Episódios de Papo com Pancho

Irineu Nicoletti deixou a carreira em tecnologia para atuar com humor nos palcos e redes sociais

06 de maio de 20261h3min
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No início, o jovem Irineu seguiu o conselho do pai e foi trabalhar com computadores e tecnologia. Atuou em grandes empresas da nossa região, mas o humor chegou pelas beiradas e foi tomando conta deste ilustre gasparense. 

Neste episódio do podcast Papo com Pancho, o humorista Irineu Nicoletti, um dos nomes mais conhecidos da comédia em Santa Catarina, conta como essa trajetória foi sendo desenhada. 

Ele também relembra momentos marcantes, como a participação em concursos, o crescimento durante a pandemia e a construção do Porão Comedy Club, referência na cena de comédia da região.

Além disso, o episódio traz bastidores do processo criativo, a importância da identificação do público com o humor e reflexões sobre carreira, propósito e saúde mental no mundo digital.

Um papo leve, divertido e cheio de histórias sobre como transformar talento em profissão.

Patrocínio: Plano Boa Vida e Karsten

Temporada: 2

Episódio: 21

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http://www.pancho.com.br

#podcast #entrevista #humor #comédia #standupcomedy

Assuntos8
  • Fundação do Porão Comedy ClubIdeia durante a pandemia · Timing da fundação · Sócios iniciais · Transformação da Fábrica da Comédia · Formato inspirado em Nova York · Unidade em Balneário Camboriú
  • Trajetória de Irineu NicolettiCarreira em tecnologia · Início no humor · Crescimento na pandemia · Porão Comedy Club · Processo criativo · Saúde mental no mundo digital
  • Humor e ComédiaConcurso Pretinho Básico (PB Procura) · Vídeos para o YouTube · Imitação de Silvio Santos · Primeira apresentação em palco · Branco e improviso no concurso · Concurso PB Procura
  • Carreira em TI e transição para o humorEnsino médio e técnico em redes de computadores · Trabalho em empresas de TI · Conciliação de agenda · Oportunidade em São Paulo · Produção de shows como alternativa · Necessidade de pagar as contas · Influência do pai na escolha da carreira
  • Humor em notícias e viralizaçãoVídeos virais de notícias · Notícia sobre vereador em Penha · Aumento de seguidores no Instagram · Exaustão da criação de conteúdo · Sede de alívio de tensão
  • Origem do sotaque e identidadeSotaque de Gaspar e Brusque · Influência do litoral · Mascaramento do sotaque no stand-up · Abracei o sotaque e explorei
  • Desenvolvimento da cena de stand-up em BlumenauAbertura para shows · Falta de cena local · Busca por bares para se apresentar · Rodrigo Roberto e a cena anterior · Grupo de comediantes
  • Processo cri
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Papo com Pancho está de volta, episódio número 21 desta segunda temporada desse podcast criado para ouvir histórias aqui de gente que mora, que trabalha, que vive aqui em Blumenau, que nasceu, que pode ajudar a gente de alguma forma a fazer uma vida mais bacana com exemplos aí da sua vida pessoal, profissional, do relacionamento com a cidade, com as pessoas da cidade e tudo mais. Esse é o propósito aqui do podcast Papo com Pancho. Não sei onde você está assistindo a gente ou ouvindo...

mas se estiver no YouTube, já dá um like nesse vídeo, já compartilha com quem você acha que pode aproveitar. E também inscreva-se no canal, é importante para fazer com que esse conteúdo chegue para mais pessoas. Inscreva-se e acione a sineta para saber quando os episódios são publicados.

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Então, tanto no Instagram quanto no YouTube estão os cortes também das entrevistas que eu faço aqui toda semana, toda quarta-feira, ao meio-dia, vai ao ar aí a entrevista, o mais novo, o mais recente episódio do Papo Pum Pancho. Lembrando que este podcast é patrocinado pelo Plano Boa Vida.

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Irineu Nicoletti está aqui comigo. Tudo bem, cara? Bom. Tudo jóia? Tudo ótimo. Só empresa boa, né? Só empresa boa. Que bom, né? Que nós temos empresas boas. Tem muita empresa boa em Blumenau, né? Putz, tá maluco. Eu que não saí ainda para vender a terceira cota, que tem uma terceira cota ainda, mas daqui a pouco aparece mais uma empresa boa aqui. Tá louco. Tudo em ordem contigo? Tudo ótimo. Está com podcast também? Estou com podcast.

Como é o nome do podcast? Cito Diz. Cito Diz, é verdade. Cito Diz. É porque tu é ex-exparência, né?

Sou gasparense. Tu percebe isso no sotaque? É, sotaque Gaspar. Percebo. Gaspar e Brusque. Tem sotaque parecido. Brusque, né? Brusque. É Gaspar e Brusque, né? Tem um pezinho mais no litoral? Será que é por isso que puxa esse S desse jeito? Eu sou do litoral de Lhota, né? Tu és...

Eleitoral de Ilhota. Conta essa história. De onde é que tu veio, Willian? Eu nasci em Gaspar. Minha mãe mora em Gaspar até hoje. E aí, como meus pais separaram, eu fui para Ilhota. Junto com teu pai, no caso. Dez anos eu fui para Ilhota. E aí, sempre rola essa confusão de... De onde tu és? Por causa dos vídeos que dá uma...

vamos dizer, uma aflorada no sotaque ali. O pessoal acha que é Floripa, Itajaí. É parecido, né? É, e aí sempre rola essa confusão. Mas minha mãe fala muito puxado, assim. Só que é Gaspar, não é? Tu sabes que aqui em Blumenau, a região mais próxima em termos de sotaque de Gaspar e Blusk é o Garcia, né?

Ah, sim. O Garcia também fala um pouco com o S puxado. Principalmente lá para o interiorzão do Garcia, é muito comum. E aí, conversando com a escritora Urda Klieger, eu lembro que foi um papo com ela. Ela que me disse que o Garcia foi habitado em determinado período por gente que vinha de Tijucas.

foram trabalhar na empresa industrial Garcia e aí esse sotaque tijucano veio a reboque, veio junto o dedinho da gaiola torta exato

provavelmente. Provavelmente, é verdade. Eu acho que quem me contou isso aí do Garcia, eu não lembro se foi o Sargento ou... O Sargento deve ter história pra caramba. O Osnildo também. Tanto que muitas tradições do Garcia vieram também do litoral. Por exemplo, é no Garcia que tem mais grupos de terno de reis aqui em Blumenau. Pode fazer essa pesquisa.

quem faz a tradição ou quem acompanha é muito mais no Garcia do que em qualquer outro bairro aqui em Momelo. Pelo menos foi o que eu pude perceber ao longo da minha jornada profissional, principalmente, cobrindo os grupos de terno de reis. E realmente, lá em Gaspar, sempre tinha. Também, né? Terno de reis ali na noite de Natal vinha.

Eu imagino que esse sotaque venha carregado justamente mais pela influência do litoral. Não sei por que cargas d'água o Gaspar talvez tenha mais influência do litoral do que do próprio Blumenau. Eu não tenho nem ideia por que isso aconteceu. Tu sabe que o stand-up fez eu esconder um pouquinho o sotaque? Por quê? Mas o teu sotaque não é justamente o que te identifica? O meu sotaque é o que fez virar.

o meu conteúdo. É o que fez a galera começar a seguir, se identificar com comigo, né? Com a família também, grupo da família, muito forte. Mas o stand-up, como eu estava consumindo muito pra aprender a fazer aquilo ali, eu seguia muito o pessoal de São Paulo, como eles faziam. E aí eu pensava, pô, acho que tem que ser assim. E eu acabei meio que, como é muito roteiro, muito texto, o pessoal acha que é, a maioria acha que é improviso, mas não, eu escrevo muito.

E aí eu acabava falando do jeito dele sem perceber. E não paulista, mas tentando mascarar, eu acho, um pouco involuntariamente esse sotaque. Mas isso no começo? No começo, quando estava só stand-up mesmo. E aí depois que eu percebi que não, que a minha identificação realmente era isso aqui, que começa a entender... É o que te dá personalidade no fim das contas. Exatamente. É a tua assinatura.

É o estilo que tu tens. O nome também. O Irineu que eu falava muito de... Ah, lá no começo, pô, é o nome de velho, né, cara? Eu ia dizer isso, Irineu, é o nome de velho, não é muito engraçado isso. É o nome do meu avô e aí não tem mais, né, cara? Tem, deve ter. Alguém está sendo batizado com o Irineu por aí. Não, parou de fabricar. É mesmo? Irineu e Del Rey, a gente já fez a pesquisa. Última edição. Irineu e Del Rey. Eu fui um dos últimos ali. Caramba. 90? Que loucura. Não tem mais.

Mas aí, quando eu abracei o sotaque mesmo, eu abracei e explorei um pouco mais nisso, do lado de Ilhota ali. Como é que começou a tua história no Morinão? Eu não tenho nem ideia. Eu lembro de ti. Ah, deixa eu lembrar. Não sei quando foi a primeira vez que eu vi o Irineu. Não sei se foi com os três do Sul.

ou se foi sozinho mesmo nas redes sociais, é que eu nunca fui de acompanhar o stand-up, por exemplo. Então, eu não tenho nenhuma memória do stand-up de antigamente contigo. Mas como é que começou a tua história com o humor? O que chegou em ti, certo? Foi vídeo já falando da região. Provavelmente.

A minha história começou no... Do stand-up mesmo, começou por causa de um concurso do Pretinho Básico. Certo. Teve o PB Procura, lá em Porto Alegre, que eles queriam um novo integrante para o Pretinho. Certo. E aí um amigo meu falou, se inscreve aí e tal, porque eu já fazia vídeo para o YouTube.

Mas era vídeo vlog normal, assim. Referência era os caras que faziam na época lá, o Cauê Moura, o Felipe Neto, esses caras que estavam fazendo. Eu peguei aquele formato e tentei replicar aqui, né? Falando de... Mas era humor? Não era humor, então? Era humor, mas eu não sabia que eu estava fazendo humor. Não sabia fazer humor. Mas tu eras engraçado, provavelmente. Não, nada engraçado.

Nada, cara. Isso foi que ano? Isso foi 2011, 2012. Tu eras estudante? Sim. Tu tavas na colégio? Em 2012 eu já tava... Não, em 2012 eu já tava fazendo ali o Senai. Tá.

É, tanto é que tem vídeo meu na sala de aula ali. A gente foi uma vez no Gias, que eu fazia aqui no Senado de Blumenau. Aqui em Blumenau. E aí, num intervalo ali, eu fiz um vídeo imitando o Silvio Santos na época e o pessoal gostou muito. Então, ali eu entendi que tinha um caminho. Eles já falavam para seguir esse caminho, mas nunca do stand-up. Entendi. Porque eu não sabia o que era o stand-up, não tinha esse acesso ainda.

E aí eu me inscrevi nesse concurso por causa desse meu amigo. Ele falou, pô, se inscreve lá e tal. E passei, cara. Passei. E o concurso era... Tu mandava um vídeo que tu já tinha no YouTube. Na época eu mandei um vídeo do... Era se o Silvio Santos tivesse outra profissão, né? Entendi. E aí era se ele fosse pedreiro e tal. Daí eu mandei imitando nisso.

E aí passou e os caras... Daí vai pra outra fase. E a outra fase era... Tipo, teve 600 vídeos, eu acho, e passou 20. Caramba! E estavam nesses 20? Estavam nesses 20. Daí os 20 tinham que ir pra Porto Alegre pra fazer uma... Daí era uma apresentação. Eles fizeram esse concurso no teatro. E aí tu tinha que fazer uma apresentação de um minuto e meio. Um minuto e meio... É, dois minutos eu acho que era.

E aí eu fui procurar o que eu poderia fazer, né? Porque até então eu só estava gravando no meu quarto, ali o vídeo e tal, e nunca tinha pisado num palco. Eu não sabia. Aí comecei a pesquisar o que eu poderia fazer e caiu nesse lance do stand-up. Eu ia fazer isso num palco. Aí eu tentei escrever alguma coisa lá, que tinha que ir lá em Porto Alegre fazer, né? Pra se apresentar no teatro. Daí cheguei lá e esqueci tudo, cara.

deu branco. Absolutamente tudo, assim. Ficou nervoso. Muito nervoso, muito. É porque uma coisa é gravar em casa, no vídeo, e outra coisa é estar no palco. Além das 700 pessoas, tinha os caras que a gente ouvia sempre ali, né? Tuas referências, né? Pedro Maniotto, Fete. Teus ídolos. Exatamente. E aí... Meu, deu um branco.

E eu usei desse branco para improvisar. Eu só admiti, na verdade. Admiti que eu estava... Estava nervoso. Estava me cagando. E os caras deram risada disso. E pelo fato dos personagens da risada ali, meio que a plateia também comprou e tal. E passei. Aí foram seis. Dos 20, ficaram seis. Entendi.

Aí teve uma outra edição lá em Porto Alegre, que daí eles deram um roteiro, sim. Tu ia ser chamado no palco, ia fazer imitação, daí tu ia defender uma proposta que eles... Por exemplo, defender uma tese. E aí depois tu tinha que ser contra, meio que improviso. Entendi. E participar na rádio.

Certo. E aí quem ganhou foi o Alorino. Certo. Alorino Júnior. Nessa aí eu voltei. Só que daí eu voltei de lá querendo saber mais o que era o stand-up. Claro, viu que funcionou. Gostei dessa sensação de estar no palco e fazer o pessoal rir. Entendi. E aí deu certo. E aí tu foi direto para o stand-up?

Daí eu fiquei no stand-up. Fosse estudar, ver o que era aquilo e como você vai fazer aqui. Aí logo que eu voltei, o Rogério Morgado ia fazer um show em Blumenau. E aí ele deu espaço para eu abrir. Ah, que bacana. E aí ele começou. Daí eu comecei a ter contato com os produtores. Bacana, na época fazia. Produtores da região. E fui tendo espaço quando... Porque como o pessoal vinha para cá fazendo teatro, não tinha ninguém fazendo na região. Sim. Daí sobrava um espaço para eu abrir.

E eu comecei a ir atrás de bares para fazer. Porque não tinha uma cena.

E aí fui atrás de bares, a gente começou a rodar. Aí o Rodrigo Roberto voltou a fazer, que ele quer fazer. É porque já existia uma cena anterior aqui em Blumenau de stand-up. Eu lembro que tinha bares que abriram para isso até. O Rodrigo falou que ele fez em 2009. Isso, isso que eu ia dizer. Final da década de 2010, exatamente isso aí. Da primeira década de 2000, na realidade. Quando ele viu as notícias que estavam acontecendo, porque daí saiu tudo na região, do pretinho básico, muito forte.

Aí ele meio que voltou a fazer por causa disso. Teve um show, eu acho que foi o show do Duda Garbi, que daí ele veio fazer. Que daí eu e o Rodrigo abrimos. Começou a criar um grupo, sabe? Comediantes que queriam fazer na região. Aqui de Blumenau e da região também, no caso. Isso, aí era 2015. 2015 já? Não faz muito tempo. 11 anos. 11 anos.

E aí, tu te associaste ao Rodrigo, né? Sim. Vocês abriram o porão como de baixo, é isso. É, eu abri o porão, eu fundei o porão em 2000 e... Vai fazer cinco anos agora, em maio. Tá, foi 2020. Foi na pandemia. 21, durante a pandemia. Terminando a pandemia, tive a ideia de montar um.

Deu certo? Não, deu muito certo, mas o timing é erradíssimo. Não, mas talvez por isso que deu certo. Exato. Daí depois o Rodrigo já entrou de sócio. Eu acho que nem de um ano de porão ele já entrou de sócio. O Abriste sozinho primeiro. Ele parou de fazer. Foi eu, o Guilherme Turek e o Danilo Lorenzi. Certo. Eram mais dois sócios. Daí o Turek abriu o Tobata em Jaraguá, que ele é de Jaraguá e acabou indo para lá. E o Danilo foi seguindo a vida de corretor.

Entendi. Aí ficou eu e o Rodrigo. Tu terminaste o teu ensino no Senai? Terminei. Redes de computadores. Fizesse o quê? Redes de computadores. Redes de computadores. Chegou a trabalhar com isso? Cara, eu trabalhei com TI até... Eu acho que eu estava 5 anos na comédia e trabalhando com TI. Trabalhando com TI. Era o teu segundo ofício, vamos dizer assim. A comédia.

Um pouco antes da pandemia eu fiquei só na comédia, mas produzindo. Entendi. Mas até ali na pandemia eu trabalhava com TI. E tu fizesse então ensino médio e ensino técnico ali? Isso. Não fizesse faculdade depois? Não, não. Nunca pensou em fazer? Pensei. Pensei. Tais com que idade, Lino? Agora eu estou com 35. Está novo demais ainda. Cara, eu pensei em fazer jornalismo. É mesmo? É. Eu até fiz uma...

Fiz a inscrição, tudo na Univale na época, que era mais perto de Ilhota ali também. Sim. Só que daí desisti. Desisti no meio do caminho. E uma luz assim iluminou e falou, não, jornalismo não. Eu acho que eu teria sido feliz, cara, na época que eu ia fazer ali. Porque eu acho que talvez eu ia me encontrar um pouco mais cedo. Não sei, né?

Mas... Mas tu ia desviar do teu caminho do humor, né? Ou não, né? Porque assim, eu acho, eu sou... Ainda falei com o Rodrigo Vieira semana passada aqui. Eu acho que o jornalismo e o humor casam muito bem.

Eu acho que falta humor ao jornalismo hoje em dia, até para atrair mais gente, sabe? Porque fazer humor com o que é real é sensacional. Eu acho sensacional. É a questão das charges, por exemplo. É, muito legal. E aqueles quadros, eu não sei se você lembra, dos quadros que tinham no Fantástico, por exemplo, do Alexandre Garcia. Sim.

lá nos primórios, que tinha muito humor. Não tem mais. Não tem mais. E aquilo fazia com que as pessoas se aproximassem da política, por exemplo, que era ali o tema. Era um quadro falando da política da semana, mas de uma maneira super bem humorada e todo mundo queria ver aquilo. Acontece muito comigo hoje, por exemplo, eu não gosto de futebol. Não é que eu não gosto de futebol, mas eu não tenho interesse em futebol. Não acompanho.

Mas os gols do Fantástico eu acho sensacional. Sim. Porque o cara é muito bom, os cavalinhos são sensacionais. É o humor que me atrai. Se eu não tivesse aquilo, eu não ia ver, eu não ia assistir nunca aquilo lá. Então, eu acho que o humor, cara, bem empregado, cara, ele é muito bom. Os meus vídeos mais virais são de notícia. É mesmo? Com humor, né?

Coisa que o Indavírus fez, né? Sim, é, exatamente. É um quadro muito legal. Eu lembro de... Porque na pandemia, quando os vídeos deram certo, começou a dar certo, eu lembro exatamente assim. Daí eu estava começando a vender... Os vídeos do YouTube ou já estava no Instagram já? Não, os do Instagram. Instagram já. Só que esses vídeos voltados mais para a região. Quando eu mudei essa chave, assim, e aí começou a vender ingresso, ter uma procura de ingresso para me assistir, né?

Eu marquei cinco teatros e deu a pandemia. Caramba! Aí eu fiz dois. Eu lembro que o meu último show foi em Pomerode e aí na segunda já ia estar... No teatro de Pomerode? No teatro de Pomerode. Que legal! Estava tudo marcado já. E aí, na pandemia, foi a época que eu mais criei. E que eu mais estourei. Porque estava zinforrado em casa, provavelmente, e ficava escrevendo.

Foram aí, eu chegava a postar 4, 5 vídeos por dia. Caramba, Enel, quanta coisa. Porque eu vi que estava dando certo e eu senti que não era só eu que estava sem fazer nada. Claro. E o pessoal estava com uma sede de aliviar aquela tensão que estava sendo criada. E o humor vem bem para isso. Muita notícia ruim. E aí eu lembro que eu fiz um vídeo, cara.

Que era sobre uma notícia de um vereador em Penha, que ele jogou uma lei lá na... Essas leis que a gente for pesquisar tem muito. Muito. Ele jogou uma lei que era proibido o cachorro latir.

Era muito assim, tu bati o olho na notícia e já era engraçado a notícia. Eu pensei, cara, preciso fazer. E eu lembro que nesse vídeo eu ganhei 7 mil seguidores num dia. Caramba. No Instagram. E aí foi, meu Deus, foi um barulho absurdo de gente me mandar mensagem parente do vereador que motoqueiro estava fazendo estourinho de moto na frente da casa dele. Daí eu vi que saiu muito da curva. Entendi. E aí eu continuei nessa linha de notícia, muita notícia, mas com humor.

Mas aí eu consumi muita notícia também, porque tu abre para pegar uma pauta e acaba vendo muita coisa. Tem que pesquisar tudo, tem que ler tudo. E aí, meu, foi bem ruim, cara. Teve uma hora que não dava mais. Eu acho que foi o que mais me prejudicou na pandemia foi a criação também. Caramba! Sabe, foi muito... Eu ganhei muito, muita visibilidade. Eu saí de 50... Estava com 50 mil seguidores, eu acho, e...

Terminou a pandemia com 200 mil. O que já era bastante, 50 mil era muita coisa. Muita coisa. E aí, só que era muito exaustivo essa criação. Na época eu não sentia porque estava dando muito certo. Só que era uma época que eu estava querendo muito número. Claro. Ah, quero o seguidor, quero... Mas acho que refletiu depois. Hoje, meu, eu estou... Teve uma época que eu estava cansado desse vídeo. Imagino.

Não ler sobre as notícias é exaustivo. É, eu fiquei muito neurótico com a pandemia. Eu realmente não queria sair para lugar nenhum. Estava muito assustado com tudo que estava acontecendo. Fiquei numa bolha assim de... Tu estavas aqui em Blumenau já, claro. Não, eu estava em Ilhota. Ah, é? Eu mudei para Blumenau por causa do porão. Olha, entendi. E aí eu estava ali ainda, estava muito...

E aí deu tudo certo, né? Só que eu lembro dessa época, sim, como uma época muito boa. Muito boa e muito ruim. Boa no crescimento, no reconhecimento. Mas desgastante. Desgastante para produzir. Hoje tu estás fazendo, vamos lá. Tu tens o Porão ainda, continuas como sócio lá, né? Tens o Mais Baita, que é o programa na Atlântida. Que já tem quantos anos? Já dois? Fazer quatro agora. Quatro? Quatro anos.

Que loucura, eu falando em dois anos. Eu pensei que era, meu Deus, como passar. Que loucura, né? Cara, quatro anos já com o Mais Baita. É muito doido isso, cara. Mais Baita, porão, o Instagram, né? Tu continua produzindo para o Instagram. O podcast agora. O podcast. Se tu diz. Se tu diz, meu novo projeto. Tem um novo projeto, entrou já Sargento Yunx que eu vi. O Muriel esteve lá também?

Muriel das Aranhas teve... É o Darcy, né? Agora vai para o terceiro episódio, a gente gravou uma gavetinha. E o Dolenz foi publicado semana passada, já que aqui a gente está gravando na semana anterior em que vai ser publicado. Então já foi publicado o Maurício.

Que bacana. E além disso, mais? Baita Comitiva também é um projeto que eu e o Sargento Junx a gente tem junto. É um projeto bem legal, inclusive, que a gente faz... A gente tem um canal no YouTube que a gente vai nos eventos. Na verdade, a gente gravava em estúdio, fazia uns episódios mais em estúdio. E a gente acabou indo para... A gente fez na Outober. E deu muito certo de sair na rua e conversar com o pessoal.

Que é meio que o Indovirus faz também nos eventos. Ele até empolgou a gente bastante para fazer isso também, porque a gente viu uma demanda aí. Vocês vendem a participação de vocês nos eventos? É isso? A gente não vende ainda. A gente é bem burro, sabia? A gente é bem burro. Não tem burrice nessa história. Imagina.

Eu acho mais autêntico assim nesse caso. Eu prefiro, mas entendo que tem que vender de alguma forma também. É meio que os eventos que a gente está afim de ir também para conhecer. Exato, mas aí funciona. É, e a gente encontra o nosso público, o real. É que nem me perguntam. De vez em quando me perguntam, quanto é que paga para participar do teu podcast? Eu falei, gente, desculpa, eu não estou vendendo participação. Se eu for vender, eu vou ter que vender para qualquer vídeo. Daqui a pouco senta alguém aqui na minha frente que eu não...

Isso é muito difícil. Não vou vender, não tem como vender isso. E claro, no caso dos eventos também. Quanto mais orgânico, mais genuíno for a vontade de vocês estarem nesse evento, melhor vai ser. Tem que casar com a nossa identidade ali. E está bem legal também. A gente acabou fazendo um show juntos que a gente roda aí.

alguns teatros, bares aí pelo Brasil. Entendi. Pelo Brasil já. Pelo Brasil, é. Esse aí tá Brasil, assim. A gente vai fazer agora Rio Grande do Sul. Estamos marcando pra São Paulo. Caramba! Tem um público... Que é o baita comitivo. Baita comitivo. Tem catarinense em todo lugar, né? Sim. Sim. Então... E o Sargento é muito forte também. O Sargento é sensacional, né? É incrível que esse cara conseguiu fazer também. É, ele é muito inteligente, cara. Teu parceiro no Mais Baita também, né?

Era eu e o Rafa no Mais Baita e ele acabou vindo depois, porque toda vez que ele ia de convidado, além da audiência gostar muito, obviamente, mas era uma química muito legal, que continuava depois do programa. Aí a gente sentou com ele, conversou, ele gostou da ideia. Na verdade, ele já estava indo. Sim, ele era o principal convidado, vamos dizer assim. O terceiro elemento. Só faltava pagar o almoço.

O almoço é a gasolina. A impressão que eu tenho é que no Más Baita não tem tanto roteiro. Ou é só impressão minha? Começou com roteiro. Começou com bastante roteiro. Hoje não tem roteiro. Hoje é quatro notícias. Que a gente escolhe ali para render durante o programa. Vai no portal lá da NSC, certo? Exato. Se encontra alguma coisa. Só que a gente dá...

a manchete ali, né? Isso aqui não é obrigado a falar sobre a notícia. Entendi. A gente fala o que está rolando ali. Então, se começou... Porque o programa começa muito na conversa que a gente estava aqui. Não é um negócio tipo... Vamos parar, vamos fazer, vai abrir. Sargento chegou e levou uma multa, a gente começa a conversar sobre isso 11h05 e entramos no programa. Entendi.

Talvez o programa vai ser só sobre multa. Entendi. Entendeu? Essa é a química que eu te digo que aconteceu. Claro, claro. E tem funcionado muito. Que é a química que eu tenho com o Walter Osterman, por exemplo. O Walter é maravilhoso. O cara que eu adorava trabalhar com ele. Eu quero muito que o Walter vá lá no meu podcast. Ah, mas tem que ir. Tem que ir. Já veio aqui. Foi sensacional. Cabe um segundo, terceiro, quarto episódio com ele, porque ele sempre tem...

Ele é muito lúcido, né? Ele tem uma clareza das coisas impressionante. Tem muita história para contar primeiro. Sim. História de vida, né? O cara morou no Maranhão.

foi impressionante. Motoqueiro? Motoqueiro. Ou motociclista? Ah, pois é. E aí? É, eu que te pergunto. Eu sempre me confundo e os caras me macetam. Dizem que motoqueiro é pejorativo, né? Ah, é? É, o correto seria motociclista, é o politicamente correto. Olha, eu achava que o motoqueiro era os tatuados. Não, mas o motoqueiro é o ruaceiro. Ah, entendi. Entendeu? O motociclista não, o motociclista é todo aquele que anda numa moto. Tem motociclista que é motoqueiro, tem motociclista que não é.

Deixa eu te falar. Uma que eu falei para o Walter, então. Ele se acidentou esses dias, né? Caiu no... Em casa. Caiu no boxe do banheiro. Ele contou aqui? Contou. Contou. Então, e aí eu fiquei sabendo disso e ele realmente foi grave, assim. Sim, ele colocou pinos aqui na clavícula. Exato. E aí eu cheguei para ele e falei, cara, tu caiu de moto, bicho.

Aí ele me contou uma história. E eu falei, tu precisa falar que tu caiu de moto, cara? É muito humilhante. Pelo amor de Deus. Tu tem uma moto, todo mundo sabe que tu caiu de moto. Exatamente, exatamente. Usa essa história, cara. Crito, é um cara muito bom em criar essa história. Cria uma verdade, né? A gente falava disso antes de entrar aqui. Cria uma verdade. Todo mundo vai acreditar. Não, mas a história é sensacional. E ele contando é muito bom, cara. Se você não viu...

Não, vai... Procura o episódio do Walter aqui no Papo com o Punch, que ele conta a história de como ele quebrou a clavícula. É sensacional, é muito boa. Ele gosta de comédia. A história por si só é engraçada. E ele com aquele jeito dele, né? Todo que... Calma. O exato, muito tranquilo. O Walter sempre foi muito tranquilo. Cara, fica muito bacana, muito bacana.

Como é que funciona o teu processo criativo, Irineu? Existe método? Ou é algo assim que vem e naturalmente tu vai escrevendo e... Cara... Tu sentas, né? O que eu pergunto é, tu senta para criar ou tu vai criando durante o dia de acordo com o que vai acontecendo e com o que vai aparecendo para ti?

Não, eu sento para escrever. É? Eu sento para escrever. Eu não consigo... Tem essa disciplina. Tem. E eu só funciono assim. Olha só. Eu não entro no palco sem saber o que eu vou falar. É impossível. Eu até faço interação hoje, antes, com a plateia. Mas é uns 10 minutos que eu reservo para me divertir ali. Mas a partir daquilo ali é tudo...

É do começo ao fim. É uma hora pensada. Provavelmente tem um improviso ali, outro aqui. Sim, é. De acordo com o que acontece na proteia. Exato. Mas é tudo muito escrito e testado. Ah, não funcionou, risca. E como é que tu sabe se funcionou ou não?

É a tua avaliação? Exato, não, plateia. Ah, tá. Tu vai se colocando em prática e o que não funciona, tu já tiras. Isso. Ah, não funcionou. Ou revisa, né? Tipo, não, como é que isso pode ficar mais atraente? Isso. Aí eu vou melhorando por causa da show, né? Eu já... Eu gravo todo show, todo show tem áudio desde o começo.

Então, eu vou melhorando assim. E o meu processo, cara, ele é muito... Por exemplo, antes do show, eu gosto de sair e correr, fazer um exercício. Eu vou testar alguma coisa, que daí dá uma oxigenada, me ajuda muito. E eu vou anotando durante a semana, sabe? Entendi. Hoje, eu vou contar uma situação, por exemplo. E vai estar no meu show, que aconteceu hoje.

Tem um cachorro rondando a minha casa ali uns dois dias, um cachorrinho e tal. E a gente estava meio que vendo se ele era de alguém, tentando nos grupos e tudo, coisa nada. E a gente chegou à conclusão que parece que abandonaram. Entendi. E aí hoje de manhã a minha mulher foi para a academia e viu ele de novo. Estava chovendo, ficou com dor e falou, vamos dar ração pelo menos. Aí eu saí para dar ração para esse cachorro. Deixei o pote, ele estava meio assustado.

voltei com o carro e ele cheirou a ração e foi embora. Daí isso me gerou um gatilho. Porra, é muito cara essa ração. Os meus cachorros, tudo bem. Agora tudo está tão necessitado assim. Então foi só uma anotação que eu vou desenvolver. Tu gravas no celular? Eu escrevo ali.

Cachorro de rua negou a ração. Já me dá o gatilho para desenvolver um texto sobre isso que eu estou falando sobre cachorro também. Entendi. Então, sábado eu vou ter show em Curitiba, hoje eu vou falar sobre isso.

Entendeu? Mas daí no sábado, a tarde antes do show, eu sento e desenvolvo essa ideia. Entendi. Começo, porque eu gosto de ir mais fresco, né? Entendi. Porque se eu escrevo... Pô, mas dá uma aflição também, né? Não dá? Dá uma aflição, muita aflição. Testar piada é uma... Eu tenho essa coisa... Não, mas eu digo até por deixar pra concluir, vamos dizer assim, ou escrever um pouco antes do show, né? Porque tu tá exadeando um processo que tu podia estar fazendo agora, quiser. Agora não, depois sair daqui.

Então, eu não sei se essa é uma desculpa de procrastinação que eu tenho. Ou é porque realmente me atrapalha no sentido de... Se eu escrever tudo isso que eu vivi com o cachorro hoje à tarde, até sábado eu vou achar muito ruim. E aí eu não vou ter a coragem de fazer. Entendi. Entendeu? Então, eu prefiro escrever à tarde ali próximo do show. Aí eu não tenho tempo para ficar pensando muito. Entendi. E aí, a partir do que deu certo ali, eu vou desenvolvendo mais, entendeu? Caramba, olha só.

Agora essa primeira ideia tem que ser meio que no dia, assim. Entendi. Mas é um dos processos mais dolorosos, eu acho. E o que mais acontece é pegar essa coisa do dia a dia mesmo, da rotina? Tudo do dia a dia. Do dia a dia. O meu stand-up é a minha vida ali. É o que está acontecendo no momento, sabe? Entendi. Agora estou falando muito dos meus cachorros que... Eu estava morando em apartamento, fui para uma casa, então não tinha mais cachorro, né?

E agora esses dois que o meu pai me deu, eles começaram a aprontar e me gerar muito material. Vieram de ilhota. Vieram de ilhota, é. Entendi. E aí eu comecei a criar em cima disso. Minha mãe roubando planta. Meu show está...

Tua mãe roubando planta é ótimo. Eu estou falando muito disso, desse momento que eu estou vivendo, que é o 35 com coluna de 70, que eu digo. Entendi, entendi. Estou muito nesse sentimento de não querer mais sair. Tua mãe é dessas que sai com uma faquinha na bolsa para roubar a planta? Botaram uma placa na Mália de Paulina por causa dela. Como assim? É, está aí uma placa na Mália de Paulina, proibido roubar a mão do escondimento. Lá no santuário? Aham.

Eu tenho certeza por causa dela, porque uma vez ela roubou lá, tenho certeza. E é pecado, né? Mas ela fala que se rouba, nasce melhor. Ah, sim. É a justificativa, né? Não, eu roubo por conta disso, claro. Ela só queria roubar mesmo. Cara, que loucura. Esses dias eu ouvi uma história, qual era o podcast? Eu acho que tem um podcast que tem uma jornalista que conta histórias das outras pessoas.

Não inviabilize, agora que eu lembrei. E justamente uma história de uma mãe que roubava planta também. Não era o mote da história, não era o principal, mas tudo aconteceu porque ela roubava plantas. Cara, era muito engraçado. E ela sai assim e pega a planta, pega a muda, a muda de planta na mão assim. E eu falo, mãe, para, vamos ver. Ela fala, ninguém vai ver sete câmeras na frente do prédio.

Agora só tem câmera em tudo que é lugar, né? Imagina. Tá no NSC total, a mãe do comediante. Daqui a pouco vai estar tua mãe lá. Tá maluco, velho. Eu brigo com ela, não adianta. E gera muita identificação, porque muita gente faz isso, cara. Exato. Exatamente. Muita gente faz isso. Exatamente isso. A gente não tem ideia, né? Como às vezes as coisinhas que a gente faz em casa, ou as manias das pessoas. As pessoas se identificam, claro.

Muito. E isso é um dos principais segredos do humor, né? Vamos combinar. Sim. A pessoa tem que se ver ali, né? Ela tem que se ver.

É, se tu... Relacionamento. Por isso que hoje tem vários comediantes, tem um comediante que fala só de gato. Então, ele vende para aquele nicho ali, o cara vem aqui e volta. Cada vez mais a gente vê comediante falando de profissões específicas. Só que era enfermeiro, professor, e aí atrai toda aquela plateia que vai se identificar, obviamente. Exatamente. Todas as coisinhas, os detalhes de cada uma das profissões.

É, antes o cara entrava para fazer um show, ele começava falando de caneta, ia para, sabe, casal. Era um show meio falando da vida dele, mas ele vendia como um stand-up. Sim. Hoje o cara vende assim, é um nicho. Exatamente. Agora, fazer piada de rede de computador, acho que não rolava. Cara, eu fiz já piada de TI. E tem uma... Aqui tem um público gigante. Muito. Eu ainda quero escrever um show só para TI.

Para vender para esse povo. Para vender para esse povo. Tem muita gente. Tem muita gente. Só que a TI da minha época é outra TI já. É verdade. É muito rápido. Então, eu tenho que parar só para isso. Só para escrever esse show. Provavelmente, teria que fazer uma pesquisa também. Muito. Tem isso também. Se eu vou escrever para esse público, eu vou ter que conhecer esse público, eu vou ter que conviver com esse público. Eu te digo, o público que eu conheci, eu não conheço mais. Exato.

Falando do dia a dia deles. Eu vou conhecer aquele estereótipo do cara da TI e tal. Mas falar do dia a dia da profissão está mudando toda semana, cara. Com a inteligência artificial aí, imagina. Cada vez mais, exatamente. E esse ofício, principalmente, sofreu muito com relação à inteligência artificial. Porque comandos eles fazem, né? Então, imagina se eu tivesse com a da TI, cara.

Mas tu estava na parte de hardware, não de software, imagina. Não, era mais hardware. Era mais hardware. Redes integradas de comunicação, vamos dizer assim. Cara, é... Arranjar encrenca para se preocupar. Nossa senhora, era bastante estresse, cara.

Trabalhavas como autônomo ou trabalhavas por alguém nessa época? Não, é a empresa mesmo. Eu trabalhei na Bung. E a última empresa foi a companhia Hering aqui. Ah, é? Que bacana. É, ali no Bom Retiro. Trabalhei ali. Quanto tempo ficasse ali? Cara, eu acho que foi dois anos. Tu eras um menino da TI. Menino da TI. Ali a gente fazia suporte das lojas, né? Entendi. Suporte das lojas Brasil. E era uma treta, cara. Para integrar o sistema e tudo mais. Era a caixa de loja, né?

E aí tu pegava essas datas, tipo dia das mães. E só dá problema quando para o caixa e tem uma fila quilométrica ali. E aí era gente atendendo ali o caixa. Entendi. Orientando o caixa. Então eu aprendi muito.

Foi um outro mundo, porque eu trabalhava... Ali não foi hardware, ali foi sistema. Entendi. Quando eu entrei... Mas era outro segmento que eu trabalhava antes. Na Bung era hardware, mais gestão de locação de computadores.

Trabalhei na prefeitura de Lhota também. O suporte técnico lá. Então... Tu vê, de um ano para o outro já mudava muita coisa agora. De uma semana para a outra... Sim, totalmente. O sistema já muda totalmente. Totalmente. Mas aprendi bastante coisa. Que legal. Quando é que tu pensasse assim, não, vou viver de humor agora. Chega desse negócio de rede de computador.

Cara, o que mais me motivou foi... Por exemplo, eu cheguei à conclusão que eu não estava fazendo nem bem uma coisa nem bem a outra. Não estava conseguindo conciliar por causa de agenda mesmo.

Eu chegava, tipo, de um show de Joinville, duas, três da manhã, e tinha que trabalhar às sete aqui. Ah, caramba. E aí começou a pesar muito, sabe? Daí eu pensei, putz, eu vou ter que fazer uma escolha. Daí nessa época eu quase fui para São Paulo. Estava pensando bastante em ir para lá. Para fazer humor lá? Para fazer stand-up lá. Entendi. Que era uma época que só virava quem fosse para São Paulo.

e aí eu recebi uma oportunidade pra lá só que na hora eu arreguei achei que não era o momento

Não sei, eu senti... Que oportunidade foi essa? Quem é que te deu essa... Eu tinha uns amigos que já estavam fazendo, era o Gil Lisboa, o Danilo Rad, que uns caras da comédia que já estavam fazendo. Na verdade, Danilo Rad... Conheceu nesse meio. É, a gente se conheceu no stand-up, Thiago Oliveira. E aí eles iam... Eles estavam querendo ir para São Paulo e aí meio que montavam um grupo, por exemplo, de quatro para morar junto lá num apartamento que ficava um pouco mais barato. Claro. E a gente ia rodar lá, ia trabalhar lá, fazer produção.

E aí eu senti que, sei lá, eu tenho muito isso. Eu não estou confortável com a decisão ali. E aí resolvi não arriscar. O Danilo Radik foi no meu lugar na época. Isso foi em que ano? Foi no ano que deu certo meus vídeos. Entendi. De Santa Catarina. Foi um pouquinho antes ali eles resolveram ir. E aí logo depois eu acertei os vídeos.

E aí eu estava na Ering e comecei a produzir show também. Porque eu não tinha tanto show para fazer. Certo. Mas eu já estava na confiança da galera deles virem para cá e eu fazer um bar com eles. Então, como eu comecei a ir atrás de bares para eu fazer, eu chegava no bar e falava, eu consigo trazer o Nando Viana, por exemplo, se vocês quiserem.

Aí eu fechava com o Nando Viana, fazia essa produção. Eu era o produtor. Entendi. Do evento. Daí fazia essa produção e comecei a entender que se eu me dedicasse...

mais para esse lado da produção, eu ia meio que ganhar o que eu ganhava na TI, certo? Ia estar mais próximo da comédia, que era o que eu queria de verdade, e conseguir apagar minhas contas, que era o objetivo final. No final é isso, é pagar as contas. Tem que sobreviver. É, isso. Mas se eu conseguisse pagar minhas contas fazendo o que eu estava amando mais na época, no sentido, mais que a TI, né? Que a TI eu não amava.

Fazias por necessidade. Até aí eu fiz porque o meu pai falou que era bom. Ah, entendi. Entendeu? Meu pai, né? Ah, mercado do futuro. É certíssimo. Tecnologia. O meu pai, cara, ele falou, se tu fazer esse curso da MicroLens, acabou o mundo. MicroLens? É, acabou o mundo. O mundo é teu. Tu vai ser o milionário da Apple, né? Acabou. É só tu aprender isso aqui e, cara...

corta a cena, eu não sei fazer uma planilha do Excel hoje. Sabe? Mas ele estava certíssimo. Era isso, era concurso público, era o quê? Aquela garantia de futuro. Exato. Que ele não teve e queria proporcionar para mim.

agradeço muito, inclusive, que foi bom. Sim. Só que daí chegou ali, naquele momento, eu pensei, pô, cara, se eu me dedicar à produção, acho que eu vou ganhar até talvez um pouquinho mais. E aí que veio a ideia do porão, provavelmente. Daí depois veio a ideia do porão já. Porque na produção eu comecei a rodar vários bares, comecei a entender mais sobre o que era. Num desses bares, esse bar já estava, na verdade, a... E aí

Laís Kichler, que trabalhou na Atlântica. Trabalhou com o Rafa ali. E o Rodrigo, Rodrigo Roberto. Roberto. Eles pegaram uma noite na Factory Beira Rio. Certo. Que tinha na época. Ali no mesmo lugar onde nasceu o porão. Isso. Eles fizeram a... Era a Sextand-Up, que era numa sexta-feira. Acho que eles fizeram duas edições. Foi legal assim.

Agora eu não lembro exatamente, cara. O Rodrigo talvez consiga me falar melhor, mas eu não lembro exatamente porque esse projeto no fim... Eu que abracei. Entendi. Acho que cada um teve uma prioridade. Claro. E daí o projeto foi para terça-feira. Entendi. Que era a Fábrica da Comédia.

E aí era uma terça-feira por mês. E eu comecei a fazer. Daí era eu e a galera que tinha começado a fazer em Santa Catarina. E a Factory abraçou muito o projeto, porque às vezes dava sete pessoas. Era um negócio que nunca pagou a conta. Mas eles estavam insistindo muito. Pelo menos está movimentando uma cena que pode... O Bis, o Kaiser e o Miro, na época o gerente também, e o dono, um dos sócios, apostaram muito nessa fábrica da comédia.

E aí começou uma vez por mês, começou a ficar pouco para eu trazer um cara de São Paulo, por exemplo. Porque daí ele tirava a minha data também. Claro. Sabe? Daí eu comecei a negociar. Vamos fazer a cada 15, que daí eu trago um cara que vai vender. E aí tem a gente. Claro. Sabe? Daí o movimento está sendo. Vai formando público. Vai formando público. Comecei. Daqui a pouco a gente tinha dois caras para trazer no mês. E aí, cara, estava semanal já o negócio acontecendo.

E eu sempre comentando para eles assim, cara, se um dia rolar, eu vou transformar isso aqui num comedy. Vai ser um comedy club, porque ele é muito o que é o comedy em Nova York. O formato dele. Que eu nunca fui. Sim, mas só de ouvir falar. Mas é de ver as imagens, tal, de ser um porão, o Comedy Cellar lá, é muito assim.

E aí um dia, nunca vou esquecer disso, cara, que eu fiquei muito feliz assim, que o Diogo Portugal veio fazer no porão, daí já era porão. E aí ele falou, caralho, isso aqui é muito comitizador. E ele já foi lá, então, porra, acertei. Acertei. E aí nessa conversa, cara, daí na pandemia...

É, por isso foi uma oportunidade, né? Porque eles, infelizmente, tiveram que vender. Porque como o grupo Barba Ruiva tinha outros bares, né? Certo. Um eles tiveram que vender. E aí eles lembraram do que eu falei. Te chamaram. E aí fizeram uma proposta, a gente conseguiu entrar num acordo.

Aí nasceu o Porão Comedy. Em 2021? 2021. 2021. E é um sucesso até hoje, né? Cara, agora a gente está em Balneário também. Exato, vocês têm uma unidade em Balneário e que também vai bem. Vai muito bem. Vai bem lá também. Balneário é outro público, é muito turista, então acaba sendo uma demanda maior que aqui ainda. Entendi. Lá tem menos tempo, a gente vai para o terceiro ano lá. Mas está muito legal, cara.

É impressionante, eu vejo, eu abro semanalmente a página de vocês lá do porão para pegar a programação e para divulgar no resumão que eu faço. E, cara, é um show atrás do outro, é impressionante. É muito difícil. E é isso que tu falou, gente daqui e gente nacional que vem. Por exemplo, o Maurício Dôla antes está de vez em quando ali. Enfim, tem vários aí que são... Veio o Danilo Gentili, o Afonso, esses caras todos, quando eles conseguem uma agenda, eles estão presentes.

Mas essa agenda é muito difícil, cara. Essa agenda é uma das coisas que a gente mais... Poder encaixar todo mundo, tu diz. Não, é muita data, velho. São 22 shows. Então, às vezes, são 18 passagens aéreas, 18 hotéis. Caramba! Estou falando de um, né? Sim, exato. São 36, então.

Então, isso que é o pesado. Entendi. Então, a gente... A nossa briga é para a pessoa ir assistir comédia. Porque ela vai assistir o Natanael Alves, que é aqui do Garcia. Sim. E ela vai se divertir tanto quanto o Danilo Gentili. Entendeu? Entendi, claro. Porque ele está trabalhando muito para isso, ele já faz há muito tempo e ele entrega uma comédia muito boa. A gente coloca gente boa no nosso palco. Sim, imagina. Só que ainda tem a barreira de... Ah, esse cara tem seguidor, eu vou. Senão não... Entendeu?

Tem isso aí. Tem uma barreira de eu só vou se eu conheço o cara, que é o nicho. Claro. Entendeu? Claro. Então, a gente está sempre trabalhando para... Formar novos. Para formar um público que vai consumir comérdia. Que é o que acontece nos Estados Unidos. Acontecia em São Paulo.

Quando tinham comídias em São Paulo, que era do Danilo e do Rafinha, era tipo três sessões, lá eram 300 lugares. Três sessões de 300 pessoas num sábado de pessoas que eles não conheciam. Entendi. Sabe? O elenco ninguém conhecia.

Ah, era Rafael Aragão, que não era conhecido na época. O Quesni, que era do Rio de Janeiro. E Segundinho Show. Três nomes que não tinham seguidor nenhum, mas tu ia lá, o show era uma porrada e saía satisfeito. Entendi. Eles sabiam que ali tinha comédia boa. Eles não precisavam saber se a pessoa tinha seguidor. Claro. Hoje é muito essa validação e identificação na rede social. Sim, entendi. Entendi.

Mas o público de vocês lá é sempre o mesmo? Tu achas que formou um público fiel? Não. Não? Muda bastante? Ainda não. Tem a galera que gosta muito de comédia, mas é pouco. Eu arrisco a dizer que Blumenau não conhece o porão ainda. Entendi. Apesar de todo o marketing que a gente tem, e até que acaba... Os comediantes fazem esse marketing para a gente também, porque eles precisam divulgar a agenda.

Mas, cara, não chegou no que a gente quer ainda. Entendi. Tem um processo grande aí. E a ideia principal é vender saúde, cara. Sabe? Sim. O clube de comédia é saúde. Claro. É saúde. Saúde mental. Eu falo isso no meu show. Tu vai entrar aqui...

E tu vai sair ali depois de uma hora diferente. Esse é o nosso propósito. Melhor. Melhor. Entendeu? Tu vai sair... Tu chega com o estresse do trabalho, alguma coisa que aconteceu. E aí, tu sai de uma forma mais leve. Tu tem história para contar no outro dia na empresa. Sabe? Isso é o que a gente tenta vender ali e consegue vender. Porque a gente sabe que as pessoas, elas devolvem esse feedback. Tem isso de... A gente, pô, curti meu show pra caramba, eu estava me sentindo mal, não sei o quê.

Só que é um processo de chegar em mais gente, sempre chegar em mais gente. Entendi. Eu vi também que o Léo Maier está fazendo shows lá, ou seja, o Porão está também buscando novas experiências, vamos dizer assim. Cara, a gente entendeu que no começo era muito... Não só o Porão, mas a gente seguia uma cartilha, mas era uma referência dos comedies, tipo, clube de comédia, clube de comédia. Certo. Não vai ter mais nada aqui além disso.

Lógico que também a gente quer atingir outros públicos. Então, se a gente vai só stand-up, a gente acaba ficando refém de um nicho. E a casa é entretenimento. A gente quer essa alegria que eu te falei, para a pessoa sair diferente.

Então tem bingo. Sim, o do bingo legal. Tem o do bingo legal. Tem o Miro que fazia, não sei se faz. O Miro faz, faz. Tem o bingo das quicadoras, que é a Vanessa, ela tem um sex shop em Gaspar e ela vai lá e a mulherada, é só para mulher. Certo. A mulherada enche 150 mulheres todo mês lota. Caramba. E se diverte para caramba lá, sabe? É o momento delas. Então a gente entendeu que não precisa ser só stand-up.

Só precisa ter um entretenimento ali para a pessoa sair melhor do que entrou. E o Léo, eu não sei, eu não fui lá ainda, mas imagino eu que ele deve contar a história. Não só troca, né? O Léo, além do jazz e blues, tem uma conexão muito forte com o stand-up. Nos Estados Unidos, isso aí é muito... Porque os caras improvisavam muito no jazz e blues e acabou que deu uma junção ali com a comédia de stand-up.

E ele conta a história do jazz ali, do blues, sabe? Ele envolve a galera. Então, a gente casou nesse projeto aí que está bem legal também. Que bacana. E tentando encontrar esse público. Cadê o público do jazz em Blumenau, né? Exatamente. A gente está tentando encontrar esse público para ele ter cada vez mais público também. E outros artistas também, né? Porque tem gente fazendo blues e jazz além do Léo, né? O Léo é uma referência, com certeza, principalmente do blues, né? Sim. Mas tem muita gente aí que está fazendo também alguma coisa.

É, e eu vejo muito nessa galera que a gente está apostando, no Léo, no Biz, no Milho, que apostaram em mim, sabe? Na comédia ali, então... Ah, não deu muita gente. Mas, cara, é um movimento que está começando. Sim, tem que insistir um pouco, né? Tem que insistir, cara. É, tem que insistir um pouco. Tem que insistir. Principalmente quando tu dependes muito do boca a boca, essa coisa que tu falou, né? Tipo, ah, não tem seguidor, beleza.

Não vai fazer essa divulgação no Instagram. Mas pode fazer no boca a boca. Se o senhor foi bom, o fulano vai contar para o outro e assim vai trazendo isso. E um processo, demora um pouquinho, né?

Não é de uma hora para outra que a coisa acontece. O boca a boca funciona muito. É, com certeza. E é essa batalha também de... Além de trazer coisas diferentes e que engajem o público, é fazer com que essa galera goste e volte, né? E saia repetindo para mais gente, para meio que formar essa comunidade de comédia lá no porão. Porque daí a gente tem muita concorrência, cara.

pode no começo era meio uma a gente olhava de um jeito assim a gente é o único comedy club na região mas a gente tem muito concorrente porque é o Netflix é o cinema é o Youtube é o comediante que coloca vídeo de stand up no Youtube então é muita coisa que tipo, ah não, não vou lá sim

Então, a gente tem essa barreira aí também. Então, é... É, mas a partir do momento que a pessoa vai... O problema é esse, né? O problema é tirar a pessoa de casa e levar para lá. Mas a partir do momento que ela está lá, ela vai se identificar, ela vai participar, se integrar. É outra coisa, né? Outra vibração. Não é a mesma coisa que assistir no YouTube, né? Não dá para comparar.

É muito diferente e é o momento que a gente fala para te sair do celular. É o primeiro aviso da casa. Não pode fumar, não pode... E larga o celular e aproveite o show. E é o que é mais difícil hoje. Claro. Ficar presente ali. Sim, com certeza. Então, a gente... Por isso que eu acho que a pessoa sai melhor também. Ah, não tenha dúvida. É bom para a saúde mental, não tenho dúvida disso.

Irineu, me conta da tua vida particular, cara. O que tu faz nas horas de folga? Porque tem tanta coisa para fazer trabalhando, mas eu quero saber do Irineu que está ali curtindo a vida. Como é que tu aproveitas além de trabalhar? Cara, eu estou numa... Agora eu estou cuidando de planta. Olha! A minha mãe aí, ó. Está voltando as plantas que nem tua mãe, então. Olha, às vezes eu olho uma mudinha ali e penso, ah, essa aí, eu acho que não tem câmera.

Mas esses dias eu me peguei com um borrifador que me deram uma dica na internet ali porque tinha pulgão no meu pé de tangerina. Sim, pulgão tem tudo que é lugar, não tem jeito. E aí eu estava ali. Mas eu, cara, eu gosto muito de comédia e acaba sendo que não saio do trabalho. Eu vou bastante ali no porão. E tu consumes na internet também? Eu consumo, já consumi mais. Hoje na correria não estou conseguindo tanto. Mas eu consumo muito a galera gringa para ver o que está rolando. Sim.

Porque eu falo para a galera que está começando. Ali é meio que... Por exemplo, o comediante está começando a fazer. Ele chegou lá e não vai ter oportunidade de subir no palco hoje, porque o outro já vai abrir, enfim. Assiste. Claro. É uma faculdade.

entendeu? O comediante que está ali fazendo vai te ensinar alguma coisa, ou ele vai te ensinar alguma coisa boa para te aplicar no teu, ou ele vai te ensinar alguma coisa para te não fazer claro, que não funcionou exato, então eu acho que tu acaba aprendendo muito também, mas cara, eu gosto do que eu gosto de fazer eu curto muito viajar, né? agora, dei uma parada aí, mas eu fui lá para o Chile, foi para o Chile? que bacana, quero muito voltar na neve tu foste para onde exatamente? fui para Santiago cEEE

Mas, meu, é legal, né, cara? E para criar também é muito bom. E o Chile são três, pelo menos três viagens completamente diferentes. Porque tu podes ir para Santiago, que é a região central. Não sei se tu fosse até Valparaíso, Vinha del Mar. Fui. Litoral. Fui aí, né? Beleza. E estações de esqui, né? É o que tem ali. Mas se tu for para o norte...

É o deserto mais seco do mundo, é o Atacama. É outro cenário, é outra experiência, é outro lugar completamente diferente. Da mesma forma, tu pode ir para o sul também, que é a Patagônia, que é completamente diferente dos outros dois.

frio, neve, gelo, montanha, paisagens inacreditáveis. Eu não fui ainda também nesses dois extremos, eu fui sempre ali para Santiago, que é onde está a minha família, então eu sempre tendo ir ali. Ah, eles moram em Santiago? A maior parte mora em Santiago. Fui até Puerto Montt, que é o comecinho ali da Patagônia chilena, vamos dizer assim, a entrada da Patagônia chilena, mas nunca fui para baixo.

E dizem que é inacreditável. Parece muito lindo. Então, ali para o Chile, três viagens, pelo menos assim, tu tens ali garantidas e com cenários completamente diferentes. Eu queria viajar mais, quero viajar mais. Ah, mas aproveita. É se programar, né? É, exatamente.

dinheiro tem, hoje tem cara, estamos tentando com tanto trabalho assim por favor, estou ganhando mais que na TI isso que é importante na TI tu não viajava tanto quanto tu pode viajar agora não podia também tem esses luxos de pegar uma folga mas aí o cara não quer parar, quer aproveitar o momento

Mas tem que dar um... Mas é que estás novo ainda, né? Mas daqui a pouco tu vai se perceber... Tu acha que eu estou novo? Eu acho, cara. 36, eu acho não, eu tenho certeza. Então, mas tu tinha essa percepção quando tu tinha 35? Tu se achava novo?

Cara, eu não pensava muito nisso com 35. Eu acho que eu comecei a pensar nisso quando eu fiz 40. É? É, quando tu entra no Zenta, tu pensa, pá, pegou. E aí tu vê a foto do teu pai com 40 e pensa, porra, ele era um velho. Eu não sou tão velho assim. Ah, aí a gente dá um... É, me dá um... Exatamente, exatamente. Mas é... Tu vai ver, quando tu faz 40, essas idades redondas, elas são realmente emblemáticas. É, 35 ele tá meio... Não, 35 tá tranquilo demais, cara.

35 a 50 anos atrás era os 20. 35, meu pai tinha 3 filhos já. Pois é. Olha a resposta. Tens filhos? Não. Nenhum ainda? Só os cachorros? Só os cachorros. Que vieram de lhota?

Vieira de lhoto. Meu pai me deu lá. Planta, cachorro. Planta, cachorro. Viagem. Tem moto, né? Ah, tu és motociclista ou tu és motoqueiro? Eu sou motoqueiro, cara. Vou falar que eu sou motociclista. O Walter vai me bater. Mas medo de moto também. Tu tens? Eu estou cada vez mais cagão, cara. Mas é aí que tu pensa na longevidade, né? Tu começa a pensar na vida. Estou pensando, é. Acho que é isso aí. Na família. Eu adoro assistir, sabia, cara? O quê? YouTube.

Tu tens esse momento de parar e ficar... Perder uma hora. E passa rapidinho assim, né? Muito. Passa rápido demais. Filme, eu gosto, tá ligado? Eu de vez em quando me pego fazendo isso também. Ontem eu estava assistindo um filme que é o...

Nuremberg? Nuremberg, sobre o julgamento lá da Segunda Guerra Mundial. Assistiu? Não assisti. Perdi, eu ia no cinema, acabei não indo. Eu assisti, achei muito bom, cara. Muito bom e... Daí eu gosto de ficar pirando assim, acho que é a parte um pouco do se eu tivesse feito jornalismo, né? Ah, sim. Sou curioso com essas coisas assim.

Mas não tem, eu acho. Eu estava fazendo jiu-jitsu, dei uma parada em dezembro agora, por causa de logística e tal, mas quero voltar. Eu não tenho hobby, hobby. Eu gosto de fazer as coisas, mas eu estou curtindo muito essa fase de produzir, trabalhar, trabalhar, trabalhar. É, mas é a fase. 35 anos é isso. É, por isso que eu acho que às vezes eu estou perdendo tempo no sentido de... Ah, já podia estar melhor, né? Já podia estar dando uma... É, tu tens essa agonia, tu és ansioso assim nesse sentido. Ah, acho que eu sou.

Porque eu não te vejo como um cara ansioso. Tu não tens uma ansiedade assim. Eu já fui mais. Eu acho que não é uma ansiedade, é mais uma... Não é frustração também porque eu estou conquistando as coisas. Mas eu fico no... E eu acho que... Eu entendo o que é. Agora, refletindo, talvez, essa pressão de... A minha maior renda é show. Certo.

Então eu vendo ingresso, entendeu? Entendi. Então eu acordo e durmo pensando no show que está vendendo. Quantos shows tu fazes por semana? Agora eu estou... Está tranquilo. Estou bem de boa. Estou fazendo, sei lá, tem mês que eu faço oito. Ah, dois por semana. Já é alguma coisa. Mês passado eu fiz isso aí. E tu tens ido para onde? Porque aqui no porão eu te vejo muito pouco. Eu faço todo mês quase o porão. Mas é uma vez.

Mas eu, cara, eu brinco com os caras aqui. Eles falam, vem para São Paulo. O Dolenz falou, me encheu o sábado. Cara, tu tem que estar em São Paulo, irmão. Eu falo, cara, não tem porquê. Não tem porquê, cara. Só gasto dinheiro indo para aquele lugar, sabe? O pessoal quer me ver aqui 10 minutos da minha casa, cara. Então, eu falo, eu brinco que eu criei um comedy para não ter que estar indo longe. Entendi.

Então, eu faço aqui balneário, faço a região, agora eu vou a Curitiba. É sempre nesse eixo aqui, né? Entendi. Rio Grande do Sul também. É que o... Acho que o teu trabalho nos três do Sul te deu essa visibilidade para toda a região sul, né? Tanto para Paraná quanto para Rio Grande do Sul também. Cara, agora eu vou te falar. O meu trabalho nos três do Sul...

O meu trabalho deu uma visibilidade para o 3 do Sul em Santa Catarina. Ah, é? Entendi. O Aragão não vendia nada de ingresso na época. Ele fazia muito show de fábrica, sempre foi estourado em fábrica, corporativo. Mas nos bares não tinha uma demanda. E no 3 do Sul ajudou muito a mostrar essa galera. E daí eu no Rio Grande do Sul e Paraná, aí eles me mostravam. Então foi essa collab bem legal.

projeto continua? Não, esse projeto não, esse projeto ele parou o Aragão ele foi pro Canalhas ele já tinha o Canalhas antes que era ele e o Serginho, clube do Canalhas, e aí entrou o Alorino e ele não tinha mais data, foi morrendo, morrendo meio que o baita comitivo entrou pra substituir esse então, no fim das contas é

Pode ser, pode ser. Dá para se dizer que sim. Só que... Era um projeto do Diogo Portugal, ele criou o grupo assim. A gente criava bastante conteúdo, mas o Aragão começou a fazer muito show. Muito show. Entendi. Ele já tinha mais os shows da fábrica. Teve que deixar de lado para... É, tem que priorizar. Tem uma época... Tem que dar foco. É família.

É, tem isso também. É a família, então... Mas é um projeto que está aí, né? Tipo, uma hora ou outra pode voltar. Claro. Quanto tempo de Blumenau já, Irineu? Cinco anos. Morando aqui em Blumenau. Em que bairro tu moras hoje? Topavazinha. Em Topavazinha. Mudei. Olha, que legal. Sempre morei aqui, né? Morei no Garcia, morei no Centro.

Morei na Vila Nova e agora estou para a Vazinha, se Deus quiser, pelos próximos muitos anos. O que você mais gosta aqui na cidade nesse tempo? O que você identificou sem pensar, porra, isso é legal nessa cidade aqui? Porra, eu gosto de Blumenau, cara. Eu gosto do jeito que eles me abraçaram, assim. E eu sempre tive uma conexão com Blumenau, porque estudei aqui, trabalhei aqui. E eu sempre pensava em morar aqui. E casou que acabei vindo, né?

Mas eu gosto da tranquilidade, eu acho, no sentido de se sentir seguro. Eu acho que é o que... Não sei se essa percepção eu tenho mais pelos comediantes que vêm para cá e toda a vida estão em alerta.

A gente ia... Percebe como é lá fora e dá valor ao que tem aqui. É, quando a gente ia no porãozinho, a Heves ia tomar uma cerveja ali em cima na beira-rio, tipo meia-noite depois do show, celular, e os caras... Tu tá com o celular aí, cara?

Eu não posso ficar com o meu celular na frente do meu bar, é isso? E aí, lógico, indo para São Paulo, tu vai entendendo. Os caras sempre alertam, inferno. Então, eu acho que isso é muito bom de Blumenau. As pessoas também, eu curto muito. Toda a relação que eu tive aqui foi muito legal. O pessoal foi muito acolhedor.

E os restaurantes. Eu gosto dos restaurantes, cara. O culinário sai bastante para comer. Que bom. Eu gosto de comida. Na viagem, o que mais me interessa é comida. Comi um coelho lá no Chile. Olha só. Estava bom, hein?

Eu quero voltar lá só para comer esse coelho, cara. Comeu mote com guesijo? Esse é o... Aquela bebida estranha que tem trigo e pêssego. Gostou daquilo? Ninguém gosta daquilo. Não gostei. Aquilo ali é um pega turista. É doce demais, né? Aquilo ali é um pega turista. Pelo amor de Deus. É um negócio estranho. Até a foto é estranha, cara. Totalmente estranho, né? Mas sabe que quando minha mãe... Minha mãe ia muito para o Chile, né? E ela trazia de lá os ingredientes para fazer aqui para a gente.

Porque a gente adorava, cara. Aquilo, para nós, era uma sobremesa. Não era uma bebida, era uma sobremesa. Ela é muito... Sim, porque tem trigo, tem pêssego e tem a bebida, claro, o caldo que envolve ali. Não, não gostei, não. Achei meio estranho. Voltando a falar de Bumenau, o que te incomoda aqui na cidade? Para encerrar esse papo de uma vez. Trânsito. Trânsito. Por isso que tens a moto?

É, por isso. Pra poder se locomover melhor. O trânsito é muito chato, velho. Um dia que nem hoje está chovendo. E não tem jeito, né? É, o pior é isso. Não vejo saída, então a gente tem que se adaptar, né? É, transporte público é saída, na realidade. É, mas aí cada vez tu vê garagem com três carros, pô. Exatamente.

Cada vez menos parece que as pessoas percebem isso. Eu acho que o poder público até tenha avançado em melhorar as condições da coisa, mas tem que avançar mais ainda. É, eu vejo muita obra. Eu vejo muita obra, mas eu não... Por exemplo, Curitiba. Eu adoro Curitiba também.

E acho que lá funciona muito assim, né? Sim. Não lembro de ter pego um trânsito em Curitiba, assim. É verdade. Sexta-feira, seis da tarde, é uma parada que... É, não, mas até que tem. Eu cheguei... Semana retrasada fui a Curitiba, fui na sexta-tarde, cheguei lá no fim da tarde, cara. Foi... Ah, então eu dei sorte, então. É, eu acho que sim, achei da sorte. Eu também nunca tinha pegado aquele trânsito. Mas lá eu vejo saída, assim, infraestrutura, né?

Isso, isso. Aqui eu vejo que não tem muito o que fazer em alguns lugares, né? Vai sempre estar aquilo ali.

E aí... Irrita-se no dia a dia, mas eu aprendi a contornar, assim...

A gente aprende a conviver com ele. Chega uma hora que... Eu lembro que tem uma época que eu morava no Garcia e vinha para a rádio que eu chegava na rádio estressado. É, imagino. Aliás, são 20 para as 11, tu tem que estar lá às 11. Você está atrasado. Cara, obrigado. Muito obrigado mesmo por ter vindo aqui e bater esse papo com a gente. Foi bem bacana mesmo. Sucesso no teu empreendimento novo. Porque nos outros eu sei que tem. Esse já é um sucesso. Já vi lá que está bombando.

Só com o Sargento Yucs e o Muriel agora, e com o Dolenz também agora, meu Deus. E o Sargento foi muito generoso, cara. Legal. Muito generoso. Ele já veio aqui, não? Já, não, ainda não. Não? Tem que vir, Sargento. Vou voltar a falar com ele, vou chegar na rádio. Eu já conversei com ele em outras oportunidades. Não, mas ele vem. Ele vai estar aqui. Ele já foi em cada coisa e tem que vir aqui. Está louco? Não vai vir no bom? Não, não tenho dúvida.

Obrigado, Linel. Mais uma vez, cara. Obrigado mesmo. E vai no porão, hein? Sim, senhor. Mês de aniversário agora. Sim, senhor. Olá.

Dia 5 é meu show. Tu falar que nunca estou... Ah, então, beleza. Quem sabe eu vou... Fica com o convite, está intimado. Perfeito. 5 de maio, eu e o Alorino... Combinar. Já foi, né? Tu já foi? Não. Não? Não. Esse já saiu?

Já foi? Ah, é, dia 6, é verdade. É 6, quarta-feira. Então eu fui ontem. E aí, curtiu não? Amanhã eu digo. Obrigado, Irineu. Obrigado também a você que acompanhou esse papo de uma hora aqui com o Irineu Nicoletti. Não se esqueça, siga a ArrubaPanchoComBR no Instagram para assistir aos cortes desse episódio e também para saber quem são os nossos convidados nos próximos episódios do Papo com o Pancho. Um grande abraço e até semana que vem.

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