Episódios de Sobre Economia Política da Comunicação e da Cultura

Máscaras da Diversidade: Decifrando a Captura Neoliberal da Representatividade Midiática

03 de maio de 202622min
0:00 / 22:43

Sobre Economia Política da Comunicação e da Cultura (EPCC) da Fundação Casa de Rui Barbosa.Autor do podcast: Carolina Fioravante, bolsista PIC do grupo de pesquisa EPCC da FCRB.No episódio de hoje do Economia Política da Comunicação e da Cultura (EPCC), debatemos o artigo "Representação e representatividade no ecossistema midiático contemporâneo: problemas conceituais e políticos", de Luanda Dias Schramm e Eduardo Kohl, refletindo sobre como a crescente demanda por representatividade identitária na mídia corporativa tem sido apropriada por lógicas de mercado sem que haja transformação estrutural das desigualdades que motivam tais demandas. A discussão aborda a história do conceito de representação política desde Hobbes, Pitkin, Burke e Hamilton, articulando-o às teorias contemporâneas de reconhecimento e redistribuição de Fraser, Honneth, Brown, Hall e Haider, e analisa as implicações da midiatização da política para os sistemas representativos. A conversa considera diferentes perspectivas teóricas que problematizam a mera visibilidade midiática de sujeitos subalternizados como forma de despolitização das lutas sociais, examinando mecanismos como tokenização, pinkwashing e queerbaiting, e defendendo que a representatividade só é progressista quando vinculada a projetos de transformação social que una reconhecimento, redistribuição e democratização dos meios de comunicação.Coordenação do canal: Dra. Eula D.T.Cabral.Análise e correção do roteiro e fichamento do episódio: Dra. Eula D.T.Cabral.Entre em contato conosco:Site: https://epccbrasil.wixsite.com/epcc2Canal no Youtube: EPCC Brasil - https://www.youtube.com/channel/UC7nilPYHyPTpr24THJX-hiw/featuredPágina no Facebook: EPCC-Economia Política da Comunicação e da CulturaInstagram: @epcc.brasilE-mail: coloquio.epcc@gmail.comSiga o podcast e acompanhe os próximos episódios!

Participantes neste episódio3
C

Carolina Fioravante

HostBolsista PIC
E

Eduardo Kohl

Convidado
L

Luanda Dias

ConvidadoProfessora
Assuntos7
  • Teorias contemporâneas de reconhecimento e redistribuiçãoCrise de representação e pluralização de identidades · Nancy Fraser: justiça econômica, reconhecimento e representação · Judith Butler e o discurso da tolerância · Wendy Brown: discurso da tolerância e imperialismo · Stuart Hall: identidades culturais construídas discursivamente · Heidegger e a crítica ao identitarismo
  • Captura neoliberal da representatividade midiáticaTokenização, pinkwashing e queerbaiting · Mercadorização das demandas por representação · Despolitização das lutas sociais · Apropriação e neutralização simbólica pela mídia corporativa
  • Considerações finais: resgatar complexidade da representaçãoPluralizar vozes e corpos visíveis · Justiça redistributiva e responsabilidade política coletiva · Reinvenção da ação coletiva
  • Mediatização da política e sistemas representativosMudança de foco para o campo simbólico da visibilidade midiática · Bernard Manin: democracia de audiência · Iris Marion Young: representação como relacionamento diferenciado · Anne Phillips: política de presença vs. política de ideias
  • Representação política históricaConceito de representação desde Hobbes · Análise etimológica e sociopolítica de Pitkin · Mandato vs. Independência: Burke, Hamilton, Jay, Madison · Representação virtual vs. efetiva
  • Redes sociais e representatividade identitáriaAutorrepresentação e lógica algorítmica · Fragmentação da esfera pública e captura neoliberal · Lógica do influencer vs. militante · Nancy Fraser: risco de despolitização das lutas
  • IdentitarismoUso político do termo identitarismo pela esquerda e direita · Risco de enfraquecer a auto-organização coletiva · Necessidade de vincular representatividade a transformação social
Transcrição61 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, seja bem-vindo a mais um episódio do podcast sobre economia política da comunicação e da cultura. Eu me chamo Carolina Firavante e no episódio de hoje vamos falar sobre o capítulo Representação e Representatividade no Ecosistema Midiático Contemporâneo, Problemas Conceituais e Políticos, de autoria de Luanda Dias e Eduardo Kohl.

O texto integra a obra Economia Política da Comunicação, da Cultura e da Informação, organizada por Eula Dantas Taveira Cabral e publicada pelo IPCC em 2025. No programa de hoje, vamos discutir como a crescente demanda por representatividade identitária na mídia corporativa tem sido apropriada...

por lógica de mercado sem que haja transformação estrutural das desigualdades que motivam tais demandas e porque a mera visibilidade midiática de sujeitos subalternizados, desvinculados de mudanças institucionais e redistributivas, tendem a se converter em despolitização das lutas sociais.

Antes de entrar no conteúdo do capítulo, vale conhecer um pouco sobre seus autores. Luanda Dias é professora de Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a ECO, o FLJ. Ela também é doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Brasília, Mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e bacharel em Comunicação Social e Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás.

realizou pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ e seus interesses de pesquisa incluem teoria da comunicação, estudos culturais, estudos de recepção, teoria política, democracia, cidadania e representação política. Ela é pesquisadora do PIC.

da ECO da UFRJ e pesquisa em economia da informação e comunicação. Eduardo Kohl é coautor vinculado ao mesmo campo de pesquisa de Luanda, atuando no P.E. em C da ECO da UFRJ.

O capítulo de Luanda e Qual está inserido na parte 5 da coletânea Economia Política da Comunicação da Cultura e da Informação, dedicada às análises do EPCC, Economia Política da Comunicação e da Cultura. Essa obra reúne pesquisas desenvolvidas por 35 pesquisadores vinculados a 5 diferentes grupos de pesquisas do CNPQ.

que analisam criticamente as estruturas de poder que organizam a comunicação e a cultura no capitalismo contemporâneo. São eles, Economia Política da Comunicação e da Cultura, Pesquisa em Políticas e Economia Política da Informação e da Comunicação, Economia Política da Comunicação, Centros de Pesquisas e Produções em Comunicação e Emergência e Perspectivas Filosóficas em Informação.

Localizado entre as páginas 690 e 720, o capítulo tem como objetivo principal investigar os problemas conceituais e políticos em torno das noções de representação e representatividade no ecossistema midiático contemporâneo. Para desenvolver essa discussão, o texto percorre a história do conceito de representação política desde Hobbes, Pitkin, Burke, Hamilton e outros autores, articulando-os a teorias contemporâneas de reconhecimento e redistribuição

de Fraser, Honoff, Brown, Howe e Heideck, e analisa as implicações da mediatização da política para os sistemas representativos, organizando-se em seções que vão dos fundamentos teóricos da representação política até as dinâmicas contemporâneas de representatividade midiática e quais os seus impasses.

Na primeira sessão, que se estende das páginas de 692 a 702, a Luanda e o Cole troçam o percurso histórico-conceitual do que é a representação política. Os autores partem do diagnóstico de que a representação política aparece como uma variante da democracia direta, que é adaptada às sociedades complexas.

Diante da explosão demográfica e da ampliação das franquias eleitorais que impossibilitam o exercício da democracia direta Manning é mobilizado para mostrar que o governo representativo foi instituído com plena consciência de que os representantes eleitos seriam cidadãos distintos, socialmente diferentes daqueles que os elegeram Pitchke, em The Concept of Representation, de 1967, propõe compreender como o conceito entrou no campo da agência e da atividade política

através de uma análise etimológica sociopolítica, pressupondo que os vários usos de uma família singular de palavras são relacionados. Para Pitkin, representar significa reproduzir em um meio diferente, podendo assumir sentido artístico ou teatral, ser a imagem de atuar como, designar relação de significação, ser indício...

de alguma coisa, de substituição, simbolizar, ou sentido jurídico, agir como procurador, sendo que em todos esses usos subjaz a ideia de tornar presente algo que se encontra ausente.

Os autores aprofundam como Hobbes, no Leviathan, define a representação em termos de autorização, especialmente nos aspectos formais da agência legal. Um representante é alguém que recebe autoridade para agir por outro, que fica então vinculado pela ação do representante como se tivesse sido a sua própria cabeça. Hobbes alienta o caráter constitutivo da representação, uma multidão de homens que se torna uma pessoa quando é representada por um só homem ou pessoa.

De maneira que tal seja feito com o consentimento de cada um dos que constituem a multidão, pois é a unidade do representante e não a unidade do representado que faz a pessoa ser uma. O soberano não precisa prestar conta de seus atos, pois nada o obriga em relação aos representados. Eles é que, por meio de um contrato entre si, se submetem à sua obrigação. Para Pitchkin, autorização é um importante indício de representação.

Mas não dá conta de toda a complexidade do fenômeno Uma vez que não explica o que significa representar bem ou mal Nem os conceitos de representatividade ou representativo Como sinônimo daquilo que é, entre aspas, típico

A autora segue dois caminhos de análise substantiva da representação. Quem é o representante e o que faz o representante? A questão sobre quem é o representante é definida nos termos da representação descritiva, pela similaridade ou pelo experimento de características, ou apenas da representação simbólica, pelo uso de símbolos para construir a imagem de unidade.

Enquanto a representação política exerge função integradora, a representação descritiva pressupõe que o corpo de representantes deveria constituir numa amostragem do eleitorado ou da estrutura social, de modo que contenha membros dos grupos sociais na proporção em que são encontrados na sociedade.

O sentido substantivo da atuação do representante é analisado nos termos de controvérsia entre mandato e independência. Nesse debate, Pitchkin retoma Hamilton, Jay e Madison, autores dos artigos federalistas que apresentam o governo representativo como substituto para o encontro pessoal dos cidadãos.

capaz de assegurar o bem público, sem a distração de vários interesses particulares completantes. Burke, por sua vez, defensor da independência dos representantes, afirma que o governo é um fiduciário que deve defender não os interesses de seu distrito particular, mas também o interesse da nação como um todo, distinguindo entre representação virtual e efetiva. A efetiva significa ter a voz de fato na escolha do representante.

Enquanto a virtual significa uma comunhão de interesses e uma simpatia de sentimentos entre aqueles que agem em nome de uma imagem qualquer de um povo.

Pitkin, então, adota uma posição conciliatória, reconhecendo a plausibilidade de ambas as perspectivas. Os representantes devem fazer o que querem os representados e devem poder decidir livremente o que fazer. Assim, os representantes devem ter liberdade para decidir como agir diante das circunstâncias cambiantes.

ou não há representação, mas não pode permanecer alheio aos anseios de seus constituintes, ou também não há representação. A contabilidade ocorre durante todo o mandato, embora se cristalize na eleição, tratando-se de um processo político e não de meramente técnico.

A mediatização da política transformou os modos de representação ao deslocar os focos tradicionais da deliberação e da disputa política para o campo simbólico da visibilidade mediática. As imagens, narrativas e performances imediatas tornam-se elementos centrais na formação da legitimidade política.

e na definição do que é ser representado. Como destaca Bernard Mani, em democracia de audiência, os eleitores escolhem representantes não por sua filiação a programas ou partidos, mas por qualidades pessoais comunicadas por meios de massa, o que altera profundamente a dinâmica representativa e acentua a centralidade da mídia como arena política.

A segunda seção das páginas 702 a 710 articula a teoria política clássica às teorias contemporâneas de reconhecimento e redistribuição. A percepção de crise de representação reflete o esvaziamento da categoria de classe social na luta política contemporânea, caracterizada pela pluralização de identidades a partir dos movimentos sociais dos anos de 1960.

impulsionados pelo feminismo. A luta por reconhecimento tornou-se, no final do século XX, a forma paradigmática de conflito político em vez de luta por redistribuição, nas demandas por reconhecimento da diferença em que a identidade de grupo suplanta o interesse de classe como meio principal da mobilização política. Frazer argumenta que a comunicação não pode ser considerado somente como um fenômeno social.

mas como uma estruturação de relações econômicas e de poder, propondo uma estrutura integrada para analisar e combater injustiças que articule justiça econômica, correção de desigualdade, materiais derivados de estrutura de classe e reconhecimento que não retifique identidades, mas promova igualdade de status. Posteriormente, Fraser acrescenta a dimensão da representação, destacando a necessidade de justiça na esfera política, questionando quem tem voz nas decisões

e como estruturas institucionais podem excluir certos grupos, sem justificativa representativa, nem a distribuição e nem o reconhecimento que podem ser alcançados de forma legítima. O Indibraw é mobilizado para demonstrar como o discurso da tolerância desloca o foco das lutas por redistribuição e reconhecimento para um plano de gestão,

afetiva das diferenças culturais, raciais, sexuais e religiosas. A tolerância deixa de ser virtude democrática e emancipadora, e se torna prática regulatória que classifica, marca e posiciona os sujeitos dentro de uma hierarquia simbólica, que distingue os que toleram e os que são tolerados, performando um gesto de superioridade moral. Brown demonstra, ainda como o discurso da tolerância se articula com o projeto imperial estatunidense,

Sobretudo no pós-11 de setembro, quando a retórica da defesa dos valores ocidentais tem sido mobilizada Para justificar intervenções militares que perpetuam lógicas coloniais Sob a roupagem de uma missão civilizatória Convertendo-se em instrumento de legitimação do imperialismo contemporâneo Stuart Hall argumenta que as identidades culturais não são dadas

mas construídas por meio de processos discursivos marcados por disputas de poder e pela historicidade das posições subjetivas, sendo um ponto de estrutura entre discursos e práticas sempre inacabada e em constante articulação. Essa perspectiva permite problematizar as representações midiáticas que pretendem oferecer imagens fixas ou autênticas dos sujeitos subalternizados, ignorando sua pluralidade e contradições internas.

O passado de Heidegger é mobilizado para criticar o identitarismo contemporâneo, alertando para o risco de se converter a identidade em fundamento exclusivo da política, promovendo uma lógica de reconhecimento individualista incompatível com a construção de alianças coletivas. Para Heidegger, as políticas baseadas exclusivamente na identidade tendem a substituir a solidariedade política por mecanismos de inclusão simbólica.

que frequentemente ignoram as condições materiais e estruturais da desigualdade. O que ele chama de, entre aspas, a margilha da identidade, foi cooptada pelo neoliberalismo, tornando-se ferramenta para diluir lutas radicais em vez de fortalecê-las. Heide rejeita a falsa dicotomia entre política racial e luta de classes, lembrando que figuras como Martin Luther King e os Panteras Negras uniram antirracismo e anticapitalismo, mas o neoliberalismo separou essas lutas.

A política identitária não é inerentemente progressista, tornou-se ferramenta para gerenciar os status quo, não apenas para desafiá-lo. A diversidade midiática pode ser usada para desmascarar injustiças estruturais, como quando empresas de mídia promovem a inclusão em campanhas publicitárias, mas não combatem a precariedade laboral ou a concentração da propriedade dos meios.

Aumentar a presença de minorias nas telas não resolve problemas como o acesso desigual à produção midiática ou a permanência de estereótipos que persistem, mesmo em narrativas diversas ou inclusas. Corporações de mídias transformam as demandas por representação em mercadoria, despolitizando as lutas e a convertendo-as em consumo.

A terceira seção, que vai das páginas 710 a 716, analisa as implicações da meditização das políticas para os sistemas representativos contemporâneos. Iris Marion Young é mobilizada para conceber a representação como relacionamento diferenciado entre atores políticos engajados num processo que se estende no espaço e no tempo.

dissolvendo o paradoxo de uma só pessoa representar as experiências e opiniões de muitas outras. Contra a pretensão universalista, Jung afirma que não há uma específica vontade do povo que possa ser representado, uma vez que o eleitorado é internamente diferenciado. A autora distingue três modos pelos quais uma pessoa pode ser representada, interesses, opiniões e perspectivas, sendo que em cada modalidade uma pessoa pode ser representada de diversas maneiras.

Mas uma pessoa não pode representar politicamente uma perspectiva social diferente da sua própria, pois a pessoalidade da experiência comum não é representável nem passível de delegação. A inclusão de perspectivas sociais marginalizadas promoveria um acréscimo de conhecimentos, vivências e pontos de vista na discussão pública, com impacto na política eleitoral e em outras esferas do debate.

Anne Phillips defende a ideia de uma política de presença, em contraposição aos modelos formalistas de representação política que enfatizam essa política de ideias. Em que a identidade do representante é considerada relevante e o representante é visto como um intermediário técnico.

A ineficácia da defesa dos interesses de grupos minoritários reivindica, então, a presença dos integrantes desses grupos no debate público, pois a presença manifesta e atribui valor às diferenças, além de ser espécie de reparação de injustiças e remédio para a exclusão histórica.

Philip apresenta duas objeções à política de ideias, que indicam a necessidade de presença política. O caráter constitutivo da representação política, em que o representante ajuda a formar interesses e que não estão nos dados diante de mão. E a concentração de poder político em determinados grupos, que é efeito das exclusões sistemáticas, produzindo apatia.

e falta de interesse. Essas objeções não eliminam a importância da política de ideias, antes solicitam a intensificação do diálogo entre representantes e representados para reduzir as simetrias. Jung admite a validade de algumas críticas à lógica identitária, reconhecendo que numa versão dessa crítica nenhum representante político pode falar por qualquer grupo, já que os indivíduos que compõem têm relacionamentos por demais entrecruzados.

mas defendem que as demandas por representação especial de grupos marginalizados não parecem ser afetadas por essa crítica, pois no contexto das disputas práticas, muitos acreditam que tais medidas são a melhor forma de dar voz a muitas questões, análises e posições injustamente excluídas. A política de presença enfrenta desafios práticos e conceituais,

em contextos marcados por desigualdades estruturais e por identidades múltiplas e interseccionais. A definição de quais grupos merecem representação especial e de quais marcadores identitários devem ser priorizados torna-se um dilema político permanente. Além disso, a própria tentativa de representar grupos pode resultar em processos de essencialização e exclusão interna, congelando identidades que são historicamente móveis e politicamente disputadas.

A sessão final analisa como a emergência das redes sociais e plataformas digitais transformou significativamente os modos de enunciação e visibilidade das identidades políticas. Nesse novo ecossistema comunicacional surgiu oportunidades inéditas para a autorrepresentação de sujeitos, mas essa abertura é tensionada pela lógica algoritma, que organiza a circulação de discursos nas plataformas frequentemente criadas por critérios de engajamento, emocionalidade,

E rentabilidade, o que pode favorecer a espetacularização da diferença e a reiteração de espiteriódicos. A representatividade identitária nos meios digitais está sujeita a uma dinâmica ambígua. Ao mesmo tempo em que amplia o acesso à fala pública, também promove a fragmentação da espera pública e a captura de luzes identitárias por lógicas neoliberais.

Performance de identidade ganhou centralidade como moeda simbólica em mercado de atenção, muitas vezes desvinculado de projetos coletivos de transformação social. A lógica do influencer substitui a do militante e a da visibilidade individual tende a se sobrepor sobre a ação política coletiva, dificultando a articulação de solidariedade duradoura entre os grupos subalternizados. É nesse sentido que Nancy Fraser alerta para o risco de despolitização das lutas.

por reconhecimento do interior do neoliberalismo tardio. As visibilidades digitais, quando não são articuladas a processos de redistribuição material e transformação institucional, pode converter-se em mais um vetor da precarização subjetiva e política de identidades dissidentes.

A mídia corporativa permanece sendo um agente privilegiado do processo de cultivo de concepções da realidade social, além de mediadora do nosso acesso aos acontecimentos da esfera política. Os meios de comunicação de massa desempenham importante papel em regimes democráticos.

Não como meros transmissores de informação, mas como agentes do processo político para alguns setores, substituindo instituições políticas tradicionais, como os partidos políticos, ao oferecer ao público interpretações autorizadas dos eventos. Nesse sentido, os meios de comunicação integram o sistema representativo mais amplo.

não apenas como mediadores da opinião pública, mas como formadores de visões de mundo, valores e agendas, participando ativamente da construção do consenso social. A reposta da mídia corporativa demanda por representatividade é marcada por estratégias de apropriação e neutralização simbólica, tokenização, pinkwashing e kirbate, que operam sob a lógica da indústria cultural. Esses mecanismos são mais voltados à captação da atenção e à reprodução de lógicas mercadológicas do que à transformação estrutural das desigualdades.

podem dar aparência de diversidade e pluralidade ao mesmo tempo em que reforçam categorias essencialistas e relações de poder naturalizadas. O termo identitarismo emerge como a categoria do valente de acusação. A esquerda é utilizada para criticar a fragmentação das lutas emancipatórias e a direita serve como retórica reacionária diante da ascensão de sujeitos subalternizados ao espaço público. O identitarismo revela-se armadilha conceitual e política quando o disso é associado de grupos.

coletivos e estruturais de transformação social. Nas considerações finais, Luanda e Eduardo Kuo estabelecem que as noções de representação e representatividade precisam ser resgatadas em sua complexidade histórica, política e simbólica para enfrentar os desafios contemporâneos das democracias miaditizadas. A simples inserção de sujeitos subalternizados na mídia ou na política institucional

Sem qualquer questionamento das estruturas que organizam a exclusão, pode converter-se em forma de despolitização das lutas sociais. Retomar o potencial emancipador da representação exige não apenas pluralizar vozes e corpos visíveis, mas reconstruir os vínculos representativos com base na justiça redistributiva, responsabilidade política coletiva e participação ampliada.

Em um cenário de crise democrática e captura simbólica, pensar criticamente a representação mediática é passo fundamental para reinventar os termos da ação coletiva. Sem mediações coletivas, responsabilização política e transformação das estruturas institucionais, a representação corre o risco de se reduzir à performance esvaziada de conteúdo emancipatório.

Os problemas históricos que advêm do uso histórico das noções de identidade e representação impõem desafios práticos quanto ao papel dos conglomerados midiáticos na despolitização das reivindicações políticas contemporâneas. A política identitária é elemento central da luta política emancipatória e revolucionária, quando entendida como demanda individual por reconhecimento, enfraquece a possibilidade de auto-organização coletiva, mas ela é fundamental para qualificar a representatividade midiática e a visibilidade política de grupos socialmente marginalizados.

A representatividade midiática só é progressista quando vinculada a um projeto de transformação social que une ao reconhecimento, redistribuição e redemocratização dos meios de comunicação.

Então, ouvinte, esse foi mais um do nosso podcast sobre economia política, da comunicação e da cultura. Se você quiser saber mais sobre o assunto, visite o nosso site APCC Brasil. Disponibilizamos artigos científicos, legislação, notícias e eventos sobre o direito à comunicação, à cultura e à informação.

Curta também nossa página no Facebook, EPCC, Economia Política da Comunicação e da Cultura, e no Instagram, arrobaepcc.brasil. E veja também nossos eventos científicos no nosso canal do YouTube, EPCC Brasil. Confira também nossos podcasts no Spotify. Obrigada pela sua audiência e até a próxima.