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Tarifaço: 'o que poderia ser ganho político pode se transformar em revés para o PL e Flávio Bolsonaro'

02 de junho de 20268min
0:00 / 8:18
Vera Magalhães analisa a escalada de tensões políticas em torno da possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo a comentarista, o episódio provocou uma troca de acusações entre governo e oposição, e aliados da família Bolsonaro passaram de uma leitura positiva de aproximação com o governo norte-americano para um cenário de desgaste.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
V

Vera Magalhães

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • Tarifas dos Estados UnidosComparação com partida de futebol · Celebração do encontro com Donald Trump · Classificação de facções criminosas como terroristas · Anúncio de tarifas de 26% sobre produtos brasileiros · Investigação de mais de um ano pelo governo americano · Dificuldade de derrubar o tarifácio na justiça · Prejuízos às exportações brasileiras · Acusações de Lula a Flávio Bolsonaro
  • Polarização EleitoralTemor na campanha de Flávio Bolsonaro · Crise por dia desde o caso Master · Rótulo de prejudicar o Brasil · Eleição disputada e tensa · Polarização inabalada · Guerra encarniçada · Eleição violenta e agressiva
  • O Papel do Centrão na Política BrasileiraGoverno americano como player na disputa brasileira · Forma unilateral e voluntarista de Donald Trump · Inflexão do governo Trump contra interesses brasileiros · Reunião de Flávio Bolsonaro com Marco Rubio · Reunião com J.D. Vance
  • Conversa Flavio Bolsonaro e Daniel VorcaroNarrativa de pedir o contrário · Dificuldade em encaixar a narrativa · Axioma de Ricúpero
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?Voz C

Viva Voz com Vera Magalhães. E aí, Vera?

?Voz D

Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para cá, se a pros ouvintes também, para quem nos assiste. Boa tarde, Vera.

?Voz C

Quem nos assiste, pois Vera está em áudio e vídeo. Bom, o assunto são as tarifas, Vera. Teve toda uma repercussão política. O Lula falou, Alckmin falou, Flávio Bolsonaro falou, Zema, Caiado, todos então uns botando a culpa nos outros.

?Voz D

É, parece uma daquelas partidas de futebol em que sai gol de um lado e no contra-ataque já sai gol de outro, né, Sardenberg? Porque até semana passada Família Bolsonaro tava celebrando o encontro com Donald Trump porque dele teria resultado a decisão de classificar as facções criminosas brasileiras como grupos terroristas, como teria pedido o Flávio Bolsonaro. E aí, menos de uma semana depois, vem a notícia adicional de que o governo brasileiro resolveu anunciar para a partir de julho indicar a aplicação de tarifas de 26% Americano, desculpa, sobre produtos brasileiros, com uma lista enorme de exceções a produtos, mas enfim, um tarifácio de 25% por práticas comerciais consideradas irrazoáveis pelo governo Donald Trump.

E aí o Flávio diz: "Não, mas esse não fui eu que pedi, esse daí eu pedi para ele não fazer." E o governo Lula aproveita para embalar tudo no mesmo pacote e dizer que os filhos do Bolsonaro trabalham com outro Brasil, trabalharam com outro Brasil naquela questão do terrorismo que prejudicaria as empresas brasileiras e trabalharam com outro Brasil na imposição desse tarifácio que já está sendo chamado pelo PT de tariflávio. Então aquilo que poderia ser um ganho político para o PL, para o Flávio Bolsonaro, pode se transformar num revés bastante significativo, porque esse novo tarifácio decorre de uma investigação de mais de um ano determinada pelo governo americano com base na Seção 301 da Lei Comercial Americana e, portanto, é mais difícil de derrubar na justiça do que era o tarifácio do ano passado, aquele de 50%.

Então, pode causar mais prejuízos às exportações brasileiras. E o Lula deu tom-tom bem duro, mais duro do que esse que a gente ouviu agora do Geraldo Alckmin na reportagem da Rainha Veloso. Ele que tá em Catalão, lá em Goiás, e chamou Flávio Bolsonaro de imbecil e disse que os filhos do Bolsonaro são vendilhões da pátria, piores que o pai, e que foram até os Estados Unidos trair o Brasil e pedir punições ao Brasil, que não são sanções para ele, Lula, que é um prejuízo para o povo brasileiro, para as empresas brasileiras e para o agronegócio.

Então ele fez questão de falar povo brasileiro, empresas e agronegócio, esses dois últimos, dois setores que estão majoritariamente com o Flávio Bolsonaro. Então tem um temor na campanha do Flávio, que tá vivendo ali, né, de afogadilho, de uma crise por dia praticamente, desde a revelação do caso Master. De que isso aí cole, de que essa história de Tariq Flávio cole e que fique pregado no filho do Bolsonaro o rótulo de que foi aos Estados Unidos para prejudicar o Brasil, prejudicar os negócios brasileiros.

Então aquilo que na semana passada era um trunfo, nessa semana vai se revelando aí um mico, um revés para eles administrarem. É impressionante como tem uma crise por semana aparecendo, né, Vera? Essa eleição já seria bastante disputada, bastante tensa, tumultuada, imprevisível, e esses contornos só vão se acentuando a cada semana, Cássia, porque à medida que fica evidente que mesmo com todas essas, com todos os problemas que existem dos dois lados, né, desgastes que existem de dois lados, rejeições que existem dos dois lados, a polarização segue meio inabalada, isso vai se tornando uma guerra meio ali encarniçada, em que os dois lados vão subir muito o tom, vão elevar antes da hora o volume ali das críticas de lado a lado, e a gente tende a ter uma eleição sim bastante violenta e bastante agressiva de parte a parte.

E com esse componente do governo americano sendo um player na disputa brasileira, algo que não é comum, não é indicado, mas que faz parte da maneira como Donald Trump lida com as questões internacionais, né, de forma unilateral, voluntarista. Muitas vezes em zigue-zague, porque ele parecia que estava estabelecendo uma boa relação com o governo brasileiro, elogiou o Lula em algumas ocasiões, mas agora voltou a carregar nas tintas em relação ao Brasil.

O governo brasileiro atribuindo muito à figura do Marco Rubio essa inflexão de novo, né, do governo Trump contra os interesses brasileiros. Lembrando que o Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estiveram em reunião separada com o Rubio dessa vez, da semana passada em que o Flávio esteve nos Estados Unidos. Então eles tiveram reunião com o Trump, com o Rubio e com o J.D. Vance. E agora o governo brasileiro vai fazer questão de vincular a essa ida do Flávio, a essa conversa com o Marco Rubio, a decisão de sancionar de novo os produtos brasileiros com tarifas.

?Voz C

É, e o Flávio já está respondendo a isso, né, dizendo que ele conversou com o J.D. Vance e com o Marco Rubio para pedir que não se aplicasse as tarifas ao Brasil.

?Voz D

Exato. E aí aquela coisa, né, quando a coisa é boa, é quase o axioma de Ricúpero: quando é bom a gente fatura, quando é ruim a gente esconde. Então a coisa do terrorismo, ele quer dizer que ele pediu e atenderam, e a outra ele pediu ao contrário fizeram ao contrário. Não faz muito sentido, né? Se você vai para uma reunião e você fala que você tem boas relações e que, portanto, o governo está alinhado com o que você pensa, é de se imaginar que ele faz aquilo que você pede em todas as áreas.

Então é um discurso frágil esse de eu pedir uma coisa, mas pedir o contrário em outra. Fica ali uma dificuldade adicional para o Flávio Bolsonaro poder encaixar Essa narrativa.

?Voz C

Vera Magalhães, obrigado, Vera. Certamente voltaremos ao assunto.

?Voz D

Obrigado, Vera.

?Voz C

Até amanhã.

?Voz D

Até amanhã. Bom jornal para vocês. Até mais tarde.

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