'Quaest trouxe respiro para Lula, e não um super fôlego'
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Vera Magalhães
Débora
- Pesquisa Eleitoral PresidencialLula · Flávio Bolsonaro · Donald Trump · Governo Lula
- Delação de Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Polícia Federal · STF · André Mendonça · Governo da Bahia · PT baiano · Credit Sesta · Davi Alcolumbre
- Vasco e Aldax ItalianoCarla Zambelli · Alexandre de Moraes · Supremo Tribunal Federal · Edson Fachin · Eduardo Bolsonaro · Alexandre Ramagem
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Vera Magalhães:Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem?
Vera Magalhães:Oi, Débora, boa noite para você, para Carol, para os ouvintes, para todo mundo que nos assiste. Oi, Vera.
Vera Magalhães:Vera, vamos começar pela delação de Daniel Vorcaro, que foi negada mais uma vez pela Polícia Federal. E agora, quais são, o que pode acontecer?
Vera Magalhães:Pois é, já era esperado, né, Débora? A gente sabia que tava ali pela bola sete essa segunda tentativa de delação do Daniel Vorcaro. E ontem à noite veio ali a confirmação de que a Polícia Federal rejeitou também essa versão. As críticas eram várias, né, que ele tava ali acrescentando pouco em relação ao que a própria Polícia Federal já tinha levantado, que ele agia para proteger algumas pessoas. É, tinha aí uma divergência quanto ao que ele poderia devolver ou não em termos de dinheiro, e isso também era um capítulo importante. Então ontem veio a notícia de que mais essa versão foi recusada. A gente não sabe se é uma, enfim, opinião final e que nada mais vai ser feito em termos de uma nova tentativa, mas o fato é que isso foi comunicado oficialmente ao STF, ao relator André Mendonça. Quase concomitantemente, né, a divulgação de que havia essa nova negativa, houve um vazamento por parte da revista Veja de algumas partes do que ele teria acrescentado à delação dele. E aí houve algumas novidades, porque ele incluiu as tratativas com o governo da Bahia, né, e portanto com o PT baiano, para que o Master pudesse se credenciar para operar o crédito consignado à Folha, aos servidores, né, estaduais, que chama Credit Sesta. E também ele falou do Davi Alcolumbre, presidente do Senado, trocou ali algumas palavras por palavras mais fortes, começou a falar em propina e incluiu Alcolumbre nas coisas que ele estava disposto a relatar, dizendo que deu dinheiro para o presidente do Senado, coisa que ele negou por meio de uma nota oficial da própria presidência do Senado, disse que vai processar o Vaccaro. Mas o fato é que mesmo aí carregando nas tintas, o ex-banqueiro não conseguiu ter a sua delação aceita pela Polícia Federal. A gente viu uma repercussão ali moderada dessas novas revelações envolvendo Davi Alcolumbre. O próprio Romeu Zema, que é um dos pré-candidatos à presidência, falou a esse respeito, falou que isso explica por que que o Davi Alcolumbre não quis instalar a CPI do Master. Mas o fato é que parece que ainda vai restar coisa para ser esclarecida, para ser dita. E a gente pode, diante dessas coisas que se ele tinha se disposto a entregar, mesmo sem fechar a delação, a gente pode ter a Polícia Federal com pistas para seguir aí por novos caminhos para investigação. Então abre sim novas frentes e novos focos de desgaste político para os dois grupos, para o Davi Alcolumbre e também para o PT da Bahia.
Vera Magalhães:Por falar no Supremo, Vera, novidade de hoje foi a decisão da Justiça italiana de não deportar A ex-deputada Carla Zambelli, né, saiu a justificativa, teve reação do presidente do Supremo. A que você deveu essa reviravolta?
Vera Magalhães:Pois é, eles não só decidiram não extraditá-la como também a libertaram, né? Ela até gravou um vídeo ao lado do marido, do advogado, comemorando a decisão. Foi uma decisão da Corte de Cassação, que é uma instância recursal ali do sistema judicial da Itália. Que apontou imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes para julgar a deputada Carla Zambelli. Diz que ele atuou como julgador, mas que ele também era uma das supostas vítimas dos crimes imputados a ela, que isso afetava sua capacidade de discernimento, sua capacidade de isenção, e portanto o julgamento não teria sido Daí porque eles estavam anulando a extradição. Foi algo bem surpreendente porque a gente falou disso algumas vezes aqui. A Itália costuma ser mais fácil para extraditar brasileiros, e já há casos jurisprudenciais nesse sentido. O Supremo Tribunal Federal soltou uma nota assinada pelo Edson Fachin, ministro presidente, reafirmando a independência, imparcialidade, dizendo que o julgamento aconteceu Aconteceu dentro das devidas normas do processo legal, transcorreram em estrita observância à Constituição, e manifestando preocupação com um precedente ali que poderia ser usado por outros tribunais. E pode realmente. A gente sabe que com os Estados Unidos a coisa para extradição já é bem mais complexa e pode ficar ainda mais. E a gente sabe que tem alguns vários investigados estão nos Estados Unidos. É, são o Eduardo Bolsonaro, ainda investigado, e o Alexandre Ramagem, que já é condenado pela trama golpista. Então, se essa arguição de parcialidade do Alexandre de Moraes for seguida por outros países, principalmente pelos Estados Unidos, vai se criar aí um embaraço e uma dificuldade ainda maior para que esses outros investigados também sejam deportados, extraditados para o Brasil, e que portanto possam cumprir a pena. E com isso, a autoridade do Alexandre de Moraes internamente vai ser iluminada. Ele já tá aí sob forte crítica e rejeição por parte de uma parcela da sociedade bolsonarista, e isso vai aumentar os questionamentos quanto à possibilidade do ministro continuar à frente de muitos desses casos que envolvem ou Bolsonaro ou seus aliados.
Vera Magalhães:Vera, outro assunto da semana foi a pesquisa Genial Quest, que trouxe aí dados sobre a corrida presidencial, também sobre avaliação do governo, entre outras coisas. O presidente Lula respirou?
Vera Magalhães:Respirou. Não pode comemorar a vitória. E parece, viu, Débora, que Na verdade, muita gente já subiu no salto depois dessa pesquisa, achando que a eleição está ganha e que está tudo certo, mas não é bem assim. É um respiro, como você disse, não é um super fôlego, porque a diferença no segundo turno entre ele e Flávio Bolsonaro, que era de só 1 ponto, ou seja, numa situação de empate técnico, estendeu um pouco para 6 pontos de diferença, o que ainda mostra uma tendência a uma eleição bastante acirrada. O Flávio Bolsonaro perdeu algum fôlego no primeiro e no segundo turno. Ele tem algumas más notícias vindas da pesquisa, porque a sua atuação junto ao Donald Trump, mesmo nos casos em que ele esperava faturar, como aquele da classificação das organizações criminosas brasileiras como terroristas, saiu tudo pela culatra. Em todos os casos, a avaliação disso foi negativa. Então ele vai ter de rever a estratégia. Essa coisa de apertar o Trump button ali quando se vê em apuros não pareceu acertada, não pareceu inteligente, foi lida pelo eleitorado como uma traição ao Brasil, antipatriótica, e mesmo essa coisa de outro país querer se imiscuir na nossa questão de segurança também não pegou bem. O Lula faturou a questão da soberania de novo e tá faturando também em cima das medidas eleitoreiras que ele adotou ao longo dos últimos meses. Elas também são bem avaliadas, mas de novo, é todo, toda questão entre alguma coisa ser um veneno ou um remédio vai na dosagem, né? Até aqui as medidas estão sendo vistas como boas, mas quando a gente começa a ver As análises, hoje mesmo o Globo fez uma matéria do impacto bilionário que essas medidas têm no orçamento. E tem a contrapartida, né, a pauta bomba que a Câmara e o Senado podem aprovar para também eles tentarem fazer uma média com o eleitor. Então aí é uma conta que vai até a estratosfera e volta, que o país não tem como pagar. E que aí o Lula quer frear. Quando não é ele que estabelece os gastos eleitoreiros, ele quer segurar, e quando é o Congresso, quer faturar. Então, esse duelo para ver quem vai até o limite do que as contas públicas aguentam é algo que pode fazer com que o que é uma medida com potencial eleitoreiro vire o contrário, acabe provocando uma rejeição no eleitor. Eu falei um pouco disso na coluna de hoje, o Felipe Nunes falou quando esteve aqui no Viva Voz. De que esse eleitor ainda é muito volátil, muito difícil de ler quanto ao que ele entende que sejam medidas econômicas positivas. Então, é uma pesquisa que não resolve nada, ela aponta alguns caminhos de errado e de certo para os dois principais candidatos, mostra que a polarização está mantida, mas que essa discussão sobre o que é bom ou não para a economia ainda está bem aberta.
Vera Magalhães:Vera Magalhães, muitíssimo obrigada, bom fim de semana e até terça-feira. Segunda não teremos viva voz por causa da transmissão de jogos da Copa. Nesse período, gente, até a final, que eu espero com o Brasil, Brasil e França, que é para pontuar no bolão, tá? Teremos, não teremos viva voz alguns dias, em outros versões mais enxutas, mas qualquer emergência a gente vai te acionar, tá bom, Vera?
Vera Magalhães:É isso, a gente tá com um olho na Copa e outro na política. Tá bom, gente, até segunda, até terça. Beijo, beijo, beijo, tchau, tchau!