Episódios de COACHcast | Lições reais de carreira e liderança

O maior patrimônio de uma empresa são as pessoas | Camille Holmer

06 de julho de 202636min
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Empresas crescem por estratégia, inovação e tecnologia.

Mas nada disso acontece sem pessoas preparadas, engajadas e bem lideradas.

Neste episódio do COACHcast, converso com Camille Holmer, psicóloga, conselheira e fundadora da Priorize Gestão Estratégica de Pessoas, sobre um tema que impacta qualquer organização: como transformar pessoas em vantagem competitiva.Falamos sobre desenvolvimento de lideranças, cultura organizacional, retenção de talentos, carreira, aprendizado contínuo e por que investir nas pessoas deixou de ser uma escolha para se tornar uma necessidade.Se você lidera equipes, empreende ou deseja construir uma carreira de alto impacto, esta conversa é para você.

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Participantes neste episódio2
S

Sérgio

HostHipnoterapeuta
C

Camille Holmer

ConvidadoPsicóloga, conselheira e fundadora da Priorize Gestão Estratégica de Pessoas
Assuntos5
  • Gestão e LiderançaCultura Organizacional · Retenção de Talentos · Liderança Assertiva · Risco Psicossocial
  • Desenvolvimento ProfissionalPropósito Profissional · Autoconhecimento · Mentoria · Aprendizado Contínuo
  • Trajetória profissional e IAPsicologia do Trabalho · Carreira no Varejo · Consultoria Priorize · Conselheira Sicredi
  • Direção de empresas e organizaçõesVantagem Competitiva · Engajamento · Felicidade no Trabalho
  • Competências para Profissionais da QualidadeCompetências Técnicas · Competências Comportamentais · Inteligência Emocional · Comunicação
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SSérgio

Começa agora mais um episódio do Coachcast e eu tenho o prazer de receber aqui Camille Homer, diretamente de uma cidade que eu amo e faz tempo que eu não vou lá. Ela está em Curitiba. Adoro Curitiba, gosto muito. É uma cidade acolhedora, é uma cidade linda. Vocês precisam ir lá, quem não conhece. E claro, não estamos aqui para falar da cidade, mas A Camille veio contar sua trajetória profissional, uma pessoa muito experiente. Quem é Camille?

CHCamille Holmer

Oi, é um prazer falar com você. Curitiba realmente é uma cidade inspiradora, de muita gente boa aqui, né? Bom, contando um pouquinho minha história, sou psicóloga, eu gosto de começar assim, né? Sou psicóloga de formação, estudo bastante comportamento humano e liderança, que eu acredito que A gente pode ser feliz no trabalho e a gente precisa entender como é que esse universo do trabalho funciona para que a gente consiga equilibrar os nossos propósitos com os propósitos da empresa, já que o trabalho ocupa um terço da nossa vida, né?

Além da psicologia, que é a minha paixão, eu comecei muito cedo como professora, né? Fiz magistério, comecei como professora e fui percebendo que É, muito do dia a dia passa pelas emoções, passava pela, pela personalidade das pessoas, e por isso eu fui direcionando a minha carreira para psicologia do trabalho. Logo eu entrei na Anicei como estagiária, que é uma das 7 maiores redes de farmácia do país. Na época ela tinha 15 farmácias, fui fazendo a minha carreira lá até chegar à diretoria, já com 300 farmácias.

E aí na diretoria eu percebi que Eu não tava fazendo aquilo que eu acreditava que era ser feliz no trabalho, né? Sempre gostei de estar com as pessoas, sempre gostei de estar na loja, que para mim é onde tudo acontece. E a vida de diretora é ficar numa sala, né, tomando decisões e tudo mais. E aí pedi minha conta e resolvi partir para um projeto que era montar minha consultoria, que é a Priorize, para atender empresas de varejo e serviço montando estratégias de gente e gestão.

Então, a Priorize já tem 16 anos, a gente atua no Brasil inteiro olhando para empresas de varejo, serviço e cooperativas e montando estratégias de gente com esse foco de fazer com que os resultados aconteçam através das pessoas, mas sem esquecer que as pessoas precisam ser felizes e gente feliz dá dinheiro. Sempre falo isso, né? Além dessa carreira de consultora, eu sou conselheira também do Sicredi É, tenho muito orgulho disso, de trabalhar para uma empresa cooperativista, porque acho que cooperar e colaborar é o futuro do trabalho. Essa sou eu, Sérgio.

SSérgio

Que legal, que coisa boa! E muito mais, né, porque são tantos anos de experiência, tanta vida, e super jovem ainda. Isso é o que importa, né, essa energia boa aí.

CHCamille Holmer

Sim, sim, é, eu acredito que a gente tem que fazer o que a gente ama, e aí a gente é produtivo.

SSérgio

Né?

CHCamille Holmer

Então faço realmente várias coisas, atuo pelo Brasil inteiro, mas sou privilegiada porque eu faço o que eu gosto. A gente falava disso, né? Eu acredito muito que a nossa carreira é nossa, não é da empresa que a gente tá, né? Porque a gente faz a nossa carreira construindo a nossa personalidade, construindo a nossa história, e a carreira ela vai sendo formada a partir de tudo que a gente estuda, tudo que a gente dedica, olhando para as nossas habilidades também, né, nossos valores.

Então realmente eu fui montando a minha carreira e fui me dedicando para vários projetos ao mesmo tempo, que é isso que eu gosto.

SSérgio

Que maravilha, Camille! Uma trajetória realmente bem interessante. Agora fico pensando assim, vamos lá, você começou no magistério, quanto tempo levou para você virar a chavinha e ir para psicologia?

CHCamille Holmer

Então foi bem rapidinho, né? Eu fiz o magistério, comecei a dar aula e fui, e logo passei no concurso aqui na prefeitura e fui alocada com as crianças especiais, né? As crianças que tinham alguma deficiência mental. Então fui fazer especialização para fazer isso bem feito e percebi que a psicologia tava presente e podia ajudar muito mais. Foi aí que eu migrei para psicologia. E eu fiz PUC aqui no Paraná e a gente precisa fazer estágio em todas as áreas da psicologia na minha época, né?

Já faz 20 e poucos anos que eu sou formada. E aí eu escolhi a psicologia do trabalho porque era a única certeza que eu tinha que não queria psicologia do trabalho. Fui fazer o primeiro estágio para sair, me apaixonei, né? Comecei com recrutamento e seleção na ANICEI e logo fui para o treinamento e fui para as outras áreas da psicologia. Nunca mais saí da psicologia do trabalho. E acabo que uso tudo que eu aprendi no magistério porque faço bastante treinamento e palestra, né?

Acho que a gente precisa, no mundo do trabalho, aprender a aprender, né? As competências estão mudando muito rápido, né? Se a gente for olhar para o Fórum Econômico Mundial, né, diz que até 2030 muitas das nossas competências terão que ser revisitadas. Então acho que as empresas todas e os profissionais estão no momento de rever as suas competências, de investir mais em competências comportamentais. Não que as técnicas não sejam importantes, elas são super relevantes e também precisam ser atualizadas, mas eu percebo que nesse universo do trabalho quem não olhar para as competências comportamentais é que vai ficar um pouco fora, né?

Eu percebo muito e brinco, a gente brinca muito aqui na Priorize, que a gente é contratado pelo LinkedIn, né? Todas as nossas competências técnicas estão lá no nosso LinkedIn, bem bonitinhas, organizadas, mas a gente é demitido pelas outras redes sociais, pelo Instagram mesmo, que é o nosso comportamento muitas vezes que aborta. Você concorda, né, Sérgio? Então trabalhar inteligência emocional, trabalhar as competências comportamentais, comunicação, né, habilidade de análise de cenário.

Tudo isso eu acho que é muito relevante nesse momento, assim, independente se você seja pessoa jurídica dentro de uma empresa ou você esteja em uma empresa, independente do nível que você está, seja analista, gestor, se leva, ou você precisa investir em trabalhar essas competências.

SSérgio

Ou seja, dê sempre o seu melhor nas duas, nas duas áreas principais, nas técnicas e comportamentais, que você vai se dar bem.

CHCamille Holmer

Pode demorar. E eu acredito, sabe, que o fundamental é você, além de você se dedicar, né, você olhar para verdadeiramente qual é o teu propósito e o que você quer. Sei que tá na moda falar de propósito, né, mas eu acho que o propósito, às vezes as pessoas procuram algo grande como propósito, e o propósito pode ser pequenininho. Eu sempre acredito no agir local para atingir o grupo global, sabe? Eu acho que se você acredita nas suas virtudes, se você acredita nos seus valores, se você sabe quem você é, a sua escolha profissional ela é muito melhor.

E aí você escolhendo uma atividade profissional que tem a ver com você, com o seu jeitão, já é 50% do caminho, né? E aí é só desenvolver essas competências. E eu acho sempre, e falo muito, que hoje a gente tem muitas oportunidades de ajuda. Né? A gente tem diversos podcasts como esse que a pessoa aprende muito, dá para maratonar e conhecer várias pessoas que podem interferir positivamente na carreira. A gente tem o online que acelera, né?

Então vontade é o que prevalece para que você tenha uma carreira de sucesso nesse momento. Eu acho que é isso assim, e olhar para ir para essa carreira como algo que tem que ser bom, tem que ser produtivo, tem que ser legal, tem a ver com você.

SSérgio

Muito legal. É, você me fez pensar aqui, né? Muitas pessoas às vezes colocam todas as suas dificuldades. E realmente, vamos pensar o seguinte: São Paulo, eventualmente a gente olha para pessoas que estão começando nas suas carreiras, que não tem tanta condição, que estão muito na periferia, que vão ter que se esforçar muito mais para isso. Só que eu vejo alguns exemplos de pessoas que, tá bom, acordam 5 da manhã, pegam 2 horas de ônibus, chegam no seu lugar, 2 horas de transporte público, e vão e entregam o seu melhor de fato.

E isso vai fazer a diferença. Então eu já vi alguns exemplos aqui de pessoas nessa condição que não deixaram o meio prejudicar o seu crescimento e foram lutaram, fizeram faculdade, faculdade pública, começaram a trabalhar, estagiar, se dedicaram, se empenharam, se comprometeram e chegaram lá onde queriam. Quer dizer, estão no caminho de onde querem. Então não dá para deixar a dificuldade também, Camille.

CHCamille Holmer

Eu percebo assim, eu trabalho muito para empresas de varejo, a minha carreira foi feita no varejo, né? O varejo é a porta de entrada do mercado de trabalho. Né? Eu falo que o único lugar que você leva um currículo que tem o teu nome, teu endereço, você consegue um emprego, é o varejo, né? Porque tem muitas oportunidades. E eu vejo que, eu entendo que o varejo tem poucos benefícios, o varejo tem uma escala de trabalho que pega sábado, domingo, feriado, que às vezes as pessoas não querem se sujeitar a isso, mas o varejo é um mundo de oportunidade para quem tá começando e para quem realmente quer se dedicar, né?

A gente, se a gente olhar só para as vagas básicas do varejo, elas não são realmente atrativas, né? Mas se a gente olhar no longo prazo, essa pessoa que começa aí a se dedicar, né, que começa a olhar o trabalho como um veículo para o seu sucesso, porque eu falo que todo trabalho é um veículo, né, que leva a gente para o nosso sucesso, seja qual for o desejo de sucesso que você tenha. Agora a pergunta é: como é que você cuida desse veículo?

Talvez você tenha um veículo muito simples no começo, mas se você for cuidando desse veículo, né, se você for se dedicando, como você falou, dando o seu melhor para aquele veículo, no longo prazo esse veículo vai te levar com muita segurança e constância onde você quer, né? Então como é que a gente se dedica para o nosso veículo? No meu ver, é isso que você falou, é olhando, fazendo o seu se dedicando, né? Não é fazendo o extraordinário, mas fazendo o ordinário bem feito, né?

Se você entende qual é a sua função e você entrega ela com qualidade, com carinho, eu vejo que a coisa começa a acontecer. O que eu vejo que é o diferencial dos profissionais que crescem, Sérgio, principalmente no varejo e serviços, que é onde eu mais atuo, é estar com o coração junto com o negócio, sabe? Eu vejo muitas pessoas que vão trabalhar só de corpo, né?

SSérgio

Só o corpo vai trabalhar, vai com o corpo, né? Porque parece que nem o corpo está lá, né?

CHCamille Holmer

Eu brinco isso nos meus treinamentos, os líderes dão muita risada, mas é verdade. A gente vê pessoas que só tá lá o corpo, a cabeça não foi trabalhar e nem o coração.

SSérgio

Né?

CHCamille Holmer

E eu falo que quando a gente vai de cabeça, corpo e coração trabalhar, a gente consegue olhar para o nosso cliente e ser um resolvedor de problemas, seja em qual for o seu trabalho. E se você é um resolvedor de problemas, você é visto diferente pela sua empresa. Eu falo muito que o mercado de trabalho é igual ao mercado de diamante, né? Vale mais a pedra mais polida. Né, é sobre isso. E como é que a gente vai fazendo polimento de diamantes com lixa, né?

No começo da nossa carreira, a lixa é grossa, é duro, né? Eu preciso de um líder que diga não, não, não, não, não, não, não, não, não, para ir me direcionando, né? À medida que eu tô investindo na minha carreira, essa lixa fica mais fina.

SSérgio

É bem isso aí. Aproveitando Nossa, eu tô com vários caminhos aqui para fazer perguntas, mas eu deixo eu ser assertivo aqui. No comecinho lá, a Camille estagiária, como é que foi esse estágio que você começou? Já deu aula, depois foi para a NC estagiar?

CHCamille Holmer

Isso, foi para NC estagiar. Então eu, o meu estágio começou no primeiro mês de faculdade, né? Essa história é uma história que vale a pena ser contada, porque quando eu fui fazer a entrevista com o dono da NCEI, ele falou, ó, eu preciso de alguém que queira ser minha gerente de RH. Eu falei, mas eu comecei a faculdade semana passada praticamente. Daí ele falou, não, tudo bem, porque eu ainda não tenho RH. Então eu quero alguém que, quando eu tiver uma gerente de RH, queira ocupar esse lugar.

Você quer? Foi assim a minha entrevista. E eu com muita insegurança falei, eu quero, né? Não tinha nada a perder. E a mentalidade dele era realmente essa, trazer alguém que estivesse disposta a aprender junto com a empresa. Então eu comecei, o setor de RH não existia dentro da empresa, era uma consultoria que tava construindo.

SSérgio

Com 300 lojas não tinha?

CHCamille Holmer

Não, 15 farmácias.

SSérgio

Desculpa, desculpa.

CHCamille Holmer

Quando eu comecei tinham 15 farmácias.

SSérgio

De toda forma, 15 farmácias já deve ter o quê? No mínimo uns cento e poucos funcionários.

CHCamille Holmer

É um pouquinho menos, né, mas era essa estrutura. Mas a gente tá falando aí de 96, né? É verdade, era outro momento, um outro momento onde o RH nem era visto como um setor além do burocrático, né? Então, departamento pessoal, as estratégias de RH burocráticas, elas existiam e eram consistentes. Mas na minha visão, RH é muito mais do que o departamento pessoal, né? E era isso que ele tinha começado a construir. Ele é um empresário muito visionário e ele percebeu que se as pessoas estivessem bem, a venda acontecia melhor.

Então eu fui trazida nesse cenário de recrutar melhor, acompanhar o colaborador, acompanhar a vida do colaborador dentro da loja, para que ele desempenhasse melhor. Então, além de recrutar, eu acompanhava para saber dia do aniversário, como é que tava o desempenho, ele tava indo bem. Era supervisionário para época esse tipo de gestão de pessoas assim, né? E esse cuidado com colaborador existia assim genuinamente, verdadeiramente, foi construindo a história Na Nissei até hoje é assim lá.

E eu fui construindo então a partir do recrutamento e seleção, depois a gente percebeu que se a gente treinasse as pessoas ia ser assertivo, aí eu fui para o treinamento, então passei um tempo no treinamento. Depois disso a gente foi construindo as áreas de segurança do trabalho, que também na época era bem inovador assim, já com esse olhar de que A saúde faz diferença, né? Eu não posso vender saúde se eu não tenho colaborador com saúde, né?

Porque eu acho que é muito sobre isso. A gente só consegue entregar para o nosso cliente aquilo que a gente tem dentro de casa, né? Então, se o colaborador tá bem, ele consegue fazer um bom atendimento. Se ele não está bem, não tem bom atendimento, né? Então eu fui fazendo a carreira e fui naturalmente sendo promovida a partir das oportunidades que a empresa foi surgindo. A empresa foi crescendo, foi crescendo muito, então precisou de analista, depois coordenadora, depois de gerente, e aí cheguei na direção do RH. Que legal!

SSérgio

E como é que você enxerga hoje aquela Camille, fazendo um paralelo com as pessoas que estão começando, né? Porque aí tem um choque geracional também. Como é que você vê as diferenças assim?

CHCamille Holmer

Então eu olho para essa geração como uma geração que busca coisas diferentes da nossa. Na verdade, busca a mesma coisa de formas diferentes, né? A gente também buscava sucesso, mas o nosso caminho era formatado de uma forma diferente, né? A gente foi treinado pela vida a cumprir um plano que estabeleceram para gente, né, que era fazer faculdade, era conseguir um emprego fixo, ficar nesse emprego, né? Essa geração, ela busca também o sucesso, mas ela já entendeu que o caminho é diverso, né?

Que o caminho para o sucesso não precisa ser formatado por outra pessoa, precisa ser, pode ser formatado por ela, a partir das coisas que ela enxerga como valioso. O que eu acho que muitas vezes falta é a busca de alguém que possa mentorar esse esse caminho e possa ajudar a olhar para o que que ela quer, quem ela é no meio disso e o que que o trabalho tem a ver com isso, né? Eu percebo muita gente boa perdida, né, começando a carreira perdida porque ainda não entendeu quais são os valores, o que que ela tá buscando, e às vezes perde oportunidades por pequenas coisas ou por falta de paciência de enxergar o todo.

É isso que eu vejo. Eu acho que conversar sobre carreira no começo faz muita diferença, sabe? Ter alguém que mentore, ter alguém que a pessoa consiga olhar como referência e trocar experiências faz muita diferença, né? Na cooperativa, né, eu falei para você que eu sou conselheira do Sicredi, No Sicredi a gente tem um programa muito forte de liderança e jovens, né, para que a gente consiga olhar para esses jovens cooperativistas que estão dentro da cooperativa e ajudar eles a pensar sobre carreira, né, pensar às vezes fora da caixa, porque eles não querem a CLT, muitos deles, eles querem empreender ou eles querem outras formas de trabalhar.

Mas como é que a gente pode ajudar eles a ter sucesso no universo que eles escolherem, sabe? Então a gente faz esse trabalho de muita conversa, de treinamento, de formação, de levar gente com carreiras de sucesso para eles se inspirarem. Porque muitas vezes eu acho que é isso que falta, sabe? Quero fazer fora da caixa, mas como? Como que eu faço isso?

SSérgio

É verdade. Não, isso é interessante que você falou, né? Muitos querem empreender, e empreender a gente sabe que não é fácil. E pelo menos assim, eu nunca quis empreender. O mundo me levou para empreender depois de uma certa, de uma certa idade assim, mas eu era, a única coisa que eu não queria era empreender, porque eu não via com bons olhos, principalmente no Brasil. Sim, só que para empreender é muito importante passar por empresas, passar pelo corporativo como você fez, e aí depois que você foi criar a Priorize Sim, é porque a gente, para empreender, a gente precisa de competências de gestão que não contam para gente, né?

CHCamille Holmer

E a gente vai descobrindo no meio do caminho que para uma empresa dar certo você tem que ter um olhar forte de finanças, você tem que ter um olhar forte para administração, para gestão de pessoas, para contabilidade, né? Ou você precisa saber escolher parceiros que te ajudem nisso. E para saber escolher os parceiros você precisa ter um mínimo de conhecimento. Né? Por isso que eu acho que o caminho sempre é buscar conhecimento.

Eu acho que mentoria, coaching encurta esse caminho, sabe? E por isso que eu acho que a gente precisa olhar a nossa carreira como um ativo desde o começo, né? É como é que eu vou cuidar desse ativo para que, né, desse veículo, para que ele me leve em segurança, né? Então são investimentos constantes que a gente precisa fazer na nossa carreira desde que ela começa. E não pode ser aleatório nem solto, sabe? Eu acho que é decidir por decidir, pegar oportunidade por pegar oportunidade sem intenção.

Eu acho que muitas vezes a gente perde o tempo e a vida vai levando a gente para caminhos mais difíceis assim. Porque eu falo que oportunidade de trabalho tem e tem muita, né? Eu falo para os empresários e até às vezes vezes sou olhada com cara feia, que mais difícil não é contratar, o mais difícil é reter as pessoas boas, né? E às vezes as pessoas falam: não, é muito difícil contratar, não tem candidato, né? Mas a gente só precisa contratar se a gente não consegue promover as pessoas dentro de casa ou trabalhar com, para reter esses talentos que a gente tem, né?

Então Eu acho que assim, gente boa tem, oportunidade de trabalho tem, mas quais são as competências que você precisa desenvolver para ficar nesse mercado de trabalho? Eu acho que é essa a chave que a gente precisa virar. O mercado de trabalho é esse que a gente tem, tá mudando muito, né, e rápido. Como é que eu vou me encaixar com as habilidades que eu tenho nisso? Eu acho que essa é a grande pergunta agora, sabe?

SSérgio

Muito bom. E temos um outro problema atrás disso aí que eu acho que ele é maior ainda, né? As lideranças. Como a gente, na sua visão, pode deixar esses líderes mais assertivos também na manutenção, na sustentabilidade dos próprios funcionários? Porque eu vejo que muita gente sai das empresas porque não tem boas lideranças.

CHCamille Holmer

Sim, nossa, isso eu acho que é uma questão fundamental agora, sabe? Eu penso, Sérgio, que nunca foi tão complexo liderar. Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca. Porque tem muitas questões acontecendo, mas principalmente porque a pressão por resultado de cima tá maior, né? A gente sabe que é difícil fazer um bom resultado com o cenário que a gente tem no Brasil. Regras, né, tributação mudando, né? A gente tem muita coisa acontecendo, 4 gerações ao mesmo tempo no trabalho, né?

Então a pressão por resultado ela é gigantesca em cima desses líderes. E a pressão de baixo também é uma pressão nova. Né? Esse olhe para mim que a geração mais nova faz, né? Entenda o que eu quero, cuide do meu propósito. É uma coisa muito nova para líderes lidar, né? Porque antes era manda quem pode, obedece quem tem juízo, tá tudo certo. Isso não funciona mais, né? Então eu vejo que a liderança é a chave, a chave para cima e a chave para baixo também.

A chave para cima porque se os empresários cuidarem desses líderes ajudarem a fazer um plano de sustentação desses líderes, né, tanto de meta, de orçamento, de estratégia, quanto de liderança, de competências de liderança, desenvolvimento de competências de liderança. Esse líder se torna muito mais forte para sustentar a operação e para fazer com que as pessoas se desenvolvam, né. Todo negócio é feito de gente, na minha opinião, então, e passa pelo líder.

A gente tem diversas pesquisas que falam sobre isso que você disse, que praticamente 80% das pessoas saem por causa do líder, não sai por causa da empresa. É, eu não gosto do meu líder, né, do jeito que eu sou liderada. E eu vejo que a gente tá no momento que investir na liderança é a saída, até por conta da NR-1 que tá vindo, né, já entrou agora em maio essa mudança. Eu falo que a NR-1 não é uma coisa nova, é uma coisa velha, sempre existiu o risco psicossocial no trabalho.

A gente sempre teve que lidar com pressão, com jornadas, mas agora, né, é que a gente precisa olhar com uma sistematização e uma organização maior para minimizar esses impactos. E quem vai fazer isso? O líder, né? E como é que o líder vai fazer isso na prática se nem ele consegue entender como é que ele está frente ao trabalho?

SSérgio

É verdade.

CHCamille Holmer

Então eu penso muito, Sérgio, que a gente tá no momento que as empresas precisam olhar para os líderes. E como é que faz isso? Faz isso com estruturação estratégica, faz isso com treinamento, faz isso com mentoria em alguns níveis, né, é para poder acelerar. Faz isso trabalhando a cultura organizacional, que eu falo que não existe cultura organizacional ruim, existe pessoas que não se encaixam nela, né? Porque a gente não pode dizer, ah, essa cultura é tóxica.

Tem muita empresa que a gente diz que a cultura é tóxica que são potências mundiais, é ou não é? Então é tóxico para quem não se encaixa naquela cultura. Agora tem gente que funciona super bem naquele jeitão de funcionar. E tá tudo bem. Eu acho que é sobre isso. Se você curte aquele jeitão de funcionar e você navega bem, então não é tóxico para você, tá tudo certo. Se é tóxico para você, aí é o seu pensamento. Eu quero participar disso?

Não. Então sai e vai procurar outro lugar, e você vai ser promovido em outro lugar. Não precisa ter medo, porque quando a gente tem conexão, está numa empresa que tem conexão com nossos valores, a gente cresce. É inevitável.

SSérgio

É verdade.

CHCamille Holmer

Eu penso muito nisso assim, de que a gente precisa olhar para nossa carreira como o nosso ativo. As empresas precisam olhar para os líderes, precisam, precisam ajudar a desenvolver. Mas a gente como líder precisa olhar também o que que eu quero, né? E precisa ser honesto e dizer: eu quero a liderança? Que às vezes a resposta vai ser não, né? Então você precisa investir num outro tipo de carreira que também tem espaço.

SSérgio

É verdade. Engraçado que isso não mudou nos últimos anos. Sai pesquisas novas aí, ai, quantos por cento das pessoas querem ser líderes? Eu, na época que eu ainda tava no corporativo, há mais de 20, 25 anos, era mais ou menos 30%, e hoje não mudou. Não importa a geração. Eu acho que é sempre assim, de cada 10, só 3 querem ser líderes. Sim, tá tudo bem. Eu sempre falo para as pessoas aqui, não tem problema, mas assim, seja o melhor no seu posto.

Quer ser especialista? Quer ser o melhor analista? Seja o melhor, né, fazendo o que você faz. Faça bem feito, esteja conectado, porque se a gente não estiver conectado— e justamente a próxima pergunta é essa: como você, Camille, faz para se manter conectada com o mundo? Como é que você faz para se manter assim ativa na questão educacional?

CHCamille Holmer

Eu nunca paro de estudar porque eu acredito muito que a educação transforma o mundo, sabe? E eu acho que estudar hoje é muito mais fácil do que no começo da minha carreira, né? E da sua também, eu imagino, né? Antes a gente precisava se matricular numa pós, num curso presencial, então tinha que encaixar na minha agenda. Né? Eu viajo bastante, minha agenda é bem corrida. Mas hoje, se você tá disponível para aprender, você aprende onde você tiver, né?

E você, como eu falei e a gente comentou aqui, tem cursos maravilhosos que precisam investimento financeiro, mas tem muitas formações que não precisam, né? Se você quer, e você desenvolve o seu plano de desenvolvimento individual. Então eu faço muito isso no começo do ano, eu sento e falo para onde minha carreira tá indo, para para onde eu quero que ela vá, né? Quais as oportunidades que eu vejo? É análise SWOT, boa e velha análise SWOT, né?

Quais são as minhas forças, as fraquezas, oportunidades que o mundo tá me trazendo, e o que que é a minha ameaça, né? Faço esse desenho e faço isso há muitos anos na minha carreira, né, que parece simples, mas é muito potente. Às vezes eu preciso de ajuda de um mentor para poder enxergar coisas que eu não tô enxergando nisso. E a partir disso eu faço um plano de desenvolvimento individual, né, na minha carreira, para que o ano caminhe na direção do que eu quero.

Eu gosto de usar a metodologia do 70-20-10, que é assim que a gente aprende, né. Então 70% das ações que eu faço são ações práticas mesmo, vida real. O que que eu vou fazer de diferente, né? Vou me comunicar mais, vou fazer mais network, vou buscar agir de forma diferente. O que que eu vou fazer, né? 20% é relação. Com quem que eu preciso me conectar, né, para me trazer aqui no Coaching Cast, por exemplo? Com quem que eu preciso me conectar para aprender coisas novas, para modelar novos comportamentos que são necessários para onde eu tô indo?

Né? E 10% é o que que formalmente eu preciso aprender, né? Qual é o curso que eu vou me aplicar para poder aprender competências diferentes? E aí é um universo, né? Porque como eu sou empresária, eu não posso olhar só para minha área de desejo, né? A área que eu gosto, que é neurociências, pessoas, comunicação, liderança. Eu tenho que olhar para reforma tributária, eu tenho que olhar para finanças, eu tenho que olhar para outras áreas que precisam ser estudadas, né?

Não é— eu falo que a nossa carreira não é só o que a gente gosta, é o que a gente precisa também para sustentar fazer mais daquilo que a gente gosta. Então é assim que eu me organizo e que organizo as pessoas que passam aqui pela mentoria também.

SSérgio

Que bacana! Eu me identifico muito com você porque eu não paro de estudar. Eu tô terminando agora um MBA pela PUC do Rio Grande do Sul. Inclusive ontem eu fiz a revisão do meu TCC lá, que eu nem gosto de fazer TCC, mas ontem eu fiz a revisão que eu recebi e foi super elogiado. Acho que a professora lá apenas falou, não, só faz isso e isso e tá tudo bem. Já fiz ontem mesmo, vou mandar hoje. Ano passado também, pensando nessa questão da NR-1, já me preparei.

Eu fiz uma formação em bem-estar, em agente de bem-estar e felicidade pela World Happiness Foundation.

CHCamille Holmer

Aqui de São Paulo.

SSérgio

E a Fair Job é uma empresa super bacana que depois eu vou te passar o link deles, porque eles têm um sistema lá para medir esse risco psicossocial muito bacana. Eles fizeram um programa muito parrudo, é um dos melhores que eu já vi por aí. Então ele mede tanto quantitativamente, qualitativamente, é muito bacana. Para depois se fazer as ações necessárias. Eu tô com duas propostas já na rua aí para atuar nisso aí. Então é bem bacana e a gente não pode parar, de fato.

Você falou uma coisa muito interessante: não precisa de dinheiro. A Conquer mesmo, que é aí de Curitiba, em 2020 eu lembro que eu tava fazendo curso com a Inês Couso aqui, colega, sua psicóloga maravilhosa, 40 e poucos anos, que atua com neurociência também, focada no desenvolvimento humano. E eu fiz o GEM com ela, foi um online quando entrou a pandemia. Falei, e agora, né, que que a gente tem que fazer? Eu fui estudar também neurociência, porque eu acho que é importante para quem lida com desenvolvimento humano estar conectado.

E deixa um abraço para Inês aqui também. Tem tantas pessoas que passam aqui pelo Coachcast que ajuda os outros. Mas a Conquer soltou vários cursos grátis, eu fiz todos os cursos que eles soltaram grátis, são cursos que valem R$2.000, R$3.000. Com professores renomados, cursos bons. Eu sempre falo para as pessoas: faça curso. Ah, mas eu não tenho dinheiro? Tem grátis. A inglesa não posso estudar? O Duolingo é grátis. Tem várias formas grátis para fazer.

Você só não faz quem não quer. É só fazer uma curadoria de onde você quer chegar, como você mesmo disse.

CHCamille Holmer

É o que mais precisa ter é a vontade, né? Eu falo bastante nos meus cursos que Se a gente for olhar, toda pessoa de sucesso usa o CHA da administração que a gente vê, né? Conhecimento, habilidade e atitude. Você só vai ter atitude se você tiver habilidade e conhecimento. Não tem como, né? E eu falo bastante isso para líder. Não tem como você fazer seu colaborador funcionar do jeito que você quer se ele não tem conhecimento e não tem habilidade para fazer.

Então buscar o conhecimento é o primeiro caminho para o sucesso. E aí tem um ponto importante, né? Tem muita gente que faz muito curso, mas não faz na prática, não coloca isso para funcionar, que é habilidade, né? E se você não coloca isso para funcionar, você não testa se a teoria serve para você ou não serve, né? Você não muda sua atitude. É verdade, seu cérebro tá conectado com seu corpo, tá conectado com sua boca, né? Na PNL a gente fala muito sobre isso.

Então não adianta você alimentar seu cérebro com um monte de informação se você não tenta colocar isso na prática. Então eu acho que é sempre importante você tentar coisas diferentes na sua prática e ver como é que funciona para você, né? Eu acho que é isso que vai trazendo o resultado para gente. Vai ter coisa que funciona, vai ter coisa que não funciona, tem a ver com o seu jeitão, e tá tudo bem. Né? O que a gente precisa é ir medindo os resultados que as ações têm na vida, né? Eu acho que isso é bem relevante.

SSérgio

E eu deixei para este final, agora chegamos ao final do episódio, super legal, daria para a gente ficar aqui, mas eu quero agradecer quem nos conectou, que é a Valdirene. Ela é autora do livro Você é o Tamanho da Sua Comunicação, livro fantástico, maravilhoso. Que eu não sei quantos, mas eu já indiquei para muitos coaches e muitos mentees. E assim, muitos compraram direto com ela. Eu recomendo também que façam isso. Eu virei fã desse livro, né?

E eu acho que a gente, como fã de alguma coisa, tem que ressaltar, né, e enaltecer as pessoas. E agradeço muito a sua participação aqui, Camille. Foi incrível. Tenho certeza que todos vão adorar também esse episódio.

CHCamille Holmer

Eu adorei também. Vamos fazer mais episódios como esse. Eu acho que o mais legal de um episódio como esse são as coisas que a gente vai pensando a partir do que a gente vai escutando aqui, né? Olhando a nossa prática, eu tenho certeza que quem tava ouvindo a gente, ou vendo a gente, foi tendo vários insights de coisas que pode colocar no seu dia a dia e fazer a coisa acontecer diferente. Eu acho que essa é a minha missão, assim, meu propósito de vida, Eu falo que ajudar as pessoas a dar o próximo passo, porque às vezes a gente só precisa de um insight para poder colocar o nosso planejamento para rodar e para fazer a nossa vida ter muito mais sucesso e muito mais felicidade. Eu acho que é para isso que a gente tá aqui.

SSérgio

É isso mesmo. Quer deixar uma mensagem final aqui para os nossos seguidores?

CHCamille Holmer

Eu acho que a mensagem é essa: invista em você. Muito bom. Invista em você porque não vai ter erro. Né? Você é o seu principal ativo, e principalmente invista na sua felicidade, né? Seja gentil com você, olhe para aquilo que verdadeiramente te faz feliz e busque aquilo incansavelmente. Eu acho que é essa a principal dica.

SSérgio

Que maravilha! Então hoje batemos um papo com Camille Holmer, diretamente de Curitiba. Essa pessoa maravilhosa, tenho certeza que todos vocês que assistiram ou ouviram gostaram desse episódio. Camille, muito obrigada!

CHCamille Holmer

Eu que agradeço, Sérgio. Muito obrigada.