Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

'Audiência nos EUA se torna prévia do que deve ser campanha eleitoral no Brasil'

06 de julho de 20267min
0:00 / 7:12
Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos sobre a investigação comercial que propõe um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Participarão tanto Flávio Bolsonaro quanto representantes do governo Lula. Confira a análise de Vera Magalhães.

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Participantes neste episódio2
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Audiências públicas fora de Brasília· PoliticaTarifa sobre produtos brasileiros · Flávio Bolsonaro · Governo Lula · Escritório do Representante de Comércio dos EUA
  • Diplomacia Eleitoral PreventivaPosicionamento político · Relações Brasil-EUA · Itamaraty
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
VMVera Magalhães

Viva a Voz com Vera Magalhães. E aí, Vera?

?Voz B

Oi, Sardenberg! Oi, Cássia! Boa tarde para os ouvintes, também para quem nos assiste.

?Voz C

Boa tarde, Vera.

VMVera Magalhães

Hoje o governo americano, governo norte-americano, ouve pessoas, né, houve autoridades, pessoas que têm a ver com essa recomendação do Escritório Comercial dos Estados Unidos de se colocar uma nova tarifa sobre determinados produtos brasileiros. Vai estar lá gente do governo, mas também vai estar lá o Flávio Bolsonaro. É uma audiência pública, né, Vera?

?Voz B

É uma audiência pública que tá virando uma prévia do que deve ser a campanha eleitoral a respeito desse assunto, né, Sardenberg? Porque sim, é uma audiência que o STF promove hoje e amanhã, na qual entidades, empresários e autoridades podem dar argumentos a respeito da intenção de taxar em 25% adicionais os produtos brasileiros a partir do dia 15. É uma coisa meio para forma, não conta como uma mesa oficial de negociação. Os canais oficiais de negociação são paralelos, né?

Então o ministro Márcio Elias Rosa continua em tratativas com o departamento ali do governo americano que trata do assunto, mas é um momento ali para essas entidades e esses empresários se manifestarem. O Flávio Bolsonaro decidiu na semana passada que ele iria participar. E isso, segundo aliados dele me disseram, foi uma jogada que ele decidiu fazer para tentar dar uma reposicionada naquilo que ele tinha falado na semana passada, quando a gente até comentou aqui que ele disse que, ah, deixa para taxar depois das eleições, se for o caso.

Aquilo caiu muito mal. Saiu pior a emenda que o soneto e ele decidiu ir a essa audiência para adotar um posicionamento mais firme, um posicionamento contrário à ideia da taxação. Então a fala dele nesse encontro deverá ser já recalculada e reajustada para evitar um ruído como o que houve na semana passada, porque depois que a gente até comentou aqui, o governo brasileiro explorou bastante aquilo como um sinal ali de fraqueza, tibieza do Flávio Bolsonaro no trato com os Estados Unidos.

Então, e aí o governo brasileiro que tava tratando essa etapa da audiência pública também como uma etapa não muito oficial e não pretende estar representado, agora o Itamaraty vai estar representado também. Então pode ser que a gente veja ali algum embate entre governo Lula e Flávio Bolsonaro, no sentido de como tratar essa questão e como lidar com o governo americano nesse momento. Então ganhou uma importância que não tinha, era uma etapa ali menos importante desse processo e que agora ganha um contorno político que ela não tinha antes.

Depois disso ainda seguem as tratativas até que no dia 15 deverá entrar em vigor a nova tarifa para aqueles produtos determinados pelos Estados Unidos.

?Voz C

E uma negociação que tem se mostrado muito difícil, né, Vera? Mesmo sem esse complicador que agora surge, né, de ter uma questão política envolvida, já era uma negociação bastante árida para o Brasil, né?

?Voz B

Muito árida. O governo americano alegando cada vez uma coisa em relação ao Brasil, em relação a questões da nossa política comercial que ditariam essa tarifa, ora relativas ao nosso regime de trabalho, ora relativa a aspectos da nossa relação com os próprios Estados Unidos, a prática que a gente faz de tarifa para eles. O que que os empresários e o Itamaraty vão tentar dizer? Que tem um aspecto contraproducente para a própria economia americana você determinar novas tarifas, porque empresas americanas vão sofrer.

Consumidores americanos vão sofrer também. E isso já se mostrou, né, já tem dados que mostram que as tarifas praticadas não só contra o Brasil, mas contra vários países nessa nova estratégia do Trump de endurecer as regras tarifárias, isso acabou sendo um tiro no pé para os Estados Unidos em muitos aspectos, inclusive inflacionário, etc. Então eles vão tentar voltar a esses argumentos para pelo menos ganhar tempo, pelo menos adiar o início da vigência das novas tarifas que tá previsto para essa semana já, dia 15. Aliás, semana que vem, né?

?Voz C

Dia 15, semana que vem.

VMVera Magalhães

Exatamente. Quer dizer, tem duas coisas aí, né, Vera? Essa audiência pública que o governo americano faz é mais assim uma formalidade, né?

?Voz B

Formalidade, é mais um negócio ali, a gente abre aqui para os incomodados que reclamem. Mas como Flávio Bolsonaro resolveu ir, o governo resolveu mandar o Itamaraty também.

VMVera Magalhães

É uma formalidade. E na verdade, as negociações vão— por exemplo, há várias empresas brasileiras e representantes de empresas brasileiras que estão por lá, mas a conversa é participar da audiência, mas pro forma, né? A conversa mais importante é a negociação direta, né?

?Voz B

Exato, que tá emperrada, né? Na semana passada teve uma reunião do Márcio Elias Sosa, uma reunião virtual com as autoridades americanas, em que nada se avançou. Então o governo brasileiro tá bem pessimista quanto às chances de anular, mas espera ganhar pelo menos alguns dias. Tá certo, Vera.

VMVera Magalhães

Obrigado, Vera.

?Voz B

Até, até. Um ótimo jornal para vocês.

?Voz C

Até mais.