Episódios de Papo no Auge!

Ep. 243 - Dizem que o amor atrai: a biografia-reportagem de Djavan

08 de maio de 202630min
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A trajetória de Djavan ganha novas camadas na biografia-reportagem Dizem que o amor atrai, livro que revela não só o artista, mas o homem por trás da obra.

No episódio 243 do podcast Papo no Auge!, conversamos com o autor do livro, o Professor doutor Tiago Ramos e Mattos, para explorar os bastidores e inspirações que moldaram uma das vozes mais singulares da música brasileira, a completar 50 anos de carreira e que embalou muita gente por aí.

Quer saber mais sobre a vida e a obra do artista alagoano? Ouça então o episódio 243 do Papo no Auge!

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Participantes neste episódio2
S

Saulo Novaes

HostApresentador
T

Tiago Ramos e Mattos

ConvidadoProfessor doutor
Assuntos6
  • Historia do FrevoDjavan · Dizem que o amor atrai · 50 anos de carreira · Música popular brasileira
  • Legado e aprendizadosSuperação de adversidades · Trajetória de artista negro nordestino · Importância do violão
  • Processo criativo e inspiraçãoShow ao vivo do Djavan · Pesquisa e entrevistas · Enunciados do Djavan
  • Interpretação das letrasAçaí (música) · Crítica musical · Simbolismo e oralidade
  • Mudancas Consumo MusicalDiversidade de ritmos · Salsa, jazz, blues, rock and roll, reggae · Plurissignificado sonoro
  • Zonas de sombra e polêmicasTremor essencial · Declaração em 2018 sobre Bolsonaro · Música Farinha
Transcrição73 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Fala minhas amigas, fala meus amigos, tudo jóia? Eu sou Saulo Novaes e você está no Papo no Auge, um programa voltado à troca de ideias, gerando conteúdo muito inteligente por essas ondas sonoras, sempre um especialista por episódio, muito conhecimento sendo gerado de modo a amplificar a voz da ciência, a voz docente, a voz da educação. Esse é o nosso propósito. Vamos para o Auge em 2026.

trajetória de Djavan ganha novas camadas na biografia reportagem. Dizem que o amor atrai, publicada recentemente, e que revela não só o artista, mas o homem por trás da obra. Neste episódio do Papo no Auge, conversamos com o autor do livro...

o professor Tiago Ramos e Matos, para explorar os bastidores e inspirações que moldaram uma das vozes mais singulares, mais emblemáticas da música brasileira, que completa 50 anos de carreira e que embalou muita gente por aí, inclusive esse que vos fala. O professor Tiago Ramos e Matos é doutor em língua portuguesa pela PUC de São Paulo.

já esteve aqui no Papo no Auge em outra oportunidade falando sobre a vida e trajetória do Silvio Santos ele é autor dos livros Silvio Santos vem aí, a biografia, a reportagem do patrão e a letra A tem meu nome professor Tiago, bom tê-lo aqui de volta ao Papo no Auge gratidão por sua presença ilustre em nosso programa, agora para falar de outra figura tão importante quanto, não é professor? o cantor Alagoano de Javan para começo de conversa o cantor Alagoano de Javan

Por que escrever sobre a vida e a obra do intérprete de Oceano, Samurai, Linha do Equador, Flor de Lis e por aí vai? Quem é esse artista alagoano? Para quem não conhece o público mais jovem, 40 a mais, deve saber quem é o Djavan. Bem-vindo, professor. Muito obrigado, Saulo. É um prazer estar aqui novamente. Eu estou feliz, fiquei feliz com o convite.

E só tenho uma observação a fazer, que é o seguinte, o livro está no prelo, ele não foi publicado ainda, ele vai ser publicado em meados de agosto, mas a gente já começou a divulgação desse livro, porque a gente pensou em pegar carona no começo da turnê do Djavan, que é turnê 50 anos, só sucessos.

Então, eu já estou escrevendo o livro há um tempo, né? Eu acho que, com tudo, com tudo, assim, eu já, em tempo de pesquisa e de escrita propriamente dita, né? Já estou nesse processo há uns três anos, mais ou menos, né? E aí, agora, a gente resolveu publicar no ano em que ele completa 50 anos de carreira.

E é um livro que me deu muito prazer de escrever, e eu decidi escrever sobre o Djavan, porque na minha modesta opinião, ele é o maior da música popular brasileira, eu acho ele incomparável, ele tem um estilo muito próprio, realmente...

É inquestionável o talento dele, a capacidade como compositor, né? E a qualidade também de letra, né? De melodia, né? E mais do que isso, né? As inúmeras parcerias que ele fez ao longo da vida, né? Ele compôs com muita gente, assim, né? Então é um material absolutamente vasto, né? De produção, né? Que ele tem. E...

E eu acho que verdadeiramente o que me inspirou mesmo a escrever sobre ele foi quando eu vi o show dele ao vivo pela primeira vez. Foi na turnê do Disco D, em 2024. Eu tinha acabado de começar a namorar a Araceli, que hoje é minha esposa. E a gente foi ao show do Djavan.

ali naquela turnê, ali naquele disco, assim, e eu não parava de chorar, cara, assim, eu fiquei emocionadíssimo, né, e eu não acreditei naquilo que eu tava vendo, assim, porque o show dele ao vivo é muito bom, né, ele é muito bom, assim, sabe, tudo, assim, né, o cenário, os músicos, o palco, a dança, tudo, então, assim, eu fiquei impressionadíssimo, e naquela ocasião eu comentei com a minha esposa, né, falei...

eu queria escrever alguma coisa do Djavan, um artigo, alguma coisa, na verdade eu sugeri, eu falei assim, será que eu levo um livro do Silvio para ele, né, aí ela falou, não, não, eu acho melhor você escrever alguma coisa sobre ele, né, e eu pensei em alguma coisa menor a princípio, um artigo, né, alguma coisa, a duas mãos talvez, porque ela também é pesquisadora, né.

E aí a gente foi, a gente foi pesquisando, foi pesquisando, a gente foi a Maceió, eu entrevistei a família dele, e aí eu entrei em contato com inúmeros enunciados dele, frases que ele disse ao longo da vida, então eu falei, não, eu acho que isso precisa virar um livro, e tá aí, tá aí, tá no pré-lançamento.

e a gente está com grande expectativa que seja um sucesso e que ele goste do livro porque na verdade foi uma homenagem a ele então é isso eu fiquei feliz de escrever esse livro e estou com grandes expectativas de que seja um livro que as pessoas gostem e tenham o prazer de ler

Show de bola, professor. Veja, primeiro ressalva feita, né? O livro ainda tá no prelo, lançamento em agosto, né? A expectativa, professor, tenho certeza que vai ser mais um grande livro. Olha, e outra coisa, o Djavan, ele de fato embala casais. Eu lembro que eu fui no show dele ali na década de 2000, na época eu namorava com outra pessoa, né? Não era minha atual esposa.

E eu fiquei, de fato, também mais uma... Assim como o senhor encantado pelo show do Djavan, o cara é um mestre, é um monstro sagrado da MPB, né? Há controvérsias contra esse lance de dizer que ele é o maior, né? Os haters dirão que não.

Mas aí também é um gosto peculiar de cada um, né, professor? Veja, e como é que foi o processo criativo para chegar à obra de Javan? Dizem que o amor atrai a biografia, a reportagem. Como foi brincar entre o factual e o poético? O que mais lhe surpreendeu ao escrever a biografia do artista, professor? Eu acredito que, assim, primeiro o discurso, né? O discurso dele é bem sofisticado, né?

Ele tem enunciados muito bem pensados e desenvolvidos, advindos, em muitos casos, da oralidade, porque eu transcrevi várias entrevistas em podcasts e televisão. Então é um discurso bem sofisticado. Nas entrevistas que ele deu também ao longo da vida...

para meios de comunicação, mídias hegemônicas e até algumas contra-hegemônicas, ele também demonstra uma habilidade discursiva muito grande. E isso me chamou a atenção e isso deu também uma construção discursiva, sócio-discursiva.

muito sofisticada, porque as narrativas biográficas do meu livro elas nascem dos enunciados do Djavan, né? Então existe ali uma intertestualidade e um interdiscurso, né? Então, assim, pode-se dizer que existe ali uma dupla autoralidade, né? A minha autoria e a autoria do próprio Djavan, né? Com os enunciados que ele...

que ele vai falando, que ele vai dizendo sobre vários assuntos, sobre vários discos, sobre várias questões ao longo da vida. E eu reuni mais de 100 enunciados no livro. Então o livro é fragmentado em duas sessões, basicamente, que é a sessão da narrativa biográfica, que conta a história...

do Djavan, dos discos e da música, e curiosidades, enfim, etc. E o subcapítulo, né? Que é um capítulo Djavan refratário de si, que são os enunciados dele em todos esses meios de comunicação. Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, também a gente pegou alguma coisa do Globo, né? Bastante coisa do Globo, aliás, né?

E revista Veja, revista Isto É, revista Ele Brasil, Ele Brasil ou Ele Brasil, não sei agora, eu acho que é Ele Brasil. Enfim, então a gente reuniu esses enunciados e fez uma narrativa biográfica, só que ele não é um livro que só tem isso, só advém dessa relação enunciada e narrativa biográfica.

Porque à medida que eu fui entrevistando a família dele, eles foram me contando várias curiosidades. Então, assim, eu incluí o que eles foram me dizendo, me contando, na narrativa biográfica e construí uns capítulos, assim, construí uns adendos, sabe? Termina o capítulo, termina a narrativa biográfica, o retratário de si, e às vezes vem um adendo ou outro, uma surpresa, que é alguma curiosidade, assim, do Djavan, que, enfim...

ele nunca contou, nunca revelou que só a família só a família sabe o senhor foi a fundo foi bater em Maceió, então foi bem a fundo certa entrevista dele, acho que foi a mais recente acho que pro Fantástico, ele disse que a música Oceano, ele demorou acho que uns 5 anos pra terminar finalizá-la e o senhor falou em rebuscamento

das letras, e assim, de fato, é quase um oráculo, você não decifra, é difícil decifrar o que ele está querendo dizer muitas vezes. Quando o cara falou, já você tem que facilitar as coisas, o João Mello falou, você tem algum talento, mas a sua música é difícil, é complexa, é um versinho ali, eu toco lá e um refrão, é isso que você devia fazer.

Eu não entendia, porque o que eu fazia obedecia o meu instinto musical. Eu não tinha como mudar aquilo. Professor, antes da gente entrar nessa serra poética dele, vamos falar um pouco também sobre a sonoridade. Sobre a sonoridade do Djavan, né? Quais são os estilos que entram aí, de onde é que ele bebe pra fazer a música que ele faz, professor? Todos. E é por isso que eu considero ele um dos maiores. Porque...

O som dele advém, goza de um plurissignificado sonoro muito amplo. Por quê? Quando ele era adolescente, ele entrou em contato com uma discoteca do pai do amigo dele.

que era uma discoteca absolutamente numerosa, com vários títulos, vários tipos de sons, e ele se apropriou disso. Então se você ver a discografia do Djavan, você vai encontrar salsa, jazz, blues, rock and roll, você vai encontrar reggae.

tem tudo ali e é por isso que hoje o Djavan é um dos artistas mais ouvidos no Spotify por exemplo, e ele atribui isso a essa diversidade essa diversidade de sons, de ritmos e tudo mais fazem dele algo único e absolutamente original e tudo mais

e eclético ao mesmo tempo, muito eclético porque ele bebe em todos esses estilos ele não é um artista canônico da MPB você fala assim, o Djavan é MPB? não, ele não é MPB ele é MPB também mas ele é mais que isso

ele ramifica o estilo dele, a música dele, pra vários estilos e pra também várias convenções sociais e classificações sociais, né? Classificações detalhes, sociais, raciais, né? Então, assim, ele é plural em todos esses sentidos, sabe? Então, eu acho, sim,

Essa é realmente uma polêmica, né? Pra dizer que ele é o maior. Isso na minha opinião, tá, gente? Eu acho que ele... Se não é o maior, ele tá entre os maiores, né? Da música... Não só da música popular brasileira, mas como da música mundial. Uau, hein? Uau. Grande declaração, professor. Grande declaração. Veja, mas eu dizia anteriormente...

que o Djavan, e o senhor também fala aí no seu discurso, ele é frequentemente associado a uma sofisticação musical, quase intraduzível. Ao mesmo tempo, ele é bastante popular. O senhor falou que ele é um dos mais ouvidos no Spotify, por exemplo.

Esse lugar de exceção, professor, aproxima ou afasta o público de sua obra? Ao escrever sobre um artista conhecido por letras enigmáticas, muitas vezes, como decifrá-lo? Como traduzir suas letras tão cheias de poesia, professor Tiago Ramos e Matos? Eu tinha 16 anos. Eu tinha uma banda chamada LSD, onde a gente começou basicamente tocando Beatles.

Eu conheci o estádio inteiro por isso, tocando em batizado, toquei muito em fazenda, tocando em rodeio, tocando porra de coisa. Eu acho que essa questão do Djavan ser enigmático é um pouco mitológico até. O que aconteceu? Houve uma crítica ao Djavan em relação à música Açaí, que o crítico falou, Açaí, guardiã, somos de besouro e imã.

E falou que isso não fazia sentido. Então, eu acho que esse tipo de crítica é um tipo de crítica proveniente de um crítico que ignora, por exemplo, que açaí é uma fruta que é guardiã no norte brasileiro. Se a gente pensar no... É...

lá no Amazonas, pensar no Pará, por exemplo, o açaí é o que eles têm, assim, é...

É a obra-prima deles, né? De subsistência até, né? Por isso a Sai Guardiã, né? E som de besouro, imã. Isso tem a ver com o som da natureza. Quando você ouve um besouro na natureza, aquilo te chama a atenção, atrai o seu ouvido, né? Atrai, então é um imã, o som de besouro é um imã. Então parece tudo tão claro, tão evidente, né?

que, como o próprio Djavan diz, alguns críticos, eles querem nos desprestigiar, desprivilegiar pela sua ignorância, por não entender o que uma música como essa diz. Eu acho que a música do Djavan, ela não é uma música linear, ela não é linear, ela é pictórica.

ela assim e ele sempre sofreu com a pecha de fazer uma música assim diferente, meio esquisita né mas é assim é absolutamente compreensível e o Brasil canta o Brasil canta então assim eu consigo entender eu não vou assim é

me deixar influenciar por um crítico que desconhece o norte do Brasil. Eu prefiro continuar ouvindo açaí com toda a qualidade que ela tem e acreditando que, de fato, o açaí para aquela região é guardião. É guardião de todo um povo, que depende daquela fruta até para subsistir.

para determinar que a minha letra às vezes era meio nonsense e tal. Por exemplo, açaí guardiã, zun de besouro, um ímã. Branca é a terça da manhã. Esse verso chegou a ser citado pelo Chechel, pelo Arthur Chechel,

para nominar um prêmio que ele dava a coisas nonsense, a coisas estranhas. Para mim, não é nada nonsense, tem todo o conteúdo. Show de bola, professor. Grandes palavras aos críticos. Cito Caetano, né? Meu som te cega, careta. Quem é você?

Pra quem não entendeu, o Caetano fez a música Reconvexo e na letra ele faz essa crítica ao Paulo Francis, que anteriormente tinha criticado em artigo, detratando o nosso artista Caetano Veloso e ele se opondo à crítica, ele escreve a música Reconvexo e faz essa citação ao Paulo Francis, poeticamente falando, poeticamente falando. Ô professor, veja, que bacana é a literatura, né?

Que bacana. Veja, o Djavan, como o senhor falou aí, no açaí, na letra do açaí, fala tudo em poucas palavras. E que pena que poucos ouvidos conseguem captar a simbologia desses termos. Professor, veja, é...

Como é que a gente lida? Para o senhor, enquanto biógrafo, como foi lidar com as zonas de sombra? Aquilo que não foi dito, registrado, ou que o próprio artista preferiu manter opaco ou a própria família dele, por exemplo? Olha, eu acho que muito pouco do Djavan não foi dito. Por exemplo, houve um boato há algum tempo que ele estava com o Parkinson, por exemplo.

e esse boato correu o Brasil inteiro, e ele não falava sobre isso, mas ele tinha uma tremedeira, especificamente na região da cabeça, e toda vez que ele aparecia em algum lugar, dava um show, aparecia midiaticamente, dava uma entrevista e tal, ficava muito evidente esse tremor. E correu-se o boato, e ele não falava sobre isso,

de que ele estava com Parkinson, que ele estava muito doente, inclusive em Maceió muita gente acredita até hoje que ele está extremamente doente, e se falou muito disso. Ele mesmo desmentiu essa história, o que ele teve é um tremor essencial, que pode dar na região das mãos, nas pernas e também na cabeça, e ele teve na cabeça, mas ele já está medicado.

se você puder notar, ele já não tem mais esses tremores. Então esse é um assunto que a gente falou brevemente no livro, mesmo porque ele também nunca quis se aprofundar muito nessa questão. Enfim, outras questões que...

que são um pouco polêmicas, que na verdade é uma questão polêmica, uma declaração que ele deu em 2018, quando o Bolsonaro estava se elegendo, e que ele foi cancelado, pegou muito mal e tal, ele teve que ir às redes sociais, ele ficou anos sem falar sobre isso, ele ficou uns dois anos sem falar, e aí tomou uma proporção tão grande, uma cobrança tão grande, que ele precisou ir às redes se posicionar politicamente. Então tudo isso a gente aborda...

no livro, né, tem outras questões, assim, curiosidades mesmo, né, relacionadas, uma delas que eu contei, inclusive, pro jornal O Globo, agora, recentemente, né, que a música farinha, né, você sabe o que é farinha boa? Farinha boa é a que a mãe me manda lá de Alagoas. Que a...quele jeito,quele jeito,

A mãe que ele se refere nessa música, na verdade, não é a Dona Virgínia, a mãe dele mesmo, mas é a Dona Dianira, a irmã.

Porque a Dianira mandava farinha pra ele e ele gravou essa música em meados de 2015, se não me engano, no disco Milagreiros. A mãe já havia falecido, né? E o Djavan gosta de farinha. Quando ele tá lá por Alagoas, né, por Maceió, ele chega na casa lá dos parentes, lá pergunta se aquela farinha tem caroço. Porque ele gosta de farinha mesmo, grossa, que tem caroço.

e são curiosidades que a gente vai tecendo no nosso livro.

Muito massa, professor, muito massa. Veja, pra gente fechar aqui, né, o Djavan, ele é eterno, apesar de seus 77 anos, quase 80 de vida e 50 de carreira, né? O que as próximas gerações precisam, devem aprender com esse artista tão icônico? O que o senhor aprendeu, professor, ao mergulhar na biografia dele, hein? Olha, eu saí mais inteligente.

Eu confesso isso pra você, pro pessoal que vai nos assistir, que vai nos ver. Eu saí mais inteligente desse processo, porque eu aprendi com ele, inclusive vocabulário novo. Ele é bom com as palavras.

E assim, eu vi uma declaração, eu acho que foi no programa do Marcos Mignon, no especial que ele teve no Marcos Mignon, ele falou que não gostava de televisão porque ele não se sentia tão inteligente na televisão, porque televisão tem que pensar muito rápido e tal. Olha, eu transcrevi várias entrevistas dele de televisão e eu sinceramente confesso que eu fiquei mais inteligente.

Quer dizer, até a falta de inteligência Do Djavan, segundo ele mesmo Faz com que a gente Se desenvolva intelectualmente Entendeu? Então Eu sou muito grato Por esse processo, sou muito grato Espero que ele goste do livro Foi feito com carinho Aprendi muito, aprendi muito com ele Foi uma delícia escrever Aprendi sobre música brasileira E aprendi muito Sobre E...

como se faz para superar as adversidades, como se faz para ir em busca de um sonho e realizá-lo apesar das adversidades. Porque Djavan é um homem negro, nordestino, que veio tentar a vida no Rio de Janeiro.

sofreu um monte de abjunções. Eu era muito tímido, sim, muito, muito, muito. Muito tímido também por causa da minha condição de ser negro, ter sido criado sob os olhares rigorosos da minha mãe, de proteção, não querer que eu me expusesse, entendeu? Porque ela dizia que o negro, infelizmente, nem todos os espaços são feitos para os negros. E...

conseguiu uma carreira absolutamente extensa com muitos sucessos muitos sucessos o Djavan tem pouquíssimas músicas que a gente chamaria de lado B com muitos sucessos inclusive com extensão internacional ele tem muito mérito naquilo que ele que ele se propôs a fazer que foi de fato essa é

essa caminhada aí, rumo ao que ele acreditou que era a música dele. Ele andava com um caderninho debaixo do braço. E o caderninho não era tão caderninho assim, era um calhamaço de letras que ele levava pra cima e pra baixo em Maceió. E esse calhamaço, essas letras se tornaram músicas, algumas delas entraram no primeiro CD dele, outras se perderam, infelizmente.

Mas ele sempre reconheceu em si esse talento, né? Inclusive tem uma história só pra concluir mesmo, que ele soube que ele faria isso da vida quando ele encontrou um violão esquecido numa sala de química, numa aula de química. O violão tava ali de canto, assim, ele até então só cantava. Ele pegou esse violão, né? E assim...

ele sentiu a anatomia perfeita do instrumento ali, né? Eles interagiram quase que por uma anastomose de espíritos. O violão contribuiu...

pra que ele se sentisse ali completo eu acho que é isso e a partir dali ele soube que ele precisava vir ao Rio de Janeiro ele saiu da banda dele lá, o LSD e foi tentar no Rio de Janeiro, cantou em boates durante um bom tempo até conseguir a gravação do primeiro disco cantou músicas para novelas e etc

Professor, eu sei que o senhor sabe o mais inteligente e eu também. O senhor meteu anastomose ali. Que brincadeira, hein? Brincadeira. Essa foi pro meu calhamaço. Essa foi pro meu calhamaço. Porque eu, quando era mais novo, eu lia literatura brasileira decorando palavras de dicionário. Então essa anastomose vai pro meu alfarrábio. Vai pro meu alfarrábio particular.

Professor, infelizmente a gente chega ao fim do Papo no Auge de hoje. Eu conversei com o professor Dr. Tiago Ramos e Matos, autor do livro Dejavan. Dizem que o amor atrai a biografia reportagem, que será lançada em agosto. Poesia pura.

Neste episódio, muita coisa bacana, né? A gente sai revigorado, mais inteligente, como eu disse anteriormente. Eu quero muito lhe agradecer, professor, mais uma vez, por sua presença aqui, novamente, no Papo no Auge. Quem quiser adquirir este livro a posteriori e também quiser conhecer os seus outros livros, como é que faz, professor? Obrigado, tá?

Muito obrigado, agradeço mais uma vez essa oportunidade, essa conversa deliciosa, tá bom? Muito obrigado mesmo. E o meu livro vai estar disponível em todos os marketplaces digitais, os mais variados possíveis, pela livraria dialética, a loja da editora dialética, lá você encontra os meus livros antigos, provavelmente, possivelmente encontrará esse também.

e em livrarias físicas também. Esse livro vai ser distribuído, a princípio, aqui em São Paulo, espero que ele chegue no Brasil inteiro, tem potencial para isso. E são todos bem-vindos a essa leitura deliciosa, de quem é, na verdade, Djavan Caetano Viana, por trás do violão.

Sensacional. Obrigado, professor, mais uma vez. Uma grande honra conversar com o senhor. Obrigado de verdade. E se você gostou desse conteúdo, não esqueça de avaliar o podcast Papo no Auge nos principais agregadores de áudio. Nos siga nas mídias sociais, no Instagram, arroba Papo no Auge, no LinkedIn, Saulo Novaes. Compartilhe o nosso programa em sua rede de amigos. Estamos integralmente nos tocadores de podcast.

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