Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Valdemar dá 'tiro no pé' ao comentar emendas e reforça discurso machista sobre Michelle

14 de julho de 202633min
0:00 / 33:55
Ao analisar a entrevista dada à GloboNews, Vera Magalhães destaca que o dirigente do PL acabou reforçando a tese investigada sobre o controle de emendas e naturalizou a ideia de que cabe a Jair Bolsonaro definir os próximos passos políticos da ex-primeira-dama. Ela ainda fala sobre a pauta-bomba aprovada pelo Senado e a manifestação da OAB sobre decisão de Alexandre de Moraes.

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Participantes neste episódio6
C

Carol

HostApresentadora
V

Vera Magalhães

HostJornalista
J

João Rosa

ReporterJornalista
P

Pedro Popolin

Reporter
S

Samanta Klein

ReporterJornalista
T

Thiago Bronzato

ConvidadoDiretor da sucursal do Jornal Globo em Brasília
Assuntos6
  • Desvio de Emendas ParlamentaresValdemar Costa Neto · Flávio Dino · Eduardo Cunha · Uso irregular de recursos públicos · Oligarquia partidária
  • Pautas-bomba no SenadoPEC da aposentadoria especial · Davi Alcolumbre · Rombo previdenciário · MP do frete
  • Shows com dinheiro públicoDeputado Sostnes Cavalcanti · Valdemar Costa Neto · Festa do Peão de Boiadeiro · Interesse eleitoral
  • Conflitos internos no bolsonarismoMichelle Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Jair Bolsonaro · Discurso machista · Candidatura de Flávio Bolsonaro
  • Defesa do Bolsonarismo e Jair BolsonaroOrdem dos Advogados do Brasil · Alexandre de Moraes · Flávio Bolsonaro · Jair Bolsonaro · Direito de comunicação advogado-cliente · Propaganda eleitoral antecipada
  • Composição da chapa de senadores em São PauloFernando Haddad · Márcio França · Simone Tebet · Marina Silva · Interior de São Paulo · Eleições 2022
Transcrição75 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz A

How do you say, where's the restroom, in Spanish? ¿Dónde está el baño? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically, no. Spiritually, yes. Hey Meta, what should I do with my life? That's one of life's biggest questions. What do you think? Ask anything with the new Meta Glasses.

?Voz 1

Viva a Voz com Vera Magalhães.

?Voz E

Vera Magalhães, boa noite, tudo bem?

?Voz A

Oi, Débora, boa noite para você, boa noite para Carol, para todo mundo que nos assiste e também para quem nos ouve.

?Voz C

Oi, Vera.

?Voz E

Falávamos aqui, Carol, nos bastidores que nada, bolão para nós já era, né, Vera?

?Voz C

Vera não tava liderando, gente.

?Voz A

Não, isso já faz tempo. Eu fui uma espécie de Paraguai, não resisti à fase do mata-mata. É, mas eu não tô mais nem aí para o bolão. Espanha ganhou, felicidade! Amanhã só falta da Inglaterra e tá tudo bem.

?Voz C

Essa torcida aí também só tem que combinar de alguém esconder o Mick Jagger amanhã, né? Alguém tranca ele em algum lugar, sei lá.

?Voz E

Ele tá fingindo que ele não sabe dessa fama. Vamos ver amanhã, pessoal. Vamos para Brasília. Samanta Klein tem mais detalhes aqui sobre a votação da pauta bomba. Oi, Samanta!

?Voz G

Presidente Davi Alcolumbre disse que quer votar hoje a PEC que cria aposentadoria especial para os agentes mais saúde. O governo tenta barrar a matéria como ela chegou a casa, ou seja, tentar amenizar de alguma forma, porque essa tem um potencial de gerar um rombo de quase R$30 bilhões em uma década. Questionado pelos jornalistas quando ele chegou aqui no Senado se os dois turnos da proposta seriam votados ainda hoje, ele disse que quer votar tudo.

A medida chegou a entrar na pauta do plenário do Senado faz algumas semanas, mas Alcolumbre acabou recuando e determinou uma tramitação regular na casa, ou seja, passando pelas comissões. Lembrando que uma PEC precisa passar em 2 turnos com maioria qualificada, tendo ali um intervalo de 5 sessões entre o primeiro e segundo turno. Mas há uma série ali de manobras que pode acelerar essa votação. Lembrando ainda que essa PEC prevê uma aposentadoria especial aos 57 anos para mulheres e 60 anos para homens que atuam como agentes comunitários de saúde e agentes de combate à endemia.

Mas claro, traz aí uma pauta bomba para o governo. Davi Alcolumbre, que por outro lado cedeu com relação à MP do frete, que caduca já na próxima quinta-feira, resolveu bater novamente no governo. Ele disse o seguinte ao elogiar o relator da MP do frete: ele disse que o texto chegou muito complexo ao Senado e que indiretamente ali o governo esquece muito rápido do que o Senado faz das suas contribuições.

?Voz B

E aí ele falou o seguinte: o Senado estava novamente no alvo das acusações e das agressões daqueles que aparentemente não fizeram muita coisa pelo Brasil nesses últimos 3 anos e meio. E eu acho que nós fizemos muita coisa pelo Brasil nesses 3 últimos anos e meio. Eu acho que nós demos contribuição para o Brasil. Mas é muito rápido que se esquece quando quer arrumar um culpado para um assunto. O difícil é sentar por 10 horas, governo e oposição e o relator.

Era mais fácil dizer que não ia pautar e de novo iam acusar o Senado de estar atrapalhando o Brasil.

?Voz G

No final de junho ele já tinha feito reclamação semelhante. Ele tinha afirmado que uma série de ataques vinham contra o Senado justamente por conta das pauta-bombas aí em curso, em tramitação por aqui com vocês.

?Voz E

Obrigada, Samanta, pelas informações. Essa tá difícil para o governo, Vera?

?Voz A

Essa, esse discurso do presidente do Senado é um discurso engraçado, né? Ah, são injustos, ficam acusando o Senado de votar pauta-bomba, era muito mais fácil negociar. Então vamos votar a pauta-bomba, né? Praticamente isso que ele já que levei a fama, vou deitar na cama, né? Exato, uma doideira, maluquice. Difícil, mas é isso, tá tentando justificar o dificilmente justificável. Porque se você começar a abrir essas exceções de piso especial por categoria, é uma caixa de Pandora que o orçamento da União não aguenta.

Então agora o governo que lute, vai ter que tentar evitar o pior. É difícil, a gente sabe as dificuldades que o governo Lula enfrenta no Legislativo. E no Senado é pior ainda ultimamente. Então o caminho deverá ser o da judicialização. Eles queriam até um atalho, não precisar nem judicializar, que o Supremo pegasse e dissesse que existe uma jurisprudência ali de questões julgadas que impediriam a aprovação dessas matérias. Mas isso é mais difícil, então provavelmente vai ter que ser judicializado.

E aí eles de novo vão contar com uma mãozinha do Judiciário para evitar uma derrota que não conseguem evitar nas 4 linhas do Legislativo, né? Precisa ali de uma prorrogação, de um VAR, de um pênalti, de qualquer coisa que ajude a sanar o fato de que esse governo governou com minoria o tempo inteiro, né? Os 4 anos sendo minoritário no Congresso. É muito difícil prosperar dessa maneira e agora tá aí na iminência de sofrer mais uma derrota.

E a gente sabe o quanto que o custo que isso vai ter, né? Só essa questão aí dos agentes comunitários de saúde, aposentadoria especial, tem um custo estimado de R$30 bilhões. Isso somado às outras pautas-bombas que já passaram pelo Senado, algumas delas que estão na Câmara, vai criando um volume de gastos muito difícil do governo arcar.

?Voz C

Bom, a relação do Alcolumbre com o governo já não era boa, né? Ele tá irritado com as pressões para pautar fim da escala 6 por 1. Tem aí o foco do Supremo Tribunal Federal na questão das emendas parlamentares, que sempre gera atrito com o Congresso. Falando nisso, hoje teve mais uma decisão do ministro Flávio Dino em relação às emendas, né? Ele tá cobrando explicações de comissões da Câmara nesse sentido. E elevou o tom aí nas críticas ao que ele chamou de uma oligarquia partidária. João Rosa conta para gente. Oi, João, boa noite.

?Voz F

Oi, Carol, boa noite para você, boa noite, Vera, Débora, a todos que estão nos acompanhando aqui na CBN. É isso mesmo, Carol, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, deu prazo de 30 dias para que as comissões de saúde da Câmara e do Senado expliquem como garantem a transparência na distribuição de emendas parlamentares. Na decisão, Dino endureceu o discurso contra o uso irregular de recursos públicos por pessoas que não exercem mandato.

O ministro afirmou que a legislação proíbe o que classificou como terceirização e privatização das emendas parlamentares. Segundo ele, apenas deputados e senadores em exercício podem indicar o destino desses recursos. A decisão é mais um desdobramento das investigações da Polícia Federal que levaram ao bloqueio de cerca de R$6 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha e de mais de R$119 milhões do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Segundo a Polícia Federal, os dois, mesmo sem mandato, comandariam a distribuição de recursos nos bastidores. Em entrevista hoje à GloboNews, Valdemar Costa Neto defendeu que dirigentes partidários participem da definição do destino das emendas. Vamos ouvir.

?Voz 2

Os funcionários só cumpriram a obrigação deles, mesmo a Tuca só cumpria as obrigações deles. De verificar se a prefeitura tinha condições, se não tinha, se tinha, por exemplo, ainda verba nessa área. Eles só fazem isso.

?Voz F

Mas outros presidentes de partidos fazem isso também, presidente?

?Voz 2

Mas lógico, é função do presidente é cuidar do partido. Quem tem uma visão nacional do partido é só o presidente.

?Voz F

Os ministros também— o ministro também determinou que o Tesouro Nacional informe se é possível padronizar os códigos das emendas para facilitar o rastreamento dos recursos. Eu volto com vocês.

?Voz C

O João, nessa entrevista aí, o Valdemar Costa Neto também falou sobre a crise entre Flávio e Michele Bolsonaro.

?Voz F

Isso mesmo, Valdemar, que é o presidente nacional do PL, como a gente já tinha lembrado aqui mais cedo, também comentou a crise interna no partido que envolve Michele e Flávio Bolsonaro. O desentendimento teve como pano de fundo a disputa pelo palanque do PL no Ceará. Flávio defendeu a aproximação do partido com o ex-governador Ciro Gomes, estratégia que foi criticada e rechaçada por Michele. Valdemar garantiu que Flávio continuará sendo candidato do PL à presidência da República e disse que Jair Bolsonaro pediu que Michele não disputasse cargos no Poder Executivo. Vamos ouvir esse trecho.

?Voz 2

O Bolsonaro não quer a Michele em cargo executivo até ela ter um mandato para adquirir mais experiência. Que ele me falou isso no passado, que quando ele elegeu a Damares aqui foi uma surpresa para mim. E eu falei para o Bolsonaro assim, Bolsonaro, Você sabe que a Michele tem muito prestígio em Brasília, ela pode ser governadora do estado na próxima eleição. Isso há 3 anos atrás, quase 4 anos atrás. Ele falou: não, ela tem que primeiro passar por um mandato para adquirir experiência.

?Voz F

Bom, ainda nessa entrevista, Valdemar também defendeu a avaliação do, a aliança, melhor dizendo, do PL com Ciro Gomes na disputa pelo governo do Ceará. Segundo ele, essa é a melhor estratégia para enfrentar o PT no estado. O dirigente ainda comentou a composição da chapa presidencial e afirmou que defende que a candidatura a vice-presidente de Flávio Bolsonaro seja de uma mulher. Eu volto com vocês.

?Voz C

Obrigada, João. Várias coisas para a gente comentar aí, né, Vera? Para o Valdemar, tá tudo bem direcionar emenda mesmo ele não tendo cargo?

?Voz A

Acho maravilhoso que ele adora ir no Estúdio I. Andressa sempre consegue levá-lo e ele sempre dá uns leads, né? Na maioria das vezes contra ele mesmo e o PL. Então, o maior produtor de leads que são tiros no pé que eu conheço, porque ele tá admitindo que ele direcionava mesmo as emendas, dizendo que cabe ao presidente de partido, porque só os presidentes de partido têm a visão do todo, quando na verdade a emenda é parlamentar, não é emenda de partidos, né?

Então tem um desvirtuamento óbvio aí pelo fato dele não ter um mandato. Mas ele tá admitindo que participou do esquema, diz ali, a Tuca, coitada, só fez o trabalho dela, etc. E aí, em relação à Michele, é incrível que eles reproduzem os discursos machistas sem nem perceber, né? Não, o Bolsonaro disse que ela tem que ganhar uma experiência para depois ir para o Executivo. Então, para ele tá normalíssimo o fato de que é o homem que decide o caminho, a trajetória, todo o itinerário que uma mulher vai fazer.

Isso que já tá usando ela como puxadora de votos, usando um prestígio que ela tem muito independente dele, pelo fato dela ser evangélica, etc., etc. Mas não, primeiro tem que ser senta lá, Cláudia, né? Uma espécie de senta lá, Cláudia, vai lá, ganha uma experiência e depois vai para o executivo. E eles reproduzem como se fosse a coisa mais naturalíssima do mundo. Afinal de contas, o marido é que define o que que a mulher vai fazer da vida, né? Beleza.

?Voz E

Vou te falar, viu?

?Voz C

Agora, para falar sobre a movimentação da chapa da esquerda no estado de São Paulo, né, que tem como pré-candidato aí ao governo o ex-ministro Fernando Haddad. E a chapa vai começar a fazer agendas conjuntas nesta semana, reunindo Haddad, o vice Márcio França, também as candidatas ao Senado. O Pedro Popolin tem os detalhes para gente. Oi, Pedro, boa noite.

?Voz B

Oi Carol, oi Débora, oi Vera, boa noite para vocês e a todos que nos acompanham na CBN. Exatamente, vai ser a primeira agenda pública conjunta de Fernando Haddad e Márcio França, 21 dias após o ex-ministro do Empreendedorismo ter sido anunciado na vice do petista. Juntamente com Haddad e França, as pré-candidatas ao Senado Simone Tebet do PSB e Marina Silva da Federação Pessoal Rede estão confirmadas para estas agendas entre quinta e sexta-feira.

A frente ampla da esquerda terá compromissos públicos em pelo menos 5 cidades do interior de São Paulo. Até o momento, as cidades confirmadas são Jales, Fernandópolis e Votuporanga na quinta, e Catanduva e São José do Rio Preto na sexta. Agora, a gente relembra, a demora da participação de França nas agendas de Haddad se deu por um bate-cabeça aí em relação aos cronogramas das duas campanhas. Já que França havia deixado preparada uma estrutura de campanha para disputa ao Senado.

A ida dessa comitiva ao interior tem importância estratégica tanto para Haddad quanto para o presidente Lula, que conta com o pré-candidato para a estruturação de um palanque forte no estado para sua reeleição à presidência. Márcio foi colocado na vice de Haddad por possuir trajetória própria na política paulista. Ele já foi ex-governador do Estado de São Paulo. Já Tebet é vista como uma ponte de Haddad com setores do agronegócio e do empresariado no interior, enquanto Marina reforça aí a identificação do palanque com a agenda ambiental, além de ter projeção nacional.

Vale lembrar, o interior do estado é justamente o reduto eleitoral do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos. A região concentra 53% do eleitorado paulista e é considerada uma zona de histórica dificuldade para o PT. É então no interior que Haddad vai tentar diminuir a diferença de intenções de voto em relação a Tarcísio para levar a disputa para o segundo turno. Segundo a última pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, Tarcísio tem 46% das intenções de voto contra 30% de Haddad.

São 16 pontos percentuais de diferença. Eu volto com vocês, Carol, Débora e Vera.

?Voz C

Obrigada, Pedro. Missão difícil do Haddad essa no interior de São Paulo, né, Vera?

?Voz A

É, resolveram dar uma largada espinhosa, pouco confortável para essa chapa, essas cidades escolhidas. Enquanto o Pedro Pupulim falava, né, ele reportava o que eles pretendem fazer e o itinerário, eu pesquisava aqui. Em 2022, o Lula teve 31% dos votos em Jales contra 68% do Jair Bolsonaro. Fernandópolis, outra das cidades mencionadas, foi 37% para o Lula contra 62% do Bolsonaro. É 31% em Votuporanga contra 68% do Bolsonaro e 32% em São José do Rio Preto contra 67% do Bolsonaro.

Mais ou menos a mesma proporção da votação do Tarcísio e do Haddad. O Haddad perdeu de lavada também por placares em que o Tarcísio sempre acima de 63%, e ele, Haddad, teve no máximo 36% nessas cidades escolhidas para a caravana da chapa de esquerda. Então vai ser ali uma— eles vão amassar barro um pouco, tentar mostrar força e tentar fazer alguma agenda com fotos e com vídeos para as redes sociais. Num cenário claramente hostil, claramente voltado para eleição à direita dessa chapa, né?

É um interior, é uma região do interior que votou em Bolsonaro e Tarcísio e que pelas pesquisas ainda deve votar dessa forma nesse ano. Então escolheram ali para o risco na largada e também vai testar ali algum tipo de liga nessa chapa, que é difícil também porque o Márcio França tá de má vontade como vice. O Haddad também preferia outro vice, que não esse, e o Márcio França preferia que não fossem as duas candidatas ao Senado.

Então eles meio vão se suportar nessa caravana e na campanha como um todo. Uma largada difícil para dentro e para fora.

?Voz E

A gente faz mais uma pausa, você fica com o noticiário local. Já já tem Thiago Bronzato, diretor da sucursal do Jornal O Globo em Brasília, que vai falar sobre a farra das emendas.

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?Voz B

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?Voz B

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?Voz 1

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?Voz A

O Viva Voz está de volta e quem tá com a gente depois de algumas semanas de hiato da Copa do Mundo é o Thiago Bronzato, diretor da sucursal de Brasília do Jornal Globo. Boa noite, bem-vindo de volta, Thiago.

?Voz 1

Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. E boa noite aos ouvintes.

?Voz E

Oi, Bronzato, seja bem-vindo de volta.

?Voz A

Boa noite, Bronzato. Hoje torceu para Espanha ou para França?

?Voz 1

Olha, velho, eu acho que todo regime ditatorial mais cedo ou mais tarde precisa cair, né? Então eu torci para o Mbappé sofrer bastante hoje, né?

?Voz A

Queda da Bastilha, segunda queda da Bastilha.

?Voz 1

Agora só falta zicar os nossos adversários argentinos, né? Amanhã na hora do jogo vou deixar o secador ligado ali. Boa!

?Voz A

Agora, falando de assuntos menos a menos, né, vamos falar um pouquinho das emendas parlamentares e do novo freio de arrumação que o ministro Flávio Dino tá dando nesses expedientes de pouca transparência aí. O que que explica, Bronzato, que uma emenda de um deputado federal do Rio tenha sido usada para pagar um show no interior de São Paulo, e ainda com uma intermediação do Valdemar Costa Neto, que nem deputado é?

?Voz 1

Pois é, Vera, o teste de paternidade das emendas parlamentares tem dado o que falar assim, né? A última história surreal que veio à tona dá essa dimensão do quanto que o uso das emendas ficou banalizado. Como você bem disse aí, o deputado Sostens Cavalcanti, que foi eleito pelo Rio, ele tinha direito a mandar um recurso para onde ele quisesse, né? O natural seria destinar para o seu reduto eleitoral, ou seja, alguma cidade do Rio que estava precisando de ambulância ou de livros material didático.

Mas o Sostnes preferiu pagar o cachê de quase R$300 mil de um show de uma dupla sertaneja no interior de São Paulo. Mas por que que isso aconteceu? Na verdade, a emenda do Sostnes, ela foi apropriada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que queria ali dar uma ajudinha para uma prefeita aliada da base dele bombar um evento chamado 21ª Festa do Peão de Boiadeiro da cidade. Essa história, Vera, ela é bizarra assim, ilustra a distorção das emendas parlamentares, que deveriam ser utilizadas como um mecanismo de promoção de políticas públicas por meio de deputados e senadores, mas elas estão sofrendo esses desvirtuamentos, né?

Um levantamento feito pelo Jornal Globo mostrou que R$8 em cada R$10 indicados por emendas apropriadas pelo Valdemar foram enviados na semana anterior ao prazo eleitoral para as eleições de 2024. Ou seja, o critério usado para decidir quem seria atendido por esses recursos do Congresso não foi se alguém tava precisando de uma obra, de uma reforma numa escola, ou se precisava resolver qualquer coisa nessa cidade, mas sim foi movido por interesse paroquial e também eleitoral, né?

E o próprio Valdemar admitiu isso hoje em entrevista à GloboNews, quando ele disse que pegou emendas até do deputado Tiririca e mandou para onde ele quis. O presidente do PL só não esclareceu qual é o critério que ele utilizou para distribuir R$119 milhões de emendas, se teve alguma análise econômica, algum estudo técnico, ou se ele fez uma pesquisa numa playlist sertaneja no Spotify.

?Voz E

Agora, Bronzato, à medida que a gente noticia esses casos, a gente percebe, vê que a utilização das emendas tá cada vez mais distante da função original. Quais são os prejuízos dessas distorções? E há no horizonte aí possibilidades de se conseguir minimizar essas distorções?

?Voz 1

Pois é, Débora, o Valdemar disse que os presidentes do partido, de partidos, exercem um papel de coordenação política e por isso cabe a eles destinar as emendas para onde eles quiserem. Ao recorrer a esse argumento, Valdemar mistura duas coisas diferentes, né? Uma coisa é coordenação política e a outra é o controle informal do dinheiro público. O presidente do PL pode coordenar bancada, montar uma chapa, apoiar determinado candidato, né?

O que ele não pode é virar autor oculto de emenda parlamentar, até mesmo porque ele não tem mandato e não foi eleito para estar no Congresso. E o argumento do Valdemar se torna ainda mais inócuo no caso do ex-deputado Eduardo Cunha, que segundo a investigação da Polícia Federal destinava emendas parlamentares mesmo estando distante do Congresso há mais de uma década. O Eduardo Cunha, que é do Rio de Janeiro, destinou emendas por meio do seu partido, Republicanos, para municípios de Minas Gerais, onde inclusive ele vem instalando emissoras de rádio como uma estratégia para tentar se eleger pelo estado.

O caso do Cunha é curioso, Débora, porque confirma que a emenda parlamentar virou um instrumento não só de construção de palanque eleitoral, como também de ressurreição de políticos que foram enterrados por escândalos do passado. E aí mostra realmente aberração que se tornou a questão das emendas, né? Por isso a decisão hoje do Ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal diz claramente que a lei proíbe a terceirização e a privatização de emendas.

?Voz C

São os políticos do Rio de Janeiro sendo muito generosos, ô Bronzato. Eles querem, né, compartilhar os recursos aqui do estado com as outras unidades da federação. Não tô precisando aqui do Rio, pode mandar para Minas.

?Voz 1

Estão de braços abertos como Cristo, né, para atender todo o Brasil, né, cara.

?Voz C

Cidade nacional que é o Rio de Janeiro. Olha só, e que que é a reação dos parlamentares disso, sobre esse esquema aí das emendas em bronzado?

?Voz 1

Olha, Carol, houve dois tipos de reações do Congresso até o momento, né. A primeira foi a turma do deixa disso, que relativizou toda a confusão, preferiu ficar longe de um afrontamento ali público ao Supremo. Porque também sabe onde calo aperta, né? A segunda foi da turma do espírito de corpo parlamentar, que bateu na mesa, bravejou contra o Supremo, né? Disse que o Dino está criminalizando a política, esvaziando as prerrogativas do Poder Legislativo, né?

Mas tudo isso mostra que o que tá por trás desse incômodo político, né, que é algo mais profundo. As emendas, quando você analisa ali a evolução histórica dela, elas passaram de quase R$6 bilhões em 2015 para R$47 bilhões, né? E hoje elas representam uma fatia enorme da parte livre do orçamento. Uma vez um parlamentar me disse com muita franqueza que o tanto que ele recebe de emendas, ele não precisa nem vir para Brasília para legislar, porque a reeleição dele já tá encaminhada, porque basta ele botar dinheiro numa obra, construir uma uma escola.

E então assim, realmente a influência do Congresso sobre o orçamento virou muito predominante, né? Isso fica claro que inclusive o próprio Valdemar vem exercendo esse controle, né? O interesse do Valdemar, ele sabe que por meio dessas emendas ele consegue construir palanques, consegue eleger prefeitos. O próprio Cunha consegue garantir também de alguma forma a volta dele para o Congresso, né? E com isso tudo, a decisão do Dino, ela gera incômodo na classe política, porque ela não atinge só o Valdemar ou Cunha, né?

A decisão do Dino atinge, de certa forma, um método obscuro de distribuição de emendas. Isso incomoda muito o Congresso, porque pode fechar uma torneira por onde estava escoando uns recursos públicos sem qualquer tipo de fiscalização, né? A pergunta que fica agora, Carol, é: se tudo é tão regular e dentro das 4 linhas, por que tanta gente ficou nervosa quando acenderam a luz das emendas? Acho que essa pergunta tem que ser direcionada inclusive o presidente da Câmara, Hugo Motta, que segundo a Polícia Federal deu o aval para que as emendas fossem terceirizadas.

?Voz A

É isso, então fica essa pergunta aí no ar. Quem sabe o próprio Bronzato responde na próxima, porque esse assunto não vai morrer. Obrigada por hoje, Bronzato.

?Voz 1

Obrigado, até a próxima, pessoal.

?Voz E

Até, boa noite. Samanta Klein tá de volta aqui no Viva a Voz porque a PEC dos agentes de saúde já deu o primeiro passo para aprovação, né, Samanta?

?Voz I

Já, Débora, e deve mesmo ser aprovada nos dois turnos ainda na sessão de hoje. Isso porque com o voto dos governistas o Senado aprovou o primeiro turno criando aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde. Foram 73 votos favoráveis, somente um contrário. Inclusive a líder do governo, Tereza Leitão, disse que pela primeira vez teria que deixar de votar. E destacando que essa é uma matéria considerada uma das pautas bomba aqui no Congresso, com potencial de gerar um rombo de quase R$30 bilhões em 10 anos à Previdência Social.

Mais cedo, o presidente Davi Alcolumbre já tinha dito que queria mesmo colocar em votação e votar tudo. Neste momento, inclusive, já está sendo analisado o segundo turno porque houve ali aprovação de um requerimento de quebra do interstício. Que que é isso? Um prazo ali, um vácuo de 5 sessões de discussão para realmente avançar com o segundo turno. Ninguém quis discutir nem lá no início, e aí portanto foram só os encaminhamentos.

Lembrando que essa PEC prevê aposentadoria especial aos 57 anos para mulheres e 60 para os homens que atuam como agentes comunitários. O que também avançou aí foi num outro, num contraponto, foi a MP do frete, já aprovada. É uma medida provisória, agora vai se tornar lei, claro, quando for ali passar pelo veto e sanção. Prevê regras modificadas para a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário. Aquele ponto sensível como anistia das multas aos caminhoneiros que que participaram dos bloqueios de rodovias em 2022, lá depois das eleições, vai ficar para ser vetado pelo presidente Lula.

?Voz A

Com vocês.

?Voz E

Obrigada, Samanta. Essa conta não vai fechar, né, Vera?

?Voz A

Não vai fechar. É aquilo que eu falei, né? Então, enquanto o programa transcorria e as votações aconteciam, consultei aqui fontes do governo. A tendência é mesmo a judicialização. Eles já esperavam que se fosse votar seria difícil evitar aprovação. E aí a gente por essa facilidade de placar, quebra de interstício, que Davi Alcolumbre faz o que ele bem entender no Senado. O governo tem pouquíssima margem para manobra. Então resta bater as portas do Supremo para tentar evitar que entre em vigor essa aposentadoria especial para os agentes de saúde, e que além já tinha da enfermagem, né?

Então se tiver para outras carreiras, é um problema ali, uma caixa de Pandora que não se sabe como fechar.

?Voz C

Bom, vamos falar sobre família Bolsonaro, porque a OAB pediu ao ministro Alexandre de Moraes que libere a comunicação entre o senador Flávio Bolsonaro e o pai Jair Bolsonaro. O João Rosa tem os detalhes. O argumento é de que o Flávio é também advogado do pai, né, João?

?Voz F

Isso mesmo, Carol. A Ordem dos Advogados do Brasil pediu ao ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal que seja garantido o direito de comunicação entre o senador Flávio Bolsonaro e e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado após a decisão de Moraes que suspendeu por 90 dias o direito de visita de Flávio ao pai. Além de filho do ex-presidente, como você falou, Flávio também atua como advogado de Jair Bolsonaro no processo do STF.

Ele é inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. Por isso, a OAB solicita que seja assegurada a comunicação pessoal e reservada entre advogado e cliente desde que destinada exclusivamente ao exercício da defesa e respeitando as demais determinações impostas pelo Supremo. Na manifestação, a entidade afirma que Flávio não deve ser visto apenas como familiar do ex-presidente, mas também como advogado constituído, condição que, segundo a OAB, exige a preservação das prerrogativas da advocacia.

Pouco depois da manifestação da OAB, Flávio agradeceu o apoio da entidade em uma publicação nas redes sociais. O direito de visita, a gente lembra, foi suspenso até o primeiro turno das eleições após o senador divulgar uma carta escrita por Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente pede união entre seus apoiadores e apresenta Flávio como seu porta-voz. Para Alexandre de Moraes, a divulgação da carta representou uma tentativa de burlar a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar as redes sociais de forma direta ou indiretamente.

Na mesma decisão, o ministro deu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Bolsonaro Bolsonaro tinha conhecimento de que o documento seria divulgado nas redes sociais. Além disso, Moraes também determinou o envio do caso à Procuradoria-Geral Eleitoral para apurar uma possível prática de propaganda eleitoral antecipada. Eu volto com vocês.

?Voz C

Obrigada, João. E aí, faz sentido, Vera, esse pedido da OAB?

?Voz A

Sim, eu tinha falado mais cedo no Viva Voz da Hora do CBN Brasil que tinha uma expectativa da campanha do Flávio Bolsonaro por uma manifestação da do PT, pelo fato dele ser designado como defensor, né, como advogado do pai. É uma estratégia muito parecida com a do Lula em 2018, essa coisa de designar como advogado aquele que é o principal emissário político. Eles apontam dois pesos e duas medidas, porque em 2018 o Lula, a partir da cadeia, comandou a sucessão dentro do PT e escreveu várias cartas, vários bilhetes, comentou pesquisas, deu até Então essa deverá ser a tônica da campanha do Flávio até o final.

?Voz E

Muito bem, Vera. Então a gente já se despede de você porque nosso ouvinte vai ficar com o noticiário local e na sequência tem mais Ponto Final CBN. Beijo. Amanhã, viva voz, curtinho, curtinho, porque tem a transmissão do jogo entre Argentina e Inglaterra. Então Ponto Final CBN começa um pouquinho mais tarde, às 6:30, mas às 7 Era, estará conosco. Beijo!

?Voz F

É isso, até lá e vai Inglaterra! Tchau, gente!

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