Estética gengival - Prof. Elcio Marcantonio Jr
O Universidade Aberta Odontologia é um podcast de divulgação científica do Programa de Mestrado em Ciências Odontológicas, da Universidade de Araraquara – UNIARA. A jornalista Luciane do Valle conversa com pesquisadores, professores e mestrandos sobre suas pesquisas e estudos.
Luciane do Valle
Elcio Marcantonio Jr
- Dentista presa por procedimentos estéticos irregularesSorriso alto · Dentes curtos · Dentes longos · Retração gengival · Cirurgia plástica gengival
- Harmonização facial e estéticaProcedimentos gengivais · Cirurgia ortognar · Aplicação de botox
- Estética em implantes dentáriosRetração da mucosa do implante · Implantes unitários · Implantes parciais · Implantes totais
A partir de agora, a Rádio Uniara FM passa a transmitir Universidade Aberta, um projeto de extensão do Centro Universitário de Araraquara, Uniara.
Olá, eu sou a jornalista Luciane Duvale e no programa Universidade Aberta Odontologia de hoje, eu converso com o professor Elson Marcantonio Júnior. E eu vou começar com o professor Elson, que eu ainda falei com ele antes da gente começar a gravação. Falei, professor, eu acho que a gente nunca falou sobre esse tema aqui no programa, pelo menos eu não tenho memória de falar sobre esse tema. E qual que é o tema, né? Ele vai falar com a gente sobre as possibilidades para a estética gengival.
E é claro que eu começo agradecendo a oportunidade de conversar com o professor Elcio. E professor Elcio, o que é, acho que a primeira pergunta que a gente tem que fazer, o que é a estética gengival? Acho que a gente nunca pensou nisso para além da gengiva ali, segurando os dentes, vamos dizer assim. Muito obrigada mais uma vez.
Olá Luciane, tudo bem? Olá ouvinte Zoniara. É uma satisfação estar novamente aqui com vocês. E nós vamos falar desse tema, estética genival, que engloba outras coisas. Na verdade a estética facial é uma só e a gengiva está inserida nisso. Então nós temos duas situações distintas, antagônicas na verdade. Às vezes nós temos os dentes muito curtos.
o excesso de gengiva e, por outro lado, às vezes nós temos os dentes muito longos, uma falta de gengiva. Então, são duas situações antagônicas que exigem tratamentos diferentes.
Entendi. E aí, professor, essas duas situações, elas causam alguma outra questão em relação aos dentes ou é somente, muitas aspas, não somente, uma questão estética? Isso traz problema para a pessoa, tanto ser mais curta quanto ser mais comprida?
Normalmente não. Normalmente isso é um problema eminente de dente estético, isso a gente vai chamar atenção, porque é muito difícil você perder um dente apenas com retração regival, a não ser que ela seja muito extensa, a não ser que ela envolva a área entre os dentes, que a gente chama de papiro. E a estética regival está inserida dentro da estética facial. Então, na verdade...
A gente só faz alguma coisa quando o paciente está incomodado com isso. Não é uma situação que o paciente chega no consultório e você fala, nossa, precisa fazer isso, precisa fazer aquilo. Oficiência é uma coisa muito pessoal, né? Se o paciente está incomodado, compete ao cirurgião dentista, ele esclarecer o que ele pode ou não pode fazer.
Eu entendi. E aí, tem uma questão aí de gênero ou não? Se acomete mais mulheres ou homens ou não tem nada a ver uma coisa com a outra, professor? Acomete mais mulheres porque as mulheres têm uma propensão maior do que a gente chama de sorriso alto. Obviamente, para aparecer a gengível, você tem que ter um sorriso alto. Nós classificamos o sorriso em três situações. Sorriso baixo, que é aquela pessoa que mostra só os dentes.
Sorriso médio, aquela pessoa que mostra os dentes e um pouquinho de gengiva. E sorriso alto, aquela que mostra os dentes e já uma faixa de gengiva, geralmente superior a dois milímetros. Então, esse já seria um sorriso alto. Então, essas pessoas, como as mulheres têm mais propensão a ter um sorriso alto, a estética em si vai afetar mais as mulheres.
Entendi. No começo aqui da nossa conversa, professor, você comentou que faz parte, que a estética gengival faz parte de todo esse processo da estética facial, mas aí pensando especificamente nessa questão que você está explicando, dos sorrisos e...
e dessa questão estética, é possível tratar só dessa questão do aumento ou da diminuição da gengiva e as outras partes do rosto, da face, não serem mexidas? Sim.
Na verdade, a gente precisa fazer um diagnóstico global e ver qual é o problema, qual a causa daquele problema estético. E se o problema for apenas gengival ou dentário, é perfeitamente passível de correção apenas com procedimentos gengival. Seja aumentando o tamanho do dente, removendo gengiva, seja ao contrário, reduzindo o tamanho do dente, inserindo, implantando gengiva aí.
Isso é mais simples e o resultado é imediato, então é mais fácil de nós resolvermos e é mais rápido a percepção do paciente que aquilo melhorou. Outras situações já exigem complementações. Então, se a paciente tem um problema que a gente chama de esquelético, ou seja, o osso da face é mais longo do que o normal,
Aí, muitas vezes ele precisa de uma cirurgia mais complexa, que é a cirurgia ortognar, ou alguma cirurgia para a correção desse sorriso de antivália. Entre eles tem a instalação de cimento ósseo na base do nariz, tem cirurgias para evitar a elevação do lábio, e temos procedimentos mais simples, menos invasivos, com aplicação de botós. Entre eles...
que podem fazer com que aquele lado suba menos e mostre mais gengiva. Normalmente o tratamento é integrado, você acaba tendo que fazer alguma coisa a mais. Mas alguns pacientes não, eles têm um problema eminentemente dentário e esses pacientes são mais simples para resolver.
Eu fiquei pensando aqui enquanto você falava assim, né, que é um procedimento mais simples, né, ou você diminui o dente, né, ou você aumenta, né, pra ficar equilibrado, digamos assim, né, mas pra quem não é da área como eu, dá uma certa aflição, né, ficar imaginando, você falou, implantar gengiva, eu queria te ouvir um pouquinho em relação a isso. Na prática, como é que se faz isso? Porque me deu uma certa aflição de ficar imaginando o procedimento em si.
É só a aparência mesmo que dá essa aflição ou tem esse aspecto também, professor? Olha, Luciano, como são duas citações antagônicas, são tratamentos diferentes e também, assim, vamos colocar, na palavra que o ouvinte entenda, o sofrimento é diferente.
Na cirurgia, para aumentar o tamanho do dente, onde a gente remove gengiva e às vezes tem que remover um pouquinho de osso também, é uma cirurgia mais simples.
Em alguns casos, nós fazemos até sem corte, sem... Remove a gengiva, remove o osso por baixo, a gengiva tem aparelhos para isso. Certo. Nossa, ser uma cirurgia de pós-operatório muito bom, até brinco com os pacientes, que eles podem sair daqui, se eles derem meia hora, já podem ir na churrascaria.
Outras situações, a quantidade de osso a ser removida é um pouco maior, e exige que a gente descolha a gengiva, a cirurgia fica um pouco maior, dá um pouquinho mais de edema, mas não é grande coisa. Isso para aumentar o tamanho dos dentes.
Para reduzir o tamanho dos dentes, no qual você vai transplantar gengiva para aquele local, a pós-operatória é um pouco pior, uma cirurgia já um pouco mais invasiva, como a cirurgia plástica, nós chamamos de cirurgia plástica gengival. Então, como usou da cirurgia plástica, dá um pouco mais de edema, o paciente vai ter em dois, três dias edema, ele vai ter que...
Edema e inchaço, né? Inchaço, desculpa. Inchaço, vai dar um pouco mais de inchaço, o paciente vai ficar alguns dias sem atividade física, é um pouco mais complexo. Mas isso tudo demanda uma avaliação. E acho que cada caso é um caso, acho que a pessoa não deveria sofrer antes da hora.
Ela vai ouvir o Surgião Dendita, capacitado para isso. Ele vai explicar. A pessoa vai dizer o que incomoda. Começa assim. Nós fazemos uma análise facial completa e determinamos a causa daquele problema que incomoda. Porque às vezes a pessoa fala assim, a minha agendiva mostra muito, mas na verdade o dente que é curto. Às vezes ela fala, meu dente é muito longo, mas na verdade é outro problema.
Então, cabe a esse dentista identificar a causa e propor os tratamentos. Eu vou fugir um pouquinho do tema, mas eu vou continuar nele, né? Eu tive uma dentista que certa vez ela brincava, que ela falava que a única coisa que não caía na gente era justamente as gengivas, porque as gengivas subiam, né? Retraíam. E aí eu queria te ouvir, isso é verdade, professor? Com o tempo, com o envelhecimento, isso pode vir a acontecer?
Não é uma condenação, mas é algo muito frequente. Hoje nós temos, como nós conversamos no último podcast, nós temos várias técnicas para manter a saúde bucal e periodontal, que é mais específica da gengiva, para isso. Então, nós temos muitos pacientes octogenários que têm a gengiva perfeita.
Por outro lado, nós temos pacientes jovens que já não têm a mesma situação. Então, não é mais uma condenação etária como antes. Tá. Mas o problema é que não tratado, ou algumas pessoas têm mais propensão que outras, como todas as doenças, né? Sim. A gente tem muito paciente com câncer de pulmão que nunca fumou.
Então, essas pessoas poderão ter problemas. E normalmente, quando você perde o urso ao redor dos entes, a gengiva retrasa, que a gente chama. E realmente isso é bastante frequente. Não é uma condenação, mas é bastante frequente.
Entendi. Falando nessa questão dos problemas, inclusive, se tiver, se a pessoa que quer ou está apta, digamos assim, a fazer essas cirurgias, se ela tiver problemas de gengiva, ela não pode fazer essa cirurgia ou para isso também tem jeito? Não, tudo tem jeito, mas você tem uma... O que nós estamos conversando hoje da estética...
normalmente é um paciente saudável. Certo. A prioridade não é estética, é saúde. Então, se o paciente tem uma doença periodontal...
inflamação, perda óssea, dentes moles, isso é prioridade, isso tem que ser tratado antes, e a depender do resultado pode ser que a gente não possa fazer nada. Certo. Mas assim, o ouvinte tem que ter em mente que saúde é prioridade, a estética vem depois, embora o meu professor de estética, o melhor que tire, disse que é 5.
O saudável é belo, ou o belo é saudável. Nós fomos treinados pela evolução humana a identificar saúde, né? Sim. E identificar saúde como belo. Então, realmente, esse paciente precisará de um tratamento da saúde periodontal, da gengiva, e se for necessário, e se for possível, ele fará um tratamento estético.
Tá, entendi. Então tem que, não dá para colocar uma coisa na frente da outra, sendo que é isso que você falou, porque aí não vai dar certo, definitivamente não vai funcionar. Acho que aí em termos de autoestima vai ficar pior, né professor? Claro, vai perder os dentes, vai cair em implantes. E por falar em implantes, nós também temos uma estética gengival nos implantes.
Mesma situação, o que é mais frequente no implante é uma retração da mucosa. A gengiva do implante a gente chama de mucosa. Vou falar gengiva do implante para que o ouvinte entenda. Se tiver algum dentista ou meu ouvido, por favor. Compreenda também, né? Compreenda, por favor. Então, nós podemos ter uma retração da gengiva do implante por vários motivos, dentre eles inflamatórios.
E isso também é possível tratar em algumas situações e aí a gente pode conseguir um bom resultado estético também. Mas, por favor, não briguem com seus dentistas. Todos os casos demandam avaliação. Um caso não é igual ao outro. Então, compete ao cirurgião dentista dizer ao paciente as limitações do caso.
Professor, uma coisa que eu estava para te perguntar desde o começo da nossa conversa e me fugiu, ainda bem que voltou. A gente está falando de tudo isso em relação à gengiva da parte de cima dos dentes, dos dentes de cima. A gente não está falando dos dentes de baixo.
A gente tem essa tendência de falar da parte de cima, eu mesmo, pois nós temos pacientes que mostram mais a gengiva de baixo que a de cima. Aí já é mais frequente em homens.
E conforme nós envelhecemos, também há essa mudança, certo? Principalmente para os homens, se você começar a prestar atenção, eles acabam mostrando mais a parte de baixo. E, professora, eu estava... Quando você explicava essa questão da gengiva, em relação aos implantes, isso serve tanto para implante de um dente, dois dentes ou implante total? Essa preocupação e esse cuidado também, se precisar acontecer, como você explicou, a gengiva do implante?
Olha, essa preocupação estética, não saúde, está? Estética dos implantes, ela acontece mais do que a gente chama de implantes unitários de um dente ou parciais, alguns dentes. Alguns totais, muitas vezes, o paciente já perdeu tanto osso que ele já não tem mais a gengiva aparente. Então, o que aparece é uma gengiva artificial, é uma resina. Então, aí já é um problema protético, é um desenho da prótese, uma coisa assim.
Mas se ele ainda tiver osso suficiente para que tenha gengiva, a gengiva depende do osso, e os dentes dele saem, entre aspas, de dentro da gengiva, ele poderá ter esse tipo de problema e, evidentemente, demandar correção. Mas esses pacientes que perdem os dentes, bastante osso, a maioria dos total, esses pacientes, a estética deles já é dada pela prótese.
Ele não mostra a própria gengiva. Professor, para a gente encerrar, desde o começo do programa aqui, você tem frisado bastante, falado várias vezes, olha, são questões estéticas, não são questões de saúde, a prioridade tem que ser saúde, evidentemente que eu concordo com você, enfim. E aí eu queria te ouvir no final, se a gente, independentemente de...
querer ou precisar fazer algum tipo dessas cirurgias que você comentou, mas se a gente, enquanto ser humano, digamos assim, tem algo a fazer para o bem da saúde da nossa gengiva? Tem comportamentos do dia a dia que a gente pode colaborar com a nossa gengiva? Tem, obviamente tem, e são os mesmos sempre. Começa com uma alimentação saudável. Hoje nós entendemos melhor essas doenças.
da gengiva, e é impressionante que os fatores predisponentes, ou seja, aqueles que fazem com que você seja mais fácil ter uma doença relacionada às doenças da gengiva, periodontite, que os antigos chamavam de piorréia, ou perimplantite, que é a mesma doença nos implantes, os fatores predisponentes são os mesmos de infarto agudo do miocárdio.
Olha só. Os mesmos. Então, você pega a porcentagem alta de triglicérides, colesterol, sedentarismo, sobrepeso, estresse, cigarro. Então, são todos esses fatores que predispõem diabetes mal controlado. Todos esses fatores que predispõem o problema cardíaco são os mesmos que predispõem o problema gengival.
Então, já começa assim, alimentação saudável e vida saudável. Cuidar do próprio corpo, porque a boca, a gente esquece, né? Hoje que é um especialista diferente para a boca, a gente esquece que a boca faz parte do corpo.
E como faz, né? Como faz, a porta de entrada, né? Sim. Então, nós começamos daí. O segundo aspecto é a higiene, a escovação, o fio dental. E eu vou repetir o que eu falei no podcast, não estou chamando ninguém de porra. Eventualmente, a gente não consegue escovar bem. Mesmo os profissionais de saúde, às vezes, têm dificuldade na escovação. Então, você precisa estar sob supervisão.
de rotina, de um cirurgião dentista que possa dizer, olha, sua escovação está boa. Às vezes a escovação nossa é boa e acontece alguma coisa na nossa vida, a gente acaba esquecendo, é muito comum. O paciente vem por anos acompanhando, está ótimo. Então, de repente, ele vem e está tudo ruim. Tudo mudou. E aí ele começa a contar histórias da vida pessoal, que você entende que a boca deixou de ser prioridade. Então, você precisa de uma supervisão constante.
Vou voltar a falar aquela história da faxina, a mesma coisa, a gente limpa a casa todo dia, mas de vez em quando precisa fazer uma faxina mais pesada. Então, a cada 3 a 12 meses, dependendo da sua situação de saúde periodontal, você precisa passar no dentista para que ele faça uma revisão daquilo, ele faça uma remoção de tártaro, ele te orienta a escovar melhor, e são os fatores básicos para você ter saúde periodontal ao longo da vida.
Eu formei, Luciane, desculpe, quando eu formei, eu me lembro, eu formei não, eu era estudante, eu me lembro que tinha um quadro, o professor dava no primeiro ano de faculdade, que era a evolução da boca, sabe? E ele mostrava assim, desde o nascimento, ia formando os dentes, na idade adulta, depois ia perdendo, e terminava já com a idade avançada, sem dentes, sem osso, sem nada, parecia que era uma condenação.
E hoje a gente já encontra uma saúde periodontal e dentária, né? Assim, como eu disse, paciente, outro dia eu coloquei um implante em uma paciente, um implante, e ela tinha mais de 20 dentes dela, tinha 26 dentes dela na boca, perdeu um por um problema, mas dos 28, né, que a gente poderia esperar, tirando os terceiros rolares, ela tinha 26, todos perfeitos.
O índice de cárie caiu muito, o cuidado da população tem melhorado, a assistência odontológica é muito melhor, mais ampla, né? Então, é possível manter os seus dentes com saúde até o final. Que bom. Bom, só posso agradecer mais uma vez a oportunidade de conversar com o professor Elcio Marco Antônio Júnior. Professor, de novo, muito obrigada pela entrevista.
Obrigado, Luciene. Ouvintes da Uniara, estamos à disposição quando vocês precisarem. Qualquer dúvida podem entrar em contato. Muito obrigado. Tchau, tchau. Obrigada, professor. A Rádio Uniara FM apresentou Universidade Aberta.