Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

'A Marcha é para Jesus, mas Jesus acaba sendo o menos lembrado'

04 de junho de 20268min
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Em tom de campanha, Flávio Bolsonaro falou sobre 'guerra espiritual' durante a Marcha para Jesus em São Paulo nesta quinta-feira (4). Confira a análise de Vera Magalhães sobre o debate político em meio ao evento religioso.

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Participantes neste episódio2
V

Vera Magalhães

HostJornalista
N

Nadedja

Co-host
Assuntos2
  • Evangélicos e PolíticaFlávio Bolsonaro em campanha · Guerra espiritual e eleitoral · Eleitorado evangélico e PT/Lula · Uso político da fé e da Bíblia · Apropriação do evento por políticos · Jorge Messias e André Mendonça · Caso Master · Crítica ao proselitismo político em cultos
  • Relação entre cristianismo e políticaMarcha para Jesus como palco político · Comportamento eleitoral coeso do eleitorado evangélico · Discurso de Flávio Bolsonaro · Comparação com Judas Iscariotes · Crítica de ouvintes ao uso político da Marcha · Diferença entre denominações evangélicas
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?Voz B

Viva Voz com Vera Magalhães. Vera Magalhães, boa tarde, Vera.

VMVera Magalhães

Oi, Nadé, boa tarde para você, para os ouvintes também, para quem tá assistindo o CBN Brasil nesse feriado.

?Voz B

Vera, nossa reportagem hoje o dia inteiro acompanhando a Marcha para Jesus aqui em São Paulo, um evento importante do nosso calendário, né, porque o Brasil tem uma comunidade cristã muito grande, mas que no geral, e principalmente em ano de eleição, também já virou um palco de agendas políticas, né.

VMVera Magalhães

Exatamente, Nadedja. Cada vez mais a Marcha para Jesus, pelo tamanho que ela adquiriu, né, e principalmente em São Paulo, mas também em outras cidades do país, e pela força que o eleitorado evangélico vem demonstrando em eleições, né, elegendo bancadas ligadas a essa pauta, contribuindo também para eleições de candidatos no plano majoritário, né, tanto prefeitos como governadores, e tendo um comportamento eleitoral coeso na eleição presidencial.

Então, por todas essas razões, esse evento virou um palco de grande visibilidade para políticos, principalmente para políticos do campo conservador, do centro à direita. E hoje não foi diferente, né? O evento em São Paulo foi marcado pela presença do pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, que estava acompanhado do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas e fez um discurso de campanha, né? Ele começou dizendo que estava lá como cristão e não como candidato a presidente, mas toda a fala dele subsequente foi calcada na disputa eleitoral, inclusive querendo dar um caráter de guerra religiosa à disputa eleitoral.

Falando que é uma guerra mesmo espiritual, dizendo que é preciso orar para o Brasil e dar uma resposta ao mal, que seria expulsão do mal do governo do Brasil nesse ano. Portanto, vencer o presidente Lula na eleição teria esse caráter aí de guerra religiosa. A gente sabe que o eleitorado evangélico é majoritariamente é avesso ao PT e ao Lula. As pesquisas mostram isso muito fortemente. Quando você faz o recorte por segmentos e faz o recorte por religião, é um dos desempenhos piores do presidente e do PT se dá entre os evangélicos.

E isso vem piorando ao longo dos anos. Já foi um tema da campanha de 2022 porque havia lá uma profusão de notícias espalhadas em templos e redes sociais de que o PT de alguma maneira penalizaria igrejas evangélicas. Obrigou Lula a fazer uma carta aos evangélicos na ocasião, mas isso não melhorou nesses 4 anos. Inclusive, acho que até se intensificou um pouco, e provavelmente esse vai ser um tema presente na campanha, até pela força da família Bolsonaro entre os evangélicos, também com a primeira-dama Michele Bolsonaro, que por sua vez não se dá tão bem com o enteado, que é o candidato a presidente, mas que é um cabo eleitoral importante junto a esse público, né, Dede?

?Voz B

Vera, eu ri bastante aqui vendo a cobertura do portal Metrópolis, que entrevistou o Jorge Messias, que seria, né, o ministro terrivelmente evangélico se tivesse entrado lá. E aí ele foi questionado sobre estar no mesmo trio elétrico que o Flávio e disse que Jesus juntou vários apóstolos na mesma mesa, incluindo Judas Iscariotes, que traiu Jesus Cristo. Eu achei engraçadíssimo, embora a intenção tenha sido espiritual, né, não espirituosa.

VMVera Magalhães

A intenção provavelmente foi política mesmo, né, porque a marcha é para Jesus, mas Jesus acaba sendo o menos lembrado realmente, sinceramente, nesses eventos. Nele serve de pretexto para que cada um utilize a fé e utilize a Bíblia e utilize os versículos e etc. ao seu bel prazer, de acordo com a sua conveniência política. Mas não deixa de ser significativo que esse trio elétrico tenha juntado pessoas tão discrepantes assim, inclusive o Jorge Messias e o André Mendonça, que é o que atualmente tá com o caso Master, e o caso Master respinga de alguma maneira no próprio Flávio Bolsonaro, e também tava lá em cima do trio elétrico, né.

?Voz B

E para terminar, Vera, eu sei que para muitos eleitores é importante, né, verificar se o seu potencial candidato compartilha da mesma fé, mas eu também tenho recebido algumas mensagens de ouvintes que são cristãos e que não gostam desse uso da Marcha para Jesus. A gente sabe que é um evento antigo, que é importante, que tem sido apropriado, sequestrado, a palavra que se queira usar, por algumas figuras políticas, mas ele é independente disso.

E com algumas pessoas, pegando aqui pela amostra dos nossos ouvintes, pega até mal, porque eles não acreditam nessa intenção cristã quando essas figuras políticas comparecem ao evento.

VMVera Magalhães

Exatamente, porque por mais que alguns deles de fato professem a "fact is done" ao longo do ano e como uma coisa da sua vida, muitos acabam se convertendo ou até fazendo uso desse tema religioso por conveniência puramente político-eleitoral. E tem muita gente que realmente não gosta disso e muitas denominações evangélicas, principalmente as mais tradicionais, né, diferentemente das neopentecostais, que evitam essa apropriação, que evitam que os templos e cultos sejam usados para proselitismo político e não gostam disso.

Aí sempre os políticos tentam fazer esse disclaimer: "Não, não, estou aqui como cristão e não como político", mas em seguida descambam para o tratamento político mesmo. A gente tem visto que alguns fazem isso abertamente, né, a pregação de você votar em políticos evangélicos e fazer bancadas evangélicas, etc. É o caso do Silas Malafaia, do Marco Feliciano, de tantos outros. Mas existe realmente essa parcela grande do público evangélico que não gosta dessa associação, mas que tá cada vez mais tendo de conviver com ela.

?Voz B

Perfeito. Vera Magalhães, muito obrigada. Vera, boa tarde para você, até mais.

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