Carta de Bolsonaro a Flávio: 'Violação às regras da domiciliar é explícita e deliberada'
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- Negação de visita na prisãoJair Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Alexandre de Moraes · Carta divulgada nas redes sociais · Prisão domiciliar · Propaganda eleitoral antecipada
- Tensão no Oriente MédioDonald Trump · Estreito de Ormuz · Tarifas sobre petróleo · Pirataria · Lula
- Transparência de Emendas ParlamentaresCâmara dos Deputados · Orçamento secreto · Supremo Tribunal Federal · Valdemar Costa Neto · Eduardo Cunha
- Marqueteiros de campanha e estratégiaRonaldo Caiado · Flávio Bolsonaro · Michele Bolsonaro · Eleições presidenciais
- Tarifas dos Estados UnidosGoverno brasileiro · Casa Branca · Lei da Reciprocidade Econômica · Eleições nos EUA
- Direito InternacionalDireito internacional · Irã · Eleições americanas
- Trump e o UFCFIFA · Seleção americana · Estados Unidos
Viva a Voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães, boa noite, tudo bem?
Oi, Débora, boa noite para você, boa noite para Carol, para os ouvintes, para todo mundo que tá nos assistindo.
Oi, Vera.
Semana de inverno que começa fria aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro, mas quente em Brasília. Vamos para lá porque o João Rosa tem mais informações sobre a decisão de Alexandre de Moraes que isola Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro.
Oi, João.
Oi, Débora, tudo bem? É isso mesmo, o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal decidiu hoje suspender por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Nessa mesma decisão, Débora, Moraes deu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Bolsonaro tinha conhecimento de que uma carta escrita durante o período de prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais. O ministro também determinou o envio do caso à Procuradoria-Geral Eleitoral para apurar uma possível prática de propaganda eleitoral antecipada.
Segundo Moraes, Flávio utilizou a visita ao pai para retirar um documento que tinha como objetivo ser divulgado nas redes sociais, descumprindo a decisão que proíbe Bolsonaro de usar plataformas digitais de forma direta ou por intermédio de terceiros. A decisão foi motivada por um vídeo publicado pelo senador no último sábado. Na gravação, Flávio anunciou que faria a leitura de uma carta escrita pelo pai. Horas depois, ele leu o texto na íntegra durante uma transmissão nas redes sociais.
Na carta, Flávio Bolsonaro afirmou que é a hora de deixar de lado as diferenças políticas. E o Bolsonaro fala que Flávio— apresenta Flávio como seu porta-voz. Vamos ouvir.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, meu pré-candidato, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Débora, para Moraes, a divulgação da carta demonstra que o documento foi produzido com a intenção de alcançar o público, o que representa uma tentativa de burlar a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar as redes sociais enquanto cumpre prisão domiciliar. A decisão de Moraes foi criticada por aliados de Flávio Bolsonaro. O coordenador da pré-campanha do senador à presidência, Rogério Marinho, classificou a medida como uma arbitrariedade e afirmou que a suspensão das visitas pode prejudicar a condução da campanha eleitoral.
Segundo Marinho, a decisão representa uma mudança de critério justamente em um momento de articulação política para as eleições. Os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro definiram como ilegal e inconstitucional a decisão de Em nota, a defesa disse que vai recorrer judicialmente a decisão e ressaltou que Flávio é advogado do ex-presidente e que a proibição de contato viola o direito que o advogado tem de se comunicar com o seu representado. Eu volto com vocês.
Obrigada, João Rosa, pelas informações. A Bela Megali, nossa colega do Globo, Vera, apurou que há uma divergência dentro do próprio STF em relação ao fato dessa carta ser suficiente para acabar com a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ou não. Fato é que na prática, nesses 90 dias, eles não vão poder se falar até o final da eleição, né?
É, ele não tá suspendendo, né, a domiciliar, tá mantendo a domiciliar com essa nova regra segundo a qual o Flávio Bolsonaro não está entre os que podem visitá-lo. Houve uma violação explícita e deliberada a uma regra da decisão que mandou o Jair Bolsonaro para uma prisão domiciliar em caráter provisório, por motivo humanitário, em razão da sua condição de saúde. Tava explícita na decisão a proibição de que ele fizesse uso das redes sociais.
Tá explícito que ele não pode se comportar como um agente político nesse período. Ele é um preso cumprindo pena que está circunstancialmente em prisão domiciliar por razões da sua saúde, por complicações que ele teve no seu quadro no período em que estava cumprindo pena em regime fechado. Então houve uma violação explícita, deliberada, e que teve como origem a cisânia entre o Flávio e a Michele Bolsonaro. Jair Bolsonaro é chamado pelo filho para arbitrar essa briga, o faz de uma maneira ali implícita, ele não chega a fazer nenhuma crítica explícita à mulher dele, nem a dizer, ó, entre Flávio e Michele eu estou arbitrando em favor do Flávio, mas disse que o Flávio é o candidato e é o porta-voz dele, Jair Bolsonaro, o que também é uma violação da cautelar.
Ele não pode ter porta-vozes na arena política, ele não é hoje uma pessoa com direito de participar da eleição, ele está preso. E ele fala: estou saudoso do povo brasileiro, e se dirige a esse povo. Ou seja, já claramente tava traçada a estratégia de que essa carta seria levada a público pelo Flávio Bolsonaro por meio das redes sociais. Então essa pergunta que o ministro encaminhou à defesa, se eles tinham conhecimento que a carta seria exibida, ela é só protocolar.
Fica óbvio que ele tinha conhecimento e que fez a carta justamente para que ela fosse exibida em redes sociais, porque eles captaram que a briga dentro da família provavelmente tava causando prejuízos e danos eleitorais à candidatura do Flávio Bolsonaro. Quando ele diz, ele é o candidato, o meu porta-voz para resgatar o Brasil, já tá falando da eleição, e a gente está num período em que não estamos em época de campanha. Então, além da violação à prisão domiciliar, existe uma clara campanha fora de época, campanha eleitoral antecipada, por meio do Flávio, que levou isso ao ar numa live.
Então, por mais que se ache que o ministro Alexandre de Moraes por muitas vezes exagera na tinta, e que o bolsonarismo tenha certeza que ele persegue A família, as violações estão claras. Aí a gente vai ter que discutir: isso é suficiente para deixar o Flávio Bolsonaro sem falar com o pai até a eleição? Porque o período que ele estabelece é justamente o período eleitoral. Aí vão entrar muitas controvérsias do ponto de vista jurídico.
Mas que eles violaram de novo sabendo que poderia ter consequências, isso não tem nenhuma dúvida razoável.
É, toda vez que tem esse tipo de decisão surge aquele questionamento, né? Será que não estão— o ministro não tá ajudando a dar argumentos para o bolsonarismo e a vitimizar o ex-presidente Jair Bolsonaro? Sempre surge esse questionamento, né, Vera?
Mas é o que eles querem, né, Carol? Como parou de ter treta porque o Bolsonaro não tava mais preso, então não tinha aquele negócio: Bolsonaro tá soluçando, Bolsonaro não consegue dormir. Tá esses dias sem dormir, tá com problema no estômago, isso tudo cessou com a domiciliar. Tiveram de dar um outro jeito de trazer o Bolsonaro de volta à arena política, porque o Bolsonaro é o combustível da campanha do Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro não tem uma vida própria política, jamais seria um candidato à presidência viável se não fosse filho do Jair Bolsonaro.
Então estão trazendo ele de volta à campanha por meio dessa carta, sabendo das possíveis consequências. É óbvio que quando discutiram sobre essa carta, eles falaram: o Alexandre de Moraes vai reagir de alguma maneira. Eles sabiam disso e forçaram essa reação.
Bom, vamos com o nosso próximo assunto, que tem a ver com o noticiário internacional, porque tivemos uma nova escalada na tensão no Oriente Médio, que afeta diretamente a nossa política econômica aqui no Brasil. O presidente americano Donald Trump anunciou retomada de bloqueios Falo agora na cobrança de tarifa sobre as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz. E a gente já teve uma reação hoje aqui no Brasil do presidente Lula, que a Bruna Barbosa nos conta. E Bruna, boa noite.
Carol, Débora e Vera, boa noite para vocês, para todos que nos acompanham. O presidente Lula afirmou que o presidente Donald Trump pratica pirataria ao defender a cobrança de uma taxa sobre navios que cruzarem o Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte mundial de petróleo. Essa declaração aconteceu no fim da manhã de hoje durante uma visita ao Instituto Mauá de Guruja, em São Caetano do Sul, aqui no ABC Paulista, após Trump afirmar que os Estados Unidos pretendem assumir o controle da segurança da região e cobrar uma tarifa das embarcações que utilizarem a passagem.
Hoje cedo, em entrevista à emissora americana Fox News, Trump diz que os Estados Unidos serão os guardiões do estreito e que deveriam ser reembolsados caso liberem a via marítima. Pouco depois, num post numa rede social, ele falou que cobrará o valor de 20% de toda a carga que passar pela rota. Minutos depois, Lula reagiu.
Tem um Twitter do presidente Trump dizendo que ele vai desobstruir o Estreito de Ormuz, mas cada navio que ele desobstruir, que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso antigamente chamava pirataria. O Estado importante como os Estados Unidos não bote agora virar pirata. Ou seja, ele não tem que cobrar porque o Estreito de Ormuz é da responsabilidade deles.
Lula afirmou que o conflito no Oriente Médio já pressiona o preço internacional do petróleo e pode provocar aumento no custo de alimentos no Brasil. Segundo o presidente, para evitar esse impacto, o governo decidiu elevar em 12% a tributação sobre o petróleo exportado pelo país para subsidiar o mercado interno. Também nesta segunda-feira, mas na parte da tarde, no interior paulista, Lula disse acreditar que não vai ter tarifação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Foi uma declaração à reportagem da TV Vanguarda na saída de uma agenda na cidade de São José dos Campos. Lula não atendeu à imprensa. A expectativa é de que o anúncio sobre as novas tarifas seja feito pela Casa Branca até quarta-feira. O governo brasileiro ainda espera uma última reunião para uma prévia da decisão.
Carol, obrigada, Bruna. A gente vai falar ainda mais adiante sobre tarifação, né? Mas essa questão dos preços do do petróleo preocupa demais. Temos aí a questão do frete, a MP do frete que tá para caducar, a pressão dos caminhoneiros por causa do preço dos combustíveis. Então é um assunto que deixa nosso governo em alerta, né, Vera?
Pois é, a gente tem o Eduardo Graça e vai ter mais tarde também matéria de Brasília sobre as estratégias para o outro tarifaço. Mas é forte a declaração do Lula ao falar em pirataria, né? Para isso que o Trump tá anunciando agora mais essa novidade. É claramente algo bastante preocupante, uma decisão unilateral de um país de cobrar uma passagem num local estratégico como é o Estreito de Ormuz. O Edu vai falar sobre isso, mas o Lula nesse caso deixou de lado as papas na língua para endereçar ali uma crítica direta ao Trump num momento, né, numa semana especialmente complexa que é essa em que o tarifácio deve entrar em vigor.
Samanta Klaar em Brasília tem informações sobre as tratativas do governo em relação ao tarifácio. Ei, Samanta!
Débora, Vera, boa noite. Carol também. Olha, de fato são negociações aí com poucos avanços, porém o prazo aí está chegando e o governo ainda oficialmente diz que segue nessa negociação. Aguarda ainda mais uma reunião de alto nível entre o representante comercial Jameson Greer e o ministro da Indústria e Comércio Márcio Elias. Tinha previsão de ocorrer esse encontro virtual ainda hoje, mas isso não se confirmou, o que não quer dizer que não vai acontecer até a próxima quarta-feira.
Enquanto isso, o governo está avaliando qual vai ser a extensão dessa decisão americana de aplicar novas tarifas às exportações brasileiras e de que forma pode reagir. Entre elas é continuar na mesa de negociação depois da aplicação dessas tarifas, buscar ali também outros acordos com outros países, mas também averiguar se vai ou não aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica. Ou seja, essa lei autoriza a adoção de medidas comerciais contra países ou blocos que tragam aí barreiras sem justificativa ao governo brasileiro.
Numa entrevista à GloboNews, o embaixador Maurício Lírio, perdão, que é um dos membros do corpo diplomático brasileiro envolvido negociação, diz que o governo americano neste momento não deverá abrir mão de taxar o Brasil. E enquanto isso, o empresariado também está buscando aumentar a lista de exceções, portanto, a taxação de 25%. Isso foi um dos principais trabalhos aí das entidades e empresas brasileiras que foram para as audiências em Washington da semana passada.
Com vocês.
Obrigada, Samanta. O prazo termina essa semana, né, Vera?
Quarta-feira tá previsto para entrar em vigor. O presidente tava numa agenda, né, em São José dos Campos, aqui no Vale do Paraíba, e aí rapidamente, ao responder à TV Vanguarda, ele falou assim: não vai ter tarifação, não vai ter tarifação, demonstrando que ainda acredita em alguma possibilidade de negociação que ou adie ou elimine essa sobretaxa. Mas pelo que a Samanta nos trouxe, os canais estão meio emperrados, estão meio obstruídos.
Naquela, na semana passada teve aquela audiência pública, Flávio Bolsonaro foi lá fazer uma visagem ali, aparecer, ler aquela, aquele documento que não deixou claro que ele seja contra, totalmente contra a ideia de novas tarifas, né? Voltou a dizer que o momento aqui é ruim. Então a gente tem que aguardar. Já houve outros recursos e no tarifação anterior, do qual depois houve uma série de exceções, o Brasil não aplicou a lei da reciprocidade.
Eu acho que não deverá aplicar de novo, mas tá contando com a possibilidade de reverter ou adiar a entrada em vigor da nova tarifa.
Muito bem, você fica agora com o noticiário local. Já já A gente vai, tem Eduardo Graça, Eduardo Graça para comentar os assuntos internacionais.
Viva Voz de volta, são 6:34. Quem já tá conosco na linha é o Eduardo Graça, repórter especial, colunista do Globo, nosso comentarista aqui da CBN. Boa tarde, boa noite, Edu.
Boa noite, Vera. Oi, Carol. Oi, Débora. Boa noite a todos.
Oi, Edu.
Oi, Edu.
Edu, a gente viu aí, né, que o Donald Trump anunciou a volta do bloqueio, do bloqueio ao Estreito de Ormuz, e agora com esse plus aí de anunciar que vai cobrar tarifa na passagem dos navios liberados por Washington. Como é que os Estados Unidos pensam em organizar esse pedágio que o Lula até chamou de pirataria? Isso é mesmo viável?
Pois é, esse pedaço assim, definitivamente ele não é legal segundo o direito internacional. Muito provavelmente, Vera, ele não é viável também não. Mas ele escancara algo que a gente tem conversado aqui, que essa dificuldade do Trump de encontrar uma narrativa de vitória no Irã. Na semana passada, ele anunciou o fim da trégua com Teerã, que tinha sido firmada há apenas 25 dias, e os conflitos voltaram a ser diários. Inclusive nesse momento, agora mesmo, com bombardeios e uso de drones marítimos pelos Estados Unidos.
Hoje ele anunciou é a retomada dos bloqueios dos portos iranianos e essa taxa de 20% que o presidente Lula classificou de pirataria, e que me lembra assim uma prática, eu que sou do Rio de Janeiro, de miliciano. Ó, garanto a segurança, mas para passar sem problema pelo estreito me dá aí 20%. E a gente tá falando de águas por onde até o dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra, passavam um quinto do petróleo e do gás natural do planeta, boa parte para China.
Quer dizer, uma medida que, se aplicada, como eu falei, violaria o direito internacional, e é também inclusive historicamente denunciada pelos próprios Estados Unidos como prática ilegal. O Irã reagiu, né, Vera, como a gente podia imaginar, afirmando que não vai permitir que os Estados Unidos impõem esse pedágio. Avisou os vizinhos que qualquer ajuda nesse caso vai ser traduzida como ato de guerra, escalando ainda mais o conflito.
E para ser justo, essa ideia nem é original, né? Quem apresentou primeiro foi o próprio Irã, que queria um pedágio acordado ali por todos para, segundo o regime islâmico, arcar com a reconstrução do país após os ataques desse ano. O Trump, incapaz de qualquer sofisticação diplomática, né, de oferecer um plano lógico assim de paz futura, entendeu bem essa linguagem aí dos 20%, se auto-intitulando, como ele fez hoje, o novo anjo da guarda do Estreito.
Apostando em agradar o público interno, né? A gente tá nas vésperas de eleições cruciais nos Estados Unidos em novembro, com os republicanos em crise, com o governo que só agrada na média das pesquisas 34% dos americanos.
Edu, a gente continua na editoria Trump, agora na subeditoria Brasil, porque depois de amanhã tem aí a decisão, eles, Estados Unidos, devem anunciar a decisão sobre aplicação do tarifaço, né? O presidente Lula falou há pouco também que não vai ter tarifaço, mas a nossa reportagem trouxe um outro cenário. Há uma dificuldade aí nessa negociação. E aí, como é que o governo tá se preparando?
Olha, como não houve qualquer sinalização dos Estados Unidos, pelo menos pública, de repente o presidente Lula tem obviamente algum canal que a gente não tá sabendo, mas como não houve qualquer sinalização dos Estados Unidos sobre uma nova extensão do prazo, e mesmo levando-se em conta que tá, que o Trump nessa editoria Trump a gente precisa sempre levar em conta que ele age muito por impulso, Mas na prática não me parece ter mais o que se fazer a não ser continuar negociando mesmo depois do anúncio.
Quer dizer, seguir batendo na tecla de que ninguém vai sair ganhando, especialmente não vai sair ganhando o setor produtivo dos dois países. Mas de novo, é ano eleitoral lá também, e até agora a percepção aqui do lado brasileiro é do que Washington já veio para mesa de negociações com os pontos sabidamente inegociáveis para Brasília, entre eles, para citar um só, as mudanças no Pix. Um respiro viria se junto— tô sendo otimista aqui, tá— mas se junto com o anúncio do novo tarifaço viesse também uma lista gorda de exceções, né, tipo o que a gente viu no tarifaço anterior, ainda que fosse majoritariamente de produtos que prejudicariam internamente Trump, de novo com essa lógica das eleições internas, como aconteceu anteriormente.
A proximidade das eleições que vão decidir quem vai comandar o Congresso americano nos 2 anos finais desse governo Trump prejudicam ainda mais negociações comerciais lógicas e tem fortalecido essa intenção da Casa Branca de vender internamente a ideia de que não só o Brasil, mas países que antes, entre aspas, isso claro, né, gente, tiravam vantagem dos Estados Unidos, não farão mais os americanos de trouxa com Trump. Daí nem a oferta de menos protecionismo em determinadas áreas, como o governo brasileiro tem feito, sensibiliza os americanos.
E claro, resta saber, já que a gente está falando em eleições, e pensando nas nossas, quem vai ser menos prejudicado por esse novo tarifaço nas urnas aqui? Se o governo do presidente Lula, que tá na mesa de negociações, ou se o bolsonarismo, com sua proximidade declarada e comprovada com a Casa Branca?
O Edu, agora subpauta Trump esportivo, é Trump em várias frentes, né? Porque ele ataca em várias frentes. Tá chegando ao fim já a Copa do Mundo, estamos na reta final. Dá para fazer um balanço dessa Copa aí do Trump? Ele conseguiu usar o evento para benefício próprio de alguma maneira depois daquela Copa, mico, né, de anular cartão vermelho para jogador americano. Acabou que os Estados Unidos foi eliminado do mesmo jeito.
Foram vários micos, né? Até antes, pouco antes da Copa, já tinha um mico imenso, né? Mas eu vou dizer que até agora, e porque ainda temos essa semana final, pode, em termos de Trump, pode alguma coisa ainda pode acontecer. Mas até agora ele conseguiu sim jogar para torcida, ainda que seja a torcida que ele já tem. A base trumpista comemorou a cumplicidade ativa da FIFA aí desde que a entidade máxima do futebol ofereceu a ele, pensando no Mico anterior, aquele arremedo de Prêmio Nobel da Paz.
Comemorou também o fato da Copa tá ocorrendo durante a celebração dos 200 anos dos Estados Unidos, e a seleção americana não fez feio. E comemorou, como você lembrou, ainda mais o cartão ali, o perdão ao cartão vermelho muito bem dado pelo juiz brasileiro ao Balogun, o centroavante do time americano, aliás, de origem nigeriana. Algo que gerou ali indignação internacional, mas que foi percebido na Trumposfera como uma prova de influência, de poder do Trump, que ele conseguiu, né, reverter algo ali que era uma injustiça com a seleção americana.
E ele ainda vai entregar a taça ao novo campeão do mundo no domingo. E certamente, Carol, tenho certeza que ele vai tentar aparecer mais do que o capitão do time, do time do país vencedor. Mas mesmo esse efeito positivo interno e para o trumpismo não vai os limites do trumpismo. Apesar do veto que a gente viu ao juiz da Somália, apesar daquela obrigação da seleção iraniana de dormir no México mesmo quando jogava partidas nos Estados Unidos, o que essa Copa mostrou, me parece, foi um retrato dos Estados Unidos que até por conta do Trump a gente já tinha esquecido um pouco.
Não é o país das batidas na imigração do ICE com violências e mortes, dos militares ocupando as cidades, do uso dos tarifáceos, tá aí, do, né, do porrete até contra aliados. Mas do país que sabe fazer uma festa com alegria e com diversidade. Até agora, essa Copa reforçou o que o jornalista americano Farid Zakaria me falou outro dia numa entrevista para o Globo, o de que apesar de tudo os Estados Unidos seguem, o país e a Copa apesar de tudo estão se provando maiores do que Trump.
É isso, Eduardo Graça desvendando as várias editorias de Trump aqui no Viva a Voz semanalmente. Obrigada por hoje, Edu.
Boa noite, obrigado a todos.
Valeu, Edu. Ana Carolina Tomé, de volta de Brasília para falar sobre emendas parlamentares. Oi, Ana, boa noite novamente.
Boa noite, Débora. Um estudo da organização Transparência Brasil revelou que líderes partidários na Câmara dos Deputados controlaram R$1,3 bilhão em emendas parlamentares de comissão no ano passado sem identificar os verdadeiros autores dos repasses, semelhante ao extinto orçamento secreto, Débora? Segundo o relatório, 16% dos recursos indicados pelas comissões da Câmara seguiram esse modelo de falta de transparência. 7 partidos utilizaram o mecanismo no ano passado: Progressistas, União Brasil, Republicanos, Partido Liberal, Avante, Podemos e Solidariedade.
Neste ano, o Partido dos Trabalhadores também passou a utilizar essa prática. A maior parte do dinheiro, mais de R$818 milhões, saiu da comissão de Saúde, controlada pelo PL de Valdemar Costa Neto, e foi fragmentada em repasses para pequenos fundos municipais. O levantamento aponta que a ocultação descumpre uma decisão do Supremo Tribunal Federal que exige transparência total sobre quem indica e quem recebe o dinheiro público.
Por causa da falta de um identificador único nos sistemas do governo, R$821 milhões se tornaram irrastreáveis. A Transparência Brasil, Débora, recomendou a extinção desse tipo de de indicação por lideranças e a suspensão de todos os pagamentos das emendas de comissão até que as regras sejam corrigidas, que permita a rastreabilidade do Congresso e a execução pelo governo federal. Nos últimos dias, o ministro Flávio Dino do STF intimou a Câmara para que entregue documentos de emendas investigadas em um suposto esquema do ex-deputado Eduardo Cunha e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Ambos teriam destinado repasses de valores a municípios sem possuírem mandato. Cunha teve R$6 milhões em bens bloqueados, já Valdemar R$120 milhões. Volto com você.
Obrigada, Ana, pelas informações. Até quando houver essa farra? Duas pessoas que não têm mandato com suas digitais nas emendas.
Exato, né? Um esquema no qual os dirigentes partidários atuam como se fossem parlamentares, usando uma prerrogativa que é de quem foi eleito, portanto de quem tem mandato, e que apesar de ser uma prerrogativa requer rastreabilidade, transparência, é tudo que essas emendas continuam sem ter. Desde que a ministra Rosa Weber e depois o ministro Flávio Dino impuseram regras para tentar limitar o uso do orçamento secreto, foram criando outros meios, outras modalidades para que essa opacidade continuasse.
Isso tem uma razão de ser, né? Quanto menos as emendas forem rastreáveis, tanto quanto ao seu destino quanto a quem destinou os recursos, a possibilidade de desviar esses recursos é maior. E a gente tem visto casos aí pelo Brasil todo de emendas que nem sequer chegam ao seu destino. Então agora essa investigação que atinge 2 próceres da vida política brasileira, e que vai ter consequências. O presidente da Câmara, vamos ver como ele vai reagir e como ele vai responder às cobranças do Supremo para que cessem essas brechas, essas frestas na regulamentação das emendas.
Ainda dá tempo para o nosso último assunto falando de política, gente, porque a campanha do Ronaldo Caiado tá adotando uma estratégia aí de críticas ao senador Flávio Bolsonaro. A Karen Lemos conta para gente. Inclusive, o Caiado disse que essa carta do Jair Bolsonaro demonstra a fragilidade na candidatura do Flávio, né, Karen?
Pois é, Carol, faz parte dessa estratégia aí, tanto de se afastar da campanha quanto de se mostrar mais crítica, né, a campanha de Flávio Bolsonaro. Bom, a CBN apurou aí com fontes da campanha de Caiado que essa tem sido uma estratégia desde que Flávio tem se mostrado aí um candidato com pouca força para derrotar Lula num eventual segundo turno nessas eleições. Entre os exemplos que foram citados aqui para mim estão os, está o envolvimento do senador com o caso Banco Master e também as críticas de Flávio à ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, que tem um diálogo aí bem desenvolvido, né, com público, com eleitorado feminino evangélico, que é visto como estratégico aí para campanha.
O tom é bem diferente, por exemplo, do adotado no lançamento da pré-campanha, né. A CBN esteve lá Caiado prometeu anistia geral e irrestrita, inclusive para Jair Bolsonaro. E no começo, eu lembro bem que Caiado também evitava citar Flávio nominalmente, embora fizesse algumas críticas veladas ali. Mas agora, segundo interlocutores da campanha de Caiado, esse é o momento dessa mudança de tom para apresentar uma alternativa ao eleitor de centro-direita ao nome de Flávio, né, colocar Caiado aí também com alguém com mais chances para derrotar o PT nas urnas.
E como você lembrou, né, Carol, Caiado fez críticas públicas à campanha de Flávio, disse que o senador teve que pedir socorro ao pai diante daquela crise interna do partido envolvendo Michele Bolsonaro, justamente comentando a carta de Jair Bolsonaro em apoio ao filho.
Carol, obrigada, Karen. Notou essa estratégia, né, Vera? Tem um levantamento aqui publicado pelo Estadão que mostra que o número de menções ao nome do Caiado subiu mais de 400% nos últimos dias, justamente quando ele começou a criticar o Flávio Bolsonaro. Então tudo é estratégia, né?
Exato. A gente nota que tem esse desejo aí meio escondido de um setor do eleitorado de direita de votar em alguém que não seja o Flávio Bolsonaro, mas até aqui o Caiado não se mostrava viável. Eu noto isso também quando eu falo com alguns empresários, com alguns integrantes aí do mercado financeiro. Então agora ele tá querendo se distanciar, se diferenciar para se mostrar viável para esse público. Aí a gente tem que saber o que precisa vir antes, né, o discurso ou ele crescer um pouco nas pesquisas.
Eu acho que as coisas têm de vir combinadas. Com esse discurso, ele tá tentando crescer um pouco nas pesquisas para aí criar uma onda, como existe em algumas eleições, né, existem ondas que impulsionam algumas candidaturas, e tentar chegar mais mais forte ali quando as coisas realmente forem para valer.
Muito bem, a gente tá estourado, mas tem um pedido aqui de um ouvinte que eu não posso deixar de trazer. Vera Brisa pedindo para você escolher uma música porque hoje é dia do rock. Segundo ela, sua playlist é ótima.
Obrigada, Brisa. Olha, eu vi o Milton Jung falando disso logo cedo e que é por causa do Live Aid lá de 85, é da data. Mas eu soube que você já providenciou, é isso? Já separou uma música dos Rolling Stones? Novo, não?
Do disco novo.
Ah, então sim, Débora aqui, a gente fala, ela já providencia tudo. Ah, olha aí, é a música do disco novo que saiu na sexta-feira. A gente não teve Viva a Voz, por isso eu não pude trazer. Então tô sendo agora salva. Salva é a música In the Stars, é o primeiro single do disco.
Muito bom!
E assim a gente Bizarro ao Vivo, a voz de hoje. Amanhã tem mais. Beijo, Vera!
Beijo, Bá! 2 dias seguidos, nem tô acreditando. Até amanhã, gente! Até amanhã!