Episódios de COACHcast | Lições reais de carreira e liderança

A coragem de recomeçar antes da exaustão | Renata Seldin

03 de agosto de 202631min
0:00 / 31:25

Muitas pessoas acreditam que estão apenas cansadas. Mas, em alguns casos, o problema é muito mais profundo: a carreira deixou de fazer sentido.

Neste episódio do COACHcast, converso com Renata Seldin, estrategista de carreira, palestrante, escritora e colunista da revista AnaMaria. Depois de 24 anos em posições executivas na área de Gente & Gestão, ela decidiu fazer uma das transições mais importantes da sua vida: deixar o mundo corporativo para construir uma carreira alinhada à sua identidade.

Ao longo da conversa, falamos sobre o momento invisível do desalinhamento profissional, a diferença entre exaustão, burnout e perda de sentido, os erros mais comuns nas mudanças de carreira e como construir uma transição consciente, sem romantizar o processo.

Também discutimos um conceito muito interessante apresentado pela Renata: o "Dinheiro do Não", uma reserva financeira que oferece autonomia para dizer não a ambientes, projetos e decisões que não respeitam seus valores.

Neste episódio você vai descobrir:

✔️ Como identificar os primeiros sinais de desalinhamento na carreira.

✔️ A diferença entre cansaço, burnout e perda de sentido.

✔️ Os erros mais comuns nas transições profissionais.

✔️ Por que identidade e narrativa são fundamentais para decisões conscientes.

✔️ O conceito do "Dinheiro do Não" e sua importância para a autonomia profissional.

✔️ Como construir uma carreira mais alinhada aos seus valores.

Sobre a convidada:

Renata Seldin é estrategista de carreira, palestrante, escritora e colunista da revista AnaMaria. Após 24 anos em posições executivas na área de Gente & Gestão, fez uma transição para dedicar-se à escrita e ao desenvolvimento de carreira, ajudando profissionais a tomarem decisões mais conscientes e alinhadas com sua identidade.

Conheça o trabalho da Renata

Coluna na Revista AnaMaria:

https://revistaanamaria.com.br/tecnologia/evolucao-da-mulher-no-mercado-de-trabalho-emoji/

LinkedIn:

https://www.linkedin.com/in/rseldin/

Instagram:

https://instagram.com/renata_seldin

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Temas abordados: transição de carreira, burnout, exaustão, identidade profissional, narrativa, desenvolvimento de carreira, liderança, saúde mental, autonomia profissional, tomada de decisão, carreira e COACHcast.

Participantes neste episódio2
S

Sérgio Albuquerque

HostConsultor estratégico de liderança de negócios
R

Renata Seldin

ConvidadoEstrategista de carreira
Assuntos6
  • Transicao de Carreira· EducacaoDesalinhamento profissional invisível·Exaustão vs. Burnout vs. Perda de sentido·Erros comuns em mudanças de carreira·Construção de transição sem romantização
  • Processo de escrita e organizaçãoExperiência em Gente & Gestão·Perda de sentido no mundo corporativo·Escrita como forma de elaboração e negócio·Renata Seldin
  • Dinheiro do Não· NegociosReserva financeira para autonomia·Autonomia para dizer não a ambientes e projetos·Valores profissionais
  • Desafios e Lições na Carreira· NegociosSucesso e Fracasso·Organização de congresso universitário·Escolhas profissionais erradas
  • Identidade Profissional· EducacaoIdentidade profissional·Narrativa pessoal·Decisões conscientes de carreira
  • Comunidade e Rede de Apoio· SociedadeImportância da rede de apoio·Roda da vida no coaching·Equilíbrio profissional e pessoal
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SASérgio Albuquerque

O Coachcast no ar! Eu sou Sérgio Albuquerque e toda mudança profissional tem desafios que poucas pessoas enxergam. E hoje eu vou conversar com Renata Seudin sobre um lado invisível da transição de carreira. Vamos começar então. Renata, seja muito bem-vinda e obrigado por estar aqui conosco hoje no Coachcast. Quem é Renata?

RSRenata Seldin

Primeiro, muito obrigada por me receber, Sérgio. Tava esperando esse convite ansiosa. A Renata, ela é uma carioca sagitariana, mãe de uma cachorrinha de 12 anos, que é minha paixão. E hoje eu sou escritora, advogo pelas causas femininas, sou mentora de carreira, ajudo as pessoas nas transições de carreira, porque eu mesma fiz uma que foi um processo doloroso, né? E aprendi tanta coisa que hoje penso que tem como fazer mais fácil, sabe?

Então entendi que eu tinha um propósito de ajudar as pessoas a passarem pela vida de uma forma um pouquinho mais simples, seja dividindo a minha história ou seja, escutando a história delas para relativizar o que elas estão falando, né, e ajudá-las nas suas escolhas profissionais.

SASérgio Albuquerque

Que bacana, que coisa boa! E a gente se conectou lá pelo LinkedIn, e essas conexões também são muito importantes hoje em dia. E a gente tá distante fisicamente falando. E como é que você tá vendo isso hoje? Porque você também escreve, você Você, né, autora de livros, é um monte de atividade.

RSRenata Seldin

Eu não gosto de ficar parada. Eu achei que ia me aposentar, ia parar, e só faço mais coisa. Eu vejo essa conexão como uma grande possibilidade nessa abertura das redes. Então você tem acesso a pessoas extraordinárias, a conteúdos extraordinários, Mas por outro lado, a gente tem o risco de cair na falta de profundidade, né, tanto das relações quanto dos conteúdos. E isso me incomoda um pouco, né, no sentido da, principalmente das relações, delas hoje estarem menos profundas, com menos responsabilidade emocional.

Mas quando a gente consegue acertar isso É uma possibilidade infinita de crescimento e de conexões, porque cada vez que você se conecta com uma pessoa diferente de você, você ganha. Não tem como perder, né?

SASérgio Albuquerque

É verdade. E diga-se que nós estivemos aqui nos bastidores por quase 20 minutos, não, mais de 20 minutos conversando, se conectando, se conhecendo. E eu também gosto muito disso, né? Eu sou suspeito. Em falar, porque senão eu já nem produziria um podcast. Desde janeiro de 2020 que eu tô com o Coachcast no ar entrevistando pessoas incríveis assim, tá? Mas qual é você, né? Você tá aqui e a tua história é muito bacana também. Todo mundo vai entender, né, tudo isso aqui hoje, porque você veio do mundo corporativo, de uma grande corporação.

E vamos, vamos lá no comecinho da sua carreira, né? Por que que você decidiu fazer a sua faculdade?

RSRenata Seldin

Eu fiz faculdade de engenharia de produção e fiz porque meu pai era psiquiatra, minha mãe era psicóloga, e eu queria fugir dessa, de qualquer coisa de humanas, porque eu fui analisada a minha vida inteira, minha infância, adolescência. Então acho que fiz como um ato de rebeldia. É, mas me conectei muito. Eu acho que eu dei muita sorte, né, porque fazer esse tipo de escolha aos 17 anos, 18 anos, né, nessa virada, é uma escolha muito grande para uma pessoa que ainda não tem tanta experiência de vida, né.

Então acho que eu dei sorte, porque a faculdade de engenharia ela acabou me dando diversas ferramentas para me conectar depois com algo que eu quisesse aprofundar, né. A engenharia de produção, pelo menos aqui na UFRJ, ela é mais ampla assim, né? Então, e desde cedo, por acaso, comecei a fazer consultoria ainda na faculdade, né, num grupo de pesquisa da faculdade. E só trocava de empresa, saí desse grupo da faculdade, fui para Accenture.

E da Accenture eu tava fazendo mestrado e doutorado. Então aí fui fazer, fui ser um pouco empreendedora e quebrar um pouquinho a cara com consultoria, e depois fui convidada a trabalhar com consultoria na TOTUS, né, que é uma empresa de tecnologia aqui da América Latina. E nessa época, eu não vou falar quanto tempo atrás porque não quero, né, dar minha idade aqui, ela, a TOTUS, estava fundando uma área de consultoria porque queria, né, assim, queria blindar um pouquinho a a empresa com relação aos seus concorrentes, porque a TOTUS implementa sistemas de gestão.

Quando os clientes implementavam sistema de gestão sem olhar para os seus processos, o sistema ficava mal implementado, né? Então vinham outras consultorias e falavam: tire a TOTUS e coloque o concorrente. E a TOTUS, percebendo isso, falou: não, é uma questão de processo da sua empresa. Então vamos aqui te oferecer uma consultoria. E acabei indo. Não te contei esse caso, vou te contar agora, porque eu tava noiva e eu queria pagar minha festa de casamento.

A gente tinha combinado que ele ia entrar com apartamento e eu ia entrar com a festa. Então eu fiz as contas: se eu for trabalhar na TOTS, eu trabalhar 5 meses, juntar tudo que eu ganho morava com os meus pais, consigo pagar uma festinha aqui. Então botei essa meta e eu odiava, Sérgio, como eu odiava! Eu ia cada dia assim sofrendo. E aí, no dia que eu não aguentava mais, que eu ia falar para o meu noivo que eu, olha, não tô aguentando, eu vou pedir demissão, a gente terminou.

E aí eu falei, o que que eu faço agora? Não tá na hora de fazer mais nenhuma mudança de vida, né? Acabei essa mudança grande demais, deixa eu ficar aqui na TOTUS, que pelo menos é um negócio estável. E aí comecei a adorar, porque aí dei chance para empresa. Ela deixou de ser o cofrinho, né, que ia pagar meu casamento, e eu passei a curtir o que eu fazia. Então, e aí foi um longo relacionamento. Acho que foi o relacionamento mais longo que eu já tive na minha vida, foi com a TOTUS.

SASérgio Albuquerque

Olha que interessante, hein? Você vê que até naquele questionário que eu pedi para você responder, você colocou justamente ali aquela questão daquele desalinhamento, né? Você estava desalinhada, mas é por uma questão pessoal e você nem sabia disso.

RSRenata Seldin

Exatamente, exatamente. Depois do término com o noivo, depois do término com o noivo, eu pude dar chance para Renata profissional, né? Assim, era a Renata pessoa família, né, Renata família que tava em jogo ali. Aí o trabalho me afastava dessa pessoa que eu queria ser. Então quando eu repensei a minha identidade, eu falei, não, acho que agora tá na hora de focar na Renata profissional. E essa pessoa, né, a Renata profissional, ela me satisfez durante muito tempo.

Eu fui muito feliz com essa identidade, né, com esse skin, como dizem hoje, assinatura TOTS depois do G4. E aí chegou o momento que eu comecei a sentir incômodo de novo, sabe, Sérgio? Todo ano na consultoria, ela é um trabalho muito puxado, é um ritmo de trabalho muito intenso, com muita viagem, então ele é cansativo normalmente. E todo ano eu me fazia, eu tinha um ritual de me perguntar se aquilo ainda fazia sentido, e todo ano a resposta era sim.

E aí lá Alguns anos atrás começou a resposta, começou a ser talvez, não tenho certeza, tem alguma coisa que tá me incomodando, mas eu ainda não sei exatamente o que que é. E eu levei 5 anos para entender o que que era. Então eu levei 5 anos, né, guardando dinheiro. Eu acho muito importante, eu acho que quando a gente fala de carreira não dá para falar de carreira e não pensar em autonomia. E eu até escrevi outro dia um artigo que é o dinheiro do não, né?

O dinheiro que você junta para ter direito de dizer não quando alguma coisa não te agradar mais.

SASérgio Albuquerque

Então, o dinheiro do não, exato, né?

RSRenata Seldin

O artigo chama isso, o dinheiro do não, que é aquele dinheiro para você falar assim, ok, daqui eu não topo mais. Seja uma empresa, seja um casamento, seja um relacionamento, o que, né, assim, é o dinheiro que te dá autonomia para fazer suas próprias escolhas. Então fui nesse tempo juntando meu dinheirinho, eu tinha uma meta financeira na cabeça que me renderia a ponto de eu não precisar mais trabalhar. E também fui tendo esse diálogo com a empresa, né, assim, olha, não quero ficar mais tanto tempo, vamos pensar aqui no futuro juntos.

E aí acabou sendo uma saída de comum acordo, porque foi planejada, ela foi conversada durante muito tempo. E aí falei, eu vou tirar um sabático, vou fazer um sabático. Só que nesse meio tempo eu perdi meus pais, né, pela COVID, e eu comecei a escrever como forma de elaborando um pouco das questões que eu tava passando, tanto profissionalmente como essa perda na família. E ia colocando no Instagram as coisas que eu ia escrevendo.

E eu fui percebendo que o número de seguidores estava aumentando e tava aumentando, e as pessoas começaram a comentar: nossa, eu também me identifico com isso aqui, eu também passei por essa situação. E eu falei: isso aqui é um negócio legal. Acho que eu, acho que eu quero fazer isso aqui, me dá retorno. Então eu comecei a olhar para escrita de uma forma, né, como mais séria, né, assim, deixa eu ver do que se trata. E me entendi como uma pessoa cronista, né, porque o Instagram diminuiu, né, os espaços, né, você só pode escrever com 2.200 caracteres.

Então eu tinha que ser concisa. E me descobri uma escritora. Hoje, né, tô indo para o meu quarto livro. E depois de passar por isso tudo, eu comecei a pensar, nossa, mas eu fiz uma transição tão, né, assim, tão diferente, né? Fui virar executiva de uma empresa, engenheira de formação, executiva de uma empresa por mais de 20 anos. E virar escritora, né, assim, é tão fora da curva. Nem que seja tanto, mas quando eu falo, eu sou engenheira, mas eu sou escritora, as pessoas acham estranho.

Acho que eu vou, acho que dá para ajudar outras pessoas a fazerem isso também. Então hoje eu também me proponho a fazer essa, ajudar as pessoas nessa trajetória para entenderem suas novas identidades.

SASérgio Albuquerque

Olha que bacana! E parabéns por essa mudança. Eu acho que Nós temos a única certeza que no outro dia a gente pode mudar. Essa é uma certeza. Só que as pessoas não entenderam isso ainda, que a gente pode mudar e que a escolha tá na gente, né? A escolha tá na gente. E você vê que interessante, porque muitas pessoas elas ficam presas em seus paradigmas, em suas crenças limitantes, porque, ah não, porque que a sociedade vai achar de mim?

E eu ontem tava, a gente tá gravando esse episódio em junho, no comecinho de junho, ele vai ao final. E hoje aqui já é final de julho, mas ontem, né, em junho, eu estava escutando um trecho de um corte do professor Clóvis de Barros, e ele justamente falando isso, sabe, porque as pessoas querem que você faça isso, isso, você tem que fazer. Eu tenho que fazer o que eu quero, eu não vou fazer o que os outros acham que eu tenho que fazer.

Eu vou fazer aquilo que eu quero, eu não vou fazer porque a sociedade quer que eu faça. E eu achei bem interessante isso, que tá alinhado com o que você falou agora, porque senão a gente começa a ter exaustão das coisas, a entrar em burnout, a perder o sentido. Eu queria que você falasse um pouquinho disso. Você teve esses momentos na sua carreira de exaustão, de burnout?

RSRenata Seldin

Com certeza, com certeza tive, tive também, né, assim colocando o peso justo nas coisas. Eu não me identificava mais com o que eu fazia, mas também tive perdas muito expressivas nesse período e estava tentando engravidar, tomando muito hormônio. Então era, era uma situação meio caótica, muito exaustiva. E quando eu resolvi tirar meu sabático, que eu achei que eu ia para academia, ia fazer mil coisas, Eu confesso que no primeiro ano inteiro, 12 meses, eu só descansei, porque eu não tinha noção do quanto eu tinha acumulado de cansaço ao longo desse período em que a gente vai aceitando aquela pequena coisa que, ai, não me caiu tão bem, mas ok, eu guardo.

Aí não era exatamente o que eu queria fazer, mas para o bem do outro, porque o outro acha que é importante, eu vou fazer, né? E quando eu me dei conta, gente, assim, eu não tenho nem mesmo parada, sem trabalhar, não tenho energia para fazer nada. Eu levei um tempo para refazer o meu estoque de energia e voltar a fazer.

SASérgio Albuquerque

Tanta poeira, jogou tanto para baixo do tapete que ficou tão grande que tinha um peso nesse tapete que não tava deixando você se mover.

RSRenata Seldin

Levou muito tempo para limpar o tapete, não foi um processo fácil, né? Mas me ensinou muita coisa, me ensinou, por exemplo, que a escolha é minha, né? A escolha, e que eu aceitei que eu não sou vítima desse, né? Porque foram escolhas que eu fiz dentro da consciência que eu tinha. E ok, assim, espero agora não trabalhar mais a exaustão na minha vida e ajudar os outros a não chegarem nesse ponto também, né? Porque se a gente coloca o trabalho, e eu fazia isso, né, num determinado momento na Renata profissional, o trabalho como centro da nossa vida é muito exaustivo, né?

Assim, é muito peso daquilo, fica muito grande, e você nem sempre tem o domínio. É uma empresa, a empresa vai fazer o que é melhor para ela, para os seus stakeholders, não para você funcionário na pessoa individual, né? Lógico, no CPF. Então você tem que fazer por você mesmo.

SASérgio Albuquerque

É isso aí. Não, e a função da empresa é uma função social, por isso que tem contrato social, ou seja, o social é de todos. Exato. E para sustentar isso tudo tem que ter lucro. Sem lucro Nada se sustenta. Então quer dizer, é uma, é uma roda gigante que tem que continuar girando. E olha que interessante isso, só que a gente tem que ver o que é bom para gente, sem dúvida alguma.

RSRenata Seldin

A gente escolhe se a gente quer sentar nessa roda gigante e a hora que a gente quer sair.

SASérgio Albuquerque

É isso. Existe uma ferramenta no coaching, eu não sei se você usa em mentorias também, que é a roda da vida, que é para a gente ter equilíbrio. Ou seja, o equilíbrio é importante. Claro que eventualmente você dá mais atenção para o trabalho, faz parte, Só que você não pode ficar só lá. Aí, eu trabalho 24 horas, não dá também, vai desequilibrar. Ou assim, eu só me divirto 24 horas por dia, também não dá.

RSRenata Seldin

É muito também porque eu acho que ter rede de apoio é uma coisa muito importante, né? Eu senti isso quando eu perdi a minha, quando eu perdi meus pais. Assim, eu, minha irmã não mora aqui, mora na Alemanha. Então foi uma coisa, eu me senti muito sozinha, né? Então, até entender que a empresa também fazia parte da minha rede de apoio foi um tempo. Então eu uso a roda da vida, né, para entender quem são as pessoas com quem você pode contar em cada um dos aspectos da sua vida, não só no profissional, né?

Não olho muito com a questão do equilíbrio, olho mais pela questão do vamos ter certeza de que tem pessoas para te apoiar aqui em cada uma das áreas que você É que todos nós temos, né?

SASérgio Albuquerque

Nessa, muito bom.

RSRenata Seldin

Não, enfim, que legal.

SASérgio Albuquerque

E você é escritora, colunista de uma revista muito famosa aqui no Brasil. Como é que foi isso?

RSRenata Seldin

Revista Ana Maria. Foi, foi muito interessante assim. Quando eu recebi o convite da revista para ser colunista deles falando sobre carreira, eu me senti extremamente realizada. E foi, enfim, tem, é recente, né? Comecei com eles em março. Eu tenho uma coluna lá que é quinzenal e fala sobre carreira nesse mundo feminino, né? Porque é uma revista que tem um público majoritariamente feminino, e poder falar sobre carreira em diversas com diversas luzes, porque a revista me dá essa autonomia de falar.

Desde que seja sobre carreira, eu posso falar sobre o ângulo que eu quiser, né? Então já falei sobre o aspecto financeiro, já falei sobre a rede de apoio, né? Assim, é importante as mulheres terem uma pessoa que te assessore financeiramente. Eu acho uma psicóloga uma função fundamental para a gente ter na nossa rede de apoio. Então, gestor financeiro, psicólogo, eventualmente um contador, as pessoas que vão estar ali no seu background para te dar o suporte que você precisa para fazer o que você faz bem, né?

Então, terapia, o mentor de carreira e o consultor financeiro estão ali no top 3 da minha, da minha lista. Bom, então a revista me dá isso. Por acaso, minha última coluna foi sobre a evolução dos emojis e o que que isso tem a ver com a carreira feminina.

SASérgio Albuquerque

Olha que legal!

RSRenata Seldin

Se você parar para pensar na história dos emojis, eles não tinham a versão feminina e masculina das atividades profissionais, eles só tinham a versão masculina, né, do também não tinha muitas profissões, você, vamos ser honestos aqui, ele foi evoluindo ao longo do tempo. Então foi muito paralelo assim, a gente começa a ter emojis femininos da corredora, da praticante de yoga, né, não só, não só do que é de profissão. A partir do momento que as mulheres também foram tendo mais espaço de fala e ocupando as posições de forma mais, eu posso estar aqui, eu mereço essa cadeira, assim, não é nenhum favor que tô me dando.

Então essa foi minha última coluna. Então é bem amplo, assim, às vezes eu dou essa viajada, mas sempre pensando, né, como fio condutor, a carreira feminina.

SASérgio Albuquerque

E esse artigo tá disponível na internet, no site?

RSRenata Seldin

É aberto?

SASérgio Albuquerque

Legal, vamos deixar o link aqui depois na descrição então para as pessoas irem lá também.

RSRenata Seldin

O dinheiro do não. Então a gente deixa o link para coluna, tem todo o arquivo da coluna, tá lá.

SASérgio Albuquerque

Que bacana, que legal! Vamos falar então do primeiro sucesso que você lembra assim na sua carreira, o primeiro, a primeira grande conquista que você teve no início.

RSRenata Seldin

Nossa, que difícil, que pergunta difícil!

SASérgio Albuquerque

É ótimo fazer algumas perguntas assim que nos levam lá para o passado e relembrar as coisas.

RSRenata Seldin

Assim que eu entrei na faculdade, a faculdade de engenharia naquele ano ela tinha começado a, pelos alunos, criar um congresso de engenharia de produção local que trazia pessoas do mercado para falar com os alunos de engenharia de produção. Começou ali na UFRJ, depois se expandiu para universidades aqui do Rio de Janeiro. E no segundo ano eu resolvi me juntar voluntariamente a esse, a esse grupo que organizava o evento e fiquei responsável por toda a parte financeira.

Nunca tinha feito aquilo, né? Nunca tinha. Então pensar em bater na porta das empresas, explicar o que que a gente estava fazendo, pedir dinheiro e dizer como aquele dinheiro ia ser usado para desenvolver a carreira de jovens e também para expor aquela marca, né, que tava patrocinando o evento. E ter conseguido colocar um evento já no segundo ano, né, que foi meu primeiro, numa escala tão maior, acho que é um sucesso. E depois ele foi crescendo, crescendo, ele teve âmbito nacional no meu período de faculdade.

SASérgio Albuquerque

Viu que não foi tão difícil assim relembrar?

RSRenata Seldin

É verdade, ainda foi na época da faculdade. É um negócio que eu tenho muito orgulho. Hoje não fazem mais, né? Quando o curso fez 50 anos, me chamaram para fazer uma palestra, né, do que é ser mulher na engenharia de produção. E aí eu descobri que o evento não existe mais, me deu uma pena, mas foi um sucesso.

SASérgio Albuquerque

Que legal, que bacana! Agora vamos para o outro lado. Qual foi um grande desafio que você passou na carreira, um grande erro, algum tropeço gigantesco assim que doeu?

RSRenata Seldin

Quando você fez a pergunta do sucesso, eu imediatamente pensei no meu primeiro fracasso, que não era tão grande assim, mas eu era a melhor aluna do colégio. E quando eu fiz o vestibular, eu tava muito segura de mim. Só que a engenharia de produção na época era uma mega, era uma carreira muito disputada numa universidade federal, eram 80 vagas. Meu número foi o 81. Então ali eu experimentei pela primeira vez esse gostinho amargo, sabe?

Porque eu bati na trave. Eu lembro de abrir o jornal, naquela época era jornal ainda, que saía a classificação, né? E olhar e olhar e falar, ok, fiquei em 81, o que que eu vou fazer da minha vida? E aí, né, assim, o processo em si deu certo, porque as pessoas vão desistindo, né? Então nesses 80 que estavam ali, 5, 7 desistiram e eu entrei.

SASérgio Albuquerque

Uau!

RSRenata Seldin

Então acabou sendo, se corrigindo por conta própria. Mas foi minha primeira sensação de fracasso, foi essa.

SASérgio Albuquerque

Pois é. E aí a gente registra isso, né? Meio que fica printado na gente.

RSRenata Seldin

Sim. Agora, profissionalmente também fiz muitas escolhas erradas, né? Até porque eu acredito muito, mesmo quando eu passei a liderar pessoas e liderar a unidade de consultoria da Tontes, eu acredito muito no espaço de tentativa e erro, e acreditar que isso é que faz a gente evoluir e crescer. Então também nunca tive medo de fazer e errar e dar minha cara a tapa, sabe? Então foram muitas vezes que eu Que eu fiz, fiz coisa errada, falei o que não devia na hora que não devia, né?

Já fui muito enfática no meu discurso feminista em horas que não eram tão apropriadas. Então já tive minha cota de erros também.

SASérgio Albuquerque

Aquela hora que depois você poderia ter sido tipo colocar a cabeça abaixo da terra, né?

RSRenata Seldin

Precisava ter chamado o cara de machista naquela hora. Não podia ter guardado para mim?

SASérgio Albuquerque

Mas a gente passa. E eu acho que é um clichê falar, mas assim, só erra quem faz. Quem não faz nada, quem não se arrisca, tá sempre confortável, ele não vai errar, não vai mudar de carreira e vai ser sempre infeliz também. Sempre infeliz. Então é isso, é melhor a gente ter essas, essas nuances na nossa vida, fazer as transições, mudar, arriscar. Eu prefiro assim também. E como você falou, não tem problema nenhum você ser engenheira de produção e ser escritora e ser mentora de carreira.

RSRenata Seldin

Existem essas pessoas dentro de mim.

SASérgio Albuquerque

É que talvez assim colocar, nos colocar em caixinhas fechadinhas parece tão, não sei, isso. Então talvez seja isso que você faça hoje também, ajudando as pessoas, né, abrindo os olhos delas.

RSRenata Seldin

Sim, parte do meu método inclusive passa por isso, né? Assim, eu criei um método de 10 passos. No momento é de abrir, falar o que que você já imaginou na sua vida que você faria. Já apareceu podcaster, já apareceu neurocirurgião, assim, então coisas que pessoas me falam. E legal, vamos anotando tudo, né? Agora, daqui, o que que ainda é possível? O que que é viável? Aliás, eu acho que tudo é possível, mas com um nível de investimento maior ou menor de tempo e esforço, né?

Então assim, dentre todas essas coisas que te brilham os olhos, vamos agora afunilar e ver o que que é possível para sua realidade hoje.

SASérgio Albuquerque

Muito bom.

RSRenata Seldin

A gente passa por essas duas etapas: abrir o caminho e depois afunilar e voltar para a realidade, porque Eu talvez, a Renata aos 18 anos fazendo engenharia, se alguém falasse você vai ter 4 livros publicados, ia falar não, você errou, errou, Renata, outra pessoa.

SASérgio Albuquerque

Eu sou a pessoa de produção, de cálculos, amo isso.

RSRenata Seldin

Fábrica, vou trabalhar, né? Fui para o chão de fábrica uma vez na vida, falei o que é isso aqui, eu sei que eu não quero. Era muito, era uma fábrica de vidro. E eu tinha que desenhar os processos produtivos e era muito quente porque o vidro ele só é moldado no calor.

SASérgio Albuquerque

Já fiz consultoria em fábrica de vidro, é desesperador, né?

RSRenata Seldin

Muito quente.

SASérgio Albuquerque

Eu preferiria estar sempre na salinha de treinamento com ar-condicionado. Eu olhava lá para fora, de vez em quando tinha que ir lá olhar, conversar com o gerente de produção. Falei, meu Deus do céu!

RSRenata Seldin

Ali eu falei, ok, esse aqui é uma coisa que eu não quero. Então esse aqui então é um limite para mim.

SASérgio Albuquerque

Já foi eliminado.

RSRenata Seldin

Engenharia de produção, outra coisa, porque o chão de fábrica não é para mim. Então você vai se conhecendo, você vai testando e se conhecendo, né? Legal.

SASérgio Albuquerque

Eu acho que nós vamos ter que marcar mais uma gravação, porque eu quero ter muito mais curiosidade aqui. O papo tá muito gostoso, mas a gente tá caminhando aqui para o final. Já passa tão rápido, né?

RSRenata Seldin

Passa muito rápido.

SASérgio Albuquerque

Eu queria, para a gente começar a fechar, Fala onde é que as pessoas encontram seus livros para comprar.

RSRenata Seldin

Meus livros estão na Amazon, também podem me encontrar, e aí encontram o link no Instagram, Renata Celde. Eu sou a única do mundo, eu tenho essa, essa vantagem da vida assim, sabe? Porque então basta procurar meu nome que as pessoas encontram. Então lá no meu Instagram tem uns links para comprar os livros. Hoje, no dia que a gente está gravando, só tem 3 livros disponíveis, mas no dia que for no ar já vai ter lançado o quarto.

SASérgio Albuquerque

Então corram lá para comprar, corram lá para seguir a Renata Seldin, corram lá para acompanhar essa trajetória dela, interajam, compartilhem esse podcast aqui que ele tá no Spotify, tá no YouTube, tá em todas as plataformas. Então é só chegar lá e ver e aprender muito, trocar com você também. Tenho certeza que que é muito rica a troca.

RSRenata Seldin

Eu tento responder tudo, tento.

SASérgio Albuquerque

Legal, é que você já tá num nível ali que tem muita gente às vezes não consegue, né? Eu tô vendo os teus posts aqui no Instagram, bem bacana.

RSRenata Seldin

É, mas eu tento, eu tento falar com todo mundo porque eu acho essa troca importante, né? Assim, a gente tem que estar aberto para aprender, evoluir, né?

SASérgio Albuquerque

Então Sem dúvida alguma. Adorei esse nosso bate-papo, super astral, muito gostoso mesmo. Quero de fato que você volte, hein? Eu volto para contar mais como é que tá essa tua trajetória, como é que, o que que você anda aprontando, né? De repente livro.

RSRenata Seldin

Eu já tô com ele na cabeça, a gente pode gravar já mais uma só falando disso.

SASérgio Albuquerque

Com certeza, com certeza.

RSRenata Seldin

Não vou dar spoiler.

SASérgio Albuquerque

Isso, por favor. E Renata, só tenho a te agradecer. E os links aqui do LinkedIn, o link do Instagram vai estar aqui na descrição. Entrem em contato, sigam, vocês vão ver que o conteúdo da Renata é bem bacana. E comprem os livros, depois me contem aqui também dos livros. Renata, muito obrigado pela sua gentileza, generosidade de vir aqui. Ao Coachcast contar esse pedacinho da tua história. Tenho certeza que ainda tem muita coisa pela frente.

RSRenata Seldin

Muito obrigada pelo convite, assim, adorei dividir um pouquinho. Foi um papo muito gostoso.

SASérgio Albuquerque

Obrigada, muito obrigado. Até a próxima, tchau tchau!

A coragem de recomeçar antes da exaustão | Renata Seldin | Castnews Index — Castnews Index