'Operação da PF contra Valdemar Costa Neto terá implicação política'
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- Valdemar Costa NetoValdemar Costa Neto · PL · Supremo Tribunal Federal · Operação Transparência · Desvio de emendas parlamentares · Bloqueio de bens
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Viva a Voz com Vera Magalhães.
Vera, oi, Sardenberg, boa tarde para você e para Cássia, para os ouvintes também, para quem tá nos assistindo.
Boa tarde, Vera.
Velha conosco, Vera conosco em áudio e vídeo.
Velho assunto é o Valdemar, mais uma vez alvo de uma ordem, uma determinação do Supremo Tribunal Federal, mas uma operação determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
Pois é, Sardenberg, dessa vez o presidente do PL é alvo de uma fase da Operação Transparência, aquela que investiga o desvio de recursos de emendas parlamentares. Ele foi atingido a partir das investigações daquela ex-assessora do Arthur Lira, que já tinha aparecido numa fase anterior dessa mesma operação da Polícia Federal, a Tuca, Mariângela Fialé, conhecida como Tuca. Segundo o que a Polícia Federal apontou, e o ministro Flávio Dino acolheu e a partir daí determinou uma operação em cima do Valdemar Costa Neto, ele era beneficiário de um esquema de desvio dos recursos das emendas, mesmo não sendo do deputado.
Ele, como presidente partidário, indicaria para essa ex-assessora do Arthur Lira emendas e recursos a serem destinados para algumas localidades a partir de alguns ministérios, e ele teria acesso em nome dele mesmo a uma parte desses recursos. Então uma parte dessas emendas seria desviada do seu destino original para cair na conta, ou sei lá, diretamente do Valdemar Costa Neto. Essa é a imputação que a Polícia Federal faz e para qual o ministro Flávio Dino enxergou sérios indícios.
E a partir daí ele bloqueou os bens do presidente do PL num valor de até R$112 milhões, que seria o valor de recursos públicos que teriam sido desviados nesse esquema. Ou seja, não é qualquer quantia, não, uma quantia enorme, muito significativa. E o esquema é descrito na decisão do ministro como tendo operado e tendo funcionado por um bom período de tempo. Agora, isso vai ter uma implicação política, claramente, né, porque o Valdemar É o presidente do PL e tá à frente de toda a montagem das chapas aí do PL Brasil afora, inclusive das alianças que vão dar sustentação ao palanque do Flávio Bolsonaro.
Nessa semana ele apareceu ali fazendo um discurso conciliador, dizendo que seria ele a tentar uma reconciliação entre o Flávio Bolsonaro e a Michele Bolsonaro. E agora é atingido pessoalmente por essa fase da operação da Polícia Federal.
Um ponto importante, Vera, não é que ele está sendo acusado de indicar o destino das emendas. As emendas iriam para ele, né?
Ele é acusado de indicar mesmo sem ser parlamentar. Então ele indicava para ela o destino das emendas e aí no meio do caminho fazia um desvio de percurso E a emenda nunca chegava ao destino. Esse negócio de indicar emenda é o seguinte, que a emenda é de comissão ou emenda de bancada ou emenda de relator. E aí ele diz, olha, essa emenda eu quero que mande para a cidade tal, para a rubrica tal, do ministério tal. E aí, no meio do percurso entre a emenda sair e chegar, uma parte do recurso era desviada.
O Valdemar Costa Neto ainda não se manifestou, né, Vera, a respeito dessa acusação. Nem ele, nem o Flávio Bolsonaro, nem o resto da bancada do PL. Claramente, Cássia, a gente vai viver um outro período daquele em que se acusa a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal, de atuarem para fustigar a direita, para atingir a direita e para criar aquela palavrinha, né, tão em voga, narrativas eleitorais que prejudiquem a campanha do Flávio Bolsonaro.
Porque se a gente olhar o contexto geral, essa notícia vem aí na sequência de uma série de outros reveses sofridos pela campanha do Flávio Bolsonaro, inclusive essa semana com a busca na residência do Jair Bolsonaro, é a procura de armas que teriam sido ocultadas ou omitidas no inventário que ele fez do Supremo Tribunal Federal. O fato é que essa investigação sobre emendas já é muito antiga, ela já tem alguns anos, começou com a ministra Rosa Weber e prosseguiu com o ministro Flávio Dino.
A assessora, ex-assessora do Arthur Lira, já tinha aparecido em etapas anteriores da investigação e agora se aprofundou a investigação e se chegou no nome do Valdemar Costa Neto. A conveniência, o timing, tudo isso vai ser debatido, vai ser discutido se houve ou não alguma deliberalidade, alguma liberalidade, alguma intenção por parte do ministro Flávio Dino de atingir a campanha do Flávio Bolsonaro nesse momento. Mas o fato é que a acusação é grave, os volumes de recursos são altíssimos e ele ainda não se explicou, como a Cássia bem disse.
Tá certo. Vera Magalhães, obrigado, Vera, e até a semana.