Episódios de G4 Podcasts

O Que Não Te Contaram Sobre o Futuro da Economia Brasileira (E Como Sua Empresa se Prepara) | EXTREMOS

01 de outubro de 20261h17min
0:00 / 1:17:30

GARANTA SEU LUGAR NO MAIOR EVENTO PARA EMPRESÁRIOS DO BRASIL (G4 VALLEY): https://g40.co/desc-leo-e-luiz-extremos

Todo ano de eleição o empresário ouve a mesma profecia: se o candidato errado ganhar, o Brasil acaba. Mas existe uma verdade que quase ninguém está contando. Independentemente do resultado nas urnas, o próximo presidente vai herdar uma dívida pública no maior nível em anos, juros entre os mais altos do mundo e um orçamento com 90% dos gastos travados na Constituição. Essa conta vai cair no colo de quem empreende. A diferença vai estar entre quem se preparou para pagá-la e continuar crescendo e quem vai ser pego de surpresa.

Neste episódio do Extremos, Alfredo Soares e Bruno Nardon recebem dois convidados que olham para a economia brasileira de ângulos diferentes. Luiz Nunes está há 25 anos decidindo com dinheiro de verdade na mesa e atravessou todas as crises desde 2002. Léo Siqueira é economista com doutorado, trocou os maiores bancos do país pela política e hoje enfrenta o orçamento público por dentro como deputado estadual em São Paulo. Juntos, eles mostram onde está o risco real e onde está a oportunidade que o medo esconde.

Você vai entender por que o juro alto no Brasil é sintoma e não causa, quem realmente recebe os juros que o governo paga e por que o crédito subsidiado deixa o dinheiro mais caro para todo mundo. Os convidados desenham os dois cenários para 2027: o que acontece com juros, inflação e investimentos se o governo atual continuar, e por que mesmo uma vitória da oposição traria um ou dois anos difíceis de ajuste fiscal. O papo também explica o risco de dominância fiscal e do chamado calote branco, quando a inflação passa a corroer a dívida e o patrimônio de quem não está protegido.

A conversa vai além dos números. Por que quatro vagas no STF podem definir as regras do jogo pelos próximos 40 anos? Quem manda de verdade em Brasília: o presidente ou o centrão? Como as emendas parlamentares viraram a principal moeda de troca do Congresso? E por que o Brasil cresce só 2,2% ao ano há quatro décadas, com a produtividade praticamente parada?

Se você é empresário, investidor ou quer entender para onde vai a economia brasileira depois da eleição de 2026, este episódio é um guia para tomar decisões com a cabeça fria, longe da torcida e perto da matemática.

⚠️ ATENÇÃO: O YouTube e o Spotify às vezes desinscrevem inscritos automaticamente. Confira se o seu botão de inscrição ainda está ativo e ative o sininho!

O que você vai aprender:

- Por que o juro alto é sintoma, não causa, e o que realmente faria ele cair

- O cenário econômico real de 2027 se Lula vencer e se Flávio vencer

- Por que 4 vagas no STF pesam mais que a economia nos próximos 40 anos

- Como as emendas parlamentares viraram a moeda de troca de Brasília

- Os sinais dos primeiros 100 dias que separam um ano difícil de uma crise

Participantes neste episódio4
A

Alfredo Soares

HostEmpresário
B

Bruno Nardon

HostEmpresário
L

Léo Siqueira

ConvidadoEconomista e deputado estadual
L

Luiz Nunes

Convidado
Assuntos6
  • O impacto da dívida pública e juros altos na economia brasileiradívida pública em R$10 trilhões·juros altos como sintoma·custo da dívida para o governo·inflação e juro real negativo
  • A influência das indicações ao STF nas regras do jogo por 40 anospróximo presidente define 4 ministros·guardiões das regras do jogo·STF como investigador, vítima e juiz·impacto na segurança jurídica
  • Cenários econômicos para 2027 sob diferentes governoscontinuidade do governo atual·governo Flávio e corte de gastos·recessão e deflação·calote branco e inflação
  • A rigidez dos gastos públicos e a dificuldade de ajuste fiscal90% dos gastos na Constituição·necessidade de mexer na Constituição·reformas da Previdência e tributária·orçamento base zero
  • O papel do Centrão e as emendas parlamentares na política brasileiraCentrão como força dominante·emendas impositivas e voluntárias·má alocação de recursos·incentivos para reeleição
  • A importância da educação e mídia na mudança da mentalidade socialcombate à mentalidade 'rico contra pobre'·influência da mídia e artistas·monopólio da informação·conscientização do povo
Transcrição233 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LSLéo Siqueira

Se o Fla foi eleito, ele não é a mudança, ele é a oportunidade da mudança.

BNBruno Nardon

A gente tem um governo que já contou em relação ao que ele prometeu na campanha, o que ele fez, ele não mentiu.

LNLuiz Nunes

Não prometeu nada e fez tudo que não prometeu.

LSLéo Siqueira

Os juros no Brasil é caro? É, depende pra quem. Se você é amigo do rei, não tanto.

BNBruno Nardon

O governo não paga pros bancos, o governo paga o título público que ele vendeu. Então o governo empresta é pro povo.

LSLéo Siqueira

O Brasil não tem falta de ajuste fiscal por falta de regra boa, não é por isso. É porque a gente quebra as regras sempre.

BNBruno Nardon

O Brasil é esse alcoólatra gastando cada vez mais, mais, e não consegue parar. Então esse juro fica cada vez mais alto, porque hoje em dia a gente tem as maiores taxas de juros do mundo. A taxa de juros, ela é uma consequência, né? Ela não é a causa.

ASAlfredo Soares

Todo ano de eleição, o empresário escuta a mesma profecia: se o candidato errado ganhar, o Brasil acaba. Os nossos convidados sabem que essa eleição pesa, e muito. Mas sabem também que seja quem for eleito, 2027 vai chegar com uma conta alta.

LNLuiz Nunes

Porque a dívida pública do Brasil subiu para o maior desde o ano de 2021.

LSLéo Siqueira

A dívida pública brasileira chegou a R$10 trilhões e R$400 bilhões só no mês de abril, e ela vai cair inteira no colo de quem empreende.

ASAlfredo Soares

A diferença vai estar entre quem se preparou para pagar essa conta e continuar crescendo e quem vai ser pego de surpresa. Um deles está há 25 anos decidindo com dinheiro de verdade na mesa, atravessou todas as crises desde 2002 e ainda é campeão de jiu-jitsu. O outro é economista com doutorado e trocou os maiores bancos do país para enfrentar o orçamento público por dentro, na política. Juntos eles mostram onde está o risco real e onde está a oportunidade que o medo esconde. Sejam muito bem-vindos ao Extremos, Luiz Nunes e Léo Siqueira.

LSLéo Siqueira

Bem-vindos! Obrigado.

BNBruno Nardon

A gente vai ter um período longo, muito difícil de qualquer presidente ou qualquer governante se reeleger, porque a dívida é muito grande, então o governo fica ruim.

LSLéo Siqueira

Então qualquer um que vire presidente aqui, pra reduzir os gastos de verdade, precisa mexer na Constituição.

LNLuiz Nunes

Nos primeiros 100 dias do eleito, seja quem for, quais sinais vão separar um 2027 difícil de um 2027 de crise?

ASAlfredo Soares

Cara, o nosso episódio pode sair do ar, Tentar tirar essa tua agressividade gestual, mano.

LNLuiz Nunes

Não sabia não.

ASAlfredo Soares

Mas você aí então, inteligência artificial.

LNLuiz Nunes

É isso aí, galera.

ASAlfredo Soares

E aí, tudo bem, Luizão? Garoto, cara, episódio de hoje tem energia, hein?

LNLuiz Nunes

É o tema que vai ser decidido agora nesse fim de semana, no próximo, vai decidir muito sobre o ano que vem, né?

BNBruno Nardon

É assunto que a gente fala pouco, né?

LSLéo Siqueira

Sobre o ano que vem não, sobre os próximos 40 anos.

ASAlfredo Soares

Luizão, eu já troquei uma ideia com você na física. É toda eleição, na verdade, parece que a gente se aproxima, né? E você fala um pouco desse olhar do investidor, né, de como se posicionar. E você sempre mostra que, independente de quem ganhar, tem uma leitura e uma posição para você se colocar no mercado, aonde tanto no que é bom e no que é ruim tem como se ganhar dinheiro, mas nos dois extremos tem como ganhar dinheiro. Qual é o momento dessa eleição agora?

Imagina que a gente tá naquela resenha na casa do TG, você falando sobre eleição, sobre posição, sobre risco.

BNBruno Nardon

Primeiramente, obrigado pelo convite aí, prazer estar aqui com vocês. Todo mundo aqui é amigo, isso faz ficar mais legal ainda. Mas o que eu acho é o seguinte, a gente tá indo para um mundo Uma decisão que vai falar muito sobre a economia nos próximos 40 anos, como diz o Léo. Vocês me trazem para falar do lado de um cara que sabe muito mais de economia comigo que eu, eu fico constrangido aqui. Aí, mas é o seguinte, a gente tem um governo que já contou como é que ele toca.

Nunca, assim, nunca é muito tempo, mas em relação ao que ele prometeu na campanha, o que ele fez, ele não mentiu, por incrível que pareça, né?

LNLuiz Nunes

Então não prometeu nada e fez tudo que não prometeu.

BNBruno Nardon

É, ele não prometeu que ia ser responsável, não prometeu Prometeu que ia gastar sem freios e assim está, né? E o país é como uma casa, como uma empresa. Você começa a ficar muito endividado, o custo de dívida sobe. E hoje em dia a gente tem as maiores taxas de juros do mundo. E a taxa de juros, ela é uma consequência, né? Ela não é a causa. Léo, se eu te falar alguma besteira, você me corrige.

LSLéo Siqueira

Não, mas porra, você que tem skin in the game aí, porra. Eu só fico no sell side.

BNBruno Nardon

Então assim, a taxa de juros, ela é uma consequência do nível das contas públicas hoje em dia. Então a gente, se continuar esse governo, de novo, que ele não tá mentindo, não tá dizendo que vai cortar nada, apesar que às vezes fala, mas a gente sabe que não, a gente vai continuar com esse gasto sem tamanho. Uma hora, uma hora quebra-se, né? O quebrar é você não conseguir mais emprestar dinheiro, ou a taxa de juro passa a não fazer mais tanto efeito sobre a economia.

E se a gente tiver um outro governo que cortar gastos e tudo mais, a gente pode ter ver a taxa de juros baixar. E o que que é isso importante, né? A taxa de juros do governo, ela é o piso da taxa de juros privada. E se essa taxa de juros é muito alta, a gente começa a ter a bolsa CDI, né? Quem tem muito dinheiro vai botar o dinheiro na renda fixa e vai ficar aí, que é o negócio que você inclusive falou que gosta de fazer. Você é um cara que não gosta muito de risco no mercado, você já corre risco na sua vida. Eu acho que sua alocação de capital tá certa.

ASAlfredo Soares

Não, eu boto na renda fixa, que a renda fixa gera, eu boto no risco.

BNBruno Nardon

Então é isso aí, isso já Você já tem a renda variável aqui também, né? Você tem uma empresa, pedaço grande do seu patrimônio. E o mercado, principalmente o mercado de ações, né, que é o que eu trabalho mais no dia a dia, basicamente é um veículo de transferência, né, que você pega capital dos poupadores e dá para os empreendedores, né? Então quando você vai fazer um IPO, que que é o tal do IPO? É uma empresa ir lá e vender um pedaço dela, pegar um pedaço do dinheiro, às vezes um pedacinho ali para os fundadores, mas normalmente o dinheiro, que é quando é uma emissão primária, né, ela entra na empresa para ajudar a empresa a se desenvolver.

Então imagina que você tem um dinheiro, tem 100 dinheiros, você tem uma opção de comprar, investir numa empresa que tem um projeto que vai investir, vai contratar e vai tentar vender e vai passar pelo arcabouço regulatório, tudo mais, e ele vai te render X, né, aquele seu dinheiro, que isso é uma expectativa de lucro das empresas. E você tem uma outra caixinha ali, 15%, sem você correr risco nenhum, prestando dinheiro para o governo. 90% das pessoas vai acabar indo para lá.

Então você vai matando a economia e vai criando esse assistencialismo, o rentismo que esse governo aí ajudou tanto. Então basicamente é, a gente quer que o país cresça, se desenvolva, impulsione os empreendedores, ou a gente quer ir no mundo da bolsa Selic aí que ajuda o rentista?

LNLuiz Nunes

Ô Léo, você falou aqui no começo, né, que eu falei que vai impactar os próximos anos, falou os próximos 40 anos. Por que que você foi tão enfático nos 40 anos?

LSLéo Siqueira

Porque o próximo presidente vai definir os próximos 4 ministros do STF. Então você tem 11, né? E aí, ou seja, quase metade ali. Então é um poder muito grande. E aí a gente não tá falando só de economia, a gente tá falando das regras do jogo, das instituições, né? Então o perfil que você quer, então por um lado, para o outro, tá? Você não quer que 9 dos 11 ministros do STF seja de um lado nem do outro, tá? Porque justamente a ideia das indicações são essas.

Você tem os presidentes indicam, então você tem ali visões diferentes. Essa competição entre os ministros do STF são boas. A partir do momento que você tem 9 de um lado ou do outro, não é bom. E a gente já tem desde 2003, né, o PT aí 16 anos no poder. Então até o final dessa eleição 75% do tempo. Então você vai ter aí praticamente, se o Lula ganhar, praticamente 8, 9 ministros do STF com a ideologia que eles escolheram. Isso vai definir o Brasil pelos próximos 40 anos.

BNBruno Nardon

Então é muito mais do que só vai definir que em sentido, em que sentido que eles são os guardiões da regra do jogo, né?

LSLéo Siqueira

Eles são os guardiões das regras do jogo. Uma Constituição, ela deve, ela deve ter duas coisas: garantir os direitos da população e limitar o poder dos políticos e dos burocratas. Uma Constituição deveria só fazer isso: você garante o direito da população, então liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de reunião, e coloca uma série de limites no poder dos burocratas, das pessoas que estão lá, os políticos e os burocratas, para falar: você não pode fazer isso, você não pode fazer aquilo, tal.

Bom, a partir do momento que você tem os próprios guardiões da Constituição em que eles tem diversos contratos escusos, etc., e também acaba, dado que eles são maioria e foram indicados pelo mesmo espectro ideológico, é natural que eles pendam só para um lado. Então você não vai ter o outro lado sendo defendido. Então a gente deveria, o STF, ele só deveria agir, nunca deveria agir de ofício, ou seja, ele só deve agir quando ele é provocado, quando alguém vai lá e fala, olha, você, a gente vai investigar essa pessoa, a gente quer fazer essa ação.

Você não pode ter no STF um ministro fazendo o papel de acusador, de vítima e de investigador. O que que é um juiz? O sistema acusatório é muito simples. Você tem a vítima, por exemplo, e daí é quem vai acusar através, se for uma pessoa, através do advogado, através do Estado. Você tem a pessoa acusada e ela tem direito à defesa, e você tem um juiz que vai poder ali, que vai dizer se essa pessoa é ou não culpada. Simples assim.

Então um acusa, o outro se defende, e o outro vai ser o juiz. Tanto é que um juiz ele nunca pode pedir prova por si só, ele analisa as provas. Tanto é que para você alguém não ser culpado, ele não precisa provar a inocência, né? Indúbium pro reo, na dúvida o réu. Basta ele mostrar que as provas não foram suficientes. E o que a gente tem hoje é um Supremo que a mesma pessoa age como investigador, vítima e juiz. Isso é um absurdo, isso jamais deveria existir.

Isso é tão óbvio numa democracia. Então a gente tem pessoas com esse perfil. Então para os próximos 40 anos, eu sou economista, eu sei da importância da economia, mas economia, uma economia ruim, a gente consegue contornar, consegue resolver em ali em 3, 5, 7, 10 anos. Agora, quando você tem as instituições tomadas e você não pode mais, você não tem mais direito de falar aquilo que você acredita, quando você não tem mais o processo acusatório defendendo, aí sim demora uns 40 anos para a gente poder colocar a sociedade no rumo de volta.

ASAlfredo Soares

Luizão, o déficit tá caindo e a dívida continua subindo de 83 para 87% do PIB até 2027. Por que que o Brasil consegue arrumar a conta de um lado e piorar do outro? Que que tá rolando aí?

BNBruno Nardon

É porque a conta ela é mais complexa do que isso, né? Isso é só um pedaço da conta, como que ela é feita de, é como se fosse um polinômio, né? Então você tendo continua gastando internamente, não interessa, interessa, mas não interessa, né, quanto, se o seu salário é alto e você não para de gastar e aumentar seu gasto, não interessa mais que o seu salário é alto, né. Importante é o quanto você consegue fazer esse gap, né, de salário e custo.

Exatamente. E hoje em dia o que acontece, né, você tem um gasto altíssimo e aí tem uma, tem uma, um equilíbrio econômico que deveria acontecer, e em teoria ele tá sendo quebrado no Brasil. Normalmente você consegue entender isso exatamente se aconteceu ou não anos e anos depois, mas basicamente na força econômica, imagina que um país tá lá, ele é super funcional, então ele tá, empregou lá praticamente todo mundo, né? Existe inclusive um gráfico, uma curva que explica qual que é a relação ideal de desemprego e inflação.

Vamos supor, você começa a ter a população quase toda empregada, tá todo mundo, a economia tá quente demais, começa a subir inflação, você sobe os juros. Subiu os juros, você teoricamente você comprime, né, você reprime um pouco os investimentos e tudo mais. Então a economia começa a ficar, fica difícil para o empresário emprestar dinheiro, por exemplo, comprar uma nova máquina. Então ele acaba tendo um crescimento menor ou ele decresce, demite um pouco das pessoas, aumenta o desemprego.

Esfria um pouco a economia e volta, e esse ciclo vai tocando. E aí, por que que acontece isso que você perguntou, Alfredo? Hoje em dia, inflação, aumento de juros, fica difícil de investir. Essa pessoa sai da força de trabalho e entra num plano social, no projeto social, numa de recebimento de renda. Então a inflação continua subindo, esse gasto do governo, né, tem uma pessoa a mais que ele paga. Isso faz com que o gasto dele suba mais, com que o juro suba mais.

Tem uma, uma, um vilão aí chamado serviço da dívida. Serviço da dívida é quanto você paga periodicamente, né, mensalmente, por ter uma dívida, que é os juros. Então lá nos Estados Unidos, nos últimos 10 anos, o juro foi quase zero. Então você podia dever infinito que você não tem que pagar nada. Então aqui você gasta mais, aumenta sua dívida. Aumentar sua dívida faz com que o juro suba. O juro suba, aumenta seu custo daquela dívida, você aumenta a dívida de novo.

Então você entra nessa, nessa espiral, é uma espiral crescente de custos que não interessa quanto você é arricada.

ASAlfredo Soares

E esse juro é causa ou sintoma do problema?

BNBruno Nardon

Esse juro é, ele é na verdade uma consequência, né? Ele é um sintoma. Então a primeira coisa que você teria que fazer para reduzir o juro no Brasil é você cortar os gastos, porque aí você em teoria vai ter menos dívidas, você tem menos dívida. Pensa o seguinte, se você, você vai emprestar dinheiro para um cara, um cara bilionário, ele tá pedindo R$1.000, sei lá por quê. Outro cara não tem dinheiro para nada, é viciado, joga, joga no Tigrinho, agora não vai poder jogar mais, é alcoólatra, tudo mais.

Esse cara vai cobrar um juro muito maior se você emprestar, né, porque tem um risco muito maior. O Brasil é esse alcoólatra, né, ele gastando cada vez mais, mais, e não consegue parar. Então esse juro fica cada vez mais alto.

LSLéo Siqueira

É, as pessoas, as pessoas costumam achar isso, ah, os juros ele é da vontade do político, Então, sei lá, um partido de esquerda vai querer os juros mais baixos e um partido de direita ligado a Fara Lima, os bancos querem juros mais altos. Primeiro que isso não é verdade, né, que um banco não ganha dinheiro quando o juros está alto, né, porque ele empresta mais caro, mas ele capta mais caro também. Só que é isso assim, para as pessoas, né, que não entendem tanto esse mecanismo, pensa assim, você precisa emprestar R$1 milhão e daí, pô, você vai emprestar para mim que tô desempregado, que você olha lá, eu dei calote nos últimos 3 empréstimos, ou para ele que tem uma fazenda de R$1 bilhão ali como garantia, que tem a renda que tá cada vez crescendo mais e tem um credit score altíssimo.

É óbvio que você— aí eu falo assim, olha, se por algum motivo você fala, ah, vai emprestar 10% para ele, para mim tem que ser mais, né? Por quê? Porque o risco de você não ter aquele todo o dinheiro de volta é mais alto comigo, né, que já dei calote, etc. Isso é uma coisa. Então a capacidade de calote. Outra coisa também Né, você empresta o dinheiro, tá, dado que você tomou um calote, quanto que você consegue recuperar de volta?

Que seja, a qualidade de você exercer as garantias nesse país, no Brasil, é baixíssima, baixíssima. Então o banco, assim, tem diversos dados assim, que quanto tempo demora para um banco, para um credor reaver as garantias de volta? No Brasil é um dos países que mais demora, que é o, é o, é o, você tem o expected default, né, ou seja, a perda esperada, e se tem um loss given default, ou seja, LGD, quanto que é a sua perda dado que você tomou um calote, porque você tem as garantias.

Então quando chega um juiz, por exemplo, que quer fazer justiça social e fala assim: não, coitado dele, ele não pode tomar a garantia que ele deu. Cara, ele optou por aquilo, ele assinou o crédito, ele tem que fazer isso, porque se você fizer isso e não deixar o banco tomar garantia, ele sabe que isso vai acontecer em todas as outras vezes futuras. Então logo ele não vai mais, ele vai ter que subir a taxa de juros, né? Então é, essa é outra causa.

E daí quando você olha o Brasil, é isso, o Brasil gasta muito, é esse alcoólatra como ele falou, logo a taxa de juros precisa ser muito alta para poder fazer isso. E tem a questão da inflação também, que no Banco Central a taxa de juros é aquela que vai levar a inflação para o centro da meta. Né? Então, a partir do momento que você tem a política monetária, que é o Banco Central remando para um lado, mas você tem a política fiscal, né, que são os gastos do governo remando para o outro, a política monetária fica muito menos efetiva, né?

Porque você tá lá remando para um lado, subindo juros, só que o governo tá gastando, gastando, gastando, gastando, gastando. Tem um paper que mostra lá do BNDES, aconteceu exatamente isso. Que acontece? Os juros no Brasil é caro? É, depende para quem. Se você é amigo do rei, não tanto. Se você tem um BNDES subsidiado, não muito, né? Vai pagar 4, 5, 6, 7% ao ano. E aí, quando você tem metade— Brasil tem uns 3 trilhões de créditos, tá?

Um pouco mais, 1 trilhão e meio é crédito subsidiado, o outro é crédito livre. Bom, se você tem 1 trilhão e meio subsidiado que não tá sujeito às taxas de juros do mercado, o que que acontece quando você—

BNBruno Nardon

é a taxa de mercado, né? Em média, tudo é a taxa de mercado.

LNLuiz Nunes

Um lado é muito alto, outro é isso, é lei da meia entrada.

LSLéo Siqueira

Então quando eu preciso subir a taxa de juros para poder levar a inflação para o centro da meta, o que que acontece? Só tá agindo sobre metade do crédito, porque a outra metade não paga 18%. Exato.

LNLuiz Nunes

Então a média é 12%.

LSLéo Siqueira

Grande parte é porque você tem esse subsídio aí grande, grande. Por isso que eu sou um cara super contra subsídio, porque o cobertor é curto. Você tá dando para o Antônio ali, o João tá pagando metade do dobro, né? Então esse é um dos motivos que o Brasil— então assim, tem muita gente que confunde, fala assim, pô, é isso daí é causa, né? Isso daí é consequência. Então, um político é mais benevolente que outro? Não. A Dilma fez exatamente isso lá, o cavalo de pau lá com o Tombini.

Falou assim, olha, tem gente que acredita nisso, tá? O juros é alto, então, pô, a gente precisa reduzir os juros para incentivar a economia e tal. O que ela fez? Reduziu os juros na caneta, de 14 lá para 10%. A inflação disparou, subiu. Aí você perdeu as expectativas do mercado, porque aí o Banco Central perdeu a credibilidade. E daí, como um pai que vai brigar com o filho e ameaça e nunca mais briga, o filho obviamente vai desobedecer.

O custo de você trazer de novo para a meta foi altíssimo. Quem fez isso foi o Meirelles junto com o Michel Temer, que aí a política monetária fiscal remar para o mesmo lado. Aí era enxugando gastos e taxa de juros sendo restritiva. Resultado: pô, a inflação despencou e os juros despencou. E aí a economia voltou, voltou a crescer.

LNLuiz Nunes

Agora vamos falar no que vem. Vamos falar que Flávio vença, ele vai pegar um período muito difícil também porque precisa fazer toda essa arrumação. Vamos falar que o Lula vença, nem sei o que pode acontecer. Então, consegue dizer o que que vai acontecer nos dois cenários? Porque mesmo que a direita vença e venha com a política de diminuir gastança, ele ainda vai ter 1, 2 anos muito difíceis pela frente, talvez até mais, né?

BNBruno Nardon

Eu acho que é o seguinte, se vier o Flávio né? E ele fizer, vamos dizer que eles vão cumprir o que a gente acha que eles vão cumprir, os dois, né? Um vai continuar gastando e acreditando nesse modelo do motor contínuo, né, que ele gasta e por ele gastar ele gera. Sabe aquele meme, né, que é uma tomada com fio que põe na própria tomada, né? Os caras acreditam nisso. E então o Flávio começar, ele entra, seria eleito Acho que no mesmo dia a taxa de juros longas já começaram a baixar, que é a taxa de expectativa, né?

Ele começa a anunciar medidas de corte e tudo mais. As taxas de juros que você pega empréstimo são muito as longas. Eu não sei se alguém que já financiou apartamento, mas você vai financiar para 30 anos, você não vê o CDI, você vê qual que é a curva de mercado disso. Essas taxas já baixam, o custo do empresariado já baixa, ele vai começar a mostrar o plano de governo, aonde vai ter os cortes de gastos. Né, uma série de corte de gasto.

Isso vai diminuir a dívida, né, como um todo do governo. E isso faria com que, como o governo gasta menos, você tem uma pressão inflacionária menor e você pode baixar os juros. Mas isso, o que a gente não pode esquecer, isso do Flávio, né, isso é tudo é bom, né, por enquanto, assumindo que dê para fazer, assumindo que ele consiga. Isso tem uma pegada, né, deflacionária, que é uma pegada restritiva na economia. Que é, você vai, você pode ter aí uma, quem sabe, uma recessão, né?

Uma recessão, não a recessão teórica, né, que você tem que ter X tempo com decréscimo do PIB, mas você pode ter uma, uma, um momento econômico um pouquinho mais difícil, um pouquinho crescendo, crescendo um pouquinho menos, que é aquela hora que você tá na sua casa, você fala, pô, preciso diminuir minhas dívidas. Você vai ter que sair, jantar menos, você vai ter que sua vida dá uma, dá uma encolhida. No outro caso do Lula, é continuar gastando com isso, chegar num ponto que vai começar a acontecer, você vai, para ter dinheiro, você vai ter que emitir título, né?

Porque outra coisa que é muito engraçada, você vai falar com as pessoas, ah, o problema é o alto juro que o governo paga para os bancos. O governo não paga para os bancos, o governo paga o título público que ele vendeu. Aonde tá esse título público? A maioria dele nos grandes fundos de pensão. Fundo de pensão, dos fundos DI que você tem, que, cara, todo mundo tem que ter um dinheirinho, tá no fundo de DI ali numa plataforma, alguma coisa, tá lá.

Então o governo empresta é para o povo, né? Então essa história que paga todo esse juros para os bancos, na verdade o banco ele faz a operação dele, que obviamente tem um spread, tem um ganho, mas o juro que o governo paga é para o cara que segura o título dele, né? Então vai começar a aumentar cada vez mais esse juro. Chega uma hora que você subir o juro não muda nada mais na economia, né, que é a famosa dominância fiscal. Ninguém mais vai querer tomar, ninguém mais vai querer emprestar, ainda mais aquilo ali funciona.

E aí a gente, eu não sei o que que aconteceria, né, acho que tem mil casos diferentes aí na história. Acho que o que tende a acontecer, acho que o padrão é o que eles chamam de o white default, né, que seria o calote branco, que é basicamente você esquece de controlar a inflação, você deixa sua inflação corroer o valor daquela dívida e ela vai, em teoria, diminuindo. E você aceita ter uma inflação, juro real negativo, né? Juro real, juro nesse 13 que a gente vê, 14, ele é o chamado juro nominal, que é inflação mais juro real.

Então aí, se o juro é 13 e a inflação é 5, juro real é 8, tá? Você pode ter, acontece já aconteceu no mundo aí mil vezes situações de juro real negativo, né? Então você tem um juro de 12, inflação de 20, você tem um juro real negativo de 8.

LNLuiz Nunes

Então basicamente assim, a Coca-Cola custava R$1 e hoje custa R$10, vai para R$50, vai para R$50, mas o que você tá ganhando do teu investimento não consegue acompanhar isso, consegue pagar R$45.

BNBruno Nardon

Isso, só que aí o valor daquela sua dívida ela também vai caindo, que tudo vai perdendo valor, né? O seu dinheiro vai perdendo valor e isso é muito arriscado nesse, nesse nesse momento que a gente tá, por isso que ela falou do 40 anos, porque conversa muito as duas perguntas, né, que a parte lá do, de eleger 4 ministros do STF com essa parte econômica. Porque é muito uma, para você atrair investimentos de fora, você tem que ter uma economia sólida e você tem que ter a regra do jogo sólida.

E meu avô sempre falava um negócio seguinte: você não pode deixar a pessoa fazer o errado pelo certo. Que aí você perdeu, perdeu o controle. Que é o seguinte: dá para você fazer o errado, dá para você fazer uma coisa que é legal, porém imoral, que aí você consegue cortar o cara. E dá para você fazer uma coisa que é totalmente legal, moral, e ela gera um resultado negativo. Se você tem 9 ministros do STF com o mesmo pensamento, eles votam de maneira correta porque tem, né, o aparato da lei, tem o ilegal, tem o ilegal que é você fechar um contrato escuso.

Tem o imoral, que é você ser o juiz, o delator, o advogado e tudo mais. E tem o correto, que é você, todo mundo combinar, votar junto por um partido, só que você tá fazendo absolutamente a coisa estritamente correta e você tá indo para um lugar errado. Como por exemplo você, o negócio das bets, sem entrar aqui no se eu sou a favor ou contra bet, isso é irrelevante. Você não pode quebrar um contrato desse jeito. Então você gera uma fragilidade econômica e uma insegurança jurídica.

Então aí você deixa o país num cenário muito ruim. Então é isso que, exatamente complementando o que o Léo tava falando, é mais do que economia agora, é você ter um país investível, você tem um país sério, você tem um país que minimamente, né, é horrível falar minimamente, mas cumpre as regras que estão escritas na lei, na Constituição e nos contratos.

LNLuiz Nunes

Agora você acha, e daqui é uma pergunta dos universitários que me mandaram aqui, tá fora da pauta, Tá? Tem uma linha aí que é meio que eu não concordo, tá? Mas eu vou expor que eu quero ver a opinião de vocês, que é uma linha que fala o seguinte: tanto faz entrar esquerda ou direita, quem manda é o centrão. E o centrão, ele acaba se aproveitando do hospedeiro, mas ele também não quer matar o hospedeiro, porque uma vez que matou hospedeiro, acaba a fonte de energia que ele tem para continuar vivendo.

Então, mesmo que Lula continue presidente. É irrisório esse lance do STF de querer escolher 4 ou não, porque quem no fim do dia vai escolher é o Centrão. E dado isso, provavelmente o Centrão vai pegar um STF talvez menos como a gente, né, que talvez faça os checks and balances aí, faça o contrafluxo do que o outro lado tá pensando para ter equilíbrio, que essa é a ideia do equilíbrio de poder.

ASAlfredo Soares

O que que vocês acham disso?

LNLuiz Nunes

Eu não concordo com isso, tá? Só tô querendo saber o que que vocês acham disso, ou de fato o próximo presidente que vai escolher os próximos 4 ministros, no lance da segurança jurídica que existe no Brasil, ou insegurança jurídica, que a gente já vê muita coisa acontecendo. Se for um cara de esquerda, o Centrão dominaria isso para passar quem eles quiserem.

LSLéo Siqueira

Tem uma coisa que eu concordo aí, que é até a questão da economia. A gente tá no momento de decisão, então tem muita gente Tá muita gente ansiosa, alvoriçada pelos dois lados, né? Então, assim, um lado foi eleito, acabou o Brasil, e se o outro for, pô, isso aqui vai virar Suíça, né? O que eu, que eu, quando a gente olha os números, o que acontece? Quantos, quanto vocês acham que o Brasil cresceu em média por ano nos últimos 40 anos? 3%, 2,5%, 2,2%. 2,2 é muito pouco.

BNBruno Nardon

Eu sabia que você sabia.

LSLéo Siqueira

2,2 é muito pouco para um país emergente. Uma coisa é Estados Unidos, né, porra, Alemanha crescer 2,2 nos últimos 40 anos. Que eu quero dizer com isso? Que nossos problemas não começaram em 2018, como muita gente quer colocar, que destruiu a economia, mas também não começaram só em 2003, né? Sim, tem. Eu faço parte de um partido, sou de direita, só que a gente apresenta um baixo crescimento há muito tempo. Quando você vai decompor o PIB desses 2,2%, que como você pode decompor o PIB?

O que que é o PIB? O PIB é o quanto cada pessoa produz vezes o número de pessoas, de uma maneira muito simples, né? Como é que você— quanto cada pessoa— número de pessoas é boom demográfico, pessoas entrando no mercado de trabalho e tal. Por isso que países com alta taxa de natalidade crescem bastante, né? Nigéria, China, etc. E o outro aqui, quanto cada pessoa produz, produtividade. Quando você decompõe esse crescimento de 2,2%, 2% foi do aumento do boom demográfico, aumento de mão de obra, e 0,2% foi aumento de produtividade, tá?

BNBruno Nardon

Eu achava que era 3% de crescimento e meio de, menos meio de produtividade.

LSLéo Siqueira

Não, não, a produtividade cresceu 0,2% na média, mas só que se você pegar o relativo é menos meia. Se você pegar quanto que os Estados Unidos cresceu tal, a gente dá menos meia no relativo. Bom, Aí você pergunta, então quanto o Brasil vai crescer nos próximos anos, né, nos próximos 10 anos? É só você projetar esses dois. O boom demográfico é muito fácil, né, você projetar quantas pessoas. Na média vai ser 1% por ano. Ou seja, se a gente quiser crescer 3%, 4%, 5%, a gente tem que tirar esse crescimento da produtividade, tá?

Então essa é a primeira coisa. Segunda coisa, se o Flávio for eleito, na minha visão, ele não é a mudança, ele é a oportunidade da mudança. Isso é importante, porque não basta chegar lá e achar que não precisa fazer nada. Ele é oportunidade da mudança. Mas não vai ser a mudança automaticamente. Por quê? Porque qual que é o principal problema do Brasil? É a dívida que atingiu 82%. Então o governo gasta mais, né, do que arrecada.

A restrição orçamentária do governo é muito simples, né? As receitas do governo tem que ser igual os gastos do governo mais uma dívida aqui. Então se ele, se ele tá gastando muito mais, ele aumenta a dívida. Se ele tá gastando muito menos, ele consegue reduzir a dívida. Simples assim.

ASAlfredo Soares

Vai existir dívida.

LSLéo Siqueira

Vai, você pode ter um governo superavitário, mas os políticos têm incentivo a sempre gastar um pouco mais agora, né, para poder ter. Você pode ter um país sem dívida, né, mas assim, não faz sentido. E dívida boa não se paga, se rola, né?

BNBruno Nardon

Fazer um PS aqui, é igual rico com financiamento imobiliário.

LSLéo Siqueira

Você tem uma dívida barata para quê? Como uma empresa, né?

BNBruno Nardon

Quando eu comecei a trabalhar, eu operava dívida externa e a Noruega não tinha Não tinha dívida externa. E aí ele emitiu, né, uma quantidade pequena, mas o engraçado é que emitiu uma quantidade pequenininha de dívida para 30 anos, 30, 29, 28, só para fazer a curva de juros, porque os países, as empresas do país estavam precisando ter uma curva referência para poder emitir. Aí eles fizeram isso, eles iam rolando 30 anos só para ter uma curva. Sim, é outro nível, né?

LSLéo Siqueira

Então O que acontece no Brasil? O problema é que 90% dos gastos são rígidos, estão na Constituição. 90%. Então qualquer um que vire presidente aqui amanhã precisa mexer. Para reduzir os gastos de verdade, precisa mexer na Constituição. E para mexer na Constituição você precisa de 3/5 do Congresso. Aí entra o que ele falou do centrão. Então qualquer um aqui vai ter dificuldade, porque você pode cortar um pouquinho ali, um pouquinho ali e tal, você tem que fazer a curva ABC lá.

Os grandes gastos é Previdência, então tem fazer uma reforma da Previdência, desvincular o BPC, né, que é o Benefício de Prestação Continuada para os idosos, dos aumentos do salário mínimo. Porque você pode mexer, ah, eu sou super contra erronez, vamos reduzir, vamos, não vai mexer nada. Pô, eu acho que eu luto contra o privilégio dos políticos, vamos cortar o salário, vamos tirar, não vai resolver, é os grandes gastos. Então o Flávio vai ter essa dificuldade.

E aí o Brasil é isso. Por quê? Porque cresce pouco, porque são várias políticas públicas erradas que os caras insistem, a gente não avalia, a gente não ver o que dá certo. E a gente insiste, a gente— o debate já mudou faz tempo. E há 40 anos a gente tá falando, não, desenvolvimentismo, vamos industrializar o Nordeste. Ninguém mais fala disso, já mudou o debate, e vocês estão atrasados. E aí você tem que resolver essas questões, e aí você vai falar com o Centrão.

Então enquanto você não conseguir dialogar com essas pessoas e resolver isso, não adianta, porque os gastos são rígidos. Então você precisa mexer na Constituição para poder de fato reduzir a dívida, etc., porque todo presidente tá sofrendo isso. O Brasil não, não, não tem falta de ajuste fiscal por falta de regra boa, não é por isso. É porque a gente quebra as regras sempre. Então o cara faz um teto triplex, ele vai aumentando lá e tal.

Então é só a gente cumprir as regras. Então eu sou cético isso. Eu, e por que que eu acho importante dizer isso? Porque para fazer a pressão, porque não basta falar assim, ah, o Flávio tá eleito, então não, não, agora vamos lá. Pressionar para reduzir os gastos, pressionar para não aumentar os gastos, porque senão vai ser só a chance da mudança e vai perder. Então é isso, o Brasil se quiser crescer daqui para frente, dado que a gente vai crescer 1%, a gente tem que aumentar a produtividade.

Então todas as nossas perguntas têm que ser: como é que a gente aumenta a nossa produtividade para poder crescer de verdade? Senão a gente vai continuar ficando mais atrás do que os países ricos e desenvolvidos, né?

BNBruno Nardon

Deixa eu roubar um espacinho de vocês, fazer uma pergunta para o Léo. Uma coisa que eu sempre converso política é que esse processo já vinha acontecendo depois da pandemia, ele foi acelerado muito, de maneira muito forte, que é o mundo ficou endividado, né? Isso não é um privilégio do Brasil, inclusive o Brasil não é dos piores, né? Então tá os Estados Unidos todo endividado e criou-se esse, essa situação que é o país extremamente endividado e uma cultura no país de assistencialismo fortíssimo, super difícil de cortar, diminuir qualquer coisa assim.

E da pandemia para cá, né, acho que já teve duas eleições, a gente tá vendo de maneira geral no mundo todo os presidentes não se reelegendo. E aí tem, né, uma teoria que diz que é porque o mundo pendulou para esquerda demais, né, foi lá para o Biden e tudo mais, Lula, Argentina, Colômbia, Chile e tudo mais. E aí começou a voltar para direita, e aí veio a pandemia Bolsonaro não se reelegeu, Trump não se reelegeu, várias pessoas não se reelegeram.

Aí falaram, não, porque a pandemia trouxe aquele sentido mais humanitário, e aí a esquerda voltou. Essa é uma teoria que a gente vai começar a ver se ela faz sentido agora. Mas eu às vezes acho que é o seguinte, a gente vai ter um período longo, muito difícil de qualquer presidente ou qualquer governante se reeleger, porque a dívida é muito grande. Então o governo fica ruim e o jeito de consertar isso é você cortar os privilégios, que fica pior ainda a popularidade dele.

Então, ou ele governa mal porque tem muita dívida, ou ele é extremamente mal avaliado porque esse vício no, no, no, na ajuda, no projeto social ali é muito forte. O que que você vê isso aí?

LSLéo Siqueira

É porque essa é uma pergunta comum que eu escuto, que você tá colocando que seu gasto é bom para população e se eu corto isso machuca da população. Não é verdade, não é verdade.

BNBruno Nardon

Primeiro que os dois são ruins, os dois são ruins. Um mata o cara por inflação, o outro mata o cara porque eu tiro o benefício dele.

LSLéo Siqueira

Logo, e logo a popularidade dele seria baixa. Mas esse segundo ponto, que logo a popularidade dele seria baixa, não é, não é verdade. É, eu costumo falar, não existe responsabilidade social sem responsabilidade fiscal. Não adianta para vocês pagarem bem os funcionários de vocês, vocês têm que ter lucro e gastar pouco. Né? Então, como é que vocês ajudam mais os funcionários de vocês? Gastando pouco e tendo lucro. Então, o país é a mesma coisa, né?

Se fosse— primeiro que na pandemia realmente ninguém foi reeleito, mas justamente por isso, porque a inflação disparou, o desemprego, por exemplo, subiu, sei lá, 5, 6, 7 pontos percentuais. Então, cara, inflação dispara, o país não cresce, o desemprego sobe, pô, a sociedade fala: a culpa é desse cara, não soube conduzir isso. E aí troca o cara mesmo. Né? Mas isso é um ponto interessante também que você falou, no sentido de as pessoas, tem umas pessoas que falam assim, ah, mas não tem problema ter dívida, né?

Porque o Brasil tem 80% da dívida, mas os Estados Unidos tem 120% do PIB de dívida, o Japão tem 200% de dívida.

ASAlfredo Soares

A questão é o que que você faz com a dívida, né? A questão é o que que você faz com a dívida.

BNBruno Nardon

É, esse é um primeiro ponto.

ASAlfredo Soares

É o cara que se endivida para viajar, outra coisa é o cara que se endivida para comprar um imóvel.

BNBruno Nardon

Não, o cara fazer um curso, outro cara para ir para balada.

LSLéo Siqueira

Mas não, mas é mais que isso, porque não importa, não importa sua dívida hoje. O que eles estão preocupados é com a sua dívida de amanhã, do futuro. É igual você falou, pô, o cara que tá lá endividado, mas é uma dívida barata, ele sabe que se ele quiser ele paga na hora. Então a dívida futura teoricamente do cara é zero. Que que importa, ou seja, não é a dívida de hoje, a dívida futura. O que que é a dívida futura? É a dívida de hoje corrigida pela taxa de juros, mais ou menos quando você tá aumentando ou reduzindo a dívida, né?

ASAlfredo Soares

Então é igual comprar um imóvel na planta. É, se comprar numa área que tá valorizando, a probabilidade é que, porra, tu quita quando tu quiser, porque o imóvel vai ser maior do que a dívida.

LSLéo Siqueira

Então o Japão tem 220% de dívida, só que a taxa de juros deles é próxima de zero, e o Brasil é 15%. Então, para você, a sua dívida não explodir, você tem que ter um superávit muito grande, porque a sua dívida ela corrigida uma taxa de juros muito grande. Então esse é o problema do Brasil. Mas daí é isso, eu não acredito nesse, nesse dilema de que, pô, se eu estou ajudando, colocando as contas em dia, eu tô prejudicando a população.

Porque o Milei, é que a mídia tem seus vieses, né? Mas o Milei, pô, o Zema, o Zema fez isso. E como é que ele foi reeleito no primeiro turno? Ele colocou salários em dia, ele, ele Enxugou gastos, né? E o Milei também. O Fernando Henrique também fez isso e foi reeleito no primeiro turno. Então, por que que ele fez o melhor programa de combate à pobreza de todos, que chama-se Plano Real, que derrubou a inflação? Então, quando você é responsável fiscalmente, o que acontece?

A taxa de juros despenca. Daí a taxa de juros despenca, as empresas passam a investir mais, porque agora vários projetos tornam-se viáveis. As pessoas podem ter mais crédito, etc. Então realmente às vezes pode ter um custo de curto prazo, mas se você continua na direção correta, eu acho que você acaba colhendo os dividendos, que eu acho que é o que tá acontecendo já na Argentina. Então a inflação tá estável, o crescimento já tá vindo, e eu acho que já tá tendo mais crescimento econômico.

Mas, e principalmente se você teve a legitimidade, porque quando você foi eleito, você O Milei foi eleito para isso. Exato. O que você não quer é tipo 6, 8 anos nisso, mas os 2 primeiros anos você tem carta branca para fazer o que você quer.

BNBruno Nardon

Agora que ele deu uma melhorada boa, ele deveria continuar fazendo algo nessa linha, né, essa ideia. Mas a popularidade dele começou a cair bem agora, que ele tinha que dar uma aliviada. Que é igual você tá, tem um paciente ali que tá com ultra sobrepeso, não dá para você fazer ele fazer uma dieta só e perder 50 kg, que a vida dele vai virar um inferno. Você tem que fazer ali, dá uma aliviadinha, solta um pouco. Então isso que eu era nessa, nesse sentido aí meu questionamento.

LNLuiz Nunes

Mas obrigado. Nos primeiros 100 dias do eleito, seja quem for, quais sinais vão separar um 2027 difícil de um 2027 de crise? E ruim vai estar, né? Difícil vai ser.

BNBruno Nardon

Eu acho que tem que, tem bastante gente esperando a parte ali um pouco mais legal barra ideológica, né, que é impeachment de ministro do STF. Deixando isso aí, essas questões de lado, indo mais na parte econômica, acho que ele vier com primeiro nomes críveis para os ministérios, um número baixo de ministérios, e começar a anunciar um plano que envolva talvez não em D0, mas que envolva uma solução para Previdência. Para reforma tributária vai ter que ser ajustada ou refeita, não sei como é que vai ser. Então Previdência, reforma tributária.

LNLuiz Nunes

O que que tem na reforma tributária?

BNBruno Nardon

A reforma tributária é de imposto, né, que fez o PIS e COFINS virar uma coisa só e na verdade aumentou e ninguém sabe como cobra. Enfim, a parte, a reforma da Previdência que vai ter que ser refeita, né, que acho que mataram a reforma da Previdência aí. Que aí o Léo até já entrou com umas, com uns pontos aí, que essa vinculação dos benefícios, enfim. Então assim, acho que cortes de gasto, time bom, corte de gasto e reformas importantes já começar a andar.

ASAlfredo Soares

Por isso que assim, se for eleito com, acho que reforma então é mais importante que projeto novo, mudar o que já tem é mais importante do que tem que corrigir, né?

BNBruno Nardon

Tem que corrigir a direção. É, vamos lá, esse grande. Mas você acha que um time bom, time bom, reforma, reforma o ajuste previdenciário, tributário, corte de gastos de maneira geral.

LNLuiz Nunes

Agora, o que tá aí tem isso de propósito?

BNBruno Nardon

Não, não tem, né?

LSLéo Siqueira

É, essa tem sido uma falha. Assim, tem a Dani Marx, né, que é uma das principais cabeças lá da equipe do Fábio.

LNLuiz Nunes

Não, não, o que tá aqui, o que tá aqui, o, o, o, se tiver continuidade no poder, esquece, a direção oposta, 180 graus defasada.

LSLéo Siqueira

Assim, ainda que queira sinalizar para o mercado, nossa, houve encontro com empresários agora para fazer ajuste fiscal, uma questão de lógica. A pessoa não fez ajuste fiscal no primeiro mandato, por que que vai fazer agora pô, provavelmente não, eu espero, né, no último mandato da vida, né, se tiver, não vai fazer, não tem incentivo nenhum para fazer.

LNLuiz Nunes

Tem certeza do que vai acontecer? Sim, assim, é ruim.

BNBruno Nardon

A gente tá votando hoje em dia, a gente, eu pelo menos, né, o voto é secreto aqui, mas o meu não é. Eu tô votando na dúvida, né, me deixa ter dúvida do que vai acontecer no futuro, te dá esperança.

LNLuiz Nunes

Exatamente, de um lado não tem esperança.

LSLéo Siqueira

A reeleição serve muito para você se comportar de uma maneira boa. Por que que há o mecanismo da reeleição? Porque tem evidência de que a reeleição faz os políticos deveriam, né, se comportar de uma maneira melhor para tentar ser reeleito. Então o cara, ele não vai roubar porque ele tá pensando na reeleição, né? E são os incentivos da reeleição. E tem evidência, tem paper mostrando isso. Olha, a reeleição teria esse benefício, ainda que eu não sei.

ASAlfredo Soares

São dois, né? É esse e o fato dele ter mais tempo para finalizar os projetos, que são grandes.

LSLéo Siqueira

Exato. Então, mas pensa no jogo, né, do presidente Lula, na vida como ela é, né? Ele, qual que é o incentivo dele? Ele quer entrar no livro de histórias. Então, para quê? Se você tá próximo ali, pô, 80 e poucos anos ali, para que que você vai fazer um ajuste fiscal agora? Você deveria ter feito lá atrás. Se lá atrás você não fez, por que que você vai fazer agora? Isso já para mim já é o suficiente. Aí você soma, você soma a ideologia do partido e você soma as declarações, que gasta vida, que a gente tem que gastar, que, e tudo.

A gente tem 300 bilhões fora do arcabouço fiscal. Exato. Você nunca ouviu falar isso?

LNLuiz Nunes

Pessoal fala gasta vida, porque a minha não é, eu economizo muito.

LSLéo Siqueira

Pois é, mas aí eles acreditam nisso, aí eles acham que basta mudar de nome, entendeu? Quando fala assim, ah, o Brasil gastou 6% do PIB educação, não é gasto, é investimento. Ah tá, agora mudou realmente.

LNLuiz Nunes

A esquerda tipicamente é muito boa de branding, né? Muito boa, reformula o que era ruim para virar bom.

BNBruno Nardon

É que nem quando eu saía bastante, às vezes Pô, tô gastando demais a bala. Não, eu tô comprando memórias.

LSLéo Siqueira

Mas a matemática, né, funciona independente do nome que você quer escolher, né? Então você não é porque você usa um nome diferente que você vai transformar o déficit em superávit, né?

LNLuiz Nunes

Agora, hoje, quando a gente olha os gastos do governo, ele já tem muito provisionado e comprometido por lei, né? Quando você olha o orçamento, esses 90% que o Léo falou, né?

LSLéo Siqueira

90% de todo orçamento do governo, 90% é rígido. Por quê? Porque existe um negócio que a gente chama de constitucionalização das boas intenções. Você fala assim, ah, Bolsa Família, eu sou a favor do Bolsa Família porque é um programa com evidência, etc., ainda que tem que ser reformulado. Bolsa Família é bom? É bom. Vamos botar na Constituição. Ah, o gasto em saúde é importante? Óbvio que é importante. 15% na Constituição. Educação é importante? 12%.

Daí, do tamanho dos nossos sonhos, não cabe na Constituição, né? Porque se você somando de 5 em 5, por exemplo, isso daí muita gente fala que é a favor. Eu acho que tantos por cento do orçamento deveria ir para os atletas, por exemplo. É importante, só que todo mundo acha que é importante. E daí, quando todo mundo é importante, ninguém é importante. Então 90% dos gastos são rígidos, aposentadoria, etc. Então chega lá qualquer presidente, ah, vou cortar os gastos, ele só consegue mexer em 10, porque os outros 90, se ele não cumprir, ele pode sofrer impeachment, prevaricação, etc., responsabilidade fiscal, tá? Você entendeu?

LNLuiz Nunes

É, ele só pode trabalhar com 10%, só pode reduzir, se ele quiser, 10%.

LSLéo Siqueira

Exato. Então não tem como você fazer uma dívida que explode, você fazer um ajuste fiscal de verdade quando só 10% é livre, entendeu? Porque 90% consegue sozinho.

LNLuiz Nunes

Você precisa do governo, você vai, você vai, está na Constituição.

LSLéo Siqueira

Quando você quer mudar uma Constituição, você faz uma PEC, Proposta de Emenda Constitucional. E para fazer uma PEC você precisa de maioria qualificada, 3/5. Ou seja, daí entra, é super difícil você conseguir uma, é passar uma PEC.

BNBruno Nardon

E aí vai assim, tá ficando com cara boa agora. Composição, né?

LSLéo Siqueira

Isso, se tiver uma composição. Por isso que é importante a base do governo, porque daí você precisa gastar menos capital político para poder ter apoio. No início você consegue bastante isso. Então, para você, capital político hoje, bom, o principal é emenda parlamentar, né?

LNLuiz Nunes

O que que é emenda parlamentar? Tinha um nome diferente, ela tinha um brand diferente.

BNBruno Nardon

Quando era o Bolsonaro que fazia, isso foi engraçado, cara, que era, eu chamava secreto.

LNLuiz Nunes

Mas é a mesma coisa ou não?

BNBruno Nardon

Dia 1º de janeiro ela nasceu com outro nome, né?

LNLuiz Nunes

Mas é a mesma coisa ou não?

BNBruno Nardon

A mesma coisa, exatamente a mesma coisa.

LNLuiz Nunes

Então a galera é bom de branding, são excelentes de branding, cara.

LSLéo Siqueira

É que na verdade é o seguinte, né?

BNBruno Nardon

Deixa eu só para matar com aquele negócio do 90%, só para linkar duas coisas que você já sabe. Esse negócio 90%, você já ouviu aí um papo quando o pessoal tá falando fazer um orçamento base zero, né? Orçamento base zero é exatamente isso, é vamos começar de novo Porque hoje tá escrito lá que tem 20% para isso, 30% para aquilo. Vamos esquecer isso, vamos fazer a conta do mundo atual, como é que precisa.

LNLuiz Nunes

Então esse seria o orçamento base zero, que é tipo assim, os 90% de fato precisam ser gastos hoje.

BNBruno Nardon

É, não, e nessa quebra, né, porque a gente não sabe como é que, tipo, deve ser mais para saúde e educação e menos para outra coisa. Exato, por exemplo, isso aí, né, e deixar ele mais solto. Porque acontece, quando você tem um orçamento fixo, cara, isso aí funciona empresa, em, você tem orçamento, ah, você, vamos supor que você tem aqui no G4 sem dinheiros para fazer café da manhã com cliente, cara, chega ali em novembro, você gastou só 70, o cara fala assim, eu preciso gastar 100, senão ano que vem eles vão baixar meu orçamento, porque não precisa.

Aí o cara faz um monte de coisa, não precisa para manter, mesmo coisa na política, isso funciona em todos os lugares.

LNLuiz Nunes

Mas o que que você ia falar antes?

ASAlfredo Soares

Não, o que é isso? É um câncer.

LSLéo Siqueira

O que acontece, nosso sistema de governo é muito parecido com o americano, né? Que tem um documentário muito bom que chama O Experimento Americano, Netflix, cara, podem assistir, pô, é uma aula ali de como eles fundaram os Estados Unidos, os Founding Fathers e tal. Então a ideia é a seguinte, cara, eu tenho 3 poderes, né? Eu tenho Legislativo, Executivo e Judiciário, cara. O Legislativo é a voz do povo, vamos fazer as leis que a gente quer.

Então a sociedade através dele. Então, cara, eu quero fazer programa disso, programa daquilo, ele vai lá queremos ou não legalizar as drogas, etc. Esse é o Legislativo. O Executivo executa, simples assim. Então ele vai executar as políticas públicas. E o Judiciário, ele vai ver se ele tá executando. Ó, você deveria estar executando, não tá. Ou se, cara, você tá fazendo isso, você não pode fazer as coisas, você não pode declarar guerra, por exemplo, sem passar pelo Congresso.

Então você não pode isso. Então Legislativo, Executivo, Judiciário. O Legislativo, além disso, ele deveria fiscalizar o governo. Né? Deveria fiscalizar o governo. E quem mostrou tudo isso aí foi o Montesquieu, a ideia dele, né? Então, você, cara, você tem 3 sistemas ali que eles minimamente, eles de maneira independente controlam. Exatamente. Então, cara, aí o Legislativo, ó, se o cara do Judiciário também tá fazendo coisas não republicanas, pô, vamos fazer ele que ele tem impeachment.

Ou então Executivo, ele prevaricou, vamos abrir um processo de impeachment. Então você teria 3 modelos. Só que aí Depois de muito tempo é isso, você tem um centrão ali que se vende, né? Então o que que o governo começou a fazer muito de maneira inteligente? Eu tenho um recurso aqui, cara, então eu preciso votar os projetos que eu quero. Então, cara, você não quer governar o Executivo? Isso. Você não quer alocar esse recurso na tua base parlamentar e tal?

Aí os políticos acharam legal. Só que isso era quando o governo queria. Então você fica refém. Aí os políticos se organizaram agora, cara, vamos fazer uma emenda impositiva. Vamos botar na Constituição que a gente tem que receber 1% do orçamento obrigatoriamente. E quem vai votar? A gente mesmo. Porra, maravilhoso, né? Então você tem emenda impositiva que tá na Constituição. Por exemplo, eu sou deputado estadual em São Paulo, eu tenho R$10 milhões por ano, é de baixo clero, tá?

Primeiro mandato, tudo. Eu tenho R$10 milhões por ano de emenda impositiva e mais R$10 milhões de emendas voluntárias. Ou seja, em 4 anos eu tenho os R$80 a 100 milhões. Eu sou mini private equity, porra. 100 milhões, eu, primeira coisa, o que eu não faço, eu não dou para museu para ficar botando mármore nas coisas. Não, não precisa, só se olhar a realidade do Brasil. A festa, peão do boiadeiro, legal, vou lá, frequento, mas não envio para lá.

Para mim é muito simples, cara, é onde tem escola, é para comprar livro, arma ou equipamento de câncer, né?

LNLuiz Nunes

Então é saúde, segurança, educação.

LSLéo Siqueira

Ah, mas aqui Precisamos reformar o museu aqui do Ibirapuera. Legal, cara, vai pedir para outro. Não, porra, o cara morreu ontem porque ele não tinha equipamento de câncer. É muito simples, né? Então para mim é isso. Só que tem um custo político, né? Às vezes o cara não gosta e tal. Só que o cara faz o que dá dinheiro. Então o cara vai lá, faz areninha, que chama, né? Custa R$1 milhão mais ou menos fazer uma quadra society. Pô, dá voto para caramba.

Eu não faço isso. Você acha que o Brasil vai aumentar o 0,2% da produtividade porque tá fazendo quadra society? Não vai. Vai dar voto para caramba. Não vou fazer, cara, não vou fazer. Então os políticos falaram, ó, a gente tem emenda impositiva. E aí eles sempre querem mais, né? E aí o governo às vezes dava impositiva e dava essas emendas para você destinar e etc., que foi a chamada, que era a emenda secreta, o orçamento secreto, emenda Pix e tal.

Depois mudou de nome, mas então você tem esses dois tipos de emenda. Então esse maior capital político é isso. Então basta ver um projeto importante que o Lula quer passar, É o fim das bets, acho que foi decreto, né? Então é MP, exato. Mas alguma coisa que o Lula vai passar, esse fim das bets ainda vai ter mundo, vai, exato. E muita gente vai entender o porquê, por conta disso, porque os cara pagaram.

ASAlfredo Soares

E aí, meu irmão, vai ser maluquice.

LNLuiz Nunes

Imagina. Mas continua ali.

LSLéo Siqueira

Não, não, é só para finalizar. É qualquer vez que o governo, não só o Lula, qualquer um, tá? Qualquer um. Por isso que eu tô falando que a gente fica refém. Mas o Lula quer passar o Desenrola 3.0, sei lá. No mesmo dia, na mesma semana, você vai falar: Lula bate recorde de emenda em R$50 bilhões em um dia. Porque é o cara passando. Eu sei como tá lá, você fala assim: privatização da Sabesp, eu sou super a favor, né? Vou lá, botei a favor.

Aí eu pego o cara do Centrão: e aí, você é a favor? Ah, precisa ver, o texto tá meio ruim, né? Já passou o sinal. É tipo assim, porra, vamos conversar, você passa emenda, passa o que eu quero, depois vota a favor, entendeu?

BNBruno Nardon

Então esse mecanismo de troca é horrível, é legal, porém imoral, né, que a gente tava falando ali, né?

LSLéo Siqueira

E assim, o Legislativo, pensa de novo na concepção, o Legislativo tem que fazer leis e fiscalizar o governo. Quem executa o orçamento é o Executivo, não deveria existir.

LNLuiz Nunes

Quando começou esse negócio, isso enfraquece um pouco o presidente, né?

LSLéo Siqueira

Acho que em São Paulo o impositivo foi com o Alckmin. Bom, a gente é uma democracia relativamente nova, né? Não sei, deve ter sido 90, por aí, das emendas ou do orçamento secreto. É das emendas, é um pouco depois talvez. Mas isso é, eu não sei exatamente como é nos Estados Unidos, mas imagino que seja igual. Há incentivos para isso. Por isso que fala que Montesquieu ficaria triste com isso, porque ele não imaginava. Você imaginaria o Legislativo fiscalizando mesmo?

Olha, você tá errado, não sei o quê. Só que o que a gente tem hoje é uma base que vai, dependente do que o cara fizer, ele vai apoiar. E uma oposição ali que vai fazer oposição por oposição. Mas é isso. Então o principal capital político é esse.

LNLuiz Nunes

Então nesse caso, o Legislativo tá recebendo dinheiro para executar na ponta.

LSLéo Siqueira

Isso, que é uma má alocação de recurso absurda. Porque que capacidade um deputado que vem de algum grupo específico tem para poder alocar Pô, o orçamento do governo, zero. Óbvio que é uma má alocação. E Brasil perde, sei lá, uns 30% de produtividade com má alocação de recurso.

LNLuiz Nunes

E por que que não matam isso?

LSLéo Siqueira

Ué, porque quem decide são os políticos, né? E o Lula fala, nunca vai acabar. O Dino tentou fazer isso mais ou menos, né, através do STF, que também tá errado, não deveria. Lembra das 3 funções lá? Você não foi provocado, por que que você tá se metendo nisso? Ah, o STF quer acabar com a ligação das drogas, cara. Isso Você quer decidir isso? Se candidate e vá para o Legislativo. O seu papel é só responder se é constitucional ou não quando você foi provocado.

Mas é isso, eu falo que nada, nada une tanto os políticos quanto qualquer coisa que faça aumentar a chance deles de se reeleger. Então vamos aumentar o fundão eleitoral de 5 para 10 bilhões. Então por que que a gente não acaba com a reeleição? Por que que não acaba com a reeleição?

LNLuiz Nunes

Foi o que você falou, que tinha— desculpa, eu tô sendo, tô sendo meio chato.

BNBruno Nardon

São eles mesmo que tem que criar isso aí, né?

LSLéo Siqueira

O cara que deveria fazer isso Ele vai ser eleito. Então Flávio propôs isso, né? Ele sendo eleito, eu espero que ele acabe, mas ele tem incentivos totais para não fazer isso. Então, pô, agora na minha vez, depois no próximo eu faço, né? Tanto é que quem votou foi o FHC, né? Que ele que votou com a reeleição, e aí depois perderam 3 todas para o PT aí.

BNBruno Nardon

Não, e no limite você tinha que poder se reeleger e nunca mais, né? Não 3, 4, 5 mandatos. É isso, Estados Unidos assim, é, você não pode ter 3 Mesmo se eles não forem colar, 2 no máximo, acabou.

LSLéo Siqueira

2 no máximo, exato. Alternância de poder, exato.

BNBruno Nardon

Não faz, que é alternância de poder que deveria dar exatamente esse, esse é a pluralidade no STF, por exemplo.

LSLéo Siqueira

Porque senão você captura as instituições.

BNBruno Nardon

E aí eu acho que assim, um ponto que desse do centrão que você colocou aí, que no fim das contas quem manda é o centrão, eu tenho impressão que o governo atual ele como a gente diria, né, no inglês, né, went rogue. Assim, tem impressão que ele, cara, falou: não vou mais obedecer vocês, e agora é meu último ou penúltimo mandato. E ele ficou rebelde. Então acho que esse é um dos motivos que você vê que o Centrão não tá com tanto apoio mais, né, no governo.

Ele, se tivesse acreditando e querendo a reeleição, estaria apoiando muito mais o governo. Você tem que dar uma coisa é você colocar o ministro do STF ali, que é teu amigo, tem alguma coisa próxima de você. A outra é você colocar um cara que é seu amigo há 30 anos, tem uma bandeira ideológica, tudo mais. É um negócio que não imagino que o Centrão tenha gostado da última indicação aprovada aí. E parece que ele falou, cara, o Centrão e as pessoas querem me controlar aí, que danem-se, eu vou fazer o que eu vou fazer.

LSLéo Siqueira

Eu concordo naquilo que você falou, que o Centrão manda. Concordo muito com isso. Um dos problemas do Brasil é o Centrão. Mas eu discordo na questão do STF. Basta você ver as últimas indicações do Lula. Ele indicou advogado do partido dele, advogado pessoal dele e o Flávio Dino. Então essas indicações não foram— e o Bessias, né? Então eu concordo muito que o Centrão é isso, quem dá as cartas e quem domina. E o Centrão é horrível, porque pensa, o papel dele é continuar sendo reeleito.

Ele nem quer nenhum cargo. E daí então ele vê como rato do navio, né? Pô, esse cara aqui vai perder, vou abandonar ele. Entra governo, sai governo de eu sou governo. É isso, né? Então inclusive você falou de temperatura, é um ótimo termômetro para você. Pensa que o Centrão, eles têm mais informação do que todos nós e mais experiência do que todos nós para prever eleição. Então eles têm mais informação e sabe jogar o jogo melhor.

Então para onde esses caras estão indo é para onde a gente você deveria olhar que talvez ganha eleição, né? Por isso que lá foi um— o que que aconteceu foi um sinal. Eles não quiseram apoiar o Flávio porque eles estavam farejando, acho que não. E que que aconteceu agora recentemente? Já se aproximaram, que falou esse cara. É isso, eles querem ver quem vai ganhar para apoiar e tá com o vencedor, e aí lá e pedir emenda, pedir cargo, etc.

Então esse é um bom termômetro para você ver aonde a direção da política tá indo são esses caras. E a gente tem que eleger gente que faça as coisas de verdade. Eu acho que tem uma geração nova aí que realmente tá mais preocupada em fazer o que é certo do que simplesmente querer cargo e tal. Então, nesse ponto de vista, apesar de ser ruim, eu sou bem otimista.

LNLuiz Nunes

Agora, você acha que mesmo presidente, né, porque estamos aí agora alguns dias da eleição, É, muita gente fala isso, que não é só escolher o presidente, é escolher as outras castas ali dentro, que são Legislativo, né, que faz o negócio acontecer. Qual que é a importância? Porque eu acho que pouca gente que ouve a gente, todo mundo só discute sobre o presidente. Mas, cara, eu vejo pouca gente falar sobre senador, sobre deputado, sobre outras coisas, né?

BNBruno Nardon

Vou deixar o Léo falar isso aí. Eu só queria pontuar uma coisa que mudou, que é muito bacana, que eu acho que tá melhorando a política agora, né? Que a capital do Brasil era o Rio de Janeiro. E há teorias de que mudou-se para Brasília porque é um lugar mais inacessível, né? Então você vota um negócio errado ali, sai na rua e tem gente na rua, é um problemão, né? Então por muitos anos eles ficaram escondidinhos lá no lugar deles, e toda informação que a gente recebia sobre o que tava acontecendo era com um filtro midiático, né?

Que essa mídia poderia ser isenta ou não. A gente, há indícios aí de que não tenha sido muito isenta nos últimos tempos. A gente não tinha acesso à informação, acabava votando numa imagem que era vendida para gente. Hoje as redes sociais melhoraram muito isso, né? Acho que o Léo aí é um dos destaques nessa, nessa nova galera que é bem intencionada para caramba, é preparada e acessa direto, né? Acessa na ponta via rede social. Então a gente voltou mais ou menos a ter essa capital do Brasil acessível, porque você vai lá, você xinga o cara, você Verdade, não tinha pensado nisso.

Verdade. Então você voltou, né? Você tirou, concorda em partes, aquela cidade, cidade perfeita leninista, né?

LNLuiz Nunes

Que é total, que é feito por comunista, né?

BNBruno Nardon

É Brasília.

LNLuiz Nunes

Você consegue nem ir lá acessar direito. Se acessar, você tem tempo, coloca tropa, não deixa ninguém acessar.

BNBruno Nardon

Foi feito por comunista, arquiteto sem vergonha. Exatamente. Na real, pô, é isso mesmo.

LNLuiz Nunes

Tem que voltar para São Paulo. O próximo presidente, se for de fato, votaria para salvar. Não voto porque é safado.

BNBruno Nardon

E a rede social te deu uma ajudada nisso aí, né? Não é 100%, obviamente, né? Mas ela te deu uma ajudada. Tem um acesso aí. Então vou deixar o Léo falar agora como é que as coisas funcionam.

LSLéo Siqueira

Não, eu falei, eu sou, eu sou bem cético. Por que que, por que que os deputados fazem tudo isso, essas medidas ruins? Porque eles não pagam os custos das decisões deles ruins, né? É simples assim. Então imagina que aqui todo mundo fosse deputado centrão e eu falo assim, cara, vou fazer um projeto de lei agora, cara, para pôr 1 bi de gasto, vale gás, não sei o quê e tal. Se você é um deputado centrão, você ia falar, bora, aprova, vou ser reeleito, e o gasto, sei lá, depois eu vejo.

Então você não paga os custos das más decisões. É o presidencialismo de coalizão, é isso. Quando você muda, tem um sistema igual parlamentarista, e eu nem gosto de ficar falando tanto isso porque é muito elitista hoje, difícil, mas aqui nesse de que acho que cabe, é muito longe da população. Mas quando você tem um sistema parlamentarista, precisa fazer dar certo, porque se o governo perde apoio, cai todo mundo, cai todo mundo.

E aí você tem que chamar uma nova eleição, coalizão. Sem falar que o impeachment é muito mais suave, porque você vai ter o presidente, o primeiro-ministro sai e tal. Então o nosso custo do impeachment é altíssimo. Daí você é obrigado a ficar com a democracia. Ela nunca prometeu ter os melhores políticos, né? Isso daí é aristocracia, que o Salles ama, de déspota esclarecido. Que a meritocracia ela promete é tirar rápido os ruins do poder.

Então você fez besteira, impeachment e tal. Só que isso no Brasil funciona exatamente. Só que no nosso sistema a gente tem que esperar 4 anos, daí você fica 3 anos lá sangrando. E se fosse no sistema parlamentarista, cara, essa aqui caiu, tal, volta outro, outro, outro, outro. Então esse é o problema. Você pode botar de novo, é, eu acho que é a chance da mudança Mas a gente precisa de reformas mais profundas, porque enquanto os políticos não pagarem os custos das decisões, qualquer um vai tomar.

Ué, é uma pessoa que gasta dinheiro e sem trabalhar, ou não sabe o valor do dinheiro, ela sempre vai gastar mais, ela não paga o custo dela. Agora, quem ganha o dinheiro e gasta o próprio dinheiro, que é aquela coisa do Milton Friedman, né? Como é que é?

LNLuiz Nunes

Você tem 3 formas de gastar dinheiro: o seu dinheiro com você, o seu dinheiro com os outros, o dinheiro dos outros com você, o dinheiro dos outros.

LSLéo Siqueira

Isso, exato. Quando você tá gastando o dinheiro dos outros com você, você vai gastar, porra, que se dane.

LNLuiz Nunes

Eu quero o melhor para mim, eu quero o melhor custo-benefício, eu quero o que que é melhor. Quando é você com você, é o teu melhor custo-benefício, que você entende o que que é benefício para você.

LSLéo Siqueira

Esse é o político, esse é o político. O cara gasta o dinheiro dos outros com ele.

BNBruno Nardon

Eu tava comentando da vergonha do Montesquieu, que fala dos três poderes e tudo mais, né? E começou o que que é Constituição. É dar limites para esses caras aqui, né, que são os burocratas, e dar liberdade e garantir para esses daqui que são os cidadãos. Eu acho que antes de tudo a gente precisava lembrar que esses são chefes desse, né. Acho que a primeira coisa assim, que antes de falar do Legislativo, Judiciário, é, né, só não funciona, é no papel.

É, então precisava lembrar disso, né. Acho que a primeira coisa que precisava lembrar. E todo mundo que tenta fazer algo diferente E uma coisa assim que eu tô vendo bastante, bastante gente no meu meio é assim: eu vou votar no Flávio porque, pô, eu quero, eu sou contra o Lula, mesmo que eu concordando ou não. Mas eu tô vendo uma conscientização grande das pessoas que é novo para mim. Eu sempre soube em quem eu votei, né? Mas o pessoal: pô, eu vou votar no partido XYZ para deputado federal e estadual porque eu gosto da linha do partido, talvez eu vote na legenda, tudo mais.

Ah, eu quero Não sei para quem que eu vou votar ainda para estadual, vou me dar um, mas eu quero partido X.

LNLuiz Nunes

Mas você não acha que isso aconteceu porque você tá ficando velho? E conforme a gente vai ficando velho, com todo respeito, tá, eu tenho a mesma idade que você, a gente tem a mesma idade quase, a gente começa a ficar um pouco mais aware, né, saber das coisas que acontecem do jeito certo. E a moçada nova que vem ainda é tudo deslumbrada, né, inclusive para ver quem Quem que a moçada nova vota versus qualquer outra coisa, cara?

BNBruno Nardon

A moçada nova não vota tão mal, cara. E agora, os meus amigos de faculdade, escola, faculdade, nego não sabe nada de porra nenhuma. Então assim, não é por causa da idade, talvez seja um ciclo, um círculo mais focado nisso aí.

LNLuiz Nunes

Então você tá dizendo que a consciência da galera de maneira geral tem aumentado?

BNBruno Nardon

O meu pai não sabe quem são os 11 jogadores do Brasil, ele sabe quem são os 11 ministros do STF. Então assim, acho que tá errado isso, acho que mudou.

LNLuiz Nunes

Será que a gente não deveria saber quem são os 11 ministros?

LSLéo Siqueira

É o que ele quis dizer da política do STF, tá errado, a gente não deveria saber. Mas é que ele quer dizer que as pessoas estão acompanhando muito mais, as pessoas estão acompanhando mais, né? Mas a gente não deveria saber.

BNBruno Nardon

Eu acho que esse problema político virou um assunto, né? Cada pessoa tem acesso a 5 assuntos: Big Brother, o Corinthians, Flamengo, sei lá quem é, e TV e outro esporte, cara, a política virou um desses daí, porque tá aparecendo aí bastante.

LNLuiz Nunes

Concordei, concordei.

LSLéo Siqueira

Vocês entendem muito disso. Inclusive, eu não sou candidato esse ano porque eu acredito muito em dominar o canal de distribuição, que eu vejo vocês falando o tempo inteiro. Então, muito melhor do que o produto. Então, acho que para um cara, eu não tenho vontade de ser deputado federal 3, 4 mandatos, me aposentar. Eu gostaria, pô, quem quer fazer a mudança deveria pensar no Executivo, porque de fato a mudança tá com quem tá na caneta, né?

Dado que você tem um centrão que se vende, você chega um cara bem-intencionado, então ele vai colocar lá, e o centrão ele vai de alguma forma negociar, ele vai conseguir implementar as políticas públicas. Então eu tenho bastante vontade, e eu não acredito mais necessariamente que você precisa estar em Brasília seguindo a escadinha tradicional da política. Então eu sou deputado estadual, Teria uma eleição bem competitiva aí, acredito que ganharia pelo trabalho que a gente fez para federal.

BNBruno Nardon

Ganharia, Léo, pode falar que ganharia.

LNLuiz Nunes

Você não vai concorrer esse ano?

LSLéo Siqueira

Não, não, não, até porque é domingo, né, essa eleição. Não vou, não vou, mas eu tenho vontade.

LNLuiz Nunes

Em dezembro acaba?

LSLéo Siqueira

Isso, em janeiro acaba.

LNLuiz Nunes

Em janeiro acaba. E o que é o próximo passo?

LSLéo Siqueira

Justamente tá nos canais de distribuição. Meu Instagram lá tem 1 milhão de pessoas, pô, consegui falar cada vez mais. Aumentar o megafone, aumentar o canal de distribuição. E se lá daqui 4, 6, 8 anos eu tiver gente suficiente, falar, pô, se vocês quiserem um cara como eu na urna, tá aí meu nome.

BNBruno Nardon

Ou 2 anos, né?

LSLéo Siqueira

Aí depende do povo, o que o povo, o que o povo quiser. Se tiver gente suficiente. E é justamente essa ideia que a gente tenta vender, cara, que o político ele não tá lá para se servir do povo, ele tá lá para servir ao povo. É um negócio tão básico, mas quando você fala para as pessoas, elas ficam chocadas, né? Fala, putz, é verdade. As pessoas falam, nossa, mas todo mundo quer entrar, né? E por que que você não quer, não quer entrar?

Então as pessoas, elas não têm noção disso. Quando você vê um cara minimamente fazendo aquilo que deveria ser óbvio, mas não é óbvio, ele fala, porra, talvez tenha alguma, alguma esperança. Mas é, então eu não vou, eu não vou me candidatar justamente porque eu acredito nisso, no canal de distribuição e aumentar. Porque o que acontece, os políticos, eles não são suicidas. Eles só estão, é um sistema de feedback, né, que é como, que é como dinheiro, cara.

Eu te ofereço a política pública e você vota em mim. Se você, então eu não vou oferecer uma política pública que você não goste. Então tudo que eu tô te oferecendo, eu tô tentando fazer com que você vote em mim, né. Esse é o mecanismo ali de feedback. Daí o que acontece, quando teve a crise da Dilma, 2014, tava todo mundo aplaudindo todas as medidas dela. Porque ela não é suicida. Alguém tá aplaudindo isso. O Lula, quando fez esse negócio das bets, alguém tá aplaudindo isso.

Ele não é suicida, né? Então, ótimo, choque de energia barato, um monte de empresário, é que bom. Ah, vamos, caminhão subsidiado, tal, que bom, tal. Tava cheio de empresário em Brasília aplaudindo ela. Não foi ela, tirou da cabeça dela, né? Então, político, ele só tá fornecendo esse tipo de política pública. Então, o que acontece? Eu acredito muito nisso, que você tem que justamente falar com as pessoas e tentar mudar a mentalidade delas.

É uma tarefa mega ambiciosa que eu achava que eu não teria capacidade, mas dado, enfim, os eventos recentes aí que eu acho que eu cresci bastante, eu acho que eu consigo ir falar isso, porque justamente um monte de gente falou. Então, enquanto o cara continua achando que lucro é ruim, não adianta. O político vai lá falar, vamos ferrar a vida do empresário. Enquanto o cara continuar falando, cara, que você trazer o setor privado para saber ESP é ruim, o cara vai ser contra.

O dia que a sociedade começar a falar, cara, não é para ferrar o empreendedor, porque se você ferrar o gerador de emprego, você não tá ajudando o trabalhador, cara, você tá empobrecendo o país. O dia que as pessoas falarem e repetirem tal, eles vão começar. Na Suíça, que a maioria tudo referendo, lá já teve, ó, tentaram passar uma renda básica universal, os cara falaram, não, eu vou pagar. Tentaram trocar os caças deles, falaram, cara, não, que a gente tem, tá bom, porque é uma população mais informada.

Só que antes isso era impossível, porque o monopólio da informação tava com quem? Com jornalista. E o jornalista, porque não estuda economia, porque estuda jornalismo, em geral tem um viés mais de esquerda, que olha esse mundo de 50 anos atrás: rico contra pobre, grande contra pequeno, patrão contra trabalhador. E a economia não é um jogo de soma zero, né?

BNBruno Nardon

É um jogo que você pode ter, deveria ser, né?

LSLéo Siqueira

Não, não é, não é.

LNLuiz Nunes

Tipo assim, você consegue gerar riqueza, a gente, todo mundo aqui, somente o tamanho da pizza.

LSLéo Siqueira

Isso. Só que o cara vende a ideia se ele ficou rico é porque ele me deixou pobre. Isso não é verdade. Então enquanto você tiver essa mentalidade, não adianta, o cara centrão ele vai continuar. Então acredito muito em, pô, cada vez falar mais para mudar a cabeça das pessoas disso. E aí sim você vai ter uma população mais informada, e aí você vai estar apto a caras que pensem dessa forma, simples assim.

LNLuiz Nunes

Não, concordei.

BNBruno Nardon

Só confirma, pensando nesse negócio de como as pessoas pensam, né, esse rico contra pobre, a história do IPVA que teve do agora, acho que foi o quinto, talvez tenha sido feito a proposta, cara, não sei os números exatos, mas é uma coisa assim, hoje em dia o carro, o IPVA, ele é cobrado pelo, é uma, é um pedaço do valor do carro. Mas assim, você tem um Mini Cooper que pesa, sei lá, 100 kg, não sei quanto é que pesa, e pô, tem uma caminhonetona que pesa 3.000 kg, a caminhonete gasta mais o sistema, mas ela paga menos que o minicupom porque ela é mais barata. Aí teve um projeto de lei para—

LNLuiz Nunes

passou, não passou, né?

BNBruno Nardon

Não sei se passou, mas aí que era pelo peso do carro. Aí o cara que tinha um golzinho lá, ele paga R$400, ele ia pagar R$380, só que o cara da Ferrari também ia pagar R$380. Ele ficou puto, teve manifestações na internet assim Não, cara, o cara da Ferrari tem que pagar, cara. Você também tá tendo uma economia. Não, mas dane-se a minha economia, ele tem que pagar mais do que eu. Então vamos deixar como que era. Então ele paga R$4.000, eu pago R$400. Assim, com essa cabeça fica difícil você mudar as coisas, né?

LNLuiz Nunes

Mas eu acho que aqui é um pouco mais amplo. Eu concordo com você, e a mesma coisa que eu defendo aqui, falo com todo mundo que eu tenho possibilidade, é que a gente tem que trabalhar na base, né?

LSLéo Siqueira

Exato.

LNLuiz Nunes

E a base tem a ver com educação e mídias.

LSLéo Siqueira

Exato, exato.

LNLuiz Nunes

E quem pauta o que é verdade, que é mentira, né?

LSLéo Siqueira

Na música, os atores, os artistas.

LNLuiz Nunes

Isso daqui que define o modo do povo pensar.

BNBruno Nardon

O Antônio Gramsci falou disso aí faz tempo.

LNLuiz Nunes

Quem?

BNBruno Nardon

Antônio Gramsci. Ele que fez essa, essa, ele é um cara pós-marxista, ele fala que a revolução cultural, não, a revolução socialista não poderia ser via guerra. Esse negócio de embate de classes, patrão contra, não funcionava mais. Tinha que ser através de você colocando elementos no dia a dia das pessoas via arte, universidade e o jornalismo. Então Antônio Gramsci botou isso aí que você falou.

LNLuiz Nunes

Mas assim, isso daqui usado para o bem, né, não para o mal, que nem foi usado até hoje.

BNBruno Nardon

Memórias do Cárcere é o nome do livro.

LSLéo Siqueira

O cara, enquanto continuarem vendendo que se você é a favor de manter a escala 6 por 1, você é contra o trabalhador, quer explorar esse cara, não adianta. Daí a gente vai lá, explica: olha só, você quer reduzir? Não tem problema, cara. Só que você vai manter o salário, então você vai aumentar o custo da mão de obra. Se você aumenta o custo da mão de obra, significa que ou o cara ele vai contratar menos, vai ter demissão, ou ele vai repassar esse preço, vai ter inflação. Ou ele vai contratar de matéria informal. É isso que vai acontecer.

LNLuiz Nunes

É óbvio para mim, para você, para quem tá ouvindo a gente, óbvio.

LSLéo Siqueira

Para a maioria não é.

LNLuiz Nunes

Agora, o jeito de você conscientizar o povo, que é colocar lá na novela das 8, das 9, isso, e colocar ao longo de 2 meses, 1 mês ou 2 meses, ou sei lá, 7 episódios, o que que mudou na vida após ter isso acontecido, para o bem ou para o mal.

BNBruno Nardon

É o que vai acontecer, que fazem, você concorda?

LNLuiz Nunes

É o empresário assim, Eu entendo, eu concordo com você e tamo do mesmo lado. É que eu acho que assim, a única forma de mudar de fato quem faz sentido é você mudar esses meios de comunicação, cara. Porque assim, não existe outra maneira. Que é o que você falou, é basicamente eu chegar em casa hoje, eu tenho um monte de filho, eu chegar para eles e falar, cara, vocês preferem jogar videogame o dia inteiro ou estudar? Cara, todos vão falar videogame.

LSLéo Siqueira

Exato.

LNLuiz Nunes

Só que para o curto prazo é ótimo para eles. Vamos jogar videogame, ótimo para vocês. Agora, para o longo prazo, vão ser um bando de imbecil ou campeões do mundo de videogame. Só que quantos campeões do mundo de videogame tem? Poucos, entendeu? Então, pô, como que vai comer direito ou vai comer sorvete? É isso. A minha popularidade em casa, você é o pai mais amado do planeta. Agora, no longo prazo, isso não acontece. Agora, como que você faz isso?

Você combina com a tua esposa e fala o que que a gente acredita, quais são os valores, as éticas, o que que eu quero no o prazo da família, como que é isso, né?

BNBruno Nardon

Agora faz esse ajuste, né? Faz esse ajuste nos primeiros 100 dias, que no caso dos filhos são os primeiros 14, 15 anos, né? É isso.

LNLuiz Nunes

E você espera que o resto da vida, na hora que ele for contemplado com uma dualidade de escolha, ele escolha a escolha certa.

LSLéo Siqueira

É, mas eu sou otimista com relação a isso, porque se você pensasse há 20 anos atrás ia acontecer isso, a escala 6 por 1. Daí todo mundo, a mídia tem um que tinha o monopólio da informação e falar, cara, precisa fazer isso para ajudar o trabalhador. Porque ainda tem muito, mas é que você tá pensando binário. Pensa num negócio contínuo. Agora você vai falar que você vai explicar, eu vou explicar, ele vai explicar, ele vai explicar.

LNLuiz Nunes

E eu entendo, eu concordo, e eu vou continuar fazendo igual você tá. É que o algoritmo vai entregar para tua bolha, e o desafio é você furar tua bolha para entregar no algoritmo.

LSLéo Siqueira

É que antes nem tinha, né?

BNBruno Nardon

E vocês têm uma bolha grande, né? Milhões, né?

LSLéo Siqueira

Antes nem tinha, esse é o ponto. Antes era um ato só. Tipo, de novo, pensa que a gente saiu daqui e tem que chegar aqui, não binário. Tipo, a gente tá aqui ainda, mas já tá aqui, entendeu? Então acho por isso que eu acredito nisso exatamente, em falar para cada vez mais esse tipo de coisa. Eu vou dar um exemplo: quando teve a escala 6 por 1, foi isso. Eu sou deputado estadual, fiz um vídeo lá, cara, sou estadual, não tenho nada a ver com isso.

Pô, bombou, o pessoal do Pânico chamou eu e o Nicolas lá para ir lá debater. Pô, é, isso não aconteceria antes, entendeu? Teria só Globo News lá falando, ah, vocês são fascistas.

BNBruno Nardon

Vocês dois acreditam na mesma coisa?

LSLéo Siqueira

Não, não, não, debater, a gente foi lá, falou a mesma ideia.

BNBruno Nardon

É porque assim, a novela tinha que mostrar o cara ganhar 60 dinheiros, né? Ele vai passar, o cara vai mandar ele embora e vai contratar um cara para ganhar 50 dinheiros para trabalhar 5 para 2, né?

LNLuiz Nunes

Mas qual que é a ideia da novela? Não sei por que que ele faria, qual a intenção dele.

BNBruno Nardon

Se ele quisesse, se ele fosse alinhado com isso, né? O incentivo dele é exatamente o contrário.

LNLuiz Nunes

Muito bom, galera! Que papo sensacional hoje aqui! Falamos sobre vários temas interessantes e esse homem aqui mais ainda. Agora eu vou chamar ele separado para o meu, para trocar ideia lá de outros temas parecidos, mas para o meu papo de gestão.

ASAlfredo Soares

Tirou onda!

LNLuiz Nunes

Obrigado, viu, pelo seu tempo.

ASAlfredo Soares

É o esquema, né?

BNBruno Nardon

O cara tem esquema total.

LNLuiz Nunes

E obrigado também E gostaria que todos os políticos do Brasil tivessem a mesma idoneidade e vontade de melhorar o Brasil como você, que eu acho que no fim do dia o Brasil carece muito disso, né? A galera entra porque não consegue ganhar dinheiro de outra maneira e quer fazer da política o seu ganha-pão, que no fim do dia é difícil, né? Porque volta ao concurso de popularidade, o incentivo é errado. Porque para o cara continuar popular, ou ele tem uma mídia relevante porque ele consegue construir conteúdo ótimo, se ele tem as ideias certas, ou se ele vai para o outro lado. Com todo respeito ao nosso querido Tiririca, né, todo respeito a ele do mundo.

BNBruno Nardon

Ele fez o melhor que dava, deu certo, né?

LNLuiz Nunes

Ou Azul Caneta lá gastou 22 milhões nesse tempo todo dele.

LSLéo Siqueira

Sim, somar todos os gastos dele, 22 milhões.

LNLuiz Nunes

Então, com todo respeito, continua lá, né, continua lá fazendo agora pelo Ceará. Com todo respeito a você, acho você muito engraçado e acho que você reflete bem o que o Brasil é hoje.

LSLéo Siqueira

Exato.

LNLuiz Nunes

Com todo o meu respeito.

ASAlfredo Soares

Seguir na rede social, L de Luiz Nunes Jr., L Nunes Jr., Léo, Léo Sequeira BR em todas.

LNLuiz Nunes

Boa. Você, Alfredo Soares, @bruno.nerdon.

ASAlfredo Soares

Boa. Então é isso aí, galera, espero que vocês tenham curtido o episódio. Deixe seu comentário, se inscreve. Também tem lá um convite para o G4 Valley 2026 aqui em São Paulo, dia 29, 30 e 31 de outubro, maior sala de aula de gestão do Brasil. Aproveite que quem é ouvinte do Extremos, audiência do Extremos, tem condições especial.

LNLuiz Nunes

Valeu, valeu, valeu, valeu, cara!

ASAlfredo Soares

O nosso episódio pode sair do ar por esse, por essa tua agressividade gestual, mano.

LNLuiz Nunes

Não sabia não.

ASAlfredo Soares

Pelo amor de Deus, inteligência artificial!

LNLuiz Nunes

É isso aí, galera!

Anunciantes1

G4

G4 Valley
external