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O Peso | Disco Voador Entrevista Gabriel O`Meara

01 de maio de 202649min
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Gabriel O`Meara, fundador e principal compositor da banda O Peso, está a bordo do Disco Voador para contar as histórias do único LP do grupo, lançado em 1975.

Além disso, Gabriel vai relembrar suas gravações ao lado de Erasmo Carlos, Gal Costa, Maria Bethânia, Raul Seixas, Leno, entre muitos outros.

Assuntos2
  • Origens de Gabriel O'MearaNascimento em Nova Iorque · Voluntariado no Vietnã · Experiência com bandas de rock nos EUA · Turnê com Wayne Cochran
  • Música Cristã BrasileiraGravação com Gal Costa · Turnê com Gal Costa · Gravações com outros artistas brasileiros · Adaptação à música brasileira
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Alô amigos, bem-vindos! Hoje a gente está com Gabriel Omeara, que também fez parte do Peso, da banda dos anos 70, O Peso. Vocês já viram aqui nessa semana uma entrevista com o Constant, que foi um integrante da banda também, e agora temos o Gabriel para contar as histórias dessa banda icônica dos anos 70, além de...

passagens com Erasmo Carlos, Raul Seixas, Maria Bethânia, enfim, várias pessoas com quem ele tocou aqui no Brasil. Obrigado, Gabriel, bem-vindo. Opa! Feliz de ter você aqui. É um prazer mesmo estar aqui com você, irmão. Obrigado. Gabriel, vamos começar do princípio, cara. Você nasceu aí nos Estados Unidos, em Nova Iorque. Como que você foi parar no Brasil? Eu estava fazendo faculdade... Bom, primeiro, eu...

Fui para o Vietnã, fui voluntário para o Vietnã, era Marine, os aeronavais. Quando saí do Vietnã, ingresi na faculdade com a ajuda do governo. Não me dei bem na faculdade, nunca fui estudoso, sabe? Fiquei dois anos na faculdade. Aí eu... Na cidade onde eu morava, Lansing, Michigan.

Tinha muitas bandas de rock. Naquela época, era em 1968. Em pleno woodstock. Todo mundo cabeludo, barbudo, torrando um. Era isso, né? Então, eu sempre toquei bem, sabe? Tocava blues music, soul music. Música afro mesmo, que eu gostava. Eu gostei muito de folk music. Embora eu escutava Beatles e tal, mas não era bem a minha, né?

era mais BB King, desse tipo de coisa. Aí eu tocava com essas bandas, fui tocando com uma, com outra, era tudo cover, cover band, muitos cruves na época, a gente tocava de tudo um pouco. Mas, chegou uma hora onde eu passei a viajar com um camarada chamado Wayne Cochran, que era um James Brown branco, até o Jaco Pastore,

o Pastório do Bachista tocou com Wayne Cocker. Não na época que eu tocava, eu não conhecia o Tiago mais. Mas ele tocava muitos clubes pequenos, inclusive o clube negro, inclusive, era um dos poucos artistas brancos que tinha entrado nesses, chamava Chitlin Circuit. Sim. Acontece que ele fazia três, quatro shows por semana. Três shows por semana.

Às vezes a cidade ficava 500 quilômetros uma da outra. Então, era fazer show, acabava, entrava dentro do ônibus e se arrancava para a próxima cidade. Ficava geralmente quatro num quarto de hotel. A banda era grande, tinha desses seis componentes, mais uns seis que iluminação. Era uma banda grande. Cantoras, eles deixavam sempre as cantoras separadas para os caras não ficarem quietos.

querendo pegar as cantoras, o back and vocal. E aí eu cansei muito, sabe? Fiquei quase um ano fazendo isso. Chegou uma hora que eu... não sabia onde eu estava, em que estado, em que cidade, em que dia que era. E era cansaço mesmo de road work, muito demais, sabe? E... Não ia se encontrar o meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu meu

Os shows eram longos, duas horas e meia, três horas. Caramba! 25 músicas. Tinha que aprender coreografia. Sabe, quando tocava com um encalcador assim, negócio de guitarra, do lado para o outro, e para trás, eu sou meio desajeitado com essas coisas, mas botava roupa que ele mandava. Era um negócio muito bem cuidado, showzão mesmo. E meu pai morava no Rio de Janeiro, ele era diretor do Citibank.

Liguei para ele, falei, pai, eu queria dar um tempo aí, tirar umas férias, né? Porque estou, já estou muito cansado, tudo isso. Não, é que eu não conhecia o Rio de Janeiro. E tinha uns quatro anos que eu não via meu pai, meu pai e minha mãe, né? Meus irmãos, todos morando lá no Rio. Então, eu fui no Rio. Cheguei no Rio em 1970. 1970. Aí, eu...

propositalmente deixei todos os meus instrumentos, eu deixei nos Estados Unidos com a Davi, em caso de uma amiga minha. Eu não queria tocar, queria dar um tempinho, mas o meu irmão conhecia, um rapaz chamado Olinto, acho que era o nome dele, um baiano, que era prima da Gal Costa. E esse camarada foi parar na minha casa, era amigo do meu irmão.

conversando. Meu irmão também toca, toca muito bem. É outro tipo, né? Mais finger picking, né? E a conversa foi que a Gal estava com um disco chamado Gal Fatal. Era bem rock mesmo, sabe? Um disco bem rock. E o guitarrista dela, o primeiro era o Nani, que era um tremendo guitarrista, né? Parece que ele deu problema.

cansaço também, sem metal, teve que sair da... E ela pegou o Pepeu Gomes para ser o guitarrista nessa turnê. Só que o Pepeu tinha gravado um conjunto, os novos baianos, que ficaram na gaveta. Então ele falou para o Gal, não, eu topo em trabalhar, né? Só que de repente começou a tocar o disco dele e estourou, assim, de dia para noite. Continental, quando viu que o Pepeu já estava saindo fora.

começaram a promover o disco com tremendo sucesso, um disco lindo, do Oswaldo Baiano, que tinha o Galvão, a Baby Cosfella, e era um grupo grande também, eles, inclusive, separavam o grupo, faziam assim, uma parte era pop, elétrica, a outra parte era mais regional, bandolim, coisa assim, um negócio bem interessante, não tinha nada assim no Brasil, não existia nada parecido.

Entrei, ele falou para a Galpa, infelizmente, não posso sair com você. Ele já estava com tudo agendado. Aí o Olinto falou assim, você não vai lá no ensaio para ver se... Eu falei, mas não sei tocar nada disso, não. Eu toco blues, R&B, alguma coisa. Eu sabia ler, assim, cabeça de nota, estifra.

Então eu falei, não, acabei indo. E o pessoal era o Robertinho Silva, o pianista, o rapaz até que faleceu em Nova York, tocava com o Joe Soares, esqueci o nome dele agora, e o Luiz Alves, baixo, músicos com muita capacidade, né? E eles até que foram muito legais comigo, porque eu não falava português, falava...

cinco, seis palavras. E o pianista, né, fez um monte de cifras rapidinho e eu escutei, né, deveu o disco pra casa, calma tal, falei, não, aqui não tem muito mistério, né. Se fosse, eu tinha medo, se fosse bossa nova, samba, chorinho, alguma coisa que pra mim não ia dar mesmo. Mas, então, eu fui no ensaio.

No começo estava meio duro, mas como eu falei, especialmente o Luiz Alves, mas foi muito legal, falou, Gabriel, faz o CIS, faz o SAB. E eu já até... Ele falou, você está botando um swing diferente aqui, a gente está gostando, mas encosta mais desse lado. No fim, deu para sair com a gala numa turnê, assim, no Brasil inteiro, para o norte, para o nordeste, para o sul.

Conheci a Gal Costa muito bem. Aliás, fiquei meio apaixonado pela Gal, mas quem que não fica, né? Ela era muito linda, né, cara? Muito linda e uma pessoa maravilhosa, muito legal, sabe? Um astral assim, bem. E o americanzão, né? Não conhecia esse tipo de mulher, né? Fica meio caído. Mas até que foi bom, porque no Recife, ela recebia uma fita do... recebia uma fita do...

É uma música chamada A Flora e o Espinho, você conhece, né? Sim, claro. E ninguém tinha gravado essa música, ela recebeu essa fita e ela ficou doida pela música. E ela tocava um pouquinho, sabe? Ela fazia, pegava o violão. Aí ela falou assim, é o American Boy, que eles botaram, claro, né? Carioca tem que botar apelido em todo mundo, né? Sim. American Boy, né? American Boy, será que você não aprende a tocar essa música aqui?

Eu falei, tá, deixa eu ver, né? Com a ajuda da própria Gal, eu fiz um pequeno arranjo para essa música. E ela falou, vamos fazer o seguinte, vamos tocar essa música assim, eu e você. Você fica aí sentado num baquinho e eu... Ao contrário, você fica aí tocando e eu vou ficar num baquinho, é mais íntimo, né?

Olha a responsabilidade. Eu sempre fui back in musician. Sim. Não aparece. Se tem algum erro, outra pessoa cobre o erro. Meu baixista deram. E aí, inclusive, até me lembro que várias vezes eu tive que cantar uma música em inglês no intervalo porque a Gal estava com problema na garganta e tal. Eu tinha que dar um...

E nós fizemos esse show aí, no final da turnê, eu já estava tocando essa música do Nelson Cavaquinha, ela cantando, né? E eu sempre tive a cabeça aberta para as coisas, mas a música brasileira é muito rica, tem 50 ritmos. Sim. Eu conhecia a música portorriquenha, cubana, que geralmente era Guaracha, Gua Guancom, Tchachachá.

Tem coisas muito diferentes. E eu falei com o meu pai, olha, eu ia ficar aqui quatro semanas, acho que eu vou ficar mais tempo. Bom, no final de contas, acabei ficando 20 anos. Eu fui embora em 1990. Caramba. Então, de 1970. Em 1990, aconteceu muita coisa. Eu me casei, tive um filho. Minha mulher brasileira ainda está comigo.

minhas filhas são brasileiras, eu tenho uma neta brasileira, uma bisneta brasileira. Uma neta internacional. Então, nesses 20 anos, teve muita coisa. Depois da gal, já foi direto para o peso? Sim. Foi direto no peso com os intervalos de gravação, porque eu gravei 對.

Não lembro como foi. Alguém me levou. Foi o Antônio Adol. Antônio Adol, sabe quem é, né? Claro. Foi a Samarina e tal. Inclusive está aqui. Muito meu amigo. Amigão mesmo. Ele foi ver o Chonagal. Acho que ele foi ver. Alguém falou pra ele e ele me botou numa gravação. Você chama aquele americano que tem um sotaque aí de rock? Ele tinha saído da Brazuca, né? Tinha um conhecimento chamado Brazuca. Era o Sérgio Mendes, assim e tal. Mas o cara era muito requisitado, né? Porque...

Arranjador, toca pra caramba Eu gravei uma música Não lembro nem com quem Acho que foi um Não lembro, sinceramente Mas a partir desse momento O cara pegou meu nome e falou Vou te ligar pra gravar E agora, tô sem instrumento aqui Tive que pegar um instrumento Emprestado de alguém Nisso aí eu mandei vir Minhas duas guitarras No amplificador Não se SWALIBA

E passei a gravar, precisava de rock, e tinha muito... Assim, os caras... É tipo os caras sobreviventes da Jovem Guarda, que estavam querendo voltar. Sim. Então, Renato Sobrevucato, tipo assim, né? Aí, eles chamam aquele cara ali. Então, comecei a trabalhar mais seguido, sabe? Na CBS, na Poligrã. Tá ali.

Quando estava lá na Poligrama, teve esse... O que foi? Cacioneiro Internacional, uma coisa assim. Era um desses shows que tinha antigamente. Botava uma porção de cantor aí, tinha um júri e tal. Aí o peso, que na época era o Luiz Carlos Porto e o pianista. O peso era isso. Tinha uma música chamada O Pente. E...

Todo mundo gostou da música, tinha uma letra muito apelativa, a Erika estava muito diferente. E o Guti, que era o produtor na época, na Philips, ou Poligrama, não lembro, é a mesma coisa, não lembro o seu. Falou assim para mim, você poderia botar mais uma banda para isso aqui, chamar uns caras aí. Eu já conhecia algumas pessoas.

E acabavam de recrutar... O Constal foi o primeiro. Eu conheço o Carlinhos, toca baixo. Eu não conhecia o Carlinhos. Não é que o Carlinhos tocava assim... Não era o Paulo César Barro, sabe? Que é o barulho do mundo. Nem eu parecia o cara. Poucas pessoas tocam igual a ele, sinceramente. Mas o Carlinhos tinha vontade de aprender, sabe? E pegava rápido as coisas. Ele pegava rápido.

E tocava, não tocava com palheta, porque para mim tocava mais com palheta, embora não posso falar isso porque os Allman Brothers sempre usaram o cara que tocava com palheta. Mas é. Daí eu estava na maior banda do mundo. Claro. E depois passamos por alguns bateristas, o pianista foi embora, queria voltar lá para a terra dele, Fortaleza, e o Constante já estava mais preparado para essas coisas.

E fizemos o peso, esse conjunto peso. E eu e o Luiz Carlos, ele... Estamos escutando muita música, Creedence Clearwater naquela época, né? Led Zeppelin. E por acaso, eu escutava muito o disco do Jeff Beck, que é o primeiro que eu fiz com o Rod Stewart, Truth. Que inclusive eu era gamado, eu escutava ele todo dia. Bom, a gente também encaixava, porque o que você gosta, eu gosto também.

Fazer umas músicas aí. É aí que surgiu o peso. Eu fiz as músicas com o Luiz Carlos. Dez músicas do disco, uma foi o Tibério e o Antônio Adolfo. Aliás, Antônio não. Guilherme Lamonier. Guilherme Lamonier. É. E o resto? O resto é tudo seu, tudo sua em parceria com o Luiz Carlos Porto. É, com o Luiz Carlos.

Uma coisa legal da gente falar sobre o peso, Gabriel, eu queria que você me contasse, como que eram feitas essas composições, como era essa dinâmica? Vocês se encontravam? Tinha algum ritual para compor? Sim. O Carlos, ele era um bom compositor, ele tinha uma informação de música, eu me lembro uma vez que ele catou um...

uma música que parecia ser uma coisa de igreja, sabe? Porque acho que ele foi para a escola católica, quando era menino e tal. Ele tinha umas coisas assim, e tinha também um lado romântico também. Por exemplo, tem uma música Não Fique Triste, que é mais velho do que eu, sabe? Ele era mais assim, eu era mais roqueiro, mais coisa assim, uma pegada mais forte. Então, a gente combinava, entendeu? Ele...

Tinha um riff, ou eu tinha um riff e a gente desenvolveu, me torna disso. Eu sei que uma vez, não fica triste, era uma música do Rod Stewart, bem Gasoline Alley, assim, naquela época. Eu posso falar contigo nesse sistema, você conhece tudo isso. Claro, eu adoro essa fase do Rod Stewart, cara. Aquele disco, Every Picture Tells a Story, é um disco incrível. Eu acho fantástico aquele disco.

Mas, Gabriel, uma coisa, sem querer te interromper, mas uma coisa que eu não posso deixar de perguntar, o Constan me contou uma passagem que eu acho que você deve ter algum detalhe a mais para...

para acrescentar. Ele disse que vocês gravaram, aliás, que vocês escreveram essas músicas, que ensaiaram tudo, ficaram ensaiando durante muito tempo, esperando que a gravadora chamasse vocês para entrar em estúdio. Mas que a gravadora enrolou um pouco, demorou a chamar, e quem foi o responsável por dar uma espetada lá na gravadora para chamar vocês foi o Erasmo.

Eu não sei se foi bem o Erasmo, mas eu sei que ele ajudou realmente. Ele ajudava todo mundo. Tinha um coração enorme, sabe? Ele é uma pessoa que, para mim, é uma pessoa de poucas que eu conheci na minha vida que não tem falha. Sempre foi um cara legal pra caramba. Se pudesse ter ajudado de qualquer forma, ele estava aí, sabe? Então, provavelmente, deu um toque, porque eu falei com ele, mas eu não conhecia bem o Erasmo naquela época.

frequência depois do peso, entendeu? Eu sei que eu falei com o Luiz Carlos, vocês vão fazer um blues, porque ninguém tinha gravado um blues no Brasil, não existia isso. Então vamos gravar um blues assim, bem em Chicago mesmo, e aí o Costan gostou do boteiro pra escutar o pianista do Chuck Berry, era do Chuck Berry, não, do Buddy Waters, esqueci, Otis Span, tinha um disco do Otis Span, e ele pegou tudo, rapaz.

que tinha nascido lá. A gente gravou o blues. Botamos a Zella Gaita, queria uma... Tocota Mega. E quando a gente apresentou um demo na gravadora, o André Midanin, ele falou, mas não é bem isso que eu estou querendo. Ele queria uma coisa que nem o peso se apresentou naquele festival lá, uma coisa mais rock tropical.

Quer dizer, uma coisa mais assim, não era? O nosso era muito duro, uma coisa meio inglesa, misturado com o R&B, né? Não tinha muito Renato, porque para mim também são fabulosos, sabe? São a essência mesmo do rock brasileiro naquela época. Mas ele queria isso, e a gente não tocava isso. Tocava outra coisa, como ele fez, aliás, era meio mais para a Led Zeppelin.

chegou lá no André, teve uma reunião e falou com ele, eu assumo a responsabilidade pelo disco. O Guth falou isso, porque ele falou, você não vai vender nada. E o Guth falou, eu acho que vai vender muito. Acabou que não vendeu quase nada, porque a gente não foi promovido, não houve nenhuma promoção. Não sabia o que fazer com a gente. O que faz com esse cara?

bem que encaixa entre a Rita Lee e o Gilberto Gil, que era da gravadora lá, né? E o Raul Seixas, cada um tinha o seu negócio, mas nós éramos muito diferentes, né? E até o Jairo Pires, na época, aquele camarada, que falou assim, mas isso aqui é internacional, isso aqui não é com o Brasil, não, pô. Isso é pra vocês gravarem em inglês e estourar lá fora. Ele falou, foi a pior coisa do mundo, porque...

A gente estava no Brasil. Eles queriam um som mais adequado naquela época brasileira. A Rita Lee era perfeita para isso. É verdade. Antes do Lincoln Olivetti, antes de tudo isso. Claro. Então, ele queria Made in Brasil, uma coisa assim. E a gente estava mais para Jeff Beck do que para... Vocês fizeram muitos shows com peso? Não.

Eu acho que uma dúzia, no máximo. Entendi. O único que ficou mais famoso assim foi aquele no Hollywood Rock, em Niterói, né? Não foi Niterói, não. Foi lá no Campo Botafogo. O Campo Botafogo, isso mesmo. O Campo do Canecão, lá. Acho que nem existe mais. General Severiano, não é isso? É, General Severiano. Isso aí. Foi o que procedeu antes do Rock Rio, né? Foi mais ou menos isso aí, né? 75.

Vocês também tocaram naquele festival de Saquarema, não foi? Não, não foi o peso. Isso aí, eu fui lá. E o Constanho foi também, o Carlinhos também. O resto não. E a gente estava lá para escutar o que os pessoal estavam tocando. Entendi. Aí o Nelson Mota sabia que eu estava lá.

Luiz Carlos também não foi. Não participou. E ele estava com o Neymato Grosso, estava precisando de alguém para acompanhar o Neymato Grosso. Eu falei, ah, tudo bem, vamos nessa, vamos fazer. Ele tinha saído séculos em molhados, né? Mas a coisa é que não aconteceu. O Ney não quis, no final acabou nem fazendo nada. E nós...

Estávamos lá e a gente falou, vamos fazer um jam session um pouco, porque estava desorganizado aquilo, né? O que que é isso? Se soubesse tocar, estava no palco, estava tocando, o pessoal gostava, né? Então a gente pegou uma poção de gente, inclusive a Angela Rohro, a Friandas Frenéticas, tinha uma poção de gente no palco. Não lembro de que, o que eu vou fazer? Vamos tocar uma música do... Fizemos uma música do Temptation.

Depois fizemos uma da KC and the Sunshine Band. Era três acordes e a pauleira... Assim, pronto, vamos lá. Uma hora disso aí, todo mundo... Então foi isso, o peso não atacou nada.

Agora, Gabriel, você mencionou, quando a gente começou a falar sobre a tua chegada no Brasil, você mencionou alguns artistas aí que haviam saído da Jovem Guarda, a Jovem Guarda tinha passado, você quando chegou no Brasil já não tinha mais a Jovem Guarda, mas você mencionou, Renato, suas blue caps, você disse que gravou na CBS, você chegou a gravar com alguma dessas pessoas que tinham sido da Jovem Guarda?

Além do Erasmo, claro. Fora o Erasmo. Lembra do Lano e Lilian? Claro. Gravei com ele, o Lano. Que legal. Meu rapaz foi o Murilo, não sei quem é Murilo. Sérgio Murilo. Sérgio Murilo, sim. Sérgio Murilo, é. Gravei com a Diana, mulher do Rodaí José. Claro. Aquela minha Adriana. Sim.

Tim Maia, só de gente que a gente rolava ali e gravava. E como que o Erasmo entrou na tua vida? O Erasmo estava na... Ele queria, na época... O Erasmo sempre foi roqueiro. E tem mais. O Erasmo tinha uma...

ele conhecia muito música a fundo, sabe? Você falava com ele assim, Raul Chão Moreno, do Trio Los Pantos, ele sabia. Ele sabia quem era. Você falava assim, no extrojuramento, um cantor colombiano ali, esqueci o nome dele agora, ele cantava até música em espanhol. Não tinha uma informação assim, muito ampla de música, sabe?

E música brasileira, então, ele que me turned on to Nelson Gonçalves, até hoje, adoro Nelson Gonçalves. Então, ele estava procurando uma identidade mais ou menos roqueira, porque o pessoal estava falando que ele não queria ser Roberto Carlos, ele era parceiro do Roberto Carlos, sabia fazer as músicas do Roberto. Ele escutou uma música chamada, que era do filme.

A música Everybody's Talking at Me, Don't Hear a Word They're Saying. Era o Nilsson que fez essa música, eu não lembro. Não sei quem fez, mas eu conheço a música. Então, esse... E o negócio tinha um... Ele pegou aquilo e o Roberto fez umas quatro, cinco músicas em cima disso, e eu sei que foi um sucesso, né? Mas era mais Chuck Berry, ele queria Chuck Berry, entendeu?

Quando ele sobe, que eu sabia tocar Chuck Berry, ele veio falar comigo. E é ali que a gente falou, vou fazer um disco, mas eu quero um disco meio mais de rock. Não quero fazer uma coisa assim super romântica. Tá bom, vamos nessa, então. E gravamos um disco que se chamava... Projeto Salva Terra? Projeto Salva Terra. É isso mesmo.

Inclusive, naquele disco, tinha uma música que ele fez chamado Sou Uma Criança, Não Entendo Nada. Exato. Não lembro dessa música. E eu fiz uma introdução bem inglesa, bem meio Peter Frampton, assim, meio... Em terça, sabe? Adorou. É isso aí que eu quero. Então, dali que a gente ficou muito amigo. Conhecia a Narinha, conhecia os filhos dele, eu frequentava a casa dele lá no Leme.

Aliás, a gente até viajou para a Bahia, de carro. Precisou de tirar férias e voltar. Então, eu fiquei muito amigo do Erasmo. É uma pessoa que até hoje eu tenho saudade dele, realmente. Nesse disco, no projeto Salva Terra, tem uma música chamada Bolas Azuis, que você é um dos compositores. Bom, foi o seguinte, a censura tirou dois discos da música. Naquela época, a gente saiu de censura. E era forte.

E depende do censor, ele imaginava, o cara está querendo falar mal do governo, querendo falar mal do governo, de repente, ele censurava a música. Pum, metia o carimbo e acabava. E tinha certos compositores, o Chico Boac, esse cara que esquece. Qualquer coisa com o nome dele, já carimbava, não deixava sair e tal. Então, faltou música. Aí ele falou, bicho, tenho que fazer alguma coisa aí. Então, fiz, acho que, Bolas Azuis é meio Chuck Berry, não é não? Sim, é instrumental. Eu falei, bom, vamos lá.

fazer isso aqui então, então mandava, aí ele botou o nome de todos os acompanhantes, bolas azuis, olha que deu o título, não sei porquê né, Blue Bombs, e isso aí foi um thriller, foi um jam, a gente foi na hora lá e precisava de 10 faixas, só tinha nome que a censura tinha tirado músicas né, então, entendi, eu sei que é.

Nessa época, o Erasmo, e acredito que você também, chegaram a fazer alguma jam session com o pessoal de um grupo chamado Karma, o Amiden, essas pessoas assim, pessoal meio ligado ao progressivo. Tem umas jam sessions de vocês nessa época? Você se lembra disso? Eu me lembro que o Jorge Amiden, que se fala, né? Ele foi lá, eu pensei o seguinte, o Constant morava numa casa de Santa Teresa, e ele fez um estúdio.

O Santos é um estúdio de verdade, de rehearsal estúdio, muito bom. Com a prova de som e tudo, de piano e tudo, tapete, muito legal. E quando o Erasmo, eu não sei porquê, o Erasmo que levou o George Amidem, ele queria o Rick Ferreira, mas o Rick estava ocupado. Ele tinha um estilo parecido, sabe? Gostava de uma viola e tal, né?

E o Jorge foi lá. Mas não deu certo. Não deu certo. Porque era para ser o peso Erasmo e nada não rolou. Erasmo não gostou do som do peso, achou que não era bem o que ele queria. Tanto que ele foi tocar com a bolha depois. Sim. E o Jorge também não sei o que achava direito nisso. Ele estava em outra, sabe? Entendi.

Mas ele tocou, né? Fizemos... Bom, depois você voltou a tocar com Erasmo em 76, no disco A Banda dos Contentes. Acho que eu fiz alguma coisa nesse disco. Não fiz o disco inteiro, não. Nesse disco tem você na música Baby, por exemplo. Aliás, você e o Jorge Amidem, né? Que é um rock pesado, um riff assim. Bem um hard rock mesmo, sabe? Sim, sim.

eu não lembro muito bem. Eu sei que é. Mas, e aí a amizade com o Erasmo durou até você voltar para os Estados Unidos? Sim, não, com ele... Inclusive, ele passou uns momentos que a Narinha ficou doente, sabe, e tal, depois ela veio a falecer, né? Então, ligava para ele, falei, meu irmão, deixa eu conversar com ele. Mas ele...

Acho que foi um negócio também, a Roberta Close, não teve um lance aí do Close, né? A Marinha ficou com ciúme, teve um lance aí, ou eram jornalistas falando, não sei o que. Um rolo tremendo. E eu passei depois a ser o produtor da Roberta Close. Ah, é? Ah, eu fiz um disco com ela, pela Cid. O Zuckel me aprovou. É um disco com ela aí. Falei, cara, conheci ela, gostei, ela ou eles, mas conheci, vou falar ela.

escolha dela, mas... E fiz um disco com a Roberta Close. Não sei, né? Erasmo, depois, não gravou, depois daquilo ali, depois, esse problema com a narinha e tal, ficou meio afastado, sabe? Estou trabalhando com o Roberto. Na década de 80, ele gravou pouco mesmo. Você chegou a conhecer o Roberto? O Roberto é tipo padrinho da minha filha Rebeca. Ah, é? O Roberto Carlos?

É, conheci, conheci bem, porque nunca toquei num disco dele. Nunca toquei. Eu fui chamado uma vez para gravar uma música chamada... Eu te proponho, acho que era essa música. Proposta. Proposta, é. Mas quando eu cheguei lá, o Zé Menezes já tinha feito um negócio tão maravilhoso que eu falei, não, não vou fazer nada aqui, não vou embora.

Mas eu conheci, e quando nasceu a Rebeca, ele estava fazendo um show no Caricão. E acho que o mestre Ivan Paulo, que estava regendo a orquestra, naquela época não era... Como é que é o nome dele? O pianista que toca com ele até hoje? Foi Lages, né? Hoje em dia é o Eduardo Lages, mas antes era o Chiquinho de Moraes. O Chiquinho fazia os arranjos, né? Mas no Caricão era o Ivan Paulo que regia os arranjos do Chiquinho. Entendi.

E eu era amigo do Ivan Paulo, muito. Nós gravávamos 30 discos de samba juntos. Depois que eu virei essa pista. Tá certo. Então eu levei a Rebeca lá. Aliás, eu levei a Graça, a minha mulher. A Rebeca estava na barriga. Aí o Roberto passou a mão assim, ele era meio...

chegado a ser espiritismo, não digo espiritismo, é espiritual. Sim, sim. E falou, quando eu nascesse, minha vida que eu vou lá, ela dá uma peça, claro, tudo é, quando nasceu, eu falei, vamos lá. Então, ele é tipo um padrinho assim, não um padrinho oficial, mas um camarada aqui, né? Também, outra pessoa muito legal. Entendi. Mas imagino que você não deve ter contato com ele há muito tempo também, né? Não, não.

Aliás, ele vem agora. Essa semana agora... Daqui a duas semanas, vai fazer show aqui. 85 anos de idade. Você vai assistir? Oi? Você vai assistir o show? Ramon, eu já fui duas vezes aqui. Eu já não estou mais para sair mais também, não. Eu achei que... O show dele é um pouco constrangedor, porque em Miami ele canta espanhol e canta em português. Entendo.

Quando passa a cantar em espanhol, brasileiro não tem respeito. Você fala em português, canta em português. Ele deveria fazer dois shows, um em espanhol e outro em português. Entendi. Porque a metade da plateia é cubana, colombiana, venezolana. Escuta os caras cantando as músicas do Roberto Espanhol.

Mas eu não gosto desse negócio, sabe? De ficar gritando enquanto está cantando e tal. Eu acho que o corrigidor não... Então não vou mais, sabe? Tá certo. Gabriel, e Raul Seixas? Como é a tua ligação com o Raul Seixas? O Raul, rapaz... Não sei nem como é que cheguei a conhecer o Raul. Eu conheci... Eu acho que eu conheci o Raul... Através do Andair José. Eu toquei muito com o Andair. Nunca gravei...

Mas acho que com ele, por algum motivo, na CBS, tinha um produtor, que foi até produtor do Roberto Carlos, que era o Mauro Mota. E o Mauro tinha uma conexão com o Raul. Acho que eles se conheciam há muito tempo. Eles foram parceiros em quase 30 canções. Ah, para você ver. Então, acho que o avião foi ali.

Eu não sei se conheci muito o Mauro também, até o ponto que, uma época, quando estava já na Keitel, depois disso tudo, o Mauro estava produzindo um disco do que se chama Taxi. Claro. Era Commodore, esse tipo de Commodore. Não era discoteca, mas era coisa assim. E ele... depois ele produziu umas quatro, cinco músicas.

e o Roberto chamou ele para produzir o disco dele lá em Los Angeles. Então ele falou assim, Gabriel, pega o resto desse disco, é que eu não vou poder não. Então eu acabei fazendo a produção do disco do Táxi. Então eu sei que foi por aí. Acho que foi o Mauro que me apresentou, a Raul, eu falando com ele em inglês, meu antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo antigo

É por aí que a gente se conheceu. Você gravou no disco Novo Aéon, de 1975, lembra disso? Foi. Esse disco aí foi também, acho que o Antônio Adolfo, foi com Antônio, se não me engano, o Miguel Cidras, que era o maestro uruguaio. Sim, os dois estão. Então, ele me recomendou para esse disco aí,

conhecia Raul, mas eu nunca tinha gravado com ele, então eu gravei esse disco, acho que gravei mais de um disco, gravei esse, gravei umas faixas, viajei com o Raul, fiz um show com ele, agora o cara que preferiu o Raul era o Rick Ferreira, ele era o...

O Rick na guitarra e o Paulo César no baixo, né? Aquela dupla ali era pesadíssima, né? É, é, o Paulo César... Só que o Paulo César não precisa nem de baterista. Ele segura tudo, é muito bom. E, Gabriel, depois também você teve uma gravação com a Maria Bethânia, né? Gravou no disco Pássaro Proibido, de 76. Sim, aquilo foi uma experiência, porque... Aquilo ali, o Pedrinho Albuquerque...

Pedrinho é o nome dele? Perinho. Ele queria uma... Perinho, Perinho é um bocadinho. Ele queria aquela guitarra com sotaque diferente. Sabe? Aí falou, chama-se Gabriel aí. Alguém sugeriu, não sei quem. Não, Gabriel. Então eu gravei uma faixa só. Uma faixa do junto. A Betalha não estava à vontade comigo. Quando viu entrar...

Eu via, era todo biceia de branco, uma pessoa que impõe pra caramba, né? Eu olhei assim. Aí eu via ela falando assim comigo. Ô, Perinho, mas quem é essa pessoa aí? Não, esse é o Gabriel. Gabriel, quem é o Gabriel? É esse? Americano, não, não pode ser. Então eu fiquei meio assim, né? Aí eu falei, olha, eu falei com o Perinho, fica à vontade aí. Se ela não quiser que eu fique aqui, eu vou embora. Não, não.

Você vai gravar, vai gravar mesmo. Eu fiz e não lembro nem que música que é. Você que eu fiz, gravei e está doido para ir embora. Não queria ficar ali, não. Ô, Gabriel, e tem, além desses artistas todos, você tem um currículo aqui no Brasil invejável, né? Erasmo, Maria Bethânia, Raul Seixas, Odair José, enfim, muita gente interessante.

Tem algum disco que você tenha gravado aqui no Brasil que ninguém sabe que você gravou? Alguma coisa assim que ficou meio escura? Gravei com o Alcione. Gravei com o Alcione. Gravei... Tinha uns discos assim, tipo os Motocas, né? Negócio de sucesso, não tinha ideia. É, os Motocas depois viraram Roupa Nova.

Uma banda chamada Roupa Nova. Não, os funks, depois Roupa Nova. Os funks e depois Roupa Nova. Mas era também, mas era... Nesses discos aí tinha o Azimuth, que gravava quase todos esses discos. O Roberto Bertrami, Mamão e o baixista, esqueci o nome dele. O baixista era Alex Maleiros. Alex Maleiros.

de todas as bases aí, né? Eu gravei uma série de discos assim, um chamado Trio Esperança e Trio Ternura, eu não lembro agora. Os dois, é. Trio Esperança e Trio Ternura. Mas isso deve estar gravado Trio Ternura. Ternura, é. E me lembro também de um camarada chamado Jean Trio Ternura.

Jean, como é que é o nome do cara? Era Jean. Você não sabe que era uma música interessantíssima, porque eu não passo julgamento em nenhuma música, sabe? O cara fala brega. Não gosto nem ouvir, né? Que brega é essa? E era uma música que tinha uma lenda assim, você me pede para fazer coisas que eu não quero nem falar.

era sobre sexo oral, né? Uau! Mas tudo conversado, entendeu? E eu tava lá no estúdio fazendo outra coisa, não lembro o que, e o Guti falou, bicho, bota uma guitarra nessa música aí. Eu fiz, mas o meu nome não aparece, né? Jean Marcel é o nome do cara. Jean Marcel. Não conheço, não. Não, ninguém conhece, mas se você for pesquisar, você vai ver. Tem ele em cima de uma motocicleta. Cara de índio. Sim. Cara de índio mesmo, sabe?

Gostava de cantar forró, às vezes, e coisas. Então, eu gravei essa música e o lado B também, que eu não lembro o que é, o Fariseu, uma coisa assim. Não sei, andei fazendo umas procuras aí, né? O pessoal ligava, gravava o jingle da Brahma, da Coca-Cola. Gravei bastante isso, né? E aí, em 1990, você voltou para os Estados Unidos? É, em 1990, eu voltei para os Estados Unidos.

E continua na música até hoje? Continua, né? Porque essa quantidade de guitarra aí atrás de você... Eu acho, Ramon, que sou mais colecionador de guitarra do que música. Entendi. Eu... Quando mudei, eu mudei para Memphis, Tennessee. Sim. E na época 90, era a época áurea do country music aqui. Alan Jackson, Riba McIntyre, Riba McIntyre,

a época áurea mesmo da da igual a época do samba nas anos 80 né aqui no 90 também né então eu vendi as Stratocaster e fiquei com a Stratocaster e tem 15 delas não sei nem por que que eu tenho uma coisa que me livraram metade dessas guitarras e passei a tocar country eu gosto adoro esse negócio bem

Swing, aquela coisa bem... Entendi. E hoje você faz o quê? Está aposentado? Estou aposentado, ficou 80 anos, já não estou saindo mais para trocar com ninguém, mas eu faço muito voiceover. E uma coisa interessante, minha mãe é nicaragüense, eu sempre soube falar espanhol.

Nunca praticava. Depois que eu vim para Miami, que aqui todo mundo fala espanhol, você não fala espanhol, Miami você não sobrevive. Passei a falar espanhol e tinha uma firma aqui que tem em São Paulo, inclusive, chamada AutoZone. Sim. Vende peças para carros. É uma firma enorme. Sei lá, quantas, 5 mil lojas em todo o país. E...

Eu passei a fazer tradução. Até hoje eu sou tradutor profissional. De português e espanhol para o inglês. Certo. Minha-minha, né? Então eu estava fazendo os comerciais da AutoZone, eu estava traduzindo. Um dia eu cheguei no estúdio e o produtor falou que o cara não vem mais, eu preciso fazer isso aqui. Eu falei, bom, eu posso fazer, né? Eu nunca fiz, mas eu posso fazer. Mas o camarada que eu fazia era o mexicano.

Então tinha o sotaque mexicano e os vendedores das lojas falavam esse camarada aqui, tudo bem, mas é meio caricato, porque ele é fazer assim, se tem necessidade de comprar um norto para o seu carro, venga aqui em alto som, teremos o que necessita. Era bem pancho mesmo, sabe? E os caras moravam. Aqui não tem mexicano, só tem colombiano, tem cubano, tem porto-riqueno, tem dominicano, tem norte-americano. Aí...

Eu fui lá, tinha um camarada aqui, ele era meio Silvio Santos, o nome dele era Dom... Dom, como é que se chama dele? Ele era chileno, famosíssimo, tinha um programa só nos domingos. E eu falei, vou imitar esse cara. Então, peguei o texto, falei pro produtor, deixa eu fazer. E ele assim, negociou. Nossa, que levarão, que levarão, que temos todos que você necessita aqui em AutoZone, porque aqui os preços são os melhores que há. Vem cá para AutoZone. Vou imitar.

Falei, fala, do caramba. Ele falou, mas parece que você está gritando. Falei, mas o latino responde para isso. A gente está vendendo autopeças, o cara do it yourself, não está mais vendendo mancharé. Está vendendo para os caras meio casca grossa mesmo. Então tem que falar o idioma deles. Bom, a partir dali, meu irmão, ficou todo mundo me ligando para fazer esse tipo de coisa. Vender produtos mais... Oi, oi.

Vender lancha rei eu não sei fazer. Não tenho a boa fase. Eu fiz muito comercial usando essa... Então, me especializei, já que não dá pra tocar mais, bom, então vou... E cantar não tem qualidade de cantor. Entendi. E nunca mais você voltou ao Brasil, Gabriel? Volto sempre. Eu tenho um apartamento de Caxambu, minha mulher é de lá.

Caxambuco. Eu todo ano, não todo ano, mas em dois anos eu vou para o Brasil. Não vou de São Paulo, tem uns 10 anos que não vou. Rio, mais ou menos, tem uns 5, 6 anos que não vou. Mas não, eu sou meio brasileiro. Tá certo. No meu dia a dia, tem que ter feijão e arroz todos os dias na minha casa. Claro, com certeza.

Gabriel, foi um prazer enorme conversar contigo, cara. Chegamos no final aqui, adorei. Sabia que ia ser um papo legal e não errei. Obrigado mesmo. Tá certo, Ramon. É um prazer tudo mesmo.

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