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História do Japão

29 de junho de 202633min
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(EPISÓDIO REPOSTADO)

Esse episódio tem apoio da NordVPN! Desde mitos fundadores com Jimmu, até fatos tenebrosos como Massacre de Nanquim e Hiroshima e Nagasaki. Separe trinta minutos do seu dia e aprenda com o professor Vítor Soares (@profvitorsoares) sobre a História do Japão.-Para obter o melhor desconto em seu plano NordVPN - acesse nordvpn.com/historiaemmeiahoraSe você quiser ter acesso a episódios exclusivos e quiser ajudar o História em Meia Hora a continuar de pé, clique no link: www.apoia.se/historiaemmeiahoraCompre o livro "História em Meia Hora - Grandes Civilizações"!https://www.loja.literatour.com.br/produto/pre-venda-livro-historia-em-meia-hora-grandes-civilizacoesversao-capa-dura/Compre meu primeiro livro-jogo de história do Brasil "O Porão":https://amzn.to/4a4HCO8Compre nossas camisas, moletons e muito mais coisas com temática História na Lolja! www.lolja.com.br/creators/historia-em-meia-hora/PIX e contato: historiaemmeiahora@gmail.comApresentação: Prof. Vítor Soares.Roteiro: Prof. Vítor Soares e Prof. Victor Alexandre (@profvictoralexandre)REFERÊNCIAS USADAS:AQUINO, Rubim Santo Leão de. História das sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais.  Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2009.BOULOS, Alfredo Boulos Júnior. História: Sociedade e Cidadania – Volume Único, Ensino Médio. – São Paulo: FTD, 2011.KNOE, Tadateru. COMITÊ INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA. Hiroshima & Nagasaki – 70 anos depois, sobreviventes e suas famílias ainda estão gravemente feridos. 2015

Participantes neste episódio1
V

Vítor Soares

HostProfessor de história
Assuntos7
  • Comparacao Guerras HistoricasPrimeira Guerra Sino-Japonesa · Guerra Russo-Japonesa · Primeira Guerra Mundial · Segunda Guerra Sino-Japonesa · Pearl Harbor · Hiroshima e Nagasaki
  • Guerra e tecnologiaNova Constituição · Guerra Fria · Desenvolvimento tecnológico · Soft Power · Astro Boy · Animes · Nintendo
  • Equilíbrio entre tradição e modernizaçãoComodoro Matthew Perry · Abertura forçada · Imperador Meiji · Industrialização · Exército Nacional Japonês
  • Ascensão e Queda de ClãsClã Soga · Clã Fujiwara · Clã Taira · Clã Minamoto · Epidemia de varíola
  • Unificação e IsolamentoChegada dos portugueses · Armas de fogo · Nobunaga Oda · Hideyoshi Toyotomi · Ieyasu Tokugawa · Shogunato Tokugawa
  • Óscares 1956: Samurai 1Daimyos · Samurais · Japão Feudal · Shogunato · Yoritomo
  • Origens do JapãoPrimeiros vestígios humanos · Cultivo de arroz · Jimmu · Dinastia Yamato
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
VSVítor Soares

agenciadepodcast.com.br. Como que a tecnologia pode ajudar a reestruturar um país? Até que ponto uma nação pode mudar a maneira que pensava o passado? Essas são apenas algumas perguntas que podemos nos fazer quando estudamos com mais atenção a história do Japão. E esse episódio tá inserido numa série onde eu trato da história de determinados países. Tem da Rússia, do Brasil, de Angola, dos Estados Unidos e muito mais. Eu conto desde a sua origem até o mais próximo possível dos dias atuais.

É um resumão bem bacana se você quiser ter um panorama histórico geral sobre um determinado povo. Como sempre, quero lembrá-los que eu uso fontes e autores confiáveis, que você pode e deve consultar na descrição do episódio. A primeira coisa que precisamos fazer aqui hoje é analisar a origem da ocupação humana no território que atualmente chamamos de Japão. O Japão atual é formado por uma série de ilhas que ficam no leste do continente asiático.

E assim como outros países desse continente, a história do Japão é milenar. Por isso é comum vermos a divisão da sua história a partir de eras. Não sabemos com certeza quando foi que os primeiros humanos chegaram nessa região, mas podemos afirmar que os primeiros vestígios humanos encontrados datam de 13 mil anos antes de Cristo. Por ser uma ilha, parte dos habitantes daquele local ficaram no litoral para se alimentarem dos frutos do mar e dos mariscos que encontravam.

Só que outros agrupamentos preferiram migrar para o centro da ilha, pra ficarem mais perto das montanhas, e ali se sustentavam a partir da caça. Isso mostra pra nós que o desenvolvimento da população pela ilha foi bastante fragmentado, fazendo com que ao passar do tempo surgissem grupos maiores completamente independentes entre si. Foi durante esse período de formação que alguns arqueólogos afirmam que o arroz começou a ser cultivado na ilha, E não demorou muito para que esse alimento se tornasse a principal fonte nutricional daquelas pessoas e em seguida fosse entendido como um ativo muito importante economicamente.

Tanto a mitologia quanto a história nacional japonesa contam que o primeiro imperador da ilha foi um homem que conseguiu vencer algumas batalhas e unificar todos os grupos humanos em torno de si. No dia 11 de fevereiro de 660 antes de Cristo, Jimmu teria fundado o Império Japonês. E eu uso o termo teria porque não existe nenhum tipo de vestígio histórico provando a existência ou não desse primeiro imperador. Sendo um personagem histórico ou apenas mitológico, o ponto é que Jimmu fundou a dinastia Yamato.

E essa dinastia foi uma das mais poderosas e que conseguiu ficar no poder por mais tempo na história do Japão. Porém, mesmo que uma única família fique no controle do império, outros clãs começaram a crescer de forma gradativa e, pouco a pouco, também tentaram se aproximar da família real. Enquanto esses grupos cresceram, a dinastia Yamato ficou marcada por ser a responsável pela aproximação com outros reinos e impérios da Ásia, como as dinastias da Coreia e da China.

Essa troca cultural resultou no desenvolvimento do xintoísmo e do budismo no Japão, duas religiões extremamente importantes para esse país ao longo dos séculos. Politicamente, foi durante a dinastia Yamato que um desses clãs que estavam de fora do governo se aproximou até conquistar a confiança do imperador para serem designados como os responsáveis por administrar a ilha. O clã Soga foi essa família que ficou próxima da família real e conseguiu ocupar postos de poder.

Porém, essa proximidade com o governo acabou desagradando os outros clãs que que investiram em planos para desestabilizar essa relação. A coisa começou a ficar realmente complicada no ano 622 depois de Cristo, quando um líder do clã Soga foi assassinado e os membros do clã Fujiwara exigiram que, a partir desse momento, eles ocupassem a posição de administração da ilha. A mudança foi acatada e esse novo clã Fujiwara foi responsável por implementar uma série de mudanças políticas e legislativas.

Entre essas alterações, a principal foi a transferência de todas as propriedades que cultivavam o arroz para o governo. Ou seja, a partir de uma reforma administrativa, todo o cultivo de arroz passou a pertencer ao imperador. A ideia aqui era centralizar o poder imperial, mas o tiro saiu pela culatra. O governo Fujiwara foi impactado por uma epidemia de varíola na ilha, por volta do ano 735 depois de Cristo. Em pouco mais de 2 anos, praticamente um terço do país foi vitimado por essa doença.

E se não bastasse isso, o Japão também tinha que lidar frequentemente com terremotos, questão que, como você deve saber, existe até os dias atuais. Por mais que os Fujiwara se mantivessem no poder há bastante tempo, eles tinham uma linha política que se mostrou desastrosa. Em primeiro lugar, eles selecionavam alguns nobres para controlar terras que fossem afastadas dos seus próprios clãs. Era como se essas pessoas morassem na capital do Japão, mas administrassem terras a quilômetros de distância.

Além disso, os Fujiwara eram tão centralizadores que os historiadores como George Samson os chamam de ditadores hereditários, pois mesmo com as mudanças de governante, a forma de governar era quase a mesma. Quem explicou muito bem como o Japão passou de um governo forte e centralizado para algo mais dividido foi o historiador Emiliano Hunzer, ao dizer que, abre aspas, a estrutura administrativa e política do Japão, a partir de meados do século IX ao século X, gradativamente passou a ser controlada em unidades locais, os shōen, por famílias latifundiárias e fundações religiosas.

Cada uma dessas localidades começou a ter status jurídico e político, além de isenções fiscais, imunidade e autonomia diante do governo. Os camponeses nessas unidades começaram a ter a sua lealdade e trabalho voltado para o senhorio local, efetivamente tornando o Japão no século 10 num cenário desunido e fragmentado. A principal mudança desse processo era a maneira que a terra estava sendo administrada, sendo controlada por cada vez menos pessoas.

Como o nobre designado pra cuidar de um determinado pedaço de terra morava longe de suas posses, esses proprietários começaram a contar com o trabalho de um novo grupo que iria surgir no Japão, que eram os daimyos, os administradores de terras que pertenciam a outras pessoas. E é nesse ponto da história que entra uma figura muito importante pro nosso episódio de hoje, e consequentemente para a história do Japão e, por que não, para a história do mundo.

Eu tô falando dos guerreiros que posteriormente serão conhecidos como samurais. Pra proteger as terras dos seus senhores, os daimiôs vão começar a recrutar alguns guerreiros. Logo, pequenas milícias vão se formar em proteção àqueles territórios que foram divididos. Conforme os daimiôs conseguiam organizar grupos de guerreiros maiores e mais fortes, isso garantia não só a segurança do seu território, como também a possível conquista de áreas vizinhas.

Se no primeiro momento esses daimyos tinham milícias, conforme eles foram crescendo, podemos chamá-los com tranquilidade de exércitos locais. O aumento dessa força militar foi acompanhado de um acirramento político em torno da cúpula do governo japonês. As medidas tomadas pelo clã Fujiwara fizeram com que outros dois clãs entrassem na disputa pelo controle do Japão, e uma guerra entre eles se iniciaria, usando aqueles exércitos locais.

O clã Fujiwara começou a sofrer forte oposição de dois outros clãs que se juntaram com o objetivo de derrubá-los. Eu tô falando do clã Taira e do clã Minamoto, que uniram forças pra tentarem garantir algum tipo de protagonismo político. Como eles também eram detentores de terras e tinham seus próprios exércitos, as disputas que antes estavam apenas no âmbito político se desenrolaram também no campo de batalha. O ano de 1153 foi marcado pelo confronto entre esses 3 clãs pra definirem quem controlaria o Japão.

Na prática, os Fujiwara estavam sendo desafiados pelo clã Taira e Minamoto. Após alguns anos de intensas batalhas, os Fujiwara foram completamente massacrados e mortos. Um clã que dominou o Japão por alguns séculos estava sendo varrido de uma vez por todas da história. Só que depois de derrotarem os Fujiwara, os outros dois clãs estavam em um dilema: qual dos dois governaria o Japão? E em 1180, os clãs Taira e Minamoto iniciaram mais uma guerra civil no Japão.

Nesse segundo conflito, os Taira saíram vencedores, porém, diferentemente do que fizeram antes, não exterminaram o seu inimigo. E esse detalhe é muito importante, porque em pouquíssimo tempo os Minamoto conseguiram se reorganizar e derrubaram o clã Taira do governo. Isso aconteceu no ano 1185 e marca o início da história do Japão, que vulgarmente chamamos de Japão feudal. Como o termo feudalismo é um termo oriundo da Europa Ocidental, muitos historiadores discordam do uso dessa terminologia pra falar desse período do Japão, É importante ter isso em mente, beleza?

Após esse período conturbado de conflitos, um homem chamado Yoritomo, que era líder do clã Minamoto, assumiu o poder no Japão. E em 1192, Yoritomo recebeu do imperador do Japão o título de Shogun, que significa comandante do exército, ou até comandante dos comandantes. Durante todo esse tempo que eu narrei pra vocês, o país tinha um imperador. Mas ele não tinha poder ou muita influência política, era apenas um cargo representativo.

Quem comandava mesmo eram os líderes dos clãs que falamos até aqui. Uma outra coisa é que, a partir desse momento, podemos nos referir a esse período da história do Japão de Shogunato, que é o momento em que os shoguns lideraram o país. E quem ocupava o cargo de shogun era sempre algum guerreiro que havia lutado na guerra civil, Uma elite militar se formou e passou a ser conhecida como bushi, mas o nome mais popular é samurai.

Um samurai nada mais é do que um militar, um guerreiro que protege algum território. Politicamente, uma das primeiras medidas do Shogun Yoritomo foi mudar a capital do império para a província de Kamakura. No século XVI, as disputas internas tiveram uma sobrevida. E elas só se intensificaram com as chegadas dos portugueses no Japão em 1543, levando o catolicismo, novas embarcações e apresentando aos japoneses as armas de fogo.

Quando esse novo armamento entrou na jogada, os daimyos começaram a se armar melhor e ter mais condições de lutar contra os shoguns. Um dos daimyos que aproveitaram a situação foi um homem chamado Nobunaga Oda, que passou a conquistar diversas outras províncias do Japão. Nobunaga ficou tão poderoso que coagiu o imperador a trocar o shogun em 1553, colocando fim ao Shogunato Ashikaga. Mesmo com outro shogun à frente do Japão, Nobunaga continuou a conquistar mais territórios, com o objetivo de controlar a maior parte da ilha.

Conforme Nobunaga tinha sucesso em seu processo de conquista, o Japão caminhava para mais uma tentativa de centralização política. O legado de Nobunaga Oda para o Japão foi tão importante que ele é conhecido na história como o primeiro unificador do Japão. O problema é que isso deu a ele uma série de inimigos. Existiam outros personagens envolvidos nessa relação que sairiam extremamente prejudicados com uma unificação japonesa em torno de uma figura poderosa.

Alguns daimyos tentavam encontrar formas de furar a segurança de Nobunaga para matá-lo, obtendo sucesso em 1582. Após a morte de Nobunaga, uma nova onda de disputa entre os clãs começou na ilha. A primeira disputa era interna, dentro do clã Oda, que tinha na figura de Nobunaga a principal liderança. Um homem que vai ganhar um grande destaque em mais um período de instabilidade será Hideyoshi Toyotomi. Hideyoshi não era um parente próximo de Nobunaga, mas trabalhava pra ele como mais um dos seus generais.

Assim como Nobunaga, ele manteve a postura do clã Oda de conquista de terras para a unificação do Japão. Ele teve tanto sucesso nessa empreitada que ele é conhecido como o segundo unificador do Japão. Só que Hideyoshi teve uma postura um pouco diferente do Nobunaga naquilo que tinha relação com assuntos externos. Nobunaga Oda permitia a presença de alguns grupos cristãos no Japão e, até onde sabemos, ele não fez nenhum esforço para conquistar territórios fora da ilha, algo que Hideyoshi mudou completamente.

Nos anos finais do século XVI, o Japão, sob a liderança de Hideyoshi Toyotomi, iniciou uma campanha militar para a invasão do território chinês, que nesse período era governado pela Dinastia Ming. Esse avanço aos reinos vizinhos custou caro e Hideyoshi faleceu em 1598, colocando em risco a unidade do Japão. Uma estratégia adotada para evitar a fragmentação do Japão foi a criação de um conselho para comandar o país. O chamado Conselho de 5 Regentes era composto por Ieyasu Tokugawa, Maeda Toshiie, Moru Terumoto, o Uesugi Kagekatsu e o Kita Hideie.

A missão deles era governar o Japão em harmonia, mas se você conhece o mínimo sobre esse país, você já deve ter deduzido que isso não rolou. Em pouco tempo, os membros desse conselho começaram a conspirar uns contra os outros pra ver quem seria o novo líder do Japão, dando início a um processo que ficou conhecido como a Batalha de Sekigahara, Tendo como protagonista os nomes de Ieyasu Tokugawa e Ishida Mitsunari. A Batalha de Sekigahara é um dos momentos-chave do Japão.

Porém, esse foi um conflito que durou apenas um dia. Foi apenas no dia 21 de outubro do ano de 1600. Em algumas fontes, você pode encontrar que essa batalha ocorreu no dia 15 de setembro. Mas essa é uma data que usa como base o calendário antigo do Japão. Depois de um conflito extremamente sangrento, Tokugawa saiu como vencedor, mostrando que havia um novo líder no Japão, sendo alçado ao patamar de um herói nacional, e ele ficou conhecido como o terceiro unificador do Japão.

No ano de 1603, Tokugawa recebeu o título de Shogun do imperador Go-Yozei, e a partir desse momento, o Japão entrou em um período muito importante da sua história. O Shogunato Tokugawa, que durou mais de 260 anos, sendo um dos governos mais longos do Japão, conhecido também como o Período da Paz Ininterrupta, entre os anos de 1603 e 1868. Uma das principais características desse período é que ele foi extremamente isolacionista, ou seja, em muitos sentidos o Japão estava isolado do resto do mundo.

Impedindo não só o comércio com outros países, mas também viagens de japoneses pra fora e até a entrada de estrangeiros em terras japonesas. No século 19, principalmente a partir de 1850, muitos países europeus dominaram econômica, política e militarmente outros países, principalmente países da África e da Ásia. As coisas no Japão começaram a mudar em 1853, Quando o comandante dos Estados Unidos, Matthew Perry, chegou no litoral do Japão com alguns navios e caminhões pra negociar.

Negociar entre aspas. O comandante Perry estava levando uma mensagem do presidente dos Estados Unidos dizendo que queria que o Japão abrisse seus portos pra negociar e fazer comércio com os Estados Unidos. Caso contrário, os estadunidenses iriam bombardear a ilha. Todo esse processo de abertura forçada do país foi visto com muita negatividade por parte dos japoneses. Quanto mais os países estrangeiros entravam no Japão, mais a população se revoltava, tanto contra os próprios estrangeiros quanto contra os shoguns, que pra eles não foram fortes o suficiente e permitiram que o país se atrasasse e fosse subjugado.

A população japonesa passou a propagar a seguinte mensagem nas ruas: Rejeite os bárbaros e reverencie o imperador. E os bárbaros são os estrangeiros, né? A pressão contra os shoguns cresceu e eles foram obrigados a implementarem uma série de reformas no país, começando com questões militares, com o apoio dos Estados Unidos, França e Inglaterra. Em 1867, o imperador Komei morreu e o seu filho assumiu o trono no ano seguinte. Nesse meio tempo, a pressão contra o Shogun foi tão grande que ele renunciou ao seu cargo, devolvendo novamente o poder ao imperador.

O filho do imperador Komei se chamava Mitsuhiro e se tornou imperador aos 14 anos. Com a renúncia do Shogun, em 1868, os poderes foram devolvidos ao imperador, que passou a se chamar Meiji. E se você conhece um pouco mais da história do Japão, você sabe que o período analisado a partir de agora será a Revolução Meiji, período em que o Japão passou por reformas profundas. O primeiro desafio do jovem imperador foi lidar com uma guerra civil envolvendo o clã Tokugawa, que não queria abrir mão do poder.

Em 1869, o imperador conseguiu vencer os shoguns rebeldes e assim consolidou o seu poder político. Sem os Tokugawa, uma reforma na distribuição de terras foi feita, organizando o território japonês em 47 prefeituras. Além dessa transformação política no território japonês, o Imperador Meiji também trouxe para o país diversas mudanças na economia japonesa, abrindo o Japão para a industrialização que já havia acontecido em toda a Europa.

O salto que esse país deu em tão pouco tempo foi absurdo e muito motivado inicialmente pelo próprio Estado, que colocou muitos recursos em desenvolver o transporte, como linhas de ferro para trens, e facilitar e deixar o transporte em geral mais barato. Depois desse investimento inicial do Império, empresas privadas conseguiram se tornar viáveis com mais facilidade. Outras políticas que o Imperador Meiji vai passar a adotar no Japão também influenciarão e muito a cultura japonesa.

Através da unificação do poder político no Imperador Meiji, Algumas políticas adotadas por ele tiveram o objetivo de consolidar a mentalidade dos japoneses como membros de uma mesma nação. E pra isso, as diferenças culturais que vinham dos clãs e dos feudos precisaram deixar de existir, usando 3 pilares para consolidar esse processo: educação, religião e exército. Um dos símbolos desse processo foi a criação do Exército Nacional Japonês, algo que não existia antes.

A partir desse momento, o alistamento nas tropas deveria ser obrigatório e todo jovem deveria servir o exército por pelo menos 3 anos. Além do serviço obrigatório, o exército japonês começou a fazer intercâmbio com outros países pra ser treinado por oficiais mais experientes. Beleza, mas e os shoguns? Nessa reforma do Exército Nacional Japonês, Os samurais foram dos principais afetados. A partir da criação das tropas, os samurais perderam o direito de andar com armas publicamente.

Eles tiveram que pagar impostos ao imperador e passaram a ser proibidos no Japão. Um samurai chamado Saigo Takamori liderou uma batalha contra o exército nacional em 1877, contando com a vitória das tropas do imperador. E esse evento foi importante porque o imperador passou a usar a vitória como incentivo para investir ainda mais no exército. Uma frase passou a ser dita com bem mais frequência: Enriqueça o Estado e fortaleça as forças armadas.

A Revolução Meiji foi importante porque colocou o Japão no cenário internacional no final do século 19, em um período que outras nações estavam passando por um processo de consolidação do seu nacionalismo. E em alguns casos de imperialismo europeu, e o Japão escolheu seguir por esse lado. Após o período de modernização, o Japão teve um grande crescimento econômico e industrial, passando a ser necessário ter o controle de reservas minerais que eles não tinham a capacidade de comportar.

Um político chamado Tarui Tokishi desenvolveu em 1880 algumas propostas de anexar a Coreia ao Japão, e formar um novo país que seria chamado de Grande Oriente. O problema é que naquele momento a Coreia estava sendo controlada pelos chineses. Pra libertar, entre aspas, a Coreia e colocá-la sob a sua influência, o Japão iniciou uma guerra que ficou conhecida como a Primeira Guerra Sino-Japonesa, começando ainda em 1894 e indo até o ano seguinte.

Esse conflito é o marco inicial do expansionismo japonês, ou também podemos dizer que é o início do imperialismo japonês. A vitória dos japoneses se deu ao entrarem na China e conquistarem a região da Manchúria e Taiwan. Um país que ficou extremamente preocupado com esse avanço japonês foi a Rússia, e logo entrou em uma guerra contra os japoneses em 1905. E contrariando todas as expectativas da época, o Japão venceu a guerra contra a Rússia, se estabelecendo como uma nova potência em ascensão.

Logo em seguida, a força dos japoneses foi testada na Primeira Guerra Mundial, a Grande Guerra, que ao lutar ao lado dos vencedores exigiu os espólios de guerra, mas eles não foram dados. Essa recusa e o tratamento com inferioridade fez com que os japoneses nutrissem um sentimento de revanchismo contra a comunidade internacional, fato que só aumentou o nacionalismo radical do país. O governo incentivou políticas em que o Japão deveria se sobrepor em relação aos outros países, e na década de 1930, a principal vítima foi a China, sendo invadida no ano de 1937, quando os japoneses simularam um ataque em uma ponte chamada Marco Polo.

Esse foi o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa, que terminaria apenas em 1945, com o final da Segunda Guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão protagonizou momentos importantíssimos, como por exemplo o ataque à base de Pearl Harbor, no ano de 1941, que acabou colocando os Estados Unidos no conflito, E em 1945, foi vitimado pelas bombas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O saldo do período de radicalismo nacionalista e das duas guerras mundiais foi a completa destruição moral e econômica do país.

O Japão depois da Segunda Guerra buscou transformar toda a sua base política e produtiva. Um dos pontos de virada do Japão durante esse período foi a criação de uma nova Constituição sob a supervisão dos Estados Unidos. E esse ponto é importante porque a nova Carta Magna reconheceu os erros do país no século 20 e, por agora estar ligado aos Estados Unidos, o Japão serviu como uma espécie de vitrine do capitalismo durante a Guerra Fria.

Nesse sentido, o Japão se modernizou e, no médio prazo, a produção industrial de base do Japão durante a década de 50 dobrou em relação ao patamar anterior à guerra. Um dos setores mais beneficiados nesse processo, sem dúvidas, foi o setor tecnológico, que inclusive acabou se tornando uma das maiores características do próprio Japão. Não tem como falar de história do Japão sem falar de tecnologia. Durante o século 20, o país foi o maior expoente tecnológico do mundo, principalmente na produção de eletroeletrônicos.

Isso permitiu que o Japão se reconstruísse economicamente, Pra você ver o poder da tecnologia. E é justamente por esse motivo que esse episódio é patrocinado pelo NordVPN. Se você assiste alguma série, filme ou evento esportivo que não tá disponível no seu país, com o NordVPN você pode simplesmente mudar a localização pra qualquer país que ele estiver disponível. E ó, você sabe que dependendo de onde você estiver, os preços dos hotéis, dos voos, eles mudam, né?

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Obrigado, NordVPN! Mas voltando ao assunto, gente, a segunda metade do século 20 no Japão foi marcada por um retorno a algumas bases sólidas que tiveram nesse desenvolvimento tecnológico um parceiro seguro. Em primeiro lugar, os investimentos em educação se tornaram um dos maiores do mundo, ao lado de políticas que chamamos de soft power, por usar elementos culturais e tecnológicos para passar uma imagem positiva para o cenário externo.

Em 1963, um homem chamado Osamu Tezuka criou o personagem Astro Boy, e ele foi um grande sucesso nos Estados Unidos, mostrando que o Japão poderia usar esse recurso para entrar nos lares ao redor do mundo. No início dos anos 80, as exportações para o mundo todo de programas de televisão japoneses eram em sua maioria animes. Nos anos 80, grandes animes surgiram como Dragon Ball, Super Campeões e Guerras das Galáxias. No Brasil, a série Cavaleiros do Zodíaco abriu as portas para a entrada de animes para TV aberta, e em 1994, a Rede Manchete começou a exibir os episódios da série.

O soft power japonês ligado à cultura pop é tão forte até hoje que muitas pessoas começam a se interessar mais pelo Japão porque passam a gostar dessas obras. Além disso, o ramo tecnológico continuou crescendo no país e foi usado nessa mesma lógica. Empresas como Nintendo e Konami fizeram fãs ao redor do mundo e colocaram o Japão na lista de países mais populares entre jogadores de diferentes videogames. O objetivo final do uso desse recurso era fazer com que o Japão continuasse a ser visto como um país pacífico, moderno e amigável a todos os públicos, entendimento que é reforçado pelas contínuas descobertas tecnológicas e científicas que o país apresentou ao mundo nos últimos anos.

Pessoal, eu quero recomendar 3 episódios que estão aqui no feed do Estranho em Meia Hora, e eles vão servir de complemento pra esse episódio que você acabou de ouvir, beleza? O primeiro se chama Japão Depois da Segunda Guerra, o segundo se chama Batalha de Sekigahara e o terceiro se chama Mitologia Japonesa. E agora bora fazer aquele resumão de 1 minutinho pra você relembrar o que você aprendeu hoje? Vamo lá! Quando falamos na história do Japão, estamos pensando em um país que tem uma história milenar e, apesar de ter um território relativamente pequeno, conseguiu estar envolvido em uma série de eventos marcantes.

Um dos primeiros desafios que o Japão enfrentou foi se manter unido, em um momento que diferentes senhores de terra ou guerreiros tentavam dominar a política. Depois de um longo período em que as disputas pela terra ditaram o ritmo da política, a Batalha de Sekigahara colocou um novo clã no poder e deu ao país um período de paz. Essa tranquilidade, entre aspas, foi conquistada através de um isolacionismo, que chegou ao seu fim durante a Revolução Meiji, que modernizou as bases do Japão e o colocou como uma das nações que mais ascendia em toda a Ásia, mesmo que isso tenha acontecido a partir de políticas nacionalistas radicais.

Esse período conturbado colocou o Japão em guerras mundiais que destruíram a economia e a própria identidade dos japoneses, que tiveram no desenvolvimento econômico, político e tecnológico mágico, uma nova chance de se apresentar ao mundo. O caso japonês é um ótimo exemplo de como o desenvolvimento humano nem sempre é linear, mas que com as bases corretas pode trazer muita prosperidade para as pessoas. Por outro lado, esse tipo de movimento acaba fingindo que um passado terrível nunca existiu, e basta dar uma pesquisada sobre o Massacre de Nankin que você verá um lado bem obscuro do Japão.

Mas isso já é um papo pra uma outra meia hora. Senhores, muito obrigado por terem ouvido até aqui. Meu nome é Vitor Soares, eu sou professor de história e você acabou de ouvir o História em Meia Hora. Segue a gente aí na sua plataforma de áudio favorita pra não perder nenhum episódio. Se você estiver ouvindo no Spotify ou na Apple Podcast, avalia o nosso podcast aí com 5 estrelinhas, tá bom? Quero lembrá-los também que a melhor forma de apoiar o podcast é assinando o nosso Apoia.se, tá bom?

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Se você tiver a fim de ouvir um podcast mais de humor, mas que também tenha temática histórica, ouça o meu outro podcast, é o História Pros Brother. Ouve lá depois que eu acho que você vai gostar. Eu também crio conteúdo pro TikTok, Instagram, Twitter, tudo no @profvitorsuares. É o meu perfil pessoal, aproveita e segue ele também. Então é isso, gente, muito obrigado, um beijo, até semana que vem e valeu!

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