#226 - Substituições de Autores: Parte 2
Continuamos contando as histórias onde foi necessária a troca de autores nas novelas.
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Com Fábio Sousa, João Dantas e Elder Paes
Roteiro, Pesquisa e Direção Criativa: Fábio Sousa
Edição: João Dantas
Fábio Sousa
Elder Paes
João Dantas
- A polêmica autoria e disputa de direitos de Rock SanteiroDias Gomes·Aguinaldo Silva·Rock Santeiro·Censura·Direitos autorais
- A substituição de Janete Clair por Glória Perez na novela Eu PrometoJanete Clair·Glória Perez·Eu Prometo·Câncer no intestino·Horário das 10
- A substituição de Benedito Ruy Barbosa por Walcyr Carrasco em EsperançaBenedito Ruy Barbosa·Esperança·Walcyr Carrasco·Audiência baixa·Críticas do autor original
- Problemas e substituições de autores na novela Um Sonho a MaisDaniel Massa·Um Sonho a Mais·Lauro César Muniz·Mário Prata·Dagomir Marquesi
- A saída de Mário Prata e a confusão na novela Metamorfoses da RecordMário Prata·Metamorfoses·Record·Arlete Ciareta·Charlotte K·Letícia Dornelles
- As múltiplas trocas de autores na novela Seus Olhos do SBTSeus Olhos·SBT·Ecila Pedroso·Noemi Marinho·Marcos Lazzarini·Aimar Labaque·Mário Viana·Fábio Torres
Mas hoje um macho me trouxe aqui, minha cena. Ai, como é bom sentir cheiro de macho! Matou a saudade! Olá, bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada! Tá começando mais um episódio do seu podcast favorito, Novelas TV, de jeito divertido, debochado e irreverente. Eu sou o Fábio.
Oi, gente, tudo bem com vocês? Eu sou o João.
Oi, gente, Sorella aqui novamente.
Tá começando mais um episódio do Critério de Programação. A gente já tinha feito lá no episódio 219, onde a gente lembrou vários casos de atores que foram substituídos durante as novelas e a gente deixou no ar. E se fosse os autores sendo substituídos? Temos casos? E sim, gente, temos casos, e casos que enchem o episódio, né, gente? Outro caso também famoso, gente, Janete Clare. Janete Clare tava muito doente, sofria de um câncer no intestino, né?
E a Globo sabia da gravidade da doença. A Janete queria escrever a última novela, que ela sabia que seria a última novela. Me dê escrever a próxima das 8. Então, para não comprometer o horário das 8, não, Janete, você vai escrever a próxima das 10. A Globo decidiu ressuscitar o antigo horário das 10, que tava extinto desde 1979, com o final da novela Sinal de Alerta, de Dias Gomes, marido de Janete, né? Então, a Janete escreveu Eu Prometo pro horário das 10 em 83, e para impor um ritmo de trabalho menor, a novela era apresentada de segunda a sexta com capítulos de meia hora, bem curtinha, para não forçar tanto, tá?
E aí a doença foi ficando cada vez mais agressiva, a o estado de saúde da Janete foi ficando cada vez mais frágil. E a Globo recrutou a Glória Pérez, que naquela estreante em roteirização de novelas, como colaboradora para auxiliar Janete na criação dos capítulos. E a Glória sempre conta essa história, né? A Janete ditava, a Glória escrevia tudo, foi se agravando, ela foi escrevendo. A Janete sabia que ia morrer e contou que era o que Eu não vou chegar ao final dessa novela, mas eu quero que essa novela chegue até o fim.
E disse como ela queria que terminasse, os finais dos personagens, tudo, tudo, tudo, tudo, deixou tudo encaminhado. E Janete morreu 2 meses depois da estreia da novela, em novembro de 83, né? Sua morte gerou comoção nacional, né? Ficou muito triste. É a Maga das Oito, a Nossa Senhora das Oito partiu, né? Janete escreveu a novela até o capítulo 60 e E a Glória terminou de escrever os 43 capítulos finais, sendo supervisionada pelo marido Janete, o Dias Gomes.
E ela sempre fala que o Dias nunca mandou reescrever nada, ficou tudo certinho. E a novela terminou com 103 capítulos, né? Então a gente vê nos fragmentos do Globoplay, se não me falha a memória, os 2 primeiros são da Janete, os 4 últimos são da Glória. Não, eu acho que os 4 primeiros são da Janete, os 2 últimos são escrito pela Glória Perez. Então uma pena que a Globo não guardou a novela, essa última novela da Janete toda, né?
Uma pena, porque eu não achei uma novela ruim. Eu fiquei com vontade de ver toda a história, achei uma novela, mas era bem ágil, né? Apesar de todo o clima que já se sabia da época. Enfim, eu veria a novela toda se tivesse disponível. Eu gostei bastante. É, a gente dava pesada, né? Mas enfim, próximo caso, gente, 85. É, João, o que aconteceu com Daniel Massa em 85?
Era exibida uma novela chamada Um Sonho a Mais, escrita pelo Daniel Mais, como o Fábio comentou, e ele acabou deixando a autoria da novela no capítulo 37.
Não achamos motivos do autor ter deixado, mas enfim, saiu, saiu.
E aí o Lauro César Muniz, né, o conhecido Lauro, que havia participado da criação da sinopse junto do Daniel Mais, né, por conta dessa experiência dele e tudo mais, Ele assumiu a novela juntamente com dois autores, o Mário Prata e o Dagomir Marquesi. E aí o Mário Prata declarou na época, abre aspas: a história chegou às nossas mãos complicada, emaranhada, e tivemos que continuar a contá-la. Perdemos tempo retomando a sinopse original, depois passamos por um período de adaptação até ganhar domínio sobre ela.
Tudo isso contribuiu para dificultar nosso trabalho e ficou refletido no ar, fecha aspas. Ou seja, foi uma novela que teve aí seus causos seus problemas.
Mas mesmo assim eu vou assistir, é isso. E aí, joinha. Em 85 aconteceu outro caso, né, João? Aconteceu outro caso no SBT, né? Agora no SBT, SBT entrou em ação, né?
Exato. Eu achei esse caso tanto no livro do Fábio Costa como no Memória da Telenovela do Ismael Fernandes. E aí foi numa novela chamada Uma Esperança no Ar, lá em 85, que foi a última novela produzida pelo SBT na década de 80, né? A gente sabe que nesse período eles especializaram mais nas adaptações mexicanas. E aí esse roteiro, né, roteiro inédito, né, uma produção inédita, era o roteiro inicial era do Creiton Zarzi e da Dulce Santucci.
Ele sabedor dos elementos que poderiam agradar o público da emissora, né, porque ele já tinha adaptado várias novelas mexicanas lá no SBT, e ela veterana na arte de contar histórias no rádio, na televisão. E aí resolveram juntar os dois autores.
Ela também tava E nesse episódio que substituiu o Dini Egito lá nos anos 60, né?
E ela tava presente desde os primeiros anos da telenovela, enfim. E aí, após o capítulo, pioneira. E aí, após o capítulo 30, a novela foi assumida pelo Ismael Fernandes, né, o autor do livro da telenovela brasileira, que trabalhou em parceria com Hamilton Monteiro. E o Hamilton já escrevia a novela desde o início com a Dulce, né? Porque o roteiro inicial era do Creighton, mas aí o Hamilton também escrevia a novela com a Dulce e a obra, né, passou por muitas mãos e acabou desgastada.
No livro Memória da Telenovela Brasileira, de Ismael Fernandes, ele afirma que os primeiros 30 capítulos foram desenvolvidos pela dupla Hamilton Dulce a partir da sinopse do Creighton. Aí eu até peguei aqui o trecho para ler. Então ele diz o seguinte: a história, né, de Uma Esperança no Ar, Rui, personagem do Celso Frateschi, fica cego e aleijado depois de uma decepção amorosa. A culpa recai sobre Ana, personagem de Angelina Muniz, uma namorada que é obrigada a abandonar a cidade, comandada inescrupulosamente por Daniel, personagem do Ednei Giovenazzi.
Era também a história de amor de Débora, Eliane Jardim, uma jovem de passado misterioso, e Edgar, Mário Cardoso, político mau caráter que abandona a grande chance de ascensão política para render-se aos encantos da mulher amada. As nuances folhetinescas apresentava um roteiro desenvolvido por Creiton Zarzi, perfeito para a TVS. Mas a sinopse acabou por receber diversos tratamentos de profissionais da área, passando de mão em mão, acabando por contar a tragédia de um ceguinho em meio a uma crise política.
Os primeiros 30 capítulos foram escritos por Dulce e Hamilton Monteiro, e a novela foi apresentada às 15 para as 8 da noite. É fala aqui no livro dele. Então é isso, acabou de caracterizá-lo e ninguém nem fala muito dessa novela, né?
Nossa, ninguém fala nada, nem sabia que essa novela— enfim, quem sabe um dia a gente revisite, né, no autor? Quem sabe, né? Vamos ver como é que vai ser. Benedito Ruy Barbosa novamente, mais uma vez. Benedito Ruy Barbosa escreveu o argumento da novela De Quina para Lua, mas não pôde escrevê-la por compromissos com teatro. E aí a autoria foi entregue ao Alcides Nogueira, estreando em novelas depois de larga experiência no teatro.
A gente já contou essa história lá no episódio do Alcides, né? Só que De Quina Pra Lua se revelou um decepcionante trabalho, apresentando uma história inconsistente, mal conduzida pelo autor Alcides Nogueira, além do elenco irregular e mal escalado. E o Benedito reclamando da condução da história, telefonava todo dia pro Alcides, que chegou a querer abrir mão da novela. E aí o Walter Negrão se ofereceu pra ajudá-lo na condução da história, mas já para tarde, não tinha mais o que se fazer e a novela acabou sendo concluída como um fracasso, né?
Chato quando isso acontece, né? Ai, gente, mais uma vez o Benedito reclamando, né, João? Nem pôde escrever, mas aquela coisa, gente, um texto seu é como filho, né? Você não tá cuidando direito, você vai reclamar, né? Então, de certa maneira, eu entendo. Eu acho chato, mas eu entendo também. E tem aspas também da época. Vamos ver aqui o que o Alcides falou, né? Ele disse o seguinte: Abre aspas: O argumento inicial é do Benedito Barbosa.
Por compromissos com o teatro, ele não pôde assumir de quina pra lua e com liberdade para modificações me ofereceram a história que estou escrevendo. Alterei a sinopse de comum acordo com o Benedito, mas a ideia central é dele. Criei núcleos, personagens e escrevo os capítulos sozinho. Se surge algum problema, volto a recorrer a ele, que é o pai da história e tem uma grande experiência em novela. Fecha aspas. Isso antes, né, no começo.
E aí depois, abre aspas: É uma novela fraca. Foi minha primeira experiência como autor titular, mas não gosto do resultado. A sinopse original era do Benedito Barbosa. Provavelmente ele teria conduzido a trama de maneira diferente da minha, já que nossos universos são bem distintos. Hoje vejo que ainda não estava pronto para assumir uma novela, ainda mais partindo de uma história de outro autor. Mas mesmo não tendo sido boa, a novela valeu como experiência e pela equipe generosa que estava comigo.
E sobre os problemas com a novela, ele também fala, abre aspas: O estresse provocado pelo Benedito, que tendo entregado a sinopse a mim, continuava me telefonando todo dia para reclamar disso e daquilo. Quando cheguei ao capítulo 60, não tive dúvida. Fui para o Rio, procurei o Dias Gomes e disse: tô entregando a novela. Houve uma reunião difícil, complicada. Aí o grande amigo Walter Negrão entrou na jogada, não para escrever, mas para ficar comigo, com toda a sua experiência.
E o Benedito parou de me perturbar. Em tempo, tenho enorme respeito pelo Bené, mas ele tá atravessando uma péssima fase, não deveria ter feito isso comigo. Acho que nem se lembra mais dessa história, e é bom também. Fecha aspas. É complicado, né, João? É complicado, é tenso, é babado, mas babado mesmo.
Mas eu acho que também vai, é muito difícil para quem entregou deixar ele.
Enfim, eu acho, tem um chato também, né? Gente, foi ele que falou isso, não fui eu. Reclama de tudo, Sorella. O próximo caso foi babado, né, Sorella? Deu até processo, briga pública. Foi o escambau, né, Sorella? Que foi Dias Gomes mais uma vez, né, amiga?
Dias Gomes era arengueiro, Sorella.
Gente, Dias Gomes e Benedito Barbosa entram num bar.
É, pois é. E dessa vez a briga foi notória porque se trata do maior sucesso da televisão brasileira, né, Sorella? Exatamente, é a briga pela autoria da novela de maior audiência de todos os tempos, que é Roda do Santeiro, né? Novela concebida pelo Dias Gomes, que foi proibida, né, pela censura em 1975, e 10 anos depois ela foi ao ar, né? Agora foi produzida em 1985 e tornou-se o sucesso que nós conhecemos, né? Melhor atriz, melhor ator, né?
O melhor roteiro, novela política. Quem diga que é a melhor novela, né, para muitos, né, Sorella? É a melhor novela de todos os tempos. Mas o Dias Gomes não quis escrever a novela, tinha passado o tesão, Sorella. Passou o tesão em 75, tinha o contexto da ditadura, ele comunista, né, Sorella? Talvez ele tinha mais esse fogo, né, esse fogo nos olhos naquele momento, né? Mas em 85 a ditadura já tinha perdido sua força, o regime militar tava no centro dos dias contados, né, Sorella?
Então perdeu o tesão, né? Aí não quis escrever a novela e indicou Agnaldo Silva como coautor. Dos 209 capítulos totais que a novela teve, o Dias escreveu apenas 99. Os 51 iniciais que já estavam escritos desde 75 e que quase nada foi alterado, né? E os 48 finais, Agnaldo revisou e ajustou esses 51 iniciais, escreveu todo o miolo, todo o desenvolvimento, né? 110 capítulos, né, caso vocês ainda não tenham feito a conta, né, que foi a fase justamente mais popular da novela, que o Agnaldo é popular, né, Sorella, como a gente conhece.
O Agnaldo é o escracho, é o deboche, mas ao mesmo tempo tem a crítica, né, Sorella, tem a ousadia, né, tem ali a mensagem, o texto, né. Então talvez, supostamente, supostamente, Sorella, movido por ciúme, né, Sorella, do excesso de sucesso, né, que Roxy Monteiro teve, que talvez nem, nem eles esperavam esse sucesso todo, né, que ela estava tendo com Agnaldo Silva. O Dias Gomes exigiu escrever o final da novela. Essa merda é minha, que escreve só esse caralho.
Ele ficou com inveja do sucesso do Guigui.
Porra, a novela é minha, esta bicha tá fazendo sucesso com a minha história?
Não, exatamente. Aí o choque entre os autores se agravou e ambos disputavam os direitos autorais da novela.
E o pior, gente, é que a fase do Dias que eles escreveram essa reta final era a fase mais chata da novela.
É, pois é, a novela é o que é por causa do Agnão, combinei. Desculpa, desculpa, perdão, herdeiros do Dias Gomes, mas a verdade ela tem que ser dita, né? Então, como eu tava dizendo, o choque entre os autores se agravou e ambos precisavam, né, resolver isso, né? Então eles disputaram os direitos autorais da novela. A Globo interviu na questão, né, e fez uma divisão tripartite.
Fizeram o resultado na mão e tiveram que repartir. E aí teve proposta, né? O Dias sugeriu— ai, cadê, gente, a proposta do Dias? Ah, tem que ser assim: 60% para mim, porque eu escrevi a peça, a ideia foi minha, então 60% é meu, 30% para Aguinaldo e 10% para os dois colaboradores. O Dias propôs isso, propôs isso. E o que que Agnaldo propôs, Sorella?
40% para Agnaldo, 40% para Dias Gomes e 20% para os colaboradores Marcílio Moraes e Joaquim Assis. Achei mais justo. Foi, porque os colaboradores também estão ali, meus amores, vamos aceitar, né?
Exatamente. O Agnaldo disse o seguinte na época: neste instante, do que estou mais precisando é de incentivo e não que alguém venha minimizar o meu trabalho. Botou o pau na mesma do Midi.
Gosto. Eu achei mais digno dessa forma, né? Eu entendo, né, o Dias Gomes também, porque foi ele que concebeu a novela, né? Foi ele que criou a peça e tudo mais, mas não foi ele que escreveu. Não adianta chegar e querer 50% mais, porque ele não chegou a escrever isso tudo. Não escreveu, ele não escreveu 50% da novela.
E vamos refletir um pouco, Sorella. Será que se o Dias Gomes tivesse escrito a novela desde o começo até o final, a novela teria sido o que foi?
Mandala veio aí, a gente viu o que aconteceu, né, Sorella?
Então daqui a pouco fala de Mandala.
Mas enfim, então aí para finalizar a história, né, Sorella, é público e notório também que Dias Gomes e Agnaldo Silva permaneceram rompidos até pouco antes da morte de Dias em 1999, né? Será que teve um perdão no leito de morte, Sorella? Não, porque não teve leito de morte, né, Sorella, que ele morreu no acidente.
É verdade, o Agnaldo até falou isso, algo sobre isso na época, e depois o Dias simplesmente não se interessou pela novela, tanto que ele me entregou os primeiros capítulos, depois viajou para Europa. Quando ele voltou da Europa, uns 3 meses depois, Rock Santeiro já era um estouro, um escândalo de sucesso. Diz que foi até que o Dias nunca tinha visto Rock Santeiro até o momento que ele voltou a escrever. O que eu escrevi então não lhe interessou.
O que ele queria era escrever o final da novela. Na ocasião, ele chegou a pedir que eu desse uma declaração à imprensa de que estava saindo da novela com uma forma de homenageá-lo. Naquele momento eu percebi que se eu fizesse isso, estaria me condenando a ser eternamente o segundo, um autor secundário. Foi quando eu virei a mesa, saí, mas disse a verdade, que o Dias estava apenas interessado em escrever o final de Rock Santeiro.
No fundo, a imprensa sabe que quem escreveu a novela fui eu e não o Dias. É claro que reconheço que a novela é do Dias Gomes, mas prefiro dizer que é uma novela do Dias Gomes que eu escrevi. E aí não para por aí. O Dias lhe chamava de viado, E eu sempre a ressaltar o fato consumado segundo o qual ele usava peruca e dentadura postiça. E por trás disso tudo, uma enorme torcida para que alguém um dia nos visse, para que algum dia nós dois nos engalfinhássemos em público, disse ele na autobiografia Meu Passado Me Perdoa. É, menino, é aquela coisa, gente, ninguém quer ser o pai do filho feio.
Se fosse o amor, é nosso, teria essa briga.
Teria essa briga?
Se fosse as Três Marias, teria essa briga?
Se fosse um homem muito especial, teria essa briga? Se fosse Editora Maio Bom Dia, teria essa briga? Se fosse Anastácia, uma mulher celestino, teria essa briga? Fica aí os questionamentos. Mas um dia a gente não para por aí, um dia não parou por aí, ele continuou, gente, sendo substituído. Mandala, Mandala veio em 87 e nos planos iniciais, né, Jazz Gomes ficaria responsável pelo roteiro diário da primeira fase completa e do início da segunda fase de Mandala, o que daria por volta de 40 capítulos.
E Marcílio Moraes assumiria o restante. Marcílio Moraes que tava lá no Alto Santeiro, era um dos colaboradores de Alto Santeiro. Mas Dias Gomes adoeceu e deixou a novela nas mãos do Marcílio Moraes por volta do capítulo 26. E o Lauro César Muniz colaborou com os capítulos finais. Sempre o Lauro, né, gente? O Lara tão solícito. Enfim, é, menina, o fato é que depois, a verdade, vocês querem que eu fale a verdade aqui? Ai, Jô, fala a verdade, cuidado com os processos, não quero ser processado.
O Dias não gostava de escrever novela. Eu acho que ele só escreveu porque realmente era Globo, a Globo chamou e a Globo tinha visibilidade, mas ele não gostava. Toda novela dele, pode prestar atenção, tem algum problema, ele sai, ele não quer escrever, ele adoece. Ele não gostava, que eu imagino pelo tempo, né, que perde-se muito tempo, aquela linha de produção é muito conflito interno.
Então enfim, eu acho que ele não gostava não. João, então aproveita, você tá falando muita verdade, fala de corpo santo agora.
Então falando em, falando de, seu corpo é santo, João?
Não, claro. Pai meu, é sério mesmo.
Daquela frase da Semana Santa, eu só gosto das vinhas e dos pecados.
Mas o meu é imaculado, meu é puro.
Aí você é a protagonista da novela então, né?
De Corpo Santo.
Poderia ter sido, se eu fosse atriz na época, poderia ter sido. Mas me conta a história, Jô, que é a história dos bastidores de Corpo Santo, é que estão aqui, que estou aqui no caso. Não, não é minha, não é o meu Corpo Santo que tá em questão.
A sua história só quando você escreveu o seu livro.
Livro, enfim, o que eu vou contar tudo sobre Refúgio. Exatamente.
E aí, em Corpus Santo, lá na Manchete, lá em 87, é, a Manchete tinha essa coisa de fazer novelas diferentes, novelas mais calcadas na realidade. E aí resolveu-se fazer uma novela reportagem. Vocês veem que a gente usou muito esse termo hoje, hein? Acho que vai dar até uma novela reportagem. E aí uma novela reportagem calcada nos acontecimentos do Rio de Janeiro, né, essa cidade que crescia cada vez mais e era muito marcada pela violência urbana.
E aí o José Louseiro, ele iniciou a novela escrevendo em parceria com Cláudio MacDougall e a colaboração de Eliane Garcia. Só que assim, houveram muitas críticas, né, ao conteúdo, que era uma novela extremamente violenta, uma novela com A Torre de Babel da época, verdadeira. Pois é, mas você vai falar de violência, não vai ter violência na novela?
Enfim, gente, é.
E aí o Louseiro e o Makedou e o Cláudio, né, acabaram deixando o projeto antes do fim e foram substituídos por quem? Por alguém que já substituiu e já foi substituído, né?
Pelo Wilson Aguiar Filho.
Ah, olha, pois é, pelo Wilson Aguiar Filho e pela Leila Micollet. Os dois assumiram, assumiram a escrita da novela, mantiveram essa tônica, eles não mudaram, né, a tônica da obra. E a novela se tornou um sucesso, né, com expressivos índices de audiência tanto no Rio como em São Paulo. E teve aquela troca de protagonista também, né, que saiu a Cristiane Torloni, entrou a Silvia Buarque, assumiu o protagonismo, né. A gente não sabe se foi nesse período, né, essa troca ocorreu.
Nossa, inclusive a cena da morte da Cristiane Tolô nessa novela é bem pesada, né, Sorella? É seca, uma cena dura, uma cena crua. Enfim, nossa, é difícil de ver, é difícil de ver. Ai, ai, gente, é mais uma. Se nesse Em Corpo Santo o Wilson Aguiar Filho substituiu o José Louseiro, a situação se inverteu na novela seguinte. O Wilson Aguiar Filho substituiu foi substituído pelo José Louzeiro. Olha só, gente, a dança da vida, né, João?
É a dança da vida. O Wilson Aguiar Filho era o autor do argumento da novela Olho por Olho, exibida pela Manchete em 88, mas precisou deixar a novela nas mãos de José Louzeiro e foi escrever as minisséries Abolição e República para Globo. Inclusive, uma delas tá no Globoplay, né? Acho que é Abolição. República ainda não tá. E aí o que aconteceu, gente? O Louzeiro não ficou até o fim da novela. Em 2 meses foi substituído pelo Olha só, Guia Filho, que terminou as minisséries, voltou para Manchete, e a Leila Miklos veio junto. Olha só, João, como são as coisas, né?
Como era antigamente, que provavelmente não tinha contrato, né?
Eu fico passada. A gente escreve aí que eu vou escrever a minissérie lá na Globo e volto depois. Gente, eu fico passado! Não tinha contrato, gente, era muito fácil, né? Por isso que ator hoje em dia tá amarrado com contrato. Sílvio de Abreu, gente! Sílvio de Abreu, você sabia que o Sílvio de Abreu já foi substituído pelo Gilberto Braga e você nem percebeu? É, menina, no decorrer da novela Rainha da Sucata, 1990, o irmão mais velho do Sílvio, o Ubaldo, ficou muito doente, ficou doente.
Devia ser um irmão próximo do Sílvio, tanto que o Sílvio ficou muito abalado com tudo isso, né? O Ubaldo veio a falecer posteriormente, e aí O Silvio pediu ajuda na roteirização para o Gilberto Braga, que ajudou a colocar a novela em ordem. E o Gilberto Braga escreveu 9 capítulos da novela, fazendo significativos ajustes na forma de contar a história. Não esqueçamos que Rainha da Sucata foi a primeira novela das 8 do Silvio de Abreu.
O Silvio já era experiente no horário das 7 e o Gilberto já tinha experiência no horário das 8. Então é outra linguagem. É outro universo, é outra forma de escrever, né? Então houve essa ajuda, né? Abre aspas: Gilberto me ajudou a formatar a novela. Como tava assistindo, apontou os erros e o que precisava ser feito. Separamos os núcleos de comédia e drama e conseguimos achar uma comunicação boa com o telespectador. Fecha aspas.
Não foi bem uma substituição, foi uma ajuda, foi uma ajuda. Eu vou escrever aqui para mostrar como é que faz. E pronto, ensinou bem, né, gente? Ensinou bem. Eita, sorela, mas esse caso também é triste. O próximo caso também é pesado, é triste, que foi em 1992, né? Mas antes da sorela contar, o João vai contar em 1990 por causa de Gente Fina, né, João? Gente Fina aconteceu, é um caso de troca de autores. Conta, João, conta, conta aqui, conta! Eu quero que você conte.
Gente Fina não foi propriamente uma substituição, né, porque assim, mas foi uma ajuda, vamos dizer assim, que os autores tiveram. A novela era escrita pelo Luiz Carlos Fusco com base no argumento do José Louseiro e passou por muitos problemas de audiência, né, de bastidor. A gente sabe que é uma novela que não fez sucesso. E aí o veterano Walter Jorge Dust foi convocado não para substituir, mas para auxiliar o autor e seus colaboradores, entre, e sua colaboradora, a Marilu E uma situação semelhante, só para a gente falar, ocorreu em Mico Preto também, né?
No Mico Preto, pois é, nos dois últimos meses de exibição da novela, Walter Negrão foi convocado pela Globo não para substituir, né, porque ele sempre substituía outros autores, mas aí para auxiliar os trabalhos e ajudar os autores no desenvolvimento do final da novela. Então aí vale essa, essas menções aí dessas duas tramas. Aqui no episódio.
É, gente, não foram substituições propriamente ditas, mas a convocação de um autor experiente para dar um, de um autor experiente para dar um rumo aos trabalhos, para dar um help. Então são casos especiais aqui, tá, que é bom colocar aqui, que também aconteciam, né, uma ajuda. Ninguém nasce sabendo, né. Aí, Sorella, o que aconteceu em 1992 foi tenso, né?
É, essa história daqui é triste, né, Sorella, também mostra produzida. Não vamos nos aprofundar muito, acho que já falamos muito sobre isso, né?
A gente teve muito isso, né?
Em 92, né, a Glória Pérez escrevia De Corpo e Alma, né, uma novela que foi, enfim, marcada pelo assassinato da Daniela Pérez, né, que é filha da autora. E a Glória, né, muito abalada pela tragédia, naturalmente, né, se afastou temporariamente da novela. E com isso, Gilberto Braga, Acer, e Ana Maria Moretzon assumiram a responsabilidade de escrever a novela por uma semana para dar uma solução para o desaparecimento dos personagens da Daniela e do Guilherme de Pádua, né, que foi condenado pelo assassinato da atriz que também fazia a novela, né.
A delicada missão começou na revisão dos capítulos que já tinham sido escritos, que contavam com a participação dos atores, né. O Gilberto Braga fala, né, que a Glória Perez fez apenas um pedido, que não queria qualquer tipo de vingança contra o personagem. Leonor então, né, contou que eles simplesmente tiraram o personagem da novela, né, tiraram a imagem dele e simplesmente ele não foi mais citado. As cenas que já tinham sido gravadas foram simplesmente eliminadas da trama na edição, né, na pós-produção.
O Bia se mudou de cidade, o nome dele nunca mais foi citado na novela, né. Já a Yasmin ficou ainda uma semana no ar, já que ela tinha cenas que já tinham sido gravadas, né, Sorella. Ela deixou cenas gravadas por conta da frente de capítulos, né. E o Gilberto, né, A Leonor e a Ana Maria aproveitaram o perfil da Yasmin, né, que era uma bailarina que sonhava em dançar, para criar uma saída de cena que fizesse sentido dramaturgicamente, né.
Ela recebeu um convite para dançar profissionalmente no Caribe, né, que a Daniela dançava muito bem, né, Sorella. Daniela fazia tango e tal, era, enfim, foi algo que foi aproveitado na personagem, né, algo que a atriz já fazia, que ela também dançava em Kananga do Japão, né, Sorella.
Sim, exatamente.
E esse fato foi mencionado por outros personagens. E a personagem dela, né, simplesmente viajou para realizar esse grande sonho da vida dela. Foi uma viagem, né, Sorella? Uma coisa bem simbólica, simbólica, né? Foi digno, né? Era o que dava para fazer, né, Sorella? Com sensibilidade e tal, com um pouco de cuidado, era o que dava para fazer. A Glória Pérez voltou uma semana depois, né, desse afastamento. Ela mesma fala que ela quis voltar, né, que a Globo não impôs que ela voltasse, foi um desejo dela.
Porque segundo ela, é trabalhando, né, que a pessoa evita, né, Sorella, ficar enfriada, para não enlouquecer.
Porque eu imagino a situação, né, porque a cabeça fica tão cheia de coisa, né, que você tem que descarregar para algum lugar. E ela voltou para o trabalho, né, e E incluiu dois temas na história, né? A amorosidade, a justiça, e a inadequação do Código Penal, que eu confesso são temas que eu não lembro na novela quando eu vi na época, e que caso entre no Globoplay eu vou querer rever para saber essa parte dessa trama. Até porque acho que ele não tá falando agora, né, Sorella? Né, enfim, deve ser nessa parte agora.
A Glória, ela, embora muita gente tenha suas, é a figura controversa hoje em dia, né, Sorella? Mas eu não deixo de admirar Acho que eu jamais vou deixar de admirar a Glória Pérez, porque no momento de profunda dor dela, sabe? E eu tenho certas, sabe, Sorella, eu tenho na minha cabeça certas teorias para o fato da Glória Pérez ter essa posição política hoje em dia. Eu acho que eu tenho, sabe, eu tenho essa, eu tenho, eu tenho algumas coisas que eu não vou falar aqui porque eu acho que o programa não é para isso.
Acho que o podcast a gente não fala sobre isso, sobre esse tipo de coisa, né, Sorella? Mas eu tenho essa, eu tenho comigo essa convicção de por que ela tem esse posicionamento hoje em dia, né? Mas é uma pessoa para mim admirável, porque no momento da maior dor que uma pessoa pode ter, que a perda de um filho já é difícil, a perda de uma pessoa querida já é difícil, de um filho é mais difícil, da forma como foi é mais difícil, no trabalho que você fazia junto com ela é mais difícil ainda.
E mesmo assim ela continuou firme, ela continuou de pé. Ao mesmo tempo ela escrevia novela e corria atrás de justiça. Fazia investigação, fora ela documentar. A gente vê que ela própria foi atrás, né, do frentista, de não sei quem, das pessoas podia servir como testemunha. Ela correu atrás disso tudo sozinha.
As pessoas não queriam falar, né, só ela, ela, eu acho, tem vários momentos assim desse episódio, desse documentário, enfim, de lacerantes. Mas ela, ela falando que vai para casa de uma senhora, ela fica debaixo de chuva, debaixo de sol, dias, né, dias, né, para mulher falar. E a mulher ele não fala e ela fica lá, não vou desistir, um dia ela vai sair, um dia ela vai ter que falar comigo. Aí eu acho que é um desses momentos que a mulher se sensibiliza e acho que ela coloca coisas embaixo da porta, né, frases, cartões, bilhetes, ela deixa fotos, enfim.
E agora eu falo sobre isso, né, Sorella, não tem como a gente não se sensibilizar e não admirar a força dessa mãe.
Não tem como, porque além de tudo ela conseguiu modificar a legislação, né? Exatamente, porque não era considerado crime hediondo, né?
E ela conseguiu. Exatamente.
Fica muito claro porque essa posição política dela no documentário também viram as costas para ela. Essa que é a verdade.
Ela foi pessoalmente a Brasília, né? Essa questão do feminicídio que hoje em dia é tão em voga, na época nem se falava disso, né? Então foi um conceito que veio surgir muito tempo depois. Mas mesmo assim ela foi atrás, ela que, ela buscou, né, uma justiça para a dor que ela tava sentindo, que nada iria trazer de volta, né?
Mas Quem se sente, tem que ir fazendo justiça. Então, ai, gente, veja o documentário, veja o documentário. Foi um episódio difícil de fazer na época, mas eu e João conseguimos, né? E mas veja o documentário, vejam. E nossa, é tanta coisa que nem a gente, nem eu que vivi aquilo, vamos dizer assim, acompanhei aquilo, tinha noção de coisas que aconteceram. Né, enfim, assistam, assistam, assistam. Vamos prosseguir, gente. Outro caso famosíssimo na época também que deu o que falar. João Dantas sabe bem porque ele viu também.
Oi, só para complementar, né, ainda falando da Glória, né, em 2009, é verdade, tem dois casos, mais um caso ainda, né, enquanto tava no ar, né, a novela Caminho das Índias. Agora se submeteu a cirurgia de tireoide, né, que mais tarde acabou acusando um câncer, né, na região. O Lombardi, né, o Carlos Lombardi e a Elisabeth Jean foram chamados então para substituí-la, né. Mesmo esses autores, né, tendo escrito apenas algumas cenas, a Glória nunca se afastou totalmente da novela e escreveu mais de 100 capítulos durante o tratamento de um linfoma. Veja aí, gente, como foi essa vida de uma mulher dessa.
Eu não vou falar mal de uma mulher dessa, jamais.
A minha boca jamais abrirá para falar mal dela. Meu pano está sempre passado.
Exatamente, é isso. Olha só, olha só, João Dantas, 1995. O que aconteceu em 1995? Foi babado.
Pois é, em 1995 e antes, em 94, vamos seguir só a cronologia, né?
Aí vamos. Eu esqueci, gente, eu tô muito emocionada.
Em 94, uma novela chamada 74.5, Uma Onda no Ar, era uma produção independente da Manchete, produzida pela TV Plus, e a novela passou por muitas mãos, né? O argumento era do Domingos de Oliveira, que escreveu alguns capítulos. Depois dele, o Eloy Araújo, a Rose Causa, a Marilu Saldanha e o Cláudio Paiva conduziram a novela. E aí teve uma nova troca. Pois é, 4 autores, ou seja, 2, 4, 8 mãos a novela. E aí teve Copa do Mundo lá em 94, né, a Copa de 94.
Uma nova troca de autores foi promovida aproveitando a pausa durante a Copa do Mundo. E aí, enquanto teve a Copa, aí terminou, aí os capítulos iniciais foram reprisados em forma compacta E depois esses novos autores assumiram, né? E quem foram esses novos autores? O Chico de Assis e a Lígia Barbieri, que passaram a responder pelo texto dos capítulos inéditos após essa reprise na Copa do Mundo. Então foi 74,5 Onda no Ar, uma novela com muitos autores escrevendo. E alguém lembra? Ninguém.
Você assistiu 74,5 Onda no Ar? Vai que alguém tem assistido, né, gente? Vai que alguém tem assistido.
Agora, engraçado, nem existe essa frequência, né?
Existe essa frequência no rádio, mas assim, e vai falar aqui, eu quero saber, eu aqui vi a novela para comentar aqui, era uma merda, não era? Mas enquanto não chega essa pessoa, já você comentando o que aconteceu em 95.
É, pois é, em 95, outra arranca-rabo, né, de os autores. E o SBT, né, naquela fase de produções caprichadas de remakes de novelas de sucesso, produziu Sangue do Meu Sangue, e foi uma das mais problemáticas Práticas do SBT. A novela era escrita pela Rita Buzá e pelo Paulo Figueiredo, baseado na versão do Vicente Celso, que tinha sido exibida acho que nos anos 70, né, lá na Excelsior, né, se não me engano.
69, 69, na Excelsior.
Isso. E aí o remake não repetiu o sucesso da versão original. Os adaptadores mexeram muito na trama, acrescentaram personagens, disse que o texto era muito impostado, muito formal. E aí os diretores estavam perdidos, os capítulos se arrastavam, né? E aí tentaram dar agilidade na trama e cortavam muita coisa. Enfim, os cortes eram nervosos, não produziam sentido. A novela tava com baixa audiência. Aí Seu Vicente Celso detonou a adaptação.
Ele chegou a ameaçar o SBT dizendo que ia entrar na justiça para tirar a novela do ar caso não respeitassem o texto original, que texto dele. E aí ele reclamava, reclamou da mudança de enfoque da história, reclamou dos dramas pessoais que mudaram, né, os dramas dos autores e o drama dos personagens. E agora estavam focando muito na abolição. E aí o que foi que aconteceu? Os adaptadores, Rita Buzá, Paulo Figueiredo, foram substituídos pelo Vicente Celso, que assumiu a autoria da novela, eliminou vários personagens E o Vicente saiu falando, né, saiu falando.
Ele chegou a dar uma declaração com o seguinte, abre aspas: a Rita Buzan disse que eu era a Magadam, que eu não trabalhava muito tempo, tava querendo aparecer. A novela tá sendo escrita fora de ordem e eles estão tentando salvar a história da edição. A Pola Renom deveria ser interpretada por uma atriz mais velha, como Irene Ravache, para que a diferença de idade entre ela e Lúcio evidente, fecha aspas. Lembrando que a Pola Renom foi interpretada pela, pela Tônia na versão original e nesse remake foi pela Bia Seidel, né?
E o Lúcio era o Tarcísio Filho, se não me engano. Então realmente diferença de idade não fica tão evidente mesmo, né? Então nesse ponto a gente até entende a postura do Celso, né? E a Rita Buzá caiu, mas caiu atirando mesmo. Disse que, ai, que ela teve que reescrever os capítulos, tive que uniformizar perfis de personagens irregulares no original, corrigir erros históricos, estava tudo errado. Ela também humilhou, ela também saiu humilhando, saiu, mas saiu atirando.
E aí o SESC entrou e eliminou vários personagens, né, João? Eliminou o Saltibancos, né, que era a trama do Cacá Rossetti, que sempre fica chato, sabe? Nossa, é, diminuiu a participação da cega Natália, que é a personagem da Denise Fraga, o Tenente Paranhos, que era o Paulo Figueiredo, um dos adaptadores da novela. Outra personagem reformulada foi a personagem da Beth Coelho, que não tinha na trama original. E o César falou o seguinte, abre aspas: essa personagem travestida de homem é ridícula, não engana ninguém, fecha aspas. E a Beth Coelho voltou tinha sido uma nova personagem.
E ele não mentiu ali, ele não mentiu, sabe? E aí trocaram a abertura, trocaram a abertura que eu acho aquela abertura, a primeira, excelente. É uma pena que trocaram aquela abertura, colocaram uma abertura com cenas da novela, é um instrumental, enfim.
E aí ele, o Celso trouxe de volta a Tônia, né? De volta para o carreiro, né, fazendo uma, fazendo uma parente da Pola, né, ela que tinha feito a Pola original, volta como Cecília Renon, né. Enfim, mas não adiantou nada, né, João, não adiantou nada.
A novela continuou, a audiência que já não era muito boa continuou caindo, não melhorou, caiu ainda mais. E para acabar de de acertar, né, como diz o ditado. O Osmar Prado, que era o grande destaque do elenco, né, que vivia o grande vilão Clóvis, também soltou o sarrafo no Seu Vicente.
Menino, ele acabou! Ele pegou os pontos, sabe a folha de papel que a gente já pega, amassa, joga no chão, pisa, esfrega, sapateia e chuta? Ele fez isso com o Celso.
Pois é. Aí ele diz o seguinte, abre aspas: ele não é milagreiro, está bancando Salvador da Pátria. A emissora quer resultados, infelizmente caiu no conto que esse senhor irresponsável, irresponsável e inescrupuloso vem propagando na imprensa. Qualquer um pode ter críticas na novela e dizer que nem todos os personagens estão bem desenvolvidos, Mas não há problema que não seja contornável com uma boa conversa. Sesto simplesmente arrasou a produção desde o início, foi muito deselegante com atores e adaptadores.
Se ele quisesse de fato cooperar, não agiria de forma tão leviana. Deixou claro, deixou claro que na hora em que vendeu os direitos da história ao SBT não soube negociar sua participação e saiu resmungando: sangue é só um tijolinho em um muro. Maior, que é o núcleo de teledramaturgia do SBT. Celso tentou derrubar esse muro desde o início, então não há como respeitá-lo agora. Fecha aspas.
E Celso não respondeu, né?
Não respondeu. E aí, gente, é isso. A novela ficou, atores insatisfeitos, problemas de horário, SBT mudava, e virou um fracasso, né? Virou um fracasso. O que dizer mais?
Ai, gente, nossa, o que vocês acabaram de ver foi um grande esculacho, sabe? Esfregar a cara no asfalto, foi isso. Como é que a gente faz uma hora dessa, né, gente? Que que a gente faz? Vamos para o próximo caso, que a gente quer ver mais chapisco. Solange Castro Neves. Ai, gente, o caso da Solange Castro Neves foi complicado. Vamos contar a história? Ivan Ribeiro e Solange Castro Neves, que era sua colaboradora, que as duas escreveram juntas Mulheres de Areia e A Viagem, os remakes, né, entre 93 e 94, né, uma parceria forte de mãe e filha mesmo e tudo.
A Ivani ensinou tudo para Solange e tal, etc. Ivani Ribeiro faleceu, mas antes de falecer, a Ivani e a Solange começaram a escrever a sinopse de uma novela cujo título provisório era Caminhos Caminho dos Ventos, por volta de 93. Eu já ouvi chamar essa cena de Caminhos do Vento, então nem sei qual o nome certo, mas enfim, era por aí. E aí a história acabou engavetada, mas depois de— oi, mas aí Ivani morreu, né, depois de A Viagem, né, ela morreu em 95.
A trama foi retomada 8 meses depois da morte da autora e passou a se chamar Quem É Você. Aí a Solange escreveu apenas os primeiros 24 capítulos da novela. A novela não tinha repercussão, audiência baixa. E aí, depois de se desentender com o então supervisor de texto da novela, que era o Lauro César Muniz, Solange foi afastada pela Globo e o Lauro prosseguiu os trabalhos da novela. A Solange declarou o seguinte sobre esse caso, abre aspas: eu estava acostumada a trabalhar com pessoas que conheciam o meu estilo e o respeitavam, além da grande confiança mútua.
Quando comecei a escrever, senti-me de certa forma órfã de pai e mãe. A Globo estava passando por uma enorme mudança com a saída do Boni, e Ivonique, Cassiano Gabus Mendes e Paulo Biratan já haviam falecido. Fecha aspas. Os grandes já estavam morrendo, né? Então a gente começou a ver realmente uma reestruturação, novos autores chegando. Realmente nessa época, né? O Boni saindo, a entrada da Marluce, da Dona Marluce. Enfim, a Globo passou a ser uma autora mais industrial nessa questão de novela, né?
Enfim, eu confesso que eu assisti a Quem é Você na época, achava meio assim, né, meio não sei o quê, mas eu assistiria para entender mais, para entender melhor se eu gostava ou não, se é uma novela gostável ou não. Enfim, né, eu tava até revendo algumas cenas no YouTube, achei bem babadeiras algumas cenas de embate, né. Eu acho que eu, eu acho que eu vou gostar. Será? Eu falo assim na hora, não gosto, né. Mas enfim, eu acho que eu veria assim quando entrasse na novela, entrasse no Globoplay.
Agora vem um caso famosíssimo também, né, sorela. Esse caso foi famosíssimo, deu o que falar na época. Que foi em 2002, né, Sorella? Tem alguma coisa antes, João, nos seus adendos? Não, não tem. Tem? Não, não tem. Depois, é depois dessa, é depois. Sorella, cadê você? Você tá aí? Você pode contar essa história, esse bapho de 2002?
Ele de novo, né, Sorella? Benedito Rui Barbosa.
É o Benedito, Sorella.
Benedito, que em 2002 tava, né, escrevendo, né, aquilo que já tinha se tornado uma máxima, né, Sorella, de escrever seus grandes épicos no horário das 9, né, antigo horário das 8, né, na época. E ele tava fazendo Esperança, né, depois do grande sucesso Terra Nostra. Ele foi convocado para escrever Esperança, né, lá em 2002. Mas a novela não ia bem, né, novela não foi bem aceita, não foi bem compreendida, público torceu o nariz para aquilo.
Não sei se já estavam cansados daquilo. Né, a impressão que o público tinha que tava vendo a mesma novela. Não sei o que foi que pegou a Alice, será que assistiu a novela, pode até falar melhor do que eu, né. A novela passou por vários perrengues, demora na entrega dos capítulos e consequentemente atraso nas gravações, né. Isso é o terror de qualquer produção. A audiência foi despencando, a crise se agravou, Benedito se desanimou com a pressão que foi colocada.
E além disso, na época sua mãe estava doente E acabou sendo hospitalizada, né? E com isso ele foi afastado da novela, substituído então por Walcyr Carrasco, quase no capítulo 150, né? As colaboradoras de Benedito, né, as já conhecidas filhas dele, Edmara e Edilene Barbosa, saíram junto com ele, né? Até porque era a mãe, né, que tava hospitalizada.
É verdade, é verdade.
Entrou Thelma Guedes para auxiliar o Walcyr Carrasco. Benedito não gostou dos rumos que o Carrasco deu a novela, ficou insatisfeito, né?
Não gostou da novela, né, Sorella? E quanto que ele gostou, né?
É, pois é. Eu sei que o Walsinho colocou personagem, diminuiu outros, tirou gente da novela, né? Aumentou a participação de alguns, né? Entrou Laura Cardoso, foi, Sorella?
Entrou Laura Cardoso desde o começo. Ela tava desde o começo. Beatriz Segal entrou, mas ela ainda tá entrando na gestão do Benedito ainda.
É, pois é. Enfim, a senhora achou a novela, a senhora pode falar melhor do que eu. Não importa, eu sei que teve mudanças na novela que o Benedito não gostou dessa, né? Não gostou. Ele disse, meu Deus, que novela é essa? O que é que eu tô vendo, né? Ou seja, a mãe doente, mas ele tinha tempo para ver a novela, né?
Tinha tempo, tá com tempo, hein?
Pois é, aspas do Benedito. Feito, né? Quando ele assumiu a novela, deixei de assistir. Se visse que ia bater na Maricona, isso é homofobia. Pois é, na época liguei para o Mário Lúcio Vaz, então diretor artístico da Globo, e disse: avisa o Walsinho que quando encontrar com ele vou dar porrada, entendeu? Ele simplesmente acabou com a minha novela, não terminou como eu queria. Depois mandou uma carta pedindo desculpas, coitado. No fim terminou tudo bem.
Ai, gente, eu posso falar? Eu vi Esperança no Globoplay, eu não assisti em 2002. Eu posso falar? Eu gostava da novela. Eu não acho— eu acho Esperança uma novela injustiçada. Arrisco dizer que se a Globo reprisasse uma edição especial, iria bem. Terra Nostra foi bem nessa orelha, pô. Por que que Esperança não iria? Eu gosto, eu gostei da novela. O que que a gente percebe com a entrada do Valci Carrasco? Você não nota diferença assim com a história.
A história continua, a história continua. O que a gente percebe na mudança, na gestão Valci? Tem um personagem que é do Marcos Palmeira que faz um peão lá, o Zequinha. Ele fica atrapalhado, sabe? É aquela coisa bem capial para a gente rir mesmo, sabe? Tem uma parte, ele vai trabalhar no cinema, ele pensa, ele, e aquele trem chegando, ai, que o trem vai atropelar todo mundo, sai gritando no cinema e causa, é demitido. Aquela coisa bem cômica mesmo para rir, né?
Vai dar uma leveza também para trama. Eu acho até, João, você que assistiu também, eu acho que a parte da Francinha Mão de Ferro, que ela passa a ser uma tonta, potencializa também na gestão. Valsir também, o Farina passa a ser um grande vilão nessa fase também. Exato.
Era um casal que tinha muito a torcida do público, o Farina e a Francisca Mão de Ferro. Aquela coisa, ela tinha passado muito tempo viúva, né, no luto. Então ele, quando ele aparece para conquistar ela, é aquela coisa, né, o romance, né, a conquista. E aí os filhos não aceitam, principalmente o Maurício. Só que aí depois se revela que o Farina é um grande mau caráter, né. Tá de olho na herança, na fortuna, e começa a fazer muitas maldades, né, contra a família dela.
A filha é mantida em cativeiro, o filho é acusado da morte de não sei quem, que eu não lembro exatamente quem era, e começa a enlouquecer e tal. E aí tem o espírito lá que baixa nele. Gente, é uma loucura, mas faz sentido na novela, faz faz sentido. Eu estou dizendo, assista sem medo, né?
E eu lembro também que é uma fase que queriam transformar a Camila em vilã. Eu não sei se consegue.
É, tem isso também. Acho que não, não consegue, não consegue não. Aí ela desiste do Tony, né?
Ela só trepa com ele uma transa louquíssima e pronto, não quero mais.
Sabe, uma coisa tão assim. A Maria sofre que nem uma condenada na novela. E tal. Mas o Alcides escreveu um dos finais mais bonitos, né, de Esperança, que é o Tony e a Maria vendo as décadas passarem e ficando juntos mesmo depois de velhos, né. É um reencontro do Tony com a Camille mesmo depois de velhos lá, mas eles não se falam, mas um sabe quem é o outro. Enfim, foi uma cena bem bonita, a última cena de Esperança, né, vendo os personagens na contemporaneidade, juntos, velhinhos e tal.
Eu me emocionei muito vendo esse final. E assim, gente, eu recomendo, eu recomendo. Eu acho Esperança faria bonito uma edição especial, sim. E a Globo só não reprisa porque flopou na época, porque deu muito problema na época. Eu acho que daria muito certo uma reprise na edição especial. Uma pena de que— uma pena, mas eu não achei ruim não. Eu acho que muita coisa foi exagerada, tanto que eu me arrependo de ter feito aquele episódio do Benedito logo do começo isso, que a gente não tinha ideia do que viria o Projeto Resgate, né, Sorella?
Eu não teria, eu não tinha ideia. Eu zoei esperando sem nem ter assistido. Olha só, eu fiz o que o pessoal do Twitter faz, sabe? Então é um episódio que eu me envergonho, é o momento daquele episódio que eu me envergonho. É, eu falo aqui, gente, é uma novela boa, sim. Eu acho que não tiveram paciência com ela. Tudo bem que teve, tem a semelhança com Terra Nostra. O público talvez estava enjoado de ver aquela coisa dos italianos, talvez. Mas a história em si não é ruim, em si não é ruim.
E fora que substituiu um fenômeno, né, como Clone.
É verdade, também, né, João, entre dois grandes sucessos foi o Clone e Mulheres Apaixonadas, né.
Então, gente, isso deu audiência, né.
Além dele, eu acho que faltou novela, que tava faltando, deu dinamismo para novela, sabe. Eu não achei não Sinceramente não achei.
E para mim foi uma das piores novelas que eu já vi na vida, que foi Metamorfoses. Câmeras de primeira linha, imagem de cinema, fotografia arrebatadora, vai ser uma novela que vai bombar. Iniciaram a novela no domingo, vai ser um sucesso. Mas aí o Mário Prata abandonou o projeto, né, porque tinham muitas interferências da dona da Casa Blanca que era Arlete Ciareta, né, que era parceira da emissora. Então ela mandava e desmandava.
E aí, com a saída, a nova dona Glória Magadana, né. E aí uma nova equipe de 6 roteiristas assumiu a trama e assinou conjuntamente a novela sob o pseudônimo Charlotte K. E aí a novela foi um sucesso.
Tem um dia eu fui drag queen, eu tenho 2 nomes para para minha personagem drag, ou você, Laís La Bonita, ou vai ser Charlotte K.
Ninguém sabe porque La Bonita, né? Isla Bonita, enfim. E aí depois disso tudo, a novela foi um fiasco, teve muito problema, entrou, saiu, ator saiu, ator reclamou, enfim, foi uma confusão. Eles reestruturaram a novela E a Letícia Dornelles foi contratada para dar continuidade à trama. E ela eliminou vários personagens, várias tramas, renovou quase todo o elenco. Entrou Ricardo Mack, entrou Helen Roche, enfim. Mas a audiência não melhorou e a novela foi encurtada.
Foi um dos maiores fracassos da Record. Encurtaram a novela em 20 capítulos. Um belo dia os atores estavam gravando, aí chegou alguém da produção e disse, ó, a partir de amanhã ninguém grava mais. Quem vai gravar vai ser a Vanessa Loz, que era a protagonista da primeira fase. O Luciano Zaffi, que tinha continuado, e a gente vai colocar um off com os finais dos outros personagens. E foi isso o final da novela, né? Foi um fracasso homérico.
E aí no livro A Obra Aberta e Seus Problemas, do Fábio Costa, eu achei outras curiosidades falando sobre essa troca de autores, né? Que os conflitos aconteceram desde o início, né, tanto entre Arlete como quem era roteirista. E no livro ele fala que além do Mário Prata, o Marcílio Moraes também foi convocado para escrever a novela, mas deixaram a novela antes da estreia, tanto Marcílio como o Mário Prata. E aí a Dona Arlete Ciareta pegou alguns elementos tanto de um como de outro para dar continuidade à novela.
E aí foram contratados os autores, né, que tem no roteiro acho que 6 roteiristas, mas no livro fala que entre eles tinha a Vívia de Oliveira, né, que escreveu 10 Mandamentos, a Iôia Rouchi e a própria Arlete Ciareta, que assinava também como Charlotte K. E aí elas passaram a conduzir esses roteiros da novela, até serem substituídas por Letícia Dornelles na segunda fase.
Basicamente aí, basicamente aí é aquilo, né?
Uma novela que não tem nada, acho que só tem abertura, alguma coisa assim, uma cena ou outra. A gente não sabe, já implodiu, né? Fez que nem o Amor Enorme, se apagou.
Ai, meu Deus do céu, onde estão as fitas de Metamorfose, gente? Fica aí o questionamento. Próximo caso, Marcos Lazarini. Na verdade, nem Marcos Lazarini o caso, eu podia chamar porque foi tanta mudança nessa novela. João, que assistiu, né, pode até falar melhor do que eu. Várias substituições aconteceram durante a novela Seus Olhos, 2004, no SBT. A novela começou sendo adaptada e escrita por Ecila Pedroso e Noemi Marinho, com supervisão de Ecila, correto, João?
E aí, a partir do capítulo 56, tudo mudou. Ecila e Noemi foram substituídas por lá, Marcos Lazzarini, Conti e Aimar Labaque, com supervisão de Marcos Lazzarini. Ok, ok. Em julho de 2004, um dos autores, o Marcos Lazzarini, foi premiado com uma bolsa de curso de roteiro na Espanha. Não é sempre que você ganha uma bolsa, né, de estudos na Espanha. E aí o Marcos Lazzarini teve que abandonar a novela, e em seu lugar, a partir do capítulo 112, entraram Mário Viana e o estreante Fábio Torres, né, que seguiram com a novela até o fim.
E a supervisão de texto foi assumida pelo Aimar Labaque. Então essa é o troca-troca da novela Seus Olhos, né, João?
Certo. Então em Bang Bang, ou Bang Bang, né, como chamava Angélica, então Mário Prata novamente, né. O Mário Prata também é outro que não gosta muito de escrever, eu acho. Enfim, ele tava escrevendo a novela Bang Bang, né, que era uma novela western, né, uma novela que vai falar de faroeste no horário das 7, com muita comédia. Mas aí Logo na segunda semana de novela, ele deixou a autoria da novela por conta de uma osteoporose.
E aí ele tinha deixado 30 capítulos escritos e 20 projetados. E aí, só que se afastou por completo da novela. A Márcia Prates, que já era uma das colaboradoras, assumiu a coordenação de texto e continuou os trabalhos, né? Só que a novela passou por muitos problemas. O público não tava entendendo, os nomes dos personagens eram todos assim, a maioria em inglês, a novela era muito confusa. E aí o Carlos Lombardi foi convocado para dar um rumo à novela, orientar os roteiristas.
Ele deu agilidade, ele transformou a Júlia em vilã, porque a novela ia mal, né, ia muito mal das pernas. E eu acho que ele conseguiu ali dar uma agilidade. Mas teve essa troca, né? O Mário Prata saiu, Lombardi acabou assumindo o texto final da novela.
Eu gostava de Bang Bang. Bang Bang tá no Globoplay. Não sei se eu tenho coragem de rever, eu não sei se eu tenho coragem de assistir tudo de novo, mas eu gostava na época. Achava manobra muito doida.
Falavam muito mal da Fernanda Lima, mas eu achava, eu gostava dela. Não acha, Fernanda Lima?
Eu não achava ela ruim não na novela, sinceramente. Lógico que é diferente, uma moça que era modelo depois vir apresentadora e transformada em atriz. É uma questão, né? Mas não achava a Fernanda Lima essa tragédia toda, não. Tudo bem, lógico que ela melhorou muito de Bang Bang para Pena Jaca, né? Mas eu não achei ela péssima. Tem piores, tem piores.
E Bang Bang foi praticamente na mesma época de Cristal, né? Cristal no SBT ali em 2006. O Evald Rossano, diretor Evald Rossano, tinha deixado a Record, tinha sido o responsável por aquele sucesso da Escravizaura, o remake lá em 2004, foi contratado pelo SBT para assumir a teledramaturgia da emissora. E aí, quando ele assumiu, a primeira coisa que ele fez foi abrasileirar e modernizar o núcleo, né? Porque a gente sabe que as novelas do SBT são adaptações de novelas mexicanas, né?
Sim, a maioria na época seguia o texto e ipsis Literis, era uma tradução. E a primeira providência dele foi trocar o adaptador de Cristal, né, que era o Henrique Zambelli, que já tem adaptado várias novelas: Carnaval de Paixões, Bicra Sonhadora, Marisol, enfim, a maioria ele que traduzia. Ele apenas traduziu o original venezuelano lá de 85, que é da Delia Fialho. E aí a Ana Maria Nunes, que já havia trabalhado trabalhou com o Erval em A Escrava Isaura, foi convocada para adaptar o texto, tornar mais brasileiro e fazer uma adaptação mais realista, né?
Então ela deixou o texto bem mais brasileiro, bem mais moderno, enfim. Só que em determinado momento da novela os índices começaram a cair, a novela não foi esse sucesso todo. E aí a Adélia Fiaggio, que era outra que também adorava criticar bastante as adaptações dos começou a reclamar, tava mudando de texto e reclamava. E aí a novela teve muito problema, e aí o Dado também dava problema, e aí o Herval foi, teve problema de saúde, foi afastado, né, foi demitido junto com a Mayara Magri.
E aí o Silvio ordenou: esquece essa coisa de brasileira e volta a ser a mexicana. E aí o texto voltou a ser Adapta, traduzido pelo Henrique Zambella. É tanto que eu até anotei no, que na curiosidade, né, os créditos da novela foram modificados a partir do capítulo 63, quando Herval deixou a direção da novela. Até o capítulo 62, na novela aparecia: novela de Ana Maria Nunes, baseada no original Delia Fiaggio. Com a mudança, a partir de 63 ficou: novela de Delia Fiaggio, adaptação de Ana Maria Nunes, tradução de Henrique Zambelli, supervisão de texto de Terezinha Diacomo.
É, menino, na sequência a gente tem Daniel Ortiz. Não foi bem uma substituição, é uma curiosidade, né? O autor, ele estreou como autor solo, né, como autor titular na Globo em 2014, com a novela, uma novela chamada Alto Astral. Mas essa novela foi baseada a partir de uma sinopse deixada por Andréa Maltaroli, falecida em 2009, chamada né, uma novela onde que era, onde que tinha fantasmas, né, João, uma coisa assim e tal. Eu acho que a Globo tentava tirar essa novela da, tentava tirar essa novela da gaveta, e ela virou Alto Astral, foi exibida em 2014 com o Daniel Ortiz.
Então não foi bem uma substituição. Acho que a Globo realmente que viu potencial na novela e lançou com outro autor. E já que o autor original tinha acontecido, né? Não foi bem uma substituição porque a novela tava dando problema, mas houve esse caso. E para que? Para constar. A gente falou da Márcia Prates lá no caso do Bang Bang, né? E aconteceu com ela também, né? Aconteceu, né, Jô? A Márcia Prates estava prestes a estrelar, estrear sua primeira novela como autora titular, né, que seria Liberdade, Liberdade, novela das 11, né, exibida em 2016.
Só que a Globo tava insatisfeita com a qualidade artística e histórica do roteiro da Márcia Prats. A Márcia foi afastada da autoria e foi substituída pelo Mário Teixeira, que reescreveu os primeiros capítulos e assumiu a autoria da produção. No roteiro inicial da Márcia Prats, a trama seria ambientada no arraial do século 18. Com a sua substituição, a ambientação foi redimensionada e virou Vila Rica, antigo nome de Ouro Preto, onde se deu Inconfidência Mineira.
Para a a produção era grandiosa demais para ser ambientada em apenas um simples arraial. Então era novela das 11, né? Então não podia ser uma coisa simplória. Então o fato é que Dona Márcia até hoje não estreou como autora titular, né? Há 10 anos atrás, faz pouco tempo. Mas aí, João, em 2017 aconteceu outro caso que foi babadeiro em Apocalipse, né?
A gente vai falar de duas novelas agora da Record, né? E eu acho que a mesma causadora de problemas. Em 2017 teve uma troca, né? A Vivi de Oliveira e a Cristiane Cardoso, que vem a ser a filha do Bispo e de Macedo, dono da Record, né?
Que fique bem ressaltado isso, dono da Record.
E ela agora é a diretora de dramaturgia, né? Ela é quem manda. E aí a Vivian vinha do grande sucesso Dez Mandamentos e voltava ao ar com Apocalipse, né? Um dos projetos mais pretensiosos da emissora. A gente já falou aqui novelas pretensiosas, e eu não sei nem se esse episódio ainda existe, mas ia fazer.
Mas enfim, vamos fazer um episódio de novelas pretensiosas.
Exato.
E aí foi um grande fracasso, né? A novela passou por várias polêmicas. A Igreja Católica não gostou nada do que tava vendo naquele personagem do Flávio Galvão, que ele interpretava um sacerdote máximo de uma fictícia igreja chamada Sagrada Luz, e fazia referência à Igreja Católica, que era, se revelava, né, como falso profeta, que era mentor do anticristo. Então teve essa, esse, essa briga entre a Igreja Católica e a Igreja Universal, que eu acho que foi intencional, né? A Reconquista fazer isso mesmo.
Eu acho que nunca engoliu a questão de decadência, né? E quis retaliar. E quis retaliar.
Exatamente. Aí todas as referências da Igreja da Sagrada Luz remetiam à Igreja Católica, ambientação em Roma, as vestes, os rituais, tudo era igual à Igreja E aí a novela foi acusada de que fazia menção de que o Papa era o anticristo. E a segunda polêmica envolveu a filha, né, a Cristiane Cardoso, que atuava como a supervisora das produções bíblicas da emissora. Eu já falei aqui, ela acabou se tornando a diretora de dramaturgia e ela começou a mexer no texto da Vivi de Oliveira, né, na edição dos capítulos.
Aí começou a colocar aqueles versículos, né, em meio. Sempre que algum personagem falava alguma coisa, aparecia lá o versículo embaixo para doutrinar, catequizar, né? Coisa pensada também. E aí mexeu muito nas decisões da Vivi de Oliveira. A Vivi se estressou e acabou saindo da Record e da autoria de Apocalipse. Que passou para os colaboradores e para supervisão da Cristiane Cardoso, ela que acabou assumindo ali o roteiro final da novela e causou a demissão da Vivian de Oliveira também, né? Ela acabou deixando a Record após isso.
E a Vivian até hoje tá fora do ar, né?
Exato.
Nunca mais vi nada dela sendo, indo para o ar depois disso, nunca mais ela escreveu.
Saiu.
Tem uma história de que ela tá colocando sinopse na Globo, enfim, mas acho que nunca saiu, nunca avançou, né? Não sei se é por conta do passado dela na Record, enfim, uma pena, né? E outro caso foi na Record também, né, João, que isso também deu o que falar, né?
Exato, deu o que falar, que foi o do— deu o que falar, que foi da novela Gênesis em 2021, novela que a gente tem um episódio aqui, né?
Maravilhoso esse episódio.
E aí teve muito problema, e os problemas foram justamente Cristiano Cardoso, né? Porque antes da estreia, né, a mídia noticiava, né, a imprensa noticiava que o Gustavo Reis, nosso querido Gustavo Reis, autor do Fuzoê, já tem episódio dele aqui, enfim, que ele inclusive repostou, né?
Ele ouviu, ele gostou. Exato, mas furou com a gente também.
Enfim, tá escrevendo novela vertical, né? Enfim, ele foi convocado para escrever a novela, para assumir o projeto, porém teve muitas divergências com a Cristiane Cardoso, que essa mulher é uma penteira, né?
Ela não entende nada. A crise é assim, gente, com ela, a direção criativa da Record, gente, aí A agência tem iguaizinhas, as duas igrejas são muito iguais.
E é, pois é. E aí teve problema, ela mexeu em núcleo, teve personagem que ela não queria que fosse retratado. E assim, os atritos foram enormes e o Gustavo Reis pediu para sair do projeto e também saiu da Record. E aí o Emílio Boechat foi o segundo a assumir o projeto Mas também saiu da Record pelos mesmos motivos, se desligou. Não quero mais, não quero mais escrever essa merda. Só que ele tinha deixado 50 capítulos escritos. E aí as colaboradoras da Cristiane Cardoso, né, as colaboradoras, colaboradores que já estavam com o Emílio Boechat, assumiram o texto, né.
O Camilo Pellegrini, Camilo Pellegrini, a Rafaela e a Stéfane Ribeiro. E aí o Emílio pediu também que não fosse mais creditado a obra, pois ele dizia que tava vendo ali, não era o que ele tinha escrito. Então ele deixa esses capítulos, foram adaptados, né, tiveram ali as interferências. Ele pediu para não ser mais creditado a obra e os colaboradores assumiram ali o projeto da novela Gênesis, claro, com a supervisão da Cristiano Cardoso.
Exatamente. E esse até então oficialmente foi o último caso onde teve essa substituição de autores de novela, né, gente? Quem será o próximo? Vamos ter o próximo brevemente? Não sabemos. Mas enfim, foram esses até então os casos a gente conseguiu encontrar de autores substituídos durante, numa novela, numa produção. O próximo será substituição de diretor? Não vai ser, gente, não vai ter Troca, troca de direção não dá, gente. Aí vai ter que ser episódio mais longo que esse, a gente já tá morta aqui e não vai rolar, tá certo?
Então chegamos ao fim de mais um episódio do Critério de Programação. Espero que vocês tenham curtido, espero que vocês tenham gostado. E é isso, né? Vamos embora. Mas antes de ir embora, mas antes de ir embora, eu quero deixar aqui um recadinho, né? Uma mensagem de força, uma mensagem de apoio, uma mensagem para vocês ficarem mais, cada vez mais fortalecidos, tá certo? Vocês estão preparados para aquele momento de sabedoria do critério de programação, que deveria ir no começo, né?
Deveria no começo. Nós vamos melhorar isso no próximo episódio. Cuidado com as suas companhias. Não é porque você tá no inferno que sua vida tá um inferno, que você precisa marcar um café com capeta. Então fique atento com quem está do seu lado, tá certo? Então é isso, um beijo, um abraço, um aperto de mão, e a gente se encontra no próximo, a próxima semana com mais um episódio do Critério de Programação. Tchau, gente!
Tchau, gente, beijo, até semana que vem!
Tchau, gente, até semana que vem com mais um episódio!
E não esqueça de apoiar a gente, a gente não esqueceu de mendigar, mas apoia a gente, apoia a Porta arquitetura de programação. Escolha o seu plano e seja feliz com os nossos conteúdos extras, tá certo? Tchau, gente, até a próxima semana! Dignidade já!