Audiências sobre tarifaço ganham 'contorno político que não tinham antes'
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Viva a Voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães, que não nos abandona. Boa noite, tudo bem?
Oi, boa noite, Débora! Boa noite, Carol! Boa noite a todo mundo que ainda tá meio de ressaca pelo jogo de ontem, né?
É, essa aí não erra pênalti, nossa Vera Magalhães.
Boa noite! Jamais!
Você sabe que aqui nas nossas redes fomos acusadas, Carol, você de estarmos representando a Noruega. Mas não estamos, o azul da Noruega é azul marinho, é azul marinho com vermelho. A gente tá representando aqui boi caprichoso e boi garantido.
Podia ser França também, né? Azul, vermelho e branco podia ser França também, mas não intencional, a gente não combinamos.
Vera, vamos falar sobre a interferência, sobre a discussão do tarifaço, né? Audiências públicas estão sendo realizadas nos Estados Unidos, a gente tem Flávio Bolsonaro participando dessas audiências, o governo brasileiro preferiu não participar, quer que essa discussão fique no alto nível, no nível da diplomacia.
Pois é, o Flávio Bolsonaro embarcou já no fim de semana para os Estados Unidos e decidiu falar numa audiência pública que é destinada a empresários e entidades empresariais, numa tentativa, Débora e Carol, de reverter o estrago provocado na semana passada pelo envio por parte dele daquele documento para o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos em que ele sugere adiar o tarifácio para depois das eleições. Aquilo pegou muito mal, foi uma colocação desastrosa dele num assunto sério que envolve diplomacia, que envolve relações comerciais, no qual ele entrou sem nenhum tipo de preparo, sem nenhum tipo de rigor técnico, e deu de bandeja para que o Lula ficasse vários dias martelando a acusação, a crítica de que ele jogava contra os interesses brasileiros.
Jogava de acordo com a atuada americana, pensando nos interesses dos Estados Unidos antes dos interesses do Brasil. E isso foi percebido pela campanha. Fizeram medições que mostraram de novo um impacto negativo para ele. Ele vem de uma série de notícias bem negativas, bem complicadas para sua campanha. Filme Dark Horse, a própria imposição do tarifação tendo sido associada a ele. Briga com a Michele Bolsonaro, fala do Paulo Figueiredo e mais essa.
Então é mais uma tentativa dele de emendar algo que não está saindo bem. Ele vai lá, vai falar por 3 minutos numa audiência que até então seria ocupada por empresários, né? Tinha ali uma fala prevista da Confederação Nacional da Indústria, outra fala prevista da Associação Brasileira de Calçados, e vai ter o Flávio Bolsonaro. O governo brasileiro, como a Débora disse, entende que o seu lugar à mesa é em outra instância, diretamente com o governo americano, e que esse é um espaço da sociedade e do empresariado para tentar advogar pela não aplicação das tarifas.
Mas decidiu mandar uma observadora do Itamaraty à audiência para justamente ver o que que o Flávio Bolsonaro vai falar, porque existe uma possibilidade grande de que ele, na fala dele, tente politizar o assunto e atribuir a tarifa ao governo Lula. E esse também não é um espaço para você politizar o assunto e transformá-lo numa disputa entre dois pré-candidatos à presidência da República. É a coisa mais esquisita do mundo a se fazer, usar uma audiência pública para começar a testar um debate eleitoral.
Não é o fórum indicado O Brasil já está sendo alvo de vários ataques por parte do governo americano e isso pode fazer com que o Angu desande de uma vez por todas, se eles forem lá e começarem a brigar diante de uma audiência pública. Então a gente vai ter que ver que caminho esse negócio esquisitíssimo, como muitas coisas esquisitas que vêm acontecendo, vai tomar, né? Agora, a última cotovelada diplomática entre Brasil e Estados Unidos envolve, pasmem, a Copa do Mundo, com o Donald Trump admitindo que ligou para o presidente da FIFA, pediu a revisão do cartão vermelho do Balogun, obteve essa concessão e ainda fazendo acusações contra o árbitro brasileiro Rafael Claus, que mandou investigar o passado dele, que o passado dele mostra ali que houve decisões esquisitas.
Então, quer dizer, a gente tá num momento muito peculiar da geopolítica global, porque futebol também envolve geopolítica. E é inédito um presidente de um país sede de uma Copa fazer uma interferência desse grau. E aí vai o pré-candidato do Brasil à presidência num ambiente como esse para lá, para a capital norte-americana, para falar sobre uma tarifa que tá prestes a ser aplicada contra o Brasil. Então toda atenção é pouca em relação a esse assunto.
Bom, e agora falando aqui de outra decisão envolvendo juízes, mas aqui no Brasil, 4 ministros do Supremo intimaram presidentes de 7 tribunais de justiça a explicarem os penduricalhos, a burla, né, a proibição dos penduricalhos, e num despacho bastante duro, né, porque eles dizem que os presidentes dos TJs podem ser inclusive afastados e responsabilizados, né.
Isso, os despachos são praticamente iguais. Os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes estão reagindo a uma reportagem investigativa que saiu no fim de semana, feita pela Folha de São Paulo, e que mostrou essa burla, mostrou que os vencimentos extrateto de alguns magistrados fazem com que eles possam ganhar mais de R$490 mil por mês. E aí eles estão ameaçando inclusive intervenção nesses tribunais caso não seja explicado o que que aconteceu e por que que a decisão do Supremo, e era mais de uma decisão, né, decisão de alguns desses ministros de se sustar todo e qualquer pagamento extrateto, não foi obedecida por esses 7 tribunais de justiça.
Então a gente tinha visto na semana passada uma flexibilização dessa proibição, que agora vem seguida de um endurecimento diante da evidência de que houve uma fraude a uma decisão do próprio Supremo de sustar os pagamentos da Estratégia.
Isso mostra também uma insubordinação, uma espécie de insubordinação desses tribunais, e um setor, né, o Judiciário é quem mais ganha com os penduricalhos.
Pois é, é o poder que mais tem extrateto. O sistema de justiça como um todo é uma espécie de campeão porque tem o Poder Judiciário, mas também os Ministérios Públicos nessa categoria daqueles que são expertos em furar o teto. E eles acharam que com a mão do gato poderiam perpetuar uma situação que não é mais possível de ser perpetuada. Eles estão dizendo que o que fizeram foi só interpretar e seguir resoluções do CNJ e do CNMP.
Só que não é bem assim. E só que essas decisões tinham recriado os penduricalhos que tinham sido extintos. Então tem muita coisa a explicar e pode degringolar sim para uma intervenção no comando desses tribunais.
Vera Magalhães, muitíssimo obrigada. Amanhã, terça-feira, não teremos o Vovoz. É isso, Ender Starles? É, o ponto final vai ser ainda mais enxuto. Então vamos ficar devendo o viva-voz, mas na quarta tem ponto final full e viva-voz full. É isso?
Aí voltamos com força total, já viva-voz já nas quartas de final.
Nos aguarde! Beijo, Vera! Até!
Beijo, meninas! Tchau!