Episódios de Critérios de Programação

#225 - Substituições de Autores: Parte 1

29 de agosto de 20261h40min
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E quando o autor de uma novela precisa ser substituído? Reunimos alguns casos onde a troca de autores precisou ser feita e como ficou a obra depois da mudança.

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Com Fábio Sousa, João Dantas e Elder Paes

Roteiro, Pesquisa e Direção Criativa: Fábio Sousa

Edição: João Dantas

Participantes neste episódio3
F

Fábio Sousa

Host
E

Elder Paes

Co-host
J

João Dantas

Co-host
Assuntos6
  • Substituição de Emiliano Queiroz por Janete Clair em Anastácia, a Mulher Sem DestinoEmiliano Queiroz·Janete Clair·Anastácia, a Mulher Sem Destino·Terremoto na novela·Glória Magadan
  • Marcos Rey substituído por Walter Negrão em Editora MaioMarcos Rey·Walter Negrão·Editora Abril·Editora Maio
  • Substituição de Lauro César Muniz por Walter George Durst em Os GigantesLauro César Muniz·Walter George Durst·Os Gigantes·Dina Sfat·Eutanásia·Aborto
  • Substituição de Cassiano Gabus Mendes por Silvio de Abreu em Elas por ElasCassiano Gabus Mendes·Silvio de Abreu·Elas por Elas·Infarto·Mário Lago
  • Motivos para a substituição de autores em novelas brasileirasProblemas de saúde·Atraso na entrega de capítulos·Baixa audiência·Problemas pessoais
  • Homenagem a Glória Menezes e Laura CardosoGlória Menezes·Laura Cardoso·Rainha da Sucata·Pai Herói·Mulheres de Areia·Senhora do Destino
Transcrição254 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Mas hoje um macho me trouxe aqui, minha cena. Ai, como é bom sentir cheiro de macho! Matou a saudade. You think we look pretty good together. You think my shoes are made of leather, but I'm a substitute for another guy. I look pretty tall, but my heels are high. The simple things you see. We are all complicated. I look pretty young, but I'm just that dirty.

JDJoão Dantas

Yeah.

?Voz A

Substitute your lies for facts. I can't see right through your plastic mask. I look all white, but my dad was black. My fine-looking sweets really made our sex. Olá, bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada. Tá começando mais um episódio do seu podcast favorito sobre novelas TV de jeito divertido, debochado e irreverente.

FSFábio Sousa

Eu sou Fábio.

JDJoão Dantas

Oi, gente, tudo bem com vocês? Eu sou João. Menina, estou passado com essa cantoria!

?Voz A

Gostou? Um Ramones acústico, velho, um Ramones acústico, gente, para combinar com o tema do episódio, né?

JDJoão Dantas

Verdade.

FSFábio Sousa

Olá, gente, Sorella aqui também. Eu também estou abaladíssimo com esses vocais.

?Voz A

Servi vocais, gente, porque já teve pessoas que mandaram mensagem dizendo que não querem mais que eu cante.

JDJoão Dantas

Vocês vão virar a cadeira para eles, gente, no The Voice?

?Voz A

E viram? Será? Não sei, gente. Ah, mas eu sei vir vocais, gente. Eu fui inspirada, eu fui para outra linha, não quis imitar o Johnny Ramone, né? Então fui para uma outra vibe. Aí eu sei vir. Enfim, gente, tá começando mais episódios do Critério de Programação. A gente já tinha feito lá no episódio 219, onde a gente lembrou vários casos de atores que foram substituídos durante as novelas. E aí deixou no ar. E se fosse os autores sendo substituídos?

Temos casos? E sim, gente, temos casos, e casos que enchem o episódio, né, gente?

JDJoão Dantas

Exatamente, né? E casos de troca de autores durante uma produção no ar já ocorreram muitas vezes, né? A gente vai ter muitos casos aqui, casos que a gente tinha feito o roteiro, depois a gente lembrou outros casos e acabou incluindo também. E é uma coisa que não é muito comum atualmente, né?

?Voz A

Eu acho que no passado já mais comum, mais frequente.

JDJoão Dantas

Eu acho até que por isso que a Globo tá colocando dois autores agora, né, em cada novela. Vai que tem algum problema de saúde, tem alguma coisa do tipo, precisa sair, abandonar a novela, e já tem o outro, já tem um sidekick, né. Enfim, e por ser uma obra aberta que vai se desenvolvendo conforme os acontecimentos, toda novela durante seu percurso está sujeita a esse tipo de percalço, né. Problemas podem acontecer, né, é algo que ninguém tá livre, né.

?Voz A

Exatamente.

FSFábio Sousa

É, pois é, né? E falando desses problemas, né, quais são os motivos, né, Sorella, para se trocar um autor, né, na criação da sua própria história?

?Voz A

Porque a gente, como é que a pessoa larga a novela, abandona? É doença?

FSFábio Sousa

Não é? Foi acidente, né? Foi, aconteceu alguma coisa, a Globo não quis mais, se demitiu, não gostou do diretor, vamos, bora trocar, né? Nós temos de tudo aqui, né, Sorella? Tem problema de saúde, tem morte, tem atraso na entrega dos capítulos, problema problema pessoal, crise, baixa audiência, todo tipo de motivo. Vamos explorar.

?Voz A

É isso aí, né, gente? Antes da gente listar esses casos de troca de autores, vamos ler as mensagens, né? As mensagens que vocês mandaram nos últimos episódios. Faz tempo que a gente não lê, né? Momento Correio do Critérios. Gente, hoje eu tô muito cantora, tô muito cantora hoje. Enfim, vamos ler aqui, gente, comentário do Jefferson Costa sobre substituição de atores, né? O fatídico episódio 119 que gerou este aqui, né? Ouvindo esse episódio me lembra do caso do Guilherme Prates em Malhação Intensa Como a Vida.

Não lembramos, Sorella, desse caso? Eu estou com a minha Sorella, estou no enterro da nossa credibilidade, Sorella, porque não lembrou disso. A sabe o que ela tem que fazer, senhora? Pede o silício, se puna.

FSFábio Sousa

Sim, Estrela, é o que resta, né? Porque o que é que a pessoa faz depois de uma coisa dessa? Se mata, né?

?Voz A

É verdade, é verdade. Procura a ponte mais alta de Recife, se joga. Porque a senhora lembrou vários casos, não lembrou desse mulher? João Dantas, você também, vá junto.

JDJoão Dantas

Não, eu lembrei de outro, outro, muito depois que o episódio já tinha sido postado. Agora já era.

?Voz A

Eu também lembrei de outro. Ai, gente, conta, Estrela, porque a gente já faz Vai arrumar guerra aqui da meia-culpa, né, Sandrão? É meia-culpa, meia-culpa, minha máxima culpa. Desculpa, gente, eu já sou uma senhora, né, gente? Então minha memória já tá começando aí para as cucuias, né? Mas vamos continuar ali a mensagem dele. Ele foi o protagonista dele, foi tão rejeitado pela audiência que resolveram retirá-lo e substituí-lo pelo personagem de Guilherme Leicã, que assumiu o posto de protagonista a partir de então.

No último capítulo da temporada, o Dinho, que era o Guilherme Prades, fez uma ponta sem fala alguma. Aí, gente, eu me lembro desse caso, vi na época, achei um absurdo. Eu achava o menino bom. Eu que não entendi, é, gente, não entendi. É porque ele não era padrão? Eu achei muito bonitinho, eu faria, eu faria. Aí trocaram pelo Leicã, que é uma, só porque é mais bonito, porque o Leicã em questão de atuação, né, enfim. Por onde anda Guilherme Leicã nessa hora?

Ele era promessa, né, uma promessa que enfim, né, faz tempo que eu não vejo. Enfim, ai, ai, acontece. Depois eu lembrei que esqueci do caso de Sônia Braga, Antônio Alves, certo? Racista, que caso clássico, né, que deu até barraco, foi um escândalo. Verdade, que ela não só abandonou a novela como estava falando mal, né, falando mal.

JDJoão Dantas

É verdade, pegou até uma vassoura e saiu varrendo as ruas da Argentina, né.

?Voz A

Tiva, achei louca.

JDJoão Dantas

Foi Branca de Camargo?

?Voz A

Branca de Camargo, quem lembra da Branca de Camargo, né? Ai, gente, Odile. A gente já conhece esse nome tudo, Odile.

JDJoão Dantas

Ai, Enfim, isso é só para falar um caso que eu lembrei do SBT que a gente não comentou. O Herval Rossano, que trocou o Rodrigo Veronese em Cristal pelos Dados da Oladela, né?

?Voz A

É verdade, gente, é muito caso. É tanto caso que a gente mesmo esqueceu desses aí. É verdade.

FSFábio Sousa

E ele acabou, eu desistia da vida, da carreira, ser trocada pelo Dado da Oladela, Sorella.

?Voz A

Ele só fez o Paraíso Tropical depois e foi o que ele fez, né? Desistir da carreira, né? Fez beleza pura e falou, não, gente, não, não vou superar isso, tchau.

FSFábio Sousa

Só ela, ele tá nessa temporada nova de Sessão de Terapia.

?Voz A

Ah, tá. É porque, gente, Sessão de Terapia, só assisti no começo, depois enjoei. Sessão de Terapia no Brasil virou a Grey's Anatomy brasileira, gente. Já falei, falei. Tudo bem que a gente precisa de terapia, a gente precisa, mas enfim, né? Bruna Prats mandou o seguinte sobre o mesmo episódio: nem eu lembro que Natália, mas eu acho que era Dio, porque se não me engano vocês lembraram dela só na hora de gravar, que não estava na lista.

A Bruna já conhece as nossas manhas, viu? A gente tem que ser mais eficaz, ela já conhece. Eu escuto na academia com criança ao redor, então provavelmente não devo ter prestado atenção na explicação do início do episódio das rainhas mesmo. Acontece, Bruna, acontece, mas a gente explicou. Mas nesse prestei e amo esses episódios sobre bastidores. Thaís Emery mandou: amei esse tema, mais antigo que o mundo esse assunto. Temos que engajar todos os episódios dos meninos, temos que fazer os critérios educação crescer cada vez mais.

Muito obrigado, Thaís. E queria até mandar uma mensagem para Thaís, né, porque a Thaís é nossa ouvinte desde, né, João, desde que o Critérios nem era nada ainda. Continua sendo nada, mas desde os primórdios, né. Mais recentemente ela passou por uma perda, né, a perda da mãe, né, a Clarinha. E eu fiquei tão triste, sorela, fiquei tão triste, porque nossa, gente, eu acho que não há dor maior no mundo para um filho que perder a mãe, né.

E a avó também parece que tá inspirando cuidados. A avó já é bem idosinha, né, tá com uma idade bem avançada. Então a gente queria deixar aqui o nosso amor, nosso carinho pra Thaís. Enfim, que a Clarinha tenha feito uma passagem tranquila. E que agora é continuar vivendo, né? É continuar vivendo, reunindo os pedacinhos. E aquela coisa, gente, o luto é individual, cada um sente do seu jeito. E é uma perda que a gente nunca vai esquecer.

A gente só vai aprender a conviver com ela. A gente vai sentir falta sempre, todo dia. Porque na hora, né, do funeral e tudo, todo mundo abraça, aí conta comigo. Mas às vezes a ficha, a grande ficha do luto cai quando a gente tá só. Então é nesse momento a gente vai sempre vai lembrar, ainda mais a mãe, né, que ela morava com a mãe, convivia, enfim. Então nesses momentos, então a gente deseja muita muita força para você, Thaís.

A gente dedica esse episódio com carinho para memória da Clarinha, tá bom? Um beijo, querida, com todo o nosso abraço, todo o nosso carinho para você, tá bom? É, tem mais mensagens sobre o episódio da obra do Silvão Paeso. Um cearense, quem será o cearense, mandou o seguinte: nunca nem tinha ouvido falar desse senhor, kkk. Mas são esses episódios que a gente gosta de trazer, cearense, são esses aí. Que a gente não conhece o autor e a gente tem que pesquisar, pesquisar, escarafunchar.

E olha, ele foi até na Deep Web achar coisa desse homem, gente. Entrei lá naquele inferno de Hades, mas não encontrei nada.

JDJoão Dantas

E esse cearense respondeu também para Bruna, ele falou assim que nunca riu tanto com eles tentando adivinhar, né? Que é com a gente tentando adivinhar quem era a atriz, quem era Natália. Aí ele também comentou.

?Voz A

Ah, tá. Ai, que bom, né? Que bom que a gente faz as pessoas rirem. Eu gosto, né? A Bruna ainda comenta também no episódio do Silvão Paeso. Podemos dizer que tivemos episódio de autor no estilo Fragmentos. É verdade, olha uma experiência aí. E vamos ter outro, gente, que tem tanto autor aí que vai ser difícil achar coisa. Mas enfim, mas a gente vai ser o evento. Mas é sempre bom conhecer autores antigos, é porque agora tem poucos atuais, né?

Então só resta os antigos. Então vocês vão ter que se acostumar, vão ter que se acostumar, não tem jeito. Aí já a gente já ritou com os outros, né, Sorella? Quem mandou a gente queimar cartucho no começo? Agora tem desconhecidos. É isso aí. Pronto, gente, já li aqui as mensagens, né? Próximo episódio, eu leio mais.

JDJoão Dantas

Essa do Marco Gordinho a gente já leu.

?Voz A

Não lembro. Amei o tema novelas tecnológicas, que a longa digressão sobre as experiências nos primeiros tempos de internet foi sensacional. Me identifiquei, ri muito e senti que estava na roda de conversa com vocês. Ai, gente, aquele ali foi— nossa, eu juro que aquilo ali não foi planejado, foi acontecendo. Acontecendo, foi rolando, rolando. Quando vi, a gente percebeu, estávamos há meia hora falando, relembrando como era a internet lá no começo, a gente lidando.

Enfim, não foi planejado aquilo, juro, não tava no roteiro mesmo. Mas, e as pessoas gostam, João, quando a gente sai do roteiro assim e vai falando, vai fazendo as nossas reminiscências, né? A gente tem que fazer mais, né? Enfim, a Bruna até falou também sobre isso: adorei o tema, pode fazer mais também, mais assuntos aleatórios que a gente ama. Guti mandou sobre o episódio do A Obra do Walter Negrão. Vou evitar criticar alguns pontos desse episódio.

Criticar? Mas criticar o quê, Guti? E dizer que adorei todo o resto. O que foi que ela odiou, gente? Se ela adorou todo o resto, teve coisa que ela odiou nesse episódio? Só digo que o ator que fez o Geninho e Pompom, e vocês ignoraram solenemente, é o Paulo Vignolo, que adulto se tornou um dos principais dubladores do Brasil. Brasil, sendo a voz de gente como Jack Black e Paul Rudd. E o emoji sorrindo.

JDJoão Dantas

Eu não lembro mais o que que a gente falou, deixou tu falar.

?Voz A

Enfim, eu acho que a gente citou, porque esse personagem é um menino, né, uma criança. A gente citou ele, mas não falou o nome do ator, que a gente ignorou solenemente.

JDJoão Dantas

Gente, mas às vezes também não é nem que a gente ignora, às vezes é porque o áudio fica muito cagado e a gente tem que repetir novamente, repete, falhou. E aí pode tudo isso, eu posso ter cortado o nome do ator, entendeu? Porque não deu para ouvir, não ia dar para ouvir. Às vezes acontece isso. Aí na hora que aí faço remendo, aí talvez alguma informação vá no embalo, né, vá para o lixo, vamos dizer assim. Imagina nem que a gente ignora, ou a gente ignorou mesmo, vai saber, já faz tanto tempo também, eu nem lembro mais.

E a Nívea, a Nívea Marques, ela comentou o seguinte no episódio do Walter Negrão. Ela comentou também: olá, criteriosos, tudo bem? Não assisti a todas as novelas do Negrão, então meu top 3 será baseado naquilo que vi. Em primeiro lugar, Uma Vez. Em segundo, Araguaia. Em terceiro, Direito de Amar. Lembro de assistir com minha mãe na infância, no Vale a Pena Ver de Novo. Amo a Casa das Sete Mulheres, inclusive li o livro durante a pandemia juntamente com a Muralha.

?Voz A

Então é isso, nosso Direito de Amar. Eu também lembro no Vale a Pena Ver de Novo. Eu lembro também, passou bem no comecinho dos 90, eu lembro que eu tava fazendo as férias com meu avô e passava ela, mas eu não na época não prendia muita novela não, na época, acho, muito velho. Eu sabia que era horário de novela antiga, então não prendia tanto assim não. Então preferia ver as novelas recentes mesmo. Ai, pelo menos tem esses flashes, né?

Ai, que bom! Só na que vem a gente lê mais, mais comentário de vocês. Já tem muitos para a gente ler, só que a gente tem que ficar dosando, que senão a gente vai passar uma hora ali do comentário, tá? Mas eu vou ler, a gente vai ler depois outros episódios, tá?

FSFábio Sousa

E deixe comentários dessa E deixe, por favor, não deixe de deixar, continue opinando, né? Eu esqueci o nome da pessoa agora. Critique também, só pode criticar. A gente esqueceu de alguma coisa, esfregue na nossa cara, né, só é, pode chapiscar, né? Pois é, pode comentar, fique à vontade, né? Que a gente adora, a gente adora, né, ser reconhecido, porque a gente faz isso para vocês, né, Sorella?

?Voz A

A gente faz para você. É aquela coisa, aceita o crítico, mas também não fique calada.

FSFábio Sousa

E a voz é nossa, a voz aqui é nossa.

?Voz A

Tá, então veja bem, exatamente, veja bem. Vamos lá, a gente vai começar a listar os casos de autores substituídos. Vamos entrar no túnel do tempo. Túnel do tempo, gente! Esse caso aqui eu não sei se foi o primeiro, mas pelo menos é o mais conhecido, né? Arrisco dizer que é um dos mais conhecidos e que gerou um dos maiores eventos de felas que acho que ninguém superou, né, que foi Emiliano Queiroz substituído por Janete Clare, né. Esse é o supra—

FSFábio Sousa

a gente vai começar com supra-sumo, né, Sorella? Geralmente a gente deixa o supra-sumo para o final, mas dessa vez vai começar com ele.

?Voz A

Mas também, gente, por isso a gente vai começar com ele, é porque a gente tem outros supra-sumos no meio. A gente não vai decepcionar vocês. João Dantas, conte a história de Emiliano Queiroz.

JDJoão Dantas

Então, Emiliano Queiroz, né, o grande ator falecido, né, acho que em 2000 e aí não lembro o ano, mas tem pouco tempo, né.

?Voz A

Eu vou pesquisar aqui, João, você vai falando e vou pesquisar para você.

JDJoão Dantas

Então, o grande ator Emiliano Queiroz, ele também se arriscou na escrita, né. Ele faleceu em 2024, ele também se aventurou na escrita de novela, né. Ele tava escrevendo uma novela de nome muito peculiar, né, Anastácia, a Mulher Sem Destino.

?Voz A

Lá em 66, oi, amo esse título, somos todos Anastácia.

JDJoão Dantas

Pois é, nós somos todas mulheres sem destino. Não quer dizer, nós temos. E aí era naquela época da Glória Magadã, né, no reinado da Glória Magadã, aquelas novelas em países exóticos, enfim, com temas que não tinham relação com a sociedade brasileira. E aí a produção era caríssima, o elenco era numeroso e a novela não tinha repercussão, né? Não fazia sucesso, não tinha audiência, não chacoalhava.

?Voz A

E aí bateu o desespero, né?

FSFábio Sousa

Inclusive o Silvio D'Abreu, ele fala, né, num podcast sobre isso, né? Ele fala que o Emiliano Queiroz foi dando emprego para as pessoas que pediam, né? Ah, eu quero fazer a novela, quero fazer a novela. Quando viu o elenco tava com 100 pessoas, né? E a novela, a novela, e o elenco numeroso, né?

?Voz A

Exatamente, um elenco de 100 pessoas. Uma novela no começo, lá nos anos 60, era muita coisa, né? Não é uma Salve Jorge da Glória Perez que a gente, né? Mas era muito, muita gente, muita gente sem função, e ele lá inflando ainda mais o elenco, né? Tinha isso também, que é aquela coisa, né, o corporativismo. Poxa, meu amigo tá sem emprego, eu vou dar um papelzinho aqui para dele. Aí vira o primo da cunhada da tia da fulana que já tava lá.

JDJoão Dantas

Enfim, exatamente. E aí ele não tinha técnica, né? Ele não era autor. Ele começou a se perder na história. E como a senhora lá comentou, né, nessa tentativa de emplacar na audiência que não parava de cair, ele começou a criar mais e mais personagens, começou a empregar os amigos que estavam desempregados, desempregados, ou que estavam com salários atrasados na Tupi. Aí pediu uma chance, enfim. E aí o Emiliano depois declarou que a novela resultou de uma enorme bagunça que começou com o fato dele não ter tido saco nem para ler o livro que serviu de base para novela, que o livro é A Torte Negra do Moinho, de Emily de Rochemburgo.

Não sei se é assim que se fala. Aí ele diz o seguinte, abre aspas: achava muito chato, muito grande.

?Voz A

Agora Achava muito chato, muito grande, né? Incrível.

JDJoão Dantas

Pois é, o livro é grande, ela não vai ler.

?Voz A

Eu não vou ler, né? Enfim, continua.

JDJoão Dantas

E aí a Glória Magadã dizia: vai lendo, vai fazendo. Aí alguém lia pedaços do livro, me contava, e eu escrevia. E foi assim, um sacrifício. A novela estreou e aconteceu de tudo em um só dia. Eu falava para Glória que tinha muitos personagens, tinha circo, tinha uma casa de amigos. E ela dizia: não diminui, não diminui. E aí o Boni e o Daniel Filho contrataram Dias Gomes, que tava impossibilitado de trabalhar por pressões políticas.

E a Janete tava muito descontente na Tupi. E aí era o momento que a Globo também já tava pensando em dar uma mudada na novela e tal. E aí a Janete foi convocada para dar um jeito na Anastácia, né? Diz que tem até aquela famosa frase que a Magadã, né, se encontrou com a Janete e diz: olha, eu tenho um abacaxi para você. Diz que essa frase virou a lenda nos corredores globais. E esse abacaxi era Anastácia, a mulher sem destino. E aí a Janete substituiu o lugar do Emílio Queiroz, né?

Ela pegou o abacaxi, descascou, né, com terremoto que matou, matou a maioria dos personagens, né? Comenta isso aqui, sem personagens. E sem querer Nela fez o terremoto lá, morreu todo mundo, e sem querer, e sem querer ela matou um personagem que sabia o segredo da novela. E a novela começa com salto temporal de 20 anos e apenas 4 personagens. E se não me engano, a atriz que fazia a protagonista também começou a fazer a mãe dela, que era Lilia Diniz.

Lilia Diniz, isso. E aí Anastácia não foi um grande sucesso, mas ficou marcada, né, na história da telenovela por conta da contratação da Janete Klein iniciando ali na Globo, né. E o terremoto, né, o notável terremoto. E sempre que uma novela tá indo mal das pernas, que tem as mudanças, o pessoal lembra desse terremoto da Janete Clay. E o Emiliano Queiroz nunca mais escreveu nada e continuou só atuando em novelas. Vamos ver essa história, né?

?Voz A

E o que que a gente aprende disso tudo, né, gente? Se não dá para você, não aperreia. É isso que nem eu falo, gente. Ai, eu não sei entrevistar ninguém, eu não vou me meter esse entrevistador, né? Né, gente, não dá para mim essa função. A gente aprende algumas coisas, mas a gente foca naquilo que a gente sabe fazer. Eu acho que o senhor Miriam tava querendo um salário melhor e ver, ah, tô pagando bem para estar autor, vou lá, vou me aventurar, ver o que que dá.

E aí veio esse babado todo e marcou por conta disso, né? E a gente vai ver aqui que teve vários autores que entraram no lugar de outros que queriam fazer um terremoto, né? E nenhuma se atreveu a fazer um terremoto igual para a gente ver como é que seria, né, Sorella? Eu queria tanto ver Isso, poxa, eu tenho muita vontade de ver como seria uma grande tragédia em grandes proporções como o terremoto de Anastácia. Não tivemos.

JDJoão Dantas

E aí, se a gente pensar também, o terremoto é um terremoto na vida da Magadana, né? Porque a partir daí começa a conseguir cada vez mais espaço, né? Galgar mais espaço lá dentro da Globo e toma o lugar da Magadana, é praticamente É, causa a demissão da Magadam, né?

?Voz A

Não foi só a Janete, né? Tem um caso Beto Rockefeller também no meio, né?

FSFábio Sousa

Aí, Sorella, a verdade, Sorella, a verdade é que a Globo tava de saco cheio já, sabe? Daquelas novelas rococós, empoeiradas, ultrapassadas, obsoletas, aquela coisa que não se usava mais, né?

?Voz A

Todo mundo modernizando, a gente aqui ainda nessa, ainda nessa, sabe?

FSFábio Sousa

Ela, ela, a Glória Magadam achava que tava nos romances de Bárbara Cartlandi, sabe? Princesas, czares, imperadores, né? Não, Sorella, pelo amor de Deus! Reis, rainhas, pelo amor de Deus, Sorella! Aí eu tava com saco cheio. Vamos dar um chute nessa cubana, né? Pois é, vamos dar um chute nessa cubana, né? Despachar essa mulher para baixo da égua e vamos modernizar, e vamos modernizar, porque tava ficando para trás, Sorella. Tava ficando para trás.

?Voz A

Exatamente. A gente, a história da demissão da Magadam é muito boa. A gente contou lá no episódio sobre a obra da Glória Magadam. Procura no feed que se tiver disponível você vai encontrar. Se não tiver, volta em breve. Eu nem sei se data, a gente sempre pendurou. Enfim, não vou ser capaz de lembrar nesse momento. Mas outro caso, vamos para outro caso. Benedito Ruy Barbosa foi substituído pela Dulce Santucci. Caso bem breve, né?

Benedito escreveu a novela chamada Algemas de Ouro na Record entre 1969 e 1970. Como o seu contrato expirou nesse prazo, a novela foi concluída pela autora Dulce Santucci, simplesmente. Eu digo, gente, e é o que temos de informação, né, Sorella? E é o que temos de informação, gente. Foi por esse motivo, o contrato expirou. E eu fiquei pensando, mas gente, mas ele não quis renovar? A emissora não quis renovar? São tantas perguntas, né?

São tantas perguntas. Enfim, e a gente não tem resposta, né? Caso muito antigo. Acho que a Dulce Santucci já desaparecida, né? Bem-vindo! Sim, ele pode nem responder porque teve esse caso. Esse aqui que é bem recente, que a gente já contou recentemente, né, Sorella? Marcos Rei é recente, Sorella. Conte essa história porque é babado, gente, é intriga, é vingança, enfim, do jeito que a gente gosta.

FSFábio Sousa

Pois é, né, Sorella? Essa novela ela já começou como uma provocação, né, Sorella? Ai, meu Deus do céu, me perdoe, mas eu tossi, é que a gripe.

?Voz A

Eu também já dei minhas tossidinhas aqui, quero até pedir desculpa pela minha voz.

FSFábio Sousa

Que me valeu.

?Voz A

Avasalou, é verdade, esse verbo existe, avassalar, não sei. Mas enfim, continue, Sorella, a história.

FSFábio Sousa

Então essa novela já foi concebida no meio do, para gerar confusão, né, Sorella? A ideia já foi, né, de alfinetar, para dizer o mínimo, né? O Marcos Rei, né, lá em 1971, ele escrevia novelas na Record e ele propôs uma novela que fazia críticas à Editora Abril, né? E qual que foi o nome da novela? Se a editora era Abril, a da novela seria Editora Maio.

?Voz A

Bom dia!

FSFábio Sousa

Olha aí, mas quando, quando os Machado de Carvalho, que eram donos da Record, perceberam as intenções do Marcos Rey, não quiseram mais a novela, né, Sorella? Não quiseram mais, né? Mas já havia chamadas, mas já tinha chamada no ar, elenco escalado, Abril, né? Então a Record preferiu trocar o autor porque, eu não sei, acho que a emissora entendeu que talvez ali podia ser um problema pessoal, né, do Marcos Rey. Então ela não quis comprar essa briga, né?

Aí trocou ele por Walter Negrão, chama o Walter Negrão, né? Aí o Marcos Rey tinha de fato problemas pessoais com a Editora Abril, né? A história da novela mostrava o dono de uma grande editora que era casado com uma mulher chamada Sultana, né? A esposa de Vitor Tivita, que era o dono da Abril, se chamava Silvana. Os nomes dos filhos do casal começavam com R, assim como os filhos de Tivita. Zero sutileza, senhora. Não era para ser sutil, era para passar um recado, era para passar um recado, deixar bem claro o que ele queria.

?Voz A

Gente, eu queria saber isso, né? Por que que ele tinha ódio? É, chegou uma coisa com a Sultana, senhora. Alguma coisa a Sultana fez que ele não engoliu. A Sultana, eu acho que a raiz tá aí, né?

FSFábio Sousa

Sorella.

?Voz A

Que será, né?

FSFábio Sousa

Pois é, só tem uma maneira, né? Só tem uma maneira para mudar tudo, né? E o Walter Negrão, né, muito habilidoso, ele rebatizou o nome da editora de Maio com I para Maio com Y. Porque aí, né, Sorella, tirou o mês, tirou o sobrenome, né?

?Voz A

Exatamente.

FSFábio Sousa

E criou uma outra história, né? Já que a sinopse de Marcos Rei não era conhecida. Olha aí, Sorella, imagina o que é que vinha por aí, Sorella.

?Voz A

Dela. O que que é isso?

FSFábio Sousa

Imagina, né? Aí o público não havia percebido a mudança de nome, né?

?Voz A

Porque é tonto, né, gente? O público é tonto desde sempre.

FSFábio Sousa

Nossa Senhora, meu Deus do céu! Capaz, Sorella, capaz de o público ter assistido a novela do Marcos Rey e não ter feito associação nenhuma com a editora.

?Voz A

Nenhuma!

FSFábio Sousa

Ai, gente, olha, o Negrão, por sua vez, já havia trabalhado na Editora Abril e ele mantinha boas relações com os donos, né, com o e companhia, que ele preferiu manter essa situação. Essa é uma diplomacia, né, Sorella?

?Voz A

Por causa do Marquinhos, ah, sou amigo dele, mas não, né, gente? Enfim, eu faria exatamente a mesma coisa, eu faria a mesma coisa. Ai, gente, meu Deus! Você sabe qual foi o problema do Marquinhos com a Editora Abril? A Sultana tem alguma coisa a ver? Conta pra gente, eu adoro essas fofocas antigas, adoro. O Di Fraga foi trocado Gente, aí vocês vão perguntar, Fábio, quem é o Di Fraga? Nunca ouvi falar nesse autor cearense, tava vendo esse episódio, tá falando isso, eu tenho certeza que pensou, quem é?

Que caralhos é o Di Fraga? O Di é nome de gente? Enfim, amigo, é um autor, vai ter episódio dele em breve, então vai se acostumando. É cearense, será que esse cearense é um fake do Francisco Ramis? Mas enfim, o Di Fraga era autor de uma novela chamada Bel Ami, exibida pela Tupi em 1972. E a novela não ia bem na audiência, era um flop, né? E o Odir foi substituído pelo Teixeira Filho a partir do capítulo 60, tá?

FSFábio Sousa

E o Teixeira, gente, eu amo, eu amo o texto do Ismael Fernandes, né, no Almanaque da Telenovela Brasileira, que ele fala sobre essa novela, né?

?Voz A

O que que ele diz?

FSFábio Sousa

Ele disse que a cantora Maísa tava no elenco, né? Elenco insatisfeito com a personagem, pediu para sair. Aí ele fala assim, senhora, lá aspas dele: Maísa não foi até o final da novela, nem o público.

?Voz A

Gente do céu, será que essa novela era tão ruim assim, gente? Não sei, jamais saberei. Mas o Teixeira Filho mudou tudo, gente, mudou tudo na novela, mudou o rumo da história, acrescentou novos personagens e eliminou com outros, né? A novela falava de colunismo social, que era a principal temática da novela. Deixou de ser aquela coisa fútil e passou a ser ligado a campanhas sociais, como adoção de menores. Vale lembrar que a televisão na época, né, 72, tinha muita novela sobre criança abandonada, pequena alfa, né, e suas derivadas.

Enfim, todo mundo tinha essa criança órfã para cuidar, né? Então era um assunto recorrente, adoção de menores e arrecadação de dinheiro para Então aquela coisa, vou fazer um colonismo social do bem, produtivo mesmo, sem ser de fofoquinha, sabe? E aí foi, gente, a frivolidade deu lugar a debate sobre política, economia e outros assuntos mais sérios. Uma novela fala sobre política em plena ditadura, será que ela foi visada? O que que ela fala exatamente de política?

Fica aí o questionamento, né? Temos cena de Bel Ami no YouTube? Não tem. É isso. É exatamente isso aí. Mas, João Dantas, o caso, o próximo caso também é babadeiro. O próximo caso é babado. Dá para contar o caso do Jorge Andrade?

JDJoão Dantas

É, antes do Jorge Andrade eu vou contar da substituta de Bela Mi, que também teve problemas.

?Voz A

E qual foi a substituta de Bela Mi, João Dantas? Que eu não sei.

JDJoão Dantas

A Revolta dos Anjos, exibidência 32.

?Voz A

a verdade, a verdade, gente, a gente fez o roteiro roteiro, a gente recebeu o roteiro e alguns casos foram esquecidos, né? E aí, para evitar esses casos de atores substituídos que a gente passou, que a gente lembrou aqui, a gente foi adicionando. Só que não deu para adicionar no roteiro, então a gente colocou umas notinhas. Enfim, o Jô lembrou disso magistralmente, que eu mesmo já havia esquecido. Mas fala, Jô, a revolta dos anjos.

JDJoão Dantas

Eu fui para o livro do Ismael Fernandes conferir novela por novela E fui para o livro do Fábio Costa também, que é fonte desse episódio. Aí fui olhando quais as novelas tinham substituições. Aí a maioria a gente tinha lembrado, né? Só que alguns casos a gente tinha esquecido, mas acabou colocando. E aí A Revolta dos Anjos, exibida em 72 e 73, a substituta de Bela Mi, Bela Mi, não sei como é que fala, é também também passou por problemas na autoria e por problemas de audiência.

Ela foi uma experiência muito mal-sucedida da psicóloga e romancista Carmen da Silva, tava escrevendo essa novela.

?Voz A

E aí, teremos episódio sobre a obra de Carmen da Silva?

JDJoão Dantas

Não sabemos, não sabemos. Eu vi que ela escreveu umas coisinhas, viu?

?Voz A

Acho que enfim, aí, João, só tem episódio que escreveu a partir de 4 novelas, se inscrever a partir de 4 ganha episódio. Menos que isso não vai.

JDJoão Dantas

Pois é. E aí a novela não engrenava, né, os índices aqui do esperado. Ela acabou não terminando de escrever a novela e foi substituída no capítulo 102 em diante. Eu acho até que demorou demais para substituir.

?Voz A

Descreveu muito, né?

JDJoão Dantas

E aí, revoltada com os rumos que a novela tomou após sair da Carmo, por dizer que não escrevia mais a novela, ela não tinha mais poder sobre a obra. Só que aí eu pesquisei, não achei quem substituiu ela na autoria da novela, né? A gente não achou informações sobre quem substituiu a Carmo da Silva, mas que ela ficou revoltada por ter saído da novela.

?Voz A

Ela ficou gag, né? Ficou acrílica. Enfim, gente, quem sabe se a autora tá viva? Não sabemos. Não sabemos. Aí, tanta coisa que a gente não sabe, né? Enfim, próximo caso é de Jorge Andrade. Jorge Andrade, já fiz episódio sobre ele, é um episódio que eu particularmente gosto muito. Foi substituído, né? Ele era o autor de uma novela chamada Os Ossos do Barão, exibida pela Globo em 1973. Em dezembro, no meio da novela, o Jorge Andrade sofreu um infarto, infartou, sorela, e foi sucedido temporariamente pelo Braulio Pedroso, que também tem episódio aqui, gente, né, no critério de programação.

Braulio Pedroso, por sua vez, escreveu 8 capítulos da novela, que retornou assumindo, que o Jorge logo retornou assumindo seu posto. Eu fiquei pensando, sei lá, que infarto foi esse, né? Que normalmente infarto tira uma pessoa do combate, né? A pessoa fica um bom tempo de recuperação. 8 capítulos só, já tá de boa? Eu fiquei, nossa, que bom que o coração dele foi forte, né? Mas aí, gente, Regis Cardoso, diretor da fez críticas ao trabalho do Braulio Pedroso, relatando no livro dele chamado Do Princípio Era o Som, e disse o seguinte, abre aspas: para nossa decepção, Braulio não manteve o alto índice de brilhantismo dos diálogos de Jorge, fecha aspas.

Aí eu achei indelicado. Poxa, tô lá, vou lá prestar um favor por amizade, por coleguismo, e o cara desculpeu meu trabalho, sabe? Por que que me chamou Tô aqui conjecturando, gente, já que os dois, já que todos envolvidos na questão já foram de arrasta, né? Enfim, eu não posso nem falar muito, porque senão eles se vindo aqui na gravação, que mais a gravação começa a falhar e é culpa deles. Mas já deu um tempo deles se reencarnarem, né?

Então, e aí, gente, no período que o Jorge Haddad ficou fora, a trama da novela girou em torno de um episódio isolado envolvendo a família Taquis e uma dupla de picaretas interpretada pelo Otávio Augusto e pela Lisa Negri em participações especiais. O Plário não se aprofundou nessa história, história, né, explicando em carta à direção e ao elenco o seguinte, abre aspas: não pretendo penetrar no mundo de Jorge Andrade nem tentar continuar a trama de sua história, porque só quem as escreve sabe sentir e desenvolver os personagens, fecha aspas.

Eu achei coerente, achei digno, achei justo. Aí, gente, porque às vezes é quase uma intromissão você entrar em universo de determinados autores, né? Então não Você não vai chegando colocando seu estilo, não é assim. Você tem que escrever como se fosse o autor, né?

JDJoão Dantas

E até porque era poucos capítulos, né? Ele não ia muito até o final.

?Voz A

É, gente, achei, achei destempero da parte do seu Régis. Se nem o Jorge reclamou, por que que ele vai reclamar? Ai, achei pedante, achei feio da parte dele, achei, sabe, não curti essa postura. É Próximo caso, Sorela: Dias Gomes. É, gente, vocês vão ver muito o nome do Dias Gomes aqui sendo substituído. E a gente já contou isso também no episódio dele, mas aconteceu, a gente tem que fazer virar manchete aqui, né? Dias Gomes, Sorela, o que aconteceu lá em 74?

FSFábio Sousa

Ela, essa, né, Sorela, que está no Globoplay, né? O Espigão, Sorela. Dentro de instantes, cenas dos próximos capítulos de O Espigão. Olha aí, a senhora viu Espigão, Sorela?

?Voz A

Eu vi o Espigão, Sorela.

FSFábio Sousa

Gostou da novela?

?Voz A

Gostei muito da novela, gostei bastante.

FSFábio Sousa

Então perdoe Dias Gomes, né, sabemos da sua importância, mas não fez falta, né, Sorela? Não fez falta, né?

?Voz A

Seu Dias, não fui eu que falou isso, tá?

FSFábio Sousa

Onde o senhor estiver, por favor, perdoe a língua firinha. Pois é, né, Sorela? No caso dele, ele precisou se afastar da novela por conta de problema de saúde, né, Sorela? Novela, por uma forma de saúde. E o espigão, né, acabou nas mãos de Lauro César Muniz, né, que substituiu o autor. O Dias escreveu 10 capítulos da novela, foi só ela, é isso? O Lauro escreveu 10 capítulos, né?

JDJoão Dantas

Isso.

?Voz A

E aparece lá na claquete, capítulo tal escrito por Lauro César Muniz.

FSFábio Sousa

Ele pegou, né, pegou a essência do Dias, né? Soraya, pegou ali a linha, né, esses 10 capítulos, né, senhora. A senhora pode dizer, não parecia sido escrito pelo Lauro, né, senhora? Ele seguiu ali a mesma linha também.

?Voz A

Se não tivesse lá escrito lá, eu não saberia, né?

FSFábio Sousa

Aí, de acordo com a sua autobiografia, né, o Dias Gomes foi diagnosticado na época com a bronquiectasia, né, que foi consequência de uma pneumonia mal curada. Essas coisas, pneumonia mal curada, você acaba com qualquer um, isso, né?

?Voz A

É menina, eu nunca tive.

FSFábio Sousa

Tem que seguir o tratamento até o fim. A gente pensa que tá bom, mas não tá, não tá. Adquirida, né, que foi durante um período que ele passou detido em 1964.

?Voz A

Olha, olha a história, olha a história, numa cadeia fétida.

FSFábio Sousa

Pois é. E em 64, né, nós sabemos o que teve, né, o golpe militar, né, foi quando teve o início da ditadura no Brasil.

?Voz A

E ele foi preso pela repressão do regime militar na época, né?

FSFábio Sousa

Mas de acordo com o acervo Globo Digital, o Diagomes pediu afastamento para se recuperar da perda do amigo Oduvaldo Viana Filho, falecido em julho de 74, né? Tem aí as versões divergentes, mas seja por uma questão, seja por outra, merecia esse afastamento, Sorella, porque a perda de uma pessoa querida, de um amigo, o né? É tão dolorido, é tão sofrido e merece tanto cuidado quanto um problema de saúde, né, Sônia?

?Voz A

Exatamente. E precisa ser vivido, e precisa ser vivido o luto. É, é, menina, é, menina. Eu já contei aqui que a minha tia faleceu no final do ano passado, né? Foi horrível, enfim. E o companheiro dela não chorou, sabe? Tentou fazer o forte. Eu tinha percebido isso, né? E aí, gente, o cara começou a beber, isso virou uma pancreatite, quase que vai de arrasta junto, mas se recuperou. Aquela coisa, gente, se trancou tanto na dor lá dentro que, gente, não tem jeito, gente.

Chora o que tem que chorar, sofre o que tem que sofrer. Não fica represando dor, não. Não represse a dor, porque aí vai piorar lá para frente. Sofre o que tem que sofrer, tá certo? Então eu achei justo justo. Se foi essa a causa, justíssimo. E foi rápido. Enfim, Silvão Paes, acabamos de falar do Silvão Paes, né, gente? Fez episódio para ele lá em junho. Muita gente não conhece, mas aconteceu, né, João? Aconteceu com Silvão Paes.

FSFábio Sousa

Exato. E se lá atrás foi o Benedito que foi substituído pela Dulce Santucci, aqui ele substituiu, né?

?Voz A

Ele substituiu, né? Acontece isso, vocês vão ver muito isso aqui também.

JDJoão Dantas

Exato. E depois vai ser substituído lá na frente, a gente vai comentar, né? E o Silvão Paes, ele escreveu uma novela chamada A Sombra dos Laranjais lá em 77. Essa novela que tá nos fragmentos lá, né? E ele acabou substituído pelo Bené, né, pelo glorioso Benedito Barbosa, a partir do capítulo 31, por conta de quê? De que o atraso, o atraso na entrega dos capítulos. Ele tava atrasando demais os capítulos. E aí o Benedito declarou, abre aspas: eu peguei os trabalhos de À Sombra dos Laranjais já iniciados, não participei do processo de criação e tive apenas de dar continuidade à tarefa de Silvão Paeso.

Prendi-me mais à sinopse de Silvão do que propriamente ao original, né? No caso, a peça que lia há vários anos, fecha aspas. E aí o Benedetto escreveu a novela, a continuação, né, ficou do capítulo 31 até o último capítulo. A gente já conta essa história, né, faz aquele lance do incêndio do circo, né, que é um momento muito importante para novela. Enfim, que a Globo tem isso, né, atrasou os capítulos, em qualquer probleminha ele substituiu o autor, né.

?Voz A

E foi o que aconteceu com Silvão Paes e o Benedetto exatamente, tá nos fragmentos, 6 capítulos. Os 2 primeiros são do Silvão e os outros, os 4 restantes, são do Benedito, tá? Para ficar bem esclarecidinho. Outro caso, gente, Sérgio Jochmann. Sérgio Jochmann, que é o autor, também vai ter seu episódio aqui futuramente. Escreveu uma novela chamada Roda de Fogo em 78 na Tupi. Não, gente, não é a mesma da Globo de de 86. É só o nome que é igual, mas não tem nada a ver.

Inclusive, essa Roda de Fogo aqui era baseada na peça O Rei Lia de Shakespeare, né, que essa peça de Shakespeare que inspirou outras novelas futuras, Suave Veneno, Império, ambas do Agnaldo Silva. Então não tem nada a ver com a Roda de Fogo do Lauro César Muniz dos anos 80 na Globo. E o que aconteceu, gente, 2 meses depois da estreia, por conta da baixa audiência, o Jokman se desentendeu com a emissora, brigou com a Tupi e abandonou a novela.

E aí o Walter Negrão assumiu a partir do capítulo 65, transformou a novela numa trama policial, matando os protagonistas. Matou o Oswaldo Loureira, que fazia o Lia, né, que era o dono do jornal. Matou a Eva Vilma, que fazia a filha dele, né. E detalhe, a morte da personagem da Eva Vilma foi imposta pela Tupi, que queria a Eva de protagonista da novela. O direito antes de nascer. Então Negrão entra e mata Eva. E aí aproveitou, matou a Eva, matou o Oswaldo também.

Pronto, bora fazer uma novela policial que o povo gosta de brincar de detetive. Então é assim que aconteceu com A Roda de Fogo. Acho que a gente escutou essa história, episódio do Negrão, né? Acho que a gente deve ter contado essa história lá. Então quem não viu, vocês podem ouvir com mais detalhes lá. Eita, o próximo caso eu vou pedir para o João ler, o próximo caso que é o caso do Todo-Poderoso, gente. O que é o Todo-Poderoso, João? O que que é o Todo-Poderoso?

JDJoão Dantas

Então, é, o Todo-Poderoso foi uma novela, né, exibida na Bandeirantes. Imagina, agora vai mudar de canal. Ela foi exibida entre 1979 e 1980 e abordava, né, como bem diz o título, paranormalidade, né.

?Voz A

Uma novela Todo-Poderoso, quer que se imagina, né, alguém que algum tipo de poder, né, algum tipo de poder.

JDJoão Dantas

Enfim, e aí a novela era escrita pela dupla Clóvis Levy e José Safiotti Filho. Não conheço, esse é o primeiro sobre a dupla, não sabemos, não sabemos. E aí, a partir do capítulo 100, o Walter Avancini, né, ele assumiu a direção de dramaturgia da emissora e substituiu os dois atores pelo Carlos Lombardi, o Ed Lima e o Ney Marcondes. E aí, a partir daí, colocou um trio, pois é, colocou um trio e a novela virou um horror trash. Eu imagino que também por conta de baixa audiência, enfim.

E aí teve possessão de diabo, enfim, teve tudo que vocês possam E quem foi que fez o exorcismo do personagem, né, desse personagem que teve a possessão? O público, né, porque o público não comprou a ideia e a novela foi, dava baixa audiência e não teve como competir, né, com a ensolarada, contra a ensolarada exibida na Globo.

?Voz A

Então foi um fiasco, fiasco total, gente, flopasse. Nossa, a Band um dia desses lançou, divulgou a abertura dessa novela nas redes sociais dela e foi uma comoção na bolha, né? E aquela abertura, aquela abertura de novela já era a segunda abertura, né? Uma abertura bem, nossa, dá medo aquela abertura, viu? Eu fico imaginando as crianças de 1980 vendo aquilo, se é que viram, né, João? Se é que viram, né? Enfim, Sorella, esse caso também é bem marcante, Sorella.

Sorella, esse caso é bem marcante, eu quero ouvir na sua voz. Lauro César Muniz, que já substituiu o Dias, agora foi substituído, né, precisou ser substituído. O que aconteceu, Sorella?

FSFábio Sousa

Aí, né, Sorella, dessa vez a gente tem aí, né, mais uma, mais uma história que a gente já contou, né, Sorella, no episódio do Lauro César Muniz, outro caso famoso, né, famosíssimo esse caso, né. E quem entra na jogada agora é o Walter Jorge Né, que em Lauro César Muniz, em Lauro César Muniz é outro, né, Sorella? Em 79, né, o Lauro César Muniz escrevia, né, a mal-fadada, famigerada, problemática, os gigantes, né?

JDJoão Dantas

Maluma, assim que o Fred tivesse recuperado, logo que ele sair do hospital, eu gostaria de pedir a você para você ir embora, se afastar, dar Bora!

?Voz A

E para de encher a cabeça dele com bobagens como você tá tentando.

JDJoão Dantas

Ódio, ele está em nossa alma, um gigante acima de nossas forças. Os Gigantes, próxima novela das 8.

FSFábio Sousa

Uma das histórias mais complicadas que a televisão brasileira já viu, né? Que foi um problema, deu dor de cabeça para Globo na época, né, Sorella? Complicação. A história falava de eutanásia, passava por aborto, brigas familiares, problemas judiciais, suicídio, só pena leve, né, Sorella? Uma coisa leve, básica, né?

?Voz A

Mas começou leve, de boa, tranquilamente, né, Sorella?

FSFábio Sousa

É óbvio, né, que a novela foi rejeitada, né, pelo público. Foi taxada como depressiva. A protagonista Dina Esfati Né, famosa história, né, do script que ela jogava no chão e sapateava, né. Se tornou público, né, o seu descontentamento com a novela e rompeu publicamente com o autor. Como é, Sorella, que você escreve uma novela que a protagonista odeia você, né? Como é que se faz isso, né?

?Voz A

Então, protagonista te odeia, né?

FSFábio Sousa

Pois é, a novela também teve como uma das personagens principais um ataque a multinacionais em um momento de crescimento econômico do Brasil, né, Sorella? E esse foi um tema que não foi bem aceito pela emissora nem pelos patrocinadores, o que já era de se esperar, que eles não gostaram de se ver criticados na televisão daquela forma, né, na novela.

?Voz A

A multinacional atacada era patrocinadora da novela. Como é que você faz isso, né, gente?

FSFábio Sousa

Pois é, obviamente, né, todos esses problemas acabaram culminando na demissão do Lauro César Muniz, né? O Benedito foi então convocado para terminar Os Gigantes, mas ele recusou, já que ele tava desgostoso com a Globo, que tinha rejeitado a novela que ele tinha proposto, né? Qual novela era, Sorella?

?Voz A

Os Imigrantes, que tem história também, tem história também, né?

FSFábio Sousa

Tem história. E quem acabou concluindo a novela foi o Walter Jorge Dunst. Se o Lauro César Muniz gostou Nossa, odiou, né?

?Voz A

Odiou. E tem história que ele tem na novela, mas ninguém sabia que tinha escrito o final. Ele só foi saber disso anos depois, anos depois. Aí ele justificou: eu não tinha que escrever, eu era isso, era rua, eu tinha meus filhos para sustentar.

FSFábio Sousa

É, pois é, Sorella, não adianta ficar com raiva de quem fez somente, de quem foi chamado somente para fazer o seu trabalho.

?Voz A

Se fosse o contrário, ele também teria feito. Exatamente. Exatamente, exatamente, gente. Sérgio Jochmann novamente, gente. Esse episódio do Sérgio Jochmann vai render. Sérgio Jochmann mais uma vez foi substituído, gente. Ele era o que aconteceu dessa vez?

JDJoão Dantas

Ah, tem uma novela antes da que a Sorella falou, Um Homem Muito Especial.

?Voz A

Verdade, João, verdade. Segura o Sérgio Jochmann, gente, segura. Vamos falar do homem. O João vai falar de Um Homem Muito Especial.

JDJoão Dantas

Então, outra novela 80, né, ainda na Band. Nossa Band tava com tudo, né, nas novelas. E aí no começo dos anos 80, o Rubens Ewald Filho, ele estreou no horário das 7 lá na Rede Tupi com a novela Drácula, né, que evidentemente falava lá do Conde Drácula. Eu acho que a gente já contou essa história no episódio do Rubens Ewald, que tem episódio aqui também no Critérios. E aí depois de 3 capítulos, a novela saiu do né, a Tupi viveu uma grande crise e enfim pararam de exibir a novela.

E em julho do mesmo ano, enquanto a Tupi fechava as portas, a Band estreou a novela com outra produção, o mesmo autor e parte do elenco original, né, porque o Rubens Evolfini foi para a Band e resolveu, né, eu acho que era o, não sei se era o Walter Avancini que tava lá, era o Walter Avancini, né, ele resolveu produzir a novela e a novela passou a se chamar Um Homem Muito Especial. E usavam, né, o mesmo autor, parte do elenco, enfim.

E só que por problemas pessoais o Rubens acabou deixando a novela e ele foi substituído pelo Jaime Camargo, né, na feitura dos capítulos. Só que a novela também continuou, né. Eu acho que a Band não tinha essa coisa, né, de produzir novela, expertise de produzir novela, enfim. Enfim, e aí a Consuelo de Castro acabou assumindo a novela no lugar do Jaime, substituiu o Jaime. Ou seja, essa novela teve substituição de tudo. Consuelo de Castro assumiu a escrita da novela até o final, e a partir disso, quando ela assumiu, ela começou a incrementar a novela, colocou sensualidade, colocou erotismo, e levou nada.

?Voz A

Botou as mulher pelada lá para Aí o cearense tá vendo esse episódio, tá perguntando quem é Consuelo de Castro. Meu amor, também não sei quem ela é não. Vai ter episódio dela também, eu sei. Ai, ai, gente, botou as mulher pelada para ver. Gente, nem mulher pelada adiantou, não adiantou. Eu que tô dizendo isso, né, gente? Não sei se realmente teve, né? Era ditadura, não podia, né? Então eu que tô tirando essas conclusões do meu cu, né?

Mas vamos usar Jockman. Se Jockman era problema, vamos Eu sei. Então, sério, em 1980 ela vai ser exibida na Band também. Olha, Band de novo, a Band novamente. A novela Cavalo Amarelo, escrita pela Ivani Ribeiro e protagonizada pela Dercy Gonçalves, foi um grande sucesso, um dos grandes sucessos de 1980. Não vamos esquecer de Água Viva da Globo, né? E aí, por conta disso, a Band teve uma ideia, sorela: por que não fazer uma continuação dessa novela?

Vamos aproveitar a e bora fazer uma continuação. E veio a falada, a famosa, a famosa do Cineia vai à guerra. Só que Ivani se recusou a escrever a continuação da novela e a novela ficou a cargo do Sérgio Jokman. Ou seja, primeira vez na história da teledramaturgia brasileira que o personagem sai de uma história e entrou em uma outra história de autor diferente. Nunca tinha acontecido isso. E poucas vezes aconteceu novamente. Só que o que aconteceu, gente, Dulcinea Vai à Guerra foi um grande fiasco, flopou.

Foi a Lotus Tour da Band. Nossa, Lotus Tour é velha, né? Enfim, derrubou todo êxito que a personagem da Desi Gonçalves, a Dulcinea, né, atingiu no Cavalo Amarelo. Acabou, demoliu, defenestrou. E aí o que que a Band fez para tentar recuperar parte da audiência, né? A Band trocou o Jokerman pelo Jorge Andrade. Olha só, Jorge Andrade que foi substituído, agora substituindo. O Jorge Andrade assumiu a novela a partir do capítulo 41, promoveu mudanças no enredo, eliminando personagens, acrescentando outros.

E a troca de autores também fez mudar o tema de abertura, sorela. Saíram os Demônios da Garoa cantando Lenço na Moleira— confesso que eu não conheço essa música— e entraram as Frenéticas cantando a divertida Lacanga. Ai, gente, eu confesso que eu fui da época do episódio do Jorge Andrade, eu fui ouvir Lacanga e eu adorei. Lacanga é muito frenética. Vamos dançar, Lacanga, igual mamãe e papai. Quem tá de fora não entra, quem tá de dentro não sai.

Gente, achei gag. E aí o Walter Amancini disse na época, abre aspas: o estilo de Jokman provocou um equívoco muito quanto ao melhor aproveitamento de Desi Gonçalves na novela. Foi só isso, um problema de de texto. Então nos reunimos, conversamos, ficou tudo bem. Partimos para um novo esquema junto com Jorge Andrade, que tem um estilo que a gente conhece, e foi isso. Fecha aspas. Ele minimizou a situação, foi apenas problema de estilística, né?

Mas aquela coisa, gente, será que surte audiência? Porque ninguém quer que lembre do cinema A Guerra, né? Enfim, foi A Guerra e saiu estupiada de lá, coitada. Ai, ai, mas olha, falando nas Tem mais, ainda não tá na hora, Jô, calma. Ainda não está na hora, em 82. A gente tá em 80, fique atento à cronologia. Agora o próximo caso, né, Sorella, a gente viveu, né, Sorella? Nós vivemos esse caso, vivemos entre aspas, né, que a gente acompanhou a reprise dessa novela, né, Sorella?

FSFábio Sousa

Sim, Sorella. E foi inclusive, né, um dos pontos que a gente mais queria ver, né? E a gente não tem trama, você perceberia se haveria mudanças significativas, né, Sorella?

?Voz A

É verdade.

FSFábio Sousa

Inclusive tem um vídeo do Nilson Xavier com o Luffy Steffen, aonde eles fazem um paralelo da novela justamente até o momento em que o ator principal sai e como substitui, vai para o outro, né? Que eles queriam também fazer essa, essa, esse balanço, né? Que é, por exemplo, aí de uma vez, né, a novela que não ia muito bem de audiência, quando Cassiano Gabus Mendes, o autor original, sofreu um infarto, ficando impossibilitado de levar a novela adiante, né.

Ele passou por uma cirurgia para implantar 3 pontes de safena e acabou não retornando à obra. Porque 3 pontes de safena, né, Sorella, não são 3 pontinhos que você dá no braço, numa perna, né, Sorella. Ponto safena, né, Amor, né? Vamos repousar, né?

?Voz A

Vamos repousar.

FSFábio Sousa

O Silvio de Abreu acabou substituindo, né? Foi indicado pelo Cassiano, pelo próprio Cassiano, né, Sorella? E acabou provocando algumas alterações na trama que alavancou a audiência de Turmas para E3, né? O Silvio teve que ler todos os capítulos para se inteirar da novela, já que não assistia, né? É o que se espera, né, Sorella, numa situação dessa, né?

?Voz A

Ele não fez, ele não fez o Emiliano Queiroz, Queiroz.

FSFábio Sousa

Pois é, não fez, não fez a Emília no Queiroz, né? O Silvio de Abreu assumiu a novela a partir do capítulo 138, né, escrevendo assim 53 dos 191 capítulos da novela. Antes da estreia, o Gonzaga Blotta, que era diretor da novela, também foi afastado, também infartado, e acabou morrendo.

?Voz A

E a Cardíaca, pois é, a do infarto tava solta, só nessa novela, né?

FSFábio Sousa

Entretanto, o Bota continuou na trama, na função de supervisor, né, Sorella? E a gente percebe algumas coisas, né, Sorella, de mudança quando o Cassiano sai e o Silvio W entra. Mas não é tanto assim, é, a gente achou que a gente perceberia mais, mas não é, uma coisa bem sutil aqui e ali.

?Voz A

É mais no estilo mesmo, da autoria mesmo, é mais na questão do estilo mesmo de texto, mais falando da trama.

FSFábio Sousa

Não descaracterizou os personagens, né? As histórias ficaram sem pé nem cabeça. Acho que já se seguiu ali uma linha, né? O Silvio de Abreu sumiu com alguns personagens que ele não gostava.

?Voz A

Eu acho que o principal deles foi o personagem do Mário Lago, que virou uma pena, né? Porque é um dos personagens mais legais da novela.

FSFábio Sousa

Cristiano era um personagem muito bom, né? Era muito cínico, debochado, né, Soraya? E acabou reduzindo a uma cena por semana, né?

?Voz A

A gente brincava com isso. Gente, vamos ver a cena semanal do Mário Lago.

FSFábio Sousa

É, pois é, teve algumas coisas assim que a gente conseguiu identificar, mas a essência da novela ela permaneceu.

?Voz A

Soraya, você parou para pensar que o Silvio de Abreu nunca escalou Mário Lago numa novela dele?

FSFábio Sousa

Nunca. Escalou, Sorela. Acho que aqui, acho que pegou aquilo ali, viu?

?Voz A

Pegou. Nossa, vou ter que escrever para esse velho. O que será que aconteceu, gente? Pois é, jamais saberemos, jamais saberemos. Vai ficar caladinha, né, Sorela? Tá quieta.

FSFábio Sousa

Tudo aqui é supostamente, né?

?Voz A

É supostamente, gente, pelo amor de Deus. Não falamos nada, a gente só levantou a lebre. Geraldo Vietri. Geraldo Vietri, que é um dos autores mais personalísticos da nossa telenovela, muito centralizador, muito dono das suas histórias mesmo, né? Teve problema em 1980, gente, foi tenso. O que teve de autor trocado, né, João? Foi babado. O Geraldo Vietri estreava na Globo, né, depois de anos na Tupi, anos na Excelsior e tal. Ele foi na Globo, escreveu a novela chamada Olhar e os Íris no Campo, Sorella, 1980.

A novela tá completa, para nossa sorte. Vamos ver o que aconteceu lá, né? A gente vai ter a chance, né, Sorella, de ver o que aconteceu ali. E aí foi a única novela que o Gerardo Veto escreveu na Globo. A novela não foi sucesso popular, é, o texto era cheio de fragilidades e acabaram criando um impasse, tudo em choque, né? Foi choque de monstro, gente. Os estilos controladores de trabalho do diretor Evald Rossano e do autor Gerardo Vietri.

É, bicho, quando dois comandantes querem comandar o mesmo barco, né, só dá choque. E o Gerardo Vietri, gente, se vocês ouviram aquele episódio, que tem gente que, ai, a gente não conhece, eu não vou ouvir, gente. O Gerardo Vietri, ele dirigia todas as novelas que ele escrevia. Ele escrevia escrevia e dirigia. Não admitia uma cena trocada de lugar, tudo era cronometrado ali, tudo era muito esquematizado. Então ele não admitia troca, eliminação, supressão de cenas, cenas eliminadas.

Nossa, não, ele criava caso mesmo, tá? Ele não suportava interferência na obra dele, né, que o capítulo não fosse ao lado do jeito que ele escreveu, na ordem que ele escreveu, além de outros detalhes típicos de quem sempre comandou tantas novelas com mão de ferro, né, gente? Quando a gente é acostumado a mandar nas coisas, a gente não aceita mudanças. A direção desse podcast que um dia, né, a direção criativa é babado. E aí o que aconteceu?

Herval Rossano foi eliminando cenas, trocando outras de lugar, a situação entre os dois foi ficando cada vez mais complicada. E o que, e aí acabou causando o atraso na entrega dos capítulos. Se não estão tô aproveitando que eu tô escrevendo, então não vou sacanear, supostamente. E aí, gente, as relações se desgastaram e o resultado foi que a Globo demitiu o Geraldo Vieira. Não dá mais para segurar esse plot de coração. E aí, para concluir a trama, foi convocado o autor Wilson Rocha.

E olha aí, Os Filhos do Campo acabou reduzida, gente. A novela terminaria com 120 capítulos e acabou com 108. Curtindo Aliás, a gente vai sofrer assistindo, eu acho. E aí, na época, o Gerardo Vieira declarou, na época— eu gosto das novelas antigas porque os autores falavam, né? Tinha declaração, tinha entrevista. Hoje em dia não tem nada. Hoje em dia o substituto não pode mais nem se abrir a boca, é processo. Mas enfim, o Gerardo falou na época, abre aspas: tive que deixar de escrever a novela por motivos de saúde.

Há tempos que venho passando mal, com problema de circulação, E assim comecei a atrasar a entrega de capítulos. Infelizmente fui obrigada a abandonar a emissora e deixar meu trabalho pela metade. Sinto muito tudo isso que aconteceu, pois para mim era importante esse trabalho. Nunca tinha feito nada na Globo, tava me dedicando de verdade, mas não deu para continuar. São coisas que não se pode prever. E aí fico pensando, se foi apenas um simples problema de saúde, precisava fechar a emissora, a emissora não ia dar tempo para o autor se recuperar.

Não tinha acontecido isso com Cassiano na época dessa novela? Não tava acontecendo isso? Não substituiu, o autor ficou de molho, tanto que voltou 2 anos depois para voltar a escrever novela. Eu achei que o seu Gerardo quis dar uma maquiada na história. Ele não quis fazer barraco publicamente, mas também não quis fechar portas, né? Vai que eu preciso voltar E isso não aconteceu, né, infelizmente. Mas aí, João, Wilson Rocha substituiu o seu Geraldo e aconteceu a mesma coisa com ele na sequência, né, João? Olha só como são as coisas, né? Você pode contar essa história, Jota?

JDJoão Dantas

Substituiu e agora foi substituído, né?

?Voz A

É um ônibus.

JDJoão Dantas

Pois é. O autor Wilson Rocha, ele tava escrevendo a novela As Três Marias em 1980. As Três Marias, que se eu não me engano tá em fragmentos, né? Fragmentos. E aí, por conta do desinteresse do público pela novela, ela não fazia sucesso, né, era um flop.

?Voz A

A novela é chatíssima, a novela é chatíssima.

JDJoão Dantas

Exatamente, como você bem já disse, que a novela no início é muito chata. E aí, por conta dessa baixa audiência, de problemas pessoais do autor, tudo isso, né, foi juntando, foi acarretando aí o atraso Azul. Foi gerado atraso na entrega dos capítulos. Sabe que novela é aquilo, né? Produção tem que correr, gravar, não pode atrasar os capítulos. E aí, exato. E aí o Wilson Rocha acabou substituído por quem? Por aquele que sempre substituía, que era chamado para bombeiro, né?

Apagar os incêndios, segurar o rajadão, descascar uma castanha. Cascar o abacaxi, que era o Walter Negrão, né? O Walter Negrão assumiu a novela. A gente já contou isso no episódio dele recente, inclusive. Se vocês não ouviram, ouçam. E aí o Negrão assumiu a novela a partir do capítulo 65, né? Ele foi convocado às pressas para dar um jeito na novela. E aí o Negrão declarou, né, sobre isso. Ele falou o seguinte, abre aspas: a novela tinha cenários e ambientes modernos, mas os conflitos vividos pelos personagens eram muito antigos.

Da época em que o livro foi escrito, em 1938. Estou tentando atualizar esses conflitos, dando a eles uma carga de leveza e humor. Ou seja, novela tava datada, né, gente?

?Voz A

Provavelmente a novela, até a Raquel de Queiroz, que era autora do romance que a novela foi baseada, odiou. Ela também odiou a novela.

JDJoão Dantas

Enfim, autora original odiou Enfim, né, mas também a Raquel, porque era exodiável.

?Voz A

E a galera é muito chata. Nossa, um dos piores fragmentos que eu vi. Meu Deus, que chatice.

JDJoão Dantas

E aí foi que o Negrão fez, além do humor, além dessa atualização, ele também transformou a trama numa novela policial, né, através daquele recurso famigerado recurso quem matou. E de fato isso conseguiu prender a atenção do público na reta final e a novela engrenou. Então foi uma mudança que deu certo para obra no final das contas.

?Voz A

É, mas a novela Ai, meu Deus, era muito chato, terminou menos chata, tá? Você é bonzinho, você é bonzinho. Ai, ai. Agora o próximo caso é bem famoso, né, João? É bem famoso também, é o caso da novela O Amor é Nosso. Essa história é babado, né, João?

JDJoão Dantas

Essa história é babada, essa história é muito conhecida, é uma lenda nos corredores da Globo, né? Virou lenda já e acabou com os autores 2, né, que escreveu essa novela eram Roberto Freire e Wilson Aguiar Filho. O Amor é Nosso, né, no horário das 6, né, se não me engano, 6 e 7, às 7, lá em 1981. E foi um fracasso retumbante, afugentou o telespectador, afugentou o público, né. Reza a lenda que todas as fitas dessa novela foram apagadas pela Globo.

?Voz A

É, realmente não tem nada, né. Lenda que foi confirmada pelo Eric Bretas, né?

JDJoão Dantas

Enfim, não existe nada dessa novela, acho que só uma chamada, uma coisa muito pequena assim, muito pouco em relação à novela.

FSFábio Sousa

E aí o Walter Negrão, até uns anos atrás, até a abertura dela era desconhecida, né, Farela?

?Voz A

É verdade, não tinha, né? Nem a Globo tinha mais abertura.

JDJoão Dantas

Pois é. E aí o Walter Negrão, por conta dessa baixa audiência, foi chamado novamente para assumir os trabalhos. Ele ele assumiu a novela a partir do capítulo 80. E na época, né, cogitou-se uma saída semelhante a que Jeanette Clé tinha feito lá em Anastácia, né, uma tragédia.

?Voz A

E como não podia ter um terremoto, né, que diz que no Brasil não tem terremoto, né, gente, diz, né.

JDJoão Dantas

E aí ele iria fazer essa tragédia, ia tirar vários personagens do elenco que não estavam agradando. E aí seria um acidente de ônibus, né, seria desse ônibus, que vários personagens iam pegar esse ônibus, nesse ônibus da morte, né, como era chamado, e seriam eliminados, né. Mas acabou que isso não foi utilizado. E aí o Walter Negrão, ele fala o seguinte, abre aspas: como peguei a novela exatamente na metade, achei melhor encerrar algumas tramas propostas pelos outros autores para poder desenvolver a minha.

Assim, todos os personagens ligados ao lado policial da novela vão desaparecer porque pretendo destacar o lado romântico da história. Mas Mas não haverá ônibus da morte. Fecha.

?Voz A

Ah, poxa, podia ter tido, sei lá, talvez, talvez você salvaria a novela de ser apagada, né?

JDJoão Dantas

Tomaria atenção, né?

?Voz A

E aí o Negrão criou uma passagem de tempo na narrativa, né?

JDJoão Dantas

Não teve ônibus da morte, mas teve passagem de tempo que provocou mudanças no comportamento, na caracterização dos personagens, na transformação dos cenários, dos figurinos. Ele mudou tudo, mas mesmo assim a novela não aconteceu e terminou como um grande fracasso, né, um insucesso lá da TV Globo. Uma das novelas que consideram como a pior novela da história da Globo.

?Voz A

Inclusive, gente, eu achei, eu achei aqui um no Facebook, né, naquele grupo Mídia Perdida, naquele grupo de Facebook, eu achei um depoimento de uma pessoa que viu O Amor é Nosso na época. Eu li aquilo com tanta voracidade que eu copiei aquele depoimento. Imagina, gente, um dia eu vou usar isso no podcast. Acho que chegou o momento. Não usei no Negramas, vou usar aqui. É uma pessoa, um usuário do Facebook chamado Sérgio LP. Ele deu um depoimento sobre a novela, ele assistiu a novela na época e falou.

Eu posso ler, gente? Isso aqui é um arquivo ao vivo. É importante. Abre aspas: eu assisti a novela O Amor é Nosso, que foi excelente até a emissora desfigurar a história substituindo os autores originais, transformando a novela numa trama paralisada com histórias banais e sem aventuras ou emoções. Palavras de quem assistiu. Na novela O Amor é Nosso, Pedro vivia se indispondo com o pai, que protegeu o irmão por achar que o outro filho era mais maduro, equilibrado do que ele.

Já a mãe compensava a falta de atenção do pai com carinho e compreensão. Depois que Selma rompe seu namoro com Pedro e por interesse começa a namorar Cláudio, o irmão, por causa do sucesso dele na sua carreira de cantor, a situação se torna insustentável e Pedro acaba saindo de casa. Selma era interesseira, cretina mesmo, e deixou o Pedro para namorar seu irmão por interesse, porque Cláudio já estava encaminhado na carreira de músico.

Cláudio era interessado por Selma, mas ela gostava mesmo era de dinheiro. Teve uma cena de Selma que Pedro jogava essa verdade na cara de pau dela. Gente, eu tô sentindo ódio dele. As discussões de Pedro com Cláudio aumentaram por causa dessa situação e Cláudio não acreditava no irmão. Isso acelerou a saída de casa de Pedro. Nessa sinopse senti falta da personagem da Tininha, da atriz Guida Guilhom, na época esposa de Busa Ferraz, que encantava as cenas da novela andando de bicicleta pelas ruas com as roupas vaporosas figurino de sua personagem, sempre muito alegre, divertida e carismática.

Essa é aquela personagem inesquecível da novela que falava sozinha nas cenas e encantava o horário das 7 no ano de 81, graças ao autor Walter Negrão, que aceitou o papel de advogado do diabo para substituir os verdadeiros autores da novela, Roberto Freire e Wilson Aguiar Filho, interferir no destino dos personagens personagens criados inicialmente. Nunca saberemos a trajetória dessa personagem, que com as mudanças implementadas passou de exuberante a uma flor que murchou.

Sorela. Carmen Pepita Rodrigues era esposa do escroque do Sandoval, Jorge Dória, um homem grosseiro, arrogante, irritadiço, que não amava e tampouco tinha o menor cuidado, respeito e atenção com a esposa. Para vocês terem ideia, a música da Carmen, linda por sinal, na de Gal Costa na trilha sonora da novela tinha o nome Jogada pelo Mundo. Sofrida, infeliz e mal amada, ela desabafava sempre com Bruno, seu enteado, o jovem músico sensível que testemunhava e não aceitava o tratamento que seu pai dava à esposa.

Por esse motivo, Carmen se apaixona pelo enteado, bem mais jovem do que ela. E nós, telespectadores, não pudemos nos emocionar com essa trama porque a censura do golpe militar atrapalhou as emoções prometidas pelos autores aos telespectadores. Então a culpa não é do Walter Negrão, que ele odeia o Walter Negrão, gente. Sandra era uma mulher linda, culta e inteligente, mas tinha que cumprir o papel de antagonista da mocinha Nina, correndo atrás do mocinho que não era apaixonado por ela até o último capítulo da novela.

Sandra acaba por terminar a novela sozinha, como não poderia deixar de ser a todas aquelas que não possuem amor próprio. Kátia D'Ângelo estava linda como Sandra em Um Amor É Nosso, auxiliada por um figurino e maquiagem exuberantes e joviais. Ela e Guida Guilhom eram as atrizes mais bonitas da novela e também possuíam músicas, respectivamente Abre Coração e Para Ser o Sol, das suas personagens, entre as mais bonitas da trilha sonora da novela.

Isso numa trilha sonora fabulosa e impecável. Tá acabando, gente. Padre Leonardo, Estênio Garcia, destaque para a música desse personagem na trilha sonora. A música Sentinela, de Milton Nascimento, com participação de Nanda Caymmi e o coro de beneditinos em um canto gregoriano, inicia a história com a suspeita de estar envolvido na suposta gravidez de Cíntia, Simone Carvalho, assim como seu ex-namorado da República de Estudantes.

Sendo que a personagem Cíntia desaparece logo no início da novela, gerando outra dúvida de que a personagem estava desaparecida ou teria sido vítima de aborto. Essa possibilidade foi comentada nos diálogos da novela ainda nos primeiros capítulos, e a trama desse personagem prometia excelentes emoções por indicar a possibilidade de um padre estar envolvido na história. Mas a censura do golpe militar atrapalhou as emoções prometidas pelos autores aos telespectadores.

Quando não é o Valdo Negrão, é a censura. Tônia Carreiro— tá acabando— Tônia Carreiro era a personagem mais luminosa e cativante da novela com sua gilda, sempre de bom humor, alto astral e dinâmica. Suas melhores cenas serão com a cantora Marlene, Ariel Coelho e as crianças. Sua personagem termina com um novo amor, Valmão Chagas, que chega no final da trama sem que os telespectadores soubessem que esse personagem estava previsto anteriormente pelos verdadeiros autores, Roberto Freire e Wilson Aguiar Filho, como se for uma invenção do autor Walter Negrão, que aceitou o papel de advogado do diabo para substituir os autores ordinários.

Milton Moraes, o excelente ator que dispensa comentários, com personagem que prometia muitas emoções, com personagem desonesto. Mas de novo, gente, repetindo, a censura do golpe militar atrapalhou as emoções prometidas pelos autores aos telespectadores, e Walter Negrão ajudou botando a mão na massa e fazendo trabalho sujo. A cantora Marlene estava excelente defendendo a cantora Maíra, que não se conformava conformável com a mudança na carreira, que antes era uma cantora famosa e aclamada, e pela mudança natural dos tempos passa a ser uma ex-cantora apenas.

Meu pai não pediu uma cena sequer de sua cantora preferida de rádio. Será que o pai dele que gravou as cenas da Marlene naqueles vídeos? Sempre não sei. Gilda termina com um novo amor. Ah, Sérgio, tu tá se repetindo! Depois de uma semana afastada da novela, e que semana monótona sem a personagem principal da novela, Nina Miriam Hill se retorna de sua viagem Unidos e ser um final feliz com Pedro, Fábio Jorge. E assim termina o texto, o depoimento do Sérgio LP sobre O Amor é Nosso.

É isso, gente, opinião de quem viu a novela na época. E sim, ele gostava. E sim, a novela era boa. E sim, a Globo foi tonta de ter queimado a novela. Próximo caso, gente: Benedito Ruy Barbosa. De novo, seu Benedito. Seu Benedito foi substituído. É, Benedito Ruy Barbosa escrevia a novela Os Imigrantes desde 1981, com mais de 200 capítulos, e um projeto difícil. Seu Bené tava estafado com excesso de trabalho e ele largou a roteirização da novela Os Imigrantes e foi recontratado pela Globo, onde foi escrever a novela Paraíso.

E o que aconteceu com os imigrantes, gente? Wilson Aguiar Filho é ser demitido da Globo por conta do fracasso de O Amor é Nosso, juntamente com a Renata Palottini, assumiu a autoria da penúltima fase da novela a partir do capítulo 313, dando continuidade à saga. E aí o Benedito, o que que fez? Em vez de ficar cuidando da novela dele, ficou comentando na imprensa o que ele tava Bolacha dos Imigrantes. Ele criticou o desenrolar da história pelos novos autores, ele ameaçou divulgar o que havia pensado para desenvolver o resto da novela se não tivesse deixado.

E aí o Wilson e a Renata passaram por maus bocados com as pressões por EBAC e por um respeito às fases que eles não haviam escrito, mas as quais receberam a incumbência de dar prosseguimento. E aí os novos autores criaram a última fase da novela chamada Os Imigrantes: Terceira que abordava a morte dos imigrantes e a continuidade da saga, agora contada pelos filhos e pelos netos dos imigrantes. A terceira geração movimentou a novela com personagens remanescentes das fases anteriores, porém encerrou melancolicamente o filão inicial mantido no ar pela Bandeirantes por mais de um ano, com audiência bem a menos da metade do que nos primeiros meses.

A terceira geração acabou descaracterizando de vez a excelente proposta apóstrofe inicial de Benedito Rui Barbosa. Tanto que quando toda vez que Os Imigrantes é reprisada, eles raramente exibem a fase na terceira geração, termina mesmo na morte deles. Acabou.

JDJoão Dantas

Mas aí assim, com todo respeito ao Benedito, ele criticou, falou mal, disse que não era assim que tinha pensado. Mas por que que ele saiu então?

?Voz A

Por que que ele saiu? Por que que não terminou?

JDJoão Dantas

Pois é, né? Ele sempre escreve com as filhas. Eu não sei se na época as filhas já colaboravam, né? Mas assim, né, ter indicado alguém da confiança dele para ele tirar uma folga, uns dias de folga.

?Voz A

Ah, e o mal era sono, o mal era sono.

JDJoão Dantas

Mas aí foi escrever Paraíso na Globo, gente, vai escrever novela, sabe?

?Voz A

Em vez de ficar cuidando da novela que largou, vai entender, né, gente? Gente, é complicado, é complicado, é difícil. Eu acho que se um dia acontecesse de eu largar o critério de programação e vir meu substituto aqui, eu também estaria criticando no Twitter, estaria falando mal. E assim, esse Benedito da vida, enfim. Aí o João ia mandar Twitter: cala a boca, que mandou tu largar, filho da puta! Pois é, é isso. E a Soraya lançar um, e a Soraya colocar um meme também, é dessas.

E aí essa é uma briga pública, é menino. Outro caso famoso, sorela. Não, antes desse caso famoso, eu pedi para o João ler o caso do Jorge Andrade. Acho interessante, João.

JDJoão Dantas

Também lá na Band, ou seja, a Band era movimentada, né?

?Voz A

É, gente, a Band aconteceu tudo na Band, né?

JDJoão Dantas

Nos anos 80 ali, lá em 82, a Band produziu uma novela chamada Os Adolescentes. Essa novela era escrita pela Dona Ivani Ribeiro. A gente também já contou essa história no episódio sobre a obra dela, né, um episódio em 3 partes, tanto na obra dela como na obra dele, né, tá lá nos 2 episódios. Eu acho que, né, eu não sei se esse episódio dela já tá no ar, eu creio que não, mas em breve ele vai voltar. E aí, tanto a Band como a Ivane Ribeiro, a proposta inicial era contar, retratar, né, os anseios, os problemas dos jovens da geração 80, né, fazer uma novela reportagem sobre isso, né.

Novela reportagem com esse tema bem específico, retratar os problemas, as angústias, os sonhos da época, gente.

?Voz A

Não era uma malhação da época, mas, né, João, o que aconteceu?

JDJoão Dantas

Mas a Dona Ivani recebeu um convite da Globo, ela foi contratada pela Globo, né, transferiu-se para Globo e deixou a Bandeirantes logo no início da novela. Ela fez o Benedito, pois é, ela fez o Benedito, recebeu um propósito melhor provavelmente. E aí a partir do capítulo 55, o Jorge Andrade assumiu a novela, né? Ele assumiu a autoria titular da novela e manteve, né, a espinha dorsal da trama, né, a ideia central da Ivani, mas inseriu novos personagens, tirou alguns que não estavam agradando e continuou o universo criado por Dona Ivani Ribeiro.

?Voz A

É, menina, é isso aí. Agora, outro caso famosíssimo, né, Bike Ella, caso famoso, né, que a gente conhece. Manuel Carlos, gente, sim, Manuel Carlos também foi substituído, né, Sônia? E foi um caso muito triste. Temos os registros dessa troca, os fragmentos, né, que foi em Sol de Verão, né, Sônia? Lá em 82, 83. Você pode contar essa história para o nosso público?

FSFábio Sousa

Pois é, Sônia, essa história já foi contada, né, no episódio do Maneco, né, porque é uma parte bem traumática da carreira da vida dele, né? É um momento, foi um momento muito difícil, né, que foi Sol de Verão, né? Uma novela, né, como a Sorella falou, exibida entre 82 e 83, né, aonde o Maneco escreveu a novela especialmente para o ator Jardel Filho, que era seu amigo pessoal e que vivia o protagonista Heitor. O Jardel, ele ele participou diretamente da criação da sinopse da novela.

?Voz A

Ou seja, nossa, era um personagem escrito praticamente a quatro mãos, né, Sorella? Nossa.

FSFábio Sousa

Sendo que o Jardel morreu 4 meses depois da estreia da novela, em fevereiro de 83. Eu lembro que foi na semana do Carnaval, foi acho que na quarta-feira de cinza, uma coisa assim. Eu sei que foi perto do Carnaval, né, de infarto fulminante. Sorella, deu nem para socorrer. A morte dele causou comoção nacional, Abalou todo mundo que fazia novela, autor, diretor, elenco, toda equipe técnica, produção. Mas no clima, né, Sorella?

?Voz A

Como é que você vai gravar? Eu lembro aquele vídeo da Irene Ravache devastada da entrevista.

FSFábio Sousa

Nossa, é, imagina como é que se grava depois de uma situação dessa.

?Voz A

Como se grava, né?

FSFábio Sousa

Como é que se continua trabalhando desse jeito, né? Então, com a partida precoce, né, do Jardel, a Globo decidiu então encurtar Sol de Verão, né? Só que a substituta dela, que era Louco Amor, Gilberto Braga ainda não tava pronta, né? Na verdade, não tinha nem sequer entrado em pré-produção, né? O Maneco então alegou que ele não conseguiria levar a trama adiante e pediu para sair. E consequentemente acabou nem sequer renovando o contrato com a emissora, tendo logo depois para Manchete, né?

Que foi quando ele voltou ao trabalho, foi na Rede Manchete, né? Com aquela reestruturação da dramaturgia. Quando Zé Delivery foi para lá, né, ela levou um monte de gente, né? Depois de Rock Santeiro, aquela coisa toda. É, alguns anos depois foi quando o Maneco voltou para televisão Mas na época ele não quis saber da novela, da emissora, não quis saber mais de nada.

?Voz A

Ele ficou realmente muito mal disso. É verdade, tá tudo aqui dentro.

FSFábio Sousa

É, pois é, né, Sorella? Porque Jesus Cristo já dizia que existem amigos que são mais chegados do que o irmão, né? Então uma amizade, quando ela é muito forte, acaba com qualquer um. A perda dessa, ainda mais repentina, né, Sorella? Que você não se prepara, a pessoa não espera.

?Voz A

É diferente, né, de uma pessoa doente que já se se preparando aos poucos, né, do que uma pessoa que vai embora do nada, né. É diferente.

FSFábio Sousa

Agora olha a história, né. Lauro César Muniz tinha sido demitido da Globo na época de O Gigante, que contamos agora há pouco, né. Foi recrutado então para finalizar a novela. Olha só, tendo, né, assistindo a novela. Então ele foi auxiliado pelos atores Jean-Francisco Guarnieri e Paulo Figueiredo, né, que tava no elenco. O Lauro escreveu os 17 capítulos finais, né, antecipou o fim da novela em 2 meses, não tinha muito o que se fazer ali, porque seria uma tortura obrigar aqueles atores a permanecer mais 2, 3 meses gravando aquela novela, né?

E na sequência a Globo exibiu um compacto da novela O Casarão, que tinha ido ao ar no final dos anos 70, né?

?Voz A

É uma maneira de agradecer pelos serviços prestados, enfim, por ter, é, exato, aí escreveu ali, recebeu ali um compacto de O Casarão, Casarão em 3 semanas, né?

FSFábio Sousa

E logo depois foi quando estreou aí Neta Louco Amor, né? Que aí também aceleraram a produção da novela para também o Casarão não ficar ocupando horário nobre, né? Uma reprise ficar ocupando horário nobre da emissora durante muito tempo.

?Voz A

É exatamente, é isso aí, é, menina. E no fragmento, pessoal, vendo, tem tudo isso, gente. Tem o capítulo logo depois da morte do Jardel, tem os capítulos do Lauro novelas que ele escreveu. Tem um compacto com todos os capítulos resumidos num só. Enfim, tem tudo, gente. É uma novela sufocante de ver mesmo, bem pesada, né? A gente imagina até o clima, né? Infelizmente desmotiva mesmo. Então a gente vai parar por aqui porque já tá tarde pra gente, estamos cansados, né?

Então espero que vocês tenham curtido. Então é um abraço, um beijo, aperto de mão, e a gente se encontra semana que vem com mais critérios de programação. Então um beijo, um abraço, e de novo tô repetindo, tchau gente, até semana que vem com mais critérios.

JDJoão Dantas

Beijo, até semana que vem.

?Voz A

Tchau gente, até a próxima, continuem nos apoiando, tragam mais apoiadores, falem da gente para mãe, para pai, para vizinho, para o periquito, para o papagaio, recomendem, né, recomendem. E é isso.

JDJoão Dantas

Não acabou não, vem cá, vem, vem!

?Voz A

Oi, gente, interrompendo esse episódio que vocês devem estar adorando, se divertindo bastante, para nós colocarmos aqui alguns trechos de um tributo que nós fizemos em homenagem às duas grandes atrizes que nos deixaram na última semana, Laura Cardoso e Glória Menezes. Nós gravamos um tributo mais completo no episódio Apoiadores de número 79, E para quem quiser ouvir completo, seja apoiador no apoia.se/ptprogramação. Aqui nós vamos colocar alguns trechos dessa homenagem para essas duas grandes atrizes que tanto contribuíram para a nossa teledramaturgia, o cinema, o teatro, enfim, para as artes brasileiras.

Então fica aqui a nossa homenagem e a gente se encontra. E para encerrar esse episódio, a gente dedica a duas grandes atrizes que nos deixaram na semana passada, é Glória Menezes e Laura Cardoso. A Glória nos deixou aos 91 anos de idade, a Laura aos 98. Ou seja, né, Sorella, não é o momento de ficar triste porque é uma perda, mas gente, ninguém fica para semente, é o destino, né? A gente nasce, cresce, se reproduz, envelhece e morre.

É assim que a vida é. O importante é o legado que a gente deixa. E que legado essas duas deixaram, né, amiga? Se a Laura Cardoso era a operária das artes, né, a gente sempre viu essa grande atriz nas novelas fazendo avó, a mãe e tudo, a Glória era a estrela, né, a diva, a maior que a gente teve aqui nesse país, né. A gente até falou muito sobre a Glória vezes naquele episódio das rainhas das novelas, né, onde a gente falou das grandes protagonistas das novelas. A Glória fez muitas, né?

JDJoão Dantas

Se a gente pensar, ela é a primeira protagonista, né?

?Voz A

Porque é a primeira novela diária, foi com ela.

JDJoão Dantas

Exato, né? O primeiro casal, né? Aquela coisa dela com Tarcísio, casal que transporta da tela para a vida real. Então realmente ela foi a grande estrela, né? Grandes papéis.

?Voz A

Primeira novela da Glória que eu vi, que eu conheci Glória japoneses, foi justamente um dos grandes papéis dela, um dos papéis mais memoráveis, que foi Laurinha Figueiroa em Rainha da Sucata, né? Sou a sucateira ordinária, sua vida acaba agora!

FSFábio Sousa

Laurinha!

?Voz A

Foi a primeira vez que eu a vi ali atuando, né? E, gente, eu achava Laurinha chique. Apesar de criança, a gente aprende que tem que torcer pela mocinha, né? Mas eu achava Laurinha chiquérrima, elegância e tudo. E quando a gente vai tendo a maturidade né, a maturidade de entender as nuances da personagem, que a gente tem essas, né. A gente vai entendendo porque que a Laurinha é daquele jeito, né. Foi a primeira personagem que eu conheci.

É minha preferida? Não sei dizer, porque falta muita coisa dela que eu gostaria de ver. Tem muito trabalho dela em televisão que não existe mais, né. Mas eu gosto muito de Ana Preta de Pai Herói. Eu adoro Ana Preta, acho que é uma das melhores interpretações dela. Teresa em Culpa Cuca, a gente conheceu recentemente, né. Né, Sorella? Que nossa, que bom que a gente pôde ver aquela atuação irrepreensível da Glória, o que é a cena onde ela revela a farsa do diabo.

Meu Deus, pena que voltou essa semana, né, Sorella? Voltou essa semana essa cena, né? Eu vi muita gente no Twitter relembrando essa cena, esse grande, um grande momento da carreira da Glória. Exatamente, exatamente. A Glória teve muitos bons momentos. Eu acho, eu acho Acho muito curioso que as pessoas, elas lembram muito de Brad Chic. Rosemary, uma personagem tão boa quanto assim, sabe?

FSFábio Sousa

Acho que a Glória esteve divina naquela novela.

?Voz A

Divina, divina. Só olha o que é a cena dela falando que não podia falar mais palavrão. E Rafaela falou: não, Rosemary, fale, você tem, pode falar uma palavra mais assim na minha casa. Eu posso? Pode. Posso mesmo? Pode. Você me autoriza? Gente, eu morro com aquelas. Eu vou ser grandissíssimo filho da— olha que você é um grandissíssimo— e censurando as palavrões, o povo chocado, né, gente? Ou seja, driblando a censura, né? Olha só.

Ai, enfim, Roberta Leone de Guerra do Sexo é maravilhosa. Quero conhecer a Jordana de Jogo da Vida, que aparenta ser uma grande personagem. Enfim, gente, quanto mais glória, melhor para a gente conhecer. E é isso, deixou um grande legado. E eu tava vendo nas redes sociais, mandaram para gente Gente, o povo lá criticando porque a família comprou, comprou um caixão de R$1 milhão para Dona Glória. Gente, povo criticando, meu amor.

Achei barato, eu achei barato, meu amor. Se tem R$1 milhão para dar no caixão, dê. Quem não pode dar sou eu, que não tem onde cair morta. Mas ela, Glorinha, imorta, merece do bom e do melhor. E calem a boca! E eu quero que você vá para Cale a boca! Exatamente, é pouco até para você.

JDJoão Dantas

Até eu compartilhei esse link e primeiro de tudo o povo tira as informações do rabo, né? Como tiraram a informação pela Laura Cardoso, só tinha feito Vidas Cruzadas na Record. Gente, falta pesquisa, falta pesquisa para você, falta pesquisa. Porque a Laura Cardoso fez na Record várias novelas nos anos 90, fez Os Deuses Estão Mortos, fez Pupilas do Senhor Retor, é, fez Sol Amarelo, fez enfim acho que umas 5, 6 novelas ali. O pessoal pulou tudo, só falou de Vidas Cruzadas.

Aí a única novela que a Dona Laura fez fora da Globo, gente, Tupi. A mulher fez na Band, fez na Excélsior, fez na Band, e o povo esqueceu, é, não pesquisou nada.

?Voz A

Mas só ela a gente vai exigir o quê?

FSFábio Sousa

Se inventaram até uma personagem para ela em Senhora do Cristino, Soraya, como Mãe da Nazaré.

?Voz A

Olha que absurdo, gente! Quando eu li aquilo, até questionei minha sanidade. Gente, eu vi essa novela 3 vezes, eu não lembro dessa Dona Lusitana, não lembro. Aí não, gente, não lembro porque não existiu, não tem isso, nunca teve.

JDJoão Dantas

E aí, só para complementar esse negócio do caixão da Glória, né, que eu vi, não tem nenhuma informação de ninguém da família em nenhum lugar, nenhuma notícia notícia de que esse caixão teria custado R$1 milhão. E poderia ter custado R$1 milhão, R$2 milhões, R$3 milhões. O dinheiro era dela, ela fazia o que bem entendesse com o dinheiro.

?Voz A

Ah, porque outra coisa, outra coisa, se foi a família que comprou, a família deve do Glória, ela trabalhou a vida toda para todo mundo viver bem, ajudar tantas pessoas.

JDJoão Dantas

Gente, a Glória ajudou só para mim, ela tinha aceitado a neta trans, já foi. Vocês viram, né, que ela aceitou assim perguntar, ah, é trans. E daí, qual o problema, sabe? Então já demonstra que era uma pessoa que tinha uma sensibilidade, construiu uma carreira, um respeito, né, com tudo. Então assim, acho que o pessoal caga demais regra, e principalmente quando alguém morre.

?Voz A

Nossa, ai, quer dar dinheiro para os pobres, gente do céu! O povo acha que a pessoa rica tem obrigação de dar dinheiro para o pobre, gente. E por que que não cobram isso dos políticos? Essa gente de poder, exatamente. E Laura Cardoso, né? O que dizer de Dona Laura, né? Que dizer de Dona Laura? Eu adorava Zorostra, amava.

FSFábio Sousa

E o crédito, né, só que ela vinha como atriz especialmente convidada, né?

?Voz A

Era todo mundo que vinha com essa honraria, né? Foram poucos atores que tinham esse crédito tão especial, né? Exato. Eu lembro, só ela, que a primeira novela assim que eu me lembro da Glória Menezes que eu aquela figura foi a Laurinha Figueiroa na reprise de Rainha da Sucata, acho que por volta do 94, eu acho. Olha isso, aí foi a primeira vez que eu a vi. Mas eu, eu gosto muito, Sorella, eu gosto muito da Baby de Deus nos Acuda.

Não, Deus nos Acuda é maravilhosa, verdade. É a Baby, eu adorava a Baby. Como eu falei, eu gostava muito da Zora Oastra, trabalho muito sensível dela em Senhora do Destino, né, Sorella? Uma coisa magnífica, né? A Glória Menezes esteve nessa novela, né? E eu lembro que, Sorella, eu gostava muito também da Júlia Braga de A Próxima Vítima. Ai, Sorella, tô triste quando a Júlia morre, sabe? Quando a Júlia morre, meu Deus!

JDJoão Dantas

Nossa, gente, por que fazer isso? Não, para que fazer isso?

?Voz A

Não, ai, maravilhoso! E o meu, o meu, a minha querida, né, enfim, a minha personagem do coração da Glória é a Teresa do Corpo a Corpo. Não, ameaça não! Ai, Sorella, aquilo era tão bom! Sorella, a gente se deliciou muito, Sorella, com aquilo. Nossa, gente, vocês têm noção dos áudios gigantescos que eu e sua era trocarmos toda semana depois de ver os capítulos de corpo a corpo. Nossa, gente, nossa, é um must, era maravilhosa.

JDJoão Dantas

Eu gosto muito da Dona Coló, a participação que ela faz. Acho que a primeira vítima, né, da Ademão, uma das primeiras vítimas que a Ademão envenena lá com suco de mangaba, né? E falando em mortes, a morte da Lalinha, eu acho uma das cenas mais bonitas de morte. Lindíssima, lindíssima. Acho que o Tarcísio lê para ela, uma coisa assim, que é muito linda essa cena. E como vocês falaram, tem muitas personagens icônicas, né? A Júlia Braga, que a gente já falou, a Baronesa Laura de Senhora do Destino.

Tem uma cena que eu acho muito boa, que ela tem um rompante e chama a Gisela, né, a Ângela Vieira, de, acho que é piruda e simulada, uma coisa assim. E ela estática, ela fica estática assim, a Gisela. Então assim, fez grandes papéis, grandes trabalhos, e é uma perda irreparável, né, para teledramaturgia. É um amigo meu me indicou para ver O Pagador de Promessas, que disse que ela tá totalmente despida de vaidades no filme, né.

Então já procurei até para ver, acho que tem na Tela Brasil. E Dona Laura Cardoso. E Dona Laura, acho que o primeiro papel que eu lembro assim de marcante, claro que já tinha a Isaura, né, de Mulheres de Areia e tal, aquela coisa. Mas para mim, o que me marcou muito foi a Dona Guiomar de A Viagem, principalmente quando ela tá aleixandrada, possuída pelo Alexandre. Porque nossa, ela começava a ter uns calafrios, umas olhadas, ela mudava totalmente a feição, né?

Um trabalho corporal ali, impossível não ficar com medo da Dona Guiomar, né, quando ela tava obsediada pelo espírito do Alexandre. A tua carinha de anjo Não me engana mais. Dona Carmen de Chocolate com Pimenta também. E aí, para elogiar a avó, né, achei tão bonito que a Mariana Ximenes postou, né, que ficou órfã novamente. Ela foi a Irene, né, e a favorita é a Dona Carmen de Chocolate. E a Dona Carmen tinha cenas muito bonitas, tudo é lindo, reencontro delas.

A cena do casamento que ela dá o buquê para Dona Carmen, ela pede para o Danilo pedir para momento, trazer a Nina de volta. São cenas simples, são cenas singelas, mas que demonstram o talento, né, tá? O grande talento da Laura Cardoso. E assim, a gente precisa elogiar a Valcy, que deu muitos bons personagens para Dona Laura, a vovó, a Dona Caetana, né? Ai, cheguei aqui, os machos! Foi um macho, um macho que me trouxe.

?Voz A

Mais um dia que começa nessa nossa vida de quenga. Dona Doroteia, de Gabriela. Alguém me liga, Ela, da Juliana Paes. Não, mas todo mundo lembra da Dona Dorotéia.

JDJoão Dantas

Vida de king é que ela é bom.

?Voz A

Se eu tivesse que me pagasse, eu ia com gosto. Muito bom, gente.

FSFábio Sousa

Vida de king é que ela é bom. Se tivesse alguém que me pagasse agora, eu ainda ia com Dona Sinhá, né, gente?

?Voz A

É um Dona Sinhá, é o que se salvava de Sol Nascente, né? É o que se salvava de Sol Nascente. Mas eu conheci Dona Laura em Rainha da Sucata, uma participação de ela fazer a mãe do Renato Maia, daquela cena que ela grita para matar o Onofre: vai, Onofre, esmaga essa lesma nojenta! Aí eu: gente, Mas eu conheci Dona Laura mesmo para valer foi no Mundo da Lua e em Felicidade. Dona Cândida, mãe do Tony Ramos na novela, que atuação, que atuação!

Eu acho até que Felicidade deveria ser reprisada para a gente conhecer, para muita gente conhecer essa brilhante personagem que ela fez, uma avó terna, carinhosa, justa, né? Dona Isaura de Mulher de Areia, a baba Soraya de Explode Coração, Dona Guiomar de A Viagem, a Sinhana de Mãos Coragem, é, Tia Ruth de Salça e Merengue, era maravilhosa aquelas tiradas ácidas que ela soltava. Enfim, ai, gente, a Silvana de A Padroeira, Madalena de Esperança, a Vó Carmen de Chocolate com Pimenta, a gente já falou, a Francisquinha de Como Uma Onda, é, enfim, grandes papéis, grandes.

Ela, eu amava odiar ela como a Láxime de Caminho das Insiders. Nossa, velha chata, sorela! Como é que chamavam ela? Era, ai, não era, não era Baba. Baba explode coração. Era, esqueci o nome, tinha um nome lá, tipo assim, vovó, mas não sei como é que fala, não lembro mais. Você devia ter me deixado atirar na pira do meu marido, mas você não deixou.

JDJoão Dantas

Enfim, gente, nossa, muitos grandes papéis e papéis Tem uma grande cena de revelação, né, no último capítulo, contando, né, para o Xancay, para o Opacho, que eles são pai e filho. Gente, eu acho que ela, né, exatamente. Meu Deus, que atuação dos três, ó! Que o Opacho vai tentar bater, né, no Xancay. Ela: não levanta a mão! Você não— como não se reconheceram? Um é o espelho do outro.

?Voz A

Nossa, gente! Ai, até me arrepio, João, né? Araguaia, Gabriela, Bugiúgra fez uma participação, Império, Sol Nascente, Dona Caetã, que foi o último grande papel dela, né? Dona Caetana, que era para morrer na primeira fase e ficou até o fim e brilhou, né? E brilhou, Dona Caetana. Enfim, né, a gente só nos resta agradecer tanto a Dona Glória como a Dona Laura pela imensa contribuição que elas deram para a teledramaturgia brasileira, para o teatro, para o cinema.

E é isso, viva Dona Glória, viva Dona Laura! Obrigado por tudo. Amo-te como doer. Das velhas penas, com sorrisos, com lágrimas, de prece e a fé da minha infância ingênua e forte. Amo-te até das coisas mais pequenas, por toda a vida. E se Deus assim o quisesse, ainda mais te amarei depois da morte.

FSFábio Sousa

Dona Sinhá está de volta ao Arraial do Tomar Gente!

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