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Abusar da IA prejudica o seu cérebro

05 de julho de 20269min
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Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊
Para o bem do nosso cérebro, já passou da hora de começarmos a usar bem a inteligência artificial, fugindo do hype.

Muito se fala sobre o impacto da IA no nosso desenvolvimento, mas me deparei com outra perspectiva sobre o tema há alguns dias, durante uma conversa sobre ganhos e perdas do home office. Algumas coisas são óbvias, como ganhar na qualidade de vida e perder na experiência das trocas contínuas com os colegas.

Foi quando me perguntaram se a IA agravaria ainda mais as perdas. E isso me fez pensar.

Ao trocar o escritório pelo quarto de casa, deixamos de ter conversas inesperadas, conflitos, negociações e decisões compartilhadas, que alimentam um processo contínuo de aprendizagem. Mas o trabalho solitário ainda exige a fricção intelectual das tarefas, que preserva a ampliação de capacidades neurológicas, como neuroplasticidade, funções executivas, memória de trabalho e reconhecimento de padrões. Um uso inadequado da IA pode, sim, comprometer isso.

Por “uso inadequado da IA”, eu me refiro a essa tecnologia assumir, de maneira sistemática, as partes mais difíceis de nossas atividades. Isso pode reduzir justamente os estímulos que promovem os maiores ganhos cerebrais. E, aqui, quero deixar claro que não sou contra o home office ou a IA, mas me preocupo com o fato de “abusos” de ambos poderem efetivamente nos atrapalhar.

Especialistas não encontram soluções porque decoraram respostas, e sim porque enfrentaram centenas de situações difíceis ao longo da carreira. Cada problema resolvido ampliou seu repertório mental.

Infelizmente, observo, como pesquisador e consultor, muito do uso inadequado da IA. Enquanto isso, proliferam artigos, debates e cursos que enaltecem seus ganhos, sem triscar nos seus riscos, como se ela fosse uma panaceia. Essa combinação é perigosíssima, e a sociedade precisa lidar com isso com urgência.

Mas como fazer um bom uso da IA? É disso que falo neste episódio.