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ELE TRANSFORMOU AVENTURA EM NEGÓCIO COM LUIGI CANI | EXTREMOS

06 de maio de 20261h13min
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Em 2006, um brasileiro saltou do Grand Canyon em cima de uma motocicleta a mais de 160 km/h.Não era filme. Era Luigi Cani.

Alguns anos depois, ele voou de wingsuit entre as Torres Petronas.Em outro projeto, saltou de um avião para outro em pleno ar, sem paraquedas.E em uma das missões mais inusitadas da carreira, lançou mais de 100 milhões de sementes na Amazônia durante uma queda livre, unindo risco extremo com impacto ambiental.

Com mais de 14 mil saltos e 11 recordes mundiais, Luigi não seguiu uma carreira. Ele inventou uma.

Enquanto a maioria dos atletas radicais se especializa, ele virou um sistema completo: atleta, produtor, diretor e produto. Foi piloto de testes de equipamentos que salvam vidas, treinou forças especiais dos Estados Unidos e construiu projetos em todos os continentes.

Agora, aos 50+, ele decidiu voltar no tempo para avançar mais uma vez.

Luigi está construindo uma réplica funcional do 14-bis, avião criado por Santos Dumont há mais de um século — e pretende voar e saltar dele, conectando o passado da aviação com o limite atual do corpo humano.

Esse episódio não é sobre adrenalina.É sobre alguém que construiu uma vida inteira onde o impossível vira projeto.

E que continua indo além quando todo mundo já teria parado.

Assista agora nossa série documental sobre os Herois do Brasil: http://g40.co/santos-dumont

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Assuntos8
  • O projeto 14-Bis e a homenagem a Santos DumontReconstrução do 14-Bis com características modernas · Voo de celebração dos 120 anos de Santos Dumont · Desafios técnicos e aeronáuticos do projeto · A história do nome 14-Bis · Uso de balão para içar o protótipo
  • Luigi Cani: A vida de um atleta radicalHistória de Luigi Cani e seus feitos · Percepção de risco e amadurecimento · Paternidade e a mudança na percepção de risco · Projetos com propósito e significado
  • Recordes mundiais de paraquedismoRecorde mundial de voo e pouso com o menor paraquedas · Recorde mundial de velocidade em queda livre · Desafios e riscos na quebra de recordes · Tecnologia e desenvolvimento de paraquedas
  • O incidente no Cristo Redentor e a lição sobre trabalho em equipeO salto e o erro de cálculo · A percepção de não merecer a sobrevivência · A importância de cuidar da equipe · Mudança na abordagem de liderança e projetos
  • Carreira Criador ConteudoTransição de atleta radical para produtor audiovisual · Estudo em UCLA e estágio em Hollywood · Parcerias com mídias como Fantástico e Discovery Channel · Estratégia de marketing e retorno de mídia
  • Medo e CoragemPrimeiro salto em queda livre e o pânico inicial · A influência do instrutor e a superação do medo · A busca por novos desafios e a tolerância ao risco · O paraquedismo como terapia e controle
  • O negócio do paraquedismo e a criação de conteúdoEntendimento do paraquedismo como negócio · Produção de conteúdo audiovisual para mídia · Parcerias com marcas e retorno de mídia
  • Comparativo: Santos Dumont vs. Wright BrothersRespeito pela história de Santos Dumont · Admiração pelos Wright Brothers · A importância histórica de Santos Dumont
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Eu tinha medo, tipo assim, já abriu, já tá bom, eu tinha medo de pegar o controle, de tentar navegar, eu tava em pânico. Acima de 500 km por hora, aonde você tem exposição de pele, irrita, você vai aumentando a sua tolerância pra isso. Mas depois do salto, pousava com o pé vermelho, com o pescoço vermelho e com as mãos vermelhas. O seu peso é o seu cavalo de força e o seu corpo é a sua aerodinâmica.

Então eu tenho a aerodinâmica ao meu favor, que eu tenho menos arrasto que ele, mas eu tenho a potência. O aeroclube é no meio da cidade. Ou você pousa lá, ou você vai enroscar num prédio, num fio de alta tensão. Cara, o nosso episódio pode sair do ar, pra trazer essa tua agressividade gestual, mano. Não sabia não. Faz você aí, então. Inteligente artificial. Isso aí, galera. Agora demorou. Não é isso? Agora demorou.

Antigamente acabava a vinheta rápido demais, agora demorou demais. Aí é duas refrações, Bruno Nardão.

Que maravilhoso. Logo no convidado de hoje, que é um cara rápido, passa igual uma bala, vai igual um foguete, aí a galera bota a entrada lenta. É impressionante, cara. Hoje, o episódio de hoje, eu vou te falar. Eu, desde moleque, acompanho esse cara. E você vai olhar pra ele e vai falar, cara, ele parece que tem minha idade, mais novo do que eu, né? Parece mais novo. Parece mais novo. Eu chamo o cara de velho assim. É, mas depois ele fala a idade dele.

Será que o vento é o melhor skin care que existe? Parece, né? Deixa assim pra trás, assim, ó.

Senhoras e senhores, sejam muito bem-vindos ao Extremos aqui no G4 Podcast. Eu sou Alfredo Soares, host desse podcast, e ao meu lado ele, o nosso querubim voador, querubim atleta, querubim Ironman, querubim da adrenalina, Bruno Nardom.

E aí, meu querido, você está bem? Estou bem. Está bem? Ótimo. Beleza. Senhoras e senhores, o episódio de hoje é mais do que especial. E é um episódio que complementa a plataforma que a gente está fazendo do documentário Heróis do Brasil. E tem um capítulo do Santos Dumont, que foi um dos brasileiros renomados globalmente.

pela aviação, pelas suas invenções, criações. E a gente tem um projeto, a gente entrou num projeto, numa aventura junto com esse convidado de hoje para homenagear esse herói brasileiro, Santos Dumont. E não esqueça de acompanhar essa série documental que a gente está fazendo com vários heróis do Brasil. É muito legal, contando as histórias, os detalhes, a visão empreendedora, a inovação, a coragem, o risco dessas pessoas que... ... E aí

mudaram os seus mercados, mudaram o país, mudaram a sua geração, a sua época ali. A gente está investindo pesado nessa série de documentários. A série está acontecendo lá no YouTube do G4. Então, você entra lá no G4.

Business? Tá agora, né? É esse o nome que tá lá no YouTube? G4 Business. Dizem que é isso. Dizem que é isso. Você vai ver lá, já veio o do Barão de Mauá. E agora o do Santos Dumont, baita documentário. É isso aí.

Então, senhoras e senhores, sem mais delongas, esse é um episódio especial. Jogue na sua televisão, coloque seu telefone horizontal, bote o fone, prepare-se para esse conteúdo. Eu vou ler, eu vou ler aqui a abertura. Você quer que eu interprete, Bruno Nardô? Você quer que eu leia normal? O que você quer? Interpretando. Interpretando? Ladies and gentlemen.

2006. Não, fala em português. Português? Eu tava falando esses pés aqui, desculpa. Em 2006, um brasileiro soltou do Grand Canyon em cima de uma motocicleta a mais de 160 quilômetros por hora. É brasileiro, né? O Tom Cruise, hein? Antes do Tom Cruise.

Não era uma cena de filme. Era ele. Alguns anos depois, voou de wingsuit entre as torres Petronas, na Malásia. Em 2021, mais uma vez, ele saltou de um avião para outro, sem auxílio nenhum de paraqués. Isso aqui é maluquice. Isso aqui é loucura. Deixa eu botar até um asterisco aqui. Isso aqui é... doido.

Em outro momento, lançou mais de 100 milhões de sementes nativas na Amazônia, enquanto caiu em queda livre para regenerar áreas desmatadas.

Ninguém nunca tinha feito isso antes. Enquanto atletas radicais construíam carreiras, ele inventava a dele. Atleta, produtor, apresentador e palestrante. Não cabia em nenhuma caixa, então ele criou as próprias. Aos 54 anos, com mais de 14 mil saltos no currículo e 11 recordes mundiais na parede, ele poderia estar descansando. Em vez disso...

Ele topou construir um avião cujo projeto original tem mais de 120 anos. E talvez nós somos os malucos de patrocinar essa parada aí. De financiar essa ideia aí. Ou seja, um maluco, quando encontra outro maluco, sai doideira. Essa é a equação. Um avião do qual ele vai saltar em breve.

Senhoras e senhores, diretamente dos ares do mundo, para o Extremos hoje, o verdadeiro CEO of Streams, Luiz de Cane, aqui no G4 Podcast. Bem-vindo. É, obrigado pela entrada. Porra, cara, tu devia ser CEO do Extremos, mano. Eu gosto. Cara, ele devia ser CEO do Extremos. Tá bom, a gente devia ter ele como host, a gente devia botar ele como CEO do Extremos, mano. Eu gosto, depois que ele parar de fazer... Fazer uma temporada do Extremos entrevistando os caras em queda livre. Nossa.

O microfone vai precisar ser bom, hein? Quanto tempo demora um salto em queda livre, amador? 50 segundos. Oi? 50 segundos. Em queda livre, um salto amador, é em torno de 50 segundos. É mesmo, aquela parada toda ali, saltou, bum, um minuto, acabou. Pô, é muito tempo, cara. Desde a hora que você me perguntou, passou 10 segundos, está em queda livre ainda. É bastante tempo caindo. Pensa assim,

Quantas pessoas já não chegaram na beira do prédio e pensaram, pô, se eu caí desse prédio aqui, eu acho que eu morro antes de chegar lá embaixo. Não morre. Quando você salta em queda livre, a sensação que você tem nem é a sensação de que você está caindo. Talvez na porta do avião você tenha aquela sensação de medo. Depois que passou cinco segundos, os primeiros cinco segundos, você está numa parábola, que é a velocidade horizontal da aeronave.

para você parar de ter essa inércia que você está indo a 80 milhas, 70 milhas.

e cair retinho para baixo, verticalmente, demora em torno de 5 segundos. Passou esses 5 segundos, a sensação que você tem não é de que você está caindo. Como salta muito alto, as referências que você tem, elas continuam as mesmas. O tamanho das casas não mudam, o tamanho das quadras não muda, e você está caindo a 200 km por hora, mas a sensação que você tem é de que você está flutuando.

E você não morre. Você continua normal. Respirando normal. Coração batendo. Talvez um pouquinho mais acelerado. Mas está tudo normal. Que loucura, cara. Esse teu normal está a 200 km por hora caindo. Com cara no teu cangote ainda. Não, você, né? Ele vai sem ninguém. E às vezes sem paraquedas. É, é.

Pergunta para ele qual o maior extremo que ele viu. Quando teu primeiro filho nasceu, você ficou mais cagão? Muito mais. Eu já comecei a mudar essa percepção de risco antes do meu filho nascer com a idade, com o amadurecimento, com a quantidade das coisas que eu fiz. Então, eu acho que...

o risco está muito atrelado à conquista. Quanto que você quer aquilo, quanto que aquilo é importante para você, é o que dosa o risco das coisas. Então, acho que com a maturidade, com 30 anos de carreira profissional, você já está dosando de uma forma diferente as coisas. Então, eu sempre naveguei nos meus projetos todos os níveis de risco, do nível 2 ao nível 9. Sempre fiz todo tipo de projeto.

E alguns anos antes do meu filho nascer, eu já tinha abaixado, já estava navegando, já nível 5 para baixo. Depois que ele nasceu, agora eu navego até o nível 2, o que eu acho que é arriscado com relação à minha saúde. E depois que ele nasceu, eu fiquei um ano sem fazer projeto nenhum, tirei um ano para ser pai, eu fui pai aos 51 anos. Então, ele tem três anos agora. Ele está com três anos agora.

Nossa, é a época boa, hein? É, a época boa. Ele tá, nossa, três anos é a melhor idade, cara. Você só tem um filho? Eu só tenho um filho, é. E esse primeiro ano dele, eu acho que aquele sentimento de culpa, né? De atrasar a paternidade, né? Sempre, aí fui pai com 51 anos, eu falei, cara, vou tirar um ano pra ser pai. Esse primeiro ano, assim, é dele. Não vou fazer nada. E fiz isso.

E aí comecei a retomar, fazer as palestras, e aí começou a aparecer o pessoal pedindo projeto, e aí comecei a fazer os projetos devagar. E hoje eu acho que eu não posso deixar de ser quem eu sou para ele. Eu tenho que ser eu. A minha versão tem que existir para ele. Eu acho importante isso. Então eu estou fazendo de um a dois projetos por ano hoje, projetos que eles tenham um propósito.

Além da minha superação pessoal de ser o mais rápido, de ser o mais radical, de ser o mais veloz, de ser o mais inovador com relação ao que diz respeito à velocidade, à técnica, essas coisas, e resgatar esses projetos que têm um significado como esse que a gente está fazendo junto, que é a celebração dos 120 anos de uma das maiores invenções da história da humanidade, sem dúvida nenhuma, que é um brasileiro, o Santos Dumont.

é o meu herói favorito de todos, de todo mundo no mundo. Se você falar qual é o teu herói master, é o Santos Dumont. Quando eu li a biografia dele, chamada Asas da Loucura, eu acho que é a melhor leitura que eu já tive até hoje, é uma coisa que me inspirou, me tocou.

me tocou de um jeito assim tão legal de conseguir me sentir tão conectado com alguém que fez tanta coisa que foi importante e aí eu tive a ideia de fazer esse projeto em celebração aos 120 anos e a gente tá aqui hoje pra falar disso qual foi o salto mais extremo que você já fez?

Tem vários saltos mais extremos que eu já fiz. Eu acho que o salto mais difícil que eu já fiz foi um salto que foi consequência de mil saltos de treinamento, que quando eu reflito sobre isso hoje, eu acho uma loucura o que eu fiz. Porque eu, no ano de 2000, homologuei o recorde mundial de voo e pouso com o menor paraquedas do mundo.

Que tamanho que era? Era um paraquedas de 46 pés quadrados. Ele deve ter em torno de... Ah, 4 metros quadrados, mais ou menos. Um pouco menor. O recorde na época era de um... Qual que é o tamanho do paraquedas normal? Cara, um paraquedas normal de uma pessoa intermediária é um paraquedas de 150 pés. Para uma pessoa de peso normal, assim... Isso dá quantos metros quadrados? Ele dá... Em torno de 13 metros quadrados, talvez.

Então é menos de um terço. É um terço, menos de um terço. É bem menos. Eu tenho o recorde mundial atual do menor paraquedas do mundo, eu homologuei esse recorde quatro vezes, em 2000, em 2004, em 2008. E aí não sei porquê, com 50 anos eu resolvi...

pegar o recorde de volta, porque um quebra e vai a outro país e pega. E quando eu homologuei o último, em 2008, já era um tamanho que está muito no limite. E em 2013, a fábrica que fabrica esses paraquedas de alta performance, a maior fábrica do mundo, eu tenho um relacionamento, acho que é o meu patrocinador mais longo, eu tenho um relacionamento com eles de 25 anos.

E aí o dono da empresa me ligou, eles são da Nova Zelândia, e falou, Cânia, a gente tem um garoto aqui lá em Dubai, Dubai virou a mega do paraquedismo, a gente acha ele muito qualificado, ele quer quebrar o seu recorde, mas eu acho que está no limite agora que a gente tem medo, porque se alguém morre, a empresa vai ter uma reputação ruim. Eu falei, a gente vai dar apoio para ele se você topar ser o mentor dele, o coach dele e dar o caminho. Eu falei, claro.

recorde é feito pra ser quebrado. E aí eu dei consultoria pra esse espanhol, o nome dele é Ernesto.

Ele homologou o meu recorde, só que ele é consideravelmente, eu já sou pequeno, eu tenho 1,67m e peso 65kg. O Ernesto consegue pesar 52kg. Nossa. Então isso favorece bastante, né? E aí ele, o meu recorde era um paraquedas de 37 pés quadrados e ele abaixou para 35, porque 37 já era muito limite, assim, eu achei...

uma loucura ele querer abaixar tanto, e ele foi lá e conseguiu, pousou o 35, e eu falei, meu, esquece esse recorde, nunca ninguém mais vai... É porque é uma junção de peso, altura, várias coisas, e ele fez tudo certinho, ele estava com a estrutura lá de Dubai, com um patrocínio excelente, ele fez tudo da forma mais... Ele levou para um nível acima do que eu tinha feito.

Passaram-se alguns anos, a fábrica que eu sou patrocinado há quase 30 anos, lançou um paraquedas novo, um modelo novo, mandaram para eu não testar, que eu não sou mais piloto de testes, mas para eu usar aqui, ver o que eu achava.

E eu fiquei surpreso, assim, como a tecnologia aumentou, assim, com o poder de sustentação de flair, de pouso dele. E eu falei, cara, com esse paraquedas eu quebro o recorde mundial de novo. E a fábrica... Isso foi que ano? Com 50 anos. Isso antes da pandemia. A gente até teve... Não, foi durante a pandemia. A gente começou antes, entrou pandemia, atrasou o projeto. E aí, o pessoal falou, Cani, o dono da fábrica, meu amigo, né? Ele falou, cara, mas você não está com 50 anos? Eu falei, estou.

Mas pra quê? Eu falei, porque é possível, cara. Eu quero, né? Eu, minha esposa não estava grávida ainda, né? Eu não ia ser pai.

E aí eles falaram, cara, realmente ele tem um poder de sustentação muito bom para o pouso, mas você não vai conseguir controlar ele nessa escala tão pequena, porque ele é muito sensível. E eu acho que ele não vai ser controlável. Eu falei, o único jeito é testando. Vamos testar dele? Vamos. E aí eu passei por esse processo de...

De homologar esse recorde novamente. E aí fiz, foi a primeira vez. Como que foi esse processo? Foram esses mil saltos que você falou? Eu estava falando de outro projeto. Mas esse daí, como que você ia fazer? Você pulava com um pouquinho maior e a vento se dava para controlar. Daí vai com um pouquinho menor. A gente vai diminuindo em escala. Só que eu não pouso ele. Então o que eu fiz? Ah, você ejeta e abre outro. Eu ejeto e puso com o normal.

Então, eu faço uma média de 100 voos com ele, com os protótipos em escala, foram três. Até chegar no tamanho. Até chegar no tamanho. Quando chega o tamanho, eu começo a voar ele e desconectar ele. A gente recupera. E aí eu tenho uma equipe técnica, tenho computadores, GPS, eu tenho várias coisas que, além do que eu sinto e eu acho do meu feedback, a gente tem... A telemetria.

Tudo comprovado ali, se ia funcionar, se ia dar ruim. E tem uma equipe por trás que aprova isso, que são pessoas bem rigorosas ali, que estão preocupadas que o nome deles, se acontecer alguma coisa comigo, é uma falha na profissão deles. Então, quando a gente decide que ele é pousável...

Está comprovado que ele é pousável, mas tem um fator emocional e psicológico meu que eu sei o quanto que eu tenho que performar para aquilo acontecer e estar acima dos 90%. Então, dentro de mim é essa montanha russa, né? Eu não posso errar, eu tenho que estar ali acima dos meus 90% para dar certo, né?

Essa responsabilidade é minha. Do piloto. Do piloto, é. E aí eu saltei com paraquedas 34 pés quadrados, né? E esse recorde agora, ele fica aí pra quem quiser quebrar. Não vou ajudar ninguém não, hein? Se me chamarem de novo, menos que 34. Ninguém deu no meio, Ernesto tentou?

cara, é recente esse recorde, é de 2001, né? 2021. Desculpa, 2021, não, 2020, eu acho. É de 2020, até agora ninguém se manifestou ainda. Ô, mas tem tempo já, nem o Ernest tentou? Não, o Ernest depois dele falou, meu, isso eu nunca mais vou mexer com isso, deixa pra lá.

existem empresas concorrentes, então marca de paraquedas é igual carro, tem várias marcas. Qual que é essa marca? Icarus. É, é uma das maiores. Você não pode ir muito perto do sol. Tem duas que são líderes, a Icarus é uma delas, mas tem uma meia dúzia de marcas que competem nessa categoria de alta performance.

Em 2004, quando eu estava prestes a homologar o recorde mundial pela segunda vez, um americano de outra marca concorrente faleceu, tentando homologar o recorde. Então, de verdade, é. Mas o salto mais perigoso que você me perguntou, que eu fiz até hoje, é o recorde mundial de velocidade em queda livre a 552 km por hora.

Porque quando eu homologuei o primeiro recorde com o menor paraquedas em 2000, no ano de 2000, eu era relativamente novo no esporte. Eu estava no começo da minha carreira profissional. Já estava morando nos Estados Unidos há muito tempo. Você estava com 30 e poucos anos. Eu estava com 30 e poucos anos. Eu devia ter quase 10 anos já como paraquedista. E praticava isso todo dia e tal. Então eu tinha uma experiência.

e aí o meu ego cresceu, eu falei, eu sou mais rápido no paraquedas, porque quando você salta com o menor paraquedas, não é um recorde, consecutivamente você é o mais rápido também, eu falei, eu vou ser o mais rápido em queda livre, porque tinha um inglês,

Mark Brook, que nas revistas de segmento, ele sempre estava na contrapágina, com aquele bacacão vermelho dele, o cara mais rápido do mundo. Então todos os anunciantes de paraquedas usavam a imagem dele. Eu falei, vou quebrar o recorde desse gringo aí. E aí comecei a trabalhar nesse projeto. O problema é que o Mike, ele...

Sei lá, tinha quase 1,90m e devia pesar quase 100kg sem o equipamento. Isso dá uma ajudada. É, o seu peso é o seu horsepower, é a sua potência. Eu seria um Roller Royce. Esquece, o Ferrari. Não, você é muito. Acho que dá pra você bater o recorde mundial dele. Ele pesava 95kg. Só falta ele falar que a batata da P&A é o arofone. É isso? Eu sou um Fórmula 1.

Ele pesava 95, 96 quilos e eu pesava 65 quilos. O seu peso é o seu cavalo de força e o seu corpo é a sua aerodinâmica. Então eu tenho a aerodinâmica ao meu favor, que eu tenho menos arrasto que ele, mas eu tenho muito a potência. Essa categoria que é o Maloguei Record permite você acrescentar peso. Ele acrescentava peso, então ele soltava com um colete de 20 libras, que dá em torno de 10 quilos.

mais o equipamento, ele equipado, ele pesava 130 quilos, 135 quilos, é o exit weight dele, no caso. O meu exit weight é 75 quilos, como é que eu vou competir com um de 135? Então, eu fui aumentando o peso, não tem limitação de peso. Tem o quanto você aguenta. É o quanto eu aguento. E o meu exit weight era 115 quilos.

Eu saltava literalmente com 45 quilos de peso. Como que você aguentava na hora de pousar? Que é uma loucura isso, assim. Eu penso nisso hoje, assim. E não é que eu saltava pouco, eu fiz mil saltos de treinamento, assim. Subindo peso. Sempre, é, subindo peso. Então, o que que acontece? Você, eu fazia 200 saltos, eu demorei 5 anos pra homologar o recorde. Todo ano eu tentava. Eu... Eu...

Nunca chegava na velocidade dele, que era 525 km por hora. Eu chegava a 513, às vezes a 517. E o meu treino eu fazia 10 saltos por dia, de segunda a sexta, até completar 200 saltos.

E aí eu chamava os juízes pra fazer o salto oficial. E a minha mentalidade era essa, eu sempre performo melhor sobre pressão. Nas competições eu vou melhor do que no treino, sempre era assim. E aí eu achava que isso ia... Te ajudava. Me ajudar, e aí eu não conseguia. Realmente o meu limite era aquele. E eu tava no quinto ano tentando, e um amigo meu falou, Cara...

eu consegui para você, você é maluco de fazer isso, eu não sei como é que teu corpo aguenta, como que você aguenta isso, eu consegui para você uma consultoria numa empresa, que é uma das principais empresas de aerodinâmica espacial, os caras trabalham para a NASA, os caras entendem tudo, pega seus vídeos, seus equipamentos, vamos lá conversar com eles. E aí, eles falaram para mim,

Você pode melhorar um pouco aqui no posicionamento do peso, pode melhorar um pouco num vãozinho que tinha aqui do meu equipamento, para diminuir um pouco ali o arrasto. Mas você nem precisa fazer isso. Pega a região mais quente do país, no verão.

No meio do dia, a hora que estiver mais quente, vai lá e faz o seu salto e você vai, meu... Vai bater, por causa que a temperatura impacta pra caramba. Mais quente, as moléculas de ar, elas se separam mais e a sua velocidade é mais rápida. Porque você tem menos atrito. Tem menos atrito. E aí eu fiz isso e aí...

rapidinho eu fui a 552. Na mesma... Que altura que você saltava? 12 mil pés ou mais alto? Você tem que saltar abaixo de 13 mil pés. O avião tem que estar abaixo de 13 mil pés. E você tem que estar com paraquedas aberto a 2.200 pés.

Se você saltar um pouquinho acima ou abrir um pouquinho abaixo, é desclassificado, você perde o salto. Então, os computadores que eu soltava, que eram quatro, são mini computadores no ouvido, no ombro e aqui na região da canela.

eles são embutidos dentro do macacão, eles averigam todas essas informações de altitude, de velocidade, de demográfico, que velocidade você está a cada altura, quando você começa a desaceleração, porque se você abrir o paraquedas a 500 km por hora, você morre.

Ele é feito, é fabricado de projetado para ser aberto a 120 milhas, que dá em torno de 200 por hora. Então você precisa frear antes. Você tem que desacelerar para abrir o paraquedas. E como é que desacelera? Tem uma caneta aí? Então o que acontece? A posição streamline que a gente usa, imagina que é essa posição aqui. Então aqui, o homem tem a parte de cima do corpo maior, que é a parte de baixo. Então você quer ter o teu corpo...

totalmente retinho, simétrico, 90 graus, então você mantém o horizonte como referência. Se você tiver um pouquinho torto, você tem arrasto de vento aqui, então você não está desenvolvendo a velocidade máxima, você está derivando um pouquinho isso aqui.

Você quer ter atrito de ar só no topo da cabeça e no ombro. E o resto do seu corpo, ele fica meio que no vácuo. Quanto mais rápido você vai, maior é esse cone de vácuo. Ele vai abrindo para os dois lados. E quanto maior é esse cone de vácuo, mais difícil é você manter a estabilidade e não tremer.

Então é o contrário do que as pessoas pensam, que é um trabalho de muita pressão, você está respirando quase como se estivesse meditando numa yoga, controlando o horizonte, você obviamente ouve o barulho do vento que é muito alto mesmo, com capacete fechado, com viseira.

E você fica controlando para não ter vibração. Então, quando você sai da aeronave, você quer o mais rápido possível estar... Entrar na posição. Nessa posição. Então, a técnica é que você entra muito rápido nessa posição da parábola. Você corta aquele caminho ali e já entra na posição que você precisa.

E quando você sente que tremeu um pouquinho, tipo assim, eu fiz mil saltos fazendo só isso, cara, é uma repetição, é uma rotina, é muito chato. Em um momento fica muito chato a mesma coisa. Aí você sente que dá uma tremedinha e fala, pronto, perdi o salto, sabe? Então quando você consegue ir bem lisinho...

Aí você vai saber que o teu número, que a tua velocidade foi alta. A desaceleração, a essa velocidade, aonde você... Você tem a velocidade para ver assim? Não, não. Nem consegue ver nada na cabeça, você conta os segundos. Porque o que acontece? A sua mão está colada aqui na sua coxa, assim, de uma maneira mais aerodinâmica. Não, mas às vezes, sei lá, alguém está falando no fone 15, você conta na tua cabeça. Não, esse computador que está no ouvido, ele é um altímetro sonoro. Então você seta ele. Eu começava a minha desaceleração a 6.500 pés.

para abrir o paraquedas a 2.500 pés, para ele estar aberto a 2.200 pés, para não ser desqualificado. A 6.500 pés, tocou o sinal, o que eu tenho que fazer? Começar a desacelerar. Então, se eu tentar... Se eu tentar descolar o meu braço do corpo, não descola. Acima de 500 km por hora...

Onde você tem exposição de pele, irrita... Por exemplo, se eu te colocar nessa situação de irritação agora, você vai sair daqui correndo, está queimando, está queimando. Você vai aumentando a sua tolerância para isso. Mas depois do salto, como eu soltava descalço, porque a aerodinâmica é melhor descalça...

O tênis cria rasgos. Então, tipo, eu usava com o pé vermelho, com o pescoço vermelho e com as mãos vermelhas, que é onde eu tinha exposição de pele, pescoço, mão e pé. O resto tá protegido por macacão e capacete. O macacão de salto dura em torno de mil saltos. Os macacões de salto que eu usava, eles duravam 80 saltos. Que loucura. E se destruíam. Por conta da fricção da velocidade. É...

Essa desaceleração começa com você fazendo uma inclinação do corpo e saindo dessa posição vertical para uma posição que é quase voando um insult, um tracking.

E o barulho do vento, o altímetro sonoro me ajuda, me ajudava bastante, mas eu fiz isso tanto que o barulho do vento, ele se tornou uma referência pra mim, assim, e eu já meio que sabia o tempo das coisas, como tudo funcionava e era uma rotina tão grande, mas realmente esse salto com esse peso extra, você falou, e o paraquedas, como que você fez o pousar, né? Cara, mas pra tu fazer uma parada dessas, tu gastava, tipo, 10 milhões de reais.

Botou numa hora do avião 10 mil reais, mil saltos. É, bom, eu tinha patrocinadores. Não, não, então, mas é tipo isso? É tipo isso, é. Tu botou na queda um tadinho, tipo. Sim. Eu tinha apoio da maior, na época, hoje ainda é uma das maiores áreas de saltos do mundo, que é Paris Valley, é o sul de Los Angeles. Então, eu representava essa drop zone. Pessoas do mundo inteiro vão saltar lá. Então, lá eu era um atleta que...

Você aproveitava o voo dos outros e ia dentro. Não, eu tenho passe livre. Eu chego lá, tá subindo, sobe avião de 15, 15 minutos. Eu entro onde eu quero ter um passe livre pra saltar à vontade. Tu sente falta de saltar? Hoje em dia tu salta ainda pra dar um ralé ou... Não. Não. Pegou bode? Não peguei bode, mas não sinto falta. Eu acho que a minha onda sempre foi... É...

O objetivo. Fazerá o momento do salto. O objetivo, é. É o objetivo, o processo para chegar no resultado, é no objetivo. A minha superação pessoal. Como eu não acho, assim, eu tinha medo de altura, o meu primeiro salto quase entrei em pânico, foi a pior experiência da minha vida. No momento que eu botei o pé no chão, foi a melhor experiência da minha vida. Então, esses dois extremos de...

para eu sentir a melhor experiência, eu tenho que passar pela pior. Me levou a desenvolver uma carreira profissional dentro desse esporte, que o objetivo... As pessoas falam, ah, você é viciado em adrenalina, você gosta de velocidade, você é radical. Cara, eu posso até ser um pouco isso, eu gosto disso, normal. Mas isso é 20%.

do combustível para eu fazer tudo o que eu fiz. O combustível para eu fazer as coisas que eu fiz foi a superação, foi a busca desse resultado de criar um projeto, fazer alguma coisa diferente, chegar lá e fazer algo novo. Sempre foi isso, assim, eu me superar. Até onde que eu consigo me superar, né?

Que loucura, cara. Agora, em 2007, você voou com o Inksult, poucos metros do Cristo Redentor, e raspou o traje na montanha. O Inksult rasgou. Você manteve o voo e fez o pouso ileso. E aí, o que separou aquele momento na tua cabeça, o controle do caos? Bruno, esse foi um divisor de épocas, de projetos meus, porque até 2007... E aí

Esse foi o último incidente que eu tive que eu poderia ter morrido. Eu tive três, quatro no total. Um em Mont Blanc, quando eu fui pousar no topo do Mont Blanc, com paraquedas de alta performance.

Um, durante o treinamento para esse projeto do recorde mundial. De velocidade. De velocidade. E eu tive uma situação também num recorde do menor paraquedas. Eu tive o que a gente chama de close calls. Eu tive quatro durante a minha carreira profissional. O último foi em 2007, no Cristo Redentor.

Eu aprendi muito nesse projeto e desde lá eu fiz 80% dos meus projetos sem passar susto nenhum, sem nada sair do controle. Esse projeto do Cristo foi realmente algo que me ensinou muito sobre como trabalhar a minha equipe, como respeitar.

a minha equipe e como não liderar a minha equipe, mas fazer parte da minha equipe, porque até o presente momento foi, você falou do projeto do Grand Canyon, que eu soltei com a moto, isso foi em 2004, né, foi reproduzido pelo Tom Cruise em... Agora? Agora, dois anos atrás. Três anos atrás. 20 anos depois foi reproduzido igualzinho.

E tem um vídeo só sobre esse stunt do processo dele de treinamento. Meus amigos treinaram ele. E supostamente é o stunt mais caro da indústria do cinema de todos os tempos. Falaram isso lá no filme. Tanto que eles investiram de tempo, dinheiro, horário de helicóptero. Sim. Eu... Eu...

Confesso que nesse projeto eu tive uma estrutura muito legal com a Descobretino. Nesse meu Cristo? Não, no da moto. Lá no... Foi em 2004. Aconteceu tudo bem, não teve problema nenhum. Era uma coisa totalmente, assim, inédita na época. E aí eu fui pro Cristo com uma equipe melhor ainda. Eu morava nos Estados Unidos. Tive toda a estrutura pra chegar lá, treinar, tudo. E eu tava com a melhor equipe que eu já tinha tido.

até então, em projetos, e eu tomei uma decisão durante um salto, a minha autoestima, a minha confiança estava tão grande, depois eu fiz 11 saltos de treinamento, chegou o dia de filmar.

vários helicópteros filmando, tinham três helicópteros filmando, um deles tirando foto, e eu queria uma foto específica, e aí rolava um briefing muito grande antes de tudo, posicionamento, e aí eu fiz o primeiro salto e eu vi que o helicóptero que tirava a foto em cada livro não estava posicionado onde eu falei que ele deveria estar. E isso muito bom, porque eles estavam sendo conservadores, ele estava com medo de chegar mais perto e me atrapalhar.

E aí quando eu pousei, eu fui direto no fotógrafo, eu criei aquela foto, eu criei aquela foto, eu falei, cara, você não conseguiu a foto, né? Ele, ele, é, não, tá? Eu falei, então, vocês não conseguiram, porque você tem que...

Diminui pela metade, você está a 200 metros do Cristo, você pode chegar a mais 100 metros, tranquilo, e vai dar o eixo certinho de eu passar. Não, beleza. No próximo salto eu estou vindo, eu vejo ele no mesmo lugar. Eu falei, pô, eu vou me ajustar aqui e vou me colocar entre a lente dele e o Cristo. Eu vou me ajustar para a foto sair como eu quero. Para a foto, eu estava pensando na foto. E com isso eu fiz uma linha de voo diferente, ou seja, eu fiz...

Algo que toda a minha equipe não esperava que eu ia fazer, todo mundo que estava lá, todo o briefing, por conta de um ego, de uma foto que eu queria, consegui a foto, só que quando eu fui desviar do Morro do Corcovado, isso me colocou numa posição que eu não estava mais ali embaixo do braço do Cristo, que o morro é vertical, retinho, ali na frente tem uma barriga. E quando eu fiz a curva para sair e ver aquela barriga,

passa o filme da vida. Não da vida inteira, mas das coisas que são importantes, que estão presentes ali. Me passou aquele filme da vida, realmente eu achei que ia morrer e eu... Mas você viu o negócio se aproximando, como é que foi? Você estava ali, você viu que você fez cagada? Eu fiz cagada, quando eu fiz a curva, eu não pensei assim, eu acho que eu vou bater no Morro do Corcovado, na barriga que tem depois do Observation Deck, não sei como é que fala em português, ali na frente, ele não é reto, ele tem uma barriga assim. E eu estava contando que era reto, que eu ia passar.

Eu não pensei assim, eu acho que eu vou bater ali. Eu falei, eu vou bater ali. Mas eu não desisti. O Inksut se usa muito o ombro, o abdômen, a ponta do pé. Eu fiz tudo. E aí eu passei raspando e achei que ia bater. Achei que ia bater e não bati e fui raspando. E aí a vegetação é baixa ali. Estava seco pela época do ano. Veio raspando o meu peito, o meu peito, o meu peito. E no finalzinho tinha um galho de uma árvore que pegou na asa entre as pernas.

Quebrou o graveto, tá isso no vídeo. Eu voei, abri meu paraquedas, a gente pousava o paraquedas. A gente pousava num lugar super restrito. O pouso era muito restrito, porque não tinha área de pouso ali. Era o quintal da casa do Eike Batista, que era desse tamanhinho assim. E em volta era fio de alta tensão. Eu peguei o controle do paraquedas e eu tava tremendo igual o Vara Verde. E a sensação que eu tinha era bem essa.

eu não mereço ter sobrevivido. Eu cometi um erro muito grande, assim. Tipo, eu não acredito. Você chorou? Cara, eu não chorei. Eu entrei em estado de choque um pouco, assim. O que que aconteceu? Quando eu pousei, o pessoal veio celebrar, e aí eu sentei. Aí tirei o capacete, e o cara, que cara é isso? Viu um fantasma? Falei, não, raspei.

Ele que raspou, tá louco? Você ia estar morto. Aí eu mostrei o insult, aí a galera entendeu. A galera nem se ligou. Nem se ligou. E aí, era uma época que eu saltava de segunda a segunda, dez vezes por dia, eu fiquei dois meses sem saltar, processando isso, assim. E hoje, eu até falo isso em palestra, porque...

Eu acho que a maior sacada que eu tive nesse projeto foi o quanto que eu não mereci fazer parte da equipe que estava ali. Todos os profissionais que estavam ali, eles estavam contando que eu ia fazer o que tinha sido combinado. E acho que naquele momento eu entendi que não basta você ter a melhor equipe, é fácil você ter a melhor equipe. Merecer fazer parte dessa equipe é difícil.

você tem que colocar eles em primeiro lugar pra eles cuidarem de mim e eu mudei isso desde então e a decisão ela não é mais minha, eu não tenho esse poder dessa decisão, sabe? eu não sou um super herói e eu trabalho assim, cara cuidando da minha equipe que dá trabalho pra caramba mas eu tô vivo e tô conseguindo provar que tem como você eu tô conseguindo

seguir os seus sonhos e ter uma carreira profissional num nicho que tem um risco alto e sendo profissional o suficiente para poder...

estar aqui conversando com vocês para poder ter o apoio da FAB, da Força Aérea Brasileira, para poder ter o apoio da Rede Globo. E isso só acontece através dessa equipe, que eu cuido deles e eles cuidam de mim. Cara, muito louco. Eu quero saber as outras três histórias, mas eu acho que a gente não tem tempo para falar sobre tudo isso, porque, cara, a gente vai terminar... Não, vai ter que ter os extremos depois do projeto.

depois do projeto pra, cara, pra pegar mais essas histórias, porque assim, eu tô aqui tipo, muito focado nossa é real, eu quero saber os outros três pontos mas não agora, vamos tu ainda tem esse wingsuit todo arranhado?

Cara, eu devo ter em algum lugar. Eu dou muito as minhas coisas de salto, porque às vezes usa para um projeto, faz três saltos e aí não usa mais. Pô, mas esse arranhado aí, se tu tiver, é o que? Eu acho que eu tenho esse arranhado, sim. Se eu procurar lá, eu tenho. Eu devo ter uns 15 wingsuits. Esse daí merece enquadrar. Esse se tu topar, a gente quer botar de quadro aqui no G4. Cara, eu... Esse conceito de... Esse daí é errado.

Olha só, ele é um wingsuit muito antigo, bem diferente dos wingsuits que a gente voa hoje. Diga-se de passagem, eu me aposentei do wingsuit por conta de ser pai, falando desses projetos da escala que eu aceito o risco hoje em dia, então o wingsuit é uma coisa que eu não pratico mais.

Mas eu vou procurar esse Wingsute e ver se eu acho... Cara, ele deve estar na casa de algum amigo, numa caixa, em algum lugar lá nos Estados Unidos. Ele não está aqui no Brasil, não. Cara, se tu achar... É um modelo bem antigo, é um dos primeiros. Se você achar, eu quero enquadrar, botar ele e uma foto tua no Cristo para contar essa história para o time. E assim, cara, tem uma curiosidade aqui de... Como que você começou nisso? E depois, como você entendeu que isso era um negócio?

Eu entendi que isso era um negócio quando... Eu larguei tudo aqui no Brasil para ir morar nos Estados Unidos e conhecer os meus heróis do paraquedismo. Era uma época que a gente... Que ano que era isso, você lembra? 1997. E você começou quando a saltar? 1995. Então, dois anos depois. Você se apaixonou... Dois anos depois. Por que você falou, vou saltar?

que eu ouvi um anúncio no rádio, lá em Curitiba, eu sou natural de Curitiba, estava indo para o trabalho. Você trabalhava com queda? Cara, na época eu tinha uma empresa que terceirizava serviço de conservação e limpeza para o governo. Só que eu comecei muito jovem, eu comecei com essa empresa quando tinha 18 anos. E... Por necessidade, né? Por...

Eu comecei a trabalhar com 11 de office boy, numa lavanderia que minha mãe trabalhava, meu expediente, aí com 14 eu fui trabalhar numa indústria metalúrgica na região metropolitana de Curitiba, de auxiliar de escritório. Aí aos 18 eu pedi demissão, peguei minha rescisão, um motinho que eu tinha, vendi, montei uma oficina de conserto de fibra de vidro nos fundos de um escritório de advocacia.

de boca, sempre fui lá, conversei com o advogado lá e me aluga aqui atrás e vim tinha um porão. Longa história curta, não deu certo a oficininha e aí eu morava no porão da oficina na época e aí o advogado um dia chegou lá e olhou pra mim e falou, é, não tá dando certo, né? Não tem cliente e tal, deu.

tinha dinheiro nem pra comprar o miojo mais. Eu falei, não, vai dar certo, vai dar certo. Ele sobe, eu quero falar com você. Aí eu subi, ele falou, cara, eu vou te fazer uma proposta. Eu sou advogado de empresas que terceirizam serviços pro governo. Eu terceirizava serviços pro governo. Eu montei uma empresa pro meu filho, ele não deu bola. Então eu tenho uma documentação aqui, eu te dou essa documentação, te ensino a trabalhar com isso, você é um cara esforçado.

tem uma salinha vaga aqui, meio expediente você trabalha para conseguir os seus contratos com o governo, eu vou te ensinar, e meio expediente você trabalha para mim de office boy. Eu tinha 18 anos, eu falei, cara, eu era office boy quando tinha 14, pô, sou empreendedor aqui, eu tenho uma oficina. E aí eu não tinha opção, eu aceitei a proposta dele, e aí consegui o meu primeiro contrato no mesmo ano com a Secretaria da Agricultura, aí...

Fui trabalhando e com 22 anos eu tinha 180 funcionários registrados, prestava serviço para o Banco Central, para a Prefeitura de Curitiba, Teatro Guaíra. E eram funcionários terceirizados, mas era a minha responsabilidade de limpeza. E isso que me deu...

a possibilidade de saltar de paraquedas, porque eu nunca teria condição financeira de fazer paraquedismo, um esporte elitizado, um esporte caro, ainda mais naquela época. E certo dia eu estava indo para o meu trabalho e ouvi um anúncio no rádio, falando de salto em Curitiba, 9 mil pés, pensei assim, cara...

9 mil pés, queda livre, isso vai ser uma terapia para o meu trabalho. Eu faço um salto por mês, né? Extravasa. Extravasa. E aí aconteceu aquilo que eu te falei, né? Ser o pior dia da minha vida, pior sensação da minha vida. Quando eu abri a porta do avião, eu falei, meu, não vou de jeito nenhum. Pedro e Lu, meu instrutor na época, incrível ele. Mas você pôs duplo.

Não, sozinho. É um salto static line que chama. A única coisa que você tem que fazer... Eles te seguram... É, você tem que cair do avião, o paraquedas abre sozinho. Tem uma fita que é... Ah, tipo do exército. Tipo do exército, é. Só que eu travei. Abriu a portinha do avião, eu falei, Pedrão, esquece. O que eu estou fazendo aqui? Mínima chance, não tenho condições nenhuma.

cara, o recordista mundial traga o primeiro salto aí o que ele fez? esse cara fez o seguinte, ele fechou a portinha do aviãozinho do Cessna, pediu pro piloto ficar dando volta ele ficou 20 minutos conversando comigo e ele fez eu entender

que estava muito além daquele momento, daquele salto. E eu acho que o jeito que ele conseguiu fazer isso comigo, porque ele era meu herói, ele falou, cara, eu senti a mesma coisa, foi igual, e olha onde eu estou. Quanto que foi importante para mim. E você está capaz, enfim. E mesmo assim ele me empurrou. Eu cheguei na porta e ainda tive que ser empurrado.

O cara fez uma sessão de terapia de luteira, entrou na mente do cara, plantou todas as sementes, Inception, fez o cara falar, pode ir. Daí ele travou, João, agora, meu amigo, agora você vai, você vai. Foi isso mesmo. E o paraquedas abriu, tudo certo, só que eu tinha medo de tudo que eu treinei, equipamento suspenso, que eu fui bem no chão.

Eu tinha medo, tipo assim, sabe, já abriu, já tá bom, eu tinha medo de pegar o controle, de tentar navegar, eu tava em pânico. E aí, por conta de uma instrução muito boa na época, que era o Gilvandro que fazia o rádio embaixo, tava com rádio.

E ele ficava, curva para a esquerda, eu não mexi em nada, não fazia nada, eu estava em pânico. Curva, curva. Em certo momento ele falou, cara, segue o Pedro Ilú, ele está na sua frente, eu nunca vi o Pedro Ilú, e em algum momento eu vi o Pedro na minha frente, esse mesmo instrual de saltar com o paragrados grandão.

Ia na frente do aluno para dar referência, porque Curitiba era muito perigoso. Não tem mais salto lá, não é legal? Porque o aeroclube está no meio da cidade. Ou você pousa lá, ou você vai enroscar num prédio, num fio de alta tensão. Então eles tinham esse cuidado com os alunos. Ué, que cuidado bom, né? Me segue, me segue. Vem comigo, segue o pai. Vem, depois eu te explico. O que aconteceu? Mera sorte.

30 segundos antes do pouso. Pura sorte. Eu vi o Pedrilu, peguei o batoque, resolvi seguir ele. Fler, fler! Fiz o fler, pusei em pé no alvo, coisa que um aluno de primeiro sal nunca faz. Pura sorte, coincidência. E aí, a hora que eu botei o pé no alvo em pé...

Eu estava em pânico, não sabia o que fazer, eu pusei em pé. Foi a melhor sensação que eu tive. O Thales teve a sensação parecida, só que aí ele pousou sem perna. Ele pousou e virou curumpirão ao mesmo tempo. Ele fez o fler a dois metros e meio de altura. Estolou e caiu igual a Lau. Mas se não fosse isso, não existirei o G4. Então está tudo bem. Que loucura, cara. Sim. E eu acho que aí eu botei o pé no chão, eu ia fazer um salto por mês, né? Para tirar o estresse. Naquele final de semana eu fiz 11 saltos.

E aí era essa montanha-russa, né? Tô no avião, o que eu tô fazendo aqui? Por que eu vou? Saltava, ia e pousava, quero ir de novo, então... Você viciou naquilo. Eu viciei nisso, de eu conseguir ter controle, eu queria ter controle. De você se sentir bem. O seu objetivo era você conseguir fazer aquilo tranquilo. No décimo primeiro você conseguiu ou você ainda tava ansioso? Eu acho que eu tive um perfil assim de... Até, sei lá, o salto número 30, que foi quando eu comprei o meu equipamento, eu era... E...

Alguém que estava ainda com um nível de medo muito alto, sabe? E ao longo da minha carreira eu vi muitas pessoas saltarem. E quando eu me comparo, assim, cara, poucas pessoas eu já vi com mais medo do que eu. Eu tinha muito medo mesmo. Mas por algum motivo, para mim, era importante eu enfrentar aquele medo.

Era importante aquilo, ter controle. E acho que quando o salto normal começou a ficar... Porque tudo que você faz, você vai criando uma tolerância e começa a ficar normal. E quando o salto convencional para mim já não me dava aquele medo, eu precisava arrumar outro desafio. E acho que essa foi sempre a minha onda, o próximo desafio, o próximo desafio. Mas o fato de você ter conseguido fazer a tua carreira nesse esporte...

você acredita que veio por conta da sua obsessão por conteúdo? Porque você é um produtor de conteúdo antes da internet. Essa era a próxima pergunta. Como você entendeu que isso era um negócio e como que veio essa vontade de produzir conteúdo? E cara, você foi estudar no UCLA? Que legal que você teve essa percepção. Porque foi assim, eu nunca gostei de estudar, sempre fui meu aluno. E aí eu fui estudar nos Estados Unidos porque precisava de um vídeo de estudante para morar lá.

E aí escolhi os cursos da UCLA relacionado à produção audiovisual e na parte de criação de propaganda, advertising.

E eu comecei a ir bem, porque me interessavam esses assuntos. Mas te interessava por causa do salto ou porque te interessava que você gostava? Porque me interessava porque eu gostava. A parte criativa, o audiovisual me ajudava com o salto. E aí eu comecei a tirar A+, A+, me botaram num estágio na maior produtora cinematográfica aérea de Hollywood da época.

Mas colocaram por acaso ou você escolheu? Por acaso. Não era porque você era paraquedista? Não, não, não era. Eles faziam imagens aéreas, não tinha nada a ver com paraquedismo. Mas os principais filmes da época, as principais campanhas publicitárias que tinha a imagem era helicóptero com câmera estabilizada, tudo que era imagem aérea, eu fui trabalhar lá como estagiário.

E aí o dono da empresa gostou de mim, porque eu era raçudo, precisava estar às quatro da manhã, eu estava às três e meia. Tudo para mim estava lindo, maravilhoso. E aí ele me convidou para ir na casa dele. Eu morava em Los Angeles, ele morava em Santa Bárbara. Eu tinha uma namorada brasileira na época.

Aí a gente foi na casa dele, eu cheguei lá em Santa Bárbara, ele tinha uma casa de filme, assim, com piscina infinita, em cima da montanha, Santa Bárbara, aquela... Aí eu fiquei olhando e aí eu pensei assim, cara, esse cara, ele tem essa vida aqui e ele faz o que ele gosta.

E aí eu pensei, eu acho que eu vou fazer isso, vou fazer o que eu gosto. Eu já estava pensando, sabe? Em me conectar com ele, em um dia ter um cargo alto na empresa dele. E aí eu fiquei pensando assim, cara, eu acho que eu vou fazer o que eu gosto também. Porque esse cara, ele faz o que ele gosta. E aí o que aconteceu? Ele falou, Luiz, tem uma gravação em Edwards, que na época tinha uma base da NASA lá ativa, não tem mais hoje.

que é dentro da NASA, que é um tal de... Esqueci o nome do treinamento agora, vai voltar aqui.

um flight training, que eu esqueci o nome agora, que eles colocam os pilotos de caça dentro de câmeras de descompreensão e sobem os caras a grandes altitudes, e aí faz um monte de teste e tal, e eles tinham uma filmagem lá que caiu, só que ele tinha o passe para aquilo tudo, e falou, pô, você que é paraquedista, você que gosta, eu estava me preparando para o recorde sul-americano de velocidade em queda livre. Ele falou, de repente, tem a ver com o seu grande altitude e tal. Que ano que era isso?

Você foi pra lá em 97. Isso foi em 1999. Então foi dois anos depois que você tava lá. Dois anos depois que você tava lá. Aí eu falei pra ele, pode filmar lá? Ele falou, cara, com câmera grande não, mas com essas camerazinhas que vocês usam no capacete, leva. E vai filmando, se alguém reclamar você... Aí eu levei minha namorada, aí ela fez... Ficou me filmando lá, fazendo esse...

treinamento dentro da NASA, e realmente me ajudou bastante, porque o meu salto era de grande altitude, era outra categoria, eu ia usar oxigênio e tudo. E aí eu falei para ela, pergunta para o seu pai se ele tem um contato lá em Curitiba.

Da televisão, da Globo, de algum lugar. Aí ele me mandou logo um contato fantástico, o Rogério Marques. Esse cara, ele me adora. E aí, cara, eu, Zé Ninguém mandei um e-mail pra ele na época. Oh, tô fazendo isso aqui, treinei na NASA e vou quebrar o Rex Solomino, que nem queda livre e tal. Ele, meu, me manda aí. Aí eu fiz o projetinho do jeito que eu conseguia, peguei uma fitinha mini DV na época, coloquei dentro, botei no Sedex pra ele.

Aí o cara falou, cara, isso é incrível, isso aqui vai ser matéria de destaque. O meu primeiro projeto de mídia foi em 1999, não tinha televisão a cabo, não tinha... Cara, Malemar tinha internet. Era o começo. Então o Fantástico tinha uma audiência, assim, que era um...

Eu acho que foi nessa época que eu te vi, cara. Eu lembro, eu tinha uns 14 anos, isso daí. É que isso aí foi o primeiro, foi o start. Então, quando isso foi chamado no Fantástico, eu morava lá em Leia, as pessoas mandavam e-mail, até para ligar o celular, naquela época era difícil, era complicado. Nem Skype tinha. Não. E aí, o que aconteceu? Quando isso foi bem colado no Fantástico, eu entendi que...

tinha uma chance ali de eu fazer o que eu gostava e viver disso. E aí eu comecei a... Mas a dinâmica era, você era contratado da Globo ou a dinâmica era, você vendia o projeto para a Globo, a Globo te dava exposição e você tinha o direito de captar patrocínio? Mais ou menos isso, era mais ou menos isso. Mas aí logo eu comecei a fazer coisas lá nos Estados Unidos também pela Discovery Channel. Então assim...

Por muito tempo o foco era Discovery, só que a Discovery me dava autonomia para eu mandar o material para o Brasil também. Então eu sempre estava mandando as coisas para o Brasil, e aí passava lá e passava aqui.

Mas era o jogo disso, você produzia conteúdo, dava pra mídia, a mídia te dava visibilidade e você podia vender essa visibilidade. Exatamente. Desculpa, eu não se importava de ter jungle na asa do negócio. Não, não se importava. E outra coisa que aconteceu, eu tive um patrocinador lá que eu aprendi muito, que é... Eu lembro que você fez um trabalho grande pra TNT, eu acho, no Brasil, não? Pra TNT no Brasil? Porque tu tinha até um helicóptero envelopado. Sim.

Foi assim, a TNT, no meu ponto de vista, virou o que virou pro Tocal. Eu não conhecia a TNT antes dele. A TNT, eu acho que ela, pô, se você parar pra analisar marketeiramente falando... Ela existe ainda? Existe, né? Eles perderam um pouco... Nem sei, mas... O produto existe. Mas o playbook que eles fizeram de pegar um dream team ali de atletas de todo o segmento foi a estratégia que eu tô fazendo na Aquacoco. Sim.

Mas é, cara, em cada nicho ali que ela foi, ela foi UFC, pegou o cano e pegou um surfista. Surfista. Mas ela pegou cada esporte e pegou um cara muito radical. Sim. E aí era essa parada de não era sobre o campeão, era sobre o mais radical. Cara, eu lembro que quando eu morava nos Estados Unidos, aí me chamaram para uma reunião na TNT.

E eu cheguei lá e já tinha o posto da TNT. Então, estava o César Cielo, o Minotauro, estava todo mundo lá. E aí ele falou, cara, meio que está fechado o time, mas você, pô, a gente tem interesse, de repente eu te ponho aqui em cima, vou de insulto. E aí eles me fizeram uma proposta que não me agradou. E eu apresentei uma contraproposta. E eu falei para ele, olha, isso aqui é a minha contraproposta, é o meu nome dos Estados Unidos.

eu vou te dar mais retorno, eu vou ser o atleta que vai te dar mais retorno de mídia, de todos. Ele é mais retorno que César. Eles foram para o Isotônico. Cielo, eu falei, mais retorno que todos, eu vou te dar. Aí eu saí de lá, e eu parei numa padaria para comer um negócio, e estava passando no Jornal Nacional, e apareceu o César Cielo. Aí eu fiquei com aquela sensação, eu falei, puta que merda. Falei merda, né? Não devia ter falado isso. Um ano depois...

a agência entregou a conta para a cervejaria, a cervejaria tirou a agência e teve uma reunião com todos os atletas numa mesa enorme e o gestor da agência estava passando os atletas para o gestor da cervejaria. E aí ele começou com todo mundo e me deixou por último. E ele foi falando, esse aqui é o fulano, ele deu tantos...

X número em valor de retorno de mídia. Aí não sei o quê, não sei o quê. O Cielo saiu logo no começo. Aí ele, ah, aqui o Minotauro deu 33 milhões de retorno de mídia. Aí eu falei, tem o Cane, que deu 240 e tantos milhões de retorno de mídia. E aí eu lembro que eu falei, caramba, deu certo, né, cara? Eu falei, me arrependi e aconteceu. É verdade, eu fiz muita coisa com a TNT. A gente tinha o quadro...

Radicani no Caldeirão e o quadro Homem-Pássaro no Esporte Espetacular simultaneamente ao mesmo tempo. No Canal Off eu tinha duas séries simultaneamente ao mesmo tempo. Então eu vivia para isso, eu vivia viajando, produzindo, vivia...

com a equipe de um lugar para o outro, inventando, procurando um lugar épico para voar. A vida era isso. Eu peso em 105 quilos, varia entre 102 e 105. Tu acha que dá para alguém fazer um voo comigo? Sim, claro. Porque nunca pode, na escolinha normal lá eu não consigo. Não, na escolinha normal eu não pode. É porque é uma regra, mas o que acontece? Se você pegar... Depende muito do...

deixa gravado pode, eu arrumo uma pessoa pra saltar com você vou acabar o episódio falando então tu topa ser meu mentor e eu fazer o meu primeiro saldo da vida? eu sempre quis, mas meu peso não deixa preciso de um cara mais robusto

Ele não vai arriscar a vida dele pra saltar junto com você. Isso é muito arriscado. Eu não salto com o Alfredo porque eu não sou piloto Tani. O piloto Tani, o que acontece? Ele tira uma licença que é relativamente fácil de tirar, eu nunca tirei. E pra manter essa licença, ele tem que fazer X número de saltos por ano, que é 30 saltos. Eu não vou fazer 30 saltos por ano, então eu nunca tirei essa licença. Mas eu posso.

ser o seu mentor do salto, como eu fui com a minha mãe, com muitas pessoas importantes para mim, eu escolho o seu instrutor e eu vou junto, e eu salto e eu filmo a sua queda.

Caramba, que loucura. O que acontece? Você vai ter contato visual comigo durante o salto inteiro. Seu instrutor está atrás de você, ele que comanda tudo. Ele que é o seu safety guy. Eu já fiz isso uma vez na vida, não faz nada. Para de ser frouxo. Eu sou frouxo. É tão bizarro assim? Foi a experiência que ele teve no primeiro salto. O pé no chão não tive a sensação que ele teve. Tive uma sensação de que ele teve no quarto todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo todo

Meu Deus do céu, ainda bem que eu tô no chão nunca mais fascista na minha vida. Isso que eu tava com alguém atrás. Você procura, tem vídeo meu na internet. Justamente por isso, porque você não tava no controle. Passando mal.

Você passou mal. Não passaram mal, assim, tipo, boca seca. Isso daí, cara, pô, chegou ali na beira do avião. Eu falei, não vou não. Só que eu era o último, eu vi todo mundo saltando. Então, você vai no avião com, sei lá, 10 pessoas. Eu fui num grupo, já, porque daí um saltou, outro saltou, outro saltou. E eu, por último, eu tenho medo de altura. Daí o cara, na hora que chegou a minha beira, eu falei, vou não. Eu não tenho, mané, quando eu tô em pé de alto, eu gosto de ficar indo na...

Não, ele ia falar, agora você vai. Daí eu falei, então, tá bom, daí ele, vamos. Daí o cara, esquece.

Vou pensar no seu caso, mas não... O quarto filho vindo aí nem a pau. Você sabe que estatisticamente o salto duplo é uma das coisas mais seguras que você pode fazer? Ah, não, mas eu tenho certeza absoluta. Não, é sério, estatisticamente é muito seguro. Mas eu arrumo uma pessoa bem qualificada para saltar contigo e eu vou lá e te filmo. Já fiz isso com...

O salto duplo, cara, tem uma coisa que é assim, se você tem um bom instrutor, uma pessoa que consegue te preparar o seu medo, porque os medos que você tem não são reais. Mas eu não tenho. Essa eu não tenho, então. Então tá de boa. Então tá de boa, mas a maioria das pessoas tem.

Se você não tiver medo na porta... Tem curiosidade só. Você nunca fez? Você nunca soltou? Qual do peso? Desde que eu comecei a procurar, eu já tinha 95. Não, cara, eu nunca... Baixo de 100. Baixei de 100 na minha loja de mel ali. Fui pra 98. Aí eu acordei e tomei café da manhã, fui pra 100 de novo.

Aí é sempre essa viadagem, não dá, não dá, não dá, não dá. Aí tem Dubai. É que, por exemplo, tá o tão certo. Dubai tinha um cara que era até 105, mas aí não tinha agenda quando eu tava lá.

Eu arrumo alguém pra soltar com você aqui, porque pensa assim, se eu fosse piloto Tânia e eu peço 65, você 100, tá tranquilo. O problema é você pegar um instrutor grande também, que pesa 90 quilos, entendeu? Mas dá também. Tem equipamento duplo. O equipamento... Não bate. A fórmula 1 dos ares. É o pessoal.

Caralho, soltou lá em Porto Feliz, apareceu em Campinas. É do Brasil. É o Big Wing Suit. Double Wing Suit. Imagina. É o primeiro balão rasante do Brasil. Que animal. Agora, Cânia, a gente vai ter que fazer um segundo episódio.

porque 120 anos do Santos Dumont, como a gente falou no início do episódio, e você procurou a gente com um projeto de fazer aí uma reconstrução do 14 Bis e fazer um voo. Ou seja, você está falando para a gente que está parado, mas já está querendo voltar em grande estilo. Sim, é verdade. Conta um pouquinho de onde nasceu essa história.

E a gente vai ter um episódio especial, galera, para contar para vocês os bastidores, ponto a ponto, dessa história insana que foi esse cara reconstruir o 14 bis de Santos Dumont e fazer um voo de comemoração dos 120 anos desse gênio. Então conta só.

Dá só uma introdução do que a turma desse episódio pode esperar dessa história que a gente está construindo junto, que é o que eu falei no início do episódio. Quando um doido encontra outro doido... Outros doidos. Sai loucura. É um projeto que apresenta muitos desafios. Todos os engenheiros aeronáuticos que eu procurei, eu sou do meio, eu conheço todo mundo, todos falaram a mesma coisa. É impossível fazer um 14 bis que vá...

que vai voar a grande altitude e fazer curva. O 14 bis, ele não faz curva. Ele é muito frágil, ele voa baixinho e não pode ter vento nenhum.

E eu decidi fazer um 14 bis que esteticamente ele é idêntico, tem ali 98% de fidelidade ao 14 bis que todo mundo conhece, só que ele tem umas características mais modernas, de estrutura, de ser mais bem estruturado, não ser tão frágil, os materiais são diferentes.

ter os comandos mais eficientes, de ele ter uma aerodinâmica melhor um pouco para poder voar um pouco mais rápido, o 14 Bis voa muito devagarinho. E o que poucas pessoas sabem, quase ninguém sabe, que o 14 Bis chama 14 Bis por conta do balão número 14 do Santos Dumont, porque o Santos Dumont, antes de ser aviador, ele era balonista.

Então ele foi evoluindo os balões dele, quando ele inventou o 14 bis, ele estava no balão número 14, à medida que ia evoluindo os balões dirigíveis dele, ele ia aumentando o número dos balões. Quando ele estava se preparando para homologar o voo oficial dele, o primeiro voo de uma aeronave que ia sozinha, com motor e asas, mais pesada que o ar, decolar e pousar pela primeira vez na história.

Ele pensou, cara, eu não dei nome para esse protótipo ainda, eu preciso dar um nome para ele. Ele olhou para o balão dele, número 14, e falou 14 bis. Eu já voei ele tantas vezes içado por esse balão, 14 bis. Então o nome do 14 bis é em homenagem a um balão. A gente construiu um balão lindo, maravilhoso, gigantesco, da G4, que vai içar o protótipo do 14 bis que eu vou estar dentro, eu vou subir a grande altitude.

e vou desconectar esse protótipo do balão, ao contrário do que o Santos não fazia, ele voltava e pousava o protótipo com o balão, então vou me soltar do balão lá no alto, e vou aprender a voar esse protótipo, esse protótipo está em construção, então vou fazer vários voos para ir ajustando, ele vai ser motorizado, ele vai... G4 e Sandro sua empresa. E a ideia é fazer um voo em ala, que eu 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가 가

dessa aeronave do 14 Bis, com aeronaves modernas. A gente vai fazer o primeiro voo em ala com helicópteros, que eles conseguem espelhar a velocidade, toda a performance de voo do 14 Bis, e em seguida com os aviões da Esquadrilha da Fumaça, que é um pouco mais desafiador, tem uma dinâmica de voo bem diferente, tecnicamente vai ser mais desafiador, mas é um projeto que...

está muito mais relacionado à aviação do que ao paraquedismo. Mas eu estou usando o meu expertise no paraquedismo para fazer o 14bis, esse protótipo, pousar de paraquedas e eu pousar de paraquedas também, por conta da minha segurança.

Obviamente tudo filmado... Cinematograficamente? Cinematograficamente, com uma tecnologia que a gente acabou de trazer para o Brasil. Quando eu falo a gente, eu me acredito disso, porque isso é um assunto que me deixa tão feliz, é um assunto que me motiva tanto. Acho que os dois ali seguem juntos, o audiovisual e o voo. Então, a L News, uma empresa que eu trabalho há muito tempo, eles...

customizaram e trouxeram da Nova Zelândia a primeira câmera de cinema para usar em helicóptero com estabilização de lente longa. Então, as imagens que a gente vai fazer dessa homenagem aos 120 anos do 14 Bis, eu tenho certeza que vai ser espetacular.

Então, turma, fica pronto aí. Já segue lá, G4 Business, segue lá, bota a... Se você quer ver de primeira esse voo, fica ligado nos bastidores, no passo a passo desse projeto do G4, junto com o Cano empreendendo para essa homenagem histórica desse gênio que é Santos Dumont. A gente resolveu investir nisso na física, junto com o G4.

porque a gente acredita que esses brasileiros que inovaram, que desafiaram ali as suas gerações, é uma homenagem aos nossos alunos que são essas pessoas nos seus segmentos, nas suas cidades, nos seus setores. Então, é uma forma aí da gente, obviamente, representando toda essa comunidade, todos esses alunos, esses empresários brasileiros que todo dia têm que largar do paraquedas.

para pousar suas empresas em diversos cenários completamente diferentes. E muitas dessas vezes nem paraquedas tem. Não é isso, Bruno Nardom? É isso aí, meu querido. Então, vai ter episódio só sobre o projeto 14 bis com Cane e G4. Cane, é o seguinte, agora, cara, você vai ver um salto em queda livre, que é o bate-bola dos extremos. Está pronto? Estou pronto.

Record que te deu mais medo. Menor paraquedas do mundo. Record que te deu mais orgulho. Maior velocidade em queda livre. Planejar demais ou improvisar no hora H? Planejar demais. Conteúdo que educa ou conteúdo que emociona? Os dois. Santos Dumont.

Essa aqui é ruim demais. Santos Dumont ou Ring Brothers? Ride Brothers. Santos Dumont ou Ride Brothers? Precisa responder? Santos Dumont. Olha só, eu tenho um quadro em casa que eu pedi para um artista amigo meu. Eu dei para ele todos os elementos da história do voo. Desde a...

Desde antes de Ícaros, do Daedalus, do pai de Ícaros, tudo que está relacionado ao voo, eu dei para ele, da Vinte, dei tudo, Santos Dumont, The Roy Brothers. Então eu tenho uma pintura em casa grande que tem o Santos Dumont, tem o Ícaros, tem o The Roy Brothers. Eu tenho muito respeito pelos The Roy Brothers, mas obviamente não dá para comparar com o Santos Dumont. Não tem como comparar. O erro mais caro que você já cometeu fora do ar?

Acreditar em pessoas erradas? Uma coisa que o paraquedismo ensina que nenhuma escola de liderança ensina. Cuidado com... Cara, difícil responder essa, mas eu acho que uma coisa que o paraquedismo ensina, que eu acho que tem um valor muito grande, que eu acho que pode ser usado...

em outras áreas, como a gente cuida de quem está começando. Tem um risco ali, isso é uma coisa que me atraiu muito no esporte, a disposição que as pessoas têm de cuidados mais novos, que envolve esse risco da morte. Então esse cuidado com quem tem menos experiência que você é uma coisa muito forte nesse esporte, eu acho isso muito legal.

animal. Cara, pra mim o grande insight do episódio foi aquele da equipe. Do...

Do voo do Cristo. Sim. Que você falou, né? Tipo, sobre merecer fazer parte da equipe. Cara, eu acho que eu tive uma sorte, assim, de ter acesso aos melhores profissionais do meu segmento, né? Eu tenho acesso a essas pessoas, aos melhores do mundo. E em algum momento, assim, eu aprendi que a única forma de...

merecer ter esse acesso e ter eles na minha equipe, é eu cuidar deles da mesma forma que eles cuidam de mim. E dá muito trabalho isso, sabe? Quando eu entendi o trabalho que essa galera tem para que eu possa fazer as coisas com segurança, eu tenho que retribuir esse trabalho, eu tenho que cuidar deles, e isso é um trabalho 24x7, dá muito trabalho. Mas é o preço de eu fazer as coisas com segurança.

Animal. Senhoras e senhores, mais um Extremos aqui pro G4 Podcast. Pra te seguir no Instagram. Luiz Dicane. Arroba Bruno.Nardon. E você?

arroba Alfredo Soares. Não esquece também de conferir lá o canal do YouTube do Bruno Nardom e o meu canal no YouTube também, arroba canal do Alfredo Soares. Tem vídeo toda semana lá novo para vocês, com os bastidores, com dicas, com mentorias. Então, se você é empresário, dá uma conferida lá que você vai curtir. E em breve também, fiquem ligados nos arroba G4 Business, que vai ter toda a cobertura, os bastidores e a aventura, o desafio de voar com 14 bis.

É isso mesmo. Não é doideira. É apenas uma loucura calculada. Boa! Tamo junto. Até o próximo episódio. Se inscreve no canal, deixe seu like, compartilha e bora vender. Valeu!

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