Episódios de História em Meia Hora

EUA e Israel

21 de março de 202630min
0:00 / 30:10

Dois países que hoje são carne e unha! Mas onde que começou essa parceria? Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares) sobre a relação entre EUA e Israel.

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Apresentação: Prof. Vítor Soares.

Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre)

REFERÊNCIAS USADAS:

- OREN, Michael B. Power, Faith, and Fantasy: America in the Middle East, 1776 to the Present. New York: W. W. Norton, 2007.

- MEARSHEIMER, John J.; WALT, Stephen M. The Israel Lobby and U.S. Foreign Policy. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2007.

- KISSINGER, Henry. World Order. New York: Penguin Press, 2014.

- HOBSBAWM, Eric J. Era dos Extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

- ROGAN, Eugene. The Arabs: A History. New York: Basic Books, 2009.

- SHLAIN, Avi. The Iron Wall: Israel and the Arab World. New York: W. W. Norton, 2000.

- HAASS, Richard. A World in Disarray. New York: Penguin Press, 2017.

Assuntos15
  • Ajuda Militar a Israel150 bilhões de dólares em assistência desde 1948 · Fornecimento de aviões F-16 e F-35 · Sistemas de defesa anti-míssil · Compartilhamento de inteligência · Pesquisa e desenvolvimento militar conjunto · Garantia de superioridade militar qualitativa · Maior receptor de ajuda militar dos EUA
  • Resposta diplomática e militarDeclaração de estado de guerra · Campanha de bombardeio sobre Gaza · Operação terrestre · Dezenas de milhares de mortos palestinos · Catástrofe humanitária · Frente aberta do Hezbollah no Líbano · Evacuações de civis israelenses
  • Intensificação da aliança militar (anos 1960-1970)Fornecimento de mísseis Hawk em 1962 · Transformação após a Guerra dos Seis Dias de 1967 · Mudança de percepção de Israel como potência militar · Guerra do Yom Kippur em 1973 · Ponte aérea de emergência de Nixon · Embargo petrolífero como resposta árabe · Ajuda financeira recorde
  • Conflito Irã-EUADecisão rápida de Harry Truman · Fator humanitário do Holocausto · Influência política da comunidade judaica americana · Oposição do Secretário de Estado George Marshall · Contexto da Guerra Fria
  • Proteção diplomática dos EUA a Israel na ONUPoder de veto no Conselho de Segurança · Bloqueio de resoluções críticas a Israel · Proteção sobre territórios ocupados · Assentamentos na Cisjordânia · Operações em Gaza e Líbano · Precedentes diplomáticos únicos
  • Conflito EUA-IrãAtaque mais forte desde a fundação de Israel · 1200 mortos em grande parte civis · 250 pessoas sequestradas · Sofisticação e coordenação do ataque · Superação das defesas israelenses · Contexto de conflito Hamas-Israel
  • Crise InstitucionalVisita de Biden a Tel Aviv em outubro · Envio de grupos de batalha de porta-aviões · Demonstração de força regional · Pacotes de ajuda militar de urgência · Veto no Conselho de Segurança da ONU · Bloqueio de resoluções de cessar-fogo · Solidariedade simbólica
  • Relacoes EUA-IraAnticemitismo europeu do século XIX · Theodor Herzl e 'O Estado dos Judeus' · Julgamento do Capitão Dreyfus · Imigração judaica para a Palestina · Mandato britânico sobre a Palestina · Holocausto e urgência moral da causa sionista · Plano de partilha da ONU de 1947 · Proclamação de independência em 1948
  • Retirada dos EUA do acordo nuclear (2018) e máxima pressãoDecisão de Donald Trump em 2018 · Política de máxima pressão · Novas sanções econômicas · Retomada do enriquecimento iraniano · Celebração israelense · Escalação nuclear · Aproximação do Irã à capacidade nuclear
  • Revoluções históricasMudança de regime em 1979 · Derrubada do Xá Pahlavi · Hostilidade ideológica estrutural · Líder supremo Khomeini e sucessores · Negativa de reconhecimento de legitimidade · Declaração pública de destruição · Pilar fundacional do novo regime
  • Lobby e influência legislativaAIPAC (American Israel Public Affairs Committee) · Influência no Congresso · Contribuições para campanhas eleitorais · Apoio evangélico protestante · Ideologia do retorno à Terra-Santa · Força no Partido Republicano · Poder político significativo em Washington
  • Acordos de Abraão (2020)Mediação do governo Trump · Normalização com Emirados Árabes Unidos · Normalização com Bahrein · Normalização com Marrocos · Normalização com Sudão · Mudança geopolítica significativa · Compartilhamento de visão sobre ameaça iraniana · Cooperação em inteligência e defesa
  • Ataques Houthis Mar VermelhoHouthis atacando navios comerciais · Lançamento de mísseis e drones contra Israel · Resposta militar dos EUA · Bloqueio de rotas comerciais · Integração em eixo de resistência iraniana · Escalação de conflitos regionais
  • Impacto da Política dos EUAInvasão do Iraque em 2003 e consequências · Eliminação de inimigos de Israel · Criação de vácuo de poder · Expansão da influência iraniana · Hezbollah no Líbano · Houthis no Iêmen · Mudanças não intencionais na região
  • Mudança de paradigma e pensamentoAbandono da abordagem tradicional (two-state solution) · Priorização da normalização sobre negociações · Pressão indireta sobre palestinos · Crítica palestina aos acordos · Debate sobre efetividade · Diferentes visões sobre caminho para paz · Ausência de consenso estratégico
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Você já teve dificuldade para confiar em amigo? Pois é, esse episódio tem um pouco a ver com isso. O que eu vou te mostrar hoje é como que o poder da amizade pode ser usado como uma arma de guerra. Eu estou falando das relações políticas e econômicas entre Estados Unidos e Israel. Eu vou te explicar em detalhes como que é essa dinâmica. Meu nome é Vitor Soares, sou professor de história e seja muito bem-vindo ao História em Meia Hora. Para entendermos a relação entre Estados Unidos e Israel,

como que o Estado de Israel nasceu. E isso nos leva ao final do século XIX, a uma Europa marcada por um antissemitismo crescente. Em 1896, um jornalista austro-húngaro chamado Theodor Herzl publicou um livro chamado Der Judenstadt, que significa o Estado Judeu. Herzl era um homem secular, não era um judeu religioso. E ele havia coberto o julgamento do capitão Alfred Dreyfus, lá na França. Dreyfus era um oficial judeu falsamente acusado de traição,

e o Herzl ficou chocado com a intensidade do antissemitismo que o caso havia revelado. Sua conclusão foi dura e foi direta. Os judeus não seriam aceitos nas sociedades europeias. Então, para ele, a única solução seria a criação de um Estado judeu próprio, onde os judeus pudessem viver em segurança e em autodeterminação. Essa ideia ficou conhecida como sionismo, um nome derivado do Monte Sião, em Jerusalém. Esse monte é uma referência religiosa e cultural central para os judeus.

Inclusive, eu tenho um episódio aqui no feed do História Meia Hora sobre o sionismo. Depois se ouve lá. O movimento sionista cresceu muito nas décadas seguintes, com ondas de imigrantes judeus chegando à Palestina, que na época estava sob o domínio do Império Otomano. E após a Primeira Guerra Mundial, em 1918, ficou sob mandato britânico. Esse fluxo migratório criou tensões com a população árabe que já habitava a região. Tensões que, como veremos, nunca foram resolvidas. A Segunda Guerra Mundial e o Holocausto

alteraram completamente essa equação política. O extermínio de 6 milhões de judeus pelo regime nazista deu uma urgência moral à causa sionista. Criaram um ar seguro para os sobreviventes do Holocausto. Deixou de ser uma proposta política e se tornou, aos olhos de boa parte da opinião pública ocidental, uma obrigação humanitária. Em 1947, a recém-criada Organização das Nações Unidas votou um plano de partilha da Palestina,

É nesse momento que começa uma das histórias mais importantes da política internacional do século XX.

apenas simbólico. Ele foi uma declaração política de enorme importância e a sua velocidade diz muito sobre o que estava em jogo. A rapidez do reconhecimento dos Estados Unidos não foi acidental. E para entendê-la, precisamos olhar para vários fatores que se combinaram naquele momento histórico específico. O primeiro fator é humanitário e moral. O horror do holocausto está recente. Apenas três anos haviam se passado desde o final da Segunda Guerra Mundial. As imagens dos campos de

na memória coletiva. Havia uma pressão moral dentro dos Estados Unidos para que o país apoiasse a criação de um lar seguro para os sobreviventes. O Harry Truman, que tomou a decisão final, afirmou em suas memórias que a sua simpatia pela causa era pessoal e profunda. Ele havia crescido lendo a Bíblia e tinha uma identificação emocional com o povo judeu e também com a ideia de retorno à Terra Prometida. O segundo fator é político e doméstico.

numéricos. Era algo em torno de 2% da população, mas era extremamente influente em termos de ativismo político, contribuições eleitorais e uma presença na mídia e nas artes. O Truman estava às vésperas de uma eleição presidencial bem difícil, em 1948, e o apoio da comunidade judaica era relevante, principalmente em estados como Nova York, Pensilvânia e Illinois. Isso não significa que o reconhecimento foi apenas uma jogada eleitoral, mas a essa altura, você,

do História Meia Hora, já deve saber que raramente a política é movida por um único fator. A Guerra Fria estava começando e o Oriente Médio era uma região de enorme importância estratégica por conta das suas reservas de petróleo. Os Estados Unidos queriam garantir que os países da região não caíssem na órbita soviética. Nesse contexto, ter um aliado confiável e estável no Oriente Médio tinha um valor estratégico considerável. Israel vai nascer como um estado com orientação democrática ocidental, laços culturais,

com a Europa e com os Estados Unidos e o interesse óbvio em não se alinhar com a União Soviética. Vale mencionar que nem todo mundo dentro do governo dos Estados Unidos apoiavam esse reconhecimento. O secretário de Estado George Marshall, aquele do Plano Marshall, o Plano para a Reconstrução da Europa, se opôs veementemente, argumentando que reconhecer Israel provocaria os países árabes e prejudicaria os interesses dos Estados Unidos na região.

Estado. Essa tensão entre o apoio de Israel e os interesses norte-americanos no mundo árabe continuaria marcando a política externa norte-americana por muitas décadas. Um detalhe importante que frequentemente escapa de algumas análises mais superficiais da relação entre Estados Unidos e Israel é que ela nem sempre foi intensa e incondicional como parece ser hoje em dia. Nos primeiros anos após a fundação de Israel, os Estados Unidos mantiveram uma postura relativamente cautelosa,

tentando equilibrar o apoio ao novo Estado com a necessidade de não alienar completamente os países árabes da região. Durante a Guerra de Suez, em 1956, por exemplo, Israel se aliou à Grã-Bretanha e à França em uma operação militar para retomar o controle do canal de Suez, que o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser havia nacionalizado. A operação foi militarmente bem-sucedida, mas gerou uma crise diplomática muito grande. E aqui vem uma surpresa.

descontente com a ação e exigiu que Israel, França e Grã-Bretanha se retirassem do Egito. Eisenhower ameaçou impor sanções econômicas a Israel e chegou a ir à ONU contra os aliados europeus. Hoje em dia não dá nem para imaginar os Estados Unidos fazendo algo do tipo. Israel se retirou. Esse episódio mostra que nos anos 50, os Estados Unidos ainda não tinham compromisso fixo com Israel que caracterizaria as décadas seguintes. Eisenhower priorizava as relações com os países árabes moderados

que um apoio excessivo à Israel prejudicasse os interesses dos Estados Unidos na região, principalmente o acesso ao petróleo. Foi só na década de 60, sob o governo do John F. Kennedy, que os Estados Unidos começaram a fornecer armas sofisticadas à Israel de forma mais sistemática. Os primeiros mísseis antiaéreos Hawk foram vendidos à Israel em 1962, mas foi a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, que transformou definitivamente a percepção dos Estados Unidos sobre Israel.

Em apenas seis dias, Israel derrotou os exércitos combinados do Egito, Jordânia e Síria, capturando a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e as Colinas de Golã. Foi uma vitória militarmente impressionante que chocou o mundo e transformou o modo como a política tradicional dos Estados Unidos via Israel. De vítima vulnerável cercada por inimigos, Israel passou a ser percebido como uma potência militar capaz,

A guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, aprofundou ainda mais essa relação. Quando o Egito e a Síria atacaram Israel de surpresa, durante o feriado judaico mais sagrado, as forças israelenses sofreram perdas pesadas. O presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, autorizou uma ponte aérea de emergência, que enviou toneladas de equipamentos militares dos Estados Unidos a Israel, e tudo isso em tempo recorde.

Em resposta, os países árabes produtores de petróleo da OPEP declararam um embargo ao petróleo contra os Estados Unidos, criando a crise do petróleo de 1973 com filas quilométricas nos postos de gasolina dos Estados Unidos. E claro, um colapso econômico. O apoio a Israel tinha um custo real, mas os Estados Unidos decidiram pagar esse custo. Agora, para a gente entender por que essa aliança é tão sólida, é preciso olhar para ela como se fosse uma via de mão dupla.

Cada lado ganha com esse relacionamento. Do lado israelense, o que Israel recebe dos Estados Unidos é, em termos simples, fundamental para sua sobrevivência como Estado. O principal elemento é o apoio militar. Israel é o maior receptor de ajuda militar dos Estados Unidos da história. Desde 1948, os Estados Unidos forneceram mais de 150 bilhões de dólares em assistência a Israel. A maior parte em forma de equipamento militar e apoio à defesa.

e F-35, além de sistemas de mísseis Patriot, munição de alta precisão, tecnologia de defesa antimíssel e muito mais. Além disso, os Estados Unidos compartilham inteligência com Israel, cooperam em pesquisa e desenvolvimento militar e garantem o que os diplomatas dos Estados Unidos chamam de superioridade militar qualitativa de Israel sobre os seus vizinhos. Mas o apoio dos Estados Unidos a Israel não é apenas militar, ele também é diplomático. Nas últimas décadas, os Estados Unidos usaram

seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU dezenas de vezes para bloquear resoluções críticas a Israel. E isso deu a Israel uma proteção diplomática sem precedente. Nenhuma resolução condenatória aprovada pelo Conselho de Segurança tem força obrigatória se os Estados Unidos a vetarem. Essa proteção tem sido especialmente importante nas discussões sobre os territórios ocupados, além das construções de assentamentos na Cisjordânia e as operações militares em Gaza e no Líbano.

do estadunidense. O que os Estados Unidos ganham com a aliança é mais complexo e tem variado bastante ao longo do tempo. Durante a Guerra Fria, o principal ganho era estratégico. E Jael funcionava como um oásis pró-Ocidente numa região de enorme importância geopolítica. Quando Jael destruiu um reator nuclear iraquiano em 1981 e um reator sírio em 2007, ele estava, entre outras coisas, protegendo interesses dos Estados Unidos e de outros aliados ocidentais.

Estados Unidos precisassem se envolver diretamente. Também tem uma dimensão de inteligência muito importante. Israel tem um dos serviços de inteligência mais sofisticados do mundo, o Mossad, que opera em uma região onde a coleta de informações é difícil para os Estados Unidos. O compartilhamento de inteligência entre os dois países é extenso e beneficia os Estados Unidos em questões que vão muito além do próprio Oriente Médio. Da mesma forma, a indústria de defesa

dos Estados Unidos, e os dois países cooperam em pesquisa e desenvolvimento militar. Existe ainda a dimensão doméstica americana. O chamado lobby pró-Israel nos Estados Unidos é amplamente considerado um dos lobbies mais influentes de Washington. Quem é responsável por essa tarefa é o AIPAC, o Comitê de Assuntos Públicos Americano Israelense. O AIPAC monitora votos no Congresso, contribui para campanhas eleitorais e mobiliza uma base de apoio que vai muito além da comunidade judaica americana,

do Protestantismo evangélico, que veem o Estado de Israel através de uma lente teológica específica. A ideia de que o retorno dos judeus à Terra Santa é parte de um plano divino. Esse apoio evangélico se tornou relevante a partir dos anos 80, e é uma força política de peso considerável no Partido Republicano. Inclusive, no episódio exclusivo para os apoiadores do História Meia Hora lá na Apoia-se dessa semana, eu quero falar sobre a relação entre evangélicos e Israel. Se você quiser ouvir esse episódio,

e os outros mais de 200 episódios exclusivos que já tem por lá, é só assinar o apoia.se barra história em meia hora. Bem, nos anos 90, parecia que, finalmente, havia uma chance real de resolução do conflito Israel e Palestina, e os Estados Unidos estavam no centro dessas tentativas. Os acordos de Oslo, assinados em 1993 entre o governo israelense, liderado pelo Yitzhak Rabin, e a Organização para a Libertação da Palestina de Yasser Arafat, foram um momento histórico.

oficialmente a OLP como uma representante legítima do povo palestino. E a OLP reconheceu o direito de Israel à existência. A cerimônia de assinatura no gramado da Casa Branca, com o presidente Bill Clinton mediando o aperto de mão histórico entre o Rabin e o Arafat, ficou gravada para sempre na memória coletiva. Os acordos criaram a autoridade palestina e estabeleceram um processo de negociações em fases que deveriam levar, em última análise,

ao lado de Israel. Mas o processo logo começou a encontrar obstáculos. Em novembro de 1995, o primeiro-ministro Rabin foi assassinado por um extremista judeu-israelense, uma pessoa que se opunha ao processo de paz. Esse assassinato foi um golpe no processo, uma vez que o Rabin era o principal arquiteto israelense dos acordos e tinha credibilidade militar suficiente para convencer os israelenses de que fazer concessões não era fraqueza.

última tentativa de resolver esse conflito. As negociações de Camp David reuniram o primeiro-ministro Ehud Barak e Yasser Arafat durante duas semanas. Os estadunidenses propuseram um acordo que ia mais longe do que qualquer proposta anterior. Israel abriria mão de mais de 90% da Cisjordânia e a autoridade palestina teria controle sobre partes de Jerusalém Oriental. Barak aceitou os termos gerais. O Arafat rejeitou e não fez uma contraproposta.

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curiosidadezinha histórica aqui pra vocês. E é isso, gente. Eu também tenho camisetas. Essa aqui é a camisa do História Meia Hora. Uma junção do Lampião com o Akira. Olha aí que bonitinho. Quem pegou a referência, pegou. Tá vendendo lá no site do Blablalogia. Eu também tenho livros lançados. Esse aqui é o livro do História Meia Hora. E daqui a pouquinho vai sair mais um dessa coleção. E também tem o livro Oporão, que é um livro-jogo de História do Brasil, que eu fiz junto com o Giovanni Arsena.

Então é isso, gente. Muito obrigado. E agora, bora voltar pro episódio. Pessoal, os atentados do 11 de setembro de 2001,

e a guerra ao terror, declarada pelo governo Bush, mudaram ainda mais o cenário político. E o conflito Israel e Palestina passou a ser visto em Washington cada vez mais através da lente do terrorismo islâmico, o que favoreceu e muito a narrativa israelense. A invasão dos Estados Unidos ao Iraque em 2003 teve consequências profundas e não intencionais para a posição de Israel no Oriente Médio. Ao derrubar o Saddam Hussein, os Estados Unidos eliminaram um dos principais inimigos regionais de Israel.

Mas ao destruir o Estado iraquiano, eles criaram um vácuo de poder que foi pouco a pouco preenchido pela influência iraniana. O Irã, que no regime de Saddam tinha um contrapeso regional, expandiu a sua influência no Iraque, no Líbano, através do Hezbollah, na Síria e mais tarde no Iêmen, através dos Ruts. A partir dos anos 2000, o Irã se tornou a principal ameaça estratégica percebida por Israel. E esse é o eixo central da geopolítica regional de hoje em dia.

são diversas. Há uma dimensão ideológica. A República do Irã, fundada após a Revolução de 1979, que derrubou o Shah Pahlavi, adotou como um dos seus pilares fundacionais a hostilidade ao Estado de Israel. O líder supremo Khomeini e os seus sucessores nunca reconheceram a legitimidade de Israel e declararam publicamente que o Estado deveria ser destruído. Se liga só no que o pesquisador Ali Vaes vai dizer sobre o impacto da revolução no Irã.

Fecha aspas. Essa retórica não é apenas no discurso, é a doutrina oficial do regime.

Mas há também uma dimensão estratégica. O programa nuclear iraniano é a principal preocupação de Israel. Se o Irã desenvolvesse uma bomba nuclear, o equilíbrio estratégico regional mudaria totalmente. Israel tem uma política histórica de não permitir que nenhum país inimigo da região desenvolva a capacidade nuclear. E foi isso que motivou os chamados ataques preventivos ao reator iraquiano em 1981 e ao reator sírio em 2007.

uma ameaça existencial. Para os Estados Unidos, o programa nuclear iraniano também é uma preocupação séria, mas por razões diferentes. Washington teme que um Irã nuclear desencadeie uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio, com Arábia Saudita, Egito e Turquia potencialmente buscando as suas próprias capacidades nucleares. Washington teme também que o Irã use o guarda-chuva nuclear para expandir ainda mais a sua influência regional através de proxys,

como o Hezbollah e os Houthis. Em 2015, o governo Obama negociou o acordo nuclear iraniano, tanto com o Irã quanto com outras potências mundiais. O acordo previa limites ao programa nuclear iraniano em troca do levantamento de sanções econômicas. Para o Obama era um acordo pragmático, que afastava a ameaça nuclear imediata. Para o governo israelense, na época já do Benjamin Netanyahu, era um erro catastrófico. De acordo com ele, as restrições eram temporárias,

o Irã manteria a capacidade de enriquecimento de urânio. Netanyahu se opôs publicamente ao acordo, inclusive num discurso dramático ao Congresso dos Estados Unidos em 2015, onde ele criou uma tensão com o governo Obama. Em 2018, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos desse acordo nuclear iraniano e implementou sanções, a chamada política de máxima pressão. Israel, evidentemente, comemorou essa decisão. O Irã respondeu gradualmente, retomando o enriquecimento de urânio

em níveis cada vez maiores. Quando o governo Biden chegou ao poder em 2021, ele tentou renegociar o acordo, mas as conversas não produziram resultado. Hoje, o Irã está mais próximo de ter capacidade para construir uma arma nuclear, mais próximo do que qualquer momento da sua história. Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou o ataque mais forte contra Israel desde a sua fundação. Mais de 1.200 pessoas foram mortas, em grande parte civis, incluindo mulheres, crianças e idosos.

Aproximadamente 250 pessoas foram sequestradas e levadas para Gaza como reféns. O ataque foi planejado com sofisticação e coordenação, superando de forma dramática as defesas israelenses. A resposta israelense foi violenta, e Jael declarou estado de guerra e iniciou uma campanha de bombardeios sobre Gaza, e algumas semanas depois, uma operação terrestre. O conflito resultou em dezenas de milhares de mortos do lado palestino, em grande parte civis,

catástrofe humanitária de proporções imensas na faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, o Hezbollah, no Líbano, abriu uma frente no norte, trocando foguetes e ataques com Israel ao longo da fronteira, forçando a evacuação de dezenas de milhares de israelenses no norte do país. Os Estados Unidos responderam de forma imediata, dando apoio a Israel. O presidente Joe Biden viajou pessoalmente a Tel Aviv em outubro de 2023, num gesto de solidariedade simbólica. E os Estados Unidos também enviaram dois grupos de

batalha de porta-aviões para a região, demonstrando força frente ao Hezbollah e ao Irã. Washington aprovou pacotes de ajuda militar de urgência para Israel e usou seu veto no Conselho de Segurança da ONU para bloquear algumas resoluções que pediam cessar fogo. Mas o apoio dos Estados Unidos também gerou pensões domésticas sem precedentes. Manifestações em universidades e em cidades americanas protestavam contra o apoio dos Estados Unidos

Partido Democrata criticaram publicamente o governo Biden. Pela primeira vez em décadas, o apoio irrestrito a Israel se tornou um tema de divisão política significativa dentro do espectro político dos Estados Unidos. Por décadas, Israel e Irã travaram o que os analistas chamam de Guerra das Sombras, uma campanha israelense de sabotagem, assassinatos de cientistas nucleares iranianos e ataques cibernéticos ao programa nuclear iraniano,

e do Hamas, além de tentativas de atentados contra israelenses e judeus ao redor do mundo. Era uma guerra real com mortos reais, mas sem um confronto direto declarado entre os dois países. A situação mudou em abril de 2024. Após um ataque israelense que matou generais iranianos em Damasco, o Irã respondeu com algo sem precedentes na história, um ataque direto ao território israelense, lançando mais de 300 drones e mísseis.

atacou diretamente Israel, a partir do seu próprio território. Israel, com o apoio dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Jordânia, interceptou a grande maioria dos projéteis. Na prática, os danos foram pequenos. Israel respondeu alguns dias depois com um ataque a uma instalação de defesa aérea iraniana perto de Isfahan, próximo de onde ficam localizadas as instalações nucleares. A mensagem era clara. Israel tinha capacidade de atacar o Irã diretamente e tinha capacidade de atingir

alvos críticos. O Irã minimizou o ataque publicamente, mas a mensagem havia sido recebida. Ao longo de 2024, o conflito regional continuou se intensificando. Israel realizou operações contra o Hezbollah no Líbano, matando seu líder histórico, Hassan Nasrallah, em setembro de 2024. Os ruts no Iêmen continuaram atacando navios no Mar Vermelho e lançando mísseis e drones em direção a Israel. Os Estados Unidos responderam com ataques contra posições ruts no Iêmen.

O Oriente Médio vivia o seu momento de maior tensão em décadas. Nesse contexto, a coordenação entre Estados Unidos e Israel atingiu nível operacional completamente sem precedentes. Os Estados Unidos mantinham sistemas de defesa antimíssel na região, compartilhavam inteligência em tempo real com Israel e cooperavam na interceptação de ameaças iranianas. Ao mesmo tempo, o governo americano tentava conter Israel, principalmente em relação a qualquer possível ataque às instalações nucleares

iranianas. Para entendermos de forma completa a aliança Estados Unidos e Israel, é preciso reconhecer também as contradições e os debates que ela gera dentro dos Estados Unidos. A primeira grande contradição é entre os valores declarados da política externa dos Estados Unidos e a realidade prática. Os Estados Unidos se apresentam ao mundo como defensores do direito internacional, da autodeterminação dos povos e dos direitos humanos. Mas a construção contínua de assentamentos israelenses

na Cisjordânia, têm recebido, no máximo, críticas verbais de Washington. Nenhuma consequência real. A política dos Estados Unidos, nesse ponto, tem sido constante. Sempre declaram que os assentamentos são um obstáculo à paz, mas não fazem nada de concreto para detê-los. A segunda contradição é estratégica. Durante décadas, os Estados Unidos argumentaram que o seu apoio a Israel fazia parte de uma estratégia regional ampla de promoção da estabilidade do Oriente Médio.

incondicional a Israel, com toda essa frequência, acaba prejudicando outros interesses dos Estados Unidos na região, alienando países árabes, alimentando o anti-americanismo e dificultando bastante a cooperação em questões cruciais, como o contraterrorismo e o acesso ao petróleo. Também tem um debate crescente nos Estados Unidos sobre a própria natureza do apoio. A visão tradicional é que o apoio a Israel é um compromisso moral e estratégico inegociável.

mais jovem dos Estados Unidos, principalmente progressista, vê o conflito de forma muito diferente, com maior empatia pela situação palestina e maior disposição de questionar o próprio apoio americano. Algumas pesquisas de opinião mostram que o apoio a Israel entre jovens dos Estados Unidos, de 18 a 29 anos, caiu bastante após outubro de 2023. Esse debate interno é relevante para o futuro da aliança. Por enquanto, os mecanismos institucionais garantem a continuidade do apoio

independentemente de quem esteja na Casa Branca. Mas a política, como sempre, pode mudar. Uma dimensão subestimada da relação Estados Unidos-Israel dos últimos anos são os chamados Acordos de Abraão, mediados pelo governo Trump em 2020. Nesses acordos, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, o Marrocos e o Sudão normalizaram as suas relações com Israel, algo impensável décadas atrás, quando a posição oficial de todos os países árabes era de não reconhecimento do Estado Israelense.

Os acordos de Abraão representaram uma mudança geopolítica. Mostraram que o mundo árabe não era monolítico e que interesses estratégicos comuns podiam superar décadas de hostilidade formal. Israel e os Emirados, por exemplo, compartilham a visão do Irã como ameaça existencial e desenvolveram uma cooperação em inteligência e defesa que teria sido impensável anos antes. Os acordos de Abraão também representaram uma mudança na posição americana sobre o processo de paz.

tradicional foi completamente abandonada. A nova abordagem dos Estados Unidos, pelo menos sob Trump, era promover a normalização primeiro e esperar que isso criasse pressão sobre os palestinos para negociar. Os palestinos consideraram esses acordos uma traição. O debate sobre qual abordagem é a mais eficaz para promover a paz continua sem resposta consensual. Pessoal, eu vou recomendar três episódios aqui do podcast que você pode procurar aqui no feed do História Meia Hora e eles vão servir de complemento para esse episódio que você acabou

O primeiro episódio se chama Hamas. O segundo episódio se chama Sionismo. E o terceiro, Estados Unidos e Irã. Agora, bora fazer aquele resumão de um minutinho para você relembrar o que você aprendeu hoje? Vamos lá. Quando falamos na história dos Estados Unidos e Israel, estamos pensando em uma das relações políticas mais duradouras e estratégicas da política internacional contemporânea. O vínculo começou oficialmente em 1948, quando os Estados Unidos foram um dos primeiros países a reconhecer o recém-criado Estado de Israel.

envolveu com base em interesses geopolíticos, cooperação militar, afinidades políticas e muito apoio diplomático. Durante a Guerra Fria, Israel se tornou um aliado estratégico dos Estados Unidos no Oriente Médio, uma região marcada por disputas com países árabes, apoiados pela União Soviética. Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, a cooperação militar aumentou, com os Estados Unidos fornecendo ajuda financeira e muito armamento.

a existência militar norte-americana. Além da dimensão militar, a relação envolve cooperação tecnológica, científica e econômica. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos frequentemente utilizam o seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para proteger Israel de muitas sanções econômicas internacionais. Porém, a aliança também gera críticas e tensões, principalmente diante do conflito palestino-israelense e também da expansão de assentamentos na Cisjordânia. Mudanças de governos em ambos os países

mas o apoio estrutural permanece forte. Essa dinâmica recebeu mais um componente, que foram os ataques ao Irã em 2026, gerando uma reação em cadeia que pode nos levar a mais uma grande guerra regional. Mas isso já é um papo para uma outra meia hora.