Episódios de Trilha das Artes

Caroline Pismel, em cartaz com Medeia, fala sobre trajetória e criação

08 de maio de 2026
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Participantes neste episódio2
M

Mônica Montenegro

HostApresentadora
C

Carolina Pismel

ConvidadoAtriz, diretora e professora de teatro
Assuntos4
  • Montagem de MedeiaClássico grego e sua relevância · Releitura com foco na condição feminina e estrangeira · Cenário instável e opressor · Abordagem da vingança e culpa
  • Carreira de ator e paixão pelo audiovisualDiferenças na atuação e prazer · Oportunidades de viver diferentes personagens (drama/comédia) · Relação com o público e identificação · A potência da presença teatral · Impacto da pandemia no teatro
  • Trajetória de Carol GattazInício no teatro na infância · Primeira peça profissional · Formação acadêmica e companhias teatrais
  • TeatroCompanhia Humondé · Teatro Independente · Importância na formação de atores · Experimentação de outras funções (iluminação, cenografia) · Autonomia e produção artística
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A partir de agora, você ouve Trilha das Artes, a trilha sonora abrindo caminho para conhecer a arte de grandes nomes da cultura brasileira. Música, opinião e informação na Trilha das Artes, com Mônica Montenegro.

Desde o momento que eu te vi Não pude acreditar Mas se eu não consegui Vem me amar Várias queixas Várias queixas de você

Olá, ouvintes! Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo ao Trilha das Artes. Ao som da deliciosa Várias Queixas com Luiz Gilson, a gente abre esta edição que te convida a conhecer a trajetória de uma atriz que transita com naturalidade entre o humor e o drama, entre o palco e as telas. Quem está aqui com a gente é a atriz, diretora e professora de teatro Carolina Pismel. Carolina, seja muito bem-vinda ao Trilha. Super obrigada por ter topado o nosso convite.

Nossa, o prazer é todo meu, Mônica. Muito feliz de estar aqui falando com vocês. Ô Carolina, eu queria aproveitar essa oportunidade de ter você aqui com a gente para fazer uma retrospectiva da sua carreira. Como e quando que foi o seu primeiro encontro com o palco? Olha, começou muito novinha, assim, eu já comecei a fazer teatro desde a infância.

Então eu comecei com 10 anos num curso de teatro e ali eu já me apaixonei, sabia que eu queria fazer aquilo pra vida e acabou seguindo pela adolescência, eu continuei fazendo teatro, uma dor. E com 19 anos eu fiz a minha primeira peça profissional, que foi Cachorro, e a partir daí não parei mais. Fiz faculdade, tenho duas companhias e realmente teatro é a minha vida.

Pois é, isso a gente quando pesquisa sobre sua carreira, vê que a grande marca que você tem na sua trajetória é realmente o teatro e os grupos teatrais, como a Companhia Humondé e Teatro Independente. Eu queria te escutar um pouquinho sobre as duas companhias, né? E também saber sobre a importância das companhias teatrais na formação de profissionais das artes cênicas. Nossa, para mim é fundamental, assim, eu não sei o que seria da minha carreira sem as minhas companhias.

Para mim foi muito natural, também, assim que eu fiz minha primeira peça profissional, a gente tornou isso um grupo, que foi o Teatro Independente, que é a companhia que eu tenho com o Paulo Verlings, a Júlia Marini e o Jô Bilac. Essa foi a minha primeira companhia, que a gente faz um trabalho de pesquisa, trabalha muito melodrama e outras vertentes, mas é um trabalho muito interessante, que a gente começou muito jovem, fomos aprendendo e nos formando de alguma forma juntos, mesmo todos nós tendo formação.

mas a gente junto conseguiu ir trilhando a nossa carreira e estamos juntos até hoje. O Mondé é uma companhia da Inês Viana, que a diretora é a Inês Viana, uma diretora muito incrível aqui do Rio de Janeiro, e que eu fui convidada a estar com eles, e foi um prazer. Nós nos conhecemos em viagens, a gente estava viajando com o Teatro Independente, com o espetáculo, e eles estavam viajando com o primeiro espetáculo deles, o Mondé, que era o As Conchambranças de Quaderna.

E aí juntos a gente se encontrava em festivais, estávamos sempre juntos e surgiu essa vontade de trabalhar juntos. Eu fui convidada para fazer o segundo espetáculo, que foi Os Mamutes. E foi maravilhoso, eu adorei estar com eles e assim fui convidada a estar. Daí por diante estamos juntos já há 15 anos também. E é muito interessante fazer parte de duas companhias, são linguagens muito diferentes. Mesmo trabalhando com o mesmo autor, porque o Jô, que é do Teatro Independente, também já esteve comigo no Mundé.

mas de forma completamente diferente. É uma maneira de se experimentar. Muito incrível. Eu adoro trabalho de companhia e é muito importante para a formação do ator e também para a pesquisa. É muito incrível como o espectador pode acompanhar o trabalho de uma companhia, admirar aqueles artistas e a pesquisa daquele trabalho. E cada companhia, com as suas diferenças, é muito rico.

E as companhias teatrais, me parece que elas também dão oportunidade dos profissionais experimentarem outras funções também, a iluminação, a cenografia, que são fundamentais, né? E às vezes, para a plateia, fica muito presente quem está de frente ali, mas é uma galera enorme para colocar um espetáculo em cartaz, né? Ah, com certeza. Nós temos nossos parceiros também, pessoas que a gente já trabalha há anos.

cada um na sua área e às vezes também a gente convida outras pessoas para estarem com a gente para viver outras coisas, mas a gente também se experimenta em outras vertentes. Eu, por exemplo, o Teatro Dependente já dirigi, o Paulo já escreveu, a Júlia já fez figurino, a gente acaba participando de outras coisas e acaba que no final das contas a gente faz um pouco de tudo. Todos nós sempre nos produzimos, porque isso é uma coisa muito natural, para que a coisa aconteça a gente precisa se produzir. Na verdade,

Essa é uma das funções mais incríveis das companhias, os artistas poderem botar literalmente a mão na massa e serem donos do seu próprio trabalho, se produzirem e estarem em cartaz com aquilo que eles acreditam, porque às vezes muitos trabalhos como ator, atriz, a gente é chamado e nem sempre é o melhor trabalho que a gente gostaria de estar, mas precisamos estar por questões financeiras, por questões daquele momento da vida.

Mas a companhia a gente pode experimentar e viver coisas que a gente quer fazer, né? Isso é muito interessante. Ah, que legal. Hoje aqui no Trilha das Artes, a conversa é embalada por músicos especialmente escolhidas por nossa convidada, a atriz Carolina Pismel. Agora a gente escuta mais um pouquinho de várias queixas desse grande sucesso do Olodum na versão de Os Gilson's.

Desde o momento que eu te vi Não pude acreditar Mas eu não consegui Vem me amar Várias queixas Várias queixas de você

Queixas, várias queixas de você Por que fez isso comigo? Estamos juntos e misturados Meu bem, quero ser seu namorado O meu corpo balança querendo encontrar o seu amor

Se você gostar, tá bom? E aí

Ô Carolina, conta pra gente por que você escolheu essa maravilha de música pra ouvir aqui com a gente. Nossa, eu amo os Gilson. Essa música já era muito incrível, na versão do Doom, eu adoro. É bem animada, eu gosto, mas a versão dos Gilson, assim, ouvir Gilson me acalma, sabe? Eu acho uma gostosura, assim, ouvir no carro. É uma delícia, assim. Eu gosto muito da voz do Fran, que é o vocalista dos Gilson, né?

Eu amo, eu amo mesmo. Ah, eu também adoro, ela está sempre nas minhas playlists, assim. É, maravilhoso. Bom, antes da gente escutar o Gilson, a gente estava falando de teatro, da importância das companhias teatrais, né? E agora eu queria ir para o audiovisual.

Na televisão, a Carolina integrou o elenco de produções com as novelas Lado a Lado e A Love Paraisópolis e das séries A Segunda Dama, Sob Pressão, Participou de Tapas e Beijos, entre muitas outras. No cinema, ela atua nos longas-metragens Campo Grande e Três Verões, ambos dirigidos pela Sandra Cogutti. Como que foi esse movimento dos palcos para as telas, Carolina? Foi de uma forma muito natural. Na verdade, eu devo ao teatro o fato de fazer audiovisual.

Os produtores de elenco foram me assistir no teatro e me convidaram a fazer testes, a estarem tentando entrar nesse mercado audiovisual. E acabou acontecendo, eu acabei fazendo algumas coisas, faço até hoje, principalmente muitas participações. E é totalmente diferente, né? Eu brinco que eu tive que realmente aprender, porque é uma outra maneira de atuar, é um outro tipo de prazer, completamente diferente do teatro, mas que eu também gosto muito.

É muito interessante se ver. E dá a oportunidade de viver coisas do tipo, como você citou, a participação que eu fiz no Tapas e Beijos e a participação do Sob Pressão, as duas foram com a Fernanda Torres. E a do Sob Pressão, por exemplo, foi uma participação de drama e do Tapas e Beijos uma participação de comédia. Então, olha a oportunidade da carreira de poder viver isso, estar com uma questão incrível em duas situações completamente diferentes. E isso o audiovisual traz para a gente de uma forma incrível.

Que massa. E essa diferença que você citou, você percebe ela também na relação com o público, nesses diferentes meios, teatro, televisão, cinema? Tem diferença nessa relação? Com certeza, né? Eu acho que as duas formas fazem o público se identificar, né? Eu acho que através do drama, coisas que as pessoas já viveram, elas podem se identificar.

Mas acho que a comédia é uma identificação mais rápida. Eu acho que o público, em sua grande maioria, assistem coisas e vão aos teatros para se divertir. E acaba que a comédia é uma identificação mais rápida. Mas o drama é uma identificação talvez mais profunda. A comédia até pode ser profunda, claro, mas ela chega de uma forma muito rápida e você reage de uma forma muito rápida, sorrindo, gargalhando.

Mas eu acho que o drama, ele toca a pessoa profundamente. Talvez ela fique dias, semanas, pensando naquilo, né? Por exemplo, um filme que estava concorrendo ao Oscar, ganhou o Oscar também, né? De algumas coisas, que foi o Hamnet, né? É um filme extremamente dramático e profundo, que ficou na minha cabeça por dias, semanas. Aquilo me tocou profundamente. E se eu parar para lembrar, eu sou capaz de me emocionar novamente só pensando naquilo. Eu acho isso muito interessante no drama também.

E na Companhia Teatro Independente, a gente trabalha muito as duas coisas juntas, né? A trágica comédia, que também é uma vertente bem interessante. É muito lindo ver esse poder que a arte tem, né? De acompanhar a gente, tem alguns personagens que parecem que ficam seguindo a gente por dias e dias, né? É, é muito incrível porque é o poder da arte, né? Que muitas pessoas não conhecem ou...

Porque tem muita gente que nunca foi ao teatro, por exemplo, e às vezes quando vai pela primeira vez, aquilo toca a pessoa profundamente e ela nem entende o porquê. Porque a presença do teatro é incrível, né? Você está ali presente.

com o ator fazendo na hora, nunca mais uma apresentação vai ser igual àquela. Isso é muito potente, na verdade, essa arte do encontro, né? É o que mais me fascina no teatro. Nesse tempo de tudo tão virtual, né? Tudo tão imediato, essa presença do teatro em que você precisa estar realmente presente, tanto quem está se apresentando quanto a plateia, é uma experiência muito única, né? Muito única, muito.

E com a pandemia a gente teve muito medo, né? Eu, pelo menos, e conheço várias pessoas também, medo disso acabar, né? Parecia que aquilo nunca mais ia voltar ao normal e que a gente ia perder essa potência, né? Não que as outras artes também não tenham, tem. As outras artes têm o poder de se eternizar, né? Posso ver um filme super antigo hoje, eu posso ver uma novela antiga, qualquer coisa. Mas o teatro é o único. Nunca mais será vista aquela apresentação, tem peças que nunca mais vão ser as mesmas.

E isso é muito especial. É interessante você ter falado dessa experiência da pandemia, que uma impressão que eu tenho hoje em dia quando vou ao teatro, e eu já conversei com vários atores e atrizes com essa mesma impressão, parece que no pós-pandemia o público estava sedento por essa experiência presencial, essa troca, porque as salas de teatro estão muito cheias pelo Brasil afora. Eu também tenho essa impressão. Eu percebo isso. Eu acho que as pessoas precisavam estar de volta nesse encontro com...

com o palco, né, tá ali na plateia assistindo aquilo presencialmente, e foi uma força pro teatro. E que bom, porque deu muito medo. Deu muito medo em todos nós, de não ter isso de volta. Nossa, super. Eu peço licença na nossa conversa, Carolina, pra chamar uma outra escolha musical que você trouxe pra compartilhar aqui com a gente. E uma escolha maravilhosa. Vamos escutar aqui.

Meu coração Hoje tem paz Decepção Ficou pra trás Eu encontrei Um grande amor Felicidade Enfim chegou Como o brilho do

O mar Nessa viagem desplendou Meu sonho se realizou A gente se fala no olhar É água de chuva no mar Caminha pro mesmo lugar Sem pressa, sem medo de errar É tão bonito, é tão bonito Nosso amor a gente tem tanto querer

Vai sair até a terra tremer A luz que luz vai viver O sol do meu amanhecer É você O meu coração Hoje tem paz Percebição ficou pra trás Eu encontrei um grande amor Felicidade enfim

Como o brilho do ar Em sintonia com o mar Essa viagem te esplendou Meus sonhos se realizou

Acabamos de ouvir a grande Bete Carvalho interpretando Água de Chuva no Mar, uma composição de Carlos Caetano, Wanderlei Monteiro e Gerson Gomes com participação especial do brasiliense Hamilton de Holanda. Que astral maravilhoso esse que você trouxe pra gente, hein? É um hino de amor lindíssimo, né? É a minha música favorita. Eu amo essa música, daquela da gente...

cantar muito alto e quando tá com muita gente em festas, shows e graças a Deus essa música todo mundo canta, então eu posso cantar ela muitas vezes, todo show que eu vou de samba todo mundo puxa essa música, isso é uma alegria, porque ela é assim, lindíssima eu amo essa música. Nossa, ela é maravilhosa e pela sua playlist dá pra suspeitar que o samba e que o amor tem uma importância imensa na sua vida, né?

Ah, com certeza, né? Caminham juntos, mas... E eu amo samba. Eu sou uma pessoa, assim, totalmente movida a samba, é o que eu escuto, basicamente. Eu sou uma pessoa do carnaval, eu amo carnaval, eu amo samba em rede, eu acabei não botando nenhum. Mas samba em rede também é uma coisa que eu escuto o ano inteiro, não escuto só no carnaval, escuto o ano inteiro. Poxa, que delícia! Então, antes da gente continuar com a entrevista, vamos escutar mais um clássico escolhido pela atriz Carolina Pismel, O Que É O Amor, com o sambista perfeito Alindo Cruz.

Se perguntar o que é o amor pra mim. Não sei responder, Não sei explicar, Mas sei que o amor nasceu dentro de mim. Me fez renascer, Me fez despertar, Me disseram uma vez, Que o danado do amor Pode ser fatal.

Um dor sem ter remédio pra cura Me disseram também que o amor faz bem E que vence o mal Até hoje ninguém conseguiu definir O que é o amor Quando a gente ama brilha mais que o sol

Que o sol é muita luz É emoção, amor Quando a gente ama é parando no ar E vem abençoar o nosso amor Se perguntar o que é o amor pra mim

Arlindo Cruz, super maravilhoso. Você quer comentar a escolha dessa música, Carolina? Olha, eu poderia trazer a playlist todas ao do Arlindo, porque eu amo muito mesmo. Eu brinco quando eu escuto muito uma música que eu furo CD, né? Não escuto mais CD, mas é como se eu furasse o CD de tanto ouvir. E Arlindo eu furo CD, com certeza. De tanto que eu escuto. Arlindo e Martinalha. Duas coisas que eu furo CD.

O Trilha das Artes recebe hoje a atriz e diretora Carolina Pismel. Carolina, agora eu queria falar do seu trabalho mais recente, a montagem de Medéia, dirigido pelo Paulo de Moraes. Em primeiro lugar, você podia contar um pouco da trama, para quem não conhece a história desse clássico grego, só para a gente partir daí? Claro. Medéia é uma figura mítica, né? Foi escrita há 431 anos antes de Cristo. É um marco na história do teatro. É uma mulher, uma feiticeira.

que é muito conhecida por ela ter feito suas vinganças, porque, na verdade, ela conhece Jasão, que é o marido dela, se apaixona, eles têm dois filhos, ela ajuda Jasão muito na vida, ela ajuda ele a chegar em lugares muito altos, conquistar coisas que ele queria, ele só conquista por causa dela, e depois de tudo isso, Jasão acaba querendo conquistar mais coisas, e acaba traindo ela, indo casar com a filha do rei, para poder conquistar o trono.

E ela acaba não gostando de viver tudo isso. Ela acaba reagindo a essa traição de uma forma com bastante raiva. E é o que é o mais conhecido da Medéia, a parte da vingança dela. E a peça fala muito, na nossa versão, que é uma versão original de Medéia, é parte do mito, mas é uma versão original, a gente fala muito sobre, será que Medéia está totalmente errada?

Será que a violência que ela viveu não são maiores, talvez, do que os crimes que ela cometeu? Então traz muito esse lugar da condição feminina, da paixão, da traição, e desse lugar da estrangeira, porque ela é uma mulher estrangeira.

Então, a maneira como o estrangeiro é tratado em outro país, enfim, é sobre isso. É super interessante, porque dentre as opções cênicas que vocês fizeram, né? Além de trazer essa releitura com esse outro olhar, com uma nova visão sobre essa história clássica, né? Tão conhecida, vocês trazem elementos também que ajudam a...

Mexer com a percepção da plateia. Um exemplo é o cenário, né? A casa onde Medéia e Jasão acertam as contas, ela fica equilibrada em cima de um tablado que reflete essa instabilidade da relação entre eles, né? Exatamente, exatamente. E a peça começa, Medéia, lá em cima do telhado para acertar as contas com Jasão, né? Porque a gente parte, a nossa história, ela parte do final da história que todo mundo conhece, né? Ou que a maioria das pessoas conhecem.

do mito, que no final de tudo Medéia acaba indo embora. Só que na nossa versão Medéia não vai embora. Antes de ir embora ela quer acertar as pontas com o jazão. Então ela já começa em cima dessa casa, que é uma maquete, vamos dizer assim, que ela é menor, e a gente fica muito espremidinho lá dentro, muito condensado. E o espetáculo tem muito esse lugar. É um cenário muito delicado, mas ao mesmo tempo, por ser pequeno, ele nos oprime.

Então, é um espetáculo de 60 minutos, no máximo. Ele é pequeno, mas ele é denso. E a gente também fica ali, espremido, dentro desse universo delicado. Fica bem bonito. Ai, que interessante, que interessante. Doida pra assistir. Mas agora é hora de ouvir mais uma escolha musical da nossa convidada, a atriz e diretora Carolina Pismel. Ela falou da Martinalha ainda agora, então vamos escutar Pretinhosidade, da Martinalha.

Sim, você sabe de mim, quando eu não tô afim, quando eu só quero brincar, não. Sim, mesmo que eu diga não, você não me desdiz, mas me chama atenção. Vamos lavar toda a roupa suja.

Mergulhar de cabeça Nos armários da ilusão Riscos vem à tona E eu pareço um otário Com você que é uma pedra Em meu caminho Minha pedra preciosa Minha preciosidade Minha preciosa idade Minha presa

meu destino minha pretinhosidade minha festa sim você sabe de mim quando não tô a vida

Eu só quero brincar, mas sim, mesmo que eu diga não, Você não me diz, diz, mas me chama a atenção.

Que seleção astral é essa que você compartilhou com a gente, Carolina? Mas voltando a falar de Medéia, né? Na peça, você contracena com o ator Paulo Verling, que é seu marido. E essa não é a primeira vez em que vocês dividem o palco. Vocês fizeram a peça escocesa, baseada em obra de Shakespeare, em 2018. Conta pra gente como que é essa experiência de compartilhar o palco, né? Essa montagem com ele. E que desafios que ela traz pra você como atriz?

Então, na verdade, Paulo é meu maior parceiro, né? É a pessoa com quem eu mais já fiz peça na vida. A minha primeira peça profissional, que foi cachorro, já foi com o Paulo. Já foi com ele, verdade? É, já foi com ele. Não, na verdade, é mais fácil contar as peças que eu não fiz com o Paulo. E eu já estive, inclusive, a gente já esteve em situações diferentes, que foi ele me dirigindo também, duas vezes, e eu já dirigi ele uma vez também.

Assim, pra maioria das pessoas, trabalhar às vezes com o parceiro ou a parceira não é a melhor solução. E eu super entendo. Acho que cada relação tem uma maneira de ser. A nossa foi se moldando dessa forma, né? A gente já se conheceu através do teatro e acabou trabalhando juntos. E daí a gente já não parou mais. E dá certo pra gente, assim. Apesar da gente, obviamente, trazer o trabalho pra casa, porque não tem jeito. A gente foi criando maneiras de fazer isso também.

não atrapalhar a nossa vida, enfim. Mas como atores, é sem dúvida o meu maior parceiro, é quem eu mais dou certo até hoje, né? Porque a gente se conhece muito, a gente tem companhia de teatro junto, a gente se olha e já sabe o que o outro está pensando, e isso nos ajuda demais. Eu vejo agora, por exemplo, o Medéia, os ensaios, são basicamente eu, o Paulo e o Paulo de Moraes, que é o diretor, só nós três, também super simples, condensado.

E é tudo muito, ao mesmo tempo, rápido, né? Evolui muito rápido, porque a troca, ela é imediata. E isso é muito potente no nosso trabalho. Nossa, que riqueza, que riqueza essa experiência. Eu acho que ainda dá tempo da gente falar da sua faceta de diretora, que você comentou há alguns momentos aqui, né? Você assinou a direção do espetáculo Ricardo, ao lado da Débora Lã, que inclusive já esteve aqui no Trilha das Artes com a gente.

Conta um pouquinho dessa experiência de dirigir. Então, na verdade, minha primeira direção...

Foi com a Débora, ela que me impulsionou a fazer isso, porque ela me chamou para dirigir Ricardo com ela, que foi maravilhoso. A partir dali eu consegui entender até que eu tinha essa possibilidade, porque até ali eu não tinha me visto nesse papel. E aí as minhas outras direções também foram em dupla, uma com a Débora, outra com a Nathalie Rodrigues, outra com o Paulo, eu dirigi também uma peça com o Paulo.

Até que minha primeira direção sozinha foi dirigir o Paulo no monólogo, que ele falou, ó, só faço se for com você dirigindo. Eu acho que talvez eu tenha topado mais por ser uma pessoa que eu conheça tanto, sabe? E foi uma experiência incrível, incrível mesmo. A gente não teve nenhuma questão. Ele me ouviu totalmente, eu ouvi ele. E isso fez com que a coisa acontecesse, assim, justamente por a gente ter essa troca muito boa.

Esse lugar da direção é uma coisa que eu ainda me sinto experimentando, sabe? Não me sinto totalmente plena, eu ainda estou experimentando, mas é uma coisa que me atrai muito, eu gosto bastante. É muito interessante e é muito diferente, é totalmente diferente de atuar. E eu acho que todo ator que dirige se torna um ator melhor também, porque como você vai para o outro lado, você começa a ver ali o ator naquela situação, você pensa, olha, talvez até me identifique, né? Eu vejo, ah, isso aqui são coisas que...

legal de fazer ou de não fazer quando eu estou sendo dirigida. Então me tornou uma atriz melhor, eu acredito, começar a dirigir.

Ah, que bacana, muito legal essa experiência nas artes cênicas em diversos papéis, assim, né? Que legal. Ô Carolina, o nosso tempo está acabando, então eu queria muito agradecer essa presença na Trilha das Artes, desejar muito sucesso para você com o Medéia e com os outros projetos que eu sei que com certeza estão vindo por aí. Nosso espaço está aqui aberto para discutir sempre sobre esses projetos, viu? Muito obrigada, muito obrigada mesmo, Mônica, por esse espaço, foi uma delícia.

E um abraço pra todo mundo aí que tá ouvindo. Foi um prazer. Obrigada mesmo. Yeah, vem pro meu lado Te encontro no abraço Juntei um trocado Pra gente sair por aí Nossa resenha Não há quem detenha Do Leme a Penha Teu passo me dá diretriz

Beleza, funk e simpatia Tem tradição no carnaval Tem sangue bom na avenida Tem ilusão, tem batidão Tem arte e nostalgia Tem coração, tem sol, tem som

Desse sambinha, bora conhecer o Brasil Vambora pra Bahia, no fusquinha do meu tio

É mais festeiro com você, mulher E ao som de nossa resenha Com os garotinhos Caetano Veloso A gente encerra o Trilha das Artes de hoje Este programa teve produção e apresentação Minha com sonoplastia do Nilton Gomes Este e todos os outros programas Estão disponíveis em nosso portal Radio.câmara.leg.br Eu sou a Mônica Montenegro E na próxima semana estou de volta com mais um bate-papo Imperdível com o grande nome da nossa cultura Até lá! Você ouviu Trilha das Artes