Números do Datafolha em São Paulo devem animar QG de Lula
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Viva a Voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães, muito boa noite! Saudade de você aqui nesse horário, tudo bem?
Boa noite, Débora. Famoso quem é vivo sempre aparece, né? Boa noite, Carol. Boa noite, ouvintes, todo mundo que nos assiste. Eleição tá chegando, a gente tá quase pegando o bastão da Copa. Oi, Vera, boa noite.
É isso mesmo, ó, tem gente com saudade de Copa aí porque hoje não teve jogo, né? O pessoal tá se preparando para as próximas fases, mas o que não falta é assunto aqui para gente. Vamos lá para Brasília, Samanta Klein. Tem aqui mais informações sobre as tentativas de Valdemar Costa Neto para reaproximar Michele Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Oi, Samanta, boa noite novamente.
Débora Carol Vera, boa noite mais uma vez. De fato, o presidente nacional do PL disse que espera reconciliar o senador Flávio Bolsonaro e Michele Bolsonaro até a convenção da sigla, prevista para o dia 25 de julho. O pré-candidato e a ex-primeira-dama romperam a relação publicamente desde que ela publicou um vídeo reclamando de atritos que vinham ocorrendo pelo menos desde o começo do ano. Ao afirmar que defende a candidatura da ex-primeira-dama ao Senado, Valdemar também disse que em 20 dias ele tem aí esse período para trabalhar esta reaproximação.
Vou trabalhar muito isso da Michele Bolsonaro com o Flávio. Ela tem talento, é uma grande líder, e nós precisamos dela a gente. Nós temos que— não podemos sair brigando dentro de casa. Nós temos que acertar isso aí em 20 dias para a gente tomar um rumo, porque as convenções, a nossa convenção nacional vai ser dia 25. Então nós temos que ajustar isso aí até lá.
Depois de um almoço da Frente Parlamentar do Brasil competitivo, Valdemar também disse que não pretende escolher uma nova presidente para o PL Mulher após a saída de Michele da função. Segundo ele, indicar uma das parlamentares do partido poderia gerar insatisfação entre as demais mulheres da sigla. Presidente do PL também disse que vai se reunir com as cúpulas do Podemos e Republicanos para fechar apoio dessas siglas na corrida ao Palácio do Planalto.
E ao ser questionado sobre eventual decisão do Supremo no pedido de revisão criminal que busca anulação da condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado, dirigente disse que isso depende Supremo e desconversou. O relator do caso é o ministro Cássio Nunes Marques. Por último, Valdemar Costa Neto ainda disse que a condição de saúde do ex-presidente está ligada à situação jurídica, à condenação, e que ele recuperaria a saúde imediatamente se deixasse a prisão domiciliar. Com vocês.
Obrigada pelas informações, Samanta Klein. Para ser mais exata, Faltam 17 dias para o dia 25 de julho, data da convenção do partido em que os candidatos serão formalizados. Agora precisa ver se a Michele quer essa reconciliação, porque o Flávio precisa muito mais dela do que o contrário, né?
Exato, Débora. Tem que ver se ele também está disposto a fazer algum gesto, porque todas as falas dele públicas desde o vídeo que ela gravou foram no sentido de refutar as afirmações dela. Mas num tom também não muito amistoso. Ele chegou a dizer que ela tava desinformada quando ela insinuou que de alguma maneira ele seria prejudicado ou apareceria quando fossem revelados detalhes sobre as festas realizadas pelo Daniel Forcário.
Disse que ela tava desinformada e que ele nunca foi a nenhuma festa desse tipo e, portanto, isso acabou agravando a situação de cisânia entre os dois. Pessoas que têm acesso ao dia a dia da família Bolsonaro descrevem como muito difícil tentar fazer esse meio de campo que o Valdemar Costa Neto tá dizendo que se dispõe a fazer, porque ninguém tem essa capacidade de juntar os dois na mesma sala e propor que eles façam um acordo, pelo menos um pacto de não agressão, em nome dos interesses eleitorais da família.
O Jair Bolsonaro, que talvez fosse quem tivesse autoridade para fazer isso, não pode publicamente interferir em questões políticas. Reservadamente, se o Flávio for visitá-lo, o Jair poderia até tentar promover essa conversa, mas A complicação em relação à domiciliar do Jair Bolsonaro, e a gente ainda vai tratar disso, também é um outro componente que dificulta que ele participe dessa triangulação. A gente pode assistir aí nos próximos dias um endurecimento das condições da sua domiciliar, ou no limite até a suspensão desse benefício que sempre foi temporário e que tá em disputa e tá em suspensão desde que se descobriu que tinha ali arma para lá e para cá em nome do Jair Bolsonaro, saindo da residência, na residência, etc.
Então ninguém hoje parece ter ascendência sobre os dois a ponto de fazer com que eles cessem as cutucadas, os ataques. Públicos. O pessoal da comunicação do Flávio Bolsonaro tem acesso limitado até ao Flávio, até para discutir a estratégia de campanha com ele. A coisa é toda truncada, esbarra sempre naquela coisa de interferência dos irmãos, interferência do Paulo Figueiredo, ter que disputar espaço e atenção com esse tipo de influenciador.
Então o ambiente todo é descrito como de muita dificuldade de articular uma estratégia, de fazer uma coisa linear e racional em termos de estratégia, quanto mais de promover ali a conversa entre os dois.
Pois é, por falar na domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, a casa dele hoje foi alvo de busca e apreensão, né, da Polícia Federal. Estavam atrás das armas do ex-presidente. Ana Carolina Tomé tem as informações para nós. Oi, Ana, boa noite.
Boa noite, Carol. Boa noite aos nossos ouvintes. A Polícia Federal cumpriu hoje o mandado de busca e apreensão na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, no Jardim Botânico, aqui em Brasília. A ordem foi autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, para localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro. Segundo a defesa de Bolsonaro, os agentes ficaram menos de uma hora no local e não encontraram qualquer material.
O ministro alegou na decisão que as buscas foram motivadas pelas divergências apresentadas pelos advogados do ex-presidente entre a quantidade de armas registradas em nome de Bolsonaro e aquelas efetivamente entregues à Polícia Federal. No documento, o ministro afirma que as informações apresentadas pela defesa diferem dos dados que já constam no processo. Por isso, Moraes classificou a busca domiciliar como imprescindível para garantir a entrega integral das armas e afastar qualquer dúvida sobre a permanência de armamentos sob e posse direta ou indireta de Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro disse que a ação foi desnecessária e caracterizou como cortina de fumaça para dividir o noticiário.
Aí, para surpresa de todos, hoje pela manhã busca e apreensão na casa do presidente Bolsonaro. Um constrangimento danado, uma busca minuciosa, reviraram tudo para procurar alguma arma que não tivesse sido informada nos autos, é que porventura o presidente Bolsonaro tivesse escondendo, que não teria informado. Então foi muito ruim, muito constrangedor. Mais uma vez uma situação em que a família toda sofre. Então não tinha, não tinha arma.
Tudo que foi informado ao Alexandre de Moraes era verdadeiro, tava documentado lá.
Na semana passada, o ministro manteve a prisão domiciliar de Bolsonaro e determinou a apreensão de todas as armas vinculadas ao ex-presidente. Aí a defesa informou que duas já haviam sido entregues à PF em 2023 e que outras 8 estavam sob custódia do Exército. No entanto, a corporação informou possuir apenas 6 armas que foram encaminhadas à Polícia Federal. E diante das divergências, os advogados retificaram as informações, afirmando que uma pistola já estava apreendida pela Polícia Civil aqui do DF e que uma espingarda calibre 12 permanecia em uma empresa importadora do Rio Grande do Sul, sem nunca ter sido retirada por Bolsonaro.
A defesa pediu que a empresa fosse oficiada para confirmar a custódia da arma, mas o ministro apontou que não foram apresentados documentos que comprovassem essa versão.
Carol, obrigada, Ana. É isso, né, Vera? Como você bem pontuou, essa situação das armas que pode vir ainda complicar a situação do Bolsonaro, né?
É, ninguém acredita que o Alexandre de Moraes antes da eleição vá mandar o Bolsonaro de volta para prisão, né? Porque veja, desde que ele tá em prisão domiciliar, todo aquele papo Bolsonaro tá doente, Bolsonaro não consegue dormir, Bolsonaro não consegue respirar, que era ali uma vitimização diária do Jair Bolsonaro cessou. Então isso aí que era um foco de conexão com a militância bolsonarista cessou. Então ninguém imagina que ele vá mandá-lo de volta para prisão antes da eleição, porque isso vai de novo virar um foco de atenção.
Mas a questão das armas, ela importa, não é algo menor. Tinha ali arma sendo levada para conserto, armas que tinham, que havia sido informado que estavam entregues e não estavam. Então um arsenal até grande em nome do ex-presidente. Se ele cumpre uma prisão domiciliar, não ter acesso a armas de fogo é um dos requisitos mínimos para isso. Então a busca e apreensão perfeitamente compatível com essa discrepância de dados que foi informada.
E eu acho que ele vai ter algumas condições mais duras determinadas para sua domiciliar, mas deve permanecer com ela ainda vigente.
Não me conformo com uma pessoa ter esse tanto de armas registradas em seu poder, antes ou depois, enfim, aqui no Brasil. Por que que uma pessoa precisa de 10 armas, 8 armas?
Tinha até fuzil, né, originalmente.
É, a gente faz agora uma pausa aqui no Viva Voz. Você fica com o noticiário local. Já já a gente tá de volta com mais informações.
Estamos de volta aqui com Viva Voz, Vera e Débora, agora para falar um pouco mais das reações à participação do senador Flávio Bolsonaro naquela audiência lá nos Estados Unidos, né, para tratar do tarifação. Hoje o pré-candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, fez duras críticas ao Flávio Bolsonaro pela proposta de adiamento do tarifaço, o pedido do Flávio, né, para que as sobretarifas às exportações sejam aplicadas só depois das eleições.
Isso foi visto como inaceitável pelo ex-governador de Goiás. Ele deu essa declaração no evento da Confederação Nacional do Comércio. Caiado também criticou o que seria uma postura ideológica do Itamaraty, disse que o Brasil sofre pressões simultâneas dos Estados Unidos, da China e da Europa. Também o candidato Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo, se manifestou, evitou criticar o Flávio Bolsonaro em relação ao tarifácio, mas criticou o governo Lula dizendo que o Brasil é muito dependente da China.
Essa fala aí do Flávio Bolsonaro realmente repercutiu mal demais, né, Vera? Ele tá tentando remediar ali, mas não tá conseguindo, né?
Não tá conseguindo. O Caiado mostrando que entendeu algo que eu falei aqui já no Viva Voz e sobre o que eu até escrevi na minha coluna, que ele tava ali patinando e andando em círculos quando tentava ser idêntico ao próprio Flávio Bolsonaro e centrar a campanha dele, por exemplo, em dizer que a primeira, primeiro ato dele como presidente, caso fosse eleito, seria dar o indulto ao Jair Bolsonaro. Então o tempo inteiro evitando fazer qualquer crítica ao Flávio Bolsonaro e se mostrando até, se possível, mais bolsonarista que a família Bolsonaro, o que não é possível.
Então ele tava tentando ocupar um espaço que já estava ocupado. Agora ele parece ter percebido que existe espaço para uma candidatura que seja de direita, mas não seja eminentemente bolsonarista, e que inclusive faça críticas ao que o bolsonarismo tem, que mais assusta o mercado financeiro, que é o radicalismo, a criação constante de crises, de instabilidade política, de instabilidade institucional e até mesmo de instabilidade econômica em alguns momentos.
Então todo esse momento aí de uma espécie de inferno astral do Flávio Bolsonaro acendeu uma luz vermelha em setores importantes da economia que não querem o Lula, não querem a reeleição do Lula, mas que entendem primeiro que o Flávio Bolsonaro vai ser, vai ter muita dificuldade de vencer o Lula eleitoralmente por essas dificuldades que ele tá tendo quando a campanha nem começou. E segundo, que uma vez eleito ele pode ser um criador constante de instabilidade e gerador de crises.
E isso afastou uma parcela desse público que tava disposto a ficar com o Flávio incondicionalmente, a apoiar a sua candidatura incondicionalmente. Então é nesse lago que o Caiado quer pescar. As pesquisas mostram imensa dificuldade dele em atingir esse público, porque o espaço continua tomado pelo Flávio Bolsonaro. Mas ele parece ter encaminhado, direcionado a sua estratégia de campanha neste momento para se diferenciar do filho do ex-presidente.
Muito bem, a gente faz mais uma pausa aqui no Viva Voz e já já a gente tá de volta com o Bruno Carazza, nosso comentarista de economia, que por motivos de Copa do Mundo faz tempo que não aparece por aqui também.
Já já, fica aí.
Viva Voz está de volta e já tá com a gente na linha o Bruno Carazza, nosso Bruno, colunista, comentarista das quartas-feiras. Boa noite, Bruno.
Ei, Vera, Carol, Débora, tava com saudade de vocês. Boa noite para vocês e para os ouvintes também.
Boa noite.
Ei, Bruno, boa noite. A gente também tava com saudade.
Boa noite, Bruno.
O Bruno, a gente já viu o Trump se meter na Copa do Mundo, os Estados Unidos já foram eliminados, ele parece ter sem muito assunto e voltou a olhar para o lado do Irã, acabou com o cessar-fogo, não tem mais trégua e isso já deu aquele sacolejão nos mercados, na economia mundial. De que maneira isso nos afeta? De que maneira isso nos leva para mais um período de instabilidade global?
Pois é, Vera, Trump trouxe de volta a economia para o noticiário, né, depois dessas semanas de Copa e com o futebol dominando tudo, né? Os ataques são muito sérios, né, um rompimento do acordo de paz. Esse acordo de paz, ele trazia uma estabilidade não só para os mercados, mas também para a economia mundial na questão, né, do, da regularização dos fluxos aí de comercialização de petróleo. O mundo é muito dependente ainda de combustíveis fósseis, tanto é que o preço do petróleo, ele foi caindo, né.
Só fazendo uma retrospectiva, tava $60 o barril antes da guerra. Durante a guerra, no momento de maior tensão, chegou a quase $120. E aí, depois do acordo de paz, ele foi caindo, estava indo em direção aos $70. Então, sinal de normalização da economia mundial. Mas hoje, com esse anúncio do Trump, com a retomada dos ataques, houve uma forte alta do preço do petróleo, mais de 7%, batendo aí quase em $80 de novo. E aí tem todas as repercussões, né?
A gente acabou, Carol acabou de mencionar, a bolsa caindo não só no Brasil, mas no mundo todo, por causa desse medo de um recrudescimento do conflito, fechamento de novo do Estreito de Ormuz. E num contexto em que o mundo já tem estoques menores de petróleo, né? Os grandes consumidores que são daquela região, né, China, Japão, Coreia, são muito dependentes do petróleo daquela região, os estoques estratégicos deles já estão no nível mais baixo.
Então a retomada do conflito pode aí sim gerar efeitos mais graves na economia mundial. E esse é o grande temor. É por isso que hoje foi um dia tenso nos mercados e nos ciclos econômicos de uma forma geral.
E Bruno, ainda falando de Trump, porque se não for para causar ele nem sai da cama, né, e causa em searas diferentes.
Sobre o tarifação, estão rolando as audiências públicas essa semana nos Estados Unidos.
O que que a gente pode esperar desse processo?
Pois é, Débora, tem a guerra do petróleo, tem a guerra comercial, né, que o Trump começou com tarifação. A gente aqui no Brasil, diversos setores são alvo, principalmente dessa investigação meio maluca, né, que o Trump estabeleceu sobre diversos aspectos da economia brasileira, com essa alegação de práticas desleais de comércio. É aquela investigação que atirou para todos os lados, né, em relação ao Pix, a desmatamento, a corrupção, etanol, e impôs uma tarifa de uma sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros.
Então estão rolando durante essa semana as audiências em que o Brasil e os setores econômicos brasileiros estão ali mostrando as suas alegações, as evidências para demonstrar que essa sobretaxa não faz sentido. Mas é muito pouco provável que isso seja revertido, né? Como a gente acabou de ver na Copa, né, que o Trump não se contentou ali com a expulsão do jogador dos Estados Unidos e pressionou a FIFA. É muito pouco provável que o Trump vá permitir que o órgão que tá conduzindo isso, que deveria ser um órgão técnico, mas que tá totalmente politizado pelos trumpistas, ele vá reverter.
Então a estratégia, inclusive, de vários setores da economia brasileira inclusive do agro, é de contenção de danos, é de tentar obter algum tipo de exceção nessa sobretaxa, dado que uma derrota do Brasil é praticamente certa, porque a decisão é uma decisão unilateral do governo americano e nada indica que o Trump vá ceder nesse caso.
O Bruno, hoje o Fundo Monetário Internacional publicou novas estimativas de crescimento, né, para 2026 e 2027. O Brasil até que saiu bem na foto, né, com elevação da projeção de alta do PIB. Como é que fica isso agora com esse recrudescimento, retomada da guerra?
Pois é, Carol, o FMI, ele de tempos em tempos ele atualiza as projeções de crescimento para esse ano e para o próximo. Em relação ao mundo, tá praticamente mantido. Anterior era 3,1% de crescimento do mundo, agora é 3%, então muito, muito próximo. Mas o Brasil foi um dos países que teve uma uma melhora mais expressiva. O FMI no início, em abril, ele tava prevendo que a gente cresceria 1,9% esse ano, que é uma desaceleração em relação ao ano passado.
Agora ele subiu para 2,4%, que é uma reavaliação muito positiva. E para o ano que vem ele subiu de 2% para 2,2%. Então é uma medida positiva. O FMI alega que ele reviu a projeção do Brasil porque a economia brasileira se mostrou mais resiliente em relação à guerra. A gente é um exportador líquido de petróleo, então num certo sentido o conflito até faz bem para economia brasileira, né, porque a alta do preço do petróleo aumenta os lucros da Petrobras.
E como o governo é o maior acionista da Petrobras, ele tem mais recursos fiscais, né, para utilizar nesse ano. E aí essa discussão se conecta com a eleição, porque o governo tá usando todas as armas possíveis para incentivar a economia nesse ano para o Lula chegar bem e com chances grandes de reeleição no final do ano. Então, de um certo sentido, o recrudescimento aí da guerra, a volta da guerra, pressiona o preço do petróleo e vai dar mais, literalmente, né, combustível para o governo brasileiro para continuar incentivando a economia nesse ano.
O grande problema é o que que isso vai gerar para o ano que vem. A grande preocupação dos economistas é que todos esses estímulos fiscais do governo, tanto do governo do Poder Executivo quanto do Legislativo nesse ano, vão ter um impacto fiscal, que essa conta vai vir no ano que vem. E inclusive isso gera uma pressão inflacionária que pode exigir do Banco Central manter os juros mais altos por mais tempo. Então é uma medida que num certo sentido para o governo traz ganhos no curto prazo, mas seja para uma reeleição do Lula, seja de uma vitória de algum outro candidato, é uma bomba que vai se armando aí para o ano que vem.
Exatamente. Bruno Carazza com a gente às quartas-feiras. A gente volta a se falar na semana que vem. Obrigada por hoje, Bruno.
Tá ótimo estar de volta, gente. Um abraço.
A gente faz agora mais uma rápida pausa. Você fica com o noticiário da sua região e a gente volta falando dos dados do Datafolha aqui para eleição presidencial aqui no estado de São Paulo.
Seiva a voz de volta. Karen Lemos em São Paulo tem mais detalhes sobre a pesquisa Datafolha para presidência da República com foco em São Paulo. E Karen, boa noite.
Isso mesmo, boa noite, Débora, Carol, Vera, e também para os ouvintes. Olha, o presidente Lula, que tenta reeleição pelo PT, e Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência pelo PL, aparecem empatados tanto em primeiro quanto em segundo turno nas intenções de voto dos eleitores paulistas, segundo pesquisa Datafolha divulgada hoje. No primeiro turno, tanto Lula quanto senador registram 35% dos votos aqui no estado. E no cenário de segundo turno, o atual presidente tem 43% dos votos e o senador aparece com 46%.
Só que tem a margem de erro, né, que é de 2 pontos para mais ou para menos. E aí, por conta disso, os dois estão tecnicamente empatados. O petista, entretanto, tem uma rejeição maior entre o eleitorado paulista. 51% não votariam nele de jeito nenhum, enquanto 43% disseram aí que não votariam em Flávio. Outros nomes também foram testados aí no cenário de primeiro turno, né? Cito aqui o pré-candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado, e o pré-candidato pelo Missão, Renan Santos.
Eles têm 3% Zema do Novo, Samara Martins da UP, Aécio Neves do PSDB aparecem com 2%. Já Augusto Cury do Avante e Cabo Daciolo do Mobiliza, Rui Costa Pimenta do PCO e Joaquim Barbosa do DC têm 1%. Aí não pontuaram Edmilson Costa do PCB e Hertz Dias do PSTU. Esse levantamento, ele foi realizado no dia 1º a 3 de julho com 1.608 entrevistas no estado de São Paulo, distribuídas em 71 municípios com população com 16 anos ou mais. A margem de erro, né, como dissemos aqui, de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança que é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.
Deborah, obrigada, Karen Lemos, pelas informações. Vera, o que que esses números sinalizam para as campanhas dos pré-candidatos, principalmente para Lula e Flávio?
Um número que anima o QG do presidente Lula, porque é um resultado melhor do que aquele que ele alcançou em 2022. A se manter esse quadro, a se manter esse cenário, isso projeta uma eleição em que ele sai de São Paulo com mais votos do que em 22. E isso é a parte crucial da estratégia de campanha do Lula, definida lá atrás. Eu lembro que eu trouxe essa informação na coluna ainda bem antes da desincompatibilização dos ministros.
Isso teve uma importância enorme na desincompatibilização do Haddad, na escolha dele para ser candidato, porque eles têm um entendimento consolidado de que a eleição em São Paulo é que vai definir a eleição nacional. Uma eleição acirrada em que São Paulo joga um peso muito grande no resultado final. Esse número é melhor do que aquele do duelo entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022. No segundo turno em 22, o Lula teve 44,76% dos votos válidos contra 55,24% do Bolsonaro.
Ou seja, Bolsonaro teve uma vitória considerável percentualmente, mas esse número total de votos que o Lula abalou em São Paulo, 11.519.000 votos, foi importante na conta final. Se ele conseguir mais que isso, que é o que o Datafolha tá projetando, isso anima os estrategistas da campanha dele a imaginar que talvez ele tenha uma eleição mais tranquila contra o Flávio Bolsonaro do que contra o pai dele, Jair Bolsonaro. Mas veja, a gente sempre tem que alertar, são números da largada da campanha.
O Lula é mais conhecido que o Flávio. O Flávio tá nesse momento particularmente difícil, de notícias ruins em série. Então tudo isso contribui para esse cenário. Tem também o fato de que o Tarcísio ainda não entrou na campanha do Flávio pesadamente, vai ser cobrado a fazer isso. Ele pode até tentar se desvincular do Flávio, fazer a campanha dele mais na dele, para se mostrar um bolsonarista mais moderado, menos radical. Mas não tenham dúvida, ele vai ser muito pressionado para carregar o Flávio Bolsonaro nos ombros.
Quando isso acontecer, a expectativa do PL é que o Flávio cresça em São Paulo e chegue a patamares parecidos com aquele que o pai dele obteve em 2022, ou seja, 55% dos votos válidos num segundo turno. Então o duelo vai ser o Lula tentando diminuir essa diferença de 22 e o Flávio brigando para tentar repetir o desempenho do pai aqui.
Muito bem, a gente faz mais uma pausa, você fica com o noticiário local e na volta a gente vai falar da corrida ao Senado aqui em São Paulo. Bruna Barbosa tem informações ao vivo em São Paulo sobre críticas feitas pelo governador contra as pré-candidatas ao Senado Simone Tebet e Marina Silva. Oi, Bruna, boa noite.
Oi, Débora, boa noite para você e para todos. Críticas que foram feitas ontem à noite, no mesmo dia em que a pesquisa Datafolha apontou Marina Silva e Simone Tebet na liderança da disputa pelas duas cadeiras do Senado aqui em São Paulo. As duas estão tecnicamente empatadas na margem de erro. Já os pré-candidatos apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas, André do Prado do PL e Guilherme de Ritchie do PP, ocupam a 4ª e a 5ª posição.
Eles estão atrás de Ricardo Salles do Novo, que hoje é o mais bem colocado da direita. Em um encontro que foi fechado com pré-candidatos do Republicanos, o governador afirmou que as duas não venceriam eleições em seus estados de origem E demonstrou confiança na vitória da chapa da direita. O governador de São Paulo, Tarcísio—
só um pouquinho, acho que a gente não tem, Bruna, esse trecho da entrevista. Você pode dizer para gente, resumir para gente?
Daqui a pouquinho a gente coloca, Débora, se a gente localizar. Mas o governador diz que as duas, né, ele bate na tecla de que as duas opções de São Paulo Não, não temos, desculpa, não temos.
É uma questão técnica aqui, então vamos ter que ir com você mesmo, desculpe.
Imagina, não tem problema. Marina Silva é do Acre, Simone Tebet do Mato Grosso do Sul. Então o governador insiste, diz: olha, nada contra essas duas, esses dois nomes, essas duas candidatas, mas quero deixar claro que elas não têm vida política aqui em São Paulo, não construíram carreira política em São Paulo. Então por isso não devem vencer. E ele acredita, né, que os candidatos ali da direita, tanto André do Prado quanto Guilherme de Ritchie da chapa, vão ficar mais bem posicionados.
Chama atenção o fato do próprio governador também não ser natural de São Paulo fazendo essa crítica às adversárias. Essa fala aconteceu num jantar que foi fechado do Republicanos e marca uma série de compromissos políticos do governador. Isso já tava previsto para essa semana. Na semana passada ele intensificou agendas de entregas e inaugurações. Agora tem a restrição pela legislação eleitoral, uma legislação, uma restrição imposta pela Justiça Eleitoral.
Então por isso os próximos dias são reservados para essas articulações e organização da pré-campanha.
Débora, obrigada, Bruna. E quando questionado sobre o fato de não ser de São Paulo, né, Vera, Tarcísio dizia que não era uma questão geográfica, que o que importava era a capacidade de gestão e tal.
É, ele faz uma crítica que não é ao fato delas disputarem por aqui, por não terem legitimidade para isso, mas dizendo que elas estão transferindo seu domicílio eleitoral porque não seriam viáveis eleitoralmente nas suas bases. Mas pouco importa, elas estão fazendo uma estratégia da qual ele se beneficiou imensamente, que foi sugerida a ele pelo então presidente Jair Bolsonaro. Ele reagiu com ceticismo a princípio, imaginando que não seria possível ser candidato em São Paulo, enfrentou muitos questionamentos a esse respeito, teve ali toda uma complicação com a base que ele escolheu em São José dos Campos, não morava lá, nunca morou na cidade, etc., e foi aceito pelo eleitorado de São Paulo.
Portanto, Tarcísio adota um tom e um discurso que não é condizente com a sua própria trajetória política, com a sua própria escolha de estratégia eleitoral. A razão que move a chapa do Lula a transferir as duas para cá é diferente da dele, mas ele não pode questionar a legitimidade porque, em suma, estão fazendo a mesma coisa. Quanto aos números das pesquisas, é lógico que elas mostram um recall. Acho pouco provável que duas candidatas do bloco lulista sejam eleitas para o Senado em São Paulo.
É mais provável que os candidatos da direita subam no final e cheguem competitivos a essa eleição. E aí a gente vai ver se vai se eleger um de cada lado ou até se vão se eleger dois nomes de direita pela conformação político-ideológica do Estado de São Paulo. Então a pesquisa diz pouco. Mas a crítica do governador é absolutamente irônica, vinda de quem vem.
Muito bem, Vera, por hoje nos despedimos aqui do nosso ouvinte. O Viva Voz volta na segunda, porque amanhã, quinta, tem jogo, sexta-feira também. Beijo, até lá!
Um beijo, até lá! Bons jogos para todos. Você tá torcendo para quem agora, Débora?
Argentina. Ah não, eu sabia que eu ia ser cancelada.
Como assim?
Tô torcendo contra a Argentina, tô torcendo pelo caos, tô torcendo pelos azarões, o conflito das Malvinas. Tô torcendo para Inglaterra.
Tchau, gente, beijo, beijo, até!
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