Você não precisa escolher entre razão e emoção | Charles Beck Varani
Será que precisamos escolher entre razão e emoção para construir uma carreira de sucesso?
No episódio 315 do COACHcast, recebo Charles Beck Varani, fundador da FairJob, para uma conversa sobre carreira, liderança, tecnologia, inteligência artificial e gestão de pessoas.
Nascido na França, Charles acreditava que seguiria a engenharia. A vida o levou para o marketing, a consultoria, a inovação e, mais tarde, ao empreendedorismo.
Hoje, une tecnologia, dados e comportamento humano para ajudar empresas a promoverem bem-estar, engajamento e melhores resultados.
Ao longo da conversa, falamos sobre escolhas profissionais, autoconhecimento, modelos de gestão, indicadores, inteligência artificial e uma reflexão poderosa: talvez o maior erro da carreira seja acreditar que precisamos escolher entre razão **ou** emoção, quando podemos construir uma trajetória baseada na soma das duas.Uma conversa inspiradora para líderes, gestores, empreendedores e profissionais que desejam construir carreiras com mais propósito e impacto.
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- Emoção vs. Razão e RacionalizaçãoDualidade entre arte e ciência · Equilíbrio entre razão e emoção · Razão servindo à emoção
- Fundação e Modelo da FairJobPromoção de bem-estar nas empresas · Conexão entre bem-estar e resultados de negócio · Redução de custos (absenteísmo, sinistralidade) · Metodologias de análise de causa raiz · Diversidade e inclusão
- Saúde Mental nas Empresas e NR1Epidemia de saúde mental e burnout · Promoção de ambientes mais saudáveis · Síndrome do impostor e segunda-feira · Segurança psicológica
- Trajetória profissional de Ingrid CoutinhoFormação em engenharia · Transição para marketing e comunicação · Experiência em agência digital e consultoria · Atuação em inovação e empreendedorismo
- O passado e o futuro da inteligência artificialSimilaridade com ciclos de transformação digital · Foco em pessoas durante a transformação · Uso de IA em modelos estatísticos
Está começando o Coachcast, o seu encontro com grandes lições de liderança, carreira e negócios. E se você busca crescimento profissional, alta performance e decisões melhores, siga o canal, venha com a gente. Eu sou Sérgio Albuquerque e há muitos anos consultor estratégico de liderança de negócios, host desse podcast aqui já desde 2020, início de 2020, e é um espaço onde grandes histórias se transformam em aprendizados aplicáveis.
E o convidado de hoje é muito especial, fazia tempo que a gente queria gravar, mas hoje deu certo. Charles Barani, seja muito bem-vindo, e vai ser um papo, tenho certeza que vocês vão adorar.
Muito obrigado pelo convite, Sérgio. De fato, a gente conseguiu aqui coordenar agenda, estamos aqui Tô de coração aberto, você é quem manda. Vamos ver no que vai dar essa conversa aqui.
Que legal, vai dar bom, vai dar bom, sem dúvida alguma. Então, a pergunta que você sabe que eu iria te fazer: quem é Charles?
Ah, quem é Charles? O Charles, na verdade, é um cara que tá encontrando seu caminho, é um cara que na verdade nasceu um pouco, vive sempre, vive sempre na dualidade de razão e emoção, né? Eu tenho evidentemente uma formação generalista em marketing, mas por outro lado eu também me formei em piano. Eu oscilo a vida inteira entre arte e ciência, haja visto o que a gente faz aqui em Fair Job, neurociência, gestão, esse caldeirão.
E eu acho que, eu acho que no fim das contas o Charles é um cara que consegue navegar de uma conversa com, de uma conversa com um executivo de, com executivo de operação, com executivo de negócio, e que depois consegue ter uma conversa com o CIO, o CTO, o cara de tecnologia. Então eu acho que Eu acho que é uma busca, uma busca eterna de um ponto de equilíbrio e tentando entender como é que a gente faz a razão servir a emoção. Eu acredito nesse caminho e não no contrário.
Como é que a gente faz a razão servir a emoção? Porque no fim das contas, quando a gente fala de ambiente corporativo, quando a gente fala de empresas, a gente necessariamente tá falando de gestão de pessoas de um lado e evidentemente de uma entrega de valor do outro. E a gente precisa, claro que, saber como— a gente precisa saber entregar os dois, né? E eu acho que é uma função generalista que eu sempre carreguei. Eu acho que é difícil, é fonte de sofrimento de um lado, mas eu acho que por outro, acho que tem uma visão integral sobre uma operação, eu acho que é sempre muito proveitoso.
Não, sensacional. E isso aí é interessante, né, porque eu, desde que eu te conheci, eu adorei você. Foi o Fernando Brancati, o teu sócio, que nos apresentou. E a gente já desde teve sinergia. Pô, adorei. Eu falei para ele, pô, adorei o teu sócio, adorei o Charles, né. A gente já tem alguns anos aí que a gente se conhece. E eu me identifico muito com isso também, porque eu também tenho uma trajetória bem maluca nesse aspecto aí.
Trabalhei em vários setores, tenho, não tenho uma formação específica assim, e gosto dessa diversidade, que eu acho que é isso que nos dá a base de como a gente ajuda os outros. E conta para a gente lá o início. Você era para ser engenheiro, e aí?
Nossa, na verdade é aí que começa, né? Já desde, já desde as escolhas no período colegial, tinha uma escolha para fazer por exatas ou por humanas. Acabei adotando, acabei adotando um caminho de uma formação de engenheiro. Na verdade, eu tenho um pai piloto, eu pensei em ir para aeronáutica. A formação era a mesma formação de engenharia lá na França, aonde eu nasci. A verdade verdadeira é que começaram a me dar uns funiquitos de estar lá na Europa.
Eu falei, quer saber, eu preciso voltar para o Brasil. Lá tem samba, caipirinha, tem boteco, tem umas coisas que não tem lugar nenhum. Muito mais divertido que esse negócio. E eu justamente voltei para humanas e acabei fazendo, acabei fazendo uma formação, fazendo uma formação em comunicação e marketing e indo para um caminho que na verdade me parecia ser um caminho justamente de ponto de equilíbrio entre, de sempre procurando esse ponto de equilíbrio, que no fim das contas tô chegando à conclusão que não existe.
Na verdade você tem que conseguir fazer as duas coisas, não é sobre um ponto intermediário. Mas enfim, eu achei que na verdade marketing iria me permitir ter atividades criativas, que é o lado provavelmente predominante de uma prática artística, mas dentro de um quadro e de um modelo, de um enquadramento de gestão. Isto é verdade, mas isto não me permite chegar à plenitude. Então, na verdade, é aí que eu acho que parar de brigar— estou numa fase em que eu tô tentando parar de brigar com os meus demônios e, na verdade, assumir que sou uma coisa e outra e vou fazer uma coisa e outra.
E aqui na Fair Job a gente está fazendo uma coisa e outra e funciona muito bem. Então é definitivamente, definitivamente tudo começou então por essa, por essa busca de formação. Eu acabei, eu acabei engrenando naturalmente, imediatamente na verdade, para o digital. Então eu comecei numa agência, eu comecei numa agência que depois se transformou na Euro RSC G4D. Então fomos incorporados num grupo multinacional francês, fiquei lá por alguns anos.
Aí eu passei por integradoras de tecnologia, passei por portal na época ali da, na época ali dos anos 2000, na época do bug do milênio. E eu logo fui para consultoria. Em consultoria eu entrei pela minha competência digital, mas naturalmente eu fui levado para questões de multi-omnicanalidade. Então eu comecei a fazer integração com call center, times comerciais Times comerciais, além evidentemente da atuação de marketing, e dali um passo, claro, para planejamento estratégico.
Tive o prazer, na verdade, de além de ser generalista nessa questão de competências de go-to-market, eu tive uma puta oportunidade, na verdade, de poder oscilar entre os ambientes de inovação e os ambientes corporativos. Então, em dado momento, em dado momento, acabei participando e contribuindo ali para uma aceleradora de startups. E uma das coisas que, uma das coisas que me chamou muita atenção, uma das coisas que sempre me chamou muita atenção, é que estando em ambiente de transformação, a gente falava muito em transformação digital, né, no começo da minha carreira, e a gente na verdade agora tá enfrentando muito provavelmente o que é um processo e um ciclo de transformação muito similar, vejo muita similaridade com o que a gente tá vivendo agora com inteligência artificial.
Eu acho que a grande questão é que quando a gente tá falando em transformação, a gente necessariamente tá falando em pessoas, né? E eu acho que desse raciocínio e desse caminhar sobre, sobre esses processos transformacionais. Foi aí que eu encontrei o Fernando com a tese de fato de construção de modelos de promoção de bem-estar. E ali aquilo para mim foi um estalo e fez absoluto, absoluto sentido, né? Como é que a gente, como é que a gente cria as condições, como é que a gente cria condições de bem-estar dentro das empresas para que de fato a gente colha por consequência, não por objetivo, mas por consequência, os resultados de fato para o negócio.
Porque bem-estar de fato se traduz, se traduz em melhoria, né? A gente, a gente na verdade, a nossa tese não é de defesa de um ganho de aumento de receita primordialmente, apesar da gente acreditar que seja possível. Agora, a entrega principal definitivamente é de stop loss. Então eu acho que é muito sobre se bem-estar, se bem-estar talvez não aumente os resultados. E olha que tem paper que prova que existe um aumento de NPS quando há um aumento de ENPS.
Portanto, quando há uma maior lealdade do empregado, há uma maior lealdade do cliente também, porque isso reverbera positivamente na atitude dele junto ao cliente. O principal, na verdade, a gente reduzir as perdas, né? A melhor maneira de disse, ganhar dinheiro é parar de perder. E aí parar de perder quer dizer reduzir absenteísmo, reduzir sinistralidade, reduzir tudo aquilo que na verdade são ralos, são ralos de, são ralos de custos.
Então aqui, sem qualquer conotação pejorativa aqui no que diz respeito a pessoas, mas no que diz respeito de fato a indicadores, é sobre na verdade a gente conseguir fazer com que essas pessoas venham com com uma vontade, venham trabalhar com uma vontade maior, né?
E para fazer, para fazer na verdade um, para que as segundas-feiras sejam mais prazerosas, para que a síndrome do fantástico não faça parte da vida de todo mundo.
Exatamente. Como é que a gente faz quando a gente, quando a gente olha para trás? E aí, né, usando os chavões de mercado que a gente tá vendo ali, a Gugu, Na verdade, vamos, se a gente conseguir fazer com que as empresas façam adoecer menos as pessoas, eu acho que a gente já, eu acho que a gente já venceu, né? Estamos falando ali de epidemia de saúde mental, estamos falando de burnout, estamos falando de um monte de coisa. Se a gente conseguir fazer com que, se a gente conseguir reduzir isso, né, se a gente conseguir promover ambientes melhores, se a gente conseguir criar dinâmicas nos times que sejam mais proveitosos, eu acho que a gente já, a gente já ganhou o game.
E a gente acredita muito no ciclo virtuoso disso tudo, né? Uma coisa retroalimenta a outra, definitivamente.
Muito legal. Me diz um negócio, uma curiosidade minha que eu acho que eu nunca te perguntei: você chegou a trabalhar na França? Fez faculdade lá também ou não?
Ou foi tudo aqui no Brasil? Eu fui para lá para estudar, eu fiz toda a primeira parte, eu fiz toda a primeira parte, todo o meu primeiro ciclo lá. Mas na verdade eu acabei voltando aqui justamente, eu tinha, eu tenho um pai que sempre me disse: se você quer sair dos melhores, você tem que estudar entre os melhores. E aí, na verdade, eu usei isso contra ele. E na verdade, olha, o marketing, quais são as 3 grandes potências? Estados Unidos, eu não vou nem amarrado.
Inglaterra, putz, eu acho que não chove demais lá. E olha só, a terceira é o Brasil. E aqui, na verdade, tem um ambiente, tem um ambiente muito positivo. Eu já tava começando, eu já tava começando a ficar de olho nisso. A verdade verdadeira é que assim, É, e eu acho que isso é um bom ponto e conecta justamente com essa questão de bem-estar. A França é um país muito mais amargo do que o Brasil. Na verdade, tem, tem os índices de, os índices, e principalmente na época em que eu tava lá, os índices de desemprego eram bastante mais altos do que os do Brasil.
Uma juventude na verdade muito amarga, que na verdade fazia prolongava os seus estudos para carreiras muitas vezes que não eram, não decolavam com a mesma facilidade. A mobilidade, a mobilidade social que a gente tem aqui, a capacidade, a liberdade de empreender que a gente tem aqui no Brasil não se compara a um país como a França, que é extremamente sindicalizado, que é extremamente engessado do ponto de vista de mobilidade social.
E na verdade isso tava, confesso que isso tava me incomodando e foi fez parte importante da minha tomada de decisão. E, cara, a verdade verdadeira é que a gente sabe fazer festa, a gente sabe fazer festa melhor do que ninguém aqui. Mas na verdade, assim, fora brincadeira, eu acho que tem uma capacidade de— tem um clima, assim como a gente fala de pesquisa de clima em empresas, tem um clima aqui no Brasil que é muito mais positivo do que na Europa, que é muito mais positivo do que na Europa.
E isso foi uma parte importante da minha tomada de decisão. E evidentemente tinha uma questão vocacional por trás disso. Eu precisava de atividades um pouquinho mais criativas. Ficar simplesmente no— ficar só no campo do racional era uma preocupação e era um desconforto meu. Eu precisava justamente ter algum tipo de equilíbrio com criatividade. Foi o caminho que encontrei, não me arrependo. Hoje em dia o que eu faço tem muito mais a ver com atividade de engenheiro do que atividade de, do que atividade de atividade, na verdade, de pura criação publicitária.
Mas eu definitivamente acho que tô bem, tô, tô, o ponto de equilíbrio foi encontrado. Agora, na verdade, tem que reincorporar a arte nessa história.
Muito legal. Não, e para mim tá tudo conectado, porque piano tem muita, muita matemática, muita engenharia junto, né?
Na música, por engenharia, é completamente. Na verdade, assim, as práticas artísticas, na verdade, a questão da arte, e até neurocientificamente, né? Tantos, tantos, tanto material e tanto conteúdo aí disponível justamente para dizer do quanto isso desenvolve a nossa plasticidade de maneira diferente, traz capacidades outras além daquelas tradicionais, do aprendizado tradicional. Então junta o mecânico, né, porque qualquer instrumento você tem uma ação mecânica de mãos, de corpo, do que quer que seja, porque a gente pode fazer o mesmo paralelo para dança, para qualquer outra prática, junto com a capacidade intelectual.
Então tem o decorar de uma obra, tem a leitura eventualmente de uma obra, sejam elas notas, movimentos, o que quer que seja. E tem toda a questão de uma conexão com música que ele, que vai, que tem, que claro passa pela questão cognitiva, mas tem um lado, tem um lado ali de tradução, vamos chamar de tradução emocional, que não tem, não tem descrição, né?
Muito bom. E como é que você, vocês criaram a Fair Job, que ano foi?
Nós criamos, nós criamos o Fair Job na época do, na época da pandemia. O Fê gosta de dizer que a gente ficava, a gente ficava de maneira escondido, a gente ficava literalmente escondido dentro da garagem dele, mas desrespeitando, desrespeitando as orientações, na verdade, de afastamento. A gente tomou um bruto de um cuidado, a gente usava máscara, a gente tinha todo um A gente tinha todo um entrelelê, mas a gente tinha essa ideia que a gente queria botar, que a gente queria botar para andar.
Então a gente, a gente vem desde lá. Foi um momento, na verdade, como tudo fechou, a gente acabou se concentrando muito na construção do produto. A gente começou, meu, o roteiro é um roteiro muito startup style assim, porque a gente começou com Google Form, a gente começou com os recursos disponíveis ali na nossa mão. E a gente botou o bloco na rua, começamos a fazer testes, começamos a fazer teste. Ele, ele trouxe o método base, né, na verdade a metodologia principal que a gente usa até hoje, ele que trouxe.
Então a gente tinha um modelo matemático estatístico, a gente agregou ferramenta de tecnologia simples para começar a testar. E aí, na verdade, O caminho foi um caminho absolutamente incremental. Deste MVP, deste MVP, a gente evoluiu a plataforma para uma plataforma de fato codificada. Então a gente usa, a gente usa até hoje, a gente usa tecnologia web absolutamente trivial, um modelo e uma interface super responsiva. Você pode acessar via mobile, via desktop, via qualquer device, tablet, para justamente responder às pesquisas.
E hoje, de fato, a gente tem uma base, uma base de dados mais parruda, porque a gente veio evoluindo o modelo, que a gente conecta inclusive com modelos estatísticos, com inteligência artificial. Então tudo isso foi feito, foi sendo feito tijolo a tijolo. A gente começou com uma metodologia, a partir dessa metodologia, o próximo passo junto com a plataforma tecnológica foi conectar e correlacionar bem-estar com resultado de negócio.
Então a gente começou de fato a fazer, a montar os modelos para que a gente entendesse, olha, aonde que eu tenho uma redução, onde é que eu tenho redução de custo, onde é que eu tenho eventual, onde é que eu posso aferir que eu tenho um eventual aumento de receita, que evidentemente é muito mais sofisticado. E hoje a gente tem 20 metodologias embarcadas, basicamente em 4 categorias. Bem-estar, saúde mental, segurança psicológica, diversidade e inclusão.
E o que a gente, e o nosso modelo, na verdade, ele permite fazer análise de causa raiz de indicadores de RH. E a partir dali a gente monta toda, a gente reconstrói toda a correlação com os indicadores de negócio a partir dos indicadores de people. Então o que eu gosto de dizer assim, quando você olha para uma pesquisa de clima, ela tá indo bem ou ela tá indo mal, você tem série histórica. Ah, tá indo, estamos, estão, estamos com nota boa e está melhorando.
Ok, mas por quê? E este porquê muitas vezes ele tá escondido. Mesma coisa para ENPS, mesma coisa para absenteísmo. Absenteísmo tá melhorando, mas por que que ele tá melhorando? E aí a hora que você olha para esses 4 fatores, né, então a gente tem, a gente tem claro, com 20 metodologias a gente tem subdivisões e a possibilidade de medir coisas bem diferentes. Mas a gente consegue, a gente consegue mostrar, a gente consegue dar indicadores do porquê tá aumentando, do porquê tá diminuindo, e quais são os fatores que estão ferindo um eventual, um eventual bem-estar, ou está ferindo, tá deixando.
Porque a gente, todas as metodologias que a gente tem trabalham percepção do colaborador. Então quando você tem uma performance ruim ou uma performance boa Você já tem um caminho de análise de quais são os grandes temas que estão machucando esse universo de colaboradores. E a partir daí, justamente, traçar planos de ação. E de novo, como a gente trabalha, a beleza da gente trabalhar com dados é que a gente consegue montar grupos, né?
E todas as nossas pesquisas a gente começa com o sociodemográfico. Então a gente avalia ali sexo, estrutura familiar, orientação sexual, autodeclaração de raça, o que a gente, o que a gente quiser socialmente e profissionalmente, se ocupa cargo de gestão, PCD ou não, em que área, a qual área, departamento ele pertence e tal. Quando você pega esses indicadores e que você cruza de fato com esse sociodemográfico, você tem um mapa, e você tem um mapa de aonde atuar e que problema resolver.
E evidentemente que tudo isso vinculado aos seus indicadores, utilizando uma mesma régua de comparação que é utilizado para construção dos indicadores, eu consigo cruzar a minha visão com a visão da empresa e justamente orientar um plano de ação. Então hoje NR-1 para a gente é consequência óbvia daquilo que a gente sempre veio fazendo. E justamente a gente consegue entregar planos de ação extremamente assertivos, PGR, GRO, atendendo exatamente, atendendo exatamente aquilo que a NR-1 demanda.
De maneira extremamente natural e extremamente profunda, porque a gente já tem um track record bastante interessante com resultados já feridos, né? Então, é, estamos bastante, estamos bastante satisfeitos da onde a gente chegou. Tem novidade chegando aí, a gente tá, a gente tá abrindo marcas, a gente tá abrindo por marcas, na verdade, aquilo que a gente já vinha fazendo, mas esse É, eu acho que tá, estamos conseguindo, estamos conseguindo entregar o que a gente se propôs a fazer lá na pandemia, né, que é justamente poder entregar condições para as empresas poderem gerir aquilo que tipicamente elas faziam empiricamente.
E agora vamos falar mais um pouquinho de emoção e razão. Como é que você conecta as coisas todas, né? Aí Charles falando como é que ele no dia a dia lida com isso. Que tem que entregar resultado para fair job, para o sócio, para os clientes. E aí, como você funciona nisso, Sérgio?
Eu acho que eu de verdade tô, de verdade tô chegando à conclusão que na verdade não é sobre, não é sobre ponto de equilíbrio, mas é sobre conseguir entregar os dois. Uma das, uma das vocações que a gente sempre teve aqui é que a gente, a gente sempre, a gente sempre acreditou que a gente tinha que ir pela linha do certo. Por que que eu tô dizendo isso? Porque a emoção sempre deixou a porta aberta para a gente fazer projetos pró-bono.
E a gente fez, a gente fez terceiro setor, a gente fez algumas empresas com vocação educacional, algumas coisas de fato que a gente acreditava, acreditava muito, e que estavam precisando de ajuda. Da mesma maneira como, cara, você tem que fazer isso e também fazer o teu resultado. E claro, e trabalho comercial e de marketing atrás de clientes e atrás de empresas e etc. Então eu acho que é, eu tô cada vez mais convencido que é justamente conseguir fazer essas duas coisas.
E eu acho que no dia, uma das coisas que também aqui na Fair Job ajudou muito a construir esse resultado é que a gente incorporou produtos de sensibilização, produtos de experiência em que a gente traz de fato práticas artísticas para construção dessas condições de bem-estar. E eu acho que isso também abre muito o nosso olho, sabe? Porque quando você percebe que na verdade Eu vou falar de música porque é o que me toca, né? Quando você, quando na verdade você evidentemente muitas vezes se fala, por exemplo, bem-estar passa por alguma coisa contemplativa, eventualmente uma prática de yoga, uma introspecção e etc.
A minha meditação é fone no ouvido. A minha meditação é sexta-feira, quando a semana termina, que eu chego em casa e que eu vou ver os meus canais de música no YouTube, o que que eles lançaram durante a semana. A brincadeira que a gente faz com Fê é que a nossa meditação é subir em cima de uma moto no final de semana e dar uma volta. Então eu acho que esses processos, esses processos de regulação emocional, eu acho que cada um tem o seu.
Eu acho que a diversidade disso é o que faz a beleza do modelo. E eu acho que não, cada vez mais eu acho que não é sobre escolher entre emoção e razão, mas sim viver cada um deles. E aí quando você tem a possibilidade de ferramentas artísticas para justamente promover uma sensibilização via canais emocionais, para na verdade você abrir conversas e possibilidade de discussões, às vezes de temas muito duros, de governança, modelo de gestão, processo, gestão de pessoas, eventualmente até ambientes tóxicos, ou equivalentes, eu acho que acaba comprovando a tese.
Então somos latinos, que foi o que justamente, apesar da França ser latina também, mas foi justamente a maior latinidade aqui brasileira que me trouxe aqui de volta. Não tem jeito, eu acho que a gente somos, somos, eu acho que, eu acho que o Brasil é muito descendente de italiano, E eu acho que a gente tem esse lado sanguíneo, a gente tem esse lado sanguíneo, a questão emocional ela sempre vai acabar, as tripas acabam sempre regendo prioritariamente as nossas decisões, desde que racionalmente a gente não escorregue, não ultrapasse determinadas fronteiras.
Depois o resto faz bastante sentido deixar, deixar aquilo que a gente gosta ajudar a priorizar as nossas decisões. Eu acho que alguma coisa, eu acho que alguma coisa por aqui.
Muito legal. E agora uma provocação: você tá mais feliz hoje do que no começo da sua carreira? Tá mais realizado? Essa saia justa, hein?
Não, não, eu acho, não, na verdade eu acho excelente provocação e eu nunca tinha pensado sobre essa perspectiva. Eu tenho uma coisa, a gente muda, Sérgio, a gente muda. Eu não sou o cara, eu não sou o cara de 20 anos atrás. Eu acho que no começo, eu acho que no começo tem a coisa do novo, que eu acho que sempre, sempre Tem a coisa do novo e tem a coisa do alcançar, né? Você tá no começo de carreira, então cada degrau, na verdade, ele tem um sabor, digamos assim.
E essa questão do novo, ela talvez faça com que a gente aceite determinadas coisas. E eu acho que, tendo passado por uma crise da idade recente, a gente vai ficando crítico, né? A gente vai ficando muito crítico. E aí eu acho que sim, eu acho que tô encontrando o caminho. Sim, sim, eu acho que eu tô encontrando o caminho. Sim, definitivamente isso tem a ver com características que me são próprias. Então eu acho que claramente não tem receita de bolo para essa história.
Talvez, talvez a conclusão seja: eu não me arrependo em nada do caminho percorrido. É, talvez eu pudesse ter me dado conta de algumas coisas mais cedo, mas eu não me arrependo, eu não me arrependo do caminho percorrido. Eu acho que assumir que no fundo, no fundo, assumir que no fundo, no fundo, era um pouco mais engenheiro do que eu imaginava, demorou para, demorou para Eu acho que assumir, assumir que este engenheiro ele tem um irmão gêmeo, ele tem irmão gêmeo pianista, demorou um pouquinho, demorou para chuchu.
E eu acho que esses dois caras, esses dois caras, eu tenho impressão que eles são melhores do que o cara que tava tentando equilibrar pratinho sendo publicitário, sendo publicitário no início da carreira. Definitivamente, eu acho que esse é, essa configuração, essa configuração me satisfaz definitivamente mais do que aquela primeira. Mas depois, a verdade verdadeira é que depois de resto, bichão, vamos ser honestos, a gente tem a família, a gente tem os filhos, há coisas, a vida vai tomando uma o lugar, o lugar do que a gente faz profissionalmente pouco a pouco vai tomando uma proporção e um território completamente diferente do que no início, né?
E o quanto, o quanto o Pet Love fez sentido no momento em que apareceu, faz sentido hoje naquilo, naquilo que eu me entendo e na contribuição que eu quero deixar, na contribuição que eu quero deixar, que eu quero deixar para esse mercado sem preguiças. Eu acho que essa questão, essa questão de sentido hoje, ela é provavelmente prioritária sobre questões que eram o que eu teria, que eu teria com há 20 anos atrás. Que legal!
Fechamos com chave de ouro esse episódio aqui. Foi sensacional estar contigo. Você vê como passa rápido, né?
Quando eu tenho a sensação que foi um monólogo, Sérgio.
Imagina, eu interagi na medida do possível aqui. Tem que ser assim, é aqui você é o convidado, você é estrela do Coachcast. E tenho certeza que você vai inspirar um monte de gente aí porque muitas vezes a gente também fica na dúvida, né, do que fazer, do que não fazer. E poxa, vai que é possível, né? Vai que é possível, faça. E você falou por último uma coisa, é autoconhecimento. Por isso que eu te fiz essa pergunta, né? Que não é assim a gente olhar para trás há 20 anos, eu fazia coisas lá, mas tudo bem, mas a jornada tem que ser boa.
Eu tô lendo aquele livro Uma Boa Vida, né, que é do Instituto de Harvard, Eu acho que foram vocês aí que indicaram um dia aí. Na verdade, eu tô escutando, desculpa. E é sensacional, ele fala isso, pega as pessoas lá com 70, 80 anos, aí assim, tá, e o que que faltou na vida, né? Tem gente que, pô, não faltou nada, eu fui vivendo o que tinha que viver. Outros, ah, faltou eu ficar mais junto da família, mais junto dos amigos, trabalhar menos, essas coisas assim, né, que é o que nos deixam felizes, né, muitas vezes.
Super. É A gente precisa, eu acho que eu sou justamente até por conta da dualidade, eu sou um cara meio inquieto, né? Eu acho que a gente só precisa, aí sim eu acho que a gente precisa moderar essa inquietude. Ela precisa, ela precisa estar presente assim como o estresse para nos mover para frente, mas ela não pode estar ela não pode estar em proporção muito grande que nos gere angústia, né? E para mim, o que tá sendo um caminho importante justamente para redução dessa angústia é entender que o meu modelo é de e, não é um modelo de ou, não é um modelo de escolha de caminhos, mas de soma de caminhos.
E vamos ver, tem projetinhos, tem projetinhos, tem mais projetinhos por aparecerem nesse sentido.
Ô, show de bola! Estamos juntos nessa jornada aí, com certeza.
Eu tô contando contigo, você tá na lista, você tá super na lista.
Maravilha, que coisa boa! Para a gente finalizar então, como é que as pessoas se conectam contigo? Qual que é a tua principal rede ou as redes que você é mais ativo?
Eu tô, eu tô no LinkedIn, eu tô praticamente só no LinkedIn, no Instagram. Eu sou muito mais ativo no LinkedIn por questões profissionais óbvias. O Instagram acaba sendo mais uma réplica do meio que de qualquer outra coisa. Os dois são Charles Beck Varani, é tudo, tudo numa tacada só. E Fair Job, evidentemente, no LinkedIn, no LinkedIn, Instagram, fairjob.br, no outro vocês encontram a gente, tá tudo, tá tudo muito fácil. Maravilha!
Se conecte com o Charles, sigam ele, que vale muito a pena, porque o conteúdo deles é maravilhoso. E só tenho a te agradecer a gentileza aqui. Que coisa boa que deu certo! Saio melhor aqui desse episódio, com certeza.
Ah, te agradeço, Sérgio, foi um prazer compartilhar. É um prazer sempre estar contigo, as conversas são sempre muito ricas. Vamos em frente, cara, vamos nessa, novas oportunidades virão. Tamo junto, abração, valeu, abraço, tchau tchau.