A Voz do Pastor (07 de maio de 2026)
Padre Pedro Graciano
- Exegese Evangelho JoaoPermanência no amor de Jesus · Amor mútuo e obediência aos mandamentos · Alegria plena dos discípulos · Papa Francisco e a alegria do Evangelho
- O Pão Nosso de Cada DiaSubsídio litúrgico
Cristo vem sim, Cristo vem sim. O clero de Nossa Diocese apresenta a voz do pastor.
Quinta-feira da quinta semana da Páscoa. O Evangelho de hoje é tirado de João, capítulo 15, versículos de 9 a 11. Aleluia!
Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos, Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena.
O Evangelho de hoje é continuação do Evangelho de ontem, do mesmo capítulo. Depois da comparação Jesus Videira e dos discípulos Ramos, unidos vitalmente a ele, Jesus diz que permanecer nele é praticar o seu mandamento, que é o amor mútuo.
Mas antes de chegar a essa conclusão, Jesus insiste pela permanência no seu amor por meio da obediência aos seus mandamentos, para que a alegria dos discípulos seja completa. Há uma circulação vital do amor entre o pai e o filho e, consequentemente, entre os discípulos. É como a seiva da videira que passa pelo tronco nutre os ramos.
O amor fraterno é o amor que procede do pai e do filho, e ao mesmo tempo é comunicação deste amor. Nesses poucos versículos do Evangelho de hoje, aparece três vezes o verbo permanecer. No Evangelho de ontem, se você se lembra, já havia aparecido sete vezes.
Esse verbo em João lembra relações, afetos, amor. As pessoas moram onde o coração está. As pessoas moram onde amam. Sentem-se em casa em quem a gente ama. A união com Deus pelo Filho no Espírito não é um vago afeto.
uma especulação ou uma iluminação intelectual. A união com Deus é vida concreta, gasta no amor pelos irmãos e irmãs. No amor as palavras são importantes, os sentimentos também, mas o que decide mesmo são os fatos. A fé é inseparável do amor, o amor não existe sem as obras. O mandamento novo dado por Jesus é o amor ilimitado.
Não se trata mais de amar o próximo como a si mesmo, mas de amar como Jesus amou. Amar é dar a vida por amor. Só quem ama conhece a Deus, porque Deus é amor. E aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus dele. Quem guarda os mandamentos de Jesus guarda a si mesmo, se protege e é protegido.
Chegar ao final da obra é um motivo de alegria. João Batista se alegrou ao constatar que sua missão estava se realizando e o Messias havia chegado. Essa é a minha alegria e ela é completa. Jesus também sente que sua missão está se completando e fala da sua alegria. A alegria dos discípulos virá depois de passar pela dor da perda. Assim como a videira só verá os frutos depois de ser podada.
Mais adiante, Jesus dirá que o mundo se alegrará e os discípulos ficarão tristes. Porém, esta tristeza se transformará em alegria. A alegria plena dos discípulos acontecerá ao ver o Senhor vivo e ressuscitado no meio deles.
Os discípulos ficaram cheios de alegria por verem o Senhor, quando o veem ressuscitado. As palavras de Jesus são palavras de conforto e de alerta aos discípulos, embora eles não entendam ainda. O Espírito os une, sim, ao Cristo glorificado, mas eles precisam permanecer unidos a Ele também mediante a observância dos mandamentos.
A observância de seus mandamentos é ao mesmo tempo a raiz e o fruto de toda fecundidade. Só assim podemos também entender a mensagem de alegria que nos trouxe a exortação do Papa Francisco à alegria do Evangelho.
A alegria, mesmo em meio às cruzes diárias, somente pode ser vivida e sentida por aqueles que permanecem unidos a Jesus. Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização, nos disse o Papa Francisco. Esta reflexão é tirada do subsídio litúrgico O Pão Nosso de Cada Dia. Eu sou o padre Pedro Graciano e dou a todos vocês a bênção de Deus.
Desça sobre vós a benção do Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.