PROCINE AO VIVO - 30/04/2026
Programa de cinema e audiovisual da Rádio UESC, apresentado por Maria Clara Lima e Samara Maria. Ouça ao vivo toda sexta-feira, às 10h
- Filme Foi Apenas Um AcidenteOpressão na sociedade iraniana · Vahid (personagem principal) · Busca pelo torturador · Resistência à violência · Jafar Panahi (diretor)
- Cinema e SériesDemocratização do acesso ao cinema · Engajamento com o público da região · Incentivo a novos talentos · Programação para estudantes e educadores · Atividades abertas ao público
- Primeiras imagens Homem-Aranha Através do Aranha-VersoContinuação do último filme · Miles Morales · Atraso na produção devido à greve de Hollywood · Encerramento da franquia · Versão vilanesca de si mesmo (Gatuno)
- Nova ficção científica da Netflix com Wagner MouraPai de família em pesadelo · Família presa em casa · Luta contra forças misteriosas · Filme nacional · Greta Lee (atriz)
- Trailer Jogos Vorazes Amanhecer na ColheitaJuventude de Coriolanus Snow · Massacre Quartenário · Adaptação da saga de Suzanne Collins · Spin-off de A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes · Direção de Francis Lawrence
- Trabalhos em cinema e televisãoExibição de filmes · Debates com participantes e coordenadores · Bolsa de Televisão Santos · Integração entre cinema e comunidade · Filme Que Horas Ela Volta
- Cinema iraniano e Jafar PanahiCinema iraniano de resistência · Vencedor da Palma de Ouro em Cannes · Perseguição e condenação pelo regime iraniano · Produção clandestina de filmes · Concorrente ao Oscar de Melhor Filme Internacional
Luz, câmera, ação. Começa agora, Procine.
Bom dia, ouvinte! Está começando mais um Procine hoje, dia 30 de abril, último dia do mês? Último dia do mês, estamos encerrando o mês. E eu sou a Samara Nunes. Bom dia, querido ouvinte! Estamos de volta. Eu sou Maria Clara e agora são exatamente... 11 horas e 39 minutos. E hoje você vai ficar por dentro de exibição de filme na UESC de uma mostra internacional em Canavieiras, que começa hoje, e sobre trilhas e lançamentos mais recentes. Então, continua acompanhando!
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E hoje vamos falar de um filme super especial, foi apenas um acidente, um filme que foi lançado no ano passado, não é isso? Exatamente. E é um filme que ele fala um pouco sobre a questão da sociedade iraniana, que foi marcada aí por opressão. Vahid, que é o personagem principal, né? Ele revive aí um passado que é muito violento, né? Eu encontrei um homem que foi ali, que ele acredita que foi o seu torturador durante uma época na prisão, né?
Que é assombrado aí pela memória. Ele vai em busca, né? Desse torturador. E aí ele...
Contato outras pessoas também que passaram por essa situação, que resistiram a essa violência. E esse trama, ele envolve toda essa questão, né? Então, o Varid, ele é um personagem principal que retrata uma história que acontece dentro do país dele, né? Exatamente.
Falando agora sobre a primeira mostra internacional do Cineportal de Canavieiras, que é uma iniciativa voltada à democratização do acesso ao cinema, o engajamento com o público da região também, e incentiva novos talentos aqui do sul da Bahia. Sim. Essa mostra tem a programação prevista nos dias 30 de abril e 1º de maio, ou seja, hoje já começa a programação que está super interessante.
E é muito importante, né? Falando um pouco sobre programação, dia 30, né? Vai ter atividades aí que são voltadas aos estudantes de rede pública, incluindo exibições de curta-metragens, ação informativa, para educadores com palestras e a exibição do curta na Terra do Sol. Já no dia 1º, a mostra segue com atividades abertas ao público a partir das 10 horas, com exibições, debates e amostras competitivas com produções de jovens realizadores de canaveiras.
importante, né? Você que é de Canavieira, você que é da região e possa, né, estar aí e prestigiar o evento, assistir um pouco. Exatamente. É a comunidade acadêmica também, quem tem interesse e gosta de engajar no cinema local. É uma oportunidade super legal ter um evento como esse pra prestigiar os realizadores da região e conhecer um pouquinho mais. Enfim, é sempre muito importante também, né, prestigiar isso.
E agora, falando um pouco sobre trailers... Exatamente. É o trailer de Jogos Vorazes Amanhecer na Colheita, né? O lançamento vai ser no dia 19 de novembro aqui no Brasil. E é uma história que mostra aí a juventude de... Remit? Durante sua trajetória, né? Como competidor. E é vindo anteriores à saga principal. Então, o filme aí explora o massacre, né? Quartenário.
A edição dos Jogos Vorazes, que na história conta, né? Com o dobro de competidores. É um filme muito bom. E é mais uma adaptação, né? Da saga da Susanne Collins. Que é, assim, uma saga literária que é super clássica. Já tá no imaginário da gente. É uma distopia, assim, maravilhosa. E o primeiro volume da saga de livros, né? Foi lançado lá em 2008. E a gente tá vendo reverberar até hoje, em 2026, né?
No ano de 2023 foi lançada uma outra adaptação que também é um spin-off, que foi A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, que contou a história do Presidente Snow. E dessa vez a gente vai acompanhar essa história que tem ainda mais violência, ainda mais opressão dentro da distopia de Jogos Vorazes, que é a história do Hamish, que vem a ser o mentor de Katniss, como a gente acompanha, um personagem super amado.
Super complexo também. E o diretor da nova adaptação é o Francis Lawrence, que também dirigiu outros filmes da saga. Então, ele dirigiu também A Esperança, parte 1 e 2. E o próprio spin-off é a Cantiga dos Pássaros e das Serpentes. Então, vale super a pena acompanhar. Tô ansiosa pra conferir nos cinemas.
E falando um pouco do queridinho da Marvel, pode ser assim? Claro, com certeza. As primeiras imagens de Homem-Aranha, além do Aranha-Vers, né? Saiu, a Sony Pictures divulgou as primeiras imagens oficiais do filme que tem previsão aí pro lançamento das 27 nos Estados Unidos. No CinemaCon, o evento que antecipa, né? Trêles e lançamentos, foi exibido um trecho exclusivo do filme que mostra que ele vai retomar exatamente de onde o último filme parou através do Aranha-Vers. Então aí já criou uma expectativa em todo mundo.
O filme último acabou com aquele gancho Que deixa a gente querendo mais de duas horas de filme E a gente assistiu tem anos já O Através do Oranha Vesso Então assim, até a greve dos roteiristas A greve de Hollywood que rolou atrasou a produção do filme E a gente só vai conseguir assistir em 2027 Mas que dentro do seto a gente possa ver em breve Esse terceiro filme do Miles Ele vai encerrar a franquia E vai acompanhar esse personagem agora Em uma sociedade, uma realidade Alternativa Countando
E enfrentando uma versão de si mesmo. Então, aquele encerramento do último filme, onde tem aquela apresentação de personagem muito icônica, né? Que mostra ele mesmo, numa versão vilanesca. Ele se enfrenta ali, é... Numa versão de si mesmo, que se tornou Gatuno. Que é o vilão que o próprio tio dele incorpora nos outros filmes, né? Então, nessa trama aqui, o Miles vai tentar impedir o pai de ser morto. Sim. Então, assim, o clássico evento canônico dos Homens-Aranhas, né?
E as imagens que foram liberadas estão, assim, maravilhosas. Aquela estética que a gente chama de Homem-Aranha do Marcos Morales, né? E, enfim, um trabalho de adaptação dos quadrinhos, da linguagem dos quadrinhos, que é maravilhosa e linda de ver. Com certeza. Muito bom.
E vamos falar de estreia, né? Porque a gente já tem data de estreia confirmada e mais de divulgação para a última casa com Wagner Moura. Wagner Moura vai protagonizar a nova ficção científica da Netflix, vivendo um pai de família que enfrenta um grande pesadelo. Na história, a família se encontra um dia sem conseguir de maneira alguma sair de casa e precisa lutar contra as forças misteriosas que os mantém presos.
Então, aí já criou uma expectativa nos telespectadores, né? Um filme nacional. Todo mundo ama o filme nacional, né? Não tem como. Ainda mais com o Wagner Moura, que tá sendo um grande destaque, né? Dentro do nosso cinema. Não, a Maria, ele é maravilhoso. E olha ele aí dessa vez, né? Com um suspense, com um thriller que promete ser assim...
Super interessante também. A Greta Lee, que é uma atriz que estreou em Vidas Passadas, ela protagoniza o filme ao lado do Wagner, no papel de mãe e esposa também. Então, assim, promete ser um filme super interessante. As imagens, elas mostram o ambiente da casa bem suspense, com uma fotografia que é mais escura.
E é uma premissa muito interessante, né? O ambiente da casa, que é o ambiente do lar, prender os moradores lá dentro, enfim, eles tentarem escapar. O filme vai contar com a direção de Louis Leterrier, que foi o diretor de Truque de Mestre também. Então, a gente já tem data de lançamento e está prevista para o dia 7 de agosto. Então, nada melhor do que poder conferir o vaguinho, né?
Em um filme novo. Com certeza. A gente ama quando tem alguém aqui que vai prestigiar um filme desse, né? É isso aí. E continuando também com mais novidades de filmes, temos, dessa vez, Cinema na Comunidade aqui na UESC.
E aí vai ser a exibição de vários filmes, né? E vai ter o Que Horas Ela Volta, que vai ser no dia 12 de maio, vai ser isso? Exatamente. E o Cinema na Comunidade é um projeto muito importante realizado aqui na UESC, né? Ele exibe filme, enfim, tem debates com os participantes e também coordenadores, né? Que vão ser pela Bolsa de Televisão Santos, aqui do curso de comunicação. Então, se você tem interesse em debater, conversar um pouco sobre a temática do filme, é importante constar esse evento. É isso aí, tá?
Como o Sá falou, vai ser no dia 12 de maio, que é uma terça-feira, a partir das 8h30 da manhã. Vai ser na sala 2022, né? No segundo lado do pavilhão do Nias aqui. E esse Cine Debate, ele é muito interessante. É super legal a oportunidade de poder assistir. Porque ele debate, né? E promove a integração entre cinema e a comunidade. Então, é um espaço legal pra refletir sobre as temáticas do filme também, né? Que é um filme super interessante pra falar de sociedade brasileira também. Então, é uma oportunidade legal pra aproveitar.
Vamos então para aquele momento maravilhoso do programa. É hora de colocar a pipoca no fogo e falar sobre o filme. Falando então dessa vez sobre Foi Apenas Um Acidente, o filme de Jafar Panahi, que foi lançado no ano passado, né? Começando falando sobre a personalidade que é esse diretor. Ele é natural do Irã e, assim, é um grande diretor e cineasta, ele é representante do chamado cinema iraniano de resistência.
E ele é super renomado, super importante na história do cinema também do mundo, né? Ele, por exemplo, tem uma carreira super consolidada. Ele é o quarto diretor no mundo inteiro a vencer os três grandes prêmios dos maiores festivais de cinema, por exemplo, incluindo a Palma de Ouro em Cannes. Sim. Então, ele tem uma trajetória marcada, né? Por essa produção de resistência, esse cinema de guerrilha também. E ele é super importante na história do cinema mundial.
Ele é autor de outras obras também, como o Balão Branco, de 95, o Círculo e Taxi Terã.
Então, o Jafar, né, ele é um diretor com um grande histórico de enfrentamento de opressão também. Ele, enfim, dentro do regime iraniano, né, ele é perseguido, já foi condenado à prisão, já foi condenado à proibição de produção artística dentro do país também.
Já foi proibido até ele deixar o país. E mesmo assim, ele continua produzindo. Então, o próprio foi apenas um acidente, né? Ele é produzido nesse contexto clandestino. Então, é super interessante a gente ver o filme por essa ótica. E, enfim, é um dos concorrentes, né? Foi um dos concorrentes da...
categoria de melhor filme internacional no Oscar desse ano, esteve competindo ao lado do nosso agente secreto, né? E o filme vai acompanhar a Varid, como o Samara falou, que é o personagem principal que desponta a narrativa, porque ele compartilha também os momentos com outros personagens. E Varid é um mecânico que reconhece o ex-torturador pelo ranger da prótese mecânica que ele tem na perna. E é esse mínimo detalhe do som que impulsiona, sim, uma narrativa de dilema moral muito grande dentro do filme, né?
E, enfim, conversa muito sobre humanidade, sobre vingança, sobre opressão e violência também. Então, a gente trabalha nesse filme, num cenário político do Irã, onde a República Teocrática exerce uma opressão incisiva, sutil e muito violenta sobre os cidadãos. Então, isso representa uma grande tensão social e isso se desenrola no filme de diversas maneiras.
E é isso, o filme tem um contexto histórico que acontece no país, é muito importante quando Jafar Panahi, ele utiliza do audiovisual para mostrar um pouco da sua história e o que eles passam ali, então por mais que toda a opressão que ele sofra e da perseguição também que acontece, ele utiliza muito das questões do audiovisual para poder expor uma situação. E isso do... Esqueci no lugar de... Isso.
Do Varid, essa questão do silêncio que a gente observa durante o trama e toda essa questão de como ele lida com a situação, é algo que tá muito voltado à realidade. Então, é um filme que você fica ali observando, que você presta atenção durante cada aspecto, enfim, que vai ocorrendo, porque é literalmente como se você estivesse imerso dentro daquela situação. É como se você estivesse presente, sabe? O filme te deixa ali muito ligado, de fato, com o que tá acontecendo.
Sim, e isso tá muito relacionado também com a própria linguagem de simplicidade do filme, né? Com certeza. Esses momentos cotidianos, os planos assim que são mais contidos, são mais longos. Você acompanha os diálogos e as ações de uma maneira assim muito crua. E isso se relaciona também com o processo de produção do filme e acaba refletindo também esse contexto político. E é interessante a gente pensar nos detalhes, por exemplo, das interações entre os personagens e os outros cidadãos.
Então, a gente tem, por exemplo, subornos que são feitos com mercadores, né? Os próprios guardas, por exemplo, com maquininhas de cartão apostos pra poder negociar. Então, tudo que eles fazem nesse filme, né? Tem esse sentido de hipervigilância. Essa vigilância que, enfim, é inerente a todas as ações deles, né?
E é super interessante. A própria cena de abertura do filme, né? Ela é bastante simbólica, assim. Porque a gente tem... Representa muito. Representa muita coisa. Inclusive, o próprio título do filme, né? A gente tem o personagem que varri de protagonista. Acredita que venha a ser o torturador dele do passado, né? E esse personagem, ele tá na estrada com a mulher e a filha. E acaba atropelando um cachorro.
No filme, a própria esposa dele comenta que esse encontro não foi, né? Por acaso. Que Deus não colocou aquilo ali no caminho deles por nada. E ela comenta que foi apenas um acidente. Mas é esse acidente que leva a Varid a ter contato com ele e iniciar toda essa trajetória, né? E é isso. O filme tem um conflito ético. De como os personagens, eles apresentam o questionamento, né? De como se mantém ali a humanidade de um sobrevivente a uma violência desumana, né? Diante do seu agosto. Então, é aquilo. Ele tá...
passando, enfim, depois de tudo que aconteceu, o tempo que ele ficou na prisão, é algo que permaneceu nele, né? Então, é uma lembrança que ele tem muito viva ainda. Então, ele ter reconhecido quando entrou, por exemplo, dentro da garagem, quando ele escutou os passos, é algo muito simbólico. Porque através dos passos, porque quando ele tava preso, né, teve a questão de que eles sempre ficavam vendados.
Então, ele não sabia, de fato, o rosto, né? Da pessoa que tinha torturado ele. Ele se conectou, no caso, com toda a situação. Através do cheiro, através dos passos. Através da respiração. Então, é muito essa questão que o filme traz. Sobre vingança e humanidade também, né? Porque os personagens, eles se dividem muito nessa ideia.
que são muito divergentes, né? Entre não matar e matar o possível torturador. Então o filme, ele coloca em xeque, né? Todas essas motivações dos personagens. E no filme, a gente tem no total, se não me engano, são quatro pessoas que giram em torno da... Cinco, né?
5, mas enfim, tem a esposa e o marido dela, mas em questão da esposa, que são pessoas que sentem de formas diferentes, que tem percepções diferentes, mas são pessoas que passaram pela mesma situação, né? Exatamente, e o filme consegue mostrar a profundidade dessa violência porque é muito cruel, então como você falou, né? As pessoas absorvem isso de maneira diferente, e isso tá na dor que eles sentem depois, tanto fisicamente quanto psicologicamente, né?
Os personagens se referem a esse período como um período muito, enfim, sombrio da vida deles. Tendam superar, tanto que no ponto do filme, quando o Varid procura pessoas que também passaram por essa violência, né? A primeira reação é de rejeição a isso, elas não querem retornar a esse momento do passado, né? E esse conflito ético, assim, ele é super válido, tanto porque os próprios personagens colocam em xeque. Porque Varid, né?
O personagem principal, apesar do... a partir do momento que ele tem contato com aquele torturador, né?
Que ele, enfim, apaga o cara, ele coloca no carro. E o filme todinho, eles com aquele homem dentro da van, né, desacordado. Decidindo o que fazer, tentando identificar o homem. Pra ele, enfim, ter uma resposta em relação a que atitude ele pode tomar diante daquilo. Porque parece muito irreal.
que ele tenha contato com a pessoa que destruiu muitos aspectos da vida dele, tantos anos depois, e ele não tomou ação em relação a isso, né? Ele não elimina aquela pessoa, por exemplo. Mas eles colocam em xeque essa questão. Aquela ali foi uma pessoa, né? Um soldado que, enfim...
foi torturador, foi carcereiro, mas é chegado a comentar até que ponto aquela pessoa individual representa o sistema totalitário, o sistema autoritário do Irã, de fato. Enfim, é super interessante ver. E como você comentou, os personagens têm opiniões divergentes em relação a isso, e ao mesmo tempo são pessoas normais.
Então, essa simplicidade do filme, a gente vê nas ações, nas personagens. Às vezes, conversam sobre isso de maneira, assim, natural, simples. E eu acho que isso é legal, porque a gente consegue enxergar como que essa violência é tão enraizada que, enfim, já tá inserida.
É isso. Ele é um filme que foi gravado ali meio que escondido de uma certa forma, né? Já por questão de tudo que o diretor passa. Então, ele fala muito sobre essa questão da repressão política, que está muito presente no país deles. Então, cada personagem, ele é retratado com uma individualidade que é muito simbólica. Então, você consegue perceber durante o filme cada emoção que cada um acaba tendo.
Então, toda essa opressão, enfim, essa camada de normalidade que acaba tendo, ela reforça muito a ideia de invasão, né? Sim. Que o regime teocrático promove ali na vida dos civis. Exatamente. E aí, quando a gente tem cada personagem, né? Que são um total de cinco personagens ali, cada um vai expressando de uma forma diferente a violência que eles sofreram. Então, cada um busca ter uma certa punição diferente. Sim.
E acho que toda essa trama que gira em torno do fato de... A pessoa que torturou eles não ter dito, na verdade, de primeira. Que era torturador. Que ficou ali manipulando de uma certa forma. Foi algo que prendia muito no filme. Porque você ficava sabendo. Meu Deus, será que realmente foi essa pessoa? Será que eles confundiram? Só que pega muito no fato de como eles tiveram durante o tempo da prisão. Com as vendas. E como cada um...
Reconheceu de uma forma diferente. Através do cheiro, através do perfume, através da perna, né? Do toque. Então, é muito louco quando a gente para pra perceber, analisar coisas que estão fora da nossa realidade. Não da nossa realidade, mas fora do nosso olhar. Nossa bolha, de fato, assim, que a gente acaba convivendo. Quando a gente foge um pouco de como...
acaba acontecendo com as outras pessoas fora do nosso país. Dos problemas que existem fora do nosso país. Porque esse filme, ele retrata algo que hoje em dia está acontecendo. É uma realidade que acontece de fato. Por mais que tenham sido retratado coisas de 20 anos atrás, é coisa que acontece no ano de 26. Então, o filme do ano passado, esse filme que tem se lançado ano passado, tem um valor muito grande, sabe? A gente ia poder assistir, ganhou realmente Feijão de Canes. Merecia ter ganhado outros prêmios, com certeza.
Mas também entra muito na questão de como o audiovisual ainda acaba ocorrendo uma manipulação dentro do audiovisual acerca de algumas temáticas. Então é muito importante a visibilidade que a gente dá pra esse filme e a temática que ele retrata. Com certeza, Samara. E assim, ainda mais pelo mérito do diretor da equipe, ele ter conseguido fazer tudo isso, né, como você falou. E são, assim, questões profundíssimas. E o Jafar Panahí, ele faz um trabalho aqui super afiado também. Sim.
O próprio tom de ironia, o próprio humor, que reflete em tudo isso que você falou e nas relações dos personagens também. Então, assim, a construção do filme, assim, de maneira visual, de maneira técnica, também é muito interessante. Ele é um filme simples, né? Como a gente comentou. E é nessa simplicidade que eu acho que ele se constrói também. Então, a gente tem os cenários, por exemplo, a grande parte do filme se passa dentro da van, dentro de uma...
fogão, né, naquele espaço apertado, com as cinco pessoas tendo um diálogo, e os diálogos são longos também, a gente tem planos que são longos, até a fotografia é muito interessante de ver, porque a gente enxerga várias cenas de longe, às vezes com a visão obstruída, a câmera fixa, exatamente, às vezes a gente enxerga os personagens por trás de um carro, por trás de outras pessoas, e tudo isso reflete essa vigilância que a gente tem nesse sistema de opressão, né.
E reflete como que dentro desse país as pessoas buscam meios de sobreviver a essa violência que eles enfrentam, né? Então, assim, o Jafar fez um trabalho, eu acho que maravilhoso no filme. É incrível o roteiro desse filme. Muito. E a forma como até cada aspecto, né? Até mesmo da família. Eu esqueci o nome do personagem, do torturador.
É, como, por exemplo, o fato de que quando a mulher dele tava grávida e a filha dele estava em casa, a filha não podia ligar pra outra pessoa além dele. E é quando o... Vahit, ele atende, né? Ele tem esse ato de humanidade, de atender e ajudar. E é louco como a forma que a mulher não podia entrar no hospital sem a presença do pai.
Então, assim, o filme, ele possui, dentro do roteiro, ele possui várias linhas, né? Que se a gente parar pra prestar atenção... Conseguir ver as áreas em que essa pressão invade, né? É muito interessante ver isso, porque a gente vê essa pressão de gênero, essa pressão social. Exato. Inclusive, eu acho que é muito interessante a gente ter a personagem da fotógrafa também, que é a Chiba.
Que no filme ela aparece como fotógrafa de casamento. Mas a gente sabe como a própria profissão de fotógrafo e jornalista, por exemplo. Ela é, obviamente, completamente oprimida, né? Com certeza. Em relação à produção de informação e tudo. Então, acho que isso é até uma sacada muito interessante também da construção de personagem. Enfim, é um filme, assim, muito interessante pra assistir. A gente tem um trabalho de construção, um trabalho de roteiro e um trabalho de pesquisa também.
Que é muito bom, é muito interessante de ver. E que é um cinema de resistência, de fato, né? É isso.
Então, esse filme ter alcançado, por exemplo, a premiação do Oscar, é muito importante a gente ter essa visibilidade pra gente compreender no que é que acarreta, por exemplo, o regime teocrático no Irã dentro da sociedade civil, né? Que produz o tempo todo vítimas inocentes, né? Principalmente com o conflito com outros países também. Então, é um filme que vale muito a pena assistir.
E é isso. É isso que a gente aborda sobre essa questão da importância do cinema em questões de resistência e denúncia. Acho que a cada dia, cada ano que passa, o cinema tem dado mais visibilidade para essas questões e é muito importante que isso aconteça. Então, o filme de Jafar Panahi, ele carrega toda essa questão que tem uma força simbólica muito grande que revela aspectos da vida de um país que ele é marcado pela opressão.
Enfim, teve um alcance internacional que foi muito bom. E espero que tenha mais alcance ainda, que o pessoal consiga assistir. E se ligar um pouco do que acontece fora do nosso país, fora do eixo. E se conectar um pouco com questões históricas também, né? É isso aí, Samara. Então, vamos chegando ao final, né? Hoje foi recheadinho, mas também foi mais rápido. Muito obrigada ao seu ouvinte que estava nos acompanhando. Continue ligado na programação da Rádio ESC. E retornamos em breve com outro episódio.
Se tiver alguma sugestão, enfim, de pauta ou de filme também, é só indicar lá no site, né? Que você consegue ouvir a programação e também consegue acessar a nossa bio, né? Do Instagram, Rádio Esco. E também o nosso e-mail. Producam.radioesco. Gmail.com É isso aí. E aí você consegue mandar pautas, sugestões de filme, enfim. Fique à vontade pra mandar qualquer coisa que a gente tá sempre dando uma olhada. É isso aí. Muito obrigada. Tchau, tchau.