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Dores orofaciais - Profa. Claudia Ramos Pinheiro

05 de maio de 202620min
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O Universidade Aberta Odontologia é um podcast de divulgação científica do Programa de Mestrado em Ciências Odontológicas, da Universidade de Araraquara – UNIARA. A jornalista Luciane do Valle conversa com pesquisadores, professores e mestrandos sobre suas pesquisas e estudos.

Assuntos4
  • Dores corporais e ligações astraisCaracterísticas da dor de canal · Causas da dor de canal (cárie, trauma, restauração profunda) · Inflamação e necrose da polpa dentária · Necessidade de tratamento de canal · Riscos da infecção bacteriana pela corrente sanguínea
  • Dor como informação corporalDefinição de dores orofaciais · Diferença entre dor de dente e dor orofacial · Dor na região da articulação temporomandibular · Dor na região dos seios paranasais
  • Dor orofacial e sinusiteConfusão entre dor de dente e sinusite · Relação das raízes dos dentes posteriores com o seio maxilar · Inflamação do seio maxilar
  • Disfunção temporomandibular e bruxismoBruxismo diurno e noturno · Causas do bruxismo (estresse, maloclusão) · Sintomas do bruxismo (dor, desgaste dentário, trincas) · Tratamento para bruxismo e disfunção de ATM · Laserterapia em disfunção de ATM
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E aí

A partir de agora, a rádio Uniara FM passa a transmitir Universidade Aberta, um projeto de extensão do Centro Universitário de Araraquara. Olá, eu sou a jornalista Luciane Duvale e no programa Universidade Aberta Odontologia de hoje, eu converso com a professora Cláudia Ramos Pinheiro. E eu vou conversar com a professora Cláudia sobre dores orofaciais. E ela até faz uma pergunta, né? Essas dores, a gente já tem que pensar logo o que é tratamento de canal e eu vou falar com a professora Cláudia Ramos Pinheiro.

ou pode indicar outras questões aí da nossa saúde. É claro que eu começo agradecendo a oportunidade de conversar com a professora Cláudia. E professora, preciso dar um passinho atrás aqui para o nosso ouvinte, que obviamente não é da área, assim como eu, que você explique o que são as dores orofaciais, que é um termo para a gente esquisito, não para vocês, mas para nós esquisito, para depois a gente entrar nessa questão se é ou não o canal. De novo, muito obrigada pela entrevista.

Bom dia, ouvintes. Bom dia, Luciane. Eu que agradeço. Sempre um prazer, até mesmo porque eu tenho um carinho muito grande com a Araraquara, que foi onde eu realizei o meu mestrado. Então, para iniciar o nosso bate-papo, nossa conversa, dores orofaciais são todas as dores que a gente tem na face.

No rosto, né? Então, acaba que toda dor que tem, principalmente na região da boca, a gente já foi, como eu vou dizer, a nossa cultura já nos conduziu a pensar que necessariamente é uma dor de dente, né?

é uma dor, se é de dente então que consequentemente vai ser necessário o tratamento de canal e não necessariamente, então é toda dor que tem na região da face, então pode ser aí na região da articulação, tem poro-mandibular.

pode ser realmente na região dos dentes propriamente dito, pode ser na região aqui da testa, que a gente chama aqui dos seios paranasais, na região aqui nasal, bochecha, para baixo do queixo, então é a face como um todo, não necessariamente um problema com os dentes.

e não necessariamente precisando fazer o canal. Ai, que bom, né? Por um lado, que bom. Péssimo que tá com dor, né? Mas por outro lado, de repente, né? É outra causa que não necessariamente termina em tratamento de canal. Com certeza.

Mas aí eu te pergunto, Cláudia, a gente, paciente, digamos assim, com essa dor, que a gente não consiga reconhecer no primeiro momento o que é, aí eu te pergunto justamente isso. Tem algumas, digamos assim, pistas que a gente fala, bom, é aqui na região da boca, é na boca, mas eu acho que não necessariamente é no dente. A gente consegue perceber, fazer essa diferença? Sim, muito boa pergunta. Então, por exemplo...

A gente acaba se confundindo entre uma dor nos dentes, principalmente nos molares, que são os dentes do fundo, superiores, quando a gente está gripado, quando é uma gripe muito forte que acaba resultando em uma sinusite, que é aquele desconforto muito grande.

que culmina em dor de cabeça, muitas vezes a gente não consegue dormir, abaixando a cabeça, então, dói muito mais. Então, acaba que as raízes dos nossos dentes posteriores estão em íntimo contato com o nosso seio maxilar. Então, quando essa região do seio maxilar está inflamado,

acaba que toda essa região dos dentes, principalmente os molares, que são os dentes do fundo da nossa arcada superior, ficam muito doloridos, ficam muito sensíveis. E aí o paciente muitas vezes nos busca, busca o odontólogo, pensando que é um problema às vezes no dente, uma infiltração de uma restauração que ele tenha, ou até mesmo um problema de canal, que ele...

pensa que precisa necessariamente tratar. E na verdade ele tá gripado, comprometeu, inflamou essa região do seio maxilar, é o que a gente conhece como sinusite, e nada tem a ver com a questão dentária, né? E muito menos que leve à necessidade de um tratamento de canal.

E o contrário, como é que fica? Porque, inclusive, é engraçado, né? Eu, quando eu termino de entrevistar vocês, vocês sabem disso, a gente dá uma conversada, né? Ou antes ou depois, e a gente conversa algumas coisas sobre a entrevista e tal. E eu lembro que...

Faz pouco tempo até eu conversei com um profissional da endodontia, né, que cuida dessa área de tratamento de canal, e foi engraçado que eu comentei com ele, ele super concordou comigo, mas a gente não tem ciência nenhuma nisso, né, eu acho. Eu falei pra ele, é engraçado porque a gente meio que sabe quando é dor de canal. A gente fala, essa dor é de canal. E aí eu queria te ouvir sobre isso, né, sobre essa nossa percepção nada científica.

que a gente fala, isso aqui está me parecendo canal, e normalmente é mesmo. Queria te ouvir um pouco em relação a isso, Cláudia. A dor de canal, ela é uma dor que não deixa o paciente em paz, não que a sinusite não seja extremamente desconfortável e dolorida também.

Mas a dor do canal é dor, né? É uma dor intensa, é uma dor que pulsa, né? Que a gente fala uma dor pulsátil, é uma dor irradiada, é uma dor que o paciente, às vezes até inadvertidamente, já fez uso de muitas medicações, né? Até nem era necessário.

E nada surte efeito, nada, porque realmente existe aí uma cárie ou uma restauração de resina muito profunda, ou o paciente sofreu um trauma nessa região e isso resultou na inflamação da polpa, às vezes até a morte do tecido pulpar, a necrose pulpar. E aí não tem como a gente...

É querer fugir, né? Sim. Não tem como o paciente querer fugir, porque é aquela dor insuportável, o paciente não dorme, o paciente não come, o paciente não consegue trabalhar, muitas vezes ele está até com o rosto inchado.

E não tem como a gente se enganar. Então, a gente acaba sabendo, né? Enquanto odontólogo e principalmente o paciente, que tem que procurar o dentista o mais rápido possível e iniciar esse tratamento de canal. Que enquanto ele não inicia esse tratamento de canal, ele não tem paz.

É verdade. E aí, justamente, eu já emendo a pergunta, que eu acredito que eu sei a resposta e o ouvinte também, mas vou fazê-la de qualquer forma. Todo canal tem que ser tratado, né? Ah, sim. Sim, todo tratamento de canal precisa ser feito e o quanto antes, seja por causa inflamatória ou infecciosa, é sempre um risco para o paciente.

Primeiro porque o paciente precisa ter retomado a sua qualidade de vida. Enquanto ele não inicia esse tratamento de canal, ele não tem paz. E também, se for uma doença inflamatória, se for aí ter a morte, a necrose da polpa, isso vem acompanhada de uma infecção bacteriana e pela corrente sanguínea isso pode ir para qualquer parte do corpo.

Então, se o paciente está numa condição, como eu expliquei da outra vez, uma condição de queda no sistema imunológico, pela corrente sanguínea, essas bactérias vão para todas as partes do corpo. Então, sim, diagnosticada a necessidade do tratamento de canal, ele tem que ser estabelecido o quanto antes e, de preferência, com especialista na área que trabalhe com toda a tecnologia e todos os cuidados.

Bom, vamos lá então, Cláudia. A gente, no começo aqui, você explicou o que é, obviamente, o que são as dores orofaciais. Aí falou desse exemplo da sinusite, falamos agora da questão do canal e eu imagino que há outras possibilidades da gente sentir dor que não é nem a questão da sinusite nem a do canal, né? Exatamente. Então, uma das causas também muito frequentes de dores aí na região da facebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebrebre

é a questão do bruxismo, o apertamento dentário. Então a gente leva aí um dia a dia muito estressante. O nosso paciente muitas vezes é submetido a uma carga de estresse muito grande e acaba apertando esses dentes. E o que é muito curioso, porque o apertamento dentário, que é conhecido como bruxismo,

ele não acontece somente à noite, então muitas vezes ele acontece durante o dia também. É o que vocês chamam de vigília, né? Em vigília, né? Isso, então acaba acontecendo aí durante o dia.

é que durante o dia a gente tá aí distraído com uma série de questões e acaba não percebendo. Acaba à noite, principalmente o nosso parceiro, detectando aí que a gente aperta, range os nossos dentes aí durante o período noturno.

Então, esse apertamento dentário decorrente muitas vezes de maloclusão, o paciente não tem uma oclusão satisfatória ou até mesmo o apertamento por estresse, ele leva a uma disfunção na articulação temporomandibular.

E aí isso traz uma dor intensa, também relatada por muitos pacientes insuportável, que leva e abarca toda essa região aí do ouvido, dos olhos, dos dentes, do rosto como um todo.

Então, neste caso, eu vou até já dar um spoiler, é necessário que o paciente busque o odontólogo o mais breve possível para fazer um ajuste da sua mordida. Às vezes precisa fazer um tratamento reabilitador, já desgastou tanto os dentes.

que já teve uma perda aí de dimensão, né? Então, precisa aí fazer um ganho dessa dimensão aí perdida pelo desgaste, pelo apertamento e usar a placa, né? Mil relaxante o mais rápido possível. E claro, em casos assim de disfunção de ATM, se faz necessário também o uso de...

anti-inflamatórios prescritos pelo profissional e hoje em dia com muita efetividade a gente tem a aplicação de laser. Então a gente tem a aplicação de laser com muito sucesso e muito bons resultados, trazendo aí um conforto imediato ao nosso paciente.

Cláudia, é o seguinte, você falou assim, ah, porque aí o companheiro, né, ou a companheira percebe que tá fazendo tudo isso, mas e quem vive sozinho? Como é que faz? Tem algum jeito de perceber, para além da dor, né? Sim, vai perceber, porque os dentes começam a desgastar.

E a dor de cabeça, normalmente acorda de manhã já com muita dor de cabeça, principalmente aqueles que apertam bastante. Então, no dia seguinte, já acordam com aquela tremenda dor de cabeça. E aí eu faço alerta a cada um dos ouvintes, que pensa que pode estar apertando os dentes.

olhar no espelho atentamente e ver se já não tem um desgaste nesses dentes, porque isso é muito típico daqueles pacientes, aqueles indivíduos que têm o apertamento dentário, ter os seus dentes desgastados.

Esse desgaste, o que que é? Tá meio lascadinho? Tá meio esquisitinho? Meio lascadinho, desgastadinho, tá? Principalmente, acaba o desgaste culminando e resultando em pequenas trincas, né? Então, o paciente pode ficar vigilante no local iluminado com o espelho e observar esses desgastes na estrutura dentária em função do apertamento.

Mas a dor de cabeça é clássica. Entendi. E aí pode também vir a dar dor nos dentes, especialmente os do fundo, por causa desse apertamento, e a gente achar que é canal. Muitas vezes leva ao canal, viu? Ah, só. Sim. Então, assim, o paciente sente essa dor, né, em função do apertamento.

e ele invariavelmente correlaciona com a questão da necessidade do tratamento de canal. E muitas vezes, se isso não é resolvido, culmina, resulta, termina em tratamento de canal mesmo, porque vai inflamando o tecido, vai desgastando o dente, vai inflamando o tecido pulpar, que é a polpa, popularmente dizendo o nervinho do dente.

E aí, culmina, resulta em tratamento de canal. E não é um tratamento de canal fácil.

para o especialista, porque normalmente o apertamento dentário resulta no estreitamento do canal. Então isso acaba sendo um tratamento de canal de difícil resolução para o especialista. E também não só o tratamento de canal, muitas vezes até fratura o dente.

Esse apertamento dentário está muito relacionado com a fratura da coroa do dente e às vezes até, infelizmente, o paciente acaba perdendo esse dente em função desse apertamento dentário.

Caramba, né? É muito complicado, né? Bom, eu vou te fazer duas perguntas em uma, na verdade, né? Que normalmente quando eu tô conversando sobre canal e tratamento de canal, eu faço essa pergunta porque eu sempre gosto de ouvir várias opiniões a respeito, né? Então vamos lá, duas em uma, né? Então, por exemplo, por exemplo não, né? A pergunta em si. Toda cari vira canal? Minha primeira pergunta. E...

A gente consegue prevenir que essa cárie vire canal? Se sim, como? Muito bem. Então, a causa mais frequente de tratamento de canal é a cárie. Esse é o primeiro ponto, tá? É o fator etiológico, é a causa mais comum. Mas não necessariamente todo dente careado...

termina na necessidade do tratamento de canal. Então, assim, qualquer sensibilidade que o paciente tenha, muitas vezes começa e começa o início, uma carie pequena, o estímulo, normalmente, a sensibilidade, é com alimentos cítricos, laranja, limão, enfim.

E também doces, né? Certo. Isso acelera o processo aí de desmineralização dentária. Então, começou a ter essa sensibilidade com esses estímulos, às vezes até com frio ou com quente já começa?

procurar o odontólogo o mais rápido possível, porque às vezes é uma questão de remoção dessa cárie, né? E colocar aí, de repente, um curativo, se for uma cárie que já tá aí de superficial pra mediana, vamos colocar assim na cavidade dentária, colocar um material aí, um curativo, né? Um material, uma medicação que vai ficar aí por um certo tempo.

na tentativa de ter aí a cicatrização, o reparo, e aí, em alguns casos, isso nem evolui para a necessidade do tratamento de canal. Então, acho que essa foi a primeira parte da pergunta. E a segunda parte que você me perguntou? Disse tem como prevenir, né? Que essa cárie vire canal.

Sempre prevenir. Então, assim, temos que fazer visitas periódicas, né? Odontólogo, isso eu falo temos porque nós também odontólogos também, né? Visitas periódicas aí para que possa ser feita uma limpeza profissional, uma avaliação clínica.

em que se vai detectar a presença de possíveis cáries ou restaurações muito antigas que muitas vezes já estão com infiltração ou pequenas fraturas que a gente possa, como odontólogo, detectar. Então, as visitas ao dentista, pelo menos a cada seis meses, se fazem necessárias.

E aí eu acho que entra, né, pra gente ir se encaminhando pro final aqui, Cláudia, acho que entra o óbvio nosso de cada dia, né? A questão da escovação, cuidar com a qualidade dos alimentos que a gente consome, acho que isso a gente nunca pede, né? É, exatamente. Essa semana eu tava dando aula pra...

para os alunos da graduação, do primeiro ano, e aí eu estava falando que justamente a cara é uma doença multifatorial, então não é só a questão do biofilme cariogênico, da bactéria ali causando a infecção, mas sim a dieta tem um papel fundamental, então todo mundo vai poder comer o seu docinho, a gente gosta, todo mundo gosta.

Mas é aquela questão de, na grande parte do dia, substituir o doce por uma fruta, evitar muito açúcar refinado ou açúcar cristal, e estar sempre higienizando, como você mesmo pontuou.

a questão de uma boa escovação, o uso de enxagotório bucal, o fio dental, então essa limpeza, essa qualidade da higienização oral sendo regular e bem realizada pelo nosso paciente.

Então, é isso, na verdade, é multifatorial. Então, a carie, muitas vezes, não só é por causa da bactéria, do biofimicariogênico, mas também a questão da dieta e questões relacionadas com o nosso próprio paciente. É, às vezes a culpa é nossa, né, Cláudia? Na verdade é essa. É, nós, né?

Falando a verdade aqui, né? Enfim, bom, só posso agradecer mais uma vez a oportunidade de conversar com a professora Cláudia Ramos Pinheiro e justamente falamos um pouco das dores orofaciais e de quando é canal, quando não é e o que fazer. Professora Cláudia, novamente, muito obrigada. Eu que agradeço. Um abraço a todos os ouvintes. Obrigada. Para você.

A Rádio Uniara FM apresentou Universidade Aberta.

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