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História do Irã

28 de março de 202630min
0:00 / 30:22

Uma civilização com milhares de anos foi atacada por Israel e EUA. Seus algozes venderam a guerra como se fosse simples e rápida - mas a realidade mostra que os persas estão longe de ser um povo que se dá por vencido facilmente. Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares)

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Apresentação: Prof. Vítor Soares.

Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre)

REFERÊNCIAS USADAS:

- ABRAHAMIAN, Ervand. A History of Modern Iran. Cambridge: Cambridge University Press, 2008.

- AXWORTHY, Michael. Iran: Empire of the Mind: A History from Zoroaster to the Present Day. London: Penguin Books, 2008.

- KINZER, Stephen. All the Shah's Men: An American Coup and the Roots of Middle East Terror. Hoboken: John Wiley & Sons, 2003.

- KEDDIE, Nikki R. Modern Iran: Roots and Results of Revolution. New Haven: Yale University Press, 2003.

- MAJD, Hooman. The Ayatollah Begs to Differ: The Paradox of Modern Iran. New York: Doubleday, 2008.

- HOBSBAWM, Eric J. Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

- ROGAN, Eugene. The Arabs: A History. New York: Basic Books, 2009.

- ANSARI, Ali M. Modern Iran Since 1921. London: Longman, 2003.

Participantes neste episódio1
V

Vítor Soares

HostProfessor de história
Assuntos1
  • Irã e Estreito de OrmuzImpério Persa · Ciro o Grande · Islã e Chiísmo · Revolução Iraniana · Mohammad Reza Pahlavi
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E se aquele medo que todo mundo tem de uma guerra nuclear, de fato, acontecer um dia? Então, tem um país que é muito importante para a gente entender essa discussão. Eu estou falando do Irã, e hoje eu vou resumir para você, em meia horinha, toda a sua história. Meu nome é Vitor Soares, sou professor de história, e seja muito bem-vindo ao História em meia hora.

A história do que hoje chamamos de Irã começa nos planaltos do atual território iraniano, onde civilizações humanas existem há pelo menos 10 mil anos. Mas o momento que define a identidade histórica do país é a formação do Império Persa Akemenida, no século VI a.C. E para falar desse império, a gente precisa falar de um nome, Siro o Grande.

Ciro II governou a Pérsia a partir de 559 a.C. e, em poucas décadas, construiu o maior império que o mundo havia visto até então. Ele conquistou a Média, a Lídia, a Babilônia e territórios que se estendiam do atual Afeganistão até o Mediterrâneo. Mas o que separava o Ciro das outras potências conquistadoras da Antiguidade não era apenas a extensão das suas conquistas. Era também a forma que ele governava os povos que conquistava.

Ciro ficou famoso na história antiga por uma política pragmática de acomodação das elites locais, dos costumes e dos cultos religiosos dos povos dominados, o que acabou ajudando a estabilizar o seu império, algo completamente único para a época. Quando ele conquistou a Babilônia em 539 a.C., ele libertou os judeus que estavam em cativeiro desde a invasão babilônica de Jerusalém. Esse gesto fez com que ele fosse celebrado no próprio texto da Bíblia hebraica como um instrumento divino.

Ele permitia que os povos subjugados mantivessem as suas línguas, seus costumes e os seus deuses locais, desde que reconhecessem a soberania persa e pagassem tributos. O chamado Cilindro de Ciro, um documento de argila descoberto no século XIX, descreve a conquista da Babilônia e a restauração de cultos e templos locais.

Mais tarde, esse cilindro passou a ser celebrado como um símbolo de tolerância e de bom governo. Embora historiadores alertem que ele não deve ser lido como uma declaração dos direitos humanos no sentido moderno. O Império Persa atingiu o seu ponto máximo sob Dário I e o seu filho Xerxes I, no início do século V a.C., quando Dário organizou o Império em Satrápias, que eram províncias administrativas.

Além disso, ele construiu estradas que facilitavam a comunicação e o comércio e padronizou pesos, medidas e moedas. Foram os persas que construíram Persépolis, a capital cerimonial que as suas ruínas ainda existem no atual Irã e que é um dos patrimônios históricos mais impressionantes do mundo. Foi também sob Dário e Xerxes que o Império Persa entrou em conflito com as cidades-estado gregas nas chamadas Guerras Médicas. E é importante abrir parênteses aqui. A narrativa ocidental das guerras greco-persas A narrativa ocidental das guerras greco-persas

tende a ser contada a partir da perspectiva grega, mas é sempre bom lembrar que toda narrativa é parcial. Do ponto de vista persa, eram guerras de fronteira contra povos que haviam provocado o império ao apoiar rebeliões nas satrápias costeiras. Persépolis e o Império Persa representavam um nível de sofisticação cultural e administrativa

que não era inferior ao mundo grego, era apenas diferente. E esse ponto não é bobeira, é muito importante, porque a tensão entre a auto-percepção iraniana como herdeiro de uma grande civilização e a maneira como o Ocidente retratou o Irã como o outro asiático é um fio que atravessa séculos de história e chega até o presente.

O Império Aquemênida foi destruído por Alexandre o Grande, entre 334 a 330 a.C. E a conquista da Macedônia foi feroz. Persépolis foi incendiada em uma noite de festa, segundo os relatos antigos, o que é interpretado por muitos historiadores como um ato de vingança deliberada pelas guerras greco-persas.

Alexandre morreu jovem em 323 a.C. e seu império foi dividido entre os seus generais. A Pérsia ficou sob o controle dos Selêucidas, uma dinastia de origem macedônia. Mas a identidade persa nunca desapareceu. Em 247 a.C., os Partos, um povo do oriente, tomaram o controle da região e fundaram um novo império, que manteve boa parte da herança cultural persa.

Em 224 d.C., os Sassânidas derrubaram Espartos e fundaram o Império Sassânida, restaurando a herança aquemênida e tornando o zoroatrismo a fé oficial do Estado. O próximo grande ponto de virada na história iraniana chegou do deserto árabe no século VII da Era Comum. Em 633 d.C., poucos anos após a morte do profeta Maomé,

Os exércitos islâmicos começaram a expandir o novo Império Árabe para além da Península Arábica. Em 642, na Batalha de Nihavand, o Império Sassânida foi derrotado. E essa conquista foi muito relevante porque os persas eram uma das civilizações mais antigas do mundo e foram dominados por um império formado há pouco tempo. A conquista islâmica da Pérsia é um dos episódios mais complexos da história mundial.

Em termos religiosos, a grande maioria da população persa se converteu ao Islã ao longo das décadas seguintes. Mas isso não ocorreu de forma passiva. Os persas não simplesmente absorveram o Islã, eles o transformaram, contribuindo para o desenvolvimento da teologia, filosofia, da poesia e da cultura islâmica. Figuras como Rumi, Omar Khayyam e Avicenna, ligadas ao mundo persianizado e à tradição intelectual iraniana,

são pilares da civilização islâmica clássica. Mas tem um aspecto específico da conversão iraniana que é fundamental para a gente entender o Irã de hoje em dia, a adoção do islamismo chiíta. Quando Maomé morreu em 632 d.C., sem ter designado explicitamente um sucessor, surgiu uma divisão dentro da comunidade muçulmana sobre quem deveria liderar os fiéis. A maioria apoiou Abu Bakr, o sogro de Maomé, que se tornou o primeiro califa.

Mas um grupo menor acreditava que a liderança deveria ficar na família do profeta, especificamente com Ali, primo e genro de Maomé, que era casado com sua filha Fátima. Esse grupo ficou conhecido como Shat Ali, o partido de Ali.

É daí que vem o nome Shiita. Ali foi assassinado em 661 d.C. Seu filho Hussein foi massacrado junto com a sua pequena família e os seus seguidores na Batalha de Karbala, em 680 d.C. Esse é um evento que se tornou o momento fundador da identidade Shiita, celebrado anualmente até hoje no feriado de Ashura, com procissões de luto. O martírio de Hussein, na terra que hoje é o Iraque, se tornou um símbolo de resistência dos justos contra o poder injusto.

O Irã não adotou o chiísmo imediatamente após a conquista árabe. Isso aconteceu de uma forma gradual ao longo dos séculos. A virada definitiva veio com a dinastia Safávida, no início do século XVI. Em 1501, o jovem Shah Ismail I tomou o poder e declarou o chiísmo à religião oficial do Irã.

Essa distinção criou uma fronteira religiosa e identitária que ainda hoje estrutura boa parte da geopolítica do Oriente Médio. A rivalidade entre o Irã-xiíta e os grandes países árabes sunitas, principalmente a Arábia Saudita. O Império Safávida, que governou o Irã entre 1501 a 1736, foi um dos períodos mais florescentes da história iraniana. Esfarrã, a capital safávida.

se tornou uma das cidades mais belas do mundo islâmico, com as suas mesquitas de azulejo turquesa, seus jardins imensos e os seus bazares movimentados. O viajante que visita Esfarran hoje em dia vê a Praça Nagshir Jahan, construída pelo Shah Abbas I no início do século XVII, que é simplesmente um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes da história da humanidade. Mas o Império Safávida também plantou tensões que persistiram.

A relação entre o poder político do Ischais e o clero xiita sempre foi complexa. Os Ischais safávidas precisavam da legitimidade religiosa fornecida pelos ulemais e os demais estudiosos xiitas. Mas essa elite religiosa também desenvolveu interesses e autonomia próprios.

Essa tensão estrutural entre Estado e religião é um tema que percorre toda a história iraniana moderna e explode de forma bem dramática no século XX. Depois dos Safávidas, vieram os Afixaridas e os Andes, um período de relativa fragmentação, até a consolidação do poder pela dinastia Kajar, em 1794. Os Kajares governaram o Irã até 1925 e o seu legado é meio ambíguo.

Por um lado, foram eles que presidiram uma das fases mais humilhantes da história iraniana, a penetração cada vez mais profunda do imperialismo, tanto britânico quanto russo, no país. O Irã do século 19 não foi formalmente colonizado como a Índia ou Argélia.

Ele manteve formalmente a sua independência, mas na prática se tornou um campo de batalha para os interesses britânicos e russos, no que vai ficar conhecido como o Grande Jogo. Os cajares concederam concessões econômicas extraordinárias para essas potências estrangeiras, inclusive a concessão de tabaco de 1890, que dava a um consórcio britânico, um monopólio sobre a produção, venda e exportação de todo o tabaco iraniano.

A reação popular foi pesada. Mirza Hassan Shirazi emitiu um decreto proibindo o consumo de tabaco enquanto a concessão existisse, e os iranianos obedeceram em massa, numa das primeiras demonstrações modernas do poder político da liderança religiosa xiita. O Shah foi forçado a cancelar a concessão. O episódio ficou gravado na memória coletiva iraniana.

como uma prova de que o povo unido e guiado pela liderança religiosa poderia derrotar o imperialismo estrangeiro. Em 1905 e em 1906, o Irã viveu a Revolução Constitucional, um movimento que exigia a limitação do poder do Shá e a criação de um parlamento, os Majlis.

Foi um momento de esperança democrática, mas que rapidamente esbarrou na intervenção das potências estrangeiras, principalmente da Rússia e depois do arranjo anglo-russo de 1907, que limitaram a autonomia iraniana e enfraqueceram o novo sistema constitucional.

A intervenção estrangeira nos assuntos internos do Irã ficou cada vez mais demonstrada de forma violenta. Em 1921, um oficial do exército chamado Reza Khan deu um golpe de estado e começou a sua ascensão ao poder. Em 1925, ele depôs o último Shah Kajar e fundou a dinastia Pahlavi, se tornando Reza Shah Pahlavi.

O que seguiu no Irã foi um programa radical de modernização autoritária. Reza Shah construiu estradas, ferrovias, universidades e hospitais. Enviou estudantes iranianos para estudar na Europa. Proibiu o véu feminino em público, o que foi uma medida que causou enorme resistência religiosa.

Além disso, ele secularizou o sistema judiciário, retirando grande parte do poder dos tribunais religiosos. Em 1935, o governo iraniano pediu oficialmente que os países estrangeiros passassem a usar o nome Irã, em vez de Pérsia. Embora...

embora Irã já fosse usado internamente havia muito tempo. Essa mudança de nome não era apenas simbólica, ela refletia uma visão específica de identidade nacional, baseada na herança pré-islâmica do país, em parte como contraponto ao arabismo islâmico. Mas o Hezachá era também brutal e autoritário. Ele suprimiu tribos, partidos políticos e qualquer forma de oposição.

e ele também cometeu um erro fatal. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele se recusou a expulsar os técnicos alemães que trabalhavam no Irã, apesar das pressões britânicas e soviéticas. Em agosto de 1941, os britânicos e soviéticos simplesmente invadiram o Irã. Eles ocuparam o país e forçaram Reza Shah a abdicar em favor do seu filho, Mohammed Reza Pahlavi, um jovem de apenas 21 anos que seria o último chá do Irã.

A invasão anglo-soviética de 1941 foi mais um episódio na longa lista de intervenções estrangeiras no Irã, que alimentariam o ressentimento popular. Mas o que viria em 1953 seria o momento mais traumático de todos. Mohamed Mossadegh é, para muitos iranianos, o maior herói nacional do século XX. E a história do que aconteceu com ele explica mais sobre a política iraniana contemporânea do que qualquer outro evento.

Mossadegh era um político democrata formado na Europa, que chegou ao cargo de primeiro-ministro em 1951. E ele chegou ao poder com um programa muito claro, nacionalizar a indústria petrolífera iraniana. O petróleo do Irã era explorado por uma empresa britânica, que mantinha a maior parte dos lucros e pagava ao Irã uma parcela mínima.

Para o Mossadegh, isso era simplesmente a continuação do imperialismo, só que por meios econômicos. E a nacionalização era a única forma de recuperar a soberania iraniana sobre seus próprios recursos. A nacionalização foi aprovada pelo parlamento em março de 1951, e o Mossadegh se tornou um herói nacional da noite para o dia.

A revista Time o elegeu a pessoa do ano em 1951. Só que a reação britânica foi imediata, com um boicote internacional ao petróleo iraniano, que vai simplesmente devastar a economia do país. Os britânicos foram incapazes de resolver a situação sozinhos.

E por isso, convenceram o governo americano, do Dwight Eisenhower, que o Mossadegh era uma ameaça comunista. Um argumento extremamente conveniente para a época da Guerra Fria, mesmo que fosse falso. Mossadegh não era um comunista, ele era um nacionalista democrático.

Em agosto de 1953, a CIA e o MI6 britânico orquestraram a Operação Ajax, um golpe de estado que derrubou Mossadegh. Manifestantes pagos saíram às ruas, militares leais ao chá tomaram posições estratégicas e o Mossadegh foi preso. Ele passou os últimos anos da sua vida sob prisão domiciliar e morreu em 1967.

O Shah Mohammed Reza Palavi, que havia fugido do país durante essa crise, voltou ao trono, e dessa vez, com o apoio explícito dos Estados Unidos. Pessoal, tô pausando o episódio aqui rapidinho pra te convidar a conhecer os outros projetos que eu faço aqui na internet. Eu vivo disso aqui, não só do Estar em Minha Hora, mas também de outros projetos. E se você quiser ajudar o meu trabalho, eu vou falar pra você quais são esses projetos. E aí, se você tiver interesse, evidentemente, você pode ir lá e curtir também eles.

O primeiro projeto é o História e Cinema, é um canal que eu, o Vogel, do Vogalizando a História, e o João Pedro, do Operação Barbarussa, a gente criou, onde a gente fala de História e Cinema, tá no nome. O segundo projeto é o História pros Brothers, onde eu e o Alexandre Nique, eu falamos de história, né, tá no nome, mas a gente fala de uma forma bem mais boba, podemos assim dizer, é um podcast muito mais de humor do que de história.

Eu também tenho um canal chamado História com o Prof. Vitor Soares, onde eu não tenho limite de tempo, ele é um pouco parecido com o História Meia Hora até, só que eu falo de coisas que têm a ver com história em geral, né? Falo de videogame, falo de cinema também, eu falei até da minha tatuagem recentemente num vídeo, então eu falo de história em geral, sem limite de tempo, e tá aqui no YouTube, tá aqui no Spotify, onde você quiser. História com o Prof. Vitor Soares.

E por último, quero te convidar a conhecer o Reinaldo Jaqueline, que é um podcast de cultura pop, que eu, o Nicolas Queiroz e o Príncipe Vidani, a gente fala de filmes, basicamente, cultura pop em geral. Filmes, a gente fala de jogo também, fala de série, fala de livro, fala de música, de cultura, né, em geral. E é um podcast bem divertido, é um podcast que tenta simular um programa de auditório. E é só de áudio também, isso aqui é importante.

Então é isso, gente. Eu te convido a conhecer os meus outros projetos que você vai estar me ajudando indiretamente se você for lá dar uma olhadinha. Deixa um like, um comentário, alguma coisa. Tá bom? Valeu. Sua empresa está pronta para o novo ano fiscal? Com o Hardware as a Service da Acer, sua gestão de TI vai muito além da máquina.

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Agora, voltando para o episódio sobre a história do Irã, com o Mossadegh fora do caminho e apoiado pelos Estados Unidos, o Muhammad Reza Shah consolidou um governo cada vez mais autocrático ao longo dos anos 50 e 60. Em 1963, ele lançou a chamada Revolução Branca, um programa de reformas modernizantes que incluía reforma agrária, sufrágio feminino, alfabetização em massa e privatização de empresas estatais.

As reformas eram reais em alguns aspectos, mas o seu objetivo político era criar uma base popular para o regime e reduzir o poder da elite religiosa e dos latifundiários tradicionais. Os religiosos se opuseram a essas reformas, principalmente ao voto feminino e à reforma agrária.

E foi justamente nesse contexto que surgiu uma figura que mudaria para sempre a história do Irã, o Ayatollah Rourola Khomeini. Khomeini era um líder religioso extremamente carismático, e ele atacou publicamente o Shah em 1963, em discursos inflamados.

Em um dos protestos contra o rei, o Komeini falou o seguinte para os seus liderados, abre aspas. Fiquem calmos. Vocês são seguidores de líderes em vossa religião que sofreram grandes atrocidades. Tal afronta serve como um bumerangue. Diversas grandes personalidades do Islã morreram para que o Islã fosse mantido e confiado a vocês. Fecha aspas. Nessa mensagem aos seus fiéis, o Komeini estava lembrando que toda a maldade do rei contra a sua população teria um retorno.

Khomeini foi preso e a sua prisão gerou protestos que foram reprimidos com muita violência. Centenas de pessoas foram mortas nas ruas. Em 1964, Khomeini foi exilado, primeiro na Turquia, depois no Iraque e finalmente na França. Lá do exílio,

ele continuou pregando e organizando a oposição. O regime do Shah tinha um instrumento de repressão extremamente temido, a SAVAC, a polícia secreta criada em 1957, com treinamento da CIA e do Mossad israelense. A SAVAC monitorava, prendia, torturava e eliminava dissidentes políticos, da esquerda marxista aos religiosos.

passando no meio pelos liberais democráticos. A tortura era sistemática e documentada. Esse terror criava obediência, mas também um ressentimento profundo que se acumulava sobre a superfície. Nos anos 70, o Irã vivia uma contradição gritante. Por um lado, era um dos países mais ricos do Oriente Médio por conta da riqueza do petróleo. Principalmente após o choque de preços de 1973. O Shah sonhava em transformar o Irã numa potência industrial moderna.

numa nova grande civilização. Só que, por outro lado, a modernização acelerada criava tensões sociais enormes, com pessoas que migravam dos campos para as cidades, perdendo os seus vínculos tradicionais e encontrando uma sociedade urbana que parecia estranha e injusta. A desigualdade era gritante e a corrupção era endêmica. E a repressão política não poupava ninguém.

O que aconteceu a seguir foi um dos eventos mais surpreendentes do século XX, porque surpreendeu absolutamente todo mundo, incluindo a CIA, que havia publicado relatórios afirmando que o Irã era estável. Em 1978 e em 1979...

uma revolução varreu o país. Não era uma revolução de um único grupo, era uma coalizão de marxistas, nacionalistas liberais, religiosos tradicionais, intelectuais laicos e massas urbanas empobrecidas, todos unidos pelo ódio ao Shah. Em janeiro de 1979, o Shah deixou o Irã e nunca mais voltou. Em fevereiro, o Khomeini desembarcou em Teherã depois de 15 anos de exílio, recebido por milhões de pessoas em delírio. A revolução islâmica estava consumada.

mas o que ela produziria era algo que poucos dos seus participantes haviam previsto. A República Islâmica do Irã, fundada em 1979, é uma criação política única na história moderna. Komeini desenvolveu um conceito teológico-político chamado Velayat Efakih, a tutela do jurista islâmico.

A ideia central é que a autoridade suprema deve pertencer ao mais sábio e mais virtuoso dos juristas islâmicos. Na prática, isso significava que o Khomeini teria a autoridade suprema sobre todos os assuntos do Estado, acima do presidente eleito, do parlamento ou de qualquer outra instituição.

O sistema político criado foi uma estrutura híbrida e contraditória. Existiam eleições de verdade para presidente e parlamento, mas o corpo que decidia quem podia se candidatar, que é o Conselho dos Guardiões, era controlado pelo líder supremo. O resultado foi que o governo de Bolsonaro não conseguiu.

O resultado era uma república com elementos democráticos reais, mas enquadrados dentro de um sistema de controle religioso que limitava o que era possível mudar através do voto. Essa tensão entre o elemento republicano e o elemento teocrático nunca foi resolvida.

e continua sendo o eixo central da política interna iraniana até hoje. Os primeiros anos da República Islâmica foram marcados por violência extrema. A coalizão que havia derrubado o Shah rapidamente se desfez. Comunistas, liberais e outros aliados da revolução foram eliminados. Milhares de pessoas foram executadas, incluindo muitos que haviam lutado contra o Shah, mas que não aceitavam a tutela clerical.

Em novembro de 1979, estudantes iranianos invadiram a embaixada americana em Teherã e tomaram 52 diplomatas americanos como reféns. A chamada crise dos reféns durou 444 dias e foi um trauma nacional para os Estados Unidos. Um ponto de não retorno nas relações entre os dois países. A tentativa dos Estados Unidos de resgatar os reféns pela força fracassou, e fracassou de forma humilhante.

Os reféns só foram libertados no dia da posse de Ronald Reagan, em janeiro de 1981, em um episódio que, até hoje, inclusive, gera muitas teorias da conspiração sobre um possível acordo secreto entre a equipe do Ronald Reagan e os iranianos. E eu vou explicar melhor o que é essa teoria no episódio exclusivo para os apoiadores do História em Meia Hora. Se você quiser ouvir esse e os outros mais de 200 episódios exclusivos que já tem por lá, é só assinar apoia.se barra História em Meia Hora.

Enfim, gente, em setembro de 1980, o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Irã, aproveitando a instabilidade pós-revolucionária. O que se seguiu foi uma das guerras mais devastadoras e mais longas do século XX, durando oito anos, de 1980 até 1988. A guerra teve efeitos profundos na sociedade iraniana. A guerra consolidou o poder dos religiosos, que mobilizou jovens iranianos com a promessa do martírio e do paraíso.

Ao mesmo tempo, gerou uma economia de guerra que distorceu o desenvolvimento do país por muitas décadas. O dado geopolítico mais chocante dessa guerra é que o Iraque de Saddam Hussein foi amplamente apoiado pelo Ocidente, incluindo os Estados Unidos, que forneceu inteligência, armas e suporte diplomático para o regime iraquiano. A mesma lógica da Guerra Fria, que havia apoiado o golpe de 53, agora apoiava o ditador que usava armas químicas contra os iranianos. Mas, do ponto de vista iraniano,

isso era mais uma prova de que o ocidente seria sempre o inimigo. Comene morreu em junho de 1989, menos de um ano após o fim dessa guerra. O seu sucessor como líder supremo foi Ali Khamenei.

um ayatolá de segunda linha em termos de credenciais religiosas, mas que era considerado politicamente confiável. Ali Khamenei permaneceu como líder supremo do Irã de 1989 até a sua morte esse ano, após ataques dos Estados Unidos e de Israel. A sua sucessão por Mojitaba Khamenei é um fato muito recente e ainda cercado por desdobramentos políticos.

A história do Irã após o Khomeini é uma oscilação entre impulsos reformistas e tensões conservadoras. Nos anos 90, o presidente Akbar Hashem Rafzanjani tentou uma abertura econômica moderada e uma política externa menos confrontadora.

Em 1997, a eleição de Mohammed Katami abriu um período de esperança real. Katami falava em um diálogo de civilizações e promoveu liberdades civis, ainda que limitadas, permitiu uma imprensa mais livre e buscou melhorar as relações com o Ocidente.

Uma geração de jovens iranianos abraçou essas reformas com entusiasmo. Mas o Khatami encontrou os limites do sistema. O Conselho dos Guardiões bloqueou as legislações reformistas. O Judiciário, que era controlado pelos conservadores, fechou os jornais e prendeu os jornalistas. Estudantes foram espancados em protestos.

O líder supremo, Kamenei, deixou claro que havia um teto para as mudanças que seriam toleradas. No ano de 2005, Mahmoud Ahmadinejad, um populista ultranacionalista e conservador, foi eleito presidente. Ahmadinejad combinava um discurso de distribuição de renda para os mais pobres com uma retórica agressivamente anti-ocidental e anti-sionista. Foi durante o seu governo que o programa nuclear iraniano acelerou de forma visível, gerando uma escalada de sanções internacionais que devastou a economia.

As suas declarações negando o Holocausto e pedindo o fim de Israel geraram condenação internacional generalizada, mas também serviram para consolidar a sua base doméstica. Em 2009, a reeleição de Ahmadinejad gerou o Movimento Verde, uma das maiores manifestações de rua no Irã desde a Revolução. Milhões de pessoas saíram às ruas usando a cor verde, que era a cor da campanha do candidato derrotado, Mi Hossein Moussav.

A repressão aconteceu, com morte nas ruas, prisões em massa e com líderes do movimento sob prisão domiciliar por anos. O movimento verde foi esmagado, mas plantou sementes que continuariam germinando. Em 2013 e 2017, o presidente Hassan Rouhani, um moderado com experiência em negociações nucleares, tentou uma nova abertura. Foi sob o seu governo que o acordo nuclear foi negociado em 2015.

Mas a saída dos Estados Unidos do acordo em 2018 e a reimposição de sanções enfraqueceram politicamente os moderados iranianos e fortaleceram os que diziam que negociar com o Ocidente era inútil. Em 2021, o ultraconservador Hebrahim Raisi foi eleito presidente num processo eleitoral esvaziado pelo Conselho dos Guardiões.

que desqualificou a maioria dos candidatos moderados. Em setembro de 2022, uma jovem curda iraniana chamada Maza Amini foi presa pela polícia moral iraniana por usar o véu hijab de forma considerada inadequada. Ela morreu sob custódia policial três dias depois, aos 22 anos.

O que seguiu foram os protestos mais significativos que o Irã havia visto desde a Revolução de 1979. Sob o slogan Mulher, Vida e Liberdade, milhões de iranianos saíram às ruas em dezenas de cidades. Mulheres queimavam seus véus publicamente, jovens cortavam o cabelo em sinal de solidariedade. Os protestos não eram apenas contra a obrigatoriedade do véu.

eram contra o sistema inteiro. Manifestantes pediam a queda da República Islâmica e gritavam contra o Kamenei pelo nome. Era uma geração que havia crescido inteiramente dentro da República Islâmica e que claramente a rejeitava. A repressão foi severa. Centenas de manifestantes foram mortos e milhares foram presos. Alguns foram executados após julgamentos, mas o regime não conseguiu fazer os protestos desaparecerem completamente. E a imagem do Irã no mundo ficou ainda mais deteriorada.

O movimento Mulher, Vida e Liberdade se tornou um símbolo global de resistência que ultrapassou as fronteiras do Irã. O que os protestos de 2022 revelaram é uma profunda crise de legitimidade do regime iraniano com a sua própria população, principalmente os mais jovens.

O Irã tem uma das populações mais jovens e mais educadas do Oriente Médio. A maioria dos iranianos nasceu após a Revolução de 1979 e não tem memória do chá ou do entusiasmo revolucionário. O que eles conhecem é um regime que muitas vezes controla suas roupas, música, relações afetivas...

acesso à internet e que oferece em troca perspectivas econômicas cada vez piores, graças a sanções, mas também má gestão. A história desse país foi novamente abalada em 2026, após um bombardeio dos Estados Unidos e Israel, que resultou na morte de Ali Khamenei, fazendo com que novas mudanças possam acontecer.

Pessoal, eu vou recomendar três episódios aqui do podcast que você pode procurar aqui no feed do Estar em Meia Hora e eles vão servir de complemento para esse episódio que você acabou de ouvir, beleza? O primeiro episódio se chama Islamismo. O segundo se chama Estados Unidos e Irã. E o terceiro se chama Revolução Iraniana. Agora, bora fazer aquele resumão de um minutinho para você relembrar o que você aprendeu hoje. Vamos lá.

Quando falamos na história do Irã, estamos falando de uma das civilizações mais antigas do mundo. Na antiguidade, a região foi o centro do poderoso Império Persa, fundado por Siro o Grande, no século VI a.C. O Império Aquemênida se tornou um dos maiores da história, se estendendo do Oriente Médio até partes da Europa e da Ásia. Em seguida, o território foi conquistado por Alexandre o Grande, em 330 a.C., o que iniciou um período de influência helenística.

Nos séculos seguintes, diversos impérios governaram a região, incluindo os partas e os sassânidas. No século VII, o Irã foi conquistado por exércitos árabes islâmicos, o que levou à gradual islamização da população. Ao longo da Idade Média e da Era Moderna, dinastias como os safávidas consolidaram o islamismo xiita como religião predominante, definindo o elemento central da identidade iraniana. No século XX, o país passou por profundas transformações políticas.

Em 1979, ocorreu a Revolução Iraniana, que derrubou a monarquia do Shah Muhammad Reza Pahlavi e estabeleceu uma república islâmica liderada pelo ayatollah Hurola Khomeini. Desde então, o Irã se tornou um ator importante na política da Ásia Central.

A trajetória histórica do país ajuda a explicar o seu papel nas atuais tensões regionais, especialmente nas disputas geopolíticas envolvendo o Golfo Pérsico e o programa nuclear iraniano, elemento que, dentro do conflito atual, pode reacender a chance de uma guerra nuclear. Mas isso já é um papo para uma outra meia hora.

Chegou a hora de deixar os carros da idade da pedra para trás. O BYD Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido no varejo por dois meses consecutivos. Pela primeira vez, um carro 100% elétrico lidera essa posição no Brasil. E chegou a sua vez de ter um carro mais econômico que moto. BYD Dolphin Mini, a partir de R$ 109.990 para CNPJ. Fala até uma concessionária BYD e faça um test drive. Consulte condições em byd.com.br. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

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