Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Se atingir o Pix, decisão dos EUA pode virar 'tiro no pé' para família Bolsonaro

01 de junho de 202642min
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Em entrevista ao Jornal da CBN, o ministro Dario Durigan alertou para possíveis riscos ao Pix após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas. Vera Magalhães analisa os impactos políticos da medida, comenta a operação que mirou uma produtora ligada ao filme 'Dark Horse' e os cálculos de Davi Alcolumbre sobre a PEC do fim da escala 6x1.

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Assuntos5
  • EUA classificam PCC e CV como terroristasRiscos ao Pix · Sanções a bancos brasileiros · Soberania brasileira · Sessão 301 · Propriedade intelectual · Comércio popular · Produtos falsificados · PCC · Comando Vermelho · Dario Durigan · Banco Central · Associação Brasileira de Bancos · Agronegócio
  • Atuação do STFÉtica judicial · Regulamentação das redes sociais · Fake news · Discurso de ódio · Carmen Lúcia · Gilmar Mendes · Alexandre de Moraes · Luiz Edson Fachin · Flávio Dino · André Mendonça · STJ · Supremo Tribunal Federal · Daniel Vorcaro · PGR
  • Fim da escala 6x1Tramitação no Senado · Davi Alcolumbre · Omar Aziz · Otto Alencar · Rogério Carvalho · Rodrigo Pacheco · Câmara dos Deputados · Rogério Marinho · PL
  • Demissão Crespo São PauloChapa Haddad-vice · Márcio França · Fernando Haddad · PSB · Simone Tebet · Marina Silva · Rede · Tarcísio de Freitas · PT · Lula
  • Produção e Roteiro do FilmeSuspeita de fraude em contrato com Prefeitura de SP · Recursos para filme 'Dark Horse' · Perseguição política · Flávio Bolsonaro · Jair Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Banco Master · Prefeitura de São Paulo · Instituto Conhecer Brasil · Ronaldo Caiado · Romeu Zema · Gilberto Kassab · Tarcísio de Freitas · Mário Frias
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Oi, Débora, tudo bem? Boa noite pra você, pra Carol, pros ouvintes, também pra quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite.

Vamos falar de tramitação da PEC do fim da escala 6x1? O Igor Cardin tem mais detalhes em Brasília sobre a tramitação no Senado e o presidente da Casa Davi Ocolumbre deve se reunir com os líderes para tratar justamente disso, não é, Igor?

Exatamente, Débora, boa noite para você, para a Vera, para os nossos ouvintes. Pois é, os senadores agora estão nessa expectativa pela reunião entre Davi Alcolumbre e os líderes ali do Senado, da base do governo, também da oposição, principalmente para entender como vai ser essa tramitação da PEC que muda a escala 6x1 e também pela indicação da relatoria desta PEC.

Lá no Senado. Hoje, um dos nomes cotados é do senador Omar Aziz, que é da base do presidente Lula, aliado ao presidente Lula. Essa indicação já teria acontecido, inclusive, em uma conversa com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, no fim da semana passada, já para tratar de como isso seria tramitado no Senado. Mas outros senadores também dizem que tem nomes fortes ali.

como o do senador Rogério Carvalho e do próprio senador Rodrigo Pacheco, que poderiam ser indicados para essa relatoria no Senado Federal. E agora, então, a expectativa é por essa reunião de líderes para entender o caminho da PEC, que acaba com a escala de trabalho 6x1, um texto que foi aprovado pela Câmara na semana passada. Então, dependendo da tramitação...

do presidente do Congresso. A expectativa é justamente que essa proposta seja remetida primeiro à CCJ, à Comissão de Constituição e Justiça, e depois, já avaliada ali, o texto siga ao plenário, mas a definição dessa tramitação será feita justamente por Alcolumbre e essas lideranças, tanto do governo quanto da oposição.

E aí, além dessa expectativa por esta reunião, há também a indicação de uma outra PEC, que inclusive houve a abertura de uma consulta pública ali sobre a avaliação da revisão dos modelos de trabalho.

Carteira Nacional de Trabalho, ali é o regime CLT, e aí houve uma abertura feita pelo gabinete do senador Rogério Marinho, para que a população mesmo aponte ali possíveis mudanças nos regimes de trabalho e essa...

A PEC teve também o apoio à assinatura de diversos senadores da oposição, querendo que essa PEC avance na tramitação ali em oposição à PEC 6x1. Mas esse tiro acabou saindo pela culatra ali da oposição, porque a maioria dos votos da população, mais de 70 mil interações feitas no site do Senado Federal, apontam que a população...

rejeita essa medida de negociação direta entre patrão e empregado para definição da escala de trabalho e cerca de 5 mil votos ali endossam essa medida da oposição. Então, ainda dois textos tratando sobre esse assunto ali no Senado. Débora.

Obrigada, Igor, pelas informações. O que deve caminhar, então, Vera? Imagino que seja a PEC original, que já foi votada na Câmara, mas não de modo tão rápido como aconteceu na Câmara, certo?

É, ele não vai correr como fez o Hugo Motta, ele dizendo o Davi Alcolumbre, porque ele não vai querer que pareça que está fazendo um serviço para o governo. Ele e o governo, ele e o presidente Lula ainda estão bastante atritados, desde a derrota do nome do Jorge Messias para o Senado ali há alguns meses. Então, o Alcolumbre está na seguinte situação, ele sabe que essa é uma medida de grande impacto popular.

Ele viu a facilidade com que ela passou pela Câmara, sem praticamente oposição de bancada nenhuma, foi quase uma unanimidade, inclusive do partido dele, União Brasil, dos demais partidos do Centrão, a própria direita se dividiu e acabou, em grande parte, apoiando a medida. Então ele fica ali numa situação muito complexa, muito difícil, porque não dá para barrar.

uma medida com essa popularidade em pleno processo eleitoral. Hoje mais cedo eu acabei me enrolando e falando que ele disputaria a campanha para o Senado, ele tem mandato até 2030, mas ele já é candidato à recondução para a presidência do Senado.

Tudo isso acaba impactando, porque ele tem que sair forte das eleições do Amapá, tem que eleger os seus aliados para a Câmara, para o Senado, para o governo do Amapá, para voltar a Brasília forte e reivindicar a posição de presidente do Senado novamente.

E, pelo que me falam, a Columbre andou refazendo alguns cálculos, chegando à conclusão que o Lula não está chegando tão fraco quanto ele imaginava para a eleição. Então, ele também não pode se desvincular, não pode romper totalmente com o presidente.

muito delicado esse que ele tem de fazer e não se opor dessa maneira à opinião pública e ficar como vilão da jornada e da escala de trabalho. Então ele vai colocar para votar sem nenhum tipo de entusiasmo, sem freguidão, como foi o caso do Hugo Mota, não é uma bandeira dele.

uma bandeira do moto e do governo, mas não vai conseguir se opor, de acordo com todas as opiniões que eu ouvi, desde aliados dele até aliados do governo, no Senado e no Executivo. E indo à votação, qual é a tendência na casa, Vera?

A tendência é aprovar, Carol. Mesmo qualquer articulação que venha a ser feita pelo senador Rogério Marinho, que é o cabeça pensante ali do bloco do PL, que é quem normalmente apresenta as proposições em contrário, e ele tem ali uma série de...

de aditivos ou de emendas a apresentar, inclusive estabelecendo que empregadores podem deixar de seguir a CLT para não ficarem vinculados ao que diz...

a PEC, etc., mas ainda assim deverá passar com poucas alterações em relação ao que saiu da Câmara, justamente pela força com que veio da Câmara essa proposta. Não dá para sair do salão verde ali, que é onde acontecem as articulações na Câmara, chegar ao salão azul com essa força e achar que vai dar para parar no peito. Então, mesmo a oposição não tem muita expectativa.

de desidratar a medida e não quer ficar com essa conta para ter que responder por ela durante a eleição.

Vamos para o nosso próximo tema, Carol? Vamos. Achei que tinha mais uma perguntinha ainda sobre esse tema, mas vamos falar de eleição em São Paulo, porque o presidente Lula externou aliados à preferência por contar com o Márcio França, do PSB, como candidato à vice na chapa do Fernando Haddad, o governo de São Paulo. O PSB, segundo a apuração aqui do Globo, insiste por hora na possibilidade de o Márcio França concorrer ao Senado. Então, a situação está indefinida.

O próprio Haddad já demonstrou contrariedade com esse impasse, que resolveu a equação nos próximos dias. Na semana passada, durante reunião da Executiva Nacional, o partido estabeleceu a candidatura do Márcio França como uma prioridade, ao lado da Simone Tebet, do PSB.

É uma maneira de se posicionar pela segunda vaga do grupo ao Senado, no momento em que essa federação pessoal-rede procura outras siglas para ampliar a rede de apoio da Marina Silva, que também quer concorrer ao Senado. Então tem esse impasse.

O Lula já chegou num evento ali ao lado da Tebet e da Marina pedir voto para as duas. O Haddad tem conversado com esse trio de ex-ministros do governo Lula sobre os rumos eleitorais. Mas ele está tentando definir a chapa estadual até esse mês de junho, porque a gente já está chegando perto aí.

nessa eleição, o PSB acha que o posto de vice não tem tanta visibilidade quanto concorrer ao Senado, mas o próprio Márcio França já deu declarações de que vai fazer 100% que o presidente Lula entender como mais correto. E aí, Vera, o que esperar dessa chapa em São Paulo? Tem muita gente querendo concorrer ao Senado, mas temos aí essa vaga de vice na chapa do Haddad.

É, que é uma vaga que não anima ninguém, Carol, a verdade é essa, porque o Haddad não é favorito para ganhar. Todas as pesquisas mostram um favoritismo muito grande do governador Tarcísio de Freitas para se reeleger. O Haddad vai tentar fazer uma campanha forte, competitiva, para principalmente puxar a votação do Lula. Essa é a estratégia do PT em São Paulo, é perder de pouco.

para o Haddad ir para o sacrifício em nome do Lula e fazer esse movimento, faz todo sentido, porque ele está se cacifando para, se o Lula for reeleito, ele ser o chefe da Casa Civil e aí já ser o nome do PT para 2030. Então tem todo um encadeamento.

que para ele faz sentido e pelo sacrifício pela terceira vez em nome do Lula. Então ninguém mais dentro do PT vai estar tão credenciado junto ao Lula para ser o seu sucessor natural. Já o Márcio França vem de uma relação de não tanta confiança com o PT, porque ele abriu mão de ser candidato ao governo.

em 2022 para ter um ministério, para fazer a chapa Lula-Alckmin, mas aí ele ganhou o Ministério do Desenvolvimento Econômico, mas logo em seguida já foi rebaixado para um ministério menor. Foi criado esse ministério da pequena e microempresa para abrigá-lo, quando se precisou fazer uma mexida política ali, e ele caiu para um ministério.

que ele nunca gostou e nunca fez muita questão de esconder, que ficou insatisfeito com aquilo se julgando desprestigiado. E agora, de novo, ele ficar sem um mandato para um dirigente que sempre teve vida partidária e sempre lidou com vida partidária, é ficar sem nenhuma garantia. Tudo bem, vai ter um ministério lá na frente com o Lula, mas ele já teve uma experiência de ter um ministério ruim.

Então, não vejo o Márcio França super animado com esse arranjo e, na verdade, também não vejo o Haddad super animado para ter o Márcio França como vice. E gostaria de ter uma mulher, gostaria de ter alguém da centro-direita, mais de centro, que desse um caráter mais liberal à sua chapa, tirasse um pouco o peso da esquerda. Então, é o tipo de aliança que o Lula está querendo promover e que não agrada a nenhum dos lados.

Então é uma tratativa difícil, o Lula consegue às vezes dar nó em pingo d'água, a gente já viu ele fazer isso em outras oportunidades, mas esse aí é um caso em que ninguém está com esse amor todo para fazer essa aliança. Por outro lado, ter dois candidatos ao Senado do PSB parece muito, porque também deixaria a Marina de fora, Marina essa que não tem uma vida fácil no seu próprio partido, a rede.

A rede já quis puxar o tapete dela para essa disputa, e para disputar de novo a Câmara, a ex-ministra tem dito aliados que não vai, que não quer ser deputada federal. Então, é um nó para desatar em muitas pontas, não só...

em relação ao Márcio França e ao PSB. Vai exigir que o Lula se dedique mais especificamente a São Paulo, com mais afim com a São Paulo e a Minas, porque são dois palanques importantíssimos, os mais importantes do país e que estão absolutamente atrasados no campo da esquerda.

Vamos para o nosso próximo assunto. A Samanta Klein traz aqui mais detalhes de Brasília sobre declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigam, em relação às consequências após a classificação de PCC e Comando Vermelho pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Oi, Samanta.

Débora Vera Carowé, o ministro disse ao jornal da CBN que vai justamente buscar fontes do governo norte-americano, da diplomacia, para tentar falar, conversar a respeito dessa decisão que resultou na classificação.

do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Nessa entrevista ao jornal da CBN, ele disse que essa decisão pode também afetar o PIX e os bancos brasileiros, bastando uma alegação de que existem contas dessas organizações criminosas nas instituições financeiras. Durigam também afirmou que a classificação abre espaço para sanções contra os bancos.

E ele disse ainda que o Brasil não pode ficar preso nesse tipo de intervenção. E lembrou ainda que o Pix é o maior símbolo de soberania brasileira. Ele negou ainda que não se trata de terrorismo com a população ao falar sobre o Pix.

E afirmou ser lamentável que a movimentação dos americanos ocorra justamente num período eleitoral. E aí é que entra, então, não só o Ministério da Fazenda, mas o Ministério da Indústria do Comércio, a Diplomacia, que tenta buscar reuniões com a diplomacia norte-americana, com o Departamento de Estado e outras entidades.

para tratar dessa decisão em relação às organizações criminosas, mas também em relação à Sessão 301, que investiga não somente o PIX, mas questões de propriedade intelectual e também o comércio popular e produtos falsificados aqui no Brasil. Lembrando que o prazo desse grupo de trabalho que trata da investigação...

termina no dia 15 de julho, tem uma necessidade de tentar estender esses trabalhos. Então, alguns ministérios, principalmente ligados à área econômica, estão buscando esses passos, assim como o Itamaraty.

Eu também conversei com a Associação Brasileira de Bancos. Eles me afirmaram o seguinte, que essa resolução tende a gerar reflexos sobre as empresas que operam no Brasil, sobre os bancos, principalmente aqueles que têm operações internacionais. E aí vem nesse sentido, quando Dario fala em PIX, é mais uma das operações que são feitas, claro, somente no Brasil, que é regulado pelo Banco Central.

mas ele fala sobre a questão do rastreamento, monitoramento. E os bancos, segundo a BBC, terão de gastar mais com monitoramento, com compliance, justamente para rastrear eventuais clientes ligados ao PCC e Comando Vermelho.

Obrigada, Samanta, pelas informações. No caso do PIX, né, Vera, é o principal meio de pagamento hoje aqui no Brasil. Mais da metade das transações são feitas via PIX. O governo, de alguma forma, está exagerando para tentar trazer a população para o seu lado? Porque agora tem mais uma corrida para apagar esse incêndio por vias diplomáticas, para tentar reverter uma decisão dos Estados Unidos num curto espaço de tempo, né?

Por enquanto, a gente não sabe se o PIX vai ser efetivamente atingido pela decisão. Existe essa outra discussão que a Samanta trouxe de que o PIX pode vir a ser considerado antieconômico, uma coisa que prejudica a concorrência dos cartões, inclusive de bandeiras americanas, etc. E aí seria um outro...

golpe para o Brasil, mas aí seria um tiro que sairia imensamente pela culatra da família Bolsonaro e do Trump, etc., porque o Pix é uma das coisas mais populares que tem no Brasil, eu acho que hoje em dia o Pix é mais popular que o Neymar. Não está difícil também não, hein?

Isso aí seria um imenso tiro no pé. Então, isso eu imagino que a família Bolsonaro, que está sempre tramando alguma coisa em relação ao que os Estados Unidos podem interferir no Brasil para ajudá-los, não gostariam que eles fizessem. Em relação à losagem que já existe do PCC, do Comando Vermelho, como organizações...

terroristas, isso pode atingir subsidiariamente o Pix na medida em que se chegar à conclusão que essas organizações fazem negócios via Pix, e elas devem fazer, porque fazem uma série de transações. Mas podem atingir, por exemplo, exportadores brasileiros, que utilizem empresas de transporte, que depois a gente vai descobrir tem alguma ligação com o PCC, e aí essas empresas podem ficar também proibidas de exportar.

para os Estados Unidos e para outros países, porque indiretamente contrataram empresas ligadas ao PCC. Então existe uma insegurança generalizada em toda a economia, porque a gente sabe que para lavar dinheiro, essas organizações criminosas estão infiltradas em muitas atividades legais da economia.

E muitas vezes quem faz negócio com essas empresas que são lavanderias não está envolvido necessariamente no esquema, acaba sendo pego de gaiato. Então tem uma chance de prejuízos para várias áreas, inclusive o agronegócio é uma das áreas que eu tenho visto que está mais preocupada.

com isso, porque usa muito transporte, combustível, vários setores em que o PCC está atuando e infiltrado. Então, acho que tem um risco grande para várias atividades econômicas que não se mediu direito quando se adotou essa nomenclatura. E rapidinho, Vera, qual é o tom agora? Porque o próprio presidente Lula modulou um pouco esse discurso em relação ao PCC e OCV.

Ele passou a se referir a eles como grupos terroristas para as populações que estão sob o seu julgo. E aí com isso ele tenta evitar qualquer pecha de que esteja querendo defender bandido, defender organização criminosa. Ele está dizendo assim, uma coisa é a soberania do país e você pedir para um outro país interferir.

questões de segurança e questões econômicas brasileiras. A outra coisa é o enfrentamento a esses grupos que são terroristas para as populações e que o governo já vem fazendo. E aí ele sai, né, dizendo da carbana oculto e de várias operações. Então, ele também começou a carregar nas tintas para cima dessas facções para que não fique parecendo ou que a oposição não diga que ele está defendendo o bandido.

Muito bem, a gente faz agora uma pausa aqui no Viva Voz, você fica com o noticiário local, já já tem mais análises de Vera Magalhães sobre o Gilmar Palusa, o contraponto feito aqui no Brasil pela ministra Carmen Lúcia, também tem Eduardo Graça com mais informações das eleições na Colômbia e também do conflito no Oriente Médio e a rejeição de contas de Cláudio Castro no Rio de Janeiro.

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Viva a voz de volta. A ministra do STF, Carmen Lúcia, cobrou ética de juízes durante um evento em Brasília, enquanto pelo menos três ministros da corte estão em um evento em Lisboa, um evento conhecido como Gilmar Palusa. O Igor Cardin tem mais informações sobre isso. Oi, Igor.

Pois é, Débora, a ministra Carmen Lúcia defendeu a imparcialidade, a transparência e a ética no Poder Judiciário durante esse Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial realizado pelo STJ aqui em Brasília.

de um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal, ela disse que os magistrados devem atuar com integridade e compromisso ético, reconhecendo que algumas falhas podem ocorrer, mas ressaltando que desvios de conduta precisam ser identificados e enfrentados para fortalecer a confiança.

da sociedade nas instituições. Ela destacou ainda os desafios enfrentados pelo Poder Judiciário em meio ao risco de erosão democrática e a crise de confiança pública nas cortes. Ela disse sobre a disseminação rápida das fake news, das informações falsas e também do discurso de ódio nas redes sociais para comprometer a credibilidade de juízes e também dos tribunais. Como você comentou essa fala...

foi feita após os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes defenderem a necessidade de regulamentação das redes sociais e também das big techs como forma de preservar a democracia. Eles estão participando daquele fórum jurídico de Lisboa, em Portugal, o evento que é promovido todo ano pelo ministro Gilmar Mendes e que reúne autoridades dos três poderes na Europa para uma série de debates sobre o judiciário e também a política brasileira.

Na fala de abertura deste evento, o ministro Gilmar Mendes falou que há uma concentração de poder econômico e informacional muito grande em torno das plataformas digitais. Já o ministro Alexandre de Moraes disse que todos os setores econômicos com impacto na sociedade tiveram regulamentação e que não pode ser diferente com as big techs e as redes sociais.

Ele afirmou ainda que é dever dos estados a regulamentação, mas não uma regulamentação que exija neutralidade ou que cerceie a liberdade de expressão, mas que combata os discursos de ódio. Não é possível mais que as redes sociais continuem, em muitos aspectos, sendo terra de ninguém. Em que as pessoas, de forma covarde, por pseudônimos ou números ou perfis falsos, instiguem crianças e adolescentes.

a suicídio, a automutilação, pratiquem crimes, discurso de ódio. Se o abuso criminoso no exercício, numa pseudo liberdade de expressão, acabar com a democracia, nós não teremos nem democracia e muito menos liberdade de expressão.

Segundo o ministro, esse tipo de medida é urgente porque em pouco tempo, com a internet por satélite, os países não terão a tecnologia necessária para impedir a veiculação nos seus próprios territórios. Débora. Obrigada, Igor Cardim, pelas informações. Vera, o discurso dos ministros do STF estão ajustados?

Olha, me parece que esses eventos, ocorrendo concomitantemente, eles explicitam a divisão que existe hoje na Corte. Um grupo ligado ao ministro Gilmar Mendes, que é o decano da Corte, e que conta com o próprio Alexandre de Moraes, com o ministro Flávio Dino e outros, de um lado. E o grupo do presidente Luiz Edson Fachin, que tem aí o apoio da ministra Carmen Lúcia, de outro.

Eles nunca vão, não são figurinhas carimbadas nesses eventos internacionais, Carmen Lúcia e Fachin não foram novamente, não deixaram de ir só nesta edição. E a concomitância do evento lá de Brasília, falando sobre ética, que foi organizado pelo ministro do STJ, Herman Benjamin, me parece ali uma coisa que não é uma simples coincidência.

Me parece algo planejado para marcar essa distinção e marcar quem está em um evento e quem está no outro. Este ano de ministros titulares, ministros que estão ainda no exercício da Judicatura no Supremo, só o Alexandre de Moraes compareceu ao Fórum de Lisboa, que é o Gilmar Pauloso. O ministro Flávio Dino iria, mas teve um problema, uma fratura no pé e acabou não comparecendo.

E outro ministro que esteve no ano passado e que era muito ligado ao ministro Gilmar, porque foi professor do IDP e na origem eram próximos, é o André Mendonça, que agora é relator do Máster e que se afastou do ministro Gilmar, se afastou desse grupo desde que essas investigações começaram. Então, a ausência dele, ele recusou o convite esse ano.

mostra também esse afastamento e essa divisão do Supremo em, eu diria, três grupos. O grupo do ministro Fachin, o grupo do ministro Dilmar e o grupo do André Mendonça é um grupo independente, um terceiro. Então está bem tenso o negócio, isso fica evidente com essas falas.

e a gente vai ter que ver o que isso vai resultar quando, por exemplo, chegar ali uma nova tentativa de se fazer uma delação do Daniel Vorcaro, que a Polícia Federal está em novas negociações.

E a gente vai ver se dessa vez vai ser aceito pela PF, vai ser aceito pela PGR e vai depois ser homologado pelo ministro relator, que é o ministro André Mendoza. Porque esse outro grupo que está em Lisboa agora tem sérias objeções à ideia de uma delação do Vorcaro. Então tem muita coisa para acontecer que vai cada vez mais acentuar essa divisão que existe hoje no Supremo Tribunal Federal.

e que tem o caso Master como principal fator de estresse hoje. Gente, nós temos informações em Belo Horizonte porque o senador Flávio Bolsonaro falou sobre essa operação da Polícia de São Paulo para investigar se recursos da Prefeitura de São Paulo podem ter sido usados para acuxar o filme Dark Horse. A Débora Costa conta para nós, ele falou em perseguição, né Débora? Boa noite.

Exatamente, Carol, boa noite para você e para os ouvintes. O pré-candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, chamou de pescaria probatória e perseguição a operação realizada hoje pela Polícia Civil de São Paulo contra a ONG, produtora do filme do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, do mesmo partido. Em visita a Belo Horizonte para uma série de agendas com apoiadores políticos e do agronegócio, Flávio disse que a investigação não tem a ver com o filme de Bolsonaro.

O que eu estou sabendo, a prefeitura de São Paulo anunciou, é que é um contrato antigo de uma prestação de serviço de internet, que tem absolutamente nada a ver com o filme. Eu só não quero crer que a gente está sendo vítima, mais uma vez, de uma pescaria probatória, de uma perseguição.

A operação da Polícia Civil Paulista teve como alvo o Instituto Conhecer Brasil por suspeita de fraude em um contrato anual de 108 milhões de reais com a Prefeitura de São Paulo. A produtora é a mesma do filme de Bolsonaro que retrata a trajetória política do ex-presidente. O caso ganhou repercussão depois que a produção foi citada em conversas de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e que tratavam sobre pedidos de recursos financeiros para a realização do longa.

Também em visita a Belo Horizonte, o pré-candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, evitou tecer críticas ao adversário bolsonarista sobre o caso. Caiado afirmou que não cabe a ele comentar operações do tipo e que trabalha para que a direita tenha uma candidatura competitiva nas eleições de outubro. Afirmou ainda que em reunião com outro pré-candidato da direita, Romeu Zema do Novo, na semana passada,

Ele defendeu que o campo não pode se dispersar, senão vai perder o segundo turno para o presidente Lula do PT. Eu sempre trabalhei com um objetivo muito claro. Se nós começarmos a nos dispersar, nós não vamos ter bom resultado no segundo turno.

Eu acho que este processo tem mais me preocupado neste momento. Nós tivemos que chegar com um grau de convivência pacífica e harmoniosa entre nós. Porque senão, se cada um no segundo tempo cruzar os braços, você já tiver que achar, então esse aí que vai sozinho, isso não vai ser uma boa campanha para nós. Quem mais quer nos ver divididos é o PT.

Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou durante o Fórum de Portugal que Flávio deve se explicar sobre o caso e defendeu a candidatura de Ronaldo Caiado como o único candidato sem problemas na vida pública. De olho no segundo maior colégio eleitoral do país e nas alianças políticas para as eleições, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e o senador Flávio Bolsonaro participam de um evento do agronegócio aqui em Belo Horizonte na noite desta segunda-feira.

e de uma série de agendas com o setor e aliados políticos em cidades mineiras nos próximos dias. Carol. Obrigada, Débora. Só para ressaltar, essa investigação da Polícia Civil de São Paulo foi aberta a pedido do Ministério Público. Era um pouco estranho falar em perseguição numa investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, que é comandado pelo Tarcísio de Freitas.

Exatamente, a Polícia Federal não teve nada a ver com essa operação, foi uma operação da Polícia Civil, deflagrada por indícios apontados pelo Ministério Público, então passou ao largo do governo federal, não se pode falar.

em perseguição. O prefeito Ricardo Nunes também falou a respeito, tentou dissociar a investigação da própria realização do filme, mas o fato é que essa produtora e todas as empresas do conglomerado dessa produtora Carina Gama, elas estão sendo investigadas e um dos contratos mais robustos que elas têm é com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de Wi-Fi em comunidades carentes.

E é esse contrato que está sob investigação, no bojo desse contrato que aconteceu a operação de hoje e acontece que, além desse contrato com a Prefeitura de São Paulo, ela também tem a produtora que está fazendo o filme do Jair Bolsonaro, que a gente sabe que já está investigado também por uma série de outras coisas, destinação de emendas.

recursos de emendas para esse filme, toda a triangulação com o Master, envio de recursos para o exterior para bancar o filme. Então, eu acho que aí vão surgir investigações em várias frentes. Mas essa que apareceu hoje é ligada a um contrato com a Prefeitura de São Paulo, que realmente não tem a ver com o filme.

mas que mostra aí os tentáculos políticos dessa holding ligada a essa pessoa que é muito próxima do Mário Frias. Muito bem, a gente faz mais uma pausa aqui no Viva Voz e na volta tem Eduardo Graça para comentar os assuntos internacionais. Fica aí.

Prepara o grito que Nescau chegou com o feat do ano. Vem torcer com o novo hit de Ana Castela, feat Pedro Sampaio. Essa dupla que combina igual leite com Nescau. Então joga, aumenta o volume e vem junto. Dá o play e ouça já a música agora ou nunca. Nescau, energia que dá jogo.

O Viva Voz está de volta, são 6 horas e 51 minutos e já está com a gente na linha o Eduardo Graça, repórter especial do Globo, comentarista de assuntos internacionais aqui no Viva Voz. Boa noite, Edu. Boa noite, Vera. Oi, Débora. Oi, Carol. Boa noite a todos os ouvintes. Oi, Edu.

Edu, a gente vai começar falando do conflito no Irã, porque fontes extra-oficiais deram conta de que o Irã suspendeu as negociações de paz com os Estados Unidos, no mesmo dia em que o Trump teve de intervir após o Netanyahu avisar os moradores de Beirute que ia iniciar um ataque de grandes proporções no sul do Líbano. Em que pé que estão essas negociações para encerrar essas guerras no Oriente Médio? Já não pode nem falar em uma guerra só.

E o que é essa suspensão das negociações nos dias? Vera, desde fevereiro a gente trata aqui quase toda semana da guerra dos Estados Unidos de Israel contra o Irã e tirando, você me corrija se eu estiver errado, mas tirando o frágil cessar fogo assinado lá no dia 8 de abril, eu acho que nós aqui nunca conseguimos vislumbrar um horizonte claro para o fim do conflito.

O Donald Trump, ele segue num atoleiro em que ele mesmo se enfiou. Hoje, de fato, ele afirmou que teve de intervir para que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não iniciasse um ataque no sul de Beirute, a capital do Líbano. A gente viu imagens de pessoas ali saindo da cidade desesperadas. E o Irã, imediatamente, claro, acusou os adversários de infringirem esse frágil cessar-fogo.

e ameaçou responder duramente ao ataque israelense, ao eventual ataque israelense, e o impasse assim segue. E ele segue porque Teheran entendeu que pode seguir resistindo a um inimigo que não tem como fazer uma invasão por terra, que exigeria pelo menos uns 200 mil soldados. E não há apoio popular nenhum nos Estados Unidos para isso. E aí o Irã se recusa a incluir nas tratativas para a paz.

que ele agora pulou fora, tanto entregar o controle do Estreito de Hormuz, que é por onde passa a produção de petróleo que o país exporta, quanto a um controle internacional real do seu programa nuclear. Aí o Trump não tem como convencer os americanos a cinco meses de eleições importantes, quando os americanos vão decidir quem é que vai controlar o Congresso, de que ele não está protagonizando, Vera, nesse momento, a maior atrapalhada militar americana desde a guerra do Vietnã.

E se os democratas de fato vencerem em novembro, como as pesquisas estão mostrando, e ganharem ali a maioria na Câmara, e talvez ainda que seja mais difícil até no Senado, já são certos um festival de CPIs nessa segunda parte do segundo governo Trump sobre corrupção, envolvendo familiares, amigos, família, empresas do presidente. Enfim, a situação dele é muito complicada. Seguimos sem um horizonte claro para o fim dessa guerra.

Edu, aqui na América do Sul, ontem os colombianos foram às urnas para escolher o próximo presidente. Quem vai para o segundo turno é o esquerdista Ivan Cepeda, que é apoiado pelo atual presidente, Gustavo Petro, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella. Não sei se eu falei certo, me corrija. Quais lições, inclusive para a disputa presidencial aqui no Brasil, que a gente pode tirar desse resultado da Colômbia?

Os dois já apareciam, Débora, à frente em todas as pesquisas, mas tem um porém aí. O político esquerdista, o Cepeda, o candidato do presidente Gustavo Petro, que foi o primeiro esquerdista eleito presidente da Colômbia, aparecia na frente. Então teve uma arrancada do La Esprilha na reta final, que alterou a posição dos dois. Tem uma diferença de pouco menos de dois pontos, há uma polarização grande, mas foi o resultado do voto útil dos eleitores da terceira colocada.

que era uma direitista tradicional, a senadora Paloma Valência, que viu a sua candidatura ser muito esvaziada no fim. Ela teve pouco menos de 7% dos votos, menos da metade do que as pesquisas indicavam. Os dois candidatos que vão para o segundo turno, eles representam valores e símbolos bem diferentes. Sepadé é político, filho de políticos, e argumenta que agora o que está em jogo é a democracia colombiana e as suas instituições.

O De La Esprella, por sua vez, prega antipolítica, é o candidato do contra tudo isso que está aí. Ele se autodenomina El Tigre e ele quer seguir a linha de pessoas, líderes que ele é fã declarado. Um deles é o presidente americano, Donald Trump, o outro é o da Argentina, Javier Milley.

E o outro de El Salvador, Naíbe Bukele. Ele defende uma linha dura contra a criminalidade, ele defende uma reforma liberalizante radical na economia e apoio total aos Estados Unidos, inclusive, num tema que é importante para o Brasil, a beça agora, que é o combate direto ao crime organizado por Washington dentro do país. Ou seja, o que os eleitores do nosso vizinho decidirem, acharem o que é melhor e como...

os dois lados nas próximas três semanas vão convencer a eles que estão certos, vão ser observados com lupa, tanto pelo lulismo quanto pelo bolsonarismo aqui. Para quem quiser mergulhar mais no tema, Débora, eu queria indicar a ótima análise do Renato Vasconcelos, que foi publicada agora de tarde no Globo.

Edu, o presidente americano Donald Trump indicou o deputado estadual da Flórida, Daniel Pérez, para ocupar o posto de embaixador aqui no Brasil, que estava vago desde o fim do governo Biden. O que isso representa e, como diriam os antigos, que apito Daniel Pérez toca? Daniel Pérez toca o apito trumpista. Ele é descendente, exatamente como o secretário de Estado Marco Rubio, de imigrantes cubanos, mas são imigrantes que foram o primeiro.

para o estado de Nova York, depois foram para a Flórida, e ele teve uma posição muito interessante, porque além, Carol, dele ser deputado estadual, ele foi presidente da Assembleia Legislativa da Flórida nos últimos anos. Ele bateu de frente com o governador da Flórida, o conservador Ron DeSantis, em vários projetos que o Ron DeSantis queria passar, que eram projetos que não interessavam ao Trump. Um, inclusive, do Ron DeSantis ter a própria ICE dele.

que é aquela agência de imigração e alfândega que está batendo duro nos imigrantes que não têm a documentação correta para estar nos Estados Unidos, e não só como a gente viu em Mineápolis com a morte de, inclusive, cidadãos americanos. Então ele é uma figura muito afinada.

com o governo Trump, que estava dando um certo problema na política interna na Flórida, então é uma solução boa internamente para o Trump mandar ele para o Brasil, e é um cara que segue a linha Marco Rubio de ser. Não sei se isso é exatamente o que o governo brasileiro gostaria de ter como embaixador em Brasília. É isso, Eduardo Graça com a gente todas as segundas-feiras falando dos assuntos internacionais. Obrigada por hoje, Edu. Até segunda que vem.

Boa noite a todos. Até logo. Obrigado, Vera. Valeu, Edu. Beijo. E beijo pra você também, Vera. Por hoje, Viva a Voz fica por aqui, mas amanhã tem mais. Amanhã tem mais, gente. Até amanhã aí no estúdio. Beijo. Beijo, Vera.

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