Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

'Tendência é que segunda tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro seja negada'

09 de junho de 202649min
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A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República devem decidir nesta semana se dão continuidade às negociações para um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vera Magalhães apurou que a tendência é que esta segunda tentativa seja também negada.

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Participantes neste episódio4
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carol

Co-hostApresentadora
K

Karen Lemos

Reporter
T

Thiago Bronzato

ReporterDiretor da sucursal do Jornal Globo em Brasília
Assuntos9
  • Delação de Daniel VorcaroDaniel Vorcaro · Banco Master · Segunda tentativa de delação · Proposta de delação · Investigadores · Polícia Federal · Procuradoria-Geral da República · Paulo Henrique Costa
  • Evangélicos e PolíticaPT · Flávio Bolsonaro · Lula · Carta do PT aos evangélicos · Marcha para Jesus · Datafolha
  • Crise no BRBBRB · Daniel Vorcaro · Banco Master · Nelson de Souza · Renan Calheiros · Liquidez · Rombo financeiro
  • Inflação e Política MonetáriaIPCA · Copom · Taxa Selic · Política de juros · Combustíveis
  • Tarifas EUA contra BrasilRonaldo Caiado · Romeu Zema · Governo Lula · Narcotráfico · Corrupção · China
  • Delação de Daniel Vorcaro e escândalo do Banco MasterBanco Master · Daniel Vorcaro · Ativos no exterior · Paraísos fiscais
  • Possível candidatura de Marcelo Crivella ao SenadoDario Durigam · Davi Alcolumbre · Agronegócio · Servidores públicos · Ano eleitoral
  • Gasolina com EtanolAlexandre Silveira · Lula · Guerra no Oriente Médio · Autossuficiência · Cana-de-açúcar
  • Fim da escala 6x1Hugo Mota · José Guimarães · PEC do Trabalho Flexível · Jornada de trabalho · Fiesp
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TBThiago Bronzato

Viva a voz com Vera Magalhães.

?Voz B

Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem?

VMVera Magalhães

Oi, Débora, tudo bem? Boa noite para você, para Carol, boa noite para os ouvintes também, para quem nos assiste.

KLKaren Lemos

Oi, Vera.

?Voz B

Já vamos então para Brasília. Não, Brasília não, São Paulo. Karen Lemos. A Karen Lemos tem mais. O assunto é política também, né? Mas a Karen Lemos tem mais informações sobre uma carta que o PT divulgou direcionada aos evangélicos. Conta para a gente, Karen.

VMVera Magalhães

Boa noite.

KLKaren Lemos

Isso mesmo, boa noite, Débora, Carol, para Vera, para os ouvintes. É uma carta justamente para tentar avançar na preferência deste eleitorado, né, o eleitorado evangélico. Nesse documento criado durante o Encontro Nacional de Evangélicos do PT, o partido evita entrar em temas ligados à pauta de costumes, mas busca enfatizar pontos de convergência, como por exemplo a defesa da liberdade religiosa por parte da legenda e também da relação de respeito dos governos petistas com as igrejas evangélicas.

Na última pesquisa Datafolha, publicada em 26 de maio, o senador Flávio Bolsonaro, candidato de direita que mais pontua nessas pesquisas, registrou o recuo de 5 pontos percentuais nas intenções de voto dos evangélicos. Caiu aí de 61% para 56%. Levantamento que saiu logo depois da divulgação de mensagens e áudios que revelaram aí uma relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ainda assim, Flávio segue sendo um nome forte entre esse eleitorado.

Lula, Lula tem apenas 33%. Da preferência aí desse setor da sociedade, né? A carta do PT, ela é lançada aí dias depois da Marcha para Jesus, um evento aqui em São Paulo, né, que não contou com a presença de Lula. Ele mandou o advogado-geral da União, Jorge Messias, como representante do governo, mas Flávio Bolsonaro estava lá e adotou inclusive um discurso voltado para o público religioso Falou até que o Brasil vive uma guerra espiritual.

Além disso, a pré-campanha do senador tem apostado no slogan "Vem com fé" como uma das principais ferramentas aí para reposicionar a candidatura dele, conforme adiantou a coluna Radar Paulistano da CBN. Segundo interlocutores, essa frase foi construída para reforçar a identificação com eleitorado religioso, especialmente os evangélicos, né, que é um segmento considerado estratégico. Para a campanha do PL.

?Voz B

Débora, obrigada, Karen, pelas informações. Fica por aí que daqui a pouco a gente vai falar de um outro assunto. Bem, Vera, de acordo com o censo, os evangélicos já representam um quarto da população do país. Então, sem dúvida nenhuma, é um eleitorado muito importante. Não sabemos ainda se esse voto tá decidido, mas fato é que os dois campos políticos estão brigando por ele. Inclusive, o presidente Lula chegou a ligar para o organizador da marcha para dizer que achava que aquele não era o lugar para politizar, para fazer propaganda eleitoral, dando aí também uma cutucada no Flávio, né?

VMVera Magalhães

É, foi o Jorge Messias que tava presente no evento que ligou pro Lula e fez uma ponte ali pra que ele falasse no viva voz com o apóstolo, né, designado apóstolo, Estevão Hernandes. E aí o Lula falou isso, que nunca tinha ido a eventos religiosos e que não achava que eventos religiosos eram lugar de fazer política. Porém, a ligação foi divulgada. E foi divulgada pelo Messias, que foi o indicado dele para o Supremo. Portanto, alguma dose de uso político houve, né?

Passou essa mensagem, quis passar essa mensagem de que não estava lá justamente para não fazer uso político da marcha. Mas o fato é que talvez o Lula ficasse deslocado num evento como esse, porque a rejeição ao nome dele nesse eleitorado evangélico é muito grande e ela não é decrescente. Mesmo quando Flávio Bolsonaro recua alguns pontos nas pesquisas junto ao público evangélico, ainda assim o Lula não cresce ou a rejeição dele não cai consistentemente.

Ela pode só oscilar negativamente, oscilar ali na margem de erro. Quando lançou o Desenrola deu uma leve oscilada, melhorou um pouco a situação, então tem assim pequenos É, não chegam a ser saltos, tem movimentos muito pequenos, sempre dentro da margem de erro. Não é o primeiro aceno que o Lula tenta fazer ao eleitorado evangélico. Na eleição passada isso já aconteceu. Na eleição de 2024, quando os boatos voltaram, essa tentativa de aproximação voltou a ser feita, mas nunca tem muita consistência porque é um eleitorado conservador.

Nessas questões de costume que ele evita tratar na carta, como a Karine nos informou, há muitas divergências e isso acaba afastando. E além do que, em vários momentos houve disseminação de desinformação mesmo a respeito do que o PT ou Lula fariam caso chegassem ao governo em relação às igrejas evangélicas: maior taxação, perseguição a templos, fechamento de templos, muitas vezes teve de ser feita uma campanha de desmentir esse tipo de informação.

Então não é uma aproximação simples, mesmo o linguajar, o léxico não é o mesmo, não é natural, mas é algo previsível que fosse ser feito porque é um dos calcanhares de Aquiles do PT na eleição.

CCarol

Pois é, às vezes eu fico na dúvida se é melhor fazer ou não fazer, né, Vera, porque não sei se é tão producente E pode acabar gerando atritos, como aconteceu entre a Janja e o pastor Silas Malafaia, né, que trocaram farpas ali.

VMVera Magalhães

É, quando tem ruído, aí realmente é até melhor não fazer, né. Então tem que ser uma coisa bem coordenada entre todo mundo, para que todo mundo fale a mesma língua. Mas é isso, ruído acontece na direita também. A gente tem a questão da Michele Bolsonaro, que não tá totalmente resolvida. Para a campanha do Flávio, porque ela não demonstra nenhuma vontade de ajudar na campanha dele. Ela é quem tem mais trânsito junto ao público evangélico e poderia ser um cabo eleitoral importante para o enteado junto a essa fatia do eleitorado, mas até aqui não se dispôs a fazer essa ponte com mais entusiasmo e com mais frequência.

?Voz B

Muito bem, Karen Lemos, tem um outro assunto para tratar com a gente aqui a saída, ou melhor, os opositores falando do Tarifaço. Os opositores, dois candidatos da direita, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, pré-candidatos, ou melhor, né, presidência da República. Você tem acompanhado essas agendas e eles falaram sobre o Tarifaço. O que exatamente, Karen?

KLKaren Lemos

Exatamente, Débora. Bom, estive na agenda do ex-governador de Goiás, pré-candidato do PSD à presidência, Ronaldo Caiado, e ele falou que o novo Tarifaço de de 5%, né, que pode ser imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil, tem justificativas, né. Ele usou o termo até razão para falar sobre isso. Foi num evento aqui em São Paulo voltado ao agro, agronegócio, e Caiado disse que tem dois fatores que, na visão dele, dão embasamento para essa penalidade que está sendo proposta pelos americanos.

?Voz F

Porque o Brasil realmente não responde sobre o avanço do narcotráfico no mundo E outro porque o Brasil não controla o nível de corrupção que invade as empresas e também o sistema financeiro brasileiro. Então essas duas situações é que eu disse com muita clareza que são situações que denigrem a imagem do Brasil e que o presidente Lula está jogando a imagem do Brasil na sarjeta no momento em que ele é complacente, conivente com a corrupção e com o crime.

KLKaren Lemos

Bom, o pré-candidato, ele também citou aquele primeiro tarifaço dos Estados Unidos, que chegou a 50%, né, em agosto do ano passado. Ele disse que naquela vez lá era um teor político a decisão, só que agora a situação é outra. Ele culpou o governo Lula por essa nova ameaça de sobretaxa, disse que isso não aconteceria se o chefe do Executivo atuasse contra as facções criminosas e também a corrupção no país. Ô Débora, Carol e Vera e ouvintes, também aqui em São Paulo, Zema foi um outro pré-candidato que falou aí desse tarifaço, né, das ameaças de um novo tarifaço.

E assim como Caiado, ele culpou o governo Lula por essa situação. O pré-candidato do Novo disse que o Brasil no atual governo tá se distanciando dos americanos e se aproximando cada vez mais da China.

?Voz F

Nós estamos vendo aí já há muito tempo um Brasil cada vez mais próximo da China e mais distante do Ocidente. E vejo que o Tarifaço tá dentro desse contexto. Isso não nasceu hoje, isso nasceu há muito tempo, e atribuo muito disso ao Itamaraty, que tem atuado principalmente desde que o PT assumiu o país há 22 anos atrás nessa direção de questionar Estados Unidos e de distanciar de países do Ocidente. Uma clara aproximação à China.

KLKaren Lemos

Bom, rapidamente aqui, os dois pré-candidatos também falaram sobre a composição das chapas para eleição. Caiado, que recentemente citou nomes como o próprio Zema e também uma das filhas de Silvio Santos, Silvia Bravanel, que se filiou ao PSD para disputar como deputada federal, pontuou que ainda não há uma definição sobre isso e que esse nome deve sair apenas, apenas durante as convenções partidárias, né, que começa em julho e vai até 5 de agosto.

Já Zema minimizou as declarações do atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões, do PSD, para que ele fizesse uma composição com Flávio Bolsonaro. Para Zema, essa declaração aí de Simões é só uma mera ideia. Também deixou em aberto, nada definido.

?Voz B

Débora, obrigada, viu, Karen, pelas informações. E aí, Vera, que que a gente pode, que que você pode nos dizer sobre essas falas?

VMVera Magalhães

Essa fala do Caiado é uma fala muito equivocada, né? Porque praticamente tá culpando o Brasil por ter sido punido pelos Estados Unidos com tarifas que não tem nada a ver, a rigor, com essas situações que ele mencionou. Como se a gente merecesse uma tarifa e como se ele achasse que realmente é isso aí que os Estados Unidos têm de fixar esse tipo de tarifa. É aquela dificuldade atávica que existe nesses pré-candidatos de oposição de se opor ao Flávio Bolsonaro.

Atuam sempre ali como uma linha auxiliar do bolsonarismo, sem demonstrar nenhum tipo de distanciamento de ideias, nenhum tipo de modulação em relação à maneira como se colocar perante os Estados Unidos. Então, o Ricardo poderia aproveitar essa fala para dizer se fosse ele o presidente, como ele agiria, como ele defenderia os interesses brasileiros. Mas da forma como ele coloca, é quase uma aceitação tácita do que foi feito. E é isso aí mesmo, vamos de tarifaço, e é o que tem para hoje.

O Zema parece carecer de ainda mais substância no atual momento, né? Quando você vê principal aliado dele, que é o governador de Minas, Seu sucessor, que foi seu vice, tá praticamente pedindo para que ele faça uma composição, porque isso vai ajudá-lo em Minas a escapar de uma outra candidatura que incomoda para ele, que é a do senador Cleitinho. Então você vê que é uma candidatura que hoje carece de bases mínimas ali para continuar.

Não sei como vai ser, não sei que estratégia é essa, porque a estratégia desses dois candidatos para chegar ao segundo turno só pode vai ser chegar no lugar do Flávio Bolsonaro. Eles não vão chegar no lugar do Lula. Não é factível um cenário em que chegue o Flávio Bolsonaro e um deles. Não existe esse cenário. Estaria suprimindo a esquerda, os eleitores do Nordeste, tal, imaginando que vão ser ali pulverizados e não vai ter. Então é uma estratégia maluca essa de ficar desde já concentrando ataque só no Lula e esquecer a existência do Flávio Bolsonaro, porque aí parece que você tá lá só para ser um comentarista da eleição e não para pretender ter alguma chance real de ir ao segundo turno.

Então eu não consigo entender essa tática. Para mim não faz sentido eleitoral nenhum.

CCarol

Vera, amanhã essa pesquisa Quest, né? A gente vai ter uma ideia do impacto do tarifaço, das ligações do Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre o eleitorado. Já tivemos anteriormente aquela pesquisa Atlas Intel que mostrou uma queda de 5 pontos do senador Flávio Bolsonaro. Mas cuja divulgação foi suspensa por uma decisão monocrática do ministro Nunes Marques, que vai a plenário e o que inclusive está causando mal-estar nos bastidores do TSE.

VMVera Magalhães

A gente comentou ontem a respeito do ineditismo dessa decisão, porque é muito comum que haja pedidos de impugnação de pesquisa, de retirada do ar dos seus resultados, de proibição da divulgação, etc., mas é muito incomum que a mais alta corte eleitoral do país acate esse tipo de pedido, que foi o que ocorreu no caso da pesquisa Atlas Intel. E aí o que a gente fica sabendo é que isso dividiu o TSE, que pode haver questionamentos internos à decisão do presidente e que isso pode ser até revisto se for submetido mesmo ao plenário do TSE para que não gere um precedente, um precedente perigoso que pode atingir indiscriminadamente qualquer instituto e que pode ser pleiteado por candidaturas de todos os lados em todo o país.

Então, vamos ver como essa coisa vai evoluir, mas realmente foi bem inusual. Amanhã sai a pesquisa Quest, uma pesquisa que está sendo aguardada com muita ansiedade tanto no PT e no Palácio quanto no PL, porque é ela que vai mostrar ali, passadas algumas semanas, o estrago real que tanto o caso Dark Horse quanto as decisões do governo Donald Trump causaram ou não a candidatura do Flávio Bolsonaro e a candidatura do Lula, porque pode haver ali um desgaste para o Lula vindo daquela decisão de classificar as nossas, as nossas é ótimo, as facções criminosas brasileiras como grupos terroristas.

Nossas enquanto nação, porém, de classificá-las como grupos terroristas. E então a gente vai ver já decantadas todas essas informações, o que restou no cenário eleitoral, como o eleitor fez essa síntese e como ele está se posicionando hoje em relação às candidaturas. E também, né, Débora e Carol, saber como as medidas que o governo anunciou repercutiram e influenciaram na votação do Lula. Ele que segue anunciando medidas aí para tentar melhorar sua situação eleitoral, né?

CCarol

Vamos ver, a gente analisa amanhã. Bom, hoje o governo falou em aumentar a mistura de etanol na gasolina, né, diante da pressão no preço do petróleo. O conflito no Oriente Médio não dá sinal de que vai ser resolvido. A Samanta Klein tem as informações para gente. Oi, Samanta.

?Voz 1

Oi, Débora, Vera, Carol. É de fato essa proposta que inclusive agora foi alvo de uma publicação nas redes sociais do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele disse que é uma medida importante para proteger o bolso dos brasileiros. O presidente Lula já vinha falando nessa medida algumas semanas atrás, justamente exatamente quando eclodiu a guerra no Oriente Médio. Nessa proposta de aumentar a mistura de 30% para 32% o etanol na gasolina, e o ministro Alexandre Silveira fez um comentário sobre isso.

Ele destacou que a proposta será enviada para o Conselho Nacional de Política Energética daqui 15 dias, e o objetivo principal é reduzir a importação da gasolina para tornar o Brasil autossuficiente. Hoje, se importa cerca de 450 milhões de litros de gasolina. Então essa importação poderia ser eventualmente até eliminada com aumento da mistura. A gente não vai rodar sonora agora porque eu não combinei isso, mas o ministro diz que sim, o objetivo é diminuir o preço, enfrentar as oscilações do petróleo no mercado internacional.

Quem também é, vem defendendo essa medida, é claro, é o setor da cana-de- açúcar, do biodiesel. E o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, Evandro Gussi, disse que a expectativa é por uma redução de preços assim que a medida for chancelada pelo Conselho Nacional de Política Energética. Lembrando que no ano passado o governo já tinha conseguido então ampliar o limite da mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%, e estudos mostram que há viabilidade de chegar aos 32%. Com vocês.

CCarol

Obrigada, Samanta. O governo está tentando encontrar alternativas, né, Vera? Mas fato é que a gente tem uma pressão inflacionária bem grande. O mercado já está projetando alta da Selic, projetando que vai chegar a 13,5% no fim do ano, projetando também mais de 5% de inflação. Então o cenário é bem preocupante aí para esse segundo semestre.

VMVera Magalhães

A gente vai ter uma semana decisiva para isso porque sai o IPCA de maio no fim da semana. E ele é que vai ditar o quanto o Copom pode dar uma guinada na sua política de redução bem lenta que vinha sendo aplicada à taxa de juros e até retomar um ciclo de alta, como você disse, Carol. O governo se preocupa muito com isso. A pior notícia que poderia haver para o governo é um anúncio de alta dos juros ainda durante o ciclo eleitoral.

Então, o que o Lula trabalha ali é com a ideia de que pelo menos a manutenção dos juros aconteça até lá e vai fazendo ali uma escalada de medidas, né, na verdade, para tentar conter o preço dos combustíveis. Já foram várias anunciadas, primeiro tinha um foco no diesel e agora as duas últimas direcionadas ao preço da gasolina, agora anunciando o aumento da mistura de etanol ali permitida para tentar reduzir o impacto da duração enorme desse conflito no Oriente Médio, que pelo contrário, né, não tem nenhuma previsão de terminar.

E a cada momento, a cada lance, ganha novas características de imprevisibilidade, de novas ameaças. Agora, com o início da Copa, uma tensão crescente também em relação a isso. Então, Não é uma situação simples e isso, o impacto inflacionário já está meio claro. Quando sair o IPCA, a gente vai saber mais ali com certeza o que aconteceu e como isso vai ter impacto também nas decisões do Copom.

?Voz B

IPCA sai amanhã inclusive, né? E na próxima semana, dia 17, é super quarta, tem taxa de juros dos Estados Unidos e taxa de juros aqui no Brasil. E a expectativa é de que Se cair, vai ser uma queda pequena e não deve ter mais, não devemos ter mais queda nos próximos ciclos e pode inclusive nem cair na próxima reunião.

VMVera Magalhães

Eles já deixaram ali essa possibilidade em aberto na ata e no comunicado da última reunião, quando falaram ali da possibilidade de reversão do ciclo, de mudança de avaliação, etc. Então isso já está dado, se houver qualquer mudança ou uma paralisação nas quedas, não vai ser surpresa para o mercado que já está precificando isso. E é isso, o governo tentando, fazendo algo, aliás, que o Bolsonaro fez no seu último ano, porque também o ano de 2022 foi marcado por muita oscilação nos preços dos combustíveis.

Isso foi visto como um fator de risco eleitoral pelo bolsonarismo, foi incluído entre as muitas medidas eleitoreiras que ele adotou no último ano de mandato. Teve a PEC da PEC Kamikaze, com várias bondades, aumento de preço de programas sociais, auxílio a taxistas, a caminhoneiros, auxílio gás. Teve toda sorte de benesses sociais e também de tentativas artificiais de controlar o preço dos combustíveis. Nas duas linhas O Lula está adotando medidas similares, fazendo uma série de aportes para minimizar o impacto no preço dos combustíveis e também anunciando medidas que têm um caráter aí de alcance social, como a ideia de fazer um novo programa de revisão de dívidas, um novo desenrola e outras medidas que vão direto ali no bolso do eleitor.

CCarol

Agora, Vera, por um lado o governo anuncia medidas que aumentam os gastos públicos, mas por outro está tentando conter uma pauta bomba aqui no Senado. Hoje teve uma reunião do ministro da Fazenda, Dario Durigam, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Tem um cálculo de que tem matérias em debate no Senado que ultrapassam R$270 bilhões em impactos, estimativa da equipe econômica. E tem várias coisas. Uma das propostas é a renegociação das dívidas dos produtores rurais, impacto estimado de R$120 bilhões.

Outro é uma PEC que concede aposentadoria integral com paridade a agentes da saúde, que foi aprovada pela Câmara no ano passado. É um cálculo aí de R$99 bilhões. Piso salarial para médicos, cirurgiões, dentistas, R$47 bilhões. Enfim, tem várias coisas tramitando aí no Congresso, o governo tentando segurar.

VMVera Magalhães

Essa cobrança sempre vem muito mais forte em relação ao Executivo, mas o Congresso é é mestre em aprovar pauta bomba, quando não é em benefício próprio, em benefício de grupos que são influentes lá, e como o agronegócio é um deles, esses grupos de servidores têm um lobby muito bem articulado dentro do parlamento. Então, em ano eleitoral, a tentação de atender a esses lobbies com o chapéu alheio, ou seja, o nosso dinheiro público, se torna ainda maior para o governo.

É importante conter porque todo mundo sabe que 2027 já vai ser um ano em que o fiscal vai estar altamente pressionado. E se essas pautas bombas passarem, aí a coisa tende a fugir do controle totalmente.

?Voz B

Muito bem, a gente faz agora uma pausa aqui no Viva Voz. Você fica com o noticiário local e na volta a gente fala mais sobre política. Tem a crise do BRB, as tratativas da delação de Daniel Vorcaro. Tem Thiago Bronzato também, diretor da sucursal do Jornal Globo em Brasília, para falar desse tema. Viva a voz de volta! E Ana Carolina Tomé tem mais detalhes sobre a fala do do presidente atual do BRB, Nelson de Souza, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Oi, Ana, boa noite.

?Voz 2

Boa noite, Débora. Ainda sem publicar o balanço de 2025, Nelson de Souza, presidente do BRB, falou hoje que a corrida por liquidez na instituição financeira cada vez se acentua, indicando que há retiradas de recursos do BRB em função da falta de transparência e não divulgação dos balanços. Nelson de Souza, no entanto, não se comprometeu com uma data para de divulgar os números do BRB envolvido na crise do Banco Master. O balanço de 2025, que deveria ter sido apresentado até março, segue pendente, Débora.

Ele disse que os dados serão divulgados após a conclusão de uma auditoria independente. Nelson de Souza participou de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e falou que a conta final do rombo causado pelos negócios com Daniel Vaccaro é de R$ 8,8 bilhões. Ele afirmou ainda que o banco identificou que os negócios com Master põe na mão no total cerca de R$30 bilhões. Cerca de R$22 bilhões ficaram dentro do próprio BRB e cerca de R$2 bi não tem lastro nenhum, mas que a provisão final foi estimada em R$8,8 bilhões.

Neste momento aqui no DF ocorre uma sessão na Câmara Legislativa e está em pauta o projeto que autoriza o empréstimo de socorro ao BRB junto ao FGC. Nelson de Souza fez um apelo ainda para que a casa aprove hoje o acordo que foi homologado pelo STF entre a União e governo local para permitir a captação no mercado de R$6,6 bilhões e disse que a corrida por liquidez se acentua.

?Voz F

A divulgação ocorrerá tão logo sejam concluídos procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória exigido pelas normas aplicáveis. Estejam certos, a quem mais interessa divulgar o balanço é o próprio BRB, tendo em vista a corrida de liquidez que cada vez se acentua tendo em vista a não divulgação desses balanços.

?Voz 2

O presidente da comissão, senador Renan Calheiros, questionou Nelson de Souza sobre o valor de mercado do BRB e criticou esse acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal.

?Voz F

Como um banco que vale no mercado 3 a 4 bilhões tá fazendo um empréstimo homologado pelo Supremo Tribunal Federal de 6,7 bilhões? Dando o fundo de participação do Distrito Federal como garantia. Eu não entendo como é que o Supremo aprova um plano, um plano sem que o BRB publique o balanço de 2025.

?Voz 2

Nelson de Souza disse que além do empréstimo de cerca de R$6,6 bilhões para resolver o rombo do banco, o BRB espera levantar mais de R$2,2 bilhões com a securitização da dívida do GDF e que já receber uma parcela dessa operação no valor de R$1 bilhão. O presidente do BRB não soube responder às taxas do empréstimo que o GDF deve assumir para salvar o banco local. Ele disse apenas que o pedido feito é para que a taxa seja o IPCA mais de 4,5% ao ano, mas isso não foi fechado ainda. Volto com você.

?Voz B

Obrigada, Anne. De tudo isso depende a vida do BRB, né, Vera? Um banco público que em última instância pode ser liquidado.

VMVera Magalhães

Um banco público que vive essa situação dramática, que é o banco que gerencia a folha de pagamento do funcionalismo do governo do Distrito Federal. Ele também tem a maior parte das carteiras de crédito imobiliário de Brasília e das cidades satélites ali do entorno de Brasília. Então também sofreria um impacto brutal se fosse liquidado nesse campo do crédito imobiliário. Daí por que houve esse esforço? O senador Renan faz essas críticas não sem fundamento.

As críticas, elas têm razão de ser. Realmente, o que está se fazendo é fechar os olhos para essa situação esdrúxula em que o Banco vale ali uma, um tanto, e o que é preciso para salvá-lo é enorme, desproporcional. E que também tá adiando a publicação desse balanço porque que talvez o buraco seja ainda mais profundo do que se sabe até agora. Fato é que esse plano é um plano emergencial, todo mundo meio tapou o nariz e aceitou. O governo a princípio não queria, acabou tendo de ceder.

O Supremo Tribunal Federal avalizou com uma série de condicionantes. Uma delas é essa de que a Câmara Legislativa do DF, que equivale à Assembleia Legislativa dos estados, Tende a aprovar, e isso tá sendo feito hoje, a votação tá sendo hoje. Tem aí uma série de comprometimentos de receitas futuras do governo do Distrito Federal, do próprio fundo de participação do governo do Distrito Federal, como o senador Renan falou aí no áudio que a gente ouviu.

Vai impor um congelamento de salários, não pode realizar concursos públicos, portanto tem um torniquete fiscal legal que o governo do Distrito Federal vai ter de fazer, mas foi o caminho encontrado. Além disso, tem aí um acordo do GDF com o Banco Pactual para injeção direta de recursos para um alívio imediato para o BRB, que tá com a corda no pescoço. Então são muitas frentes para salvamento desse banco, e daí a gente vê o tamanho da fraude que foi perpetrada ali, né.

CCarol

E gente, falando da delação do Vôrcaro, que tá empacada por enquanto, né, tem uma informação nova de que a defesa do Vôrcaro incluiu informações sobre financiamento do Dark Horse, filme sobre o Jair Bolsonaro, e também sobre a relação com o senador Ciro Nogueira nessa nova proposta de colaboração premiada. Mais informações aqui do G1: Vôrcaro não trata os pagamentos para produção do filme como propina. Enfim, vamos ver se essa nova proposta aí vai ser aceita, porque por enquanto a percepção é de que não tem grande coisa, não tem muita novidade, não tem meios de prova também no que o Vorcário está disposto a delatar, né?

?Voz B

Deixa eu trazer aqui um ouvinte para participar dessa conversa, o Gilmar, do Rio de Janeiro. Ele diz o seguinte, pergunta o seguinte: Vera, será que o Vorcário tá enrolando e apostando na vitória da direita e por consequência na desestruturação do STF?

VMVera Magalhães

É uma aposta arriscada. Ele gosta de risco, né? A gente sabe que a história toda dele é de alguém que brincou com o risco e na maioria das vezes se deu bem. Parece tá fazendo aí alguns cálculos e jogando de novo sem lastro em muitas questões. A desestruturação do Supremo, ainda que a oposição vence, que isso venha a ser um projeto a ser buscado não é algo do dia para noite, leva tempo, vai ter reação do próprio Supremo, pode encontrar reação do Congresso, então é uma aposta de altíssimo risco.

O que me parece é que ele vai vendo se cola, ele joga uma coisa aqui, joga uma coisa ali, vê se é suficiente e aí vai fazendo uns PS. A questão do Dark Horse do Ciro Nogueira não pode ser um PS, ah, nossa, olha, esqueci, esquecendo de falar isso aqui. 'Oi, e aí só lembra depois que a própria Polícia Federal já descobriu.' Isso não tem propósito e ninguém é bobo. Os investigadores que negociam esse tipo de acordo não são idiotas.

Então a tendência hoje, por tudo que eu apurei, é que seja negada essa segunda tentativa de delação feita por parte do Daniel Vaccaro. Se ele agora, vendo que a corda tá apertando, Chegar e falar: "Não, gente, espera aí, tava esquecendo aqui umas coisas, deixa eu falar." Se isso vai adiantar, a gente não sabe. Muitas vezes é esse jogo de ver quem pisca primeiro, esse tipo de negociação. Pode ser que ele reabra trazendo fatos novos à mesa, mas o fato é que o que foi apresentado até aqui, mesmo nessa segunda tentativa, não pareceu satisfatório por parte nem do Ministério Público nem do TCU e nem da Polícia Federal.

?Voz B

E segundo a nossa colega Malu Gaspar, do Globo, o Forcaro tá pistola, hein, com essa possibilidade de não ter a delação homologada. E quem também, ainda de acordo com a Malu Gaspar, tá negociando uma segunda, tá numa segunda negociação de delação, é o ex-presidente do BRB, o Paulo Henrique Costa, que tá preso preventivamente desde 16 de abril. Ele tem feito escritos anexos dessa proposta na cadeia sem nem saber se vai ou não poder falar, né?

Mas enfim, também temos essa possibilidade. A gente faz agora uma pausa no Viva Voz. Na volta tem Thiago Bronzato, diretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília, para falar mais sobre a negociação de delação de Daniel Vaccaro.

VMVera Magalhães

Fica aí. Viva Voz de volta, 6 horas e 49. Quem tá com a gente na linha é o Thiago Bronzato, direto de Brasília. Ele que é diretor da sucursal do Globo na capital federal. Boa noite, Bronzato.

TBThiago Bronzato

Boa noite, Vera, Débora, Carol, e boa noite aos ouvintes.

?Voz B

Boa noite.

VMVera Magalhães

Thiago, a gente tava aqui falando sobre as dificuldades na delação do Daniel Vorcaro nessa segunda essa tentativa dele de fechar essa delação. E você vai trazer para gente mais bastidores dessa novela. Explica o que que tá pegando, porque que tá tão difícil de fechar essa delação.

TBThiago Bronzato

Olha, Vera, o banqueiro Daniel Vokar, ele nutria a expectativa de ver a Copa do Mundo no conforto de sua mansão, talvez degustando um bom whisky, quem sabe até fazendo uma noite dos astronautas para celebrar o hexa do Brasil.

VMVera Magalhães

Você entraria num bolão do Vôrcaro? Você apostaria no bolão do Vôrcaro?

TBThiago Bronzato

Só se fosse para tomar prejuízo, prejuízo consciente. Mas a realidade se impôs, né, e bateu a porta da cela do Vôrcaro, que ficou desesperadíssimo quando ele soube que a sua proposta de delação, a segunda tentativa, está prestes a ser rejeitada de novo pelos investigadores. Isso porque tanto a Polícia Federal como a Procuradoria-Geral da República têm dado sinais de que devem descartar o segredo de Vaccaro, porque o banqueiro tá relutante em revelar fatos novos que vão além do que a investigação já descobriu.

E aí não tem papo com os investigadores, né, porque eles estão avaliando que o Vaccaro continua jogando poker com a sua proposta de delação premiada. A primeira tentativa dele foi considerada fraca justamente porque ele insistia na ideia de que pagou hotéis, festas, apartamentos, mesadas e até contratos milionários de advocacia por uma pura relação de amizade. Esse papo não colou e o Vaccaro foi transferido de cela. Preocupado com o que poderia acontecer com seu destino, ele demitiu o advogado dele, fez uma nova proposta de acordo de colaboração premiada.

Nos bastidores aqui de Brasília, a defesa do Vaccaro falava que agora essa proposta irrecusável. Só que não foi bem assim, velho. Os investigadores receberam a proposta, analisaram, e até o momento eles estão considerando que essa proposta é tão recheada quanto pastel de vento. Ou seja, não tem nada novo, é mais do mesmo. E mais do que isso, o Vocário está insistindo na ideia de que tudo é uma questão de amizade, que não teve nenhuma contrapartida política em relação aos seus negócios.

E ao insistir nessa estratégia do se colar color, É nítido que o Vaccaro, ele tenta ganhar mais tempo para apostar que algum momento alguém ou alguma decisão divina pode reverter a sua prisão. Não é uma expectativa tão absurda para quem passou anos investindo em relações com políticos poderosos, e também para quem viu outras relações naufragarem no Supremo Tribunal Federal.

?Voz B

A polícia tá achando, Polícia Federal, PGR, tá achando que ele tem um royal flush. E tá escondendo o jogo, né, que é a sequência mais alta do pôquer. Agora, Thiago, o que que muda se essa proposta de delação do Vaccaro foi rejeitada de novo?

TBThiago Bronzato

Olha, Débora, se a segunda proposta de delação do Vaccaro foi rejeitada, muda muita coisa, porque a cada operação da PF, a cada quebra de sigilo e a cada cooperação internacional, a delação do Vaccaro vai perdendo valor de mercado, né? E quanto mais a investigação avança sozinha, menor fica a utilidade do banqueiro como colaborador. E quanto mais esquemas vêm à tona, maiores podem ser as penas, as multas e os custos de uma negociação tardia para ele, né?

Além disso, tem outros possíveis delatores que querem ocupar esse espaço na mesa do poker, na mesa de negociação. O Paulo Henrique Costa, que é o ex-presidente do Banco de Brasília, tá aquecendo ali na beira do gramado, esperando uma oportunidade para entrar em campo, contar tudo que ele sabe. E ele disse que tá disposto a revelar novos segredos, já escreveu os principais capítulos ali da sua delação na prisão, mas até agora não foi chamado para os investigadores para conversar.

A colaboração do ex-presidente do RB está sendo mantida em banho-maria justamente porque a Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, estão definindo o que elas devem fazer com a proposta de Volcar. Em outros momentos da história, Débora, a gente viu que quando se trata de delação premiada, quem entrega primeiro costuma receber o melhor benefício e quem chega depois pode perder essa promoção. E perder a promoção pode custar muito caro para o Forcado, que pode ser inclusive transferido para Papudinho.

CCarol

Agora, Bronzato, a Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do Banco Master, né? Então agora a empresa liquidante do Master pode ser representante oficial do banco no país, com poderes para investigar os ativos, eventualmente esses ativos para pagamento dos credores, né?

TBThiago Bronzato

Isso complica ainda mais a situação do Pois é, Carol, a decisão da Justiça de Ramos de reconhecer a liquidação do master é bem importante porque autoriza a busca por dinheiro escondido no exterior. E uma das principais moedas de troca de Wauquiez na proposta de delação premiada era justamente entregar aos investigadores todo o mapa dos recursos que transitaram fora do Brasil. E se o Estado brasileiro começa por conta própria a descobrir esse caminho, vou Volcar pode perder o poder de barganha em sua delação.

E porque aí não precisa mais do banqueiro entregar ali o mapa do tesouro, né, de onde ele escondeu os recursos desviados dos esquemas que ele fez aqui no Brasil. E com essa decisão da Corte de Bahamas, essa empresa destacada pelo Banco Central para levantar os ativos do Master no exterior para reparar os prejuízos causados pelo banqueiro ganha poderes para descobrir quais bens e contas o Volcar utilizava no no exterior. Isso gerou, de certa forma, apreensão aqui em Brasília, porque os investigadores apuram se houve pagamento de propinas no exterior.

A Polícia Federal investiga se Volcar utilizou, por exemplo, uma ampla rede de fundos e empresas sediadas em paraísos fiscais para esconder recursos que eram desviados de fundos de previdências nos estados. E há também, Carol, a suspeita dos investigadores de que o Volcar teria mais de 1 bilhão de dólares aplicados em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Toda essa bolada dá uma dimensão do quanto as amizades de Volcarem e Brasília eram tão valiosas a ponto de banqueiro fazer tanta questão de preservá-las em sua delação premiada.

VMVera Magalhães

É, e essa coisa que você falou, que tem gente ali aquecendo para entrar no gramado, né, ou na mesa de carteado, é, essa questão pode complicá-lo ainda mais, né, Tiago? Porque se o ex-presidente do BRB entregar alguma coisa em relação ao próprio Volcário, isso pode acabar agravando a pena dele, né?

TBThiago Bronzato

É, Vera, e vai ficando cada vez mais difícil pro Volcário, porque ele já tentou uma vez, já tentou a segunda, e ainda agora vem o Paulo Henrique, entrega fatos novos, começa a estreitar margem de negociação, né? Vai diminuindo também o poder de barganha do Daniel Volcário. E paralelo a isso tem as investigações que estão em andamento, né? Tanto as investigações aqui no Brasil revelando as conexões políticas do Vaccaro e os seus esquemas ali fraudulentos, como também essa busca por ativos no exterior.

Então o Vaccaro vai caindo no labirinto e fica cada vez mais difícil de ele encontrar o caminho para ele sair da prisão.

VMVera Magalhães

Exatamente. Tiago Bronzato com a gente todas as terças e quintas. Obrigada por hoje, até quinta-feira.

TBThiago Bronzato

Até quinta-feira, uma boa noite.

VMVera Magalhães

Boa noite.

?Voz B

Valeu, Bronzato. Ó, você não vai entrar no bolão do Vaccaro, mas se quiser entrar no nosso bolão da Copa Eu aqui, viu, a gente é, a gente faz tudo direitinho.

TBThiago Bronzato

De 1 bilhão de dólares, né?

?Voz B

Valeu, Bronzato, até! Igor Cardim tem mais informações sobre as discussões da PEC contra a escala 6 por 1. Oi, Igor!

?Voz 3

Oi, Débora, boa noite para você, para Vera, para Carol, os ouvintes. Pois é, o presidente da Câmara, o deputado Hugo Mota, pediu ao governo federal que retire o regime de urgência daquele projeto de lei que tramita, que trata do fim da escala 6 por 1. De acordo com o presidente, esse pedido foi feito durante uma reunião com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, hoje cedo. Ele disse que essa medida trava a votação das propostas legislativas aqui na Câmara uma hora, que restringe também os trabalhos no plenário.

Eles só podem votar projetos como projetos de decretos legislativos, por exemplo, ou ações da própria mesa diretora. O tema foi discutido então por Mota e José Guimarães e levado até a reunião de líderes no início da tarde. Mota afirmou que o governo ainda não decidiu se vai atender a este pedido e que o projeto enviado para regulamentar pontos da proposta que já foi aprovada no plenário da Câmara dos Deputados, aquela PEC que prevê 2 dias de folga por semana ainda neste ano e reduz gradualmente a jornada de trabalho de 44 para 40 horas em até 14 meses após a conclusão da tramitação lá no Senado, onde Davi Alcolumbre ainda deve dar o rito ali desta proposta lá no Senado.

E aí hoje cedo também, cerca de 3 mil entidades empresariais divulgaram manifesto contra a imposição da jornada de 5 dias de trabalho por 2 de descanso. O grupo, que representa 90% do PIB do país, pede que os senadores aprovem outra proposta, a PEC do Trabalho Flexível, que é apresentada pelo líder da oposição, o senador Rogério Marinho. O texto prevê que o empregado possa escolher uma jornada de horas flexíveis de acordo com a própria realidade, com pagamento de direitos constitucionais proporcionais ao tempo de trabalho trabalho e com a garantia de que o valor da hora não seja menor que o salário mínimo ou piso da categoria.

E aí, mais cedo também, o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, disse que tá em busca de apoio e também se reúne nesta semana aqui no Congresso Nacional com lideranças para apresentar esta proposta, que é apoiada tanto pela Fiesp quanto por outras entidades empresariais.

KLKaren Lemos

Carol, obrigada.

VMVera Magalhães

É isso, gente. Não tem muito sentido a manutenção dessa urgência, uma vez que a PEC já passou, já tá lá no Senado. E realmente, se você tem um projeto com urgência constitucional, ele trava a pauta toda, não deixa mais nada andar. O pedido do presidente da Câmara me parece bastante razoável.

?Voz B

Muito bem, amanhã tem mais Viva a Voz. A gente se despede por hoje.

VMVera Magalhães

Beijo, Vera.

CCarol

Beijo, gente, até amanhã.

VMVera Magalhães

Tchau, tchau, Vera.

'Tendência é que segunda tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro seja negada' | Castnews Index — Castnews Index