Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Novo tarifaço dos EUA soa como ameaça ao Brasil e acirra disputa de narrativas políticas

02 de junho de 202643min
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Enquanto Lula tenta associar o tarifaço à atuação da família Bolsonaro, Flávio busca reforçar a imagem de interlocutor de Donald Trump e se desvincular dos efeitos negativos da medida. No Viva Voz, Vera Magalhães analisa como a crise pode influenciar a corrida eleitoral e o posicionamento de candidatos fora da polarização.

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Participantes neste episódio4
V

Vera Magalhães

HostJornalista
I

Igor Cardim

Reporterjornalista
S

Samanta Klein

ReporterJornalista
T

Thiago Bronzato

ConvidadoDiretor da sucursal do Jornal Globo em Brasília
Assuntos4
  • TVP e TEPProposta de tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras · PIX · Desmatamento ilegal · Pirataria · Falha na aplicação de leis anticorrupção · Lista de exceções (carne, café, aeronaves, terras raras) · Audiências públicas para defesa do Brasil · Lei da reciprocidade econômica
  • Comércio Internacional e TarifasLula acusa família Bolsonaro · Flávio Bolsonaro busca se desvincular · Flávio Bolsonaro e Donald Trump · Marco Rubio · Relação Lula-Trump · Críticas de Tarcísio de Freitas · Reações de Romeu Zema e Ronaldo Caiado · Hashtag #TareFlávio
  • Impacto Político da Taxa das BlusinhasPolarização eleitoral · Candidaturas auxiliares do bolsonarismo · Percepção do PIX pelo eleitorado · Reação de Flávio Bolsonaro à fala de Lula · Interferência dos EUA na eleição brasileira
  • Classificacao Faccoes TerroristasPCC · Comando Vermelho · Impacto no governo brasileiro
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?Voz B

Viva a Voz com Vera Magalhães.

?Voz C

Vera Magalhães, boa noite, tudo bem?

?Voz D

Oi, Débora, boa noite para você, para Carol, para os ouvintes, para quem nos assiste.

?Voz E

Oi, Vera, boa noite.

?Voz C

Quem falou que a semana de feriado ia ser tranquila? Amanhecemos com a informação de que Estados Unidos, Estados Unidos concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que oneram ou restringem o comércio com os americanos. Entre essas práticas estão o PIX, desmatamento ilegal, pirataria, falha na aplicação de leis anticorrupção. E como resultado da investigação, os Estados Unidos propuseram aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.

A tarifa ainda não está valendo. Samanta Klein tem informações ao vivo sobre a repercussão dessa notícia em Brasília, do governo do presidente Lula, aliás, e também de Flávio Bolsonaro, senador pré-candidato à presidência Presidente da República, que esteve reunido com Donald Trump na semana passada. Oi, Samanta.

?Voz F

Débora, Vera, Carol, boa noite. Aí, de fato, a repercussão ela é grande, isso em todos os poderes. Mas vamos começar aí pelo presidente Lula, que fez uma correlação direta entre a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras e a família Bolsonaro. Num evento em Catalão, em Goiás, ele afirmou que os filhos do ex-presidente conseguem ser piores que ele, classificou os filhos como vendilhões da pátria, que foram pedir para que um país estrangeiro se intrometa nas decisões do Brasil, e disse que o senador Flávio Bolsonaro é um imbecil.

?Voz G

Ele hoje foi dizer que não falou nada. Ele falou, ele foi pedir arrego, foi dar porra Trump.

?Voz B

Trump, dá uma porrada no Lula, tache o Lula, porque o Lula vai ganhar dele em 2022.

?Voz G

Deixa prejudicar o Lula. Imbecil, ele não sabe que ele não vai me prejudicar, o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro.

?Voz F

Mais cedo, numa entrevista à rádio Itatiaia, o senador afirmou que tinha pedido ao presidente Donald Trump para poupar as empresas do Brasil em relação ao tarifácio. Já Lula rebateu, disse ter combinado com o presidente norte-americano um prazo de 30 dias para resolver as pendências ativas aquela investigação da Seção 301, que trata de bens como Pix e propriedade intelectual. O senador Flávio divulgou um vídeo em que atribuiu a possibilidade dos Estados Unidos aplicarem novas tarifas contra os produtos exportados pelo Brasil ao que classifica como um tom agressivo do presidente Lula.

E também aproveitou para afirmar ter enviado uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após a publicação então desse relatório do governo americano que propõe essa taxação de 25%. No texto, Flávio agradece a decisão de classificar as facções como terroristas, organizações terroristas, no caso PCC e o Comando Vermelho, mas reforçou aí um pedido de tratar as empresas brasileiras de forma diferente. Disse que essa taxação traria problemas numa economia que já tem muitos endividados, empresas em renegociação, ou até buscando a justiça e disse então que o ideal seria que não ocorresse esse novo tarifácio.

?Voz C

Com vocês. Obrigada, Samanta, pelas informações. O governo americano deixou alguns itens de fora, uma lista de exceções, né, Vera? Produtos que são considerados estratégicos. A gente tá falando aqui de carne, café, aeronave, terras raras. Enfim, fazem parte da lista de exceção dessa possível taxação. Serão realizadas audiências públicas em que o Brasil vai poder apresentar aí a sua defesa, o seu contraponto. Mas de qualquer forma estabelece-se uma nova cruzada para evitar essas tarifas.

Quais são as consequências? Quais podem ser as consequências econômicas e político-eleitorais, né, de novas tarifas?

?Voz D

Pois é, eu acho que por enquanto a gente tá mais no terreno da repercussão político-eleitoral, Débora, porque as econômicas ainda dependem de uma série de circunstâncias. Parece que o governo americano tá mais fazendo uma ameaça ao Brasil, tentando obter alguma concessão do governo brasileiro nesse prazo que vai até julho. E as concessões podem ser em diferentes áreas, de minerais críticos e terras raras até alguma concessão em termos de recuo no uso do PIX, que eles devem imaginar que é possível, mas que a gente, estando no Brasil e sabendo como o PIX está absolutamente disseminado e enraizado na economia brasileira, sabe que é impossível retroceder no uso dessa ferramenta bancária aqui no Brasil.

Então, me parece que o governo americano foi com tudo para cima porque sabe que isso é sensível do ponto de vista político, imaginando obter alguma concessão do ponto de vista ali da negociação diplomática entre os dois países. Para que haja alguma vantagem para as empresas e para a lógica americana nessas coisas com as quais eles estão de implicância, porque é uma implicância, uma birra ali. O Brasil não faz frente às empresas e aos negócios americanos, a gente é deficitário na balança comercial com os Estados Unidos.

É obviamente uma pressão de alguém, de um país, de uma potência que quer ainda se sobrepor mais ainda em relação a um parceiro comercial. E o Brasil não deverá ceder, porque economicamente não faz sentido ceder. A gente viu que na imposição do primeiro tarifácio do ano passado, o Brasil conseguiu mercados alternativos e o prejuízo não foi tão grande. E politicamente faz menos sentido ainda ceder. E aí a gente entra nessa, nesse duelo, nessa disputa de narrativas políticas, né, que eu acho que é onde a coisa tá mais quente.

O Lula foi muito incisivo para cima do Flávio Bolsonaro, de uma maneira ali pé no peito, como não tinha ido até agora. Chamou o adversário de imbecil, que é um xingamento ali que todo mundo é capaz de compreender, né, daqueles mais populares e antigos e que não precisam de tradução. Portanto, querendo diminuir a estatura política internacional do Flávio Bolsonaro, que atuou no sentido oposto ao mandar um ofício para o Trump reafirmando uma parte, ou seja, valeu por classificar as organizações criminosas como terroristas, mas essa do Pix não foi legal e a do Tarifaço não foi legal.

Ele quer se colocar como alguém que fala de igual para igual com o presidente dos Estados Unidos. E para isso ele recebeu uma forcinha do Trump também, que fez uma postagem dizendo que ele é um cara inteligente. Então a gente tá nesse momento da semiótica de posicionar os personagens de alguma maneira. De um lado, o governo querendo dizer que a família Bolsonaro trabalha contra o país, trabalha contra as empresas e o agronegócio brasileiros, portanto tentando semear um desgaste para o Flávio Bolsonaro num setor que o apoia.

E de outro, a família Bolsonaro querendo reforçar essa ideia de que o Flávio é um interlocutor que o Trump respeita, mas que não foi ele que pediu o tarifácio, que é um pouco complicado de colar, né? Ah, o que é bom você fatura e o que é ruim você tenta se desvencilhar. Então a gente tem que ver disso tudo o que é que vai colar. Eu acho que PIX e PCC e Comando Vermelho são coisas com potencial de mexer no imaginário do eleitorado.

Porque é algo que está nas conversas, que todo mundo entende. Tarifácio, menos. Eu acho que as pessoas compreendem menos, mas causa um embaraço para o Flávio Bolsonaro junto a empresários, exportadores, setores que normalmente tenderiam a apoiá-lo.

?Voz E

Pois é, eu fiquei achando que esse post do Trump acabou saindo pela culatra, viu? Fiquei com aquela impressão assim, fã ou hater? Porque o encontro tem uma semana. Aí hoje, horas depois do tarifácio, ele posta a foto. Tudo bem que ele fez um elogio, mas aí fica difícil de desvencilhar, né, desassociar uma coisa da outra como Flávio tá querendo. Nas redes sociais, inclusive no X, tá bombando a hashtag #TareFlávio, tá em segundo lugar, depois vem Trump e depois o Pix é nosso.

Só tá perdendo mesmo para a partida de tênis aí do nosso João Fonseca que tá em primeiro.

?Voz D

Tare Flávio é uma sacada, digamos, muito boa do ponto de vista de slogan. E de apelido que tem potencial para pegar, né? É como o Tachade, são apelidos que vêm e colam, você vê que cola na hora assim. E eu acho que o temor de que pegue, e principalmente o temor de que se consolide a ideia de que ele foi para os Estados Unidos conspirar contra o PIX, que é algo amado por todo brasileiro, que consegue vencer a polarização, das raras coisas que não são sujeitas à polarização no Brasil, é o PIX.

Então acho que por isso que ele rapidamente quis escrever aquele ofício, barra carta, para o Trump, tentando se descolar disso. Me tira fora dessa, não tenho nada a ver com o tarifácio, não tenho nada a ver com tentativa de taxar o PIX.

?Voz E

A gente vai continuar falando dessas repercussões, né, reações dos aliados da base governista. Ana Carolina Tomé atrás para nós. Oi, Ana, boa noite.

?Voz H

Boa noite, Carol, Débora, Vera. A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros gerou forte reação política em Brasília envolvendo o governo Lula e os pré-candidatos à disputa eleitoral. O governo e a base governista apontam a família Bolsonaro como culpada pela ação que pode penalizar as empresas brasileiras. Segundo a deputada Glaise Hoffmann, o novo tarifácio americano é resultado das articulações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos contra o Brasil.

Já o deputado federal Lindbergh Farias disse que a situação é inaceitável. Ele acusou o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro de conspirarem contra o país. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência do PL, esteve em Washington e se reuniu com Trump e auxiliares do presidente americano. Já os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que participaram de um evento em Belo Horizonte, culparam também o presidente Lula pela possibilidade de mais um tarifaço contra produtos brasileiros.

Zema disse que o anúncio não surpreende, que é resultado da política internacional adotada pelo governo federal, que na visão dele afasta o Brasil do Ocidente.

?Voz G

Isso demonstra claramente a inoperância, incompetência do governo Lula com as relações internacionais. Durante o governo Lula, nós temos assistido o Brasil se aproximar de regimes autoritários impostos tarifários de Cuba, de Irã, e distanciar de países do Ocidente.

?Voz H

Já Caiado disse que a derrubada de imposições tarifárias partirão de um governo aberto ao diálogo, que para ele não é o que o governo Lula realiza.

?Voz G

O que nós não podemos aceitar é que venham taxar aquilo que realmente o Brasil sempre teve uma parceria, e que nós esperamos que esse diálogo seja reaberto. Se nós chegarmos ao governo, se Deus quiser, nós reabriremos esse diálogo.

?Voz H

A decisão final sobre a tarifa de 25% está nas mãos do presidente americano Donald Trump. Volto com você.

?Voz E

Obrigada, Ana Carolina. Parece, né, Vera, que o senador Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos para tentar virar a página do caso Master, mas acabou arrumando um outro problema para si, né?

?Voz D

Arrumou outro problema para si. E chama muita atenção o fato de que esses outros candidatos que são oposição ao governo não conseguem se diferenciar do Flávio Bolsonaro. Se é para ter medo de fazer qualquer contraponto ao Flávio Bolsonaro, eu fico imaginando por que eles são candidatos. No fim do dia, é só apoiar o Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Se eles não conseguem, diante de uma decisão que taxa o Brasil, é falar que o candidato da oposição foi lá na semana passada, e depois disso houve uma tarifa contra o Brasil, é impressionante.

Eu acho que fica ali muito evidente que são candidaturas que funcionam como linha auxiliar, linha auxiliar do bolsonarismo. É só para isso que eles são candidatos, e sempre juntos, e sempre falando em jogral, São candidaturas que não conseguem apresentar nada de diferente até aqui que fizesse o eleitor olhar para o quadro e votar em Romeu Zema ou Ronaldo Caiado e não no Flávio Bolsonaro. Então, até aqui candidaturas que padecem e carecem de um mínimo de identidade, de coluna vertebral, né?

?Voz C

Quem falou sobre o assunto também, meninas, foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante uma entrevista coletiva depois da entrega de uma obra de duplicação numa rodovia, na rodovia Wilson Finardi. Ele afirmou que essa medida pode prejudicar a economia brasileira e contrariar princípios que historicamente marcaram o desenvolvimento norte-americano.

?Voz G

É, a gente recebe muita preocupação essa possibilidade de um novo tarifácio, né, que tá em consulta. É algo que prejudica o Brasil, prejudica empresas brasileiras e empregos brasileiros. Como é que os Estados Unidos vão cobrar de alguém, vão falar de desmatamento. Então observe o que nós fazemos e o que eles fazem. Então isso não faz o menor sentido e vai demandar agora um esforço da diplomacia brasileira. Então a gente espera que haja uma orientação firme do governo federal, a nossa diplomacia, que eles possam estabelecer as conversas, entender quais são os interesses por trás de uma medida dessa, que uma medida dessa carrega interesse por trás.

?Voz C

Portanto, tivemos aí a fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é um aliado de Flávio Bolsonaro, criticando a medida, o anúncio feito pelos Estados Unidos.

?Voz D

É, exatamente. O governador de São Paulo foi mais firme do que os dois presidenciáveis, e ele que é aliado real do Flávio Bolsonaro fez uma crítica à determinação de tarifas contra o Brasil. Porque para os outros dois parece que os Estados Unidos estão certos, porque diante de um governo como Lula, o que mais, né, que o Trump poderia fazer a não taxar os produtos brasileiros em 25%. Então, nessa fala, o governador de São Paulo, que é um aliado real do Flávio Bolsonaro, conseguiu ser mais crítico ao governo americano do que os outros dois candidatos a presidente que supostamente pretendem disputar os votos de oposição ao Lula.

O fato é que a gente vai ter que ver como tudo isso que aconteceu de uma semana para cá Vai reverberar em termos eleitorais, né? A gente não sabe o quanto essa coisa intrincada de tarifa, de sanção, de relação entre Estados Unidos e Brasil chega, depois de mil filtros, filtro de rede social, filtro da conversa no bairro, da conversa de WhatsApp no grupo da família, etc., na cabeça do eleitor. O que a gente tem até aqui, né? Muito consolidado em termos eleitorais, uma polarização quase estanque, quase inabalável, que o Felipe Nunes chama, a meu ver, com muita propriedade, de cristalizada.

Porque aconteça o que acontecer, o raciocínio que a pessoa parece fazer é: ah, tudo bem, isso não foi legal, mas eu prefiro votar nessa pessoa a votar na outra, e dependendo do Flávio Bolsonaro ou do Lula. Então Eu acho que, a não ser que fique galvanizada a ideia de que a família Bolsonaro é contra o PIX, ele não vai sofrer um grande abalo por conta dessa coisa. Assim como o caso Mastercard, uma coisa de mais fácil compreensão porque envolve transferência de milhões de reais por alguém que tá preso, um banqueiro que deu um rombo bilionário no sistema financeiro, etc., causou um abalo pequeno.

Então, até aqui Parece que a cristalização da polarização é de tal natureza, de tal magnitude, que nem essas ondas aí eleitorais são capazes de mexer muito nos ponteiros das pesquisas. Questionei a esse respeito o Maurício Moura, por exemplo, e o Felipe Nunes. Maurício também parece cético em relação a haver uma movimentação importante em razão disso tudo. Ele acha que, a não ser que as pessoas compreendam a coisa do Pix, o resto fica meio difuso ali e cai na conta de quem você rejeita mais.

Então segue tudo mais ou menos inabalável. Vamos ter que ver de agora em diante. Outra coisa, quando chegar a campanha, num debate, porque aí o Lula, que fez esse discurso hoje, vai chegar para o Bolsonaro e falar diretamente na cara dele que ele trabalhou contra o Brasil. E aí você vai ter que ver como Flávio Bolsonaro vai reagir. Então, no embate direto entre os candidatos, quando esses temas forem organizados para o eleitor que tiver assistindo uma propaganda eleitoral, uma inserção, um debate, aí a coisa pode bater de uma outra maneira.

Mas agora, inclusive nas vésperas da Copa do Mundo, acho que é um assunto que fica ali meio insondável para a maioria do eleitorado.

?Voz A

I get so many headaches every month.

?Voz D

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?Voz D

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?Voz C

Viva Voz de volta. Igor Cardim em Brasília tem mais informações sobre o impacto econômico do tarifácio se ele vier a valer. A gente lembra que o Brasil tem até 15 de julho para tentar barrar as novas tarifas de 25%, mas e aí, se não conseguir, o que que pode acontecer, Igor?

?Voz I

Débora, cerca de 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos serão impactados então se o governo brasileiro e o governo americano não chegarem a um acordo para tirar ali essa tarifa adicional de 25% proposta pelo governo norte-americano. Apesar desse impacto potencial, uma extensa lista de exceções foi divulgada pelo escritório do representante do comércio dos Estados Unidos preservando produtos estratégicos para a pauta exportadora brasileira.

Isso de acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin. São itens como a carne bovina, café, suco de laranja, aeronaves e peças, além de petróleo, minérios e também das terras raras. O relatório diz que as práticas adotadas pelo Brasil em áreas como comércio digital, sistemas de pagamentos e também combate à corrupção, assim como desmatamento, prejudicam o comércio dos Estados Unidos. E aí, como como vocês trouxeram, o governo americano abriu essa fase de consulta pública antes de definir as sanções no dia 15 de julho.

A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, alertou que essa medida pode elevar então os custos, reduzir a competitividade e afetar cadeias produtivas nos dois países, defendendo a continuidade das negociações bilaterais. A ANCHAM Brasil ressaltou que afirmou que a proposta ainda é preliminar e que existe uma janela para negociações antes da decisão final, e defendeu também o diálogo entre os empresários brasileiros e norte-americanos.

Algumas associações se manifestaram ao longo do dia, entre elas a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, que pediu que os pescados brasileiros, assim como os crustáceos, também sejam excluídos de eventuais medidas tarifárias, argumentando que o não está entre os alvos da investigação americana. O setor calçadista também manifestou preocupação com esta proposta. Mais cedo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, disse que a medida pode afetar empregos ligados aos setores no Brasil.

?Voz G

Nós temos cerca de 54% do que nós exportamos para os Estados Unidos livre do tarifácio. 25% na seção chamada Seção 232, e 21% é que ficaria exposto se essa recomendação se convertesse. Os setores mais atingidos seriam de máquinas, de equipamentos, o que tem valor agregado e traz muito prejuízo para emprego, para renda, para as indústrias, ferro fundido e peixes e crustáceos. Essas são as áreas mais expostas se essa proposta se convertesse em tarifas, coisa que a gente acredita que não vai ocorrer.

?Voz I

O ministro citou ainda os setores industriais e manufatureiros que não foram incluídos na lista de exceções e estão entre os mais expostos ao tarifácio, também podem ser atingidos mesmo não sendo impactados por essa tarifa adicional. Débora.

?Voz C

Obrigada, Igor. O governo vai continuar negociando, né, Vera, para tentar encerrar a investigação antes do prazo de 15 de julho, reverter. Essa possibilidade de tarifação, de novas tarifas, mas quem não tá na lista de exceção fica, claro, apreensivo. Inclusive, hoje o governo falou na possibilidade de utilizar a lei da reciprocidade econômica, aquela que foi aprovada no Congresso, né, para responder esse anúncio dos Estados Unidos.

Teoricamente, o presidente Lula tem um canal com o Donald Trump bem mais aberto atualmente, né.

?Voz D

Pois é, parecia, né? Estiveram juntos faz pouco tempo, os dois saíram do encontro fazendo elogios recíprocos, dizendo que tinha sido um bom encontro. Mas aparentemente existe o fator Marco Rubio, que parece estressar as relações. E o Flávio e Eduardo Bolsonaro estiveram com Marco Rubio e ele tem carregado nas tintas em relação ao Brasil. Então Tanto é que nessa, nesse evento em Goiás, no qual ele soltou os cachorros no Flávio Bolsonaro, Lula também falou que o Marco Rubio não gosta da América Latina.

Enquanto Lula tava em Goiás, o Geraldo Alckmin tava comandando uma reunião com vários ministros, e nessa reunião o tom era um pouco diferente. A ideia de não carregar nas tintas e não fazer críticas ao governo Trump, concentrar todas as críticas e todo o contencioso na família Bolsonaro. O Lula saiu um pouco do script ao incluir o Marco Rubio nas críticas. Mas o que se aposta de uma maneira geral é que aquela coalizão que foi ali bem-sucedida para desarmar o primeiro tarifácio, que incluía Essas entidades que falaram na matéria do Igor, empresários brasileiros com muitos negócios nos Estados Unidos, como os Irmãos Batista e outros que têm acesso também à Casa Branca, a diplomacia brasileira, o MIDIC, tudo isso pode fazer com que dessa ameaça de 25% de tarifação resista pouca coisa.

Parece para muita gente que é isso, que o governo americano tá tentando ganhar alguma concessão na base da ameaça. Vamos ver o que vai sobrar de pé. Mas de qualquer forma, como eu falei no primeiro bloco, governo brasileiro conseguiu, no caso do Tarifaço, fazer do limão uma limonada, não só em termos políticos ao defender a soberania, mas também em termos econômicos, abrindo novos mercados e diminuindo o impacto que as tarifas poderiam ter.

Esses mercados seguem abertos, e agora tem esse adicional de ter havido uma boa conversa com a China para a venda da carne brasileira, que foi considerada livre de febre aftosa. Então, isso é um mercado gigantesco, né, o maior dos maiores do mundo para a carne brasileira. Então, pode haver aí alternativas que permitam ao governo diminuir o impacto econômico e ainda fazer um discurso soberano de que, olha, tentaram nos prejudicar aqui, nós fomos competentes em buscar novas saídas, novas rotas para os produtos brasileiros.

?Voz E

Até porque o impacto agora também é bem menor, né? É tanta exceção, como a gente ouviu na matéria do Igor, os grandes setores exportadores estão fora, né? Carne, café, suco de laranja, aeronaves. Até porque os Estados Unidos têm interesse em importar tudo isso, então malandramente colocaram na lista de exceção.

?Voz D

É aquilo que a gente falou da outra vez, para aqueles setores que são pequenos, não são grandes exportadores e dependem muito dos Estados Unidos, o baque é grande. Acho que é por isso que pescados, crustáceos, calçados estão aí protestando e tentando entrar na lista de exceções. Mas eu acho que cabe. Esse trabalho de diversificação de mercados também, porque a gente está diante de um governo altamente instável, que é o governo americano.

Enquanto está criando esse contencioso gigante com o Brasil, que a gente está, com razão, repercutindo, porque para a gente é muito forte, o que hoje está nas manchetes lá é que o governo americano desistiu daquela ideia de criar um fundo de 1 bilhão e 800 milhões. Então, quer dizer, um negócio que foi anunciado há 2 semanas e que agora o advogado-geral tá no Congresso, ainda não desistimos. Então eles anunciam coisas grandiosas e recuam desses anúncios numa velocidade vertiginosa.

Então a instabilidade total que o Trump cria a todo momento atinge a gente, mas atinge muito fortemente também o mercado interno, público interno. Tanto é que ele tá com uma das piores avaliações que um presidente já teve na história. Dos Estados Unidos. Então tudo isso cria muita confusão no mundo, faz todo mundo se agitar muito, mas ao fim e ao cabo também não é vantajoso para os Estados Unidos. Então pode ser sim que haja um recuo.

Essa coisa de avanços e recuos é uma das principais características da gestão Trump 2.

?Voz C

Muito bem, a gente faz mais um intervalo, você fica com o seu noticiário local. Na volta tem Tiago Bronzato, diretor da sucursal de Brasília, do jornal O Globo. E ele vai continuar repercutindo esse assunto, essa possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil.

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?Voz D

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?Voz A

See app for full terms.

?Voz D

Estamos de volta. São 6 horas e 48 minutos e já tá na linha com a gente o Thiago Bronzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. E que só escolhe dia tranquilo para falar no viva voz. Boa noite, Thiago.

?Voz B

Boa noite, Vera. Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. E boa noite aos ouvintes.

?Voz D

Dia tranquilíssimo.

?Voz E

Oi, boa noite, meu bronzado. Quando é que não é, né, gente? Não tem mais dia tranquilo.

?Voz D

Pois é. Bom, então estamos aí, Thiago, diante de mais um, mais uma ameaça de tarifácio contra o Brasil. Queria começar te ouvindo sobre qual o impacto político nas eleições desse possível novo tarifácio anunciado pelo Trump.

?Voz B

Olha, Vera, em uma semana o governo Trump botou os dois pés na eleição brasileira. Primeiro, tirou uma foto com Flávio Bolsonaro na Casa Branca. Todo mundo vai se lembrar dessa imagem, né?

?Voz D

Acho que perdemos o contato do Thiago. Vamos tentar refazer. A ligação com ele, a gente já tava vendo que o retorno dele tava meio baixo mesmo. Tamo refazendo aqui. Enquanto isso, a gente, ele dizia que foi num curto intervalo de tempo que o Trump acabou colocando os dois pés na eleição brasileira. Não era um player da eleição brasileira e de repente o governo dos Estados Unidos resolveram interferir de alguma maneira, mudando até aquela aproximação que vinha acontecendo com o presidente Lula e retomando uma proximidade com a família Bolsonaro, da qual eles pareciam querer se desvencilhar desde que o Bolsonaro tinha sido preso.

Então teve uma reversão aí de estratégia da Casa Branca em relação a isso. Eu acho que o Thiago já está de volta conosco. Thiago, você me ouve agora?

?Voz B

Oi, Vera, voltei aqui.

?Voz D

Você falava que o Trump resolveu pôr os dois pés na eleição brasileira.

?Voz B

Pois é, isso ficou muito claro assim. Primeiro a gente viu aí no intervalo de uma semana aquela foto do Flávio na Casa Branca, né? Depois a gente também acompanhou que os Estados Unidos decidiram designar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, que foi um duro golpe para o governo brasileiro. E agora os Estados Unidos propõe um novo tarifácio de 25% sobre alguns bens importados do Brasil e acaba declarando uma guerra aberta contra o PIX.

Que o Trump é cabo eleitoral da família Bolsonaro todo mundo já sabe, mas o que ninguém esperava mesmo é que a Casa Branca se tornaria de forma tão escancarada um comitê de campanha eleitoral do Flávio Bolsonaro. Isso porque, Vera, a conclusão da investigação comercial contra o Brasil não é só sobre comércio. É claro que há uma autodefesa comercial do governo americano que tá pressionando pela maior inflação, que tá pressionado pela maior inflação em 3 anos ali da sua história, mas Mas também é uma pressão política ali, travestida de medida comercial.

A Casa Branca escolheu um instrumento técnico bem específico para dizer que o Brasil prejudica interesses americanos em várias frentes, né? No relatório americano, eles mencionam a regulação das plataformas digitais, falam da propriedade intelectual, do matamento, citam até indiretamente a 25 de Março. Discurso, né, e ataca frontalmente o PIX. Isso ficou mais evidente ainda quando o secretário de Estado americano, Mike Rubio, disse que o Brasil está fora da lista de aliados confiáveis dos Estados Unidos na América Latina.

Lula entendeu bem esse recado e tirou uma foto erguendo um cartaz com uma frase dizendo que o PIX é do Brasil. Ele quis dizer que o PIX é um patrimônio nacional, que não é de propriedade americana e não deve ser atacado pelos Estados Unidos. Acabou sendo ali uma releitura do Petróleo é Nosso de Getúlio Vargas, né? E a ideia do Lula é justamente reforçar esse sentimento de soberania nacional no momento que o governo tá sob ataque dos Estados Unidos, sofrendo essa pressão política.

E o Lula sabe que o PIX é um patrimônio ficando muito caro para o brasileiro, porque ele tá ali no celular do comerciante, do motorista, da manicure, do bolão da copa. Enfim, o Pix tá presente no nosso dia a dia. E também o PT passou a explorar muito isso, né, e passou a colar no Flávio essa culpa pelo tarifácio, passou a propagar o rótulo de Tareflávio para colar no filho do ex-presidente a culpa por esse novo tarifácio. O Flávio, por outro lado, percebeu o perigo e divulgou uma carta aberta tentando se dissociar do tarifaço, culpou o Lula, disse que pediu para o Trump poupar as empresas brasileiras.

Mas enfim, acabou aí dando início à campanha eleitoral sob essa interferência dos Estados Unidos.

?Voz C

Pois é, Vera falou há pouco que Marco Rubio é o ruído, né, nessa relação, nessa química que achávamos dúvidas que existia ainda entre Lula e Trump. O que que Lula deve fazer agora? Como é que ele deve reagir a essa ameaça de uma nova derrota?

?Voz B

Pois é, Débora, o Lula está se organizando para desempenhar dois papéis difíceis ao mesmo tempo, né? Como presidente, ele vai tentar negociar, sentar e conversar diplomaticamente com a Casa Branca e diretamente com o Trump. E como candidato, ele tenta reagir num tom eleitoral. O Lula começou tentando puxar a crise para uma relação direta ali com o presidente americano. Ele disse que o Trump lhe deve uma reunião e uma ligação. Na prática, o que ele tá tentando fazer é tirar essa conversa das mãos de intermediários mais hostis, como o próprio Rubio, né, e dos canais paralelos ali abertos pela família Bolsonaro com a Casa Branca.

Na prática, o Lula quer sentar, olhar no olho do Trump e tirar um sorriso dele para tentar renegociar e resolver no tete a tete, como Lula costuma fazer. Mas ao mesmo tempo, Lula também piscou para China. Ele lembrou hoje que abriu da abertura do mercado chinês para carne brasileira e mandou uma mensagem para os Estados Unidos de que se uma porta se fecha, ele procura outra. É uma frase que funciona bem para o palanque, né, que reaviva aquele sentimento de nacionalismo e que também gera ali uma ameaça para Estados Unidos, mas tem um efeito limitado porque a China, que é o nosso principal parceiro comercial, compra muito do Brasil, mas não substitui automaticamente os Estados Unidos.

Então a reação do Lula vai passar muito pelo discurso político, até porque as opções de retaliações de também de impor qualquer sanção para os Estados Unidos são limitados. E o Lula sabe disso, né? Sabe que é uma negociação dura, sabe que é uma negociação difícil, sabe também que não é uma negociação com lado isento, porque a Casa Branca tem um lado, e o lado que a Casa Branca escolheu é da campanha do Flávio. Então, o que cabe ao Lula é, nos bastidores, negociar, tentar ali entrar em campo diretamente publicamente para falar com o Trump e ao mesmo tempo subir no palanque para atacar essa intervenção dos Estados Unidos.

?Voz E

Bronzato, a gente tá em cima da hora aqui, mas queria te ouvir rapidinho sobre a reação do Flávio, né? Que que ele vai fazer para se livrar desse rótulo aí de tari Flávio?

?Voz B

Pois é, Carol, não é uma reação muito difícil, né? Porque ele precisa provar que a proximidade que ele construiu ali com Trump É uma ponte, não pedágio muito caro que o Brasil vai pagar com esse tarifácio, né? E ele tentou fazer isso na carta que ele divulgou ali nas redes sociais, né, divulgando uma espécie da carta ao povo brasileiro dizendo que ele se colocava à disposição para negociar de igual para igual com Estados Unidos, mas não colou muito ali, né?

E também o Flávio também sofreu um reverso ali de imagem porque o o presidente americano divulgou hoje uma imagem dos dois ali na Casa Branca, só que era uma imagem um pouco diferente do que o Flávio havia divulgado. Flávio divulgou uma imagem em pé ao lado de Trump, e o Trump mostrou uma outra lógica visual. Na imagem divulgada pelo presidente americano nas redes sociais, o Flávio aparece sentado do outro lado da mesa, como se estivesse pedindo um favor, né?

Mas a dúvida que fica mesmo é se Flávio vai conseguir convencer o presidente americano teve esse tarifácio. A dúvida que fica mesmo é: se Flávio tinha tanto acesso ao Trump, por que que a proposta do tarifácio veio, né? E se ele tinha essa capacidade de interlocução, por que que ele não conseguiu poupar as empresas brasileiras nessa visita à Casa Branca? São dúvidas que o senador ainda não conseguiu explicar.

?Voz D

Tiago Bronzato com a gente todas as terças e quintas. Na quinta-feira a a gente certamente ainda vai continuar repercutindo os ecos dessa decisão. Só não sei se ele vai estar trabalhando no feriado, vai ou não, dessa decisão, ou de algum outro fato histórico apocalíptico que tá acontecendo nessa república, né? É isso que não poupa nem feriados. Obrigada, Bronzato.

?Voz E

Obrigado, valeu, beijo, até tchau tchau. Gente, rapidinho, Flávio tá no evento em Belo Horizonte, acabou de responder aí a fala do presidente Lula. Débora Costa, que que ele falou?

?Voz D

Boa noite.

?Voz J

Oi, Carol. Olha só, a campanha do pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou que vai ao STF contra o presidente Lula por incitação ao crime e ameaça após declarações contra o novo tarifaço dos Estados Unidos aplicado ao Brasil em evento em Goiás. Lembrando, petista atribuiu a nova taxação à família Bolsonaro, chamou os filhos do ex-presidente de traidores e vendilhões, e ainda citou o destino de tiradentes de enforcamento Lula ao falar da traição, de traição da pátria.

Durante cerimônia para receber o título de cidadão honorário pela Câmara Municipal de Belo Horizonte nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro chegou a exibir a gravação da fala de Lula e ainda rebateu o petista afirmando que não tem medo de ameaças.

?Voz G

Eu venho para cá indignado hoje porque eu fui ameaçado pelo presidente da República. Ele simplesmente ameaçou, né, de morte um concorrente um adversário político. E aqui eu quero dizer para esse ser o seguinte: o Lula, não tem a palavra medo no meu vocabulário. Aqui tem a palavra coragem. Você vai tentar me atingir de todos os jeitos com esses golpes baixos, e você vai engolir todos, porque você não será presidente da República a partir de janeiro do ano que vem.

?Voz J

Durante o evento, o senador também usou uma camisa com os dizeres em latim, liberdade, ainda que tardia, presente na bandeira de Minas Gerais. Símbolo da Inconfidência Mineira e também de Tiradentes, fazendo referência à fala de Lula. Flávio Bolsonaro, que agora vai participar de um encontro do PL estadual aqui em Belo Horizonte.

?Voz E

Carol, obrigada, Débora. Na verdade, a fala do Lula foi uma fala confusa, né, porque ele disse que o delator do Tiradentes é que teria sido enforcado, e não foi, né? Quem foi enforcado foi o Tiradentes, como todo mundo sabe. Mas aí o senador Flávio Bolsonaro reagindo a essa fala fala do presidente Lula mais cedo.

?Voz D

É, pois é, foi uma fala sem pé nem cabeça do presidente, na verdade, né? Não tem nada a ver isso que ele falou, porque afinal de contas o Tiradentes é um herói nacional. Se ele quer comparar o Flávio Bolsonaro, quem ele tá xingando, ao Tiradentes, não faz sentido nenhum. E o Joaquim Silvério dos Reis, que delatou o Tiradentes, não foi enforcado. Então, se ele queria comparar Joaquim Silveira não devia citar enforcamento. Realmente uma fala bem complicada.

Que esse climão do fim do Viva Voz corrobora bem aquilo que eu disse, tanto no Viva Voz do almoço quanto no início, que a tensão eleitoral está escalando rapidamente. E uma eleição que já tava polarizada ali, altamente polarizada, vai ganhando contornos movimentos bem agressivos e bem violentos antes mesmo do seu início oficial, né?

?Voz C

Por hoje, Viva a Voz chega ao fim, mas amanhã tem mais e provavelmente com mais emoção, né, Vera?

?Voz D

Provavelmente. Obrigada por hoje, meninas.

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