Episódios de Programa Independência

Por que o adicto limpo ainda sofre?

03 de maio de 20262h26min
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Temáticas:

• 7º Passo

• O solitário

Capítulos:

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Músicas

1:52:26

#alcoolismo

#adicção

#recuperação

#12passos

Assuntos9
  • Os 12 Passos e a RecuperaçãoA importância do primeiro passo · A prática dos passos do 2 ao 12 · O quarto passo: descoberta dos defeitos de caráter · O quinto passo: exposição e dor · O sexto passo: contrariar os defeitos de caráter · O sétimo passo: humildade e rendição · O décimo primeiro passo: prece e meditação
  • A Prática Diária do ProgramaA importância de praticar o programa consistentemente · A diferença entre dor e sofrimento · A prática do programa como chave para a recuperação · Nunca é cedo demais para determinar a prática diária
  • Adoção e RecuperaçãoDiferença entre estar limpo e em recuperação · O sofrimento do adicto em uso · O fundo do poço como libertador · A maravilha dos 30 dias · Ciclo de internações e perda de tesão pela recuperação · A importância da prática do programa
  • Aceitação da Realidade e Autorregulação EmocionalA vida não é perfeita, conformidade com a realidade · Frustração e expectativas na recuperação · A recuperação traz para a condição humana · Viver a vida como ela é, com altos e baixos · Evitar o descontrole emocional · O caminho do meio e a moderação
  • A Doença da Adicção e Defeitos de CaráterAdicto seco vs. adicto em recuperação · Defeitos de caráter como causa do sofrimento · A adicção como doença mental/emocional · A importância de identificar a verdadeira doença
  • Humildade e Honestidade na RecuperaçãoHumildade como requisito básico para a recuperação · Honestidade além da questão financeira · A dificuldade em pedir ajuda e admitir não saber · Ver o real tamanho humano, nem pior nem melhor
  • O Recém-Chegado e a TransiçãoA transição da maravilha dos 30 dias para a realidade · Expectativas do recém-chegado sobre a recuperação · A necessidade de trabalhar os passos para ser feliz · Bem-vindo ao mundo real
  • Solidão na Recuperação e Busca por GruposExperiência de solidão em alto mar · Dificuldade em encontrar reuniões em locais remotos · A importância de passar adiante o que se aprendeu · A filosofia de vida do programa como norte
  • Identidade e Autoestima
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Música

Está começando o programa Independência, a voz da recuperação. Aqui você encontra informações sobre alcoolismo, dependência química, codependência, dependências emocionais e outros assuntos correlatos. Com vocês, Marco Melo.

Marco Melo sou eu. Sejam todos muito bem-vindos e sejam todas muito bem-vindas, companheirinhos e companheirinhas, a mais um programa Independência. Você já está no ar e o programa Independência dessa semana já chegou com tudo. Beleza?

O tema de hoje, por que o adicto limpo ainda sofre? É uma questão que muitos adictos em recuperação pensam. E também já me perguntaram por que acontece isso. Marcão, me ajuda aí. Então vamos ver se a minha experiência pode ajudar um pouquinho vocês aí nesse tema de hoje. Beleza, maravilha, tamo junto. Então vamos ouvir um som. Já já a gente volta com o programa desta semana.

Irmão, pega a visão da recuperação

Uso compulsivo é adicção. Entenda, é doença. Incurável, progressivo e fatal. Mas você não precisa morrer, tem saída. Doze passos é o que nos sustenta. Irmão, pega a visão da recuperação.

Levanta a mão na terceira tradição Se renda as evidências, assuma as consequências Faça uma reparação Com seu pai, sua mãe, seu irmão Isso é recuperação Irmão!

Pega a visão da recuperação. Substância alteradora nunca deu certo não. Cuidado com clínica, cadeia e caixão. Entre logo em recuperação.

Joia, joinha, beleza. Voltamos com o programa Independência. O tema de hoje, por que o adicto limpo ainda sofre? Caramba, que questão, hein, velho? Poxa, por que, velho?

Não tem uma nova maneira de viver? Essa maneira de viver não tem que ser de qualidade, com alegria, com satisfação, com alguns vislumbres irrompantes de felicidade, porque felicidade plena nesse mundo de provas e expiações é impossível, tá gente? Mas a gente pode estar entre um sofrimento e outro, vislumbrar alguma felicidade estando em recuperação.

E aí que vem a grande questão, o adicto que ainda sofre mesmo limpo, ele está em recuperação? Falamos sobre isso em um programa aí do passado, qual a diferença entre estar limpo e estar em recuperação. Então vai ouvir esse programa que você vai entender um pouco dessa pegada.

Só que o programa Independência de hoje está falando do adicto que ainda sofre e geralmente a gente atribui o adicto que ainda sofre àquele cara que está no uso ou então o recém-chegado. Primeiro ponto que a gente tem que deixar bem claro.

Provavelmente o adicto que está no uso não está sofrendo porque ele está entorpecido. E eu vou falar isso por experiência própria. Eu demorei 43 anos para descobrir que eu era o adicto que ainda sofria, negão. Porra!

Essa que é a real, entorpecido, bêbado, drogado, como que eu ia saber que eu tava sofrendo? Mesmo porque sofrimento pressupõe a existência de sentimento. O sofrimento é um sentimento, velho. E o que a droga faz com o cabra, mano?

Meu, zera, pela o sentimento do rapaz, da rapazota. É isso que acontece, negão, pô. Então, velho, geralmente o adicto que tá no uso não tá sofrendo ou não sabe, né? Na verdade, a real é essa.

Ele não é que ele não tá sofrendo. O você de você sofre. Só que o cara que tá no comando da carroça é o ego. E o ego não tá querendo saber de sofrimento. O euzinho dele tá lá, escondido. A criança assustada tá sofrendo, não tenha dúvida. Mas, velho, as camadas protetoras que a gente coloca em volta faz com que a gente não acesse esse sofrimento.

Muitas vezes o problema do uso é justamente esse. Nós vamos usando até que essas camadas protetoras, essas armaduras de personalidade, fiquem tão arraigadas, tão fortes, tão cistificadas, que a gente não percebe que está sofrendo.

Por isso que eu falo que o fundo do poço é um lugar libertador. Porque a hora que a gente bate lá no fundo, sabemos que tem uma pata, sempre dá pra cavar mais, vocês estão careca de saber isso. Mas vamos falar, aquele fundo de poço que é uma mola, velho.

O fundo do poço tem uma mola também. Não é só pá que tem lá no fundo. Se o cara entender essa pegada e aquele sofrimento finalmente sair daquela casca que você estava protegendo e mostrar que ele existe, aí sim. Aí o fundo de poço vira mola, vira transformador. Foi o que aconteceu comigo, velho. Só que eu demorei, como eu falei, 43 anos pra perceber isso.

O sofrimento, ele vinha de uma forma assim de, ah, meu, eu sofro quando eu não tenho a substância. Eu sofro quando eu tô sem dinheiro. Eu sofro quando eu estou sem as coisas que me dão prazer. Sexo, comida e, no caso, muita droga e muito rock'n'roll. Então eu fiquei vivendo nessa balada eterna. Mano do céu, que balada eterna, velho. Olha, velho, talvez seja por isso.

Que eu hoje em dia não quero saber de balada, velho. Pouco eu ouço sons que eu ouvi. Apesar de eu gostar muito de rock and roll. Eu gosto muito de música, né, velho. Mas, brother, eu tô saturado de tanta zoeira. Ah, deu pra mim, sabe. Chega, chega. Deu, deu. Chega, não quero mais e cansei.

Velho, enquanto não cansar, o cara vai ficar martelando nessa balada eterna. É eterna, man. Eterna. Poperô, mano, eterno.

E aí, vamos falar de sofrimento. Só que já já a gente vai chegar no adicto limpo, tá, velho? Eu comecei falando do adicto no uso e esse processo de despertar espiritual primário. Eu falei dois programas anteriores sempre sobre o primeiro passo. Vocês repararam, né, que o primeiro passo está recorrente aqui no programa. Porque, velho, primeiro passo essencial pra gente continuar limpo, nego.

Tudo bem, eu vou falar isso no Adicto Limpo daqui a pouco, que só pratica o primeiro passo.

E é por isso que ele ainda sofre. Então, já logo no começo do programa, aquela velha história que mata a cobra e mostra a madeira. A madeira é essa, velho. O adicto que ainda sofre, na verdade, que estiver limpo, né? É porque ele tem duas coisas terríveis. E são dois programas independentes que eu falei só isso. Um é o programa independente que fala sobre teimosia e o outro é o que fala sobre obediência ou...

Pior, né? O oposto disso, desobediência. É sobre isso, tá? A real, no final das contas, é isso que a gente vai chegar à conclusão. Mas, a teimosia e a desobediência vão trazer a falta de prática do programa. Então, aqui, a gente vai ter que falar não do primeiro.

Porque o primeiro a gente já falou bastante nos últimos dois programas de independência. Agora a gente vai falar do 2 ao 12. Os outros 11 passos que é a diferença entre sofrer e não sofrer. Vamos pincelar isso daqui a pouco. Mas vamos continuar falando um pouquinho do adicto que estava no uso.

E a mola pulou direto do fundo do poço para uma sala anônima. Velho, que alegria. E aí vem o que a gente chama de a maravilha dos 30 dias. Óculos cor-de-rosa.

Tudo é uma maravilha. Aqueles caras são sensacionais. Aquelas minas são show de bola. Eles vieram do mesmo lugar onde eu estava. E eles estão limpos. Eles estão com uma nova maneira de viver. Eu sou um recém-chegado. Eu estou muito feliz. Esse programa vai resolver todos os meus problemas. Os problemas da minha família. Os problemas da minha empresa. Quem sabe os problemas do Brasil e do mundo.

Já sentiu isso, companheiros? Eu tenho certeza que vocês já perceberam isso quando vocês chegaram. Se vocês se encantaram com um programa de 12 passos como eu me encantei, então vocês viveram a maravilha dos 30 dias.

Os primeiros 30 dias, tá certo, 30 dias também é um... Nossa senhora, é sudorese, é desespero, é vontade de usar, é sistema inibitório totalmente zoado. Meu, então aquela maravilha, maravilha também tem os seus percalços.

Digamos que os três, até pegar as três primeiras fichas, seja lá qual for a irmandade que você se afiliar, velho do céu. Não é brincadeira de criança. Por isso que internação também funciona por esse motivo. Você tranca o cabra e ele vai ficar três meses lá pelo menos, né? Bem na fase mais difícil. Medica o cara, terapia, pá pá pá, reunião de sentimento, laborterapia.

Aquela coisa toda que quem já foi internado tá careca de saber. Agora, vamos parar com esse negócio de internação quando ela vira uma coisa recorrente, né, velho? Uma vez, beleza. Segunda vez, pô, teimou, né, meu? Não, vou tentar de novo. Terceira vez, beleza. Chega, velho, chega. Depois da terceira, sabe o que acontece? Eu tava falando com um afiliado meu muito amado, cara, sobre isso. Ele teve várias internações.

E aí ele perdeu o tesão da vida, ele perdeu a alegria de viver. Tá certo que no dia seguinte ele já falou, não, padrinho, eu já tô ótimo hoje e tal. Então, a gente é muito bipolar, né? Um dia a gente tá numa angústia danada achando que a gente perdeu a alegria de viver. No outro dia a gente pode tá alegre de novo e tal, tal. Beleza. Mas qual é o conceito que eu tô querendo trazer pra aquelas pessoas que têm muitas internações?

Vai perdendo tesão pela recuperação. Vai achando, primeiro, que tudo bem, eu uso e volto para a internação, porque vira um ciclo. Internação faz parte do processo do cara. Então o cara vai, sai da internação, fica um tempo limpo, que varia de cara para cara, ou de mina para mina, e aí existe a possibilidade, já que já tiveram várias internações lá.

Vou dar uma usadinha e a minha família me interna de novo. Ou eu me interno de novo, caso eu seja totalmente autossuficiente. Coisa rara e um adicto nativo, tá? Porque autossuficiência psicológica todos somos. Mas autossuficiência financeira a ponto de conseguir pagar sua própria internação, raríssimos são os casos e vocês sabem muito bem do que eu tô falando.

Porque a dilapidação material que um adicto nativo faz na vida dele é incrível, incrível. É falência total, velho. Então tá. Por que eu cheguei nesse ponto? Porque eu tô falando daquele adicto que fica tendo internação, uma atras de internação, e isso acaba virando um padrão. Não é recuperação, tá? Vamos falar real.

Esse períodozinho que ele fica limpo em função de recuperação, depois às vezes sai. Já conheceu até o programa de 12 Passos, se ingressou em NA, em AA ou alguma outra demandade anônima. Beleza, velho. Agora, tá em recuperação um cara desse que tá nesse ciclo aí de várias internações. E olha, eu não tô falando que se você tem várias internações que você não vai ficar limpo, hein, velho. Que você não vai encontrar uma nova maneira de viver porque esse programa é fantástico.

Ele funciona de verdade. A hora que você entender essa parada, esse ciclo aí vai acabar. Agora, cada vez que o cara interna de novo, sai e usa, interna de novo, sai e usa, ele tá ampliando a sua dificuldade de continuar limpo.

E ele precisa se conscientizar disso logo. Senão, velho, vai virar cliente de clínica, mano. Pelo amor de Deus, você quer ser o ré da vida? Cliente de clínica, mano. Como se fosse vantagem. Ó, eu sempre falo que, meu, a internação foi maravilhosa pra mim. Funcionou muito bem, velho. Eu entendi ali, pá, não sei o quê. E a partir de então eu não usei mais droga, velho.

Meu, pra mim. E outra. Nunca tinha cuidado de mim. Comecei a olhar pra mim. Nunca tinha pensado em várias coisas que o programa traz. Comecei a pensar. Nunca tive tempo de escrever, de ler, de ficar de boa. De tomar um sol na piscina. Claro que na Uno Uso. Eu ia pra praia. Eu ia pra piscina. Não é isso.

Só que, meu, eu não tava ali. Eu não estava dentro de mim de verdade. Eu estava num lugar tão escondido dentro de mim que eu não me percebia, velho. Eu era puro ego. É que nem a música Cego Ego do Rodrigo Dias, mano. O Cego Ego é esse cara, velho. Ele virou o bobo da corte. Era o bobo que tava indo na praia, na piscina, ou seja, lá onde eu estivesse. No teatro, no cinema, velho.

Era um outro cara, a real é essa, era um outro cara que tava lá e não era eu. Na internação, limpo, por algumas 24 horas, a gente começa a pensar com a própria cabeça. O eu começa a submergir da minha personalidade, velho. Finalmente, eu pude malhar do jeito que se malha, limpo, sóbrio.

Tomar um sol, escrever, velho. Nossa, eu tinha a ilusão de que eu era um puta de um escritor. E aí hoje eu sei que eu não sou, sabe? Mas eu gosto de escrever. E na internação, a hora que a minha mente voltou, eu achava que eu precisava usar erva. Eu era daqueles tipos de escritor soturno que precisa estar bêbado e maconhado pra poder escrever.

E só, não é que tudo que eu escrevi é ruim, tá, velho? Mas às vezes eu leio umas paradas que eu escrevia. Cara, que distorção da realidade. Que cara mais pessimista. Que coisa nojenta, velho, que eu era. E depois disso, essa esperança, porque veio. A maravilha dos 30 dias. Vamos falar a verdade. A maravilha dos 30 dias é sensacional. E como eu tava internado nesses primeiros 30 dias...

Apesar de ter craving, ter fissura, querer pular o muro daquela porra. Velho, mas eu não fui, velho. Eu não fui que nessa briga do demônio interior com o anjinho interior, o anjinho acabou ganhando. Eu acabei dando voz à razão, à espiritualidade que eu tinha dentro de mim. Ela falou, mano, não adianta, velho.

Não adianta, eu tinha aceitado que eu era impotente perante minha doença, velho. Eu tinha aceitado que eu tinha perdido o domínio da minha vida, embora com três meses eu contei, eu voltei ao uso, tá? Mas eu fui testar, né? Porque a minha autossuficiência e arrogância e prepotência...

Me colocou naquele lugar de meio. Eu consigo. Eu consigo tomar uma de boa. E eu fui lá tentar tomar uma de boa e me lasquei. Fiz tudo que eu fazia no último dia que eu tava no crack. Pra você ter uma ideia. Então eu não vou entrar nessa história de novo. Que vocês já estão cansados de ouvir essa história. Mas é bom pra elucidar que você pode estar na maravilha dos 30 dias. Mas se auto manipulando a doença. Comendo pelas beiradas por dentro.

É, fiote, eu vivi isso. Eu não tô falando a história de outra pessoa, velho. Eu tô falando a minha história. Então...

Por que eu estou entrando em todo esse mérito? Porque o adicto que ainda sofre ainda não percebeu que está sofrendo. Então era aquilo que eu falei. A hora que o sofrimento virou real, aí veio a maravilha dos 30 dias. Realmente conhecer o programa, se identificar com os companheiros, isso aí foi fantástico e sensacional. Quando eu parei de ser diferente e comecei a ser um igual, tudo modificou na minha vida.

Certo, e aí eu de fato coloquei as lentes cor de rosa da maravilha dos 30 dias e tudo tava bem, até que depois de 30 dias, como diz o Serjão, né velho, o Sérgio Murilo fala muito engraçado isso, meu, a maravilha dos 30 dias acaba quando o cara entra em recuperação, porque, meu, essa maravilha dos 30 dias, na verdade, é só um encantamento, velho.

É ilusório, porque não é uma maravilha. A recuperação é suar, é sangrar. Velho, eu vivo falando aqui, velho. Tem que suar a camisa, tem que sangrar, tem que... Nossa, embaçado, super embaçado, mas muito recompensador. Nada é mais recompensador do que um adicto que viveu o que eu vivi entrar em recuperação. Nada.

Eu nunca vi nada melhor do que isso, velho. Embora tão difícil fosse. Então tudo isso me leva ao segundo assunto, que é o recém-chegado. O recém-chegado é esse cara que está vivendo a transição entre a maravilha dos 30 dias e cair na real de que não é tão mole quanto parece.

E que aqueles companheiros que estão limpos há meses ou anos, eles tiveram que trabalhar profundamente sobre si mesmos para poderem estarem ali, para poderem trazer aquela mensagem de força, fé e esperança. Sim, e aí então o recém-chegado agora se tornou objeto do programa Independência de hoje, porque ele também agora é um adicto limpo.

E a partir da maravilha dos 30 dias, a hora que ele cai na real, ele começa a entender que eu posso continuar limpo e sofrendo. E aí ferrou, né? E aí ferrou porque a gente começa a colocar em xeque o próprio programa. Afinal, a gente fala, poxa, tô limpo, voltei a sentir.

Quero sentir prazer, eu não quero sentir dor. Quero sentir satisfação, não quero me sentir frustrado. E essas expectativas começam a ferrar o adicto limpo. Porque...

ele percebe que não dá para ficar limpo somente e alegre somente. Para ele ser um adicto limpo e feliz, ele vai ter que trabalhar os passos. E aí ele começa a ouvir partilhas, a ouvir isso. Ele arrumou um padrinho, padrinho já começa, vamos a partir dos 90 dias, vamos ver se a gente começa a trabalhar passo e tal, tal, tal.

E aí ele fala, pô, mas eu só queria me livrar das drogas e continuar tendo prazer, padrinho. Ah, bonitão, só você, né? Só você que é esse, cara. Bem-vindo ao mundo real. Oh, oh, oh. Oh, Neo. Bem-vindo ao mundo real, diria Morpheus para Neo.

É justamente isso, fio. Vamos sair da Matrix, cara. A Matrix é o uso de drogas, nego. Agora eu te tirei daquele casulo. Você não tá mais plugado na Matrix, doidão. Vamos lá. Agora é mundo real. Bem-vindo ao mundo real. E mundo real dói, velho. Desculpa. Mundo real traz sofrimento.

E aí? E aí eu virei o tema do programa Independência de hoje. A pergunta é feita para esse cara que finalmente chegou. Por que o adicto limpo ainda sofre? Essa é a questão e a gente vai falar mais sobre isso no próximo bloco do programa Independência. Você está ouvindo o programa Independência, a voz da recuperação.

Sabe, companheiro, quando a gente olha pro passado, da ativa, as loucuras, as insanidades. Sabe aquele arrependimento, aquela dor no peito? É foda, mano. Mas é a minha história. Hoje é diferente, irmandade, porque eu conheci vocês. Hoje é só por hoje.

É sempre assim, adicção ativa, medo de tudo, medo de todos. Medo do trafica, medo da vida, adicção ativa. Zero à esquerda, furto, corre, treta. O jão de gás, bolsa da mãe, cofrinho da filha.

Dinheiro do aluguel, tudo pra mais uma. A vida se resume a mais 10 reais. A vida de louco, atrasalado. É sempre assim, adicção ativa. É só, corre mais corre. Mais um gole, mais uma dose.

Mais uma tentativa, a dicção ativa É sempre assim Medo de tudo, medo de todos

Perspectiva, zero. Sentimento, zero. Empatia, zero. Euforia é o tédio. É só paranoia. Comprada dose a dose. Trago a trago. Teco a teco.

Medo de tudo, medo de todos, perspectiva zero É sempre assim, a dicção ativa é foda mano

Mas hoje não tem mais essa, velho. Hoje não tem mais corre. Hoje não tem mais pesadelo. Hoje não tem aquele troço engofado na garganta. Aquela amargura. Aquele tédio. É sempre assim. Na dicção ativa não tem jeito. Só tem uma maneira. Que é uma nova maneira. Uma nova maneira de viver.

Vamos companheiro, vamos companheirinha, vamos sair dessa vida, porque a dicção ativa não tem futuro. Corre com nós, cola com nós, no caminho eu te explico.

Chique, bacana, beleza? Voltamos com o programa Independência. A voz da recuperação. Hoje o tema, por que o adicto limpo ainda sofre? Essa que é a grande questão. Então, para aí, né? Vamos definir uma coisa muito importante, brother.

Não dá pra tá na crista da onda toda hora. Vamos lembrar que a vida como ela é, nesse planeta de maluco aqui, não dá pra ser perfeita. Não dá pra você ter tudo que você quer, não dá pra ter todo o dinheiro que você quer, o emprego que você quer, a esposa mais linda, o filho perfeito, bbb. Família Doriana não é recuperação, não existe, na verdade, a família Doriana.

Então, a primeira coisa que tem que ter em recuperação é aceitação da realidade. Conformidade. Eu tenho que me conformar com a vida como ela é. Ô Marcão, mas aí, velho, eu queria uma vida da hora, maluco. Ô Dick Tyson.

Fiote, uma coisa é uma vida da hora, outra coisa é uma vida perfeita. Porque se eu bater nesse perfeccionismo, que é uma característica da adicção também, é um perfeccionismo exacerbado, maluco, doidão, eu vou voltar ao uso, velho. Porque a frustração é uma coisa que a gente tem dificuldade de lidar.

E a frustração é diretamente proporcional às expectativas. Então, velho, se você tá chegando agora, tem menos de 5 anos no programa, deixa eu te contar. Para de botar muita expectativa nisso aí.

Pô, Marcão, mas eu pensei que o programa era perfeito. É, o programa é perfeito, Adicta. Quem não é perfeito é você, sou eu, velho. Então, vamos voltar à condição de ser humano. Porque daí a gente para de ficar nesse papo de eu sou adicto, eu sou adicto, pra mim é mais difícil, eu sou diferente. Não, velho. Porque a recuperação é trazer a gente pra condição humana.

Sabe? Saber exatamente quem você é. Isso aí é até humildade dentro da visão dos 12 passos. Cara...

Então tá, partindo do princípio que não tem como estar sempre certo, sempre por cima, sempre dando parra, sempre com dinheiro. Então vamos aprender a viver a vida como ela é, com os seus altos e baixos. Ó, a vida pode ser uma montanha russa. O que não pode ser uma montanha russa são os seus sentimentos quando a gente responde a essa vida maluca.

Olha só, essa que é a sutileza da fita, mano, do programa de hoje. A vida pode ser maluca, vai morrer gente, vai nascer gente, você vai perder o emprego, você vai conseguir outro emprego, você vai ter muito dinheiro, você vai perder dinheiro.

Tudo vai acontecer porque agora você tá vivendo a vida real. Você saiu da matriz. Eu falei no programa do bloco passado. Saímos da matriz, velho. Então a partir do momento que a vida virou real, tudo vai acontecer. Só o que eu não posso é me desregular emocionalmente.

Cara, vamos lembrar que a dicção é doença mental barra emocional? E nós temos um transtorno mental emocional, fiote. Cara, partindo desse princípio, fica mais fácil da gente entender nossa doença.

Então, qual que é o lema principal, por exemplo, de neuróticos anônimos? Só por hoje evitarei o descontrole emocional. Qual que deveria ser um lema primordial também para o adicto que está em recuperação? Só por hoje evitarei o descontrole emocional, velho.

É sobre isso. O sofrimento está em continuar indo na roda viva. Indo nessa loucura de sobe e desce, de montanha-russa da vida. Cara, autorregulação emocional é o segredo de uma recuperação tranquila, belezinha. Cara.

E engraçado, né? Esse daí é o caminho do meio dos orientais, né? Se esticar demais, a corda arrebenta. Se afrouxar demais, a corda não toca. Qualquer pessoa que afira um violão sabe disso.

A vida em recuperação é uma corda de violão, nego, velho. Cara, não estica demais e não afrouxa demais. A vida vai ser uma loucura. O problema é que essa corda é emocional e interior. Essa autorregulação, ela é interior, ela é psicológica, ela é mental e emocional.

Fiote, tá aí o segredo da parada de hoje, nego. Tá aí o segredo do programa de hoje. O caminho do meio, o caminho da moderação. Pô, Marcão, mas eu não consigo, velho. Ó, pra começar, Dickinson, para com essa palavra, eu não consigo, brother.

Talvez você não conseguia. Mas a partir do momento que você determina na sua vida. Eu não consigo. Pronto. Você acabou de profetizar a desgraça na sua vida. Dic Tyson.

Então eu não consigo, eu não sou assim, eu não consigo fazer isso. Isso aí eu tenho dificuldade, tudo bem. A gente vai ter várias dificuldades. Mas, brother, não faça disso um espetáculo negativo na sua vida. Cara, só não consegue quem não tenta, velho. Então, meu, tira esse não consigo da sua vida, do seu vocabulário. Pelo amor de Deus, adictais.

Eu não consigo, não dá. Então tá. Por que o adicto limpo ainda sofre? Porque não está praticando o programa. Ufa! Tá resolvido o programa de hoje, velho. É sobre isso. Qual que é a condição básica, essencial de um adicto?

É praticar o programa, senão o quê? Senão vai voltar ao uso ou então vai ter uma vida de merda. Desculpa a palavra, mas essa é a real.

A diferença entre o adicto que tá sofrendo limpo e o que não tá sofrendo é a prática do programa. Porque a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Eu já fiz um programa sobre isso, nego, velho. É isso. No fundo, no fundo, é isso. Cara, o que significa que a vida vai cobrar.

A família vai cobrar, o emprego vai cobrar, o dinheiro vai cobrar, os boletos vão cair. Meu, tudo isso é dor. Inevitável dor. Agora, eu ficar martelando em cima do boleto que eu não vou conseguir pagar, da minha mulher que tá me enchendo o saco, dos meus filhos que estão exigindo, da escola, da faculdade, do papai, da mamãe. Meu, meu, meu, para. Se eu ficar vibrando nessa energia,

Mental. Interior. De prolongar esse sofrimento. De ficar vibrando nessa parada. Já era, velho. Eu vou me condenar a ter uma recuperação ruim. E ó. Eu vou te falar. Tem gente que diz que dá pra ser adicto seco, né? É um cara que não usa. Mas ele não pratica o programa. E vai ficar o resto da vida limpo. Opa, será?

Será que fica mesmo, velho? Tá certo, eu conheci alguns alcoólicos assim, sabe? Que estão sóbrios na força do ódio a vida inteira. Viram que não dava mais, né, velho? As evidências são muito fortes, né? A real é essa. As evidências da dicção...

No uso de qualquer substância, e no caso desses alcoólatras que eu tô falando, velho. Chega uma hora que o cara que tiver o mínimo de inteligência vai falar, pelo amor de Deus, não dá pra mim, velho. Eu tenho biologicamente um problema sério, eu tenho um problema mental que se eu tomar um gole eu me lasco. E aí o cara vai e interrompe o uso. Às vezes até através do programa, mas aí se afasta e nunca mais aparece. E não bebe mais, eu conheço, velho, mas...

Pergunta pra mulher deles, tá tudo bem. Cara, muitas dessas esposas falam que não, velho. Principalmente se elas forem de Alanon. Eu fiz uma temática num grupo de Alanon uma vez, velho. E a principal dúvida ou questão das mulheres alcoólicos era essa.

Pô, o cara tá sóbrio, mas ele ainda tá vibrando na parada dos defeitos de caráter. E finalmente agora a gente chegou no cerne tanto do programa de 12 Passos, quanto do programa de hoje e quanto a essa parada do alcoólico e do adicto seco.

Porque eu só parar de beber, eu só parar de usar, não basta. Eu vivo falando isso aqui. A questão é trabalhar o programa. E trabalhar o programa significa o quê, fio? Vamos falar a verdade.

significa chegar finalmente, quem é de guia, quem é de trabalhar passo no guia, chegar finalmente ao quarto passo. Pô, Marcão, mas eu ainda tô no segundo passo e não consigo sair. Então, fiote, muitos fazem isso, sabia?

Muitos fazem isso. E muitos também, e eu já fui esse cara, eu chegava no quinto passo e eu queria começar de novo o quarto passo, velho. Ou então voltar pro primeiro, porque afinal eu acho que ainda não consigo continuar o programa, o sexto passo é muito difícil.

Blá, blá, blá, nego, velho. Isso aí é blá, blá, blá. Aquele cara que fica estacionando num passo e quer voltar, é porque ele não tá querendo uma nova maneira de viver, fiote. A real é essa. Não quer modificação, porque até o quarto passo, você está se descobrindo. Vamos falar dessa forma. No quinto passo, as coisas são colocadas à luz da exposição.

E aí que vem a dor. Aí que vem o negócio do sexto passo, velho. Eu tenho que passar a barreira do quinto passo. Esse negócio de, pô, partilhei com o padrinho. Pô, padrinho, eu acho que dá pra eu aprofundar mais nesse inventário moral. E quer voltar a escrever? Não, não, velho. Ó.

Você vai escrever de novo o quarto passo, sabe quando? Quando você terminar o décimo segundo, aí sim você volta pro primeiro e continua o trabalho de passo na segunda espiral. Vai ouvir o programa espiral da recuperação, é isso, velho. Olha, vamos parar desse negócio de querer dominar o programa, né? Eu que determino quando que eu tenho que fazer que passo. Não, não é assim, velho.

Primeiro, não é você. O programa já está estruturado e formatado, nego velho. Você só precisa obedecer. E quando eu comecei o programa de hoje, eu falei de teimosia e obediência. Agora eu estou na linha da obediência. Ao programa significa ao padrinho também.

Se o padrinho já teve a experiência, ele vai falar pra você. Ele vai falar, não, companheiro, não tem essa de reescrever o quarto passo. Já tá o suficiente. Ó, Deus já te deu o que você aguenta.

Se você não aprofundou o suficiente dentro do que você tá vendo agora, porque a gente passou o quinto passo, e eu levantei várias questões aí que você, pô, pode crer. Eu não pensei por esse lado. Uxa, eu devia ter aprofundado. Ah, é, engasopou, velho. Acelera. Se o carro der uma engasopada, não é pra dar ré. É pra acelerar.

Então conversa com seu padrinho e pergunta sobre isso. Ele vai falar, não, não, não. Agora, filhote, mastiga aí e digere o que a gente trouxe de quinto passo e bora pra frente. Cara, o programa é avante, não é ré. Esse papo de vou continuar voltando é continuar voltando no programa, indo nas reuniões, participando, pegando serviço, skinball.

A gente brinca que esse é um dos paradoxos. Eu continuo voltando para ir para frente. Mas, meu, isso aí é um paradoxo de brinquedo. Continuar voltando significa continuar indo adiante. E o trabalho de passos é a mesma coisa. Então, a partir do momento que eu descobri os meus defeitos de caráter no quarto passo.

Que eu diferenciei o que é defeito do que é virtude. Que eu consegui rotular os meus sentimentos. Coisa que é muito difícil pra nós. Saber quando é sentimento ou quando é sensação. Geralmente o adicto conhece sensação. Eu sei. Se eu fumar um beco, que sensação que eu vou ter? Se eu for pra um boteco tomar destilado meu Jack Daniels. Ou minha vodka absolute com... Olha só que metido, velho. Vodka absolute com Red Bull.

Isso aí, ó, é aquele papo do... Da máquina do tempo, cara Olha só eu querendo, sentindo até o gostinho De vodka absolut, de 300 conto a garrafa

O energético de marca. Isso aí foi no começo lá, viu, fio? Eu terminei. É no corote. Pedra noventa. É. Aquele que custava um e cinquenta na minha época. Então, meu, para, Marcão. Para de falar de bebida, cara. Porque isso aí está num passado que não volta mais, em primeiro lugar. E, segundo, você não é esse cara. Eu, se eu tomar uma...

Eu vou voltar pro Pedra 90, fiote. E pra fumar pedra também. Já que estamos falando de pedra. Caraca, mano. Olha só como a doença vai enganando. Eu aqui, no ar. Dando uma de gostoso, velho. Ah, vai se ferrar, Marco Melo. Vai fumar uma droga, cuzão.

Olha, velho, você tá vendo como que são as armadilhas da doença? Meu, ela pega ao vivo, velho. E eu não, ó. Você sabe que o programa é gravado e tal. E eu poderia tirar essa parte toda. Minha cara é falar, não, não vou me expor pra galera. Seu cu, vou sim. Ó, o programa vai na íntegra, viu? Até essas falhas aí. Porque isso aí já é, ó.

Já, isso aí é reserva, velho. Eu acabei de mostrar uma reservinha minha aí. Absoluto, curra de burro. Vai se lascar, o Adicta Tyson. Absoluto, olha o seu curro.

Putz grila aqui. Perdi até o rumo do programa de hoje, velho. Qualquer tema mesmo. Por que o Adicto Limpo ainda sofre. É por isso, velho. É por isso. Eu sou o Adicto Limpo. Acabei de sofrer aqui no ar. Ao vivo, velho. Manifestação do poder superior. Ou do poder inferior. Não sei, né? Talvez.

No programa de hoje. É sobre isso, velho. Olha que loucura, mano. Que é essa doença. Então tá, vamos pegar o fio da meada de novo. Eu tava falando de passo, né, meu? Então, o cerne do programa de hoje e do programa de 12 passos. É o quarto passo a partir do qual eu descubro o que realmente me lasca. Cara, seu problema não é álcool. Seu problema não é droga.

Vai ouvir o programa nada a ver com substância ou sei lá como é que chama o programa, mas tem a ver com isso. Não é sobre álcool e droga, eu acho que é esse o título. Não é sobre álcool e droga, fiote. Seu problema é defeito de caráter, cara.

E tem alguns companheiros e companheirinhas que tem a compreensão de que a maioria desses defeitos de caráter já vem desde sempre. Desde o berço, nego velho. Alguns foram se ampliando, outros foram se incorporando, porque é o que eu falo sempre. Eu, pra fazer defeito de caráter, sou mestre. Mestre dos magos. Eu sou capaz de criar um agora.

Agora, se livrar deles é só no sétimo. Então, por que eu falei da barreira do quinto passo? Porque o sexto passo é o passo de se contrariar. E é por isso que eu resisti algumas vezes a entrar no território do sexto passo. Com o meu padrinho trabalhando passos. Cara, eu conversei com ele.

Na verdade eu dei uma manipulada e eu acho que esse meu padrinho dessa época que foi manipulado, eu acho que ele ainda não tinha muito a prática de lidar com um louco que nem eu. E ele deixou eu revisar, ele falou, não, você não vai reescrever, você vai dar uma revisada e a gente passa de novo.

Manipulei ele, ó coitado. Agora que eu tô vendo isso aí. E aí eu caí nessa barreira aí de... Porque aconteceu, por exemplo, de eu parar o apadrinhamento com um determinado padrinho nessa fase. E aí...

Quando eu encontrei um novo padrinho, meio que manipulei, né, velho? Porque o outro padrinho falou, não. Então é melhor você pegar o primeiro passo desde o começo e tal. E era o que eu queria. Olha, velho. Hoje eu tô com a gueta de mim mesmo aqui, hein, fio. Que fita errada, mano. É porque, velho, como eu sou x-tudão, né, velho? Eu tenho um padrinho oficial de sempre, né, velho?

Um veinho lá e tal. Mas no trabalho de passos ele deixa a desejar. Porque ele é de uma irmandade que não se trabalha passos dessa maneira. E aí no outro programa que tem o guia e tal. Eu fico dando essas manipuladas. Bom, então eu vou parar de me cagoitar também. Chega, vai. Que saco, mano. Vamos lá. Vocês repararam na arte do programa de hoje?

Que tem várias, eu fiz um cara, né, meu, parado num pôr do sol, ó, porra. Olha só que imagem, né, cara. O cara tá na beira de um lago maravilhoso, tem um lago desse aqui. Aliás, eu fiz essa imagem inspirada no meu lago aqui de Atibaia. O sol cai atrás das plantas lá, igualzinho aí, velho. Tem tudo a ver com o meu lago lá.

E aí, um pôr do sol maravilhoso, um lago maravilhoso, ele sentado ali, né, velho? Meu, ele poderia estar contemplativo, ele poderia estar alegre. Ele poderia estar em contato consciente com Deus naquele momento. Cara, se tem uma hora que eu acho, assim, especialmente espiritual, é nascer e pôr do sol, velho. Tanto nascer do sol quanto pôr do sol, sei lá se são as cores, se é a transição entre dia e noite ou noite e dia.

Tem todo um misticismo em cima disso, sei lá, viu, cara? Eu acho que não sou só eu, né, cara? Muita gente pensa assim, sente isso, né? Mas eu me toco muito nessa coisa. E aí eu botei o cara, ao invés dele estar numa atitude contemplativa e espiritualizada, o cara tá com a mão na cara, desesperado. E o cara tá limpo, velho.

E aí eu botei umas bolinhas flutuando, que seriam vários pensamentos desse cara. Então tem várias coisas que ele tá pensando. Ele pensa em álcool, ele pensa em remédio, ele pensa em várias coisas, em treta com mulher. Enfim, tem vários pensamentos, tem vários pensamentos que ele tá tendo.

Naquele desespero, numa situação daquela maravilhosa e o cara nessa vibe aí. Então, esse adicto limpo tá sofrendo, mesmo em todo esse visual espiritualizado. É muito louco isso, né?

Então qual que é a pegada, né, velho? O cara pode estar limpo, pode estar em recuperação até, se bem que vamos falar real. Para estar em recuperação, tem um conjunto de práticas diárias que esse cara tem que estar fazendo.

Ele precisa estar com apadrinhamento real. Não é só ter um padrinho de chaveirinho. É um padrinho mesmo que você tem um contato regular. Trabalho e passo. Blá, blá, blá, blá, blá, blá.

frequentando reuniões regulares, sim, sim, mesmo com anos limpos, velho, regulares. Essa é outra condição para que uma pessoa esteja em recuperação. Cara, tem que estar com algumas práticas de passos diários, né? Tem os passos de manutenção do programa, décimo passo essencial, décimo primeiro passo essencial e o mais essencial de todos, primeiro passo todo dia.

Vai ouvir de novo os programas sobre o primeiro passo 100%, nego. Tem que ter o primeiro passo todo santo dia. E aí tem alguns outros passos que é ideal, né? Por exemplo, o terceiro passo é um passo que se a gente praticar ele o melhor que a gente conseguir diariamente, essa entrega consciente ao poder maior, pô, isso aí é sensacional. E aí voltando aquele cara que tá tristão.

Num ambiente lindo daquele, naquele lago maravilhoso, esse cara, eu acho que ele é um adicto limpo que ainda tá sofrendo, né? E aí você vê que as bolinhas relacionamento, sexo afetivo, depressão...

Não consegue trabalhar direito. Talvez esteja tomando por conta alguns remédios. E quando eu falo por conta, não significa que ele não passou no psiquiatra. Aliás, faz parte nossa, né? Passa no psiquiatra pra poder ter um paliativo. Um, ó, se necessário. Ó, se necessário pra mim é terrível, velho. Eu não gosto de se necessário, velho. Se necessário, esquimbal, velho.

Se você tem um transtorno, sei lá, qualquer um aí, qualquer comorbidade, qualquer outra doença que não seja adicção, que exige você tomar um ansiolítico, um antidepressivo, um lítio ou um moderador de humor, alguma coisa, beleza. Passou no psiquiatra especialista.

Você contou a verdade pra ele sobre a sua doença da adicção. Você contou o seu histórico. Aonde você foi parar usando droga, usando álcool. As coisas que você... Ô, Marcão, mas eu não preciso falar as humilhações, né, velho? Precisa, negão. Ô, Adict Tyson.

Tem que falar, velho, o cara é psiquiatra. Não é só um cara que vai te dar uma receita de bola, fiote. Aquele cara entende de terapia. Psiquiatra estudou Freud, estudou Jung, estudou todo, meu. Psiquiatra é um psicólogo turbinado, negão. Tem que falar sim. Fala, mano, é, eu fiz programa. Ou, eu roubei minha mãe. Ou, eu peguei o dinheiro do aluguel.

Manipulei minha esposa e fui usar. Cara, tem que falar pro psiquiatra a real. Não é esse papinho de, ó, eu sou adicto e tal. E só, não, não, fala as humilhações, negão. Ô, você tá querendo tirar o seu da reta, né? Por quê? Porque quando você falar a real, aí ele vê que o buraco é muito mais embaixo. Porque uma coisa é você falar, sou adicto.

Ah, tive problema com ela, sou dependente químico. Outra coisa é você falar aonde você foi parar, fiote. Não, eu fui é pra Cracolândia. É, eu fiz programa. É, eu roubei. Eu roubei isso, eu fiz a... É, fiote, desculpa aí.

Porque aí você tá jogando a real consigo mesmo. A verdade é essa. Primeiro com você mesmo. Depois, você tem que direcionar o profissional da saúde mental pra ele saber exatamente onde ele tem que ir. Porque se ele ver que você é esse Addict Tyson aí, ô louco, barco, é, minha... Se ele sabe que você é o Addict Tyson...

Ele vai tentar evitar, por exemplo, alguma droga que seja parecida com a sua droga de preferência. Primeiro ponto é esse, negão. Opa! Tem drogas que são terríveis para determinado remédio. É simples assim.

Por isso que é legal você falar real que droga que você usou, até que ponto que você vai, qual é a sua verdadeira impotência, sua doença, o seu uso compulsivo e obsessivo é de tal forma. Mas mano, tem que abrir o jogo filhote, desculpa aí. Outro dia eu tava discutindo, discutindo não né meu, trocando ideia com uma mina né, uma amiga minha. E aí ela ia passar.

numa médica lá e tal, né? E a gente tava conversando sobre isso. Eu falei, meu, mas você sabe que você tem que falar real, né? Da sua dicção. Não, mas pra quê? Eu não vou cuidar disso. Eu falei, não. Ela vai te medicar, nega. E se ela te der uma medicação que inverte todos os parados aí, fió? Não, não. Conta real. Ela não queria falar pra médica, porque não é médica psiquiatra. Era uma outra médica lá.

Só que, meu, a outra médica, ela também tem que saber do histórico, senão ela pode te dar uma medicação que não é legal.

Cara, sejamos transparentes, Fiote. Você está limpo, você está sóbrio. Você está em recuperação ou não está? Porque se você não estiver em recuperação, você vai continuar sendo o adicto limpo que ainda sofre. Que é isso que a gente está falando sobre aqui hoje. É essa que é a pegada do programa de hoje. Então vamos lá.

O cara tá com um monte de problema. Por quê? Porque não é que ele tá com problema, fiote. A vida é um problema, nego. A vida é cheia de demandas, é cheia de desafios, é cheia de coisas pra resolver, velho. A questão é como eu vou resolver isso. Primeiro ponto, se eu sou adicto, eu vou ter que estar num processo de recuperação. Em primeiro lugar, nem por, é claro.

Claro, um adicto no uso já nem se discute aqui. A gente está falando de adicto limpo. Mas só limpo não basta. Porque só limpo ele não vai lidar com essas demandas da vida de maneira positiva.

Então, aí é que entra o programa na vida do cara. O programa é maravilhoso nesse sentido. Então, o cara tem um lugar para escapar, uma válvula de escape através das partilhas. Ele tem um grupo de escolha. Ele tem um padrinho. Ele tem outros companheiros, caso o padrinho não esteja acessível naquele momento. Cara, tem várias ferramentas do programa que funcionam como uma terapia.

Sabe? E aí eu não preciso ser esse adicto limpo que ainda sofre. Que é sobre isso o programa de hoje. O cara tá limpo, mas não tá em recuperação. Então, vamos lá. Conclusão do programa Independência de hoje. Quem é o adicto limpo que ainda sofre?

É o adicto que não pratica o programa. Seja por desobediência, seja por teimosia, seja por autossuficiência. Mas esse cara não está praticando o programa como deveria praticar e ficar de boa na vida. Essa que é a real. Quer ser um adicto limpo que não sofre tanto assim? Porque sofrimento, já falei.

A dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Então, quer conseguir passar pelas dores da melhor maneira possível? Baba! É só praticar o programa de 12 Passos da maneira como ele foi formatado para ser trabalhado. Maravilha, maravilha! Esse foi o programa Independência de hoje. Espero que você tenha gostado das minhas caguetagens aqui. Nossa, como eu nunca aguentei hoje. Foi foda.

Mas tamo junto, tamo junto, amo todos vocês. E até domingo que vem, com mais um programa Independência, a voz da recuperação. Beijo no coração, beijo na alma. Você está ouvindo o programa Independência, a voz da recuperação. Ei você que está em recuperação, acompanhe essa canção. Onde está a recuperação?

Composição Rodrigo Dias Sete Lagoas e Marco Meldo. Recuperação. Voltar à vida normal. Ato ou efeito de recuperar-se. Não adianta ensinar a todas as drogas do mundo. Nem quebrar todas as garrafas, nem os bares fechar.

Não adianta prender todos os traficantes Não adianta proibir nem legalizar Pois a recuperação só vem de nós mesmos

Não está no remédio, não. Não está nas mãos dos médicos e nem religião. Não está na razão, pois a recuperação só vem de nós mesmos. Não está no remédio, não. Não está nas mãos dos médicos e nem religião.

Não está na razão. A recuperação está no universo interior. A recuperação está no espírito.

A recuperação está no universo interior. A recuperação está dentro do coração. Pois a recuperação só vem de nós mesmos.

Não está no remédio, não. Não está nas mãos dos médicos e nem religião. Não está na razão, pois a recuperação só vem de nós mesmos. Não está no remédio, não. Não está nas mãos dos médicos e nem religião.

Não está na razão. Boa tarde a todos. Graças a Deus. Eu estou aqui para três anos. Oi, Cass. Eu estou aqui para quatro horas. Agradecer a dádiva do dia de hoje. A dádiva da recuperação. Agradecer os servidores. Ficaram até de madrugada cortando frango. Graças ao Otávio.

Deixou ninguém dormir, fez todo mundo ficar cortando frango nessa madrugada. Obrigada pelo serviço, companheiro. Semana inteira eles ligando, mostrando o que eles estavam fazendo. Eu falei, eu lá longe, eu sou de Paraty, né? Eu falei, não tô sozinha, né, cara? Falando o que eles estavam fazendo aqui, né? E... Vem falar sobre o sétimo passo.

Sétimo passo também foi um passo fundamental na minha recuperação. Eu quando eu estava com dois anos limpo, eu já me achava o máximo. Eu me dediquei muito com o companheiro que falou também da progressão da recuperação. Recém-chegada, eu, recém-chegada, achava que eu já sabia tudo, que tudo que eu sei está certo, que tudo que eu, né, as minhas meiras que eu não fiz essa boa.

E no sétimo passo, mesmo eu tendo me rendido no primeiro, visto as minhas insanidades no segundo, lidado com a minha verdade própria no terceiro, visto a natureza exata das minhas falhas no quarto, no quarto quinto, quando chegou no sexto e sétimo,

Foi que eu acordei porque eu estava fazendo aqui, né? Eu parei de usar. Mas eu continuei usando o meu comportamento, né? Uma pergunta lá no sexto passo que fala se eu usava os meus defeitos para suprimir os sentidos, né? E a vida inteira eu usei alguma droga para encompencer o que eu sentia. Aí de repente eu venho com um problema de fato que eu preciso aprender a sentir.

Tenho habilidade, muita dificuldade, né? Eu sempre entorpecei aquilo, nunca quis sentir. E aí eu comecei a entorpecer com insanidades, né? Com sexo, com poder, com vontade, prestígio, insanidades financeiras, comida, compras.

E aí eu cheguei a esse passo, vou ler uma partezinha do sexto para introduzir o sétimo, né? Que fala uma parte que fala assim, antes dos passos quatro e cinco, podíamos ceder ao medo, à raiva, à desonestidade ou à autopiedade. Ceder agora a esse defeito de caráter ou escurece a capacidade de pensar com lógica.

É bem forte, né? Quando eu chego nesse passo, fala que eu não posso temer. Ou que se eu tiver medo, eu vou escurecer a minha capacidade de pensar com lógica. Pô, quem que não pensa com lógica? O insano, né? O débil, o retardado. Porque se eu tô consciente, eu tô pensando com lógica. Então quando eu ajo nos meus defeitos de caráter, principalmente esses, eu perco a consciência. E aí eu tô bagulhando pra cérebro.

No meu sexto passo, eu vi bastante assim, de insanidade sexual. Porque eu sempre falo bastante disso, é uma área que eu luto bastante, sabe? É uma área que eu acredito que eu estou ficando pronta. Não é nem que eu me prontifiquei, é que eu estou ficando pronta, né? Porque...

No sétimo fala também que, bem-métimo, nós vamos voltar aos nossos defeitos. Somos humanos. Não vamos ser perfeitos. Eu só não posso ressuscitar. Eu estou aqui porque eu tenho que ter paciência. O princípio espiritual principal para mim do sétimo passo é a paciência. Porque como eu falei, quando eu estava com dois anos limpa, quando eu fiz meu primeiro sétimo passo, eu ficava puta com o passo. Eu achava que era uma força do meu braço que eu ia resolver aquilo.

que eu tinha o poder de me mover, né? Assim como a doença da gestão, eu achava que eu tinha o controle, né? Não tinha entendido que eu precisava de uma rendição mais profunda, né? Pra entender que a prática desse programa em Deus é que me ajuda a viver, né? E não eu que controlo a minha vida, né? Mas quando você coloca isso na minha cabeça, arrogante, egocêntrica, autossuficiente, né?

Um princípio que é muito importante no passo 7 é o da humildade. E os passos vêm falando da humildade desde o primeiro. Só que eu não me imaginou, eu pulei essa parte. Porque eu não fazia ideia do que era humildade. E aí chegou no sétimo a humildade é um debate forte. Ele fala que não...

Não é uma questão de necessidade, né? Preciso escolher a humildade, né? A humildade é um requisito básico para eu estar em recuperação. Eu acho que depois da rendição, para mim, a rendição e essa honestidade é o princípio mais importante, né? Para eu me situar onde eu estou, né? Porque se eu tivesse uma minha mentalidade de dois anos limpa, achando que estava tudo bem só porque eu fui limpa, né?

Fiquei limpa e eu e as coisinhas automaticamente melhoram realmente, né? E aí eu me apoiei naquilo, né? Eu já não era aquela pessoa tão desonesta, mas eu ainda não era honesta, ainda não sou, né? É uma prática diária de procurar ser honesta. É...

Por exemplo, eu tenho entendido que honestidade vai muito além de questão financeira, né? De troco, honestidade comigo, né? Com meus sentimentos, com falar não quando eu quero falar não, com falar sim quando eu quero falar sim, com me incomodar com alguém falar na cara dessa pessoa e não ficar fazendo a pergunta por trás, né? Ser honesta é porque eu tô sentindo. Essa é a honestidade que eu tenho entendido do programa.

E para eu ser humilde, eu vou precisar desse princípio da honestidade, para eu me situar. Porque eu não me situo sobre quem eu sou, eu me coloco num lugar ou muito cívico ou muito baixo.

E a humildade vai dizer que eu sou apenas humana, nem pior nem melhor. Isso no primeiro passo, né? No segundo passo é uma pancada o jeito que define humildade, né? É uma pancada pra mim. E é aí que ele me introduz.

Para começar a trabalhar com Deus, né? O princípio da humildade surge da tomada de consciência de que existe um poder maior que nós. É uma luta tremenda para a maioria de nós parar de confiar em nossos pensamentos e começar a pedir ajuda. Quando o fazemos, praticamos o princípio da humildade. É a gente que gosta de pedir ajuda.

Eu sou a pessoa que comecei a academia, eu não sabia o que eram os aparelhos, e eu ficava lá surgindo o que eu sabia, né? Eu não tenho a humildade de perguntar pra alguém, de assumir eu não sei. Uma puta dificuldade de falar, eu não sei, eu não gosto, eu não quero, né? Eu falava que eu não queria ir na praia, porque eu falava uma coisa da minha pele, mas eu não tinha humildade de falar que eu não me sentia bem com o meu corpo, né? A humildade pra mim é totalmente atrelada com a honestidade.

E são dois efeitos dificílimos para mim praticar. É, dois princípios opostos dificílimos para mim praticar. Não. É dificílimo para mim praticar esses princípios. Humildade e honestidade. Dificílimos. E foi chegando no sétimo passo que eu consegui ter um pouquinho, um vislumbre, né? No sétimo passo eu vou ter um vislumbre do que é humildade. Porque parece que eu fui passando por ela despercebida até eu chegar no sétimo.

Tipo achando que estava tudo bom comigo, que eu era foda. Toda arrebentada. Faço o primeiro passo. Falo de um monte de insanidade no segundo. Vendo a minha vontade própria destruir minha vida dos outros. E estou achando que está tudo bem comigo. A negação e o auto-ungano dessa doença é severa.

Doença que me fala que eu não tenho uma doença, que eu estou bem, que está tudo bem. E que vai me... Eu acho muito legal o exemplo que o Tasso fez, né? Que ela está achando uma brechinha ali, né? E ela está procurando essa brechinha. E ela me ataca nessa autossuficiência, nessa negação, né?

Porque aí não tem humildade para ver. Humildade também, quando eu cheguei aqui, eu achava que era uma questão financeira, uma pessoa muito humilde, não tem nada a ver com isso. Nem ser humilhado. Humildade tem a ver com isso, conseguir ver o meu real tamanho. Uma pessoa que tem vergonha de perguntar onde é o aparelho da academia.

Por quê? Porque é insegura, mas tem que se esconder atrás de um ar de superioridade. Essa pessoa que eu quero dar a melhor temática do planeta. No fundo, eu estou aqui.

Porque eu não sei nada, eu sou só mais um. Eu aprendei. Quando eu cheguei aqui, eu achei a fórmula. Primeira vez que eu falei com a sétima fórmula, eu falei como uma verdade absoluta. Hoje eu sei que eu sou um pouquinho. É duas vezes que eu fiz sétima fórmula. Imagina, meu padrinho fez vinte e poucas. O que sou eu, Fértil de Alcântara, que fez vinte e poucas? Né?

Então comecei a deslumbrar a humildade entendendo isso. Cara, você sabe um pouquinho, eu também não preciso falar como sei nada. Eu sei um pouco além de quem não escreve. Sei, sei que sei. Sei que leio, estudo. Não tem que ser a falsa humilde onde sei nada. Humildade é isso, é achar a dose. E para o adicto, achar a dose, achar o limite, achar o meio. É, pois é. Vivemos nas polaridades, como é que eu posso achar?

difícil para mim achar sair dos estrelas e ver o meu real o meu real conhecimento de uma situação e aí como no primeiro passo eu precisei me render entender que não sou eu que controla minha vida

Agora no 7 é uma mesma coisa, né? Eu fico brigando com meus defeitos, né? Eu falo, não, agora eu vou fazer a persistência de 7. Eu vejo, eu tô lá, não. Não, agora eu sou uma pessoa honesta. Quando eu vejo, eu paguei um posto de não sei o quê e tô convencendo o contador de dar uma volta naquele posto. Então, cara, são nuances, sutilezas da minha personalidade que às vezes eu mesma não vejo. E aí, a hora que eu vou ver, eu vou me inventar.

inventaria todo dia e aí eu, aqui não foi nude, não foi oréfica, né? É bem importante assim, né?

Outro princípio que é importante bastante para mim, para eu conseguir praticar esse passo, é dar fé e a confiança. Se eu não tenho ideias para que eu fui desenvolvendo ali no segundo passo, de vir acreditar nele, no terceiro, de entregar minhas vontades para a minha vida. O sétimo passo para mim é uma...

uma reafirmação do terceiro, né? No terceiro, eu comecei a entregar a minha vontade e a minha vida a um poder maior. E aí, no sétimo, eu vou passar uma triagem mesmo, no que exatamente eu preciso entregar, né? O que exatamente eu preciso que esse poder maior vencuba, né? E o sétimo de nós, ele fala que ele vai trazer uma paz e uma serenidade. Eu brigava com esse passo de sustentabilidade, porque eu vivia.

Arrançar os defeitos no pênico, né? Ali no sexto falou que o meu povo vai me deixar bebe, assim, se eu continuar agindo nos meus defeitos, eu cheguei no sétimo, eu tinha que arrancar, e ele, por que custa fora de se espirar? Chorava, chorava. E agora eu tô entendendo que é uma coisa mais tranquila, né? Eu preciso andar com o valor superior, continuar praticando o programa.

admitir que eu sou humana e que eu vou errar pra caramba, mas quando eu aceito a minha doença, aceito que eu tenho uma doença, uma doença do ego, eu não vou ser santa nunca, não vou ser perfeita nunca, eu aceito essa doença, eu começo a aceitar os meus defeitos.

Eu começo a me prontificar praticando princípios, né? Paro de olhar para o defeito e começo a olhar para outro lado, né? Acho que essa foi uma sacada. Não, preciso parar com isso, preciso parar com isso. E quando eu falei, não, eu vou praticar isso, né? Vamos espiritualizar. Como? Vamos espiritualizar. Praticando o programa, né? Fazendo o decadre, eu levo a edição. Aqui fala que eu vou passar pelo S7, eu faço através de impressa.

E meditação, muita prece é meditação. Então, terceiro, sétimo e décimo primeiro passo, intimamente ligados assim, é contato extremo com o poder superior. O primeiro, o segundo e o terceiro passo, eu fiz uma base espiritual. Mas eu acho que a funila, né? Do quarto ao nono, quando eu faço essa limpeza assim da minha casa.

Tipo, no quarto eu me coloco em obra, né? Deixo ali tudo para olhar, né? Põe para fora os móveis, arranca as roupas, faz doação. E aí vai ficar exatamente a que é a natureza, a que eu preciso lidar, né? E mesmo assim, eu acho um exemplo que meu padre me dá, que ele vai na casa e tal, e às vezes vai estar arado, arado, com o objetivo, baixo do tapete, ali. Esses vão ser mais difíceis.

Não ser mais difícil. Tem coisas que eu não quero me prontificar, né? Eu adoro andar em alto vento, em alta velocidade, por exemplo. Eu vim pra cá me prontificando, mas não faz nada de visão pra vir pra cá. Eu normalmente perdi a 160 passos, eu me segurei a gente, 60, 60, 60. Mas pra mim é uma luta, uma luta de outro mundo. Mas eu vim recletir conversando muito com o Poder Superior sobre essa minha forma de dirigir, né?

Porque a minha doença é a doença da autodestruição, o carro é uma arma. Vou prejudicar a minha vida, das outras pessoas. E quem que está dominando ali? Quem domina a minha vida? Qual é a força que está dominando a minha vida? A força da doença, a força da autodestruição. É todo dia, me enviando a cada minuto, pedindo para ele tomar as minhas vontades da minha vida. E as minhas vontades.

Não essas do quero, quero, quero ter prazer, quero gozar, quero... Tirei tanta coisa que me dá prazer da minha vida, que agora eu tô vendo, acelerando. Essa tá, tá, tá, comecei a me conscientizar até agora, né? Minha área financeira, eu também não quero me prontificar, tá toda ameaçada.

E aí, vamos para não sei onde, vamos, 600 caldes de gasolina, vamos, 600, 200 semanas, gastando 600, pode, não tinha nos pessoas. Eu sou rica, né? Aí, os enfrestes, os cartões, eu disse, eu não me engano. Aí, estava conversando com o meu padrinho, essa semana, partindo no quarto passo, sou eu fazer plano de aposentadoria. Eu falei, meu querido, plano de aposentadoria, você não está ligado que eu tenho uma grande quantidade de empréstimos para falar.

Cheguei na Irmandade assim, teve uma bala, né? Em três anos que eu tô pagando dívida, a minha projeção são mais três anos. Aí eu acho que depois disso eu posso fazer um plano de aposentadoria. Eu já comentei isso com uns companheiros lá dentro do grupo, e eles falaram, ah, não, a gente vive só por hoje.

Eu tinha essa mente infundicecuente, né? Essa mente débil. Só pensa na auto-satisfação, né? Se eu viver na minha auto-satisfação, eu não vou pensar que for hoje. Usando o soforo hoje de forma errada, né? Passando tudo e não me importando como vai ser o meu amanhã, né? Delinha, delinha, eu sou sozinha. Vou viver de quê? Se eu não vou ter a força da minha saúde. Quem quer ter um plano, né?

E isso é conscientização, né? Isso já vai com o canal de destruição de viver. Só por hoje gastando, vamos se mudar essa manhã, que é a forma que eu vivenho hoje. Compro tudo que eu tenho vontade, faço tudo que eu tenho vontade, vai aumentando o tempo, vai aumentando o tempo. E não doeu ainda. Isso que é o foda. Ali vocês que passam...

Quando eu estou me prontificando, o negócio já está doendo, né? O sétimo vem falar que os meus defeitos são as causas da minha dor e sofrimento. Então esse meu defeito de ter uma vida insana financeiramente, provavelmente vai ter a dor e sofrimento, mas como ainda não virou a dica da vida.

Infelizmente eu ainda preciso sofrer para fazer o certo, para fazer a vontade de Deus. Não é muito difícil saber qual é a vontade de Deus. Precisa mais pedir força para realizar todo dia. Porque eu quero fazer a minha vontade própria, que é qual? Aquela que passa por cima de tudo e todos como um trem desordenado.

Destruindo alguém e os outros, né? Eu quero viver dessa vontade. A natureza exata grita por isso. Pela autodestruição, pela vontade própria, pela insanidade. É uma luta diária federal, assim, né? Federal. Eu acordo meditando, orando, ninguém ganhando, vou pra sala e tô fazendo pão de merda. Ah, eu tô escrevendo passos.

E é isso, essa é a humanidade. Essa é a humanidade, né? Não é um programa de perfeição. Quando eu entendi isso, ficou tão mais leve. E essa é a auto-aceita só por hoje de hoje. Tem tudo a ver também com a humildade, né? A auto-aceita.

aceitar exatamente como eu sou, nem pior, nem pior, apenas uma humana que agora tem um programa para viver. Então talvez, se eu praticar no dia de hoje, eu me prejudique um pouquinho menos financeiramente. Eu me prejudique um pouquinho menos nas minhas relações. Eu me prejudique um pouquinho menos na minha saúde.

Porque eu penso que, assim, no sétimo passo, 50% é parte minha e 50% é a parte do poder superior. Pode ser muita pretensão minha estar falando isso, né? Não sei, isso não está escrito, é uma forma que eu vejo, né? Eu estou entregando, mas eu preciso... Eu estou entregando, eu estou me prontificando.

E eu estou pedindo mesmo, orando com essa oração diariamente em vários momentos do meu dia. Pedindo humildemente, né? Para que meus defeitos sejam removidos. Eu já entendi que eles não vão sair de dentro de mim, eles moram aqui mesmo. Mas eles podem ficar mais quietinhos. O bicho que quis vir dirigindo em 160 veio em 120. Já está começando a escutar uma outra voz, né?

Já não estou surda para a vozinha que me fala sobre um pouquinho de sanidade, né? O companheiro aqui falou sobre insanidade, né? A insanidade, não só repetir os mesmos erros, mas é a perda do senso do limite, né? E eu sou essa pessoa que não tem o limite. Quando eu começo, eu não quero parar. Quando eu acelero, eu quero acelerar.

E ontem a companheira me deu um exemplo muito legal, esse exemplo é uma enxergada, mas é uma história linda, ela estava me contando que na ativa dela, a moto dela, ela caía de moto, perdi o farol, trocou, umas quatro vezes, até que ela desistiu de trocar o farol da moto. E só que ela estava usando, hoje eu não preciso desistir de trocar o farol da moto, não preciso desistir de nada, tem um problema.

Talvez até os meus defeitos, eu também, isso aqui também não está na literatura, mas são coisas que eu fico ali cobrando sozinha. Talvez os meus defeitos sejam uma forma até de me segurar. Porque imagina eu super perfeita, super fofinha, bonitinha, que não faz mais defeito. Ninguém ia me suportar de arrogância. Se quando eu estava começando a melhorar um pouquinho, eu já estava me suportando.

Imagina quando melhorar de verdade tudo. Há que ter muita humildade, né? É, talvez, possa até sim, mas aí precisa praticar humildade, né?

Outra coisa também que eu achei legal do sétimo passo, olhar as pessoas com o olhar do sétimo passo. Tem um sétimo, só por hoje, essa semana que falou sobre isso, uma cara acabou de me lembrar. Ela estava falando mal de uma pessoa e eu falei, meu, as pessoas são como a gente, todo mundo é. Todo mundo é, a gente não pode ir.

Eu tenho que praticar isso, né? Eu sou uma ordem assim. Mas a gente não pode ficar julgando as pessoas, ficar com restrição das pessoas. Cada pessoinha... A gente não fica triste quando alguém faz mal, porque não fica com a gente. Então, se eu faço mal pra qualquer um de vocês, eu tô fazendo mal com o filho de Deus, né? O poder superior fica com cada um de nós. Se eu faço mal pra qualquer um aqui...

Eu tô uma boa notária. Eu vejo meu poder superior como meu pai, né? Eu falei isso pra ela. E esse é o olhar que o sétimo passo traz, né? Eu era uma pessoa super flexível, intolerante, infaciente com as pessoas, pro tempo das pessoas, julgadora.

E o sétimo passo, você é tão fodida, como você pode juzgar alguém ou querer exigir alguma coisa de alguém, ter paciência com os defeitos dos outros? E é isso, eu era muito tolerante comigo, os defeitos, que era o mesmo peso que eu ponha sobre os outros, né?

Agora que eu estou tendo um pouquinho de autoaceitação, um pouquinho de paciência com o processo de resolução dos meus efeitos, pode durar a vida inteira, já estou ciente também. Só tem que ficar aqui, ali, esperando essa voz vinha. Ficar mais calma. Eu gosto muito do silêncio, né? Porque a gente ouve as vozes mesmo.

Então, agora que eu estou conseguindo fazer isso comigo, eu consigo entender isso com os outros, né? Com paixão, com paciência, né? Quando eu vejo que eu magoei alguém não intencionalmente, a pessoa está reagindo, eu consigo sempre estar dentro dele, estar dentro dela.

Ele é quase que já está me preparando para o oitavo e novo. São os passos que vão falar realmente sobre o princípio da compaixão, sobre o princípio do perdão. Então, esse meio do programa, assim, para mim, ele é fundamental. É... eu...

É uma revolução mesmo na minha vida, tem sido, eu estou agora escrito no quarto, e ali fala muito sobre ter medo de se inventariar, e eu não estou com medo, né? Estou muito afim, né? Estou muito afim de me inventar, estou muito afim de praticar esse programa, porque se isso é a causa da dor e do sofrimento, eu lidar com isso vai ser a causa de paz e alegria, né? De evolução espiritual.

Eu sou uma pessoa que eu pratico mesmo, sistematicamente, pelo guia. Agora eu entrei numa árvore de apadrinhamento que pratica mensalmente um passo. A gente escreve um passo por vez.

E eu estou muito grata por esse método. É, agora estou com a minha dificuldade. E eu estou muito grata por esse método. É um contato diário com o programa, é um contato diário com os passos.

Eu esqueço, eu sou uma pessoa que amo a literatura, eu sei que a gente tem alguma coisa ou outra. Mas se eu estou todo dia em contato, você vai me perguntar, você vai ficar com coisa, uma filhada chega com um negócio e você fala, lê isso aqui. É muito legal praticar todo dia, é muito legal, é um paixante. E acho que é isso que eu tenho para falar do sétimo. Não preciso mais ficar achando dando aqueles meus defeitos, que eles...

Você me ouviu falar cada vez no vídeo? Nossa, foi péssima, eu saí de lá péssima, porque... Fiquei rasgando meus defeitos, meu peito, não precisa, todos nós temos, né?

Hoje é mais sobre respeitá-lo, sobre entender que ele está aqui, vai estar aqui, mas com vozinha eu vou ouvir. Para quem eu vou pedir? Lembrar que eu não estou sozinha, que eu não preciso mais estar na orgulha, na prepotência, na autossuficiência. Eu tenho um padrinho, eu tenho um Deus, eu tenho um atalho, eu tenho você. Praticar. Praticar. É um programa de prática diária.

É... Acho que só pra encerrar também... Falar... Que essa doença, né? É uma doença que... Esse meu último primeiro passo me deu uma... Uma noção da seriedade dessa doença. Não dá mais pra brincar aqui no programa. Eu tô no programa há 20 anos. Tem só 3 anos que eu tô brincando.

Hoje eu levo isso aqui muito sério, porque eu tenho uma vida. E foi um entendimento muito legal que eu tive do meu último passo, né? Desse meu último primeiro passo, né? Sobre o quanto a negação me interna.

Sobre quando a doença que acorda falando para mim que eu não tenho uma doença no inferno. Eu não posso ouvir essas notas. Eu não posso porque alguma coisa externa está boa, esquecer que eu sou egocêntrica. O que eu preciso é tratar isso.

A obsessão já passou, eu não penso em droga, mas eu sou obcecada. Quando alguém briga comigo, eu fico obcecada pelo ressentimento. Eu fico obcecada por coisas, né? Eu fico obcecada no meu trabalho. É onde a obsessão está ativa hoje, né? Eu preciso ver onde a minha doença está ativando hoje, né? E nada melhor que a prática do combo. Vamos lá, tem dois minutos.

O que é o fundo da recuperação? Lá no Terce Límpio, na rua, vem falar da prática diária do programa. E ali fala pra gente, nunca é cedo demais pra determinar a sua prática diária do programa. Que em aliás, é o contrário, né? Não é pra gente falar, ah, nunca é cedo demais pra tal coisa. Não, nunca é cedo demais.

Cedinho, acorda cedinho, vai fazer. Primeira coisa que eu faço no seu dia, praticar o meu corpo. Eu acordo, faço o resto da edição, eu admito a minha impotência, eu leio o sol como hoje, que gravo o áudio, eu me inventaria, porque eu gosto de comer cedo, então eu não me inventaria à noite, mas eu me inventaria à noite. E eu escrevo três pedintinhos que eu faço, que eu estiver trabalhando.

Ou eu passo antes, e à noite eu vou na sala e preço serviço para a hermandade. Acho que essa é a forma que eu tenho encontrado para a voz do Poder Superior ficar mais forte do que a voz da doença dentro de mim. É isso, obrigada e boa participação.

Você está ouvindo o programa Independência, a voz da recuperação. Música

Laralarala, iê Laralarala, iê Permeia Cada célula, tronco Folha, galho, ouveia

Incendeia com fogo de dentro que arde, mas não queima. Pois a areia da ampuleta do tempo me trouxe de volta a sua teia.

É você, é você, é você

Permeia cada célula, tronco, folha, galho ou feia Incendeia com fogo de dentro que arde, mas não queima Pois a areia da ampulheta do tempo Tchau

Trouxe de volta a sua teia É você, é você, é você

É você, é você, é você.

Permeia cada célula, tronco, folha, galho ou veia Incendeia com fogo de dentro que arde, que arde mas não queima Pois a areia da ampulheta do tempo me trouxe de volta a sua teia

E aí E aí E aí E aí

Boa tarde, companheiros, companheiras. Meu nome é Júnior. Sou um adicto em recuperação. Estou ali para 13 anos, 9 meses e 10 dias. Eu tenho consciência que é só por hoje. Tudo. Tudo na vida é só por hoje. Agradeço aí por me terem colocado no grupo. Maneiro. Eu resolvi... E aí

Partilhar aqui com vocês, como se eu estivesse num grupo. Então eu vim para um quarto aqui na minha casa e sentei na cadeira. Estou com uma bermuda, uma camisa, como se estivesse realmente no grupo. Imaginando vocês aí sentados nas cadeiras dos dois grupos que eu tive a oportunidade de conhecer quando eu fui em Cuiabá.

Obrigado pelo convite, é maneiro fazer parte disso. E esse tema, se fosse ler esse livreto, acho que ia demorar uns 30 minutos só lendo. E como o Fabrício falou para mim que é 10 minutos em média, então já iria ultrapassar. E esse tema é maneiro, aí eu vou partilhar um pouco.

da minha experiência em viver solitária há um tempo. Eu vi o texto aí que o companheiro compartilhou e está rolando nas redes sociais. E é mais ou menos a minha vida, um pouco dela, né? Porque hoje eu sou um jovem senhor de 45 anos. Mas eu vivi nove anos e pouco embarcado. Eu sou...

Eu trabalho na marinha e fiquei 10 anos praticamente embarcado num navio, viajando. E desses 10, 5 ou 4 eu estava na ativa. E os outros 5 ou 4, mais ou menos, eu estava em recuperação em INA. E foi nesses períodos, logicamente, que eu me sentia muito sozinho. Porque...

A informação que eu tive quando cheguei nas reuniões era que eu tinha que assistir 90 dias, 90 reuniões. E quando acabasse, continuasse 90 dias, 90 reuniões, isso seria infinitivamente para o resto da vida. Então quando eu fazia as viagens, eu fiz uma viagem de três meses, a maioria da parte dessas viagens eu estava em alto mar.

Mas no navio rolava bebida e algumas pessoas me conheciam e sabiam que eu bebia muito, sabiam que eu cheirava. Então, alguns também faziam esse uso desses entorpecentes dentro do navio, escondido. Então, as pessoas sempre me procuravam, me olhavam ali e depois que estava em recuperação, eu tinha que me isolar dentro de um navio. Então, eu tentava me esconder daquelas pessoas.

E não é muito diferente do que acontece nos filmes, não, né? Quando essa galera chega, geralmente as áreas portuárias são áreas de prostituição e uso de bebida alcoólica, entorpecente. O entorno ali não tem muita coisa assim que faz bem pra alma, não.

Então, quando eu chegava nesses lugares em que eu convivi durante muito tempo, e como agir? Como fazer diferente, né? Então, eu levei as literaturas de N.A. E lá, às vezes, para procurar algum contrabando, alguma coisa que alguém possa trazer de outro país, inopinadamente tinha inspeções de armário, sem avisar ninguém.

Então, eu tinha que mudar as capas dos livros, botar uma capa dura, botar como se fosse de outro livro, encapar, tirar aquelas primeiras páginas de aninhar. E foi daí que eu faço isso. Então, o meu guia de passe está comigo há mais de 10 anos e ele não se acaba, porque ele foi reformulado, refeito. Mas para o dinheiro...

não ficar parado, né? Então eu resolvi todo ano comprar um guia de passos e presentear algum companheiro, que, assim, eu... É a filosofia de vida que eu vivo, que eu acredito, né? Eu gosto de todas as religiões. Todas elas, para mim, são muito boas, são muito abençoadas, todas, sabe? E se me convidarem, eu vou em todas. Me convidando para ir para uma missa, eu vou.

Para ir num culto evangélico eu vou, na Corimba eu vou, receber um passe no centro espírita eu vou, sabe? Receber um jurei na igreja messiânica, sabe? No budismo. Mas eu não sou religioso e não quero ser. O que eu sigo, a filosofia de vida que eu sigo é o guia. Então quando eu falo presentear alguém...

É, literalmente, no sentido da palavra mesmo. É um presente quem tem essa possibilidade de ganhar um guia de passo e seguir ali. E aí, nessas minhas, nos primeiros dias, né, eu me recordo que a minha primeira viagem que eu fiz em recuperação, eu estava com 36 dias limpo e eu fui para o Uruguai. Não minto, para a Argentina. É, pah...

Porto Belgrano. E não tinha reunião de ENEA ali. Só que no Porto, na saída do Porto, era uma rua assim, sabe? E que, vamos supor, mais ou menos uns 300 metros, que era puteiro e botiquinho, puteiro e botiquinho. Então a galera que saiu, já saía, já ficava por ali, né? Então pra eu não... e eu gosto muito de samba, gosto muito de pagode. Então pra eu não parar ali, eu tava de sapato, de calça.

Quando eu entrei nessa rua, eu saí correndo. Saí correndo. Aí o pessoal falava... E eu só acenava com a mão assim, sabe? Para não parar, para não correr o risco. Eu tinha muito, muito, muito medo de voltar a usar. E com 36 dias limpo, eu peguei um táxi. E eu não sei falar espanhol. Falava um portão arranhado. E eu comecei a falar de...

narcóticos anônimos, aí o cara disse como se tinha entendido e foi, né? Mas quando eu percebi, ele tava me levando pra um lugar meio sinistro, sabe? Pô, cara, acho que ele pensou que eu queria droga, quando eu falei narcótico, uma porra dessa. E aí ele me levou, cara, pra uma biqueira lá, pra uma boca lá, cara. Eu falei, não, não, não, não, não, não, não. Aí ele ficou espantado, ele falou, não, não, não, não, nada aqui não, eu quero não.

Ele me tirou dali, aí foi, me levou pra uma cidadezinha próxima, assim, né, cara, que eu não me recordo o nome agora. E me deixou no centro da cidade, cara. Falei, caraca, cara. E agora, cara, aí quando eu olho assim pra uma... Pra uma pilastra, assim, aí que tava lá uma... Uma...

um cartaz de alcoólicos anônimos. Aí eu fui, cara, fui nesse endereço, cheguei lá e perguntei, aí os companheiros falaram que tinha aberto um grupo lá, numa igreja, né? E eu me lembro como se fosse hoje, já estava aberto o grupo há três meses, e um companheiro chamado Lucas, né?

Estava lá, que ele era de Buenos Aires e tinha mudado para lá. Quatro anos limpo e nunca tinha ido membro. Fui o primeiro membro daquele grupo, depois que ele abriu. Depois de três meses, todos os domingos. Foi muito emocionante. Muito emocionante para ele, para mim. Eu com 36 dias limpo e troquei de ficha lá.

De 30 dias, ele me deu uma ficha, né? Nunca mais vi esse companheiro, isso já faz mais de 13 anos. E o que eu tento fazer hoje? Passar adiante aquilo que ele fez por mim, aquele carinho, aquele amor. Hoje eu estou aqui em Corumbá, né? Trabalho também, fui transferido para cá.

E tem um grupo aberto aqui em Ladário. E esse grupo também já está aberto há três meses. E só foram um, dois, um companheiro. E eu não desisto porque eu tenho como manter limpo. Assim é a única maneira de eu me manter limpo. E aí participo das reuniões aqui. Tem um grupo Pantanal também.

que a frequência também é muito baixa. Eu sempre tive um sonho, né? Quando eu estava na ativa, eu queria usar a droga da Bolívia, cara. Porque eu achava, assim, que... Esses pensamentos, né? De doente mental, sabe? Que acreditar que há uma melhor forma de morrer. E era usando droga e droga da Bolívia.

Então eu acreditava nisso, acreditava que eu tinha esse sonho. Graças a Deus eu nunca cheguei para Bolívia enquanto eu estava nativo. E aí, eu não sei por qual motivo, mas Deus sabe, o poder superior sabe, eu fui transferido para Corumbá. Quando cheguei aqui em Corumbá, é uma realidade muito diferente da minha.

Sou carioca e lá no Rio de Janeiro, na área onde eu morava, perto da minha casa tinha oito grupos. Oito grupos perto da minha casa. Fora centenas de grupos, mais de 600 grupos que eu podia ir de carro, que tinham reuniões de vários tipos, vários horários. Lá tem reunião todo dia, inclusive de madrugada. E aí chegar aqui em Corumbá, sabe, foi um choque pra mim, cara. Foi um choque.

Eu, antes de vir pra cá, né, como eu vivo, a primeira coisa que eu fiz quando saiu a minha transferência pra cá, eu fui no site, aí vi a linha de ajuda, aí puxei no Google, aí tinha aqui um grupo Pantanal, né, cara. Aí eu liguei pra linha de ajuda, eu só não sabia que a linha de ajuda era em Campo Grande. Aí, quando eu liguei, o companheiro falou assim, eu falei, aí, meu irmão, beleza?

Porra, meu nome é Júnior, cara, sou uma dica, porra, tô indo pra aí, irmão, tô indo aí a trabalho, eu queria já saber onde tem uns grupos, ele, porra, cara, vem sim, ele falando, porra, vem sim, irmão, vem sim, porque aqui tem nove grupos, porra, tem reunião todo dia, porra, legal, ele falou, porra, que maneiro, cara, graças a Deus, pá. Aí eu falei, porra, mas eu só vi um aí, cara, né, eu tô indo pra columbar aí, com vocês aí, aí ele ficou em silêncio assim, né, e falou, E aí

Ah, tu vai para Corumbá? Ah, tá. Ah, vai sim, vai sim. Pô, lá está precisando de gente. Ah, tem dia que o grupo abre, tem dia que não abre. Cara, jogou um balde de água fria, Zé Mina. Porque ele pensou que eu ia para Campo Grande. A linha de ajuda estava com os companheiros de Campo Grande.

E quando eu cheguei aqui, cheguei no carnaval, né, cara, uma realidade muito, muito, muito diferente. E o que que me fez me recuperar, conseguir me manter limpo nesses locais distantes, né, praticamente solitário, foi esse programa de ANIACA, essa bula.

essa bíblia, essa referência, como qualquer um queira chamar, mas é o meu norte, é a filosofia de vida. É o programa de linha, são esses passos que me mantiveram limpo até aqui e as coisas, elas tomam uma dimensão maior, né? Enquanto eu estive aqui, minha filha tentou suicídio.

Meu filho foi embora para o Rio de Janeiro, minha esposa entrou em depressão, muitas coisas ruins aconteceram, mas eu permaneci, permaneço limpo, só por hoje, por conta desse programa, que eu acredito nesse programa, eu acredito em N.A. Cara, já tem muito tempo, já passou aí uns quatro minutos, me perdoem.

Eu vou ouvir, obrigado pelo convite. Eu não quis gravar e depois mandar para vocês. Eu queria fazer como se eu estivesse no grupo, sentindo a mesma emoção, com os mesmos erros de português, com a voz embargada, com nervosismo, que é assim que é bom. Eu não acredito que uma coisa muito programada possa surtir efeito. A nossa hermandade é de cunho espiritual.

Muito obrigado. Tamo junto. Até a próxima. Valeu, companheiros. Você está ouvindo o programa Independência. A voz da recuperação. Essa música se chama Anônimo. Composição Marco Melo e Rodrigo Dias. Só por hoje é a minha nova história. Viva o eterno agora. Amor agora.

Meu nome é apenas um nome como você. Eu sou anônimo, mas não é por ser anônimo. E eu não sou importante. Meu nome é apenas um nome como você.

Como você eu sou anônimo Mas não é por ser anônimo E eu não sou importante Só por hoje é a minha nova história Vivo eterno, agora Vivo eterno, agora

Só por hoje é a minha nova história Vivo eterno, agora, agora Por este momento, por um tempo inconsequente

Minha história é parecida com a sua, uma história de dores, de droga, de rua. Porém este time importante...

Por um tempo inconsequente Minha história é parecida com a sua Uma história de dores E drogas eterno Já por hoje é a minha nova história Vivo eterno

Agora, agora, só por hoje é a minha nova história Vivo o eterno, agora, agora As caixas estão de peito aberto

De cabeça, de cabeça erguida Por uma irmandade fui acolhido Não sou mais digno de dó Não mais me sinto oprimido Hoje eu não estou, não estou mais só Vivo apenas só

Um dia de cada vez, sabor hoje é a minha nova história. O Cego Ego, Oposição Rodrigo Dias.

que belo. Na cor do rei Ego, o dobro é o próprio eu. Sentado em seu trono de plástico, encontra-se o ego cílico lúgubre, enxerga bem nas essências

Os seus olhos são voltados pro umbigo Me pergunto Mas quem foi o grafou lá que curou Essa déspota Tem uma resposta Claro que é óbvia É quando me percebo

O ego é rei, rei, rei, rei, rei, rei. O eu é pouco, pouco, pouco, pouco, pouco. Que coroou seu egocentrismo. O eu é pouco, pouco.

Na corte do rei Edwin, o dobro é o próprio eu. Com o meu chapéu de guiso, com minhas roupas coloridas,

Com meu calçado de Quantas torcidas Sou o bobo Da corte da vida Me pergunto Mas quem foi o crapola Que curou Esta déspota Deu uma resposta Claro que é óbvia É quando me percebo

O ego é rei, rei, rei, rei, rei, rei. O eu é fogo, fogo, fogo, fogo, fogo. Que coroou seu egocentrismo. O eu é fogo.

Na costo do ego, o bobo é o próprio eu. Sentado em seu trono de plástico Encontra-se o ego cínico lúgubre Chega bem, mas

Os seus olhos são lotados pro umbigo Me pergunto Mas quem foi o cravo lá que curou Esta déspota Temo a resposta

Claro que é óbvio, é quando me percebo. Vem comigo! O ego é rei. Rei, rei, rei, rei, rei.

Você que é investidor estrangeiro, internacionalmente parceiro Mente rápida, dedo ligeiro, em Libra, Dólar ou Euro Preciso te contar o que não se lê Na Veja, no Times ou no InfoMoney, vou elucidar a você O que é o risco Brasil? Risco Brasil é morar em um barranco Em um barraco, um córrego esgoto Depósito dejeta seu alberto Por causa de governos escrotos

Risco Brasil é periferia, é um marco de casas liquidadas. Violência sem treinamento básico, vivência da bênção com o trágico. Risco Brasil! Risco Brasil! Risco Brasil! Risco Brasil! Risco Brasil! Risco Brasil!

Risco Brasil é multidão de lojas, tracolândia de política Capitais capitalistas, megalópolos elitistas Risco Brasil é futuro escravocrata, legórdia e machista É por solução imediatista, da fortuna e da fama imperialista Risco Brasil são contradições entre os maiores lucros bancários E as maiores misérias, fome e moradores de rua

risco Brasil é falsa democracia eleitorado enganado com fake news, toda impressão que o povo escolhe alguma coisa mas no fundo é apenas gado, gado gado, gado, gado conduzido pro abate Quando eu partir, composição Rodrigo Dias e Marco Melo Quando eu partir pouca coisa vou levar E aí

O que levarei não é coisa, não isso. Pois tudo que atrasa rói, não posso levar. Só vou levar o que aprendi, o que eu sinto. Prefiro levar amor. Prefiro levar amor.

Mas posso levar o ódio se optar. Afinal são sentimentos, são sentimentos. Sentimentos eu posso levar, eu posso levar. Prefiro estar sobre o desperto.

Não quero passar dormindo, entorpencido. Quando eu partir quero estar em paz. Quero estar comigo, simplesmente ser e partir. Ser.

Repartir. Ser. Repartir. Ser. Repartir. Preciso acordar. Desse sonho hipnótico.

Este estado hipnótico, simbólico, em que me encontro aprisionado A uma vida cotidiana e óbvia, mecânica atona, desarmônica Uma prisão sem muros, corrente sem elos, a fantasia de que sou livre Usurpa a verdadeira liberdade, pois a dificuldade de despertar De deshipnotizar está no fato de que sonho que estou acordado

E tenho um pequeno vislumbre da realidade As forças que me mantêm dormindo

agem poderosamente em mim Me mantendo no sonho hipnótico São tantos sonhos dentro de sonhos

Acordar é de fato a maior conquista que alguém pode almejar. Acordar é a única maneira que se tem de romper os grilhões que me prendem à engrenagem da ilusão. Acordar é a única maneira que se tem de romper os grilhões que me prendem à engrenagem da ilusão.

Preciso acordar.

Acordar é de fato a maior conquista que alguém pode almejar

O mundo não quer mais vocês, impotentes generais, capitães ou coronéis, com suas armas, cacetetes e escudos, ou seus foguetes caralhudos. O mundo não quer mais vocês, infelizes homofóbicos otários, seu desejo reprimido, seu coração partido, vontade indizível de sair do armário.

O mundo não quer mais vocês, marxistas, exigistas, chauvinistas. Em seu desrespeito e disputor, não consegue empreender sua dama por amor. O mundo não quer mais vocês, políticos, corruptos, orbitantes. Opreendem nos plenários, ladrões do erário, com seus vantagens funcionários.

O mundo não quer mais vocês, egocêntricos otários

O mundo não quer mais vocês O mundo não quer mais vocês Predadores ambientais Do madeireiro que seiva a seiva da floresta Ao pequeno gerador de lixo plástico

O mundo não quer mais vocês. O portulista do mercado financeiro. Que nada geram de verdadeira riqueza. Apenas engordam autarquias e empresas. Aumentam o contraste entre a riqueza e a pobreza. Aumentam o contraste entre a riqueza e a pobreza. Aumentam o contraste entre a riqueza e a pobreza. Aumentam o contraste entre a riqueza e a pobreza.

Vocês são o flagelo da humanidade e do planeta.

Impreciso, como são Rodrigo Dias e Marco Melo. É preciso ter sofrido pra falar de dor, é preciso ter amado pra falar de amor, é preciso ter usado pra falar do usuário, é preciso ter um preenche pra falar do aquário, é preciso ter sofrido pra falar de dor, é preciso ter amado pra falar de amor.

É preciso ter usado pra falar do usuário, é preciso ter o peixe pra falar do aquário, é preciso estar vazio pra falar do cheio, é preciso estar na ponta pra falar do meio, é preciso ter mamado pra falar do cheio.

É preciso estar vazio pra falar do cheio É preciso estar na ponta pra falar do meio É preciso ter namato pra falar do seu É preciso ter ido além É preciso não ter desdém

No ser impreciso pra falar de amém, no ser impreciso pra falar de amém, é preciso o tempo de valem. Não julgo minhas decisões se não conhece minhas razões.

Transcrição e Legendas por Quintena Coelho

Pra falar do aquário É preciso estar vazio Pra falar do cheio É preciso estar na ponta Pra falar do cheio É preciso ter na mata Pra falar do cheio

É preciso ter vazio pra falar do cheiro É preciso estar na ponta pra falar do rio É preciso ter mamado pra falar do cheiro Vem comigo! É preciso ter ido além É preciso não perder bem

Não sei nem preciso pra falar de amém. Não sei nem preciso pra falar de amém. É preciso ver e falar de amém. Não conhece minhas razões.

Nesse exato momento existe alguém no seu trono Um mundo do padrão disse que é um trono sem o nome de você Desenvolvido sou eu e agora tu tá comandando a sua vida O nome desse desvota que o insulto da coisa com a volta dos caras é de conduta Évo!

Mas foi você quem permitiu a atenção de oportunidade. O que disseram é a sua preguiça. E agora suporta a sua presença.

Nesse jato momento existe alguém no seu trono Um fulgador que tinha funcionado sem nome de você Desenvolvou o seu eu e agora tudo está comandando a sua vida O nome desse derrota virou insulta com a volta do cara deliconduta É bom!

O nosso reino real É um espelho distorcido É um espelho pertonal É um espelho pertonal É um espelho pertonal Um reflexo de nós, os outros sobre a Criação

Outra mais um mundo, me ensina com o ego, com suas imagens calibroscópicas Mais um ego, com sua estufa flutua Com a balão, com a alvorha de sabão Com a balão, com a alvorha de sabão

de sabão

E aí

O DURBADOR! O DURBADOR! DITRORI! DITRORI! DITRORI! O DURBADOR!

O homem apressado vai pro trabalho Um dia frio, chuvoso sem lume Muito comum nessa época do ano Onde o inverno chega ao seu cume Pela garoa fina, pulo no guarda-chuva Sargentas podres e águas turvas

Maiores que a calçada, se explicar são Sapatos brilhantes, ultrapassam Nas calçadas, úmidas do centro O homem sem pressa, agradece Por ter atravessado, mais uma noite de gelo Vê o homem apressado na massa Dá risada e abençoa, sua cachaça

O homem apressado fuma seu primeiro cigarro e passa pelo homem sem pressa. Observa com uma mescla de desprezo, nojo e medo. Homem apressado dá aquele último trago, atirando a bituca num canto seco da calçada.

Os olhos do homem sem pressa, acompanha a trajetória acesa. Pensando, quanto tempo faz que não fuma um cigarro? Quanto tempo faz que não senta a mesa? De pronto, apanha a bituca. Sente seu gosto amargo. Alguma coisa não está certa.

O homem apressado, há de dar um tempinho para o homem sem pressa. Alguma coisa não está certa, pois como não tem onde dormir, o que comer e o que vestir, vive como pode, entrega-se a sorte. Sobrevivendo das sobras do homem apressado.

O homem sem pressa assim, apressa sua morte

O homem sem pressa, sim, apressa a sua morte. O homem sem pressa, sim, apressa a sua morte. O homem sem pressa, sim, apressa a sua morte.

Até quando queremos sentados no sofá de couro de gado assassinado? Enquanto crianças, velhos mendigos, nóias e malabares Atrapalhem seu tempo vermelho de semáforo? Até quando a vontade econômica de minorias Sejam nações, pessoas ou etnias Prevalecerão e ditarão os destinos de uma grande maioria?

Até quando interesses de partidos políticos e empreiteiras decidirão a extinção de espécies e florestas ou a morte de uma tribo indígena inteira? Até quando? Até quando? Até quando?

Até quando o consumo de papel ou de madeira e a loucura energética imediata do drogão que queima mata vai matar a biosfera? Até quando acharemos justo e legítimo que se assassine um assassino? Pois se assassinato for punível com a morte, quem matará o Estado?

Até quando teremos quem defenda o porte e a fabricação de um instrumento que foi inventado para aniquilar seu semelhante, para matar o seu irmão? Até quando? Até quando? Até quando?

Até quando as prioridades de consumo exagerado. E a obsolescência programada ditarão as normas do mercado. E nós os otários, gado que segue gado.

Até quando iniquidade e injustiça perpetuarão? Apesar de já sabermos das leis universais, trazidas por avatares espirituais, principalmente o grande carpinteiro da Galileia. Até quando? Até quando?

E aí

Você ouviu o programa Independência Voz da Recuperação. Até domingo que vem com mais informações a respeito de alcoolismo, de adicção e todo o universo da dependência química. Até mais, tchau tchau, muito obrigado.

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