Pesquisa Quaest mostra 'eleitor mais difícil de entender e de agradar'
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- Eleitor bipolarPesquisa Quaest · Eleitor bipolar · Medidas econômicas · Isenção de imposto de renda · Desenrola · Ceticismo econômico · Felipe Nunes · Populismo
- Estratégia eleitoralMedidas eleitoreiras · Lula · Arcabouço fiscal · Reeleição
- Desafios PolíticosCiência política · Marketing político · Economia · Bombardeio de informações · Ambiguidade do eleitor
Viva Voz com Vera Magalhães. Vera, gravou seu comentário?
Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, para os ouvintes, para todo mundo que assiste o CBN Brasil. A pesquisa Quest dessa semana, que foi bem completa, teve um relatório muito detalhado abordando diversas questões políticas e econômicas, ajudou a dar uma pista daquilo que eu chamei hoje na minha coluna do Globo de um eleitor mais ou menos bipolar, porque ele reconhece que algumas medidas podem melhorar a vida das pessoas, até a sua própria.
Ele reconhece que, por exemplo, a sua renda pode aumentar a partir do momento em que houver a isenção de imposto de ainda para quem ganha até R$5.000 ou com o Desenrola, que significa um novo programa de renegociação de dívidas, mas ao mesmo tempo ele está um pouco cético quanto à economia. Ele acha que a situação econômica do país como um todo tende a piorar nos próximos meses. Ele diz que a sua própria situação econômica piorou no último ano e ele diz que nunca foi tão difícil encontrar emprego.
Apesar dos indicadores oficiais mostrarem o contrário, uma situação de praticamente pleno emprego nos últimos anos. É difícil explicar isso à luz da ciência política ou mesmo das regras básicas do marketing político, como aquela segundo a qual a economia que define tudo, um mantra cunhado lá pelo marqueteiro do Bill Clinton nos anos 1990, que dizia que é a economia, estúpido. Mas isso reflete um pouco esse eleitor que recebe informações por múltiplas plataformas, por muitos meios, a todo momento ele é bombardeado de informações, bombardeado também de narrativas, né, político-ideológicas, e muitas vezes se coloca no meio a tudo isso com um grande grau de ambivalência e de ambiguidade.
Eu conversei com Felipe Nunes, que é da Quest, a esse respeito no Viva Voz nesta semana, e ele também mostrou ali que a ciência política e os próprios institutos de pesquisa ainda estão tateando muito para entender o que esse eleitor quer. E daí porque esse questionário tenha sido especialmente completo, especialmente detalhado, para tentar escrutinar um pouco essas ambiguidades que tornam mais difícil até para os os candidatos saber por onde se guiar, o que dizer e o que propor.
O fato é que mesmo receituário clássico ali do populismo, como esse de derramar medidas eleitoreiras às vésperas do pleito, como Lula vem fazendo esse ano, não é uma garantia de sucesso absoluto. O Globo hoje mostra que essas bondades, entre muitas aspas, do Lula podem chegar a 215 bilhões no total. E que muito disso está ficando ali espertamente fora do arcabouço fiscal. Mas será que só isso vai ser suficiente para dar a reeleição a ele nesse cenário em que o eleitor nem sempre reconhece os benefícios econômicos como algo bom para si ou mesmo para o país?
Então é uma pergunta de um milhão de dólares, que também deve ficar fora do arcabouço fiscal. Ninguém sabe responder direito. E pode resultar num tiro na água. Você gasta muito, investe num receituário antigo de pensar em falar com o bolso do eleitor, mas é um eleitor mais difícil de ler, mais difícil de entender e, portanto, mais difícil de agradar. Eu fico por aqui, volto na segunda-feira ao vivo e também hoje à noite a gente faz aquele resumo da semana no Viva Voz 2. Até lá!