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Lula abre vantagem de 6 pontos sobre Flávio Bolsonaro, aponta Genial/Quaest

10 de junho de 20268min
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A pesquisa Genial Quaest divulgada, nesta quarta-feira (10), mostra que o presidente Lula abriu vantagem de 6 pontos sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O levantamento mostra que o petista está com 44% das intenções de voto contra 38% do adversário. Ouça a análise de Vera Magalhães.

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Participantes neste episódio2
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos3
  • Pesquisa Genial/QuaestLula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro · Intenções de voto · Lula · Flávio Bolsonaro · Caso Master · Interferência de Trump na eleição · Medidas adotadas pelo governo Lula · Eleitores independentes
  • Polarização EleitoralDecisão de segundo turno no primeiro · Candidatos nanicos · Rejeição a Lula e Bolsonaro · Síndrome de Estocolmo
  • Candidatos de direita/terceira viaFalta de propostas · Incapacidade de diferenciação · Falta de crítica a Bolsonaro · Falta de coragem
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VMVera Magalhães

Viva Voz com Vera Magalhães. E aí, Vera?

CACarlos Alberto Sardenberg

Oi, Sardenberg, boa tarde para você e para Cássia, para os ouvintes e para quem assiste vocês hoje um pouquinho mais tarde. Boa tarde, Vera.

VMVera Magalhães

Agora o assunto é a pesquisa Quest, que saiu hoje e claramente beneficiou Lula. E os dados mostram uma queda da preferência por Flávio Bolsonaro. E a pesquisa, como você disse, detalha ponto por ponto, né, o impacto nas candidaturas. O que que você destaca agora, Vera?

CACarlos Alberto Sardenberg

Sardenberg, a gente tinha nesses últimos, nessas últimas semanas, né, desde a última pesquisa da Quest um noticiário muito carregado e com notícias muito ambíguas e cujo impacto poderia ser tanto negativo quanto positivo, a depender da leitura que o eleitor fizesse. Eu acho que por isso o questionário da Quest foi, de longe, o mais detalhado que eu já vi, esmiuçando cada um dos casos que tinham um potencial de percepção ambígua.

Como a questão da ida do Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, que poderia ser tanto um atenuante para o desgaste do caso Master como um fator de agravar a situação do candidato do PL. E também as medidas adotadas pelo Lula, que poderiam ter impacto ou ser um tiro na água, ou ser percebidas como meramente eleitoreiras e, portanto, agravar o seu desgaste. E o Lula, talvez num golpe de sorte, pelo qual é um atributo pelo qual ele é famoso, acabou capitalizando todas essas notícias, as três: caso da Archi Horse, interferência do Trump na eleição e medidas do governo.

Na varredura que a Quest fez em todos esses cenários, o substrato é favorável para o presidente. Tanto é que ele abre 6 pontos de vantagem, aliás, 8 em relação ao Flávio Bolsonaro no segundo turno e 10 pontos no primeiro. Então tem um fôlego que ele não vinha tendo desde o início do ano, né? Não chega ainda aos índices do segundo semestre do ano passado, quando ele tava bem melhor, tanto em avaliação quanto em intenção de votos, Lula, mas se distanciou do seu principal oponente.

Quando o eleitor é confrontado com as medidas do governo, ele tem conhecimento da maioria delas e as considera positivas mesmo quando não se beneficia delas, o que é um fator aí que explica talvez a melhora do Lula mesmo entre aqueles que não são beneficiários de programas do governo. Fica claro ali quando se pergunta: você vai se beneficiar da medida? Nem sempre a pessoa diz que sim, mas ainda assim ela avalia as medidas de forma positiva.

E ele melhora em segmentos que são importantes para eleição e nos quais ele não vinha bem, entre eleitores que se dizem ideologicamente independentes e nas regiões Sudeste, aquela que é crucial para eleição, e Centro-Oeste barra Norte, onde ele perdia antes de lavada por Flávio Bolsonaro, e agora experimenta uma recuperação relevante. Então são muitas boas notícias para ele, enquanto a oposição corre muito, colhe muitas más notícias.

O Flávio, pelo desgaste para ele do caso Master e das intervenções do Trump, e os outros pré-candidatos da direita também Leva um balde de água fria, porque mesmo com essas más notícias por Flávio Bolsonaro, eles não se beneficiam minimamente. Pelo contrário, eles minguaram na intenção de voto, tanto no primeiro turno quanto no segundo.

VMVera Magalhães

Agora, Vera, isso que eu ia perguntar, quer dizer, se o Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro perde votos, perde preferência, para quem vai essa preferência?

CACarlos Alberto Sardenberg

Vai para o não sabe, cresceu, né, Sardenberg?

VMVera Magalhães

O Lula cresceu com eleitor independente, seria isso? O Lula cresceu com eleitor independente.

CACarlos Alberto Sardenberg

Ele é pêndulo, né? Isso, o independente ele pode ir para um lado e outro. É difícil você imaginar que alguém vai migrar entre o Flávio Bolsonaro e o Lula, mas numa eleição altamente polarizada, e a eleição vai ficando mais polarizada à medida que os meses passam, é, a decisão parece uma decisão de segundo turno já no primeiro, porque as pessoas não migraram para Renan Santos ou Caiado ou Romeu Zema. Elas acabam reforçando a sua preferência por um dos dois e dizendo que, no caso desses dois, a sua decisão está tomada.

É engraçado isso, porque os candidatos nanicos são aqueles que têm menos certeza de voto. Quando o eleitor os poucos que dizem que vão votar no Ronaldo Caiado, que são 3% nessa pesquisa, perguntou: seu voto é certeza? 65%, ou quase isso, dizem que ainda podem mudar. Então quer dizer, mesmo os poucos que estão estacionados ali nesses candidatos ainda não tem segurança que eles estão para valer, que eles têm chance e que eles vão para frente.

Isso significa que a decisão, a eleição tá decidida? Não, porque a rejeição do Lula é altíssima, segue autismo. É o que mexeu um pouco e vem mexendo nos últimos meses, é que agora a rejeição à família Bolsonaro supera um pouco, na margem de erro, a eleição ao Lula. Então quer dizer, a pessoa rejeita os dois, mas ainda assim tá presa a uma espécie de síndrome de Estocolmo, que tem que, quer ter que decidir entre esses dois.

VMVera Magalhães

É, quer dizer, em outras palavras, confirma a polarização E mostra que todo o ambiente aí recente acabou favorecendo o Lula, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

Favoreceu o Lula. O ceticismo ainda é grande, ninguém acha que ele é maravilhoso, a rejeição tá enorme. O quadro pode mudar no decorrer da campanha. Esse eleitor independente parece estar flutuando entre os dois cenários, mas ninguém enxerga outra opção que não sejam esses dois. E eu acho que para isso, e aí entra um pouco a minha coluna de hoje no Globo, contribui o fato de que esses outros candidatos da direita não disseram a que vieram até agora.

Não apresentaram uma ideia, não conseguem se diferenciar da direita bolsonarista, não conseguem fazer uma crítica ao Flávio Bolsonaro, mesmo quando a pesquisa mostra que o eleitor tem sérias restrições ao que aconteceu nas últimas semanas. E sem coragem não se vai a lugar nenhum. Então, o que eles escolhem é o resultado disso: são candidatos que não são percebidos como viáveis pelo eleitor.

VMVera Magalhães

Exatamente. Vera Magalhães, obrigado, Vera. Até amanhã.

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