiei saindo do aeroporto e tal, e a gente foi embora na entrevista, assim.

E a entrevista de rádio é uma coisa, qual a expectativa para o seu show e tal? E a gente foi. Isso um dia antes da apresentação dela. No dia da apresentação dela, ela subiu no palco abraçada comigo. Eu falei que ia entrevistá-la. Aí ela, vamos andando e falando. E ela aqui abraçada comigo e indo para o palco e a gente andando. Aí ela, estou muito animada para o meu show e tal. E foi falando e tal. E o microfone ficou aqui e ela foi embora.

E assim, tipo, a última, sei lá, artista, um artista pode fazer uma oração, pode fazer uma, né, se concentrar ali. Baby, antes de entrar no palco, está abraçado comigo. É isso. Assim, umas coisas muito doidas que acontecem, que são muito boas, são muito legais. Esse meio é sensacional, cara, é sensacional. Tipo assim, a gente bateu papo com o Frejá aqui. O Frejá, eu não tive como o micro, eu falei, Frejá, eu estava no Rock in Rio e vi os shows.

do Barão. E a primeira coisa que me veio à cabeça foi assim, como é que era a coxinha? Foi a minha curiosidade. E ele conta justamente o que mais impressionou ele lá, que foi a galera do DC. Então, tipo, ele falando dos irmãos e tudo, ele falou, cara, fora o palco, que ele falou, porque falavam pra gente que o palco era não sei quanto, por não sei quanto, ele falou, eu não tenho a menor ideia, porque que é isso, eu tenho que ir lá ver.

Aí diz que no que foram ver, eles gelaram, né? Falando, caralho, o palco é gigante.

E aí ele contou uma parada que eu particularmente não sabia, que ele disse que o Rock in Rio 1, a estrutura toda do Rock in Rio 1, era do Queen. Som e luz. Que aquela ali era a equipe da engenharia do... Porque não tinha estrutura aqui, né? Porque não tinha estrutura aqui, que o Queen tava fazendo uma turnê mundial e que eles trouxeram tudo. Então foi basicamente montado em cima da estrutura do Queen.

Caraca, que maneiro, eu não sabia não. Pois é, tá vendo? A gente descobriu um monte de coisa legal, tipo as mesas de sol, a limitação que tinha com as bandas de brazucas, isso eu já sabia, porque já tinha vazado esse papo lá atrás. O Leone comentou também, e tudo que eles não deixavam você usar a mesa de sol, os engenheiros de som das bandas sentarem na mesa e mexerem, eram só os gringos que mexiam.

Eu adoro ouvir essas histórias. Eu fico assim, ouvindo. Tive num show quinta-feira agora, de uma artista nova, e aí eu tava conversando com um divulgador de rádio. Quer ver um cara pra ter história? É um divulgador de rádio. Cara, o que ele já fez de artista, o que ele já conheceu de gente, o que ele já teve em gravadora. Caraca! E eu tava assim, ele contando e eu assim...

parada ali, eu falei, só conta mais, tem mais, conta mais. Vocês conhecem a Marcela Ciribelli, que lançou, ela tem a agência dela, a Óbvios, aí ela lançou o podcast Bom Dia Óbvios, que já tem alguns anos, e aí ela entrevistou, ela fala sobre autoconhecimento, fala muito sobre feminismo e tal.

E aí ela entrevistou muita gente, várias especialistas, assim. E aí, simplesmente, cara, ela lançou um livro. E, cara, o livro ficou como o mais vendido do Brasil, assim, semanas e semanas. Fruto da pesquisa, não deixa de ser uma pesquisa, que ela fez com base nas entrevistas que ela fez nos podcasts dela. E, cara, o livro é, tipo assim, um dos livros mais vendidos do Brasil, uma das autoras mais lidas do Brasil, que não era autora até lançar o livro baseado nos podcasts dela.

Tô falando, Paulo Eduardo. Aí, tu tá... Se quiserem dar uma pesquisada, Aurora, o Despertar da Mulher Exausta. Livro excelente, já li, se tornou um dos meus preferidos. É um podcast que eu escuto com frequência. E, cara, é muito legal. Super obrigado. Beijão. E até a próxima, porque a gente tem que continuar esse papo. É isso, a gente se vê no próximo voo.