Operação da PF contra Jaques Wagner vai gerar 'grande desconforto' para campanha de Lula
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Vera Magalhães
Débora
Bruna Barbosa
Cássia
Igor Cardim
Karen
Samanta Klein
Thiago Bronzato
- Operação PF contra Marcelo QueirozJaques Wagner · Operação Compliance Zero · Banco Master · Daniel Vorcaro · Augusto Lima · Davi Alcolumbre · Lula · Ciro Nogueira
- Estratégias de Flávio BolsonaroFlávio Bolsonaro · Sérgio Moro · Guilherme de Ritchie · Castração química · Redução da maioridade penal · Presídios federais · El Salvador
- Campanha eleitoral do PTFlávio Bolsonaro · PT · Lula · Daniel Vorcaro · Campanha eleitoral
- PGR pede condenação de Eduardo BolsonaroEduardo Bolsonaro · Supremo Tribunal Federal · Alexandre de Moraes · Donald Trump · Lei Magnitsky · Liberdade de expressão
- Motivações políticas por trás das pautas-bombaEdson Fachin · Gilmar Mendes · Lei de Responsabilidade Fiscal · Congresso Nacional
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Vera Magalhães:Viva Voz com Vera Magalhães.
Voz C:Vera Magalhães, muito boa noite, seja bem-vinda neste seu Verde Bandeira. Já tô aqui no esquenta para o jogo Jogo de amanhã.
Débora:Débora, boa noite para você, para Carol, para os ouvintes também, para quem nos assiste.
Voz E:Oi, Vera, boa noite.
Voz C:A nossa líder isolada no bolão da firma assumiu a liderança.
Débora:O trapaceiro era quem no começo, hoje eu tô mantendo ali, tô mantendo a duras penas. Eu tinha posto 3 a 0 para Suíça, tava felizona, e aí começou a sair um monte de outros gols. E aí, enfim.
Voz C:Gilson Motta já perdeu a liderança.
Débora:É, por enquanto, né?
Voz C:Vera tava no encalço dele, prometeu e cumpriu.
Vera Magalhães:E fui lá.
Voz C:Bora, bora, bora, bora pra Brasília que o Ender já tá falando pra gente correr porque tem informação importante pra gente repercutir aqui, né? A operação, o líder do governo no Senado, Jax Wagner, foi alvo de uma operação. Samanta Klein traz as informações, as repercussões dessa operação. E Samanta, boa noite novamente.
Cássia:Débora, Vera, Carol, boa noite. Olha, o líder do governo, Jax Wagner, líder do governo do Senado, rebateu as acusações de ter atividades ilegais relacionadas ao Banco Master. Ele afirmou que os valores encontrados em endereços ligados a ele são relacionados a viagens. Na operação de busca e apreensão de hoje, os agentes da PF encontraram $55 mil e €33 mil E essa nova etapa da Compliance Zero investiga possibilidade de corrupção e tráfico de influência. Numa entrevista à BandNews, Jacques afirmou que desde o início do mandato recebeu $70 mil do Senado em diárias e que nas missões internacionais prefere utilizar o cartão de crédito pessoal. Numa nota também, assessoria diz que o montante é fruto de diárias legais declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.. Só que vale lembrar que o Senado não entrega dinheiro em espécie, pelo menos não é o costume. A Polícia Federal também identificou pagamentos na ordem de R$2.400.000 num apartamento em Salvador, feitos pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. E segundo o Jacques, ele solicitou a Guto Lima, como chama, é para que ele comprasse esse apartamento para que ele depois pudesse recomprar o imóvel. Segundo Jacques, o objetivo era dar a sua filha esse apartamento. Na entrevista também ele disse que a relação com o banqueiro Daniel Vorkara é praticamente zero. E segundo a investigação da Polícia Federal, o senador também teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo Banco de Brasília e no Senado pela aprovação daquela emenda master que pretendia quadruplicar o valor de garantia do FGC investimentos em CDBs.
Voz E:Com vocês.
Voz C:Obrigada, Samanta, pelas informações. Vera, de qualquer forma, são— a nota do senador disse que esclarece que ele não é réu, não foi denunciado, não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados, mas tem ali elementos tão difíceis de ser explicados.
Débora:É inicial ainda a investigação e é por isso que ele não foi nem indiciado, nem denunciado e muito menos é réu. A gente tá no início de uma investigação em relação a ele e geralmente esses procedimentos de busca e apreensão são pontapé inicial em investigações a partir de indícios colhidos em outras fases da operação. Nesse caso havia, e a gente sempre vem falando isso aqui, um farto material coletado com o próprio Forcaro nas fases anteriores da Operação Compliance Zero, que agora estão se desdobrando em investigações em relação a vários políticos e a várias outras autoridades sem mandato também. O senador Jax Wagner, ele tinha feito uma manifestação nesta semana, anteontem, a gente falou sobre ela aqui, quando ele disse Que a revista Veja dizia que haveria um braço do PT da Bahia na delação do Forcário, mas que isso era mentira e que de mais a mais uma delação, quando não aceita o que foi dito na tentativa de fechar, ela deveria passar por uma máquina picotadora. Aquilo me chamou bastante a atenção porque ele falou isso numa parte ao senador Davi Alcolumbre. A atuação dos dois ali muito casada também nas últimas semanas, nos últimos meses. Návio Alcolumbre e Jacques Wagner. Vai caber a ele explicar. Essas explicações parecem um tanto quanto confusas, porque uma parte é o que o ministro André Mendonça tornou público, que a Polícia Federal já tinha descoberto, ou que tinha indícios de ter descoberto a partir das mídias do Vorkari. Outra coisa é o objeto já de hoje da busca e apreensão nos endereços do senador. E esse dinheiro todo em espécie Já é dessa segunda leva. Essa explicação dele de diárias não usadas e pagas em espécie, que ele pagou no cartão, parece um pouco esquisita. Assim como essa ideia de você chegar para um empresário, o empresário que tem negócios com o governo da Bahia, né, não é um empresário qualquer, fala: olha, você compra esse apartamento aqui de R$2.450.000 para mim, depois eu vou lá e recompro de você "É porque eu quero dar para minha filha." Não parece ser um negócio corriqueiro que todo mundo propõe a um empresário, vai lá e: "Ah, claro, para já." "Peraí, tô comprando, depois quando você quiser recomprar você me avisa, tá bom?" Me avisa com uma certa antecedência. Me parece uma história muito estranha essa e que tem que ser comprovada. Se toda essa operação se deu, deve ter algum tipo de conversa, documentação, etc. Que mostre isso. Então, a princípio, não é confortável a situação do senador Jax Wagner. Ele é líder do governo, não é um senador qualquer, é um dos senadores mais próximos do Lula, tem um papel ali central no PT, já foi ministro do Lula, já foi importante no governo da Dilma. Então isso tem um potencial grande de mais ou menos igualar mudar o jogo em relação à oposição, que até aqui tava sofrendo o maior desgaste com as revelações do caso Master.
Voz E:Bom, e aí, claro que a repercussão política é muito grande em Brasília. O Igor Cardim traz para gente. Oi, Igor, boa noite para você de novo.
Sardenberg:Oi, boa noite para você, agora para Vera também, para os ouvintes. Pois é, o presidente Lula ligou para o senador Jax Wagner, líder do governo no Senado, para prestar solidariedade depois dele ter sido alvo dessa nova fase da Operação Compliance. E aí também essa entrevista, Wagner disse que conhece Lula há quase 50 anos e só deixará a função de líder se houver uma decisão do presidente. Ele afirmou ainda que não tratou da possibilidade da sua saída da liderança e que por hora permanecerá no cargo. Apesar dessa sinalização de apoio do Planalto, o caso já provocou um debate interno ali entre a base aliada, integrantes do próprio governo que avaliam que Wagner deveria se afastar da liderança para evitar que as investigações envolvendo o Banco Master contaminem politicamente o governo Lula. Essa decisão, entretanto, segue então nas mãos do presidente. No Congresso, a repercussão também foi imediata. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou solidariedade ao parlamentar e defendeu o respeito à presunção de inocência.
Vera Magalhães:Na minha cabeça e no meu coração era para a gente preservar o amor, o respeito, o carinho. Nós estamos exaltando o ódio, a raiva e agressão contra aqueles que a gente nem sabe o que fez ou se fez. Então, portanto, meu apoio, a minha solidariedade integral a um colega senador da República. E eu tenho a convicção que no decorrer do processo as verdades do senador Jacques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas. Em um dia elas serão julgadas, e é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada.
Sardenberg:A bancada do PT no Senado divulgou também uma manifestação pública de apoio ao líder do governo. E o presidente inclusive do PT, Edinho Silva, também saiu em defesa de Wagner, afirmou que o partido apoia as investigações e confia que o senador demonstrará a inocência. Os pré-candidatos à presidência Flávio Bolsonaro e Romeu Zema também defenderam a ampliação, a investigação por meio do Congresso com a instalação da CPI e buscaram associar o episódio ao governo federal, como fez a oposição também no Senado, intensificando essa ofensiva política, principalmente nas redes sociais, tentando colar a operação à imagem do governo. Débora, Vera e Carol.
Voz E:Obrigada, Igor. É, a gente tem de lado um PT e o senador Davi Alcolumbre saindo em defesa de Jax Wagner, né? Agora Isso acaba gerando desconforto até para a base governista, né? Tem parlamentares do próprio PT defendendo a investigação.
Débora:Um grande desconforto porque eles estavam preparados para ir com tudo para cima do Flávio Bolsonaro em razão do caso master, do envolvimento dele direto, né, pedindo dinheiro para o Daniel Vaccaro para ajudar a custear o filme Dark Horse, e também de aliados seus lá no caso do Rio Previdência. E agora se revela um caso de magnitude semelhante, não igual, porque no caso é um próprio pré-candidato à presidência e agora é um aliado do presidente Lula, mas de uma seção muito importante do PT. A Bahia é o principal estado petista em que o PT governa há muitos anos, está no terceiro governador já petista consecutivo. O primeiro foi o Wagner, depois o Rui Costa, E agora tá no governador Jerônimo Rodrigues e a gente não sabe o potencial que isso tem de se espraiar também para esses outros líderes petistas da Bahia. E que tipo de negociação vai se revelar que foi feita ali para que o Master entrasse nesse rentável mercado, negócio de fazer o crédito consignado para os servidores do governo baiano, que depois se ampliou para outras modalidades, para além dos servidores. E tudo isso por iniciativa política dos, do próprio Wagner, teve participação do governo da Bahia, enfim. Então tem aí todo um novelo para ser desenrolado, que não é nada tranquilo e nada simples para o PT numa campanha, e que vai ser usado certamente pela direita para nivelar as situações, para tentar dizer que está todo mundo mais ou menos no mesmo barco.
Voz C:E o PT vai pagar mais caro se Jax Wagner ficar, for mantido como líder do governo?
Débora:Eu acho que o estrago está dado da mesma maneira, Débora. É claro que ele fica um pouco desgastado para tocar a agenda do governo de agora em diante, mas a gente sempre precisa lembrar que tem agora um break, uma espécie de pausa. Na agenda legislativa. Tem ainda de importante para votar a escala 6 por 1 e talvez isso acabe comprometendo, mas a gente tem aí o apoio do próprio Davi Alcolumbre, porque um deu apoio para o outro. Então, no dia a dia, na operação, não acho que influencie tanto. O desgaste é mais simbólico para a opinião pública.
Voz C:Muito bem, a gente faz uma pausa no Viva Voz, você fica com o noticiário local. E na volta a gente vai falar sobre o plano de segurança que foi lançado hoje pelo senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência da República.
Débora:I get so many headaches every month. It could be chronic migraine. 15 or more headache days a month, each lasting 4 hours or more.
Voz A:Botox, onabotulinum toxin A, prevents headaches in adults with chronic migraine. It's not for those who have 14 or fewer headache days a month. Prescription Botox is injected by your doctor. Effects of Botox may spread hours to weeks after injection, causing serious symptoms. Alert your doctor right away as difficulty swallowing, speaking, shaking, breathing, eye problems, or muscle weakness can be signs of a life-threatening condition. Patients with these conditions before injection are at highest risk. Side effects may include allergic reactions, neck and injection site pain, fatigue, and headache. Allergic reactions can include rash, welts, asthma symptoms, and dizziness. Don't receive Botox if there's a skin infection. Tell your doctor your medical history, muscle or nerve conditions including ALS, Lou Gehrig's disease, myasthenia gravis, or Lambert-Eaton syndrome, and medications including botulinum toxins, as these may increase increase the risk of serious side effects.
Débora:Why wait?
Voz C:Ask your doctor.
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Voz C:Viva Voz de Volta. Bruna Barbosa tem informações ao vivo de São Paulo. Plano de segurança que foi divulgado hoje por Flávio Bolsonaro. Oi, Bruna, boa noite.
Lula:12 medidas, Débora. Boa noite para você, Carol e Vera. Esse pacote foi apresentado para a área de segurança pública e são medidas que podem virar propostas de campanha. Plano elaborado com a participação do senador Sérgio Moro, do PL, do deputado federal Guilherme de Ritchie, do PP, ex-secretário de Segurança Pública aqui de São Paulo. Entre as principais medidas apresentadas estão castração química de estupradores, a possibilidade de condenar jovens a partir de 14 anos que cometem homicídio e tráfico de drogas, e mudanças na legislação para endurecer penas. Flávio também prometeu criar 5 novos presídios federais de segurança máxima inspirados no modelo adotado por El Salvador. O pacote ainda prevê o endurecimento de medidas contra facções e para combater o tráfico internacional de drogas. Durante o evento, o senador também fez críticas ao governo do presidente Lula, do PT, e procurou acenar para o mercado financeiro. Ele disse que confia muito no mercado e defendeu uma mobilização conjunta de diferentes fatores, de diferentes setores da sociedade, para combater o crime organizado.
Vera Magalhães:Eu quero aproveitar sua fala para pedir a unidade aqui de todo o mercado financeiro, não apenas da Faria Lima, para todos nós nos unirmos para asfixiar financeiramente essas organizações narcoterroristas. O que prova que a gente tá falando aqui não é para fazer uma política de segurança pública focada nas pessoas que são pobres, não. Para as pessoas que têm dinheiro também tem que ter uma unidade, uma união de todos nós para combater todos os tipos de crime onde quer que eles aconteçam.
Lula:O plano também prevê monitoramento por tornozeleira eletrônica de agressores de mulheres e medidas de endurecimento contra feminicídios. É uma estratégia que mira recuperar o eleitorado feminino, segmento que o senador tem ter perdido apoio de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto. Apesar de serem apresentados nos bastidores como os coordenadores da pré-campanha de Flávio aqui em São Paulo, nem o governador Tarcísio de Freitas do Republicanos nem o prefeito Ricardo Nunes do MDB participaram do evento. Hoje Tarcísio está no litoral sul paulista cumprindo agendas, retorna a São Paulo amanhã, e Nunes participava de compromissos externos no momento desse evento. Reservadamente, alguns aliados me disseram criticaram o governador Tarcísio de Freitas e disseram que o governador deveria ajudar quem está precisando nesse momento de campanha.
Voz C:Débora, obrigada, Bruno. O governo de São Paulo faz esse monitoramento de agressores de mulheres com tornozeleiras, mas entre essas medidas anunciadas, Vera, algumas bem polêmicas, mas que têm apelo em parte da sociedade.
Débora:Exato, é aquele léxico padrão da direita para a segurança pública. Dá para você fazer um prompt de inteligência artificial que ele tá usando as palavras-chave que atraem a direita. Então, redução da maioridade penal, essa coisa da castração química, que é uma coisa que a senadora Damares Alves defende faz bastante tempo, e outros expoentes da direita. Essa ideia de endurecimento de penas como a principal política de enfrentamento à violência, né, sem estruturar uma política preventiva anterior a ela, que passe aí por uma série de outros investimentos em inteligência, investimentos também na área social, na educação, etc. E quanto aos presídios federais, me chamou atenção essa informação que ele vendeu ao mercado, que a Bruna nos trouxe, porque o Brasil tem hoje 5 presídios federais. Ele está prevendo no curso de 4 anos de um mandato simplesmente dobrar o número de presídios que existem. Desses 5 presídios federais, 4 foram construídos nos governos do Lula, no governo Lula 1 e Lula 2, e o 5º foi inaugurado no governo Michel Temer. O pai dele, Eduardo Bolsonaro, construiu um total de zero presídios nos 4 anos em que foi presidente da República. Então não foi uma política tocada pelo Jair Bolsonaro, nem pelo Sérgio Moro, que tá na elaboração do plano de governo do Flávio e era o ministro da Justiça em uma parte do governo Bolsonaro, e não lançaram nenhum presídio federal de segurança máxima no período em que estiveram no Palácio do Planalto. Então, se ele lançar essa proposta, vai ser facilmente rebatida pelo Lula, que tem serviço para mostrar nessa área, estruturou Sistema de Presídios Federais, né, o Sistema Penitenciário Federal inaugurou 4 dos 5 presídios que existem hoje.
Voz C:Muito bem, a gente faz mais uma pausa, você fica com o noticiário local. Já já tem Tiago Bronzato, diretor da sucursal de Brasília do jornal O Globo, para a gente falar mais sobre a operação que teve como alvo o senador Jax Wagner.
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Débora:Viva Voz de volta. Ouvinte que costuma nos acompanhar tá reparando que nossos horários estão um pouquinho diferentes nesse período da Copa. Os intervalos comerciais mudam porque a gente está transmitindo muitos outros jogos. Alguns dias não tem Viva Voz. E já tá na linha com a gente um pouco mais cedo, portanto, Thiago Bronzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Boa noite, Bronzato.
Vera Magalhães:Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. E boa noite aos ouvintes.
Voz C:Boa noite.
Voz E:Oi, Bronzato.
Débora:Bronzato, a gente tava falando agora dessa nova frente aí, né, nessa nova fase da compliance zero que atingiu em cheio o líder do governo, senador Jax Wagner. Queria te ouvir a respeito da relevância, de qual é o impacto dessa fase da operação para o governo, para o PT e também para o Lula nas eleições.
Vera Magalhães:Pois é, Vera, a operação revelou que além de multipartidário, o esquema do master também tinha muito afeto envolvido entre políticos e banqueiros, né? A investigação mostrou que o Augusto Lima, sócio do Daniel Volcara no Master, convidou o Jax Wagner para viajar em uma aeronave até uma ilha particular conhecida como Ilha da Paixão e ofereceu ingressos no camarote do show da cantora Taylor Swift. Além disso, Augusto Lima teria dado uma ajudinha camarada também para o parlamentar comprar um imóvel de R$2,5 milhões num dos bairros mais valorizados de Salvador e também repassado por meio do master R$11 milhões para a nora do senador. Não foi por acaso que Augusto Lima escreveu uma mensagem para o Jax Wagner dizendo que ele fazia parte da sua história. Um dos negócios do banqueiro era a operação do cartão consignado Credicesta, que foi privatizado e comprado por Augusto Lima quando Jax Wagner era secretário responsável por essa área no governo da Bahia. Talvez por isso Jax Wagner tenha batido tanto no peito recentemente e dito que não haveria nada contra ele na delação do Daniel Vaccaro. Até porque nesse caso a relação mais sensível do senador do PT não era exatamente com Vaccaro, era com Augusto Lima. E aí que o caso ganha uma proporção política, porque o Jax Wagner não é um senador qualquer da base aliada. Ele é o líder do governo no Senado, amigo pessoal de Lula, E um dos poucos petistas que hoje não precisa bater na porta para falar com o presidente. O Jax Wagner, ele foi o responsável por indicar o ex-ministro da Casa Civil do Lula, o ministro da Justiça, alguns cargos de confiança na Petrobras. E quando precisa, ele também pressiona o Lula em público. É um dos poucos que consegue fazer isso. Por isso, a operação hoje tem sim um custo político para o governo Lula, que não pode também rifar o Jax Wagner em praça pública, porque se o líder do governo no Senado Onde o presidente já patina, fica fragilizado, o Palácio do Planalto pede musculatura para bater de frente com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, que isso por sua vez saiu em defesa do Jax Wagner. Então, velho, neste momento rifar o líder do governo no Senado seria meio que amputar um dos braços da articulação política do Planalto. Por outro lado, defender também demais o Jax Wagner pode colar em Lula o escândalo do Master. Virou um dilema difícil para o presidente lidar neste momento.
Voz C:Agora a gente tá mal de afeto, hein, Bronzato? A gente achando que é legal, que tem muitos amigos legais, ninguém tá dando nada para nós, né?
Vera Magalhães:Diz uma coisa, nem fui convidado para uma Ilha da Paixão.
Voz C:Como é que essa operação impactou as campanhas?
Vera Magalhães:Olha, Débora, a operação da PEB envolvendo Jacques Wagner deu à campanha do Flávio Bolsonaro aquilo que ele mais precisava nos últimos tempos. Um alívio, segundo palavras dos próprios aliados do Flávio. Até ontem, o escândalo do Master pesava mais sobre o Flávio, por causa das mensagens que ele trocou diretamente com Daniel Vocário sobre o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Mas hoje, a Polícia Federal bateu na porta do líder do Lula no Senado. O Flávio acabou ganhando mais munição para atacar o PT e também o governo Lula. A estratégia da campanha do Flávio focou mais em fazer novos vídeos com inteligência artificial para relacionar o escândalo do Jax Wagner e Master com Lula e o PT. O objetivo do Flávio agora é mostrar que o PT e o Lula também, assim como eles, estão envolvidos no caso do Master. É o objetivo, é mostrar mais que o Flávio— não quer dizer que o Flávio esteja puro na história, mas é convencer também o eleitor de que o outro lado que tá do ringue eleitoral, tomou também o mesmo banho de lama que o Flávio. Por outro lado, a campanha do PT vai insistir no discurso de que há uma diferença entre os dois casos. Isso porque o Flávio, ele foi atingido diretamente pelo escândalo, porque tem mensagens dele falando diretamente com o Vocário sobre o financiamento do filme de Jair Bolsonaro. Não pode dizer a mesma coisa do Lula, e o PT vai insistir nisso, dizendo que o presidente nunca mandou qualquer zap para o É claro, e não tem nenhuma relação com banqueiro, ao contrário do Flávio. O resultado desse cabo de guerra, Débora, é que a eleição entra numa fase mais pantanosa, e o Flávio, ele ganha um certo fôlego no momento, mas ele não se livra da crise, até porque até agora ele não apresentou as prestações de contas da campanha do filme.
Voz E:O Bronzato, ministro André Mendonça disse essa semana que tem mais coisa por vir. Que que a gente pode esperar aí, próximos passos do caso Master?
Vera Magalhães:Olha, Carol, o caso Master virou uma investigação em camadas, né? Uma mensagem leva um político, que leva um operador, que leva um fundo, que leva uma conta, que leva ao show da Taylor Swift. Então, cada vez mais que você vai descamando a investigação, você vai revelando fatos novos. E foi assim com Jacques Wagner, com Ciro Nogueira, com Cláudio Castro, que foram alvos dessa investigação. E exatamente por isso os investigadores rejeitaram a segunda proposta de delação do Daniel Volcaro. Porque o banqueiro não tava disposto a contar tudo que ele sabia e também tava preservando a sua relação de amizades. E o ministro André Mendonça deixou bem claro nessa semana que não quer delação seletiva. Por isso, só resta um caminho pro Daniel Vaccaro: tentar uma terceira colaboração que conte tudo que sabe. Mas o banqueiro segue muito relutante. Enquanto isso, a Polícia Federal segue avançando em nome de diferentes colorações partidárias, em nome do bolsonarismo, do centrão e também agora do núcleo do PT. A tendência é que cada lado tente empurrar o caso Master para o colo do adversário, mas a investigação de fato, como disse André Mendonça, deve revelar mais fatos novos.
Débora:É isso, Thiago Bronzato conosco às terças e quintas. Obrigada por hoje, Bronzato.
Vera Magalhães:Até a próxima, pessoal.
Voz C:Valeu, Bronzato.
Débora:Até. A gente faz mais um intervalinho e volta já já com mais viva voz.
Cássia:Hey there, it's Wayfair here, where delivery and setup are as easy as a few taps on your phone. You're relaxing in an old hammock, scrolling Wayfair's app, when you spot it, a brand new patio set. Next thing you know, Wayfair delivers it right to your patio and sets it up. Oh, you need a new grill too? All right, Wayfair's got you covered with Wayfair's Room of Choice delivery and fast expert setup on qualifying orders. Life gets a little easier. Visit wayfair.com or the Wayfair app. Wayfair, every style, every home.
Voz E:A gente volta com informações em São Paulo da Karen Lemos, que tá de olho no noticiário internacional, porque o Departamento de Estado americano criticou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal. Conta pra gente, Karen. Boa noite.
Jaques Wagner:Isso mesmo. Boa noite, Carol, Débora, Vera, também para os ouvintes. O Departamento de Estado defendeu o ex-deputado do PL numa nota que foi atribuída ao porta-voz da pasta, que é comandada por Marco Rubio. No conteúdo que foi obtido pela agência de notícias Reuters, o departamento critica a condenação de Eduardo pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal, que entendeu aí por unanimidade que o ex-deputado cometeu crime de coação no curso do processo da tentativa de golpe em 2022. A corte fixou sentença de 4 anos e 2 meses de prisão e também tornou ele inelegível. Bom, Departamento de Estado classificou essa decisão da Justiça brasileira como o mais recente episódio em um padrão de perseguição e guerra jurídica por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política, e acrescentou ainda que o debate político tem que ser resolvido por eleições democráticas e não por condenações judiciais. Bom, o julgamento desse caso, né, no julgamento o relator da ação, que é o ministro Alexandre de Moraes, pontuou que houve grave ameaça de sanções ao Brasil e também às instituições, no caso a Justiça. Afirmou ainda que não se pode fazer lobby contra o país e que o processo penal não é palhaçada, né, palavras que ele usou. Eduardo Bolsonaro foi representado pela Defensoria Pública da União que disse que as manifestações do parlamentar se tratavam de manifestação de liberdade de expressão e articulação política, e questionou o fato de Moraes ter sido relator do caso, considerando que ele foi um dos sancionados pela Lei Magnitsky. A condenação de Eduardo já havia sido criticada antes pelo próprio presidente americano, Donald Trump. Durante a cúpula do G7, ele mencionou o fato, só que confundiu um pouco o resultado aí do julgamento, né? Ele reclamou que prenderam o Bolsonaro Júnior e ainda afirmou que o Brasil se tornou um país perigoso do ponto de vista político.
Voz E:Carol, obrigada, Karen. Mais uma vez, né, Vera, a família Bolsonaro se tornando ponto de atrito entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, a ponto de ontem o Lula dizer para o Trump não se meter na eleição do Brasil.
Débora:Eles tiveram um encontro lá, conversaram rapidamente. Pelo jeito, dessa vez não houve química, as coisas não saíram bem. O presidente Trump deu essa declaração questionado por um repórter em que ele faz uma fala bem complicada e com muitos equívocos, dizendo que o Eduardo Bolsonaro, que por sua vez não é júnior, teria sido preso, quando na verdade ele está nos Estados Unidos, não está nem no Brasil. Então a gente percebe que as informações estão chegando de orelhada na Casa Branca. Estão recebendo informações ali nessa pela rede de desinformação que existe, não pelos canais oficiais, informando o presidente do país também de orelhada e não pelos canais oficiais. E está resultando em uma, é, um certo ruído diplomático que pode piorar as coisas para o Brasil. Quando a gente tem um presidente que age na base do voluntarismo, que confunde os conceitos dessa maneira, confunde economia ideologia e política a todo momento, usa ideologia para pautar decisões comerciais e econômicas. Tudo isso é muito perigoso para o Brasil, é muito delicado, e a gente tem de fugir do risco de que o governo brasileiro entre nessa, nesse mesmo diapasão, entre nesse mesmo tom e comece a disputar com o Donald Trump quem bate mais no peito e faz bravata. A gente tem que tomar muito cuidado para que isso não tenha consequências ruins para o Brasil do ponto de vista político e econômico, para além desses reveses que a gente acolheu recentemente com essas decisões do governo Trump.
Voz C:A gente faz mais uma pausa no Viva Voz, daqui a pouco a gente volta para falar das ações do STF contra as pautas bomba.
Débora:The most memorable gifts aren't found, they're made. Zazzle is a custom marketplace where you pick any product, a mug, a card, a tote, a phone case, and make it personal. A photo, a name, an inside joke, the kind of gift that actually fits the person. That's what 30 million customers have been coming back to Zazzle for over 20 years to find. Right now, save 25% on your first order at Zazzle.com. That's Zazzle.com. Make it Z-amazing.
Voz E:Antes de encerrar o Viva Voz, dá tempo aqui de uma última notícia, porque o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, deu andamento a uma proposta do ministro Gilmar Mendes para fixação de uma súmula vinculante para combater as chamadas pautas bomba. Seria uma iniciativa para coibir que leis ou atos normativos criem despesas obrigatórias ou concedam benefícios fiscais sem a devida estimativa de impacto financeiro e adoção de medidas compensatórias. Esse despacho então do presidente do Supremo diz que a proposta do Gilmar atende aos requisitos formais, é uma proposta que determina que é considerada inconstitucional qualquer lei que cria ou altere essa despesa obrigatória e exige-se então a indicação das respectivas medidas compensatórias. Súmula que agora vai seguir algumas etapas regimentais, o Ministro Fachin abriu prazo para que as partes envolvidas apresentem manifestações, a PGR vai falar e aí os ministros que integram a comissão, tem uma comissão de jurisprudência que vai ter 15 dias para fazer uma avaliação. Pode virar um ponto de estresse aí com o Congresso, Vera?
Débora:Acho que não, Carol. O que eles estão normatizando é o que a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal já prevêm. Eles estão só uniformizando o entendimento e a forma como essas legislações devem ser aplicadas para evitar que a cada caso se dê uma decisão judicial quando o judiciário for questionado diferente. Acho salutar, acho bem-vindo. Acho que o Supremo até iniciou um processo de adotar súmulas vinculantes e entendimentos que uniformizassem vários dos assuntos que acabam sempre caindo lá. Nos últimos anos parou um pouco, paralisou um pouco esse processo, mas é um processo necessário diante da judicialização gigantesca que existe no Brasil e ajuda também a conter um pouco o ímpeto do Congresso e do governo para aprovarem gastos a cada dia, praticamente ao bel prazer, e atendendo a conveniências muitas vezes eleitorais, em desacordo com o que prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal, que é uma das leis mais civilizatórias que a gente tem no Brasil. Uma das que foram mais bem-vindas quando criadas ainda lá no governo Fernando Henrique Cardoso e que se a gente não cuidar acaba caindo em desuso. Então acho importante e dessa maneira também tem um aspecto político-institucional que o ministro Edson Fachin faz um aceno ao Gilmar Mendes, os dois andavam meio se pegando ali, meio atritados, faz um gesto conciliatório em relação ao decano. Ao acolher uma sugestão dele. Isso também tem um peso na dinâmica interna do próprio STF.
Voz C:Vera, obrigada por hoje. Amanhã tem mais Viva Voz.
Débora:Amanhã tem mais, a gente faz um resuminho da semana. E amanhã tem Brasil, né, minha gente? Vamos lá, vamos que vamos.
Voz E:Beijo, Vera. Viramos de verde e amarelo.
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Cássia:Taxes and fees extra.
Débora:See full terms at mintmobile.com.