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A transparência enquanto valor da fé: Entre o mistério, a verdade e a responsabilidade

25 de julho de 202626min
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Permitam-me começar por uma palavra que, talvez por parecer demasiado evidente, corre o risco de já não ser verdadeiramente considerada: transparência. Hoje, invocamo-la quase como um critério absoluto de legitimidade. Tudo deve ser transparente: as instituições, os procedimentos, as decisões, as relações, os discursos, até os gestos mais íntimos da vida pessoal e comunitária.

Mas talvez seja precisamente aqui que começa a dificuldade. Nem toda a transparência é verdadeira claridade. Há formas de exposição que não iluminam, apenas devassam; há exigências de visibilidade que não libertam, apenas controlam; há discursos sobre a verdade que, em vez de servirem a confiança, alimentam a suspeita permanente.

Quando a teologia, como exercício de refletir sobre a fé, entra neste diálogo, não o faz para diminuir a exigência de verdade ou de responsabilidade. Pelo contrário, fá-lo para impedir que a transparência seja empobrecida e convertida num simples mecanismo de vigilância. A fé recorda-nos que a pessoa humana não é integralmente redutível ao que se mostra, que o mistério não é sinónimo de ocultação e que a confiança não nasce da devassa, mas de uma verdade habitada com responsabilidade, pudor e cuidado.

É neste horizonte que gostaria de situar esta intervenção: pensar a transparência não apenas como requisito institucional, mas como questão antropológica, ética e relacional. Uma questão que toca o modo como nos expomos, como respondemos uns pelos outros e como deixamos que a verdade se torne, não instrumento de domínio, mas lugar de encontro.

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